sábado, janeiro 30, 2016

Cavaco vai-se embora

















Ao fim de 10 anos, não contando com os outros em que ele foi 1º Ministro, Cavaco vai-se embora... parece um sonho!

Mas se ele já chegou ao fim, se já temos outro Presidente eleito, porquê só a 9 de Março?

Lembro-me da rendição dos soldados que estavam de sentinela à porta do Quartel, lá em Évora, em 1961, quando ali dei uma recruta antes de ir para a guerra de Angola.

Ele chegava, punha-se em frente do que ia sair, em sentido e “ombro arma”, o outro imitava-o, batia com o calcanhar da perna direita no chão, fazia direita volver e deixava o seu lugar para aquele que o substituía.

Já pensaram o que seria uma cena destas protagonizada pelo Cavaco e Marcelo à porta do palácio de Belém?... enquanto a Maria esperava pelo Aníbal para seguirem para casa, de braço dado, e não de mão-na-mão, como manda o protocolo?...

Talvez parassem nos Pasteis de Belém para levarem uma embalagem de recordação para o Algarve.

Mas viral, mesmo, é um vídeo que circula no You Tube, pelas redes sociais, de uma conferência de despedida oficial em que o Cavaco convocou todas as televisões e ao sinal combinado, naquela sua silhueta elegante, de causar inveja aos homens da sua idade, mas sem a secura que ele confunde com pose de Estado, tudo muito simples, nada ensaiado, abre os braços, sorri e diz:

- “Olá, afinal sempre tive dúvidas e enganei-me muitas vezes... peço desculpa.”

Depois, com outro sorriso, encolhe os ombros, traquina, como quem diz: “ o que querem, sou humano...”.

Este filme, viral, termina com ele a dar a mão a uma velhinha para a ajudar a atravessar a rua, saudando-a com um gesto simples e discreto.

Este, é o Cavaco que nos deixou saudades, na hora da despedida, e que será reeleito na próxima reencarnação por todas quantos viram este vídeo que circula por aí nas redes sociais...

IMAGEM


Afrodite, deusa do amor. Foi um período rico, este, em que havia deuses e deusas para tudo. Afrodite era a do amor, da beleza, da sexualidade, na mitologia grega. Mas também, da fertilidade, da alegria e do prazer.

Não foram os gregos que a descobriram, importaram-na da Ásia, passando pela Fenícia. Mais tarde, teve um papel muito importante, a quando da guerra de Troia, em que ela protegeu a cidade e, naturalmente, os amantes Helena e Paris... grandes histórias!



Afrodite - Sec. II D.C. Museu de Atenas.

Diana Ross - Missing you

Um pouco mais nova que eu... americana, uma das melhores cantoras do seu tempo.


Mixórdia de Temáticas - Experiência de pós- morte


Nascera como a avó, para ser dona de casa...
Tieta do Agreste
(Jorge Amado)

Episódio Nº 66









ONDE TIETA COMPRA UM TERRENO EM MANGUE SECO E LEONORA, BEM-EDUCADA, DEVANEIA

Haviam voltado aos cômoros na noite enluarada, ela e Tieta. 

Leonora parecia flutuar na paisagem encantada – de repente liberta do passado, recém nascida na magia da lua cheia derramada sobre as dunas e o oceano, no embalo do marulho das ondas. Gostaria de demorar no cimo, deitada sobre a areia, invadida de paz. Mas, quando o Comandante veio recordar o encontro marcado com dona Aída e Modesto Pires, Leonora não ques ser desatenta, regressou com Tieta à Toca da Sogra.



Por sua vontade teria permanecido no alto dos cômoros, sob o luar encomendado por Ascânio, deslumbrante como ele prometera, a sentir o mar nocturno arrebentando contra as montanhas de areia.

Mesmo sozinha: pensaria nele, cioso dos deveres de administrador, tão correcto. Sujeito decente, diziam de Ascânio. Decência, virtude rara, constata Leonora. Teve de atravessar o Brasil, chegar ao sertão para vislumbrá-la. Dá-se conta que comete uma injustiça: Tieta é decente: a seu modo, sem dúvida. Decência não significa candura, castidade. Mulher direita, diziam dela no Refúgio.

Se estivesse nas dunas poderia escorregar, estendida sobre uma palma de coqueiro, igual a Peto, moleque travesso. Não fora travessa, não fora moleca nem menina. Não tivera infância, tão pouco adolescência; não provara o gosto do primeiro beijo recebido ou dado em ímpeto de ternura. Não tivera namorados, não ouvira palavras sussurradas, cálidas. Aos treze anos já lhe apalpavam inexistentes seios.

