sábado, julho 16, 2011

BEST OF MY LOVE - EMOTIONS

Uma das canções mais ouvidas no ano de 1977, um êxito da música Pop. Vozes extraordinárias, ritmo melódico, em suma, música da boa que vale a pena recordar.


HISTÒRIAS

DE HODJA


Um vizinho ouve um enorme barulho, à noite, em casa de Hodja. Vai rapidamente a sua casa, bate à porta e pergunta ao Hodja o que aconteceu.




"Oh, nada", responde Hodja. "A minha esposa atirou o meu casaco pelas escadas... foi só isso"


O vizinho não acredita na história: "Hodja, como pode um casaco fazer tanto barulho?"



"É simples", diz Hodja. "Quando ela o atirou, eu tinha-o vestido"

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA




Episódio Nº 154


U

Uma surpresa aguardava Tereza ao regressar naquele fim de tarde, em sua estreia de enfermeira: encontrou Oto entregue às baratas, o bucho cheio de cachaça, a boca mole, a fala engrolada. Após a perspectiva de eleitorado e a visão de um varioloso em busca de atendimento no posto, o doutorzinho escondido em casa esvaziou uma garrafa de branquinha; de fraca resistência ao álcool, de bebedeira fácil, ao ver Tereza entrar toda animada, disposta à narrativa das peripécias da vacinação, se afastou aos trambolhões:

- Não me toque, por favor, se lave primeiro, com álcool, o corpo todo.

Continuara a beber enquanto ela tomara banho; não quis comer, encolhido na cadeira, resmungando. Manteve-se afastado de Tereza até encornar; ela o pôs no leito vestido como estava.

No dia seguinte saiu antes dele acordar e já não se falaram quase. Nunca mais ele a tocou e nos dias em que ali ainda permaneceu, lutando na cachaça entre o desejo e a vergonha de fugir, Oto dormiu sozinho, num sofá, na sala à espera que ela fosse embora, deixando-o só, sem aquela presença acusadora. Sim, acusadora, pois saía cada manhã cedinho a ajudar doutor Evaldo e Maximiano, voltando tarde da noite moída de cansaço, enquanto ele demorava menos tempo no posto de saúde, onde crescia o número de doentes em busca de permanganato, cafiaspirina, álcool canforado. Para o doutor, cachaça era o único remédio.

Quando um dia Tereza o acordou do porre para lhe anunciar o fim do estoque das vacinas e a necessidade dele sair a atender doentes, pois doutor Evaldo já não dava conta, o doutorzinho armou seu plano: ir a Aracaju a pretexto de buscar vacinas, lá adoecer – gripe, cólica, anemia, febre louca, qualquer moléstia lhe servia – e pedir substituto para a direcção do posto de Buquim. Viera abaixo por completo: a barba por fazer, os olhos injectados, a voz pastosa, perdidos os resquícios de delicadeza.

Quando Tereza lhe disse, com certa rispidez para largar a garrafa, sair à rua para cumprir seu dever de médico e, seguindo o exemplo do doutor Evaldo, visitar os doentes nas casas, respondia aos berros:

- Vá-se embora daqui, vá pró inferno, puta escrota.

- Daqui não saio. Tenho muito que fazer.

Deu-lhe as costas, cansada, foi dormir. Livre pelo menos do desejo do doutorzinho a quem os encantos de Tereza não mais tentam, bêbado e broxa no medo da bexiga.

Quando o doutor Evaldo baqueou, faltando-lhe o coração, não a coragem, na hora da morte a reclamar vacinas, o jovem médico não esperou pelo enterro do colega – vou em busca de socorro, vou trazer vacinas, vou ali já volto, vou depressa, vou correndo, vou. Sem bagagem, às escondidas, no apito do trem escafedeu-se para a estação e embarcou para a Bahia.

O trem para Aracaju só passaria daí a quatro horas, não era louco de esperar, de permanecer por um minuto a mais naquela terra de morte negra e mulher maluca e desgraçada, tomara que a bexiga a coma inteira. (clik na imagem e aumente)

4ª ENTREVISTA FICCIONADA



COM JESUS SOB O TEMA:



“O SENHOR NASCEU EM BELÉM?”





RAQUEL - Atenção estudios! ... Nossa unidade móvel encontra-se já em Belém, cinco quilómetros a sul de Jerusalém. Viemos aqui com Jesus Cristo, que, conforme relatado em nossa edição anterior, foi apresentado de forma inesperada no mundo, embora sua presença não parece atrair muita atenção dos mídia. Dos ouvintes das Emissoras Latinas, sim. Bem-vindo de volta aos nossos microfones!

JESUS - Shalom, irmã, a paz para ti!

RAQUEL - Diga-me, Jesus Cristo, como se sente ao voltar para Belém, sua cidade natal?

JESUS – Por que dizes que é a minha terra natal?

RACHEL - Bem, porque… porque o senhor nasceu aqui em Belém há dois mil anos, certo?

JESUS - Acho que estás errada, Raquel. Eu não nasci aqui. Nem sequer conheço esta cidade…

RAQUEL - Não conhece Belém?

JESUS – Não, é minha primeira vez que vejo estas colinas.

RAQUEL - Deve haver alguma confusão porque… todo mundo sabe que o senhor nasceu aqui ... Olhe para os milhares de fiéis em fila para entrarem na Basílica da Natividade, aqui, à nossa esquerda, construída no lugar onde sua mãe o deu à luz...

JESUS - Onde foste buscar essa história, Raquel?

RACHEL - O que quer dizer onde? Está escrito na sua biografia, no Evangelho de Lucas. Todo o nosso público sabe a história.

JESUS – Com que então Lucas, pois… já imagino como apareceu essa história de Lucas… e tu que és jornalista vais entender muito bem.

RAQUEL - Sim, explique-me, porque ...

JESUS - Olha, Raquel, aqui em Belém, mil anos antes de mim nasceu o rei David, o rei mais amado do nosso povo e Lucas, provavelmente, para me favorecer e apresentar-me também como rei, como um novo David, fez-me nascer aqui.

RAQUEL - E o censo do Imperador César Augusto, e José e Maria que vieram aqui registá-lo montados num jumento? Não foi isto que aconteceu?

