sábado, maio 23, 2009


COMO COMEÇAM AS ZANGAS...







A minha mulher sentou-se no sofá junto a mim enquanto
eu passava pelos canais.
Ela perguntou, "O que tem na TV? "
Eu disse, "Pó. "

E a briga começou...

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Quando cheguei a casa ontem à noite, a minha mulher
exigiu que a levasse a algum lugar caro.
Então eu levei-a ao posto de gasolina.
E então a zanga começou...

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A minha mulher e eu estávamos sentados numa mesa na
reunião do liceu, e eu fiquei a olhar para uma
moça bêbada que balançava seu drinque enquanto
estava sozinha numa mesa próxima.
A minha mulher perguntou, "Conhece-la ?"
"Sim," disse eu, "Ela é minha antiga namorada... Eu sei que
ela começou a beber logo depois de nos separarmos há
tantos anos e pelo que sei ela nunca mais ficou sóbria."
"Meu Deus!", disse a minha mulher, "quem pensaria que alguém pudesse ficar celebrando durante tanto tempo?"

E então a zanga começou...

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Depois de me reformar, fui até à Seg. Social para poder receber a reforma. A mulher que me atendeu solicitou o meu bilhete de identidade para verificar a idade.
Procurei nos bolsos e percebi que o tinha deixado em casa.
A funcionária disse que lamentava, mas teria que o ir buscar a casa e voltar depois. E disse-me, "Desabotoe a camisa."
Então, desabotoei-a deixando expostos os meus cabelos
crespos prateados. Ela disse, "Este cabelo prateado no seu peito é prova suficiente para mim," e processou a minha reforma.
Quando cheguei a casa, contei entusiasmado o que ocorrera
à minha mulher. E ela disse: "Por que não baixaste as
calças? Poderias ter conseguido invalidez permanente também... "

E então a zanga começou...

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A mulher está nua, olhando no espelho do quarto. Não está feliz com o que vê e diz para o marido, "Sinto-me
horrível; pareço velha, gorda e feia. Realmente preciso
de um elogio teu. "O marido retruca, "A tua visão está perto da perfeição. "

E então a zanga começou...

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Levei a minha mulher ao restaurante. O empregado anotou o meu pedido primeiro. "Quero picanha mal-passada, por favor." O empregado interroga, "O Senhor não está
preocupado com a vaca louca ?"
"Não, ela mesma pode fazer o seu pedido." - respondi.

E então a zanga começou...

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O marido volta do Médico e a mulher, toda
preocupada, pergunta-lhe: "E então, o que disse o Médico?".
De pronto, ele respondeu: "A partir de hoje, não faremos mais amor, estou proibido de comer coisas gordas."

E então a zanga começou...

VÍDEO
UM SUSTO DESTES NÃO SE PREGA....

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS



JEAN - FRANÇOISE MICHAEL - SI L'AMOUR EXISTE ENCORE





MICHEL FUGAIN - UNE BELLE HISTOIRE


CANÇÕES BRASILEIRAS


MILTINHO - POEMA DE AMOR (1960)
COMPOSIÇÃO - LUÍS ANTÒNIO


BAÚ DAS RECORDAÇÕES



BEE GEES - HOW CAN YOU MEND A BROKEN HEART (1971)



Tieta do Agreste
EPISÓDIO Nº 140





Cresceu a aglomeração na Praça Desembargador Oliva. Nomeando-se embaixador dos meninos da cidade, Peto aproximou-se do aparelho, puxou conversa com o piloto, sorriu para Bety Papai Noel, veio ajudá-la no desembarque das sacolas. Ao apertá-las, curioso, sente bonecas, automóveis de lata, percebe brinquedos miúdos para crianças pequenas, desinteressa-se – em breve cumprirá treze anos, será um rapaz e Osnar o levará à primeira caçada.

Da porta da Prefeitura, ao lado de Ascânio, o Magnífico Doutor contempla as velhas casas da Praça, a gente pobre reunida no assombro do helicóptero, pronuncia:

- Amanhã, com a Brastânio, aqui se erguerão arranha-céus!

Baba-se Ascânio, santas palavras, que os anjos digam amem, é quando deseja. Não resiste, transforma o aperto de mão em cordial e grato abraço:

- Muito obrigado, doutor. Fico à espera.