Tenta reconhecer os sons da harmónica – há festa na povoação. Passaram por lá, viram os pescadores reunidos diante de uma choupana em torno do tocador.

Não era outro senão Claudionoro das Virgens, com a harmónica, as emboladas, as trovas, os improvisos, de lugarejo em lugarejo, de baparaizado em baparaizado, de casamento em casamento, onde houver festa. Ao vê-los saudara:

Salve o senhor Comandante
E sua ilustre companhia.


Na Toca da Sogra, Antonieta, apressada como sempre que deseja alguma coisa, acerta os últimos detalhes da compra do terreno. Leonora persegue o som da harmónica, distante da conversa.

- Pague como bem entender, em quantas prestações queser. Nem por ser dono vou mentir: terreno em Mangue Seco não se compra nem se vende. De muitas dessas terras nem se sabe o dono. Faz mais de quatro anos que vendi um lote. Para um gringo que apareceu por aque; se lembra, Comandante?

- Lembro muito bem, era um alemão, pintor. Anunciou que se ia desfazer da casa da Baviera para vir morar em Mangue Seco.

- Pagou três prestações adiantadas dizendo que precisava de três meses para botar a vida em ordem na terra dele e voltar de vez. Nunca mais voltou nem acabou de pagar.

Eu quero pagar à vista seu Modesto. Dinheiro batido, moeda corrente… - anunciou Tieta a rir.

- Vê-se que a senhora não é mulher de negócios, dona Antonieta: com a inflação, comprar a prazo sempre é melhor.

- Não gosto de dever, é por isso, mas não pense que sou tola. Como pago à vista quero abatimento.

Foi a vez de Modesto Pires rir:

- Abatimento? Vá lá. Cinco por cento, que lhe parece? Não por ser à vista mas pelo prazer da vizinhança.

Espreguiçadeiras, tamboretes, um banco rústico na porta de casa, debaixo dos coqueiros. Ali conversam enquanto a lua se desmancha. Peto adormecera deitado na esteira.

Leonora escuta vagamente o diálogo, também ela se pudesse, compraria terreno em Mangue Seco. Não para a velhice mas para ficar desde agora.

Ansiara a vida inteira por sentimentos e verdades de cuja existência tinha notícias por ouvir dizer, através de filmes de cinema, das novelas de televisão. Nada de mais, sentimentos normais, verdades corriqueiras. A avó, referindo-se à vida na aldeia toscana antes da viagem, falava de coisas simples: família, sossego, paz, amor. Amor como seria? Nas ruelas podres, no cortiço seboso, ninguém soubera responder.

Quanto mais por baixo, batida, derrotada, lacerada, rota por dentro mais se refugiava Leonora no modesto sonho irrealizável: afecto, ternura, bem-querer de um homem.

Vida limpa como existia fora dos limites onde nascera, crescera e se fizera mulher, mais além do círculo de dor e desespero. Subindo e descendo a Avenida nas frias madrugadas, carregando seu fardo, o castigo por ter nascido filha de pais tão pobres em terra tão rica, as chagas abertas, ainda assim sonhava. Se não sonhasse só lhe restaria a morte.

Inesperadamente, quando o horizonte se fizera aperto na garganta, estertor final, conheceu a bondade e nela descansou, aprendeu novos valores, sentiu-se uma pessoa.

Os sonhos loucos de amor eterno adormeceram pois, não sendo torpe a nova condição, apenas triste, menos carente estava. Não de todo satisfeita: sempre no desejo, na intenção de sair daquele invólucro para a existência desejada: casa e companheiro – não previa casamento – um par de filhos. 

Outros reclamam dinheiro e fama. Leonora nascera como a avó, para ser dona-de-casa, mãe de família, não almeja mais do que isso. 

 Era uma vez … um touro reprodutor         








Um agricultor tinha um touro que era o melhor da região.



O touro era o seu único património
Os fazendeiros descobriram que o tal touro era o melhor animal reprodutor 
e começaram a alugar o bicho para cobrir as suas vacas. 


Era só colocar uma vaca perto dele e o touro não perdoava!!!
O agricultor ia ganhando muuuuiiiiito dinheiro!!! 
Os fazendeiros reuniram-se e decidiram comprar o touro.
Chegaram na casa do agricultor e falaram: 


-Faz um preço ao touro que nós queremos comprá-lo. 
O agricultor, aproveitando da situação, pediu um preço absurdo.    
Os fazendeiros não aceitaram a proposta e foram queixar-se ao
presidente da câmara.
Este, sensibilizado com o problema, comprou o animal com o dinheiro da Câmara,pagando uma fortuna, e registou-o como património da cidade 
Fizeram uma festa imensa na cidade...    
Os fazendeiros trouxeram suas vacas para o touro cobrir, tudo de graça!!!    
Veio a primeira vaca, o touro cheirou e nada... 