JESUS - Bem, eu me lembro que os romanos fizeram um censo para nos cobrar mais impostos. Mas isso foi não sei quantos anos depois de eu ter nascido. Lucas, que era muito imaginativo, deve ter sabido da história e colocou-a no seu evangelho.

RAQUEL – Então… o evangelista mentiu?

JESUS - Eu não diria isso. Lucas estava muito impaciente para pregar o reino de Deus e encontrou um em Belém um lugar, como vamos dizer… poético, para eu nascer.

RAQUEL - E não se passou um pouco a mãozinha sobre o evangelista Lucas?

JESUS - Talvez ... mas o importante não é onde se nasce, mas onde se trabalha e luta ...

RAQUEL - Em suma, onde nasceu o senhor?

JESUS - Em Nazaré, onde havia de ser? Por isso todos me conheciam como Jesus de Nazaré.

RAQUEL - E os anjos ... e a estrela ... e os reis magos?

JESUS – Falaremos disso mais tarde, Rachel. Sabes que mais? Tenho curiosidade de entrar naquela igreja e ouvir o que o pregador vai dizer… não me vá parecer com Lucas e inventar demasiado também! Lucas e tornar-se também!

RAQUEL - Amigos, enquanto Jesus Cristo entra na Basílica da Natividade, a nós, nos ficam muito perguntas no ar. Se um evangelista inventou o nascimento de Jesus em Belém, o que não teriam inventado os outros?

Raquel Perez, de Belém em Judá.

sexta-feira, julho 15, 2011

MARAVILHAS DA TECNOLOGIA

(utilize todo o ecrã)

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 153


Quando, tomando o pião na unha durante a conversa consequente à deserção de Juraci, partiu Tereza rua afora a vacinar, o doutorzinho ficara tonto: referira a insolência da enfermeira para obter de Tereza insinuação de fuga, convite de partida, um conselho, um comentário, uma palavra. Em lugar de lhe oferecer o bom pretexto, a imbecil se metia a irmã de caridade. Obrigando-o a ir ao posto em vez de ir à estação.

No posto recebera a visita do Presidente da Câmara Municipal, no exercício do cargo de prefeito, em busca de informações sobre as medidas tomadas pelo doutor director e também e também para conversar. Comerciante e fazendeiro, chefe político, amigo da família do doutorzinho, a ele viera Oto recomendado.

Falou franco: um político, meu jovem doutor, deve agir politicamente mesmo em meio dos cataclismos, sendo a bexiga o pior deles. A ameaça de morte para a população do município, pavorosa praga, tinha no entanto a epidemia lado positivo para candidato a rápida carreira política, sobretudo tratando-se de médico, e ainda por cima director do posto de saúde. Era assumir o comando da batalha, à frente dos funcionários ou de quem fosse – subtil referência ao facto de ter visto a manceba do doutor na rua, a vacinar – para debelar o surto da bexiga negra, livrar o município do monstro sem piedade.

Melhor oportunidade não pode existir, meu caro, para abocanhar a gratidão e os votos da gente de Buquim. O povo é pagador correcto e adora médico capaz e devotado – basta ver o prestígio do doutor Evaldo de Mascarenhas, não foi vereador, prefeito, deputado estadual por lhe serem indiferentes as posições e os cargos. Mas doutor Oto Espinheira, se tomasse a ocasião pelos cabelos, com o prestígio advindo da família e da bexiga por ele expulsa da cidade, poderia assentar em Buquim base política indestrutível, ramificada pelos municípios vizinhos, onde igualmente chegariam com certeza a varíola e a fama do doutor – para alguma coisa, caro amigo, há-de servir a epidemia.

Agradeça a Deus, doutor, a colher de chá que lhe está dando e a aproveite: atire-se à luta, visite os bexigosos e cuide deles, dos ricos e dos pobres, faça o lazareto sua moradia. Se pegar bexiga não se importe, sendo vacinado dificilmente morrerá; uns dias de febre e o rosto enfeitado de picadas, para o eleitorado não há melhor cartaz, médico de cara bexigosa é candidato eleito.

Algum perigo existe, é claro, já aconteceu a bexiga levar consigo médico com vacina e tudo, mas quem não planta não colhe, meu doutorzinho, e afinal a vida só vale a pena para quem a joga a cada instante e paga para ver.

Tendo assim aconselhado seu pupilo, despediu-se. No fim da rua, a rapariga do doutor a vacinar na porta de uma casa. Bonita de dar medo, sobretudo a um homem virtuoso igual a ele, temente a Deus e bem casado; como se não bastasse a bexiga
. (clik na imagem)

HISTÓRIAS



DE HODJA



As pessoas estavam a discutir quem é que era capaz de subir ao topo de uma árvore alta e Hodja aceita o desafio.

“Se conseguir fazer isso vocês pagar-me-ão uma moeda cada um. Se eu não conseguir, serei eu a pagar a moeda a cada um de vós.”

A aposta é aceite. Então Hodja diz:

- “Tragam-me uma escada alta.”

Ouve-se o protesto de todos: “Não dissemos que era possível usar escada.”

“Tudo bem”, respondeu Hodja. “E disseram que tinha de se subir sem escada?”

Hodja recebeu todas as moedas.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À 3ª ENTREVISTA COM JESUS

SOB O TEMA: “DE ONDE VENS?” (2º e último)



A Autoridade de Jesus

É para nos apresentar a esse "outro Deus" e para encurtar distâncias a esse novo Deus que nos ajuda a crescer e a assumir a responsabilidade pelas nossas vidas e pelo nosso mundo que Jesus "vem" uma segunda vez à Terra.

Com a autoridade de Jesus - esta série é apenas um artifício literário - os autores querem partilhar convosco muitas ideias que o bom senso, compaixão e humanismo nos sugerem, ideias que diversas correntes teológicas libertadoras vêem expondo há muito tempo.

Queremos recuperar a mensagem original de Jesus e questionar dogmas, ritos, tradições e história, que nos foram escondendo e distorcendo.

quinta-feira, julho 14, 2011

AMÀLIA RODRIGUES - FOI DEUS

Ouvir Amália e ver a nossa Lisboa, velhinha, castiça, cheia de história, nalguns locais aguardando que se rejuvenesça, mas sempre presente na língua dos nossos escritores, na voz dos nossos poetas e cantores e na memória de quem nela nasceu, cresceu e se fez velho...