- Imediatamente após as festas de fim de ano.

Antes de reentrar no helicóptero, Papai Noel acolhe de encontro ao peito o indócil representante das crianças pobres, nem tão criança nem tão pobre, beija-o na face. Lábios macios e quentes, perfumado hálito, gostusura. Peto retribui-lhe os beijos, achega-se mais, sente o volume do busto, os seios soltos sob a túnica de cetim.

O bojo do aparelho está repleto de sacolas idênticas às que ficaram na sala do andar térreo da Prefeitura, onde se reúne o andar o Conselho Municipal quando raramente o coronel Artur de Tapitanga o convoca, sempre a pedido de Ascânio, um formalista. Reuniões inúteis, nas quais os edis aprovam por aclamação o que o coronel decidiu, exactamente como o faz o Parlamento Nacional em relação aos projectos do Executivo.

As hélices ganham velocidade, eleva-se a nave, ruma em direcção ao mar. O Magnífico Doutor prossegue a viagem natalina, levando para Valença, Ilhéus e Itabuna, em nome da Brastânio, Papai Noel, sacolas e promessas
de futuro grandioso. Não irá, no entanto, a Arembepe. Para cada local e ocasiãe promessas o, uma estratégia.

sexta-feira, maio 22, 2009

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CANÇÔES QUE SEMPRE RECORDAREMOS




JEAN FRANÇOIS MICHAEL - ADIEU, JOLIE CANDY




SALVATOR ADAMO - QUAND LES ROSES (1964)


CANÇÕES BRASILEIRAS


CABOCLA JUREMA


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


DORIS DAY - WATEVER WILL BE, WILL BE



Tieta do Agreste
Episódio Nº 139








Deixando a cargo de Papai Noel o transbordo de coloridas sacolas do bojo do aparelho para a prefeitura, gratificante tarefa que o capenga Leôncio executa com surpreendente rapidez, o Magnífico Doutor acompanha o jovem funcionário para dois dedos de conversa. Apenas para lhe dizer que o resultado dos estudos realizados até o momento pelos técnicos e peritos em Mangue Seco são extremamente satisfatórios e positivos.

Apesar de regiões mais ricas, mais bem servidas de vias de comunicação e de conforto, mais bem aparelhadas materialmente como Valença no recôncavo, Ilhéus e Itabuna, no sul do Estado, e até mesmo Arembepe, junto à capital, se encontrarem empenhadas na disputa, oferecendo facilidades de toda a ordem para a instalação nos seus limites da magna indústria, as preferências dos empresários tendem a inclinar-se para Agreste. O Magnífico Doutor influi nesse sentido, cativo da beleza e do clima, da gentileza da população.

Impressionado, quase comovido, Ascânio bebe-lhe as palavras de bom presságio e pergunta-lhe se ainda é necessário manter o assunto em reserva. Após a descida do helicóptero com a carga de brindes, vai ser difícil, praticamente impossível, esconder a verdade.

Em dia de francês, o Magnífico concorda:

- Alors, mon cher ami… Pode adiantar que existe a perspectiva de instalar no município, nas vizinhanças da praia de Mangue Seco, das duas fábricas integradas da Brastânio – Indústria Brasileira de Titânio S.A. Mais do que perspectivas, possibilidades concretas.

Explica que todavia a decisão final se encontra na dependência de conclusões e acertos:

- Estamos em fase de estudos, com mais de um local à vista, como já lhe disse. As chances de Agreste, porém, são muito grandes. Personnellement, je suis pour… mas a solução não depende somente de votre serviteur.

Eleva os braços num gesto oratório que lhe enfatiza as palavras grandiloquentes:

- A presença da Brastânio em Agreste transformará o município em poderoso centro industrial, fervilhante de vida, magnifique!

Ascânio reforça a candidatura com a notícia de que daí a alguns dias, um mês no máximo, a electricidade e a força de Paulo Afonso serão inauguradas, postas a serviço da Brastânio. A Prefeitura tinha intenções de organizar uma festa de arromba, para comemorar os novos tempos, mas a pobreza franciscana do município…

O Magnífico Doutor não o deixou terminar, quis detalhes da festa e concretamente o montante da nota de despesas. Naquela mesma manhã, Ascânio fizera e refizera cálculos, traduziu-os timidamente em contos de réis. Para ele alta soma, ninharia desprezível para doutor Mirko Stefano, cujas verbas de relações-públicas para contactos e providências iniciais, em moeda forte, eram praticamente inesgotáveis. Com um gesto liquidou a preocupação principal de Ascânio: o calçamento da rua, despesa maior e indispensável.