Deve ser culpa da vaca - disse um fazendeiro. - Ela é muito magra! 

Trouxeram outra vaca, uma holandesa, a mais bonita da região.
O touro cheirou a vaca e... nada!!! 
O Presidente, desesperado, chamou o agricultor e perguntou-lhe o que estava acontecendo. 
Não sei... - disse o agricultor - Ele nunca fez isso antes! - 
Deixe que eu vou conversar com o touro.
E o agricultor, aproximando-se do bicho, perguntou:
- O que há contigo? Não estás mais com vontade de trabalhar? 
E o touro, dando uma espreguiçadela, respondeu:    
-Não me chateies...Agora sou funcionário da Câmara!





Assim Nasceu Portugal
(Domingos Amaral)

Episódio Nº 177




















Soure, Julho de 1127


Na vila templária, ainda ninguém sabia da fuga das mouras de Coimbra na manhã seguinte, e a principal preocupação de Ramiro era um novo aviso do cónego Martinho sobre os estranhos acontecimentos que se haviam repetido nessa noite., nos quais o Rato era o protagonista principal.

Desagradado, Ramiro prometeu ao religioso repreender o companheiro.

Dirigiu-se ao pátio e chamou-o, afastando-se dos outros cavaleiros, enquanto o Velho os olhava intrigado.

 - Rato, tendes de vos comportar – disse Ramiro.

Explicou-lhe os temores do cónego, o receio de uma denúncia ao bispo de Coimbra, o sarilho em que se colocaria a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo estando Gondomar ausente.

Contudo, o Rato riu-se em desafio.

O bispo só saberá se alguém bufar.

Ramiro murmurou:

- É esse o perigo.

O outro revirou os olhos e lamentou-se:

 - Pensava que vos agradava, lindinho.

O filho de Paio Soares colocou-lhe a mão no ombro.

 - Sois um valente cavaleiro, não vos quero perder.

O Rato riu-se e disse que também gostava dele. Talvez incomodado com aquela expressão de afecto, Ramiro retirou-lhe a mão do ombro.

Tendes de ter mais cuidado – disse.

O outro voltou a rir-se com desdém.

 - Temos todos.

Parecia uma ameaça e Ramiro cerrou os dentes. O rato mirou-o de soslaio, enquanto o ouvia dizer:

 - O meu pai está em Coimbra. É Mordomo de Dona Teresa. O Rato encolheu os ombros, lembrava-se que ele fugira do pai. Certamente se lembrará de um criado que, em Viseu, na Páscoa do ano passado, chocou com ele à entrada da tenda – disparou Ramiro.

O Rato semicerrou os olhos e já não sorria. E certamente se lembrará de um punhal que lhe roubaram e que por mero acaso está no vosso cinto.

Sem saber bem explicar porquê, o Rato tinha a certeza de que Ramiro o denunciaria. Por isso, murmurou vencido:

 - Serei mais discreto.

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Esta Quadratura era bem mais fácil...
Orçamento de Estado
ou a
Quadratura do Círculo















Num país pobre, pequeno e endividado, como o nosso, em que as pessoas não desistem de viver melhor, a elaboração do Orçamento do Estado, todos os anos, é uma dor de cabeça.

Um drama que entrou claramente pelo ano a que diz respeito porque o majestático e incompetente Presidente que ainda lá está, fez questão de passar mais um Natal com a sua Maria no Palácio de Belém, marcando as eleições legislativas para Outubro quando deveriam ter ocorrido em Julho, atrasando, por sua vez, as presidenciais.

Estamos, pois, em Fevereiro, a discutir um Orçamento que, no interesse do país, já deveria ser um assunto arrumado.

António Costa, perde as eleições que tinha todas as condições para ganhar, e “arrancou” com um governo que nos surpreendeu a todos libertando-nos, é certo, daquele presunçoso que dá pelo nome de Passos Coelho.

- Mas, a que preço?

Hoje, sexta-feira, a minha neta não teve aulas porque os professores fizeram greve devido a uma reivindicação ligada às 35 horas de trabalho.

Ora bem, das duas, uma:

 - Ou a Intersindical já não é a correia de ventoinha do PCP que suporta o governo;

- Ou a estrutura sindical está sedenta de protagonismo e deseja um governo de direita que lhe dê sérias razões  para fazer greves e vir para as ruas desfilar em nome do povo unido...