As Duas Pulgas (Para quê complicar...)
(Max Gehringer)




Duas pulgas líderes estavam conversando e então uma comentou com a outra:

- Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. Daí a nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero.

É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.

Elas então decidiram contratar uma mosca para treinar todas as pulgas a voar e entraram num programa de treino de voo e saíram voando. Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:

- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reacção é bem menor do que a velocidade da coçada dele.

Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam voo rapidamente.

Elas então contrataram uma abelha para lhes ensinar a técnica do chega-suga-voa.

Funcionou, mas não resolveu e a primeira pulga explicou por
quê:

- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não nos estamos alimentando direito.


Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez. E então um pernilongo treinou-as para aumentar o tamanho do abdómen.
Resolveu, mas por pouco tempo. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar.

Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:

- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plásticas?

- Não, entramos num longo programa de treino. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.

- E por que é que estão com cara de famintas?

- Isso é temporário. Já estamos a treinar com um morcego, que vai ensinar-nos a técnica do radar de modo a perceber, com antecedência, a vinda da pata do cachorro.

E você?

- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.

Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha:

- Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em um programa de treino, numa reengenharia?

- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.

- Mas o que é que as lesmas têm a ver com pulgas, quiseram saber as pulgonas.

- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse:

- "Não mude nada. Apenas pouse na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança."

HISTÓRIAS



DE HODJA




Um dia uns amigos decidem pregar uma partida a Hodja e dizem-lhe que estão a apostar que ele não é capaz de trepar a uma árvore, com a intenção de lhe fugirem com os sapatos quando ele começasse a trepar.

Hodja aproxima-se e eles desafiam-no:

- “Estamos a apostar que ninguém consegue subir aquela árvore!”

Quando Hodja aceita o desafio, aproxima-se da árvore, tira os sapatos e ata-os à camisa. Os amigos estupefactos, perguntam:

- “Por que levas os sapatos contigo?”

- “Nunca se sabe, no topo da árvore pode haver um caminho” diz Hodja.

TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio Nº 152



Não sabendo de Tereza senão a formosura e a condição de rapariga do director do posto, maior se lhe faziam respeito e espanto. Quando pela primeira vez saíra com ela a vacinar, sem entender o motivo da amiga do doutorzinho substituir a enfermeira fugitiva, no clima de epidemia a subverter a ordem social, a confundir as classes. Maxi das Negras elaborou projectos e ousadias: ao lado de Tereza no trabalho e na repugnância, no perigo e no pavor, tendo ele de lhe sustentar o ânimo, havendo ocasião e Deus lhe ajudando, ah na cabocla se poria, juntos ornamentando o director do posto, o inútil doutorzinho, com benditos chifres sanitários – deleitoso pensamento!

Logo desistiu sem sequer tentar, ânimo e coragem foi ela quem lhe deu, a mulherzinha. Se Maxi não capou o gato, seguindo as pegadas da enfermeira, deve-se a Tereza. Sentira vergonha de abandonar o serviço, ele, homem forte e pago para executá-lo, quando, sem remuneração, frágil criatura mantinha-se de queixo erguido, firme, sem um queixume, a dar ordens tanto nas casas de família como a ele, Maxi das Negras, ao apavorado doutorzinho, ao velho doutor Evaldo; ao povo todo comandando. Onde já se viu daquilo?

Quando as vacinas finalmente chegaram, trazidas pelo farmacêutico Camilo Tesoura, que, em Aracaju, tivera notícia do surto de varíola e de moto próprio fora à Directoria de Saúde, onde lhe entregaram a encomenda e para breve prometeram reforço de pessoal – diga ao doutor Oto para ir se arranjando com a gente da cidade enquanto providenciamos pessoal competente, não é fácil decidir alguém a arriscar a vida por salários pífios. – Maxi das Negras disse:

- Pena não haver mais algumas iguais a vosmicê, siá-dona. Se houvesse mais três ou quatro, a gente dava um jeito na maldita.

Tereza Batista ergueu o rosto onde os sinais de fadiga marcavam os cantos dos olhos e dos lábios, sorriu para o mulato – rude e grosseiro, porém disposto – e um fulgor de cobre, um relâmpago, lhe apagou nos olhos o cansaço:

- Sei onde buscar, deixe comigo.

T

Tarde chegou o farmacêutico com o recado da Directoria de Saúde de Sergipe: o doutorzinho não esperou o enterro do doutor Evaldo; cruzaram-se ele e Camilo Tesoura na estação.

Tivesse juízo e já estaria longe, passageiro do trem de carga das cinco da manhã após a noite do Juízo Final quando Zacarias exibira no posto a cara de perebas. Pensando bem, pensando cada facto, tudo era culpa da desgraçada da mulher, que diabo tinha ela de sair a vacinar o povo, a cuidar de bexiguentos, mulher tão absurda essa Tereza. Por mais formosa fosse e apertada tenha a crica, não é mulher, é bicho de mato, animal sem sentimentos, incapaz de reflectir, de entender, de apreciar o bom da vida.

Vocação e família de político, ali viera cavar mandato para trocar de vez esse país de bexiga e de pobreza pelas terras do Sul de riqueza e higiene, festas, jardins, teatros, luzes, moderníssimas boates, rendez-vous de categoria internacional, só não haverá mulher mais bela e mais gostosa do que Tereza. Mulher? Não, não é mulher, é assombração, rainha da bexiga. Ao ademais, no medo, trancado em casa lavando as mãos em álcool de dois em dois minutos, lavando o peito com tragos de cachaça, fumando sem descanso, constante vontade de urinar, a examinar-se no espelho, a tocar no rosto em busca de calombos, ah! nesse meio tempo de terror, o doutorzinho perdeu o verniz de educação, a ambição política, o respeito humano e o tesão – já não o tentam os eleitores, os votos de Buquim, mirabolantes planos, nem os encantos de Tereza, o esplendor do corpo, a plácida presença, a buça de torquês. (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÔES ADICIONAIS À



3ª ENTREVISTA COM JESUS SOB O TEMA:


“DE ONDE VENS?”