- Deixe comigo, mande calçar a rua. A Brastânio se sentirá honrada em colaborar para o maior brilho dos festejos. Passadas as festas do Natal, estarei aqui de novo. Para uma conversa definitiva, para acertarmos nossos relógios e dar o sinal de partida. Assim espero.

Ascânio não sabe se ele fala da instalação da fábrica ou dos preparativos da festa da luz de Tieta:

- De qual partida?

- Da partida para o progresso e a riqueza de Agreste! – A voz cálida, afirmativa, inspira confiança – Quanto à inauguração da luz, a Brastânio se responsabiliza pelo calçamento e concorrerá para as demais despesas, participando da alegria do povo do município e eu farei o possível para estar presente. Servir é o supremo objectivo da Brastânio; servir a pátria. Brasil ubber alles – tratando-se de dinheiro, o Magnífico abandona o diplomático idioma francês por línguas mais concretas: o alemão e o inglês. – Auf Widersehen. Merry Christmas, my dear.



quinta-feira, maio 21, 2009

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GENIAL

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS
PAUL ANKA - MY HEART SINGS + TIME TO CRY


CANÇÕES BRASILEIRAS
TAIGUARA - MODINHA (1968)
MÚSICA DE SÉRGIO BITTEENCOURT


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


ART LUND - MAM' SELLE (1943)



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 138







Para a declaração, Ascânio espera contar com a boa vontade da madrasta, de coração abrandado pelas homenagens que lhe serão prestadas nas festas. Um dos itens do projecto elaborado por Ascânio manda baptizar com o nome da filha pródiga a via da entrada da cidade pela qual chega e parte a marinete de Jairo e por onde ingressarão igualmente os fios do progresso, a Luz de Tieta, na consagração do povo. Denominado Caminho da Lama, desde tempo imemoráveis, será rua dona Antonieta Esteves Cantarelli (cidadã benemérita).

A placa já encomendada na Bahia, antes mesmo dos vereadores tomarem conhecimento do plano: existirá alguém tão ingrato a ponto de opor-se? Desta vez, Ascânio não esqueceu o Esteves, exigido por dona Perpétua e pelo Velho, insolente e cheio de si. Mas o dinheiro para o banquete, o baile, a música, as bandeirolas nas ruas, as faixas, os fogos? Para as pedras do calçamento? Quem poderia ajudar o financiamento da festa, concorrendo com os gastos, se por ali aparecesse, seria o doutor Mirko Stefano, empresário interessado em erguer uma grande indústria nas imediações de Mangue Seco, representante legítimo do progresso. Após a conferência expôs planos e exibiu plantas, o ilustre paredro ficara de voltar em breves dias. A esperança de Ascânio reside naquela empolgante figura: para o doutor Mirko nada parece difícil, lembra um génio das histórias de mil e uma noites, saído da lâmpada de Aladim. Ah! se ele se manifestasse de repente…

E eis que de repente ele se manifesta, génio risonho e todo -poderoso, baixando dos céus em companhia de papai Noel. A imponente nave sobrevoa a Prefeitura, a Matiz, o jardim: visão alucinante, espantoso barulho, até então desconhecidos aos olhos e ouvidos tacanhos do povo do Agreste.

Sol forte e brisa amena, vinda do mar atlântico, um dia aprazível, típico do verão sertanejo. A cidade parece adormecida quando, pelo meio da manhã, o ruído surge e cresce, insólito, e Peto atravessa a rua, os olhos postos no alto, reconhecendo e proclamando o helicóptero, máquina nunca enxergada antes em Agreste mas numerosas vezes admirada por Peto nas revistas que dona Carmosina lhe permite folhear na Agência dos Correios. Comerciantes aparecem nas portas das lojas. No bar deserto, seu Manuel suspende a desagradável tarefa da lavagem dos copos, espia e exclama: que os pariu! Ascânio surpreendido pelo barulho assustador, abandona papel, lápis e devaneio, chega à janela e assiste ao pouso do aparelho no centro da praça, entre a Prefeitura e a Matriz. Padre Mariano acolitado por beatas que se benzem apavoradas, mostra-se no alto da escada que conduz ao adro.