Costa, diz que não cede em Bruxelas em matéria de Orçamento para poder dar satisfação aos compromissos que assumiu com os partidos à sua esquerda que o suportam, mas situação, no entanto, não está para bravatas.

Basta que uma empresa de rating, sediada em Toronto, a DBRS, se vá juntar às outras três, despromovendo a nossa dívida para “lixo” e os juros que pagamos irão disparar.

Quatro empresas de "rating" dando-nos essa classificação e o Banco Central Europeu, que nos beneficia com os seus financiamentos baratos, ao tesouro e às empresas, 2,8% a 10 anos, abaixo do mínimo histórico anterior à crise, deixará de o fazer, quando nos preparamos, este ano, para obter créditos ente 18 a 20 mil milhões de euros.

E quem é que nos chama a atenção para este risco? – A Troyka que chegou há pouco dias a Lisboa!...

E agora, dizem-nos, comentadores isentos, que a nossa proposta de Orçamento é optimista, demasiado voluntarista...

Agradar à Ana Voiola, da Inter-sindical, ao PCP a recuperar dos votos que o seu candidato perdeu, ao Bloco de Esquerda, “inchado” com os votos da Marisa Matias... e a Bruxelas, parece-me uma nova Quadratura do Círculo em que António Costa se meteu.

Gosto dele, desejo-lhe as maiores felicidades, mas começo a temer que seja demasiado ambicioso do ponto de vista político. 

Richard Dawkins - O que é o ateísmo


Mecânica de putos - Gato Fedorento




Praia de Santana do Agreste
Tieta do Agreste
(Jorge Amado)

EPISÓDIO Nº 65


















Pode acertar aqui mesmo. Modesto e dona Aída estão na praia. Aliás ele mandou convidá-la para tomar aperitivo em casa dele, antes do almoço. Fica mais adiante ao pé da casa de pescadores.


- Tudo aqui é belo. Nunca vi nada igual – diz Leonora de retorno à Toca da Sogra, dona Laura exigindo que ela prove a batida de pitanga. – Obrigado dona Laura, mais tarde aceito. Agora, se me dão licença vou andar na praia. – Mansa e discreta, tão querida.

- Olha que o almoço não demora e, antes, devemos ir a casa de seu Modesto. A moqueca já está sendo preparada, Gripa é especialista. – Na pequena cozinha a gorda mulata clara sorri a escamar os peixes.

- Volto já, vou só dar uma espiada.

- Vou com você. – A voz rouca de Tieta.

Peto sai correndo na frente, começa a escalar as dunas, logo chega ao alto, monta numa palma seca de coqueiro, desce veloz a cavalgá-la. Convida a tia e Leonora. A ventania uiva, a areia voa em rodopio.

Tieta sente no rosto o sopro da maresia, o inconfundível olor. A areia fina trazida do outro lado da barra na força do vento, penetra-lhe os cabelos. O sol queima-lhe a pele. Ali fora mulher pela primeira vez.

Em Agreste, perguntara ao Árabe Chalita pelo mascate. Pois não sabe? Morreu de um tiro quando a polícia quis prendê-lo na Vila de Santa Luzia, há uns dez anos, mais ou menos. Valente, não se entregou, nunca encontraram a mercadoria, as provas. Chalita cofia a bigodeira.

- Gostava de levar umas quengas para Mangue Seco. Molecas também.

- Repousa em Tieta o olhar de sultão decadente. Entre eles, ali, na porta do cinema, por um instante redivivo, o contrabandista.

Os cômoros crescendo entre as duas mulheres, Peto a descer estendido na palma do coqueiro. Qual dessas dunas galgou Tieta na distante tarde de mascate? Leonora a interroga com os olhos, ela abana a cabeça:

- Quem pode saber? Sinto uma coisa por dentro, Leonora. Por estar aqui de novo, com esse vento na cara e esse mar na minha frente. Quase tudo no mundo já apodreceu, mas ficou Mangue Seco, você entende? Quando chegar lá em cima, você vai ver.

Estão próximos do cume, Peto as alcance, Leonora força o passo, os pés se enterram na areia.

- Ai! Que coisa! Isso não existe – exclamou a moça paulista ao divisar inteira a paisagem ilimitada.

Busca Tieta com os olhos ofuscados pelo sol e a enxerga erguida no ponto mais alto, no extremo das dunas sobre o oceano, envolta pelo vento, invadida de areia, pastora de cabras diante de sua cama de noiva.

Leonora chega junto dela, a voz estrangulada:

- Mãezinha, não quero ir embora daqui, nunca mais. Não vou voltar para São Paulo.