Um Outro Mundo, Outro Deus

Esta série de entrevistas exclusivas com Jesus Cristo intitula-se"Outro Deus é Possível." É uma frase que choca e chama a atenção quando se ouve pela primeira vez. No entanto, podemos preenchê-la com muitos significados. Desde o slogan "Outro Mundo é Possível", lançado no primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre, Brasil, em 2001, tornou-se comum entre aqueles que vêem as injustiças e desigualdades que prevalecem no mundo - guerras mundiais, fome, violência contra mulheres, violações dos direitos humanos - entendemos a necessidade de construir um outro mundo, outra ética, outros valores mobiliários, além do dinheiro e do mercado. Outro mundo não só é possível como necessário.

Para que "Outro Mundo" seja possível é preciso questionar e rejeitar a Deus – a ideia de Deus - pregado, legitimado e sustentado por aqueles que construíram este mundo tão injusto.

Para que outro mundo seja possível é necessária transformar a ideia de Deus. Há uma necessidade urgente de"outro Deus". Na mensagem de Jesus de Nazaré, encontramos os traços de Deus de que precisamos para transformar o mundo.

quarta-feira, julho 13, 2011

PORTO - Capital do Norte de Portugal. Um filme lindíssimo da Sony.


TEREZA



BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA


Episódio Nº 151


Não soube apenas lavar variolosos, passando permanganato e álcool canforado nas borbulhas, aplicar vacina; soube convencer os mais recalcitrantes, temerosos de pegar a doença no acto da inoculação. Realmente, podia acontecer, e por mais de uma vez acontecera quando aplicada a vacina a pessoa predisposta, provocar reacção violenta, febre e pereba, borbulhas, surto benigno da enfermidade, tímida varicela.

Maxi impaciente, queria resolver à bruta, vacinar na raça, criando conflitos, dificultando a execução da tarefa. Paciente e risonha, Tereza explicava, exibindo as cicatrizes das próprias vacinas no braço moreno, inoculando-se novamente para demonstrar a ausência de qualquer perigo. Ia tudo muito bem, populares vinham colocar-se frente ao posto à espera dos vacinadores quando o estoque das vacinas terminou. Novo telegrama para Aracaju pedindo urgência na remessa.

Doutor Evaldo, preocupado com o contágio cada dia mais extenso, obtivera no comércio oferta de alguns colchões para o lazarento onde deviam ser instalados aqueles enfermos sem condições de tratamento em casa, os de maior perigo na propagação do vírus. Antes, porém de se colocarem os colchões fazia-se necessária uma limpeza em regra na rudimentar construção de sopapo escondida no mato, longe da cidade, como se dela tivessem vergonha os habitantes.

Em companhia de Maxi das Negras, cada um carregando creolina e água em latas de querosene, Tereza Batista entrou pelo caminho proibido; o mato crescera e Maxi descansava as latas em terra para abrir com a ajuda de um pedaço de facão, picada por onde atravessarem. Há mais de um ano estava vazio o lazareto.

Os últimos a habitarem-no foram dois leprosos: um casal, quem sabe marido e mulher. Juntos apareciam ao sábado na feira para tirar esmolas, punhados de farinha-de-pau e de feijão, raízes de aipim ou de inhame, batata doce, uns raros níqueis atirados ao chão – cada vez mais comidos pela praga, buracos no lugar da boca e do nariz, cotocos de braços, pés enrolados em aniagem. Morreram certamente juntos ou com pequena diferença de tempo, pois deixaram de comparecer à feira no mesmo sábado.

Como ninguém se interessasse ou se atrevesse a ir ao lazareto recolher os corpos e enterrá-los, os urubus banquetearam-se com os restos, magro banquete, deixando no cimento os ossos, limpos da lepra.

Maxi das Negras olhava com espanto (e com respeito) para a cabocla bonita, manceba do médico, sem necessidade a coagi-la, sem obrigação de nenhuma espécie, as saias arregaçadas, os pés descalços, a lavar o chão de cimento do lazareto, a juntar os ossos dos leprosos, para eles cavando sepultura. Enquanto a funcionária Não-Me-Toques caía fora, abandonando o posto de saúde, indiferente a obrigações e a consequências – demitam-me, não me importa, não vou morrer aqui – a rapariga, sem salário, sem ter porque, ia de casa em casa, incansável, sem horário e sem medo, lavando doentes, passando permanganato nas borbulhas, perfumando-as com espinhos de laranjeira quando cresciam em pústulas cor de vinho, trazendo dos currais bosta de boi para queimá-la no interior das residências.

Ele próprio, Maximiano, habituado à miséria do sertão, perito nas mazelas e desgraças do povo, curtido e calejado, sem parentes nem aderentes, dono de sua vida e de sua morte, e para aquele emprego contratado, mal pago, porém pago cada fim de mês, ainda assim, por mais de uma ocasião naqueles dias, pensara em largar tudo e, igual à enfermeira Juraci, proclamar a independência: pernas para que te quero? (clik na imagem e aumente)

HISTÓRIAS



DE HODJA


Hodja pergunta a um amigo: “Como é que se pode saber quando alguém está morto?”

O seu amigo explicou: “As mãos e os pés ficam frios, gelados”

Poucos dias depois, Hodja vai para a montanha apanhar lenha num dia em que faz muito frio e as mãos e os pés de Hodja ficam gelados. Então ele lembra-se daquilo que o amigo lhe tinha dito, pensa que está morto e cai no chão à espera que alguém o vá buscar para o enterro mas, como não aparece ninguém ele levanta-se novamente e com dificuldade chega a casa. Quando a esposa lhe abre a porta este diz-lhe:

- “Eu estava lá nas montanhas e morri. Avisa os nossos amigos e vizinhos e pede-lhes para tratarem do meu funeral.” Depois disto volta para a montanha.

A sua mulher inicia o luto. Agarra nos cabelos desesperadamente e vai de vizinho a vizinho gritando: “O meu marido morreu na montanha!”

Os moradores estão surpreendidos, “se ele morreu na montanha quem é que lhe deu a notícia?”

A mulher de Hodja explica: “O pobre alma não tinha ninguém… ele morreu sozinho e voltou para casa sozinho para me dar a notícia.”