Do helicóptero, cujos motores continuam a trabalhar, as hélices rodando lentamente para admiração dos primeiros curiosos abobados, desembarcam o Magnífico Doutor, desportivamente vestido de calça jean e colorida camisa da praia do Havai, com mulheres sensuais e flores exóticas, e o próprio Papai Noel, o mais belo de quantos existiram pois quem porta as barbas brancas e enverga roupa vermelha não é outra senão a figura eficiente, executiva e excitante da nossa conhecida e apreciada Elizabeth Valadares, Bety para os colegas, bebé para os íntimos. Uma secretária realmente competente é para toda a obra e em vésperas de Natal se transforma, se necessário, em Papai Noel, sob a direcção do inventivo génio da lâmpada de titânio, o Magnífico Doutor.

Ascânio, ao enxergar o helicóptero, Papai Noel e o doutor Mirko indicando ao embasbacado Leôncio a carga no interior do aparelho, não contem um grito de entusiasmo, um sonoro viva! O Magnífico Doutor suspende a vista, acena com as mãos para o Secretário da Prefeitura.

Fiz questão de trazer pessoalmente os brindes de Natal para as crianças pobres – explica o mago, apertando calorosamente as mãos de Ascânio que desceu a
escada de quatro em quatro para
receber e saudar os visitantes.

terça-feira, maio 19, 2009

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Ai!...os Fantasmas!

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS

HAROLD MELVIN - IF YOU DON'T KNOW ME BY NOW





RAY PRICE - REALEASE ME

CANÇÔES BRASILEIRAS


NILTON NASCIMENTO - CORAÇÃO DE ESTUDANTE
MÚSICA/LETRA - MILTON NASCIMENTO E WAGNER TISO


CANÇÂO PREDILETA DO PRESIDENTE TANCREDO NEVES. FOI TOCADA EM TODAS AS RÁDIOS E TV'S A QUANDO DO SEU FALECIMENTO


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


NEIL SEDAKA - BREAKING UP IS HARD TO DO



Tieta do Agreste

EPISÓDIO Nº 137









DE COMO PELA PRIMEIRA VEZ PAPAI NOEL DESCEU EM AGRESTE


Sentado à mesa de despachos do prefeito, Ascânio Trindade estuda o programa de festejos da inauguração da luz da Hidrelétrica, a ser apresentada à Câmara Municipal para a devida aprovação, em sessão próxima. Cabos e fios devem chegar a Agreste dentro de um mês, mais ou menos, segundo o cálculo dos engenheiros. Ascânio pretende celebração à altura do evento – os postes de Paulo Afonso representam o primeiro, histórico passo do município no caminho de volta à prosperidade. Quem sabe, além dos engenheiros, comparecerá algum director da Companhia do Vale de São Francisco, um bam-bam-bam da política, do governo federal?

Primeiro passo também na afirmação pública do jovem administrador, futuro prefeito, subindo o degrau inicial de uma carreira fulgurante. Festa similar àquelas antigas, quando se deslocavam para agreste caravanas de ricaços e de políticos, vinham autoridades da Capital: discursos, banquetes, bailes, foguetórios, o povo dançando na rua.

Onde buscar dinheiro para tamanha despesa? Vazios, como sempre, os cofres da Prefeitura, Ascânio deve sair mais uma vez rua afora, de lista em punho, a solicitar contribuições. Fazendeiro, criador de cabras, plantador de mandioca e milho, Presidente da Câmara Municipal, indiscutível dono da terra há mais de cinquenta anos, o coronel Artur de Figueiredo encabeça todas as listas, seguido por Modesto Pires, cidadão ricaço e praça pública. Únicos donativos dignos de consideração, os demais revelam apenas a pobreza do comércio, a decadência da comuna.

Ascânio, porém, deseja e há-de marcar com inesquecíveis comemorações a noite em que a luz ofuscante da Hidrelétrica de Paulo Afonso substituir a mortiça electricidade do fatigado motor inaugurado por seu avô quando Intendente. Talvez possa, finalmente, em meio à alegria e entusiasmo, declarar-se à bela Leonora Cantarelli, pedindo-lhe a mão em casamento, noivo oficial.