Peto as convida a cavalgar as palhas de coqueiro, venham ver como é bom. O vento leva as loucas palavras de Leonora, Tieta não responde.

- Nunca mais! – repete a moça.

Melhor seria se afogar ali, nas vagas desmedidas, no mar enfurecido.




Nós é que é burro...
















Kussumbé, lá em Angola, foi num estação de gasolina onde havia um cartaz que dizia:


- "Encha o depósito e concorra a uma noite de sexo grátis"

Depois de encher o depósito, Kussumbé chamou o funcionário e perguntou:

- Ei como si faz pra concorere nesse promoção?

- É fácil: basta dizer um número de 1 a 10. Se for o mesmo número que estou pensar, o senhor ganha. - explicou o empregado.

Kussumbé disse então:

- 8.

- Erraste: eu estava pensar número 4...

Uns dias depois Kussumbé voltou ao posto mais o seu amigo João, encheram o depósito, chamaram o mesmo funcionário e perguntaram:

- Ainda estás no promoção?

- Sim, diz lá o número de 1 a 10. Se acertares o número que estou pensar, ganha uma noite de sexo grátis.

E Kussumbé disse:

- 5.
O funcionário:

- Erraste... Eu estava pensar número 2...

Depois de voltarem várias vezes sem nunca terem acertado, João comentou com Kussumbé:

- Acho que o gajo do posto está a enganare a genti, pá: nóis nunca acerta!


- Deixa di desconfiança........ Semana passada minha mulher acertou  seis vez... nóis é que é burro, pá!

Assim Nasceu Portugal
(Domingos Amaral)


Episódio Nº 166




















Deitando a cabeça para trás, Zulmira fechou os olhos e disse:

 - Tenho saudades desses tempos belos. Há onze anos que já não sei o que é o amor.

Enquanto a mãe falava, Zaida levantou-se e fora sentar-se num grande e fofo colchão onde a bruxa devia dormir.

Mãe, não queres vir conversar para aqui? – perguntou.

Zulmira foi ter com a filha. Pisou o colchão e, agradada, sentou-se nele. Depois soltou o cabelo e pediu:

 - Mem, podeis trazer o hidromel?

O almocreve trouxe o cantil e sentou-se na beira do colchão, enquanto Zulmira retirava os ganchos à filha, confessou:

 - Mem tive muitas saudades daquele dia nos banhos.

Zaida riu-se e exclamou:

 - Eu também!

Mem revelou idênticos sentimentos. Ao longo daquele ano, custara-lhe muito não estar com elas e por isso decidira falar com Abu Zakharia.

Então, Zulmira piscou o olho à filha.

- Acho que o Mem querido se enamorou de nós.

Zaida soltou uma risadinha, mas Zulmira franziu a testa e perguntou:

 - Não haveis estado com as outras? Com a criadita?

Mem não lhes mentiu, mas admitiu não se encantar, revelando que acabava sempre a pensar nelas.

Zaida sorriu, contente com o que estava a ouvir, mas Zulmira amuou.

 - Desapontei-vos? -  perguntou Mem?

Zulmira fez uma careta e murmurou, encolhendo os ombros:

 - Sois homem e bonito, que se pode fazer?

De seguida, deitando-se no colchão recordou:

 - Em Coimbra, as mulheres dos haréns ensinam o amor umas às outras com livros e cremes, mensagens e pedras quentes, quando estão com ânsias.

Sorriu à filha dando-lhe uma festa na cara.

_ A Zaida é diferente da Fátima.

Olhou para o fundo da gruta, onde dormia a filha mais velha e disse:

 - Aquela é arisca, nunca se daria bem num harém.

Depois encostou a cabeça ao ombro de Zaida. Esta é parecida comigo e com a avó.

Enquanto falava, Zulmira começou a tirar o seu alifafe e pouco depois estava nua.

O almocreve sentiu-se com muito calor e admitiu que devia ser do hidromel e do haxixe que ardia na fogueira, dentro do pote. Depois de dar um novo gole no cantil, Zulmira arqueou-se um pouco para trás e murmurou:

 - Ajudai-me...

Zaida molhou a mão com um pouco de hidromel, como se fosse creme, e com as mãos, começou a mãe.

- É assim nos haréns, Mem querido – explicou Zulmira.

Fascinado, o almocreve ouviu-a perguntar:

 - Porque não me ajudais também?

Mem começou a fazê-lo com gosto, mas algum tempo depois, Zulmira mudou subitamente de ideias e sussurrou.

 - Esperai! Quero presentear-vos Mem querido.