3ª ENTREVISTA FICCIONADA


COM JESUS CRISTO SOB O TEMA :



“DE ONDE É QUE VENS?”




RAQUEL - Última Hora, último minuto!...Jesus Cristo, o Messias esperado, voltou à Terra e está aqui entre nós, ao meu lado ... Estações Latinas, mediante contactos privilegiados, conseguiu trazer-lhe suas primeiras palavras que estão disponíveis na nossa página da Internet…

JESUS - E aqueles que vem até aqui, quem são, Raquel?

RAQUEL - Jornalistas de outras estações ... e da televisão. Já nos localizaram.

JORNALISTA - Hey, onde se meteu?, hein?... Você é o tal de Jesus?

REPÓRTER - Estamos esperando-o desde ontem! ...Todas estas pessoas querem vê-lo e ouvi-lo... por que se escondeu da imprensa?

JESUS - Eu não me escondi de ninguém ... o que acontece é que ...

CORRESPONDENTE - Que faz você aqui neste canto se temos preparado um fórum especial para falar lá em cima, não vê?

JESUS - Mas se você está aqui, por que não falamos aqui?

JORNALISTA - Não, na tribuna de honra, VIP, estão esperando o patriarca de Constantinopla, os pastores de todas as confissões Evangélicas, muitos cardeais, bispos ... de uma hora para outra, chega o Papa de Roma ...

JESUS - Quem são esses?

CORRESPONDENTE - O que quer dizer com quem são eles? São seus representantes, que administram suas próprias igrejas ...

REPÓRTER - Diga-me, Jesus Cristo, como chegou aqui, numa nave espacial, um OVNI, talvez?

JORNALISTA – De onde vem o senhor agora?

JESUS - De Deus. Nós vimos sempre de Deus.

CORRESPONDENTE - Onde esteve todo esse tempo? Hibernate como Walt Disney? no céu ou na cave do Vaticano?

JESUS - Eu estava com Deus. Estamos sempre com Deus.

REPÓRTER - Alguém disse que você foi clonado a partir de uma gota de sangue no Sudário. É um clone de Deus?

JESUS - Não sei o que queres dizer ... eu me considero... um filho de Deus.

JORNALISTA - Veja se consegue concretizar algumas respostas ... Diga-nos o que veio fazer na Terra?

JESUS – Escutem, amigos e amigas. Era uma vez um semeador que saiu a semear. Algumas sementes caíram sobre rochas, outras em terra de espinhos…

REPÓRTER - Oh, não, parábolas, não, temos apenas 15 segundo para fechar o noticiário... Seja sucinto, preciso e conciso, por favor. Algo que crie impacto no nosso público.

CORREPONDENTE - Você apoia a criação de um Estado palestino independente?

REPÓRTER – Qual a sua posição sobre o aborto?

JORNALISTA - Imperialismo dos EUA e narcotráfico?

CORRESPONDENTE – Para onde vai a esquerda latino-americana?

JESUS - O que é isto, Raquel? Um interrogatório como Pôncio Pilatos?

RAQUEL – São coisa dos dias de hoje, Jesus Cristo… alguns jornalistas são como abutres…

JESUS - Mas nós não somos carniça ... Vem, vamos embora para a Galileia!

RAQUEL - Sim, é melhor…

REPÓRTER - Hey, ouçam, quem é essa jovem que anda com Jesus Cristo, hein?

CORRESPONDENTE - Será a nova Maria Madalena…

REPÓRTER – E que credenciais tem ela para estar próxima de Jesus Cristo?

JORNALISTA – Esse não é Jesus Cristo… com aquela barba parece um terrorista da Intifada!

JESUS - Em três dias, caminhando, chegamos à galileia.

RAQUEL – Em três horas, hoje já não é preciso ir a pé como no seu tempo.

JESUS – De verdade? E como viajaremos, de camelo?

RAQUEL – Nuns camelos com rodas…depois lhe explico… mas por que não vamos a um sítio mais próximo, se formos de táxi em minutos chegamos a Belém, que lhe parece?

JESUS – Belém? Onde nasceu o rei David!

RAQUEL – E onde nasceu o senhor também, não é verdade… sigamos… a caminho de Belém e na companhia de Jesus Cristo, Raquel Pérez, das Emissoras Latinas.

terça-feira, julho 12, 2011

AMÁLIA RODRIGRUES - ESTRANHA FORMA DE VIDA

Amália é a expressâo não do fado mas da canção nacional. Como diz Carlos do Carmo, ela está noutro patamar...

SALVA


DA MORTE



POR UM

MARINHEIRO…



Uma loira, belíssima, ia atirar-se da ponte 25 de Abril quando apareceu um marinheiro:

- Eh, pá, miúda, não faças isso!

- Sim! Vou atirar-me! A minha vida é uma desgraça!

- Não faças isso! Olha, o meu navio está de partida para o Brasil. Porque é que não vens comigo e pensas melhor durante a travessia?

Chegando lá, se ainda te quiseres matar, pelo menos ficaste a conhecer o Brasil.

A loira achou a proposta razoável e seguiu com ele para o porão do barco, onde viajaria clandestinamente.

Durante duas semanas o marinheiro visitava a loira à noite, levava-lhe comida e água e fazia amor com ela.

Todos os dias, comida, água e… pimba.

Um dia, o comandante fez uma inspecção ao porão do navio e descobriu a loira.

Ela não teve outra alternativa senão contar-lhe a verdade:

- Sabe, Sr. Comandante, eu estou aqui como clandestina a viajar para o Brasil porque um marinheiro salvou-me da morte. Todas as noites ele traz-me comida e água e, como agradecimento, eu deixo-o fazer amor comigo.

Fizemos este acordo até chegarmos ao Brasil. Ainda falta muito para lá chegar?

- Não sei, menina, mas enquanto eu for o comandante e este barco pertencer à TRANSTEJO, só fazemos a travessia Cacilhas - Terreiro do Paço, Ida e Volta. (Em cima e à direita o navio em viagem para o Brasil...)

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA





Episódio Nº 150




Depois chega o momento quando não há sequer tempo e vontade para enterro e cemitério e os finados se contentam com covas rasas na lama dos caminhos, onde for mais fácil.