Desde o regresso de Rocinha, quando, no lombo do cavalo, amargou a notícia comunicada por dona Carmosina e digeriu o hímen da paulista, Ascânio vive em permanente exaltação. Calcado o preconceito, reduzido a dormente espinho, a mau pensamento afastado de imediato todas as vezes em que nele reincide, a paixão crescera em incontornável ternura pela inocente vítima do monstruoso sedutor.

Crescera também a intimidade dos namorados, em repetidos e prolongados beijos, na chegada e
na despedida. Acendendo o desejo, dando ao amor dimensão nova e maior.

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RECORDANDO OS BEATLES (1969)

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JONNY HALLIDAY - TOI QUE REGRETTS + RETIENS LA NUIT


LEO SAYER - WHEN I NEED YOU


CANÇÕES BRASILEIRAS


ELIZETE CARDOSO - NOSSOS MOMENTOS (1961)


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


CHARLIE CHAPLIN - LUZES DA RIBALTA (1952)



Tieta do Agreste



HOJE … PAUSA




Quando decidi transcrever o romance da Tieta do Agreste em episódios no Memórias Futuras, fi-lo num impulso ditado pela profunda admiração que de há muitos anos tenho por Jorge Amado.

Depois da decisão tomada, sem pensar muito nas implicações, era tarde para voltar atrás, para desistir. Compromisso é compromisso e os visitantes deste Blog passaram a ter o direito de encontrarem diariamente o episódio da história da Tieta e eu a obrigação de o lá pôr.

Assumi esse trabalho como uma responsabilidade que tem a ver com as expectativas que eu próprio criei e assim, dia após dia, exceptuando as minhas férias, previamente anunciadas, ao longo de 136 episódios, todos eles foram diariamente publicados.

Tem-me dado trabalho mas, com sinceridade, também obtive prazer porque a leitura em simultâneo com a transcrição “funciona” como uma espécie de visita guiada ao interior do edifício do romance.

A mensagem que perpassa ao longo de toda a história constitui uma lição de verdade sobre as pessoas com os seus defeitos, qualidades e profundamente humanas, reais, autênticas a fazerem-nos lembrar outras que ao longo da vida conhecemos.

Uma mulher dotada de grande coragem, sensualidade e solidariedade, aliadas ao pragmatismo indispensável de quem sobe na vida desde o degrau mais baixo é o eixo à volta do qual gira toda a história. Mas, registamos a mensagem importante que Jorge Amado nos envia através da heroína desta história, a Tieta: é que o seu sucesso como mulher sofre um grande impulso quando se relaciona com um homem muito rico e importante através de um sentimento de amor puro e desinteressado dirigido à alma e ao coração e não com qualquer outra estratégia cínica e interesseira para lhe conquistar a carteira.

Para poder regressar à sua terra natal, à família e aos conterrâneos, é obrigada a construir uma mentira com algumas meias verdades que apenas pretendem dar força e credibilidade à mentira. Mentira que ela talvez não desejasse mas à qual não podia escapar naquela sociedade atrasada, retrógrada, parada no tempo, que nunca lhe permitiria a verdade e é a partir dela, da grande mentira, que Jorge Amado vai “atando” e “desatando nós”, com uma escrita de grande simplicidade e beleza só ao alcance dos escritores de âmbito universal e intemporais, e tudo isso na língua portuguesa… na nossa língua!

Amanhã, retomaremos a história com o 2º Volume, aqui, no Memórias Futuras, e ao mesmo tempo continuaremos a proporcionar músicas que fizeram as minhas delícias em anos recuados, transportando-me à juventude, sensação agradável quando somos surpreendidos pelos setenta anos…

Então, até amanhã, com a Tieta.

segunda-feira, maio 18, 2009

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ESTE RAPAZ É UM VERDADEIRO ARTISTA...
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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS



PATXY - ANDION - PALABRAS




AL MARTINO - SPEAK SOFTLY LOVE





CANÇÕES BRASILEIRAS



MÁRCIA - RONDA (1953)
COMPOSIÇÃO - PAULO VANZONI



BAÚ DAS RECORDAÇÕES


NAT KING COLE - ANSIEDADE (EM ESPANHOL)




Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 136





DA TROVA POPULAR E DA POESIA ERUDITA


Ao vê-la estendida sobre o lençol, as feias queimaduras, pernas e braços em carne viva, os cabelos chamuscados, Ricardo engoliu o soluço mas não pôde impedir a lágrima. No sal da lágrima havia sabor de orgulho. Quando, obedecendo às ordens do doutor Caio Vilasboas, todos se retiraram para que Tieta pudesse repousar, o sobrinho ficou de sentinela. Ela lhe disse:

- Venha e dê um beijo.