Mandou deitá-lo de costas, e depois colocou-se do lado direito dele, enquanto Zaida se instalava do lado oposto. Despiram-lhe o saiote e começaram ambas a beijá-lo e Mem sentiu que a gruta se transformara num paraíso.

A dado momento, Zulmira exigiu-lhe que ele a amasse e Mem assim fez, e quando terminaram ficaram deitados.

Ao lado deles, Zaida também sorria, e Mem arqueou as sobrancelhas, como se lhe perguntasse se ela também desejava ser amada por ele, mas a rapariga responde:

- Um dia, Mem, prometo-vos. Hoje é a noite da minha mãe.


Quando Zaida me relatou o sucedido na caverna, fiquei atordoado.

Como é que Mem seduzia tão belas mulheres? – Eu sempre fui tímido, limitei-me a amar a minha Maria a vida toda e por isso admirava o sucesso que o almocreve fazia.


Mais tarde, cheguei à conclusão de que o seu segredo, era dar-lhes atenção. Mem fazia das mulheres o centro do mundo e elas adoravam-no também por isso. Mesmo depois de não as ter conseguido salvar, Zulmira e Zaida continuaram a amá-lo.

quinta-feira, janeiro 28, 2016

O criacionismo
CRIACIONISMO

EVOLUCIONISMO





















A IGREJA E A QUADRATURA DO CÍRCULO


O Criacionismo não tem mais lugar à luz do estado actual da Ciência. É  uma batalha definitivamente perdida pela Igreja.

- A Evolução dos seres vivos ocorre por selecção natural, ou seja, os indivíduos com características hereditárias mais favoráveis reproduzem-se tornando-se mais comuns e os outros desaparecem.

- O Criacionismo, teoria segundo a qual a vida foi criada por uma entidade superior sem recurso à matéria existente, é simplesmente uma crença sem qualquer valor excepto para os que acreditam nela à luz de uma fé religiosa.

O Evolucionismo é um assunto da ciência, o Criacionismo é uma questão de fé. Não são antagónicos, não se contradizem, não se opõem e não se comparam porque são incomparáveis, de naturezas e planos diferentes.

A fé e a razão têm origens distintas: a primeira, na necessidade de acreditar, a segunda na inteligência.

O homem, curioso como é, sempre se inquiriu e questionou sobre aspectos ligados à própria vida: quem somos, de onde viemos, por que estamos aqui e as respostas dadas pelos filósofos e pensadores mais baralhavam e confundiam as pessoas do que propriamente as esclareciam.

As igrejas, aproveitando a natural credibilidade dos homens e a inexistência de outras respostas, forneceram-lhes soluções simples, directas e indiscutíveis e acrescentaram: “esta é a verdade, acreditem nela, tudo quanto existe foi criado por Deus e…ponto final, quem não acreditar vai para o inferno por toda a eternidade!”.

Portanto, não há aqui nenhum desafio entre Ciência e Fé Católica, quando muito existiu um enorme risco de perigo de vida para aqueles que não acreditavam.

Felizmente, os tempos são outros e a Inquisição já lá vai a alguns séculos mas não está apagada da memória dos homens que se revelaram, por causa da fé, com uma cruz bem levantada nas mãos, seres hediondos e cruéis para os seus semelhantes, incluindo parentes e vizinhos.

Perdida a “guerra” do Criacionismo” a Igreja vem agora, para salvar as ovelhas confusas do rebanho, com o “desígnio inteligente”.

Maravilhada com as descobertas da ciência impossíveis de rebater e negar porque são evidências trazidas para o dia-a-dia da vida das pessoas e das escolas, a Igreja diz:

- … “Pois, sem dúvida, estávamos enganados nas questões de forma mas na essência, no que é verdadeiramente importante, nada se alterou: os planos da vida descobertos pela ciência, são os planos de Deus, só Ele poderia ter concebido um tal percurso a que chamaremos de “Designo Inteligente”.

Esta confrontação que se pretende agora estabelecer entre Darwin e a fé cristã e que levou 300 especialistas a reunirem-se no Vaticano num Convénio Internacional denominado: “Evolução Biológica: Factos e Teorias”, em estilo de comemoração dos 150 anos da publicação da obra A Origem das Espécies”, não passa de uma manobra de diversão para disfarçar uma realidade preocupante para a Igreja: ela só tem para oferecer a fé religiosa e as promessas no além para a respectiva cobrança de prémios e castigos pelo que fizeram ou não fizeram neste mundo.