Quando se está envolto em peste e medo, muito já se faz queimando bosta, lavando pus, furando as borbulhas uma a uma, rezando a deus. Como ainda cuidar de sentinela, me diga, camarada?

R

Rogério Caldas, o prefeito Papa-Vacinas – o apodo adquire arrepiante conotação, com bexiga solta na cidade e a falta de vacinas – foi sepultado numa tarde clara de domingo.

Devido às circunstâncias, Buquim perdeu ocasião de enterro grandioso com banda de música, cortejo soberbo, os alunos do Grupo escolar, os soldados do posto da Polícia Militar, os membros da Confraria e os da Loja Maçónica, as demais personalidades, discursos eloquentes realçando as virtudes do falecido. Não é todos os dias que se tem a chance de levar ao cemitério Prefeito morto em pleno exercício do cargo. Magro acompanhamento, breves palavras do Presidente da Câmara Municipal – “sacrificado ao dever cívico”, afirmou ele, referindo-se ao pungente fim do astuto administrador, nos últimos dias verdadeiramente desagradável à vista e ao olfacto, pois carreiras de apostemas se uniam pustulentas ao longo do seu corpo em grandes chagas infectas, formando a chamada bexiga de canudo, a bexiga negra na hora de matar.

Para o povo, porém, a bexiga de canudo era uma espécie ainda mais virulenta de varíola, a mais terrível, dita a mãe da bexiga, de todas as outras, da negra, da branca, do alastrim, da varicela. Na certa, na opinião do Presidente da Câmara Municipal, o falecido prefeito, no cumprimento do dever cívico, experimentara a bexiga para constatar-lhe a boa qualidade, certificando-se, antes de entregar a seus cuidados a população do município, tratar-se de varíola de primeira classe, varíola major, bexiga negra de canudo, a mãe de todas.

Doutor Evaldo de Mascarenhas foi o último a merecer, dias depois, acompanhamento e lamentações. Octogenário, surdo, quase cego, meio caduco, arrastando-se pelas ruas, não se traçou em casa, não se foi embora. Enquanto o coração se manteve cuidou dos seus doentes e de todos os outros de que lhe deram notícia – Havia bexiguentos escondidos, com receio do lazareto – sem medir forças, as últimas forças do organismo gasto; fez quanto pôde, muito não se pode contra a peste. Foi ele que tomou Providências para preparar o lazareto e quem executou tais providências foi Tereza Batista, braço direito do doutor naqueles trabalhosos dias antes do cansado coração do velho rebentar.

Teve tempo apenas de mandar por Tereza um recado para o colega Oto Espinheira, director do posto de saúde: ou chegam mais vacinas com urgência ou morre todo o mundo de bexiga. Em seguida faltou pela primeira vez aos seus doentes.

S

Sendo de ofício artista de cabaré, amásia, mulher-dama, acidentalmente professora de crianças e de adultos, para as polícias de três estados da Federação, profissional de brigas e arruaças, desordeira, Tereza Batista em poucos dias fez curso completo de enfermagem com o doutor Evaldo de Mascarenhas e com Maxi das Negras, pois era criatura de fácil aprender – já o dizia dona Mercedes Lima, sua mestra de primeiras letras.

HISTÓRIAS
DE HODJA


Hodja sobe ao púlpito e pergunta à Congregação:

- “Vocês sabem o que vou dizer hoje?”

- “Como podemos saber?” Respondeu a Congregação: “Não sabemos”

Hodja, então, diz: “Se vocês não sabem de que serve o que vos digo?”. E assim sai.

Noutro dia, sobe ao púlpito novamente e pergunta: “Vocês sabem o que eu vou dizer?”

Agora, já preparados, os fiéis respondem: “Nós sabemos”

“Se vocês sabem” diz Hodja: “Porque é que eu vou perder o meu fôlego?”. Desce do púlpito e sai.

Noutra ocasião, Hodja sobe novamente ao púlpito e faz a mesma pergunta.

A Congregação responde tal como tinham combinado:

- “Alguns sabem, outros não”

Hodja então responde: “Nesse caso, eu não vou perder o meu tempo. Peçam àqueles que sabem que contem àqueles que não sabem”.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 2 COM JESUS


SOB O TEMA: “A QUE VEM JESUS?” (2º e último)



Os Desastres Naturais são "Sociais"


Os desastres "naturais" – ante os quais muitos reagem desesperadamente, como os nossos antepassados reagiam a epidemias como a peste - é preciso compreendê-los a partir de uma visão mais integral, como os desastres "sociais".
Assumindo esta abordagem, uma importante corrente de cientistas elaborou esta equação:


R = A x V o que significa:


Risco = Ameaças x Vulnerabilidades.


O risco de ocorrência em qualquer lugar - comunidade, país ou planeta - de uma catástrofe ou um desastre é o resultado das ameaças que são multiplicadas pelas vulnerabilidades que temos perante elas.

O Desastre da Resignação

Entre as vulnerabilidades humanas (económicas, sociais, técnicas, culturais, educacionais e institucionais), os cientistas também identificaram a vulnerabilidade ideológica ao desastre. A resignação perante o desastre. A resignação do pensamento e da acção, considerando que um terramoto, furacão, seca ou inundação é "prova de Deus", "um castigo de Deus", "um sinal de Deus". Isto torna-nos particularmente vulneráveis.

Mais informações sobre desastres naturais que devem ser entendidas como desastres sociais em: http://www.envio.org.ni/articulo/3085

segunda-feira, julho 11, 2011

FADO PORTUGUÊS - DULCE PONTES


Portugal apresentou na UNESCO uma Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade. A decisão será conhecida em Novembro. Uma mensagem genuina do nosso povo para todo o mundo como já tinha sido feito pela Argentina com o Tango.


VÍDEO


As vantagens de viajar em Grupo... vá de transporte público.


TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA


Episódio Nº 149

Tereza ouve atenta e em silêncio. Grave a atenta. Sabe que ele está com medo, morto de medo, esperando apenas uma insinuação para seguir o exemplo da enfermeira. Se ela lhe disser vamos daqui, porque morrer tão jovens, meu amor? O doutorzinho terá o pretexto para a fuga: eu te arrastei comigo, vou-te levar embora, temos nosso amor a defender. Nem amor, nem amizade, nem prazer de cama.