Se o assunto da luz da Hidrelétrica, cujos fios e postes se aproximavam velozmente da cidade, fizera de Antonieta Esteves Cantarelli cidadã benemérita, figura ímpar entre os filhos de Agreste, o salvamento da velha Miquelina, abandonada no fogo pela neta e lá deixada à espera da morte pelos curiosos aglomerados diante do incêndio, elevara-a à categoria de santa. Entronizada no altar-mor da Matriz, ao lado da Senhora Sant’Ana como previra Modesto Pires, um dos primeiros a visitá-la no dia seguinte.

Os poetas acertaram sempre, deles é o dom divinatório. Gregório Eustáquio de Matos Barbosa, o vate De Matos Barbosa, versejador elogiado nas colunas dos jornais da Bahia, reconhecido nos cafés de literatos da cidade da capital, apaixonado antigo de Tieta, compôs uma ode em seu louvor, exaltando-lhe a beleza e a coragem, beleza deslumbrante, indómita coragem; em versos de rigor clássico e rimas ricas a comparou àquela guerreira e santa que um dia tomou das armas, salvou a França e enfrentou as chamas da fogueira com um sorriso nos lábios.

Joana d’Arc do sertão, assim escreveu, impávida vencedora das trevas e do fogo, desafiando a morte, resgatando a vida.

Por coincidência também o trovador Claudinor das Virgens, ao inspirar-se no incêndio para compor versos de cordel, canonizara-a em rimas pobres:

Da neta escutou o rogo
Trouxe a velhinha nos braços.
Vinha vestida de fogo:
Pelos dons do coração
Pela beleza dos traços
Santa Tieta do sertão

Durante o dia inteiro, na porta, uma romaria de viventes querendo notícias, mandando recados, abraços de amizade. À cabeceira da cama, ao lado de Leonora, o poeta Barbozinho, o ex-boa pinta, murcho e reumático mas fiel à paixão da mocidade, declamando a ode consagradora. Aos pés do leito, junto a Elisa, o sobrinho Ricardo, robusto e terno, ansiando beijar cada queimadura, pedir perdão dos maus pensamentos, tê-la nos braços. Peto trouxera-lhe uma flor colhida nos matos.

Na cama de casal do doutor Fulgêncio e de dona Eufrosina, na lembrança imperecível de Lucas, ouvindo o rumor do povo na praça a lhe pronunciar o nome, entre o gasto poeta e o ardente seminarista, Tieta, santa pelos dons do coração e pela beleza dos traços, impávida Joana d’Arc do sertão, navega em mar de amor.


FIM DO 1º VOLUME

domingo, maio 17, 2009

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O POÇO DOS DESEJOS

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CANÇÔES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


DUAS CANÇÕES ITALIANAS DOS ANOS SESSENTA

ORNELA VANONI - PARLA PIU PIANO
IVA ZANICCI - COME PRIMA



CANÇÕES BRASILEIROS


MC NAMARA - SEMPRE VAGABUNDA


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


BEATLES - YESTARDAY (1966)



Tieta do Agreste


EPISÒDIO Nº 135






Sentam-se sobre as pedras, Osnar empunha um abridor de garrafas, dona Carmosina desfaz o embrulho de bolinhos de bacalhau, comem e conversam.

De mãos dadas, Ascânio e Leonora permanecem alheios ao mundo em redor, sorriem abobados. Tieta se impacienta, levanta-se:

- Estou caindo de sono. Proponho…

Não chegou a propor deixaram ali o casal de namorados, tomando o rumo das suas casas os dispostos a dormir, mergulhando na escuridão dos becos os caçadores nocturnos, porque Barbozinha, a seu lado, aponta para a cidade e pergunta:

- Que é aquela luz ali? Parece fogo.