A sua moral não é melhor do que a de qualquer cidadão não religioso, os seus representantes e defensores não são melhores ou piores que quaisquer outras pessoas independentemente de serem ou não religiosas, e para nos ensinar coisas que façam progredir a humanidade lá estão milhares de cientistas em todo o mundo a fazer um uso inteligente das suas capacidades criativas em vez de perderem tempo em rezas inúteis.

O Arcebispo Ravasi, Presidente Conselho Pontifício da Cultura do Estado da Santa Sé, em 2007 patrocinou um Convénio em que fala “de uma mudança na forma como a Igreja, encara a evolução biológica” e a mim, que nestas coisas não sou ingénuo, parece-me mais uma estratégia forçada de adaptação aos tempos que correm para estancarem as perdas de influencia no “rebanho”.

IMAGEM

O "amarelo"... ao fundo, a Sé de Lisboa.




Morangos com adoçante....



Fred Astere - Eleanor Powel (1949)


Ele, talvez o melhor dançarino de sempre...


A praia de Santana do Agreste
Tieta do Agreste
(Jorge Amado)

EPISÓDIO Nº 64



















ONDE A MANSA LEONORA CANTARELLI PROCLAMA IMPORTANTE DECISÃO


No sábado, pela madrugada, Tieta, Leonora e Peto embarcam na canoa do Comandante Dário que os veio buscar deixando dona Laura na Toca da Sogra ainda adormecida: quando acordar, vai cuidar dos preparativos para recepcionar as visitantes. No almoço, haverá moqueca, o peixe fresquinho, pescado na hora.


Os demais irão no domingo, sábado é dia de muita ocupação em Agreste. Ricardo preso à missa, Astério preso à loja, Elisa à cozinha, Ascânio à Prefeitura onde atende ao povaréu do interior do município até o fim da tarde.

Dona Carmosina a esperar a marinete para distribuir jornais e revistas, entregar e receber cartas, ler e redigir algumas, a pedido de roceiros iletrados.

Para as gentes dos povoados e do campo, sábado é o dia de compras, das queixas, das reclamações e dos pedidos à municipalidade, da correspondência com os parentes emigrados para o sul.

Com dona Carmosina irá dona Milú levando comida para juntar à de dona Laura e fazerem um piquenique na sombra dos coqueiros.

Também o vate Barbozinha se estiver melhor do reumatismo a castigá-lo pela mania de ficar acordado até altas horas da noite, sondando o horizonte à espera de discos voadores, de naves espaciais de onde desçam seres das mais remotas galáxias, vindas de visita ao grão-mestre de todas as sociedades secretas, Gregório Eustáquio de Matos Barbosa, filósofo e vidente conhecido na imensidão do sistema celeste. 

Ultimamente recebeu irradiações poderosas, anúncios de acontecimentos extraordinários em futuro próximo. De quando em vez, num disco luminoso ou na pouco recomendável companhia de Osnar; de Seixas; de Fidélio e Aminthas, desembarca o poeta na casa mal afamada de Zuleika Cinderela, no Beco da Amargura, onde range a música de velhos discos e se pode dançar com raparigas.

Nos tempos boémios e literários da capital, em companhia de Giovani Guimarães, James Amado e Wilson Lins, no castelo de Vavá ou no 63 da Ladeira da Montanha, o vate Barbozinha era apreciado pé-de-valsa. Hoje, envelhecido, meio entrevado, mesmo assim faz figura na cadência dos passos de um foxtrote, no rodopio de uma valsa. Num tango ainda arranca palmas.

Tieta e Leonora assistem ao sol nascendo sobre o rio, a moça de são Paulo vai calada, um ténue sorriso: o Comandante a observa e percebe a emoção a dominá-la. Quando ele chegou de volta e fez esse mesmo caminho descendo o rio, não conteve as lágrimas.

Tieta tampouco fala, a face fechada, quase dolorosa. Apenas Peto espana a água com as mãos quando não ajuda o Comandante nas manobras.

Na Toca da Sogra, onde dona Laura recebe os visitantes com água de coco e pequenos peixes fritos no azeite-de-dendê – tem batida de pitanga e de maracujá para quem quiser – o Comandante desdobrou sobre a mesa uma planta rudimentar dos terrenos de propriedade de Modesto Pires, traçada por ele próprio:

- Aqui está a Toca, nosso terreno. Eu lhe aconselho, Tieta, a comprar esse aqui, vizinho ao nosso, nessa área do coqueiral. É a parte mais bonita e a mais defendida da areia. Podemos ir até lá, se quiser.

- Agora mesmo, para isso vim.

Não veio para isso, veio para rever as dunas e nelas se encontrar. Mas demora de propósito, retém a vontade de correr para os cômoros, de subir ao alto e olhar a imensidão. 