Andando de um lado para outro, doutor Oto Espinheira cada vez mais nervoso e agoniado.:

- Sabe o que ela disse, a filha-da-puta, quando eu a recriminei o abandono da vacinação? Que eu recrutasse você, imagine…

A voz firme e quase alegre de Tereza:

- Pois eu vou…

- O quê? Você, o quê?

- Vou sair vacinando. Basta que o rapaz me ensine.

- Está maluca. Não vou deixar.

- Não lhe perguntei se você vai deixar ou não. Não está precisando de gente?

Da Matriz as beatas viram-na passar, em companhia de Maxi das Negras, com o material de vacinação. Ergueram as cabeças para melhor espiar sem contudo interromper a litania. As orações mal alcançam o teto da igreja, não atingem os céus e os ouvidos de Deus, não possuem as velhas devotas de Buquim tanta força no peito para o clamor de desespero. Para onde irá a comborça do doutorzinho com apetrechos do posto?

Na hora do enterro da esposa, a legítima, do sacristão, ouvem-se os sinos a badalar. Mais forte, seu vigário: mande reboar com violência, toque a rebate os dois sinos de uma vez, para anunciar às autoridades e a Deus a praga da bexiga negra devastando a cidade de Buquim. Com toda a força, seu vigário, toque os sinos.

Q

Quem pode honrar os mortos com decência, me diga, camarada, quando se está no susto de morrer também, examinando as mãos a cada instante, o rosto nos espelhos a ver se já chegou o fatal anúncio das primeiras bolhas?

Velório exige calma, dedicação, ordem e defunto apresentável. Organizar sentinela animada e cuidadosa, à altura de pessoa inesquecível, não é tarefa a ser tratada e posta em pé no assombro da bexiga e com o defunto podre.

No começo de uma epidemia ainda é possível convidar amigos, fazer comida, abrir garrafas de cachaça. Mas no correr do contágio e dos enterros não dá mais jeito, faltando tempo e animação, a necessária graça na conversa, não se ouvem palavras de elogio ao morto; entregues ao desânimo os parentes sem forças para aquelas recordadas sentinelas de prosa alta, de choro e riso soltos, mesmo em casas pobres, porque nas horas decisivas faz-se um esforço, reúne-se um cobrinho para honrar quem faltou e lhe provar dedicação e estima. Com epidemia, e ainda por cima de bexiga, é impossível.

Cadê gente e dinheiro para velório a granel, a dois e três na mesma rua em cada noite? Nem se pode guardar horas a fio a podridão dos cadáveres portas adentro, é preciso se livrar correndo do corpo infectado por ser essa a pior ocasião de contágio.
(clik na imagem e aumente)

HISTÓRIAS DE HODJA

Hodja e a sua mulher estão à noite na cama. Ela diz: “Porque não te afastas um pouco?”

Hodja sai da cama, veste-se, sai e começa a andar. Caminha até ao amanhecer, quando encontra um conhecido que pergunta:

- Onde é que vais, Hodja?”

- “Eu não sei quão longe terei de ir” diz Hodja. “Eu espero aqui e tu vais perguntar à minha esposa se eu devo continuar a afastar-me, e depois vem cá dizer-me”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS SOBRE


A ENTREVISTA FICCIONADA COM
JESUS Nº 2 SOB O TEMA: “A QUE VEM JESUS?” (1)

O Regresso do Patrão



A parábola do patrão que antes de partir atribui tarefas aos seus capatazes para que eles as distribuam entre si (Mateus e Lucas 25,14-30 19,11-27) a contou Jesus, entre outras coisas, para agitar a consciência dos dirigentes religiosos do seu tempo a quem Deus pedira contas do que tinham feito e do que não tinham feito pelo seu povo.

As primeiras comunidades cristãs fizeram desta parábola um chamamento à responsabilidade. Agora, Jesus em sua "segunda vinda" é o patrão que regressa para ver o que foi feito "em seu nome e na sua ausência."

Os Catastrofismos Bíblicos

A "segunda vinda" de Jesus Cristo é associada no imaginário popular e na pregação de muitos pastores e clérigos a catástrofes e cataclismos, com base numa interpretação literal dos textos apocalípticos ou escatológico da Bíblia, tanto do Antigo como Novo Testamento (Daniel 12,1-13, Joel 2, 1-11; Amos, 5,14-20, Apocalipse 19,11-21).

Nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas aparecem discursos de Jesus sobre a catástrofe que virá sobre o mundo. Tradicionalmente, eles têm sido lidos como uma descrição detalhada de tudo o que vai acontecer no “último dia” e usado para semear o terror nas pessoas ingénuas ou para fazer interpretações não-científicas para a origem dos desastres ecológicos que ocorrem no mundo de hoje.

domingo, julho 10, 2011

HOJE É
DOMINGO
(Da minha cidade de Santarém)




Para este Domingo, do meu Café onde habitualmente tomo o meu pequeno-almoço, escrevi-vos esta história. Será que por detrás de alguns acidentes mortais não estará um caso de amor que para sempre escapa à responsabilidade dos humanos?


“Foi tudo tão rápido que ele quase que ouviu o click. Uma expressão do olhar, um aceno de cabeça, um sim envergonhado e ele ficou a saber que ela o amava.

Nessa noite, quando regressou a casa e meteu a chave à porta a mão tremia-lhe de excitação, despiu-se atabalhoadamente com os sapatos a voarem cada um para seu lado e abrindo os braços, bem ao alto, exultante de alegria gritou eufórico: estou apaixonado!

E de seguida, uma e outra vez, em tom mais contido, como que falando para si próprio, repetia como se fosse possível duvidar dos seus próprios sentimentos: estou apaixonado!

Percorreu a sala, de um lado para o outro, depois o resto da casa, sem propósito nem objectivo, apenas aquela impossibilidade de se fixar, de serenar o espírito, de travar a torrente de energia de que estava possuído.

Nessa noite mal conseguiu conciliar o sono e quase teve vontade de desafiar o sol para ver qual deles se levantaria primeiro.

No outro dia iriam almoçar juntos, seria o primeiro almoço de ambos, em boa verdade seria o primeiro almoço da sua vida.