Não parece, é um fogaréu. Elevam-se labaredas, um clarão se abre no negrume.

- Incêndio! – anuncia Aminthas.

- Onde será?

Também Ascânio se põe de pé, tem o mapa da cidade na cabeça:

- É no Buraco Fundo.

- Ai, meu Deus – geme dona Carmosina.

No Buraco Fundo moram os mais pobres entre os pobres, os que nada possuem, os mendigos, bêbados sem ocupação, velhos que se arrastam para esmolar um pedaço de pão nas ruas do centro.

- Vamos lá – Ascânio ajuda Leonora a levantar-se.

Tieta já partira sem esperar convite. Quando mocinha, estando certa noite nos esconsos da Bacia de Catarina com um caixeiro viajante, ouvira gritos e percebera a claridade das labaredas. Quando chegaram, porém, ao lugar do incêndio, as chamas terminavam de devorar a casa de dona Paulina, vitimando três dos cinco filhos da viúva, os menores. Incêndio em Agreste é raridade mas quando acontece deixa sempre um saldo de mortes, por falta de qualquer recurso para extinguir o fogo.

Dissolve-se o piquenique, o grupo sai no encalço de Tieta mas ela se distancia, o passo rápido em seguida se transformara em correria. Surgem pessoas nas esquinas, atraídas pelo clarão nos céus.

Tieta é dos primeiros a chegar ao Buraco Fundo, as chamas envolvem uma das casas, por sorte isolada das demais. Alguns populares, moradores do local, cercam uma rapariga gorda que grita e arranca os cabelos:

- Ela vai morrer, ai minha avozinha!

Bafo de Bode, a voz pastosa, as pernas trôpegas explica que Marina Grossa Tripa, lavadeira de profissão e, se encontra freguês, meretriz de baixo preço, acordada pelo fogo em sua casa, fugira porta afora, esquecendo no quarto dos fundos a velha Miquelina, sua avó. Com a violência do fogo na madeira velha, nas palhas de coqueiro do teto, a anciã, praticamente incapaz de andar, a essas horas deve ter virado torresmo.

Uma vintena de vizinhos e curiosos assiste ao espectáculo da neta aos gritos que, por caridade, pelo amor de Deus, lhe salvem a avó, sua única parenta. Ninguém se oferece: se a própria Grossa Tripa, a quem cabe a obrigação de neta, não é tão louca a ponto de enfrentar o fogo, de penetrar naquele inferno, não serão estranhos que irão fazê-lo. Consolam-na recordando a longa existência da avó Miquelina, de cuja idade se perdera a memória. Vivera tempo suficiente para o bom e o ruim, vamos deixá-la descansar. Não paga a pena correr perigo mortal para tentar prolongar-lhe a vida por uns meses, umas semanas, uns dias.

Sem esperar o fim da explicação de Bafo de Bode Tieta se atira em direcção ao fogaréu, não atende a gritos a conselhos. Quando Osnar e Aminthas despontam no imundo canto da rua, ela acaba de desaparecer nas chamas. De toda a parte, apressados, afluem homens, mulheres, meninos, pois o sino da igreja está badalando, fúnebres sons de desgraça e morte.

Aumenta o burburinho quando Leonora aparece amparada por Ascânio, seguida por dona Carmosina que põe a alma pela boca.

- Dona Antonieta está lá dentro…

Ao saber que Tieta invadira o incêndio, Leonora solta-se da mão do namorado, tentando segui-la mas Aminthas a sustém a tempo de ver Tieta surgir das chamas, trazendo nos braços o corpo mínimo da velha Miquelina, viva, incólume e furiosa a praguejar contra a neta desalmada que a abandonara na hora do perigo, te arrenego. Maldita! O fogo respeitara o catre onde jazia, esperou que a viessem recolher para, de uma lambida, reduzi-lo a cinzas.

Sobem chamas pelo vestido de Tieta e os anelados cabelos exibem uma auréola de fogo, um halo, um resplendor.

Tais foram o espanto e a comoção que os assistentes emudeceram, ficaram parados. Somente Bafo de Bode teve raciocínio e acção. Surgiu com uma lata cheia de água e a despejou sobre Tieta.

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