Com o Comandante e Leonora, vai constatar as vantagens do terreno, quando regressar a Agreste efectuará a compra.

O Velhote














Um velhote queixa-se ao médico:

- Doutor, estou preocupado... Quando faço sexo, ouço assobios.

Resposta:

- E, na sua idade, o que queria ouvir? -  Aplausos ?!

Assim Nasceu Portugal
(Domingos Amaral)

Episódio Nº 165




















A dado momento, viu luz à sua frente e parou. Ordenou que elas ficassem quietas e em silêncio, deixou-lhes a vela e avançou sozinho.

Trinta metros à frente, o túnel terminava numa gruta, e Mem viu uma pequena fogueira, junto da qual estava sentada uma mulher vestida de negro, que imediatamente reconheceu.

_ Entra Mem e dizei-lhes que podem vir também – disse ela.

O almocreve não se surpreendeu, aquela mulher sabia sempre tudo.

Chamou as mouras, mas quando elas entraram na gruta a bruxa tapou mais a cara com o capuz. Ao ver Zulmira murmurou uma justificação:

 - Sois tão belas que me envergonho.

As outras nada disseram apenas se sentaram à volta da fogueira, sem lhe conseguirem ver o rosto.

- Sei quem vós sois – afirmou a mulher. Os cristãos virão procurar-vos, e Soure está cheia de cavaleiros, não vai ser fácil passardes por lá.

Mem contou-lhe o que queria, e ela suspirou, pensativa. Depois, disse:

 - Há uma atalaia aqui perto. Posso enviar um dos meus corvos com uma mensagem. Conheço gente em Santarém.

Mexeu no fogo, ateando a fogueira um pouco mais.

Abu Zakaria, virá pela floresta, e teremos de voltar por lá, caso contrário sereis apanhadas.

Ouviu-se uma coruja piar, algures nos túneis e a velha vestida de negro pareceu preocupada. Levantou-se e observou o fogo.

Vejo muitos mortos – murmurou.

Enquanto Zaida se encolhia junto à mãe, a mulher de negro deu uns passos até ao canto da gruta, onde pegou num cantil e num pote que trouxe para junto deles.

Colocou o pote em cima da fogueira e deitou lá para dentro umas pequenas pedras misturando-as com ervas. Depois, ofereceu a Mem o seu cantil e informou:

 - É hidromel. Elas devem beber também, para dormirem melhor.

Agarrou no cajado e avançou na direcção de um túnel, diferente daquele por onde tinham chegado Mem e as três mulheres. Sem se virar para trás declarou antes de desaparecer:

 - Não saiam daqui.

Mal ela partiu o almocreve contou às mouras onde conhecera aquela mulher e o que havia combinado com Abu Zhakaria para Agosto.

Zulmira e Zaida estavam embevecidas, admirando-o e Fátima ficou num total êxtase, a pontos de recusar comer e beber. Afastou-se para o fundo da gruta e adormeceu rapidamente,

Junto à fogueira Zaida e a mãe recordaram a descoberta terrível de Dona Teresa, que reconhecera Zulmira.

A gruta estava com um cheiro intenso devido às ervas do pote e Mem sentiu-se confortável pela primeira vez em muitas horas. Serviu mais hidromel e olhou para Zulmira:

- Sois neta do antigo rei de Sevilha, Al-Mutamid; a vossa mãe teve um filho de Afonso VI; haveis fugido de Toledo; casado com o pai de Zaida e de Fátima; e depois dele morrer com Taxfin.

Que vida...

Zulmira, sorriu-lhe e, sempre curioso, o almocreve,  perguntou.

- E porque quer o assassin matar-vos a mando do califa?

Zaida bebeu também um gole de hidromel e largou uma rizada.

É melhor do que vinho! – exclamou.

Zulmira riu também, antes de se indignar:

 - O califa berbere é um canalha! Mata quem lhe faz sombra. Matou o Taxfin e quer-nos mortas também!

Faltava a explicação para a sombra que elas faziam ao califa, e mem insistiu, mas Zulmira apenas exclamou:

- Os almorávidas são berberes dos desertos, não são árabes da Andaluzia, como nós! Odeiam-nos!

Dando um apressado gole no hidromel, fez um esgar de desprezo.

- São fanáticos! Nós somos diferentes, somos de Córdova! Foi uma grande cidade, no tempo dos antigos califas, antes dos almorávidas chegarem.


Em His Abi Cherif, fomos dos poucos que mantivemos essas tradições, da poesia, da filosofia, da história e do amor! Somos diferentes, de um Islão mais bonito.

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