Nunca tinha levado tanto tempo a arranjar-se, cada fase tinha sido executada minuciosa e cuidadosamente ao pormenor: o banho, a barba, o penteado… como era possível que todas aquelas operações feitas mecanicamente todos os dias durante tantos anos, naquela manhã, efectuadas com aquele rigor e solenidade, pareciam até estarem a ser executadas pela primeira vez.

Tirou do roupeiro o seu melhor fato, vestiu a única camisa branca que tinha, escolheu de entre todas as gravadas a preferida e perfumou-se com abundância com a sua melhor água-de-colónia.

Saiu cedo e lesto para a rua. Cá fora o dia esperava-o, um dia diferente como nunca tinha visto outro, é certo que tudo estava no lugar do costume mas a luz e o brilho do seu olhar emprestavam à realidade o aspecto de um cenário ali colocado só para ele, o próprio passeio por onde todos os dias encaminhava os seus passos sentia-o debaixo dos pés com uma nuvem espessa e fofa onde se afundava para logo se erguer e se projectar mais à frente como se vogasse em vez de andar.

Pensava naquele almoço obsessivamente, desejava-o e temia-o. Tudo já tinha sido por ele conjecturado com algumas dúvidas à mistura: beijá-la-ia na face ou limitar-se-ia a um simples e afectuoso cumprimento?

Ao fim e ao cabo ainda não se conheciam há muito tempo e estavam longe de serem íntimos. Ele sabia como era importante a primeira impressão mas assim, nervoso como estava, como se iria sair?

Ela parecia ser uma mulher segura de si própria, confiante, quem sabe se anteriormente não teria mesmo estado apaixonada por outro homem e aquele não fosse, para ela, o primeiro almoço?

Esta ideia não lhe agradou e pô-la de imediato de parte, era apenas, com certeza, o resultado da ebulição em que o seu espírito se encontrava.

Tinha toda a manhã para passear e serenar e o ar fresco ao longo da marginal até ao restaurante onde a iria esperar seria de certo um bom calmante.

Sentou
-se no murete sobranceiro à praia e olhou aquele mar, aquelas ondas, aquele areal que conhecia tão bem como a sua própria casa e alongou o olhar pelo oceano até aos limites do horizonte.

Nascera naquela cidade e durante toda a juventude aquelas areias tinham sido o seu recreio sempre que o tempo o permitia, conhecia-lhes a textura, os avanços e recuos ao sabor das marés e as fases de mau humor do oceano quando descarregava sobre elas a fúria das suas indisposições.

Pressentia que a sua vida iria mudar mas nem por isso lhe apetecia pensar no futuro, estava demasiado feliz naquele momento para se aventurar com o pensamento para zonas do desconhecido. Se pudesse pararia o tempo e ficaria ali a recordar todo o seu passado em estilo de despedida.

Na qualidade de filho único vivera em casa dos pais mais de trinta anos e só conseguiu sair debaixo dos cuidados da mãe porque arranjara uma casa tão próxima que a sua autonomia era mais aparente do que real.

Tinha sido, como se costuma dizer, um bom filho, não tinha vícios, era obediente, bem comportado, bom aluno e hoje um grande profissional na área dos computadores que passaram agora a ser a sua segunda paixão.

Nunca fora dado a namoros talvez pela presença demasiado assídua da mãe que sempre o mimara como se os anos não tivessem passado e o homem não se tivesse seguido ao menino.

Levantou-se repentinamente e pôs-se a caminho demasiado rápido para o tempo que ainda tinha à sua frente mas a última coisa que lhe poderia acontecer seria atrasar-se e fazê-la esperar.

Quando entrou na sala do restaurante apenas uma mesa a um canto já estava ocupada por um casal idoso que atentamente se inteirava da ementa.

Com todo o vagar escolheu uma mesa junto da janela de onde se via o mar e quando o empregado o abordou disse-lhe que aguardava a chegada de uma pessoa e que lhe podia servir um aperitivo.

Lentamente, a sala foi-se enchendo de clientes e o empregado acercou-se novamente e ele limitou-se a pedir mais um aperitivo.

Pouco a pouco a sala esvaziou-se e ele ficou sozinho olhando absorto o último copo.

Finalmente, levantou-se com vagar, pagou a conta, e iniciou o caminho de regresso, em passo incerto, hesitante, de cabeça levantada e de olhar que continuava, estranhamente, vago e absorto.

De repente estacou e olhou fixamente para um automóvel parado, encostado ao passeio, no outro lado da estrada. Dentro do carro, sentada ao volante, a mulher por quem tinha esperado toda a tarde. Ao seu lado um homem desconhecido.

As pernas começaram a tremer-lhe e quando se esperava que caísse desamparado fixou o olhar no automóvel e atravessou a estrada na sua direcção. Os passos eram os de um autómato mas não foram mais que três ou quatro porque ao característico barulho de uma travagem repentina com os pneus a deixarem um lastro de borracha agarrado ao alcatrão, o som surdo de um embate contra um corpo que volteia no ar e se estatela uns bons metros mais à frente.

Pessoas que correm, outras que param e olham, murmúrios, queixas, gritos, protestos, desabafos, de tudo se ouve. Em poucos minutos, ao longe, a sirene da ambulância do INEM faz-se ouvir e os mirones abrem um corredor para que os cuidados possam ser prestados.

A médica ajoelha-se junto ao corpo, observa-o, pressiona as carótidas e depois de uns segundos, que naquelas circunstâncias mais parecem uma eternidade, abana lentamente a cabeça e limita-se a dizer para o enfermeiro: é cadáver.

O cadáver de um homem impecavelmente barbeado, dentro do seu melhor fato, vestindo a sua única camisa branca que ostentava a gravata preferida e que exalava ainda o agradável odor a uma água-de-colónia de qualidade…o cadáver de um homem apaixonado.

O polícia de trânsito gesticula para afastar as pessoas e entre os gritos e apitos da autoridade ouve-se uma voz feminina que em tom baixo e resignado desabafa:

- Oh! Esqueci-me de que tinha um almoço marcado com este homem.

Mais apitos e gestos dos polícias, a ambulância já não se vê, os automóveis que tinham sido obrigados a parar iniciam lentamente a marcha e dentro de poucos minutos o trânsito fica normalizado.”

Um Bom Domingo para todos vós.

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