sábado, novembro 29, 2014

IMAGENS

A isto chama-se um petisco...



Segurança Social - Camada de Nervos


Fascinação - Elis Regina

Para mim, a mais poderosa canção de amor cantada pela mais poderosa cantora brasileira.


Como terá sido a sua carreira na Volkswagen?
 Curriculum

 Vitae

(Pede-se experiência)









Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.

quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora.

Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo caminhando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no auto - carro. 

Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer. Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí por uma escada.

Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.

Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas, sentindo a falta de uma única.

Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já tomei whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.

Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um 'para sempre' pela metade.

Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.

Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração... 

Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel:

 - Qual é a sua experiência?

Essa pergunta fez eco no meu cérebro.

Experiência.... Experiência... Será que cultivar sorrisos é experiência?

Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:

 - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???


NOTA - Esta redacção foi escrita por um candidato numa selecção de Pessoal na Volkswagen. A pessoa foi aceite e o seu texto está a fazer furor na Internet, pela sua criatividade e sensibilidade.

O Marido da Idalina










Idalina trabalhava na casa de um médico em Lisboa. Durante anos foi o anjo da guarda da família. Cuidava da limpeza, da cozinha e da roupa, ajudou a criar os filhos que a adoravam.

Um dia, muito nervosa e com os olhos cheios de lágrimas, Idalina anunciou que se ia embora. O médico, a mulher e os filhos ficaram em pânico:

- O que é que aconteceu, Idalina? Algum problema? Salário pequeno? Vamos conversar. Quem sabe a gente aumenta seu ordenado?

- Não é nada disso não, doutor. É a igreja. Nós somos da IURD, a nossa igreja transferiu meu marido para o Paraná e eu tenho que ir com ele. 

- Seu marido é pastor?

- Não, doutor. O pastor é que nos vai levar com ele.

- Se seu marido não é pastor, pode muito bem ser substituído por outro.

- Não pode não, doutor. O pastor só confia em meu marido.

- O que é que ele faz?

- Ele é o paralítico que se levanta e anda...

   

Tu tá maluco Zé Pedro?
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)



Episódio Nº 111


















No silêncio, deu um passo em frente, cuspiu no chão:

- Nove homens se borrando de medo.

- Vagabunda nenhuma me chama de medroso... - Ofendeu-se o outro cabra até então calado.

Andou para Bernarda disposto a meter-lhe a mão no pé do ouvido, para lhe ensinar respeito e consideração mas desistiu ao escutar a advertência do velho Gerino:

 - Tu tá maluco, Zé Pedro?

Os jogadores de ronda que haviam suspendido as apostas voltaram aliviados a traçar as cartas sebentas do baralho. O velho abrandou a voz para dirigir-se a Bernarda.
Chefe dos cabras designados para montar guarda ao barracão, não demonstrou ter-se ofendido com a acusação da rapariga: ninguém que o conhecesse poderia acoimá-lo de covarde.

Não se esquecia ademais de que a falastrona era pessoa do capitão Natário: se o cabra tivesse ousado, nem Deus o salvaria.

Gerino considerava-se responsável pelo cacau e também pelos homens às suas ordens.

 - Fazer o que, Bernarda? Me diga que eu não sei. Nós não tem nada a ver com esse embeleco. Nós é pago pra guardar o cacau do Coronel, se eles vier pra cá vão comer fogo, é pra isso que nós ganha. Só pra isso.

 - Mas tão roubando a venda e diz que vão agarrar as mulher a pulso e passar a geral em nós, uma por uma.

 - Nós não tá aqui pra garantir mercadoria de turco nem boceta de mulher-dama. O que é que tu pensa? Que isso aqui é uma cidade? Isso aqui é uma tapera com uma bodega, quatro putas e com nós no barracão do Coronel: é cada um por si e Deus por todos.

Se tu quiser, fica aqui com nós que nada vai assuceder.

Caminhou até junto à porta onde Bernarda estava aflita e
tensa e lhe disse sem rancor:

 - Mas se tu não quiser ficar, se arresolver se matar pelo turco, pode ir. Nós não sai daqui. Se eles vier nós ensina eles com quantos paus se faz uma cangalha. A gente só tem uma vida e uma morte pra gastar.

7

Nem nas gavetas e prateleiras nem nas tábuas grossas do balcão - onde diabo o turco excomungado enfurnara a ourama?

Ali também desmontaram tudo, coisa por coisa, trabalheira cansativa e inútil.

 Há de estar em alguma parte, reafirmara Manezinho impondo-se à pressa dos comparsas: à bebedeira de Janjão desejoso de regalar-se com o fiofó da negra; aos temores de Chico Serra receoso de um ataque de surpresa dos vaqueiros.

Onde diabo? Nos sacos de farinha, de feijão, de milho?

sexta-feira, novembro 28, 2014

IMAGENS

Lumbala, Concelho de Cazombo, Distrito do Moxico, Alto Zambeze, Angola, à beira do rio Zambeze com as suas areias "cantantes" e da fronteira com a então Rodésia do Norte. Rendi estes militares e estive aqui 15 meses, os mais felizes da minha vida, na companhia do simpático povo Luena. Ao longo dos meses tive tempo, com a intervenção dos meus admiráveis soldados nortenhos de fazer novas instalações. Depois de me vir embora começou a guerra...



Mixórdia de Temáticas - Natal Moderno


Trem das Onze - Demónios da Garoa

Surgiu na década de 1940 com o nome de "Grupo do Luar" fundado por Arnaldo Rosa. Em 1943, cantando pela primeira vez norádio, venceu um concurso de calouros, chamado A Hora da Bomba, da Rádio Bandeirantes. O prêmio principal era um contrato para duas apresentações semanais na rádio.
O grupo mudou de nome por iniciativa do locutor Vicente Leporace, entusiasta do grupo. Este promoveu um concurso entre os ouvintes para que fosse escolhido o nome do grupo. Dentre as sugestões, foi escolhido o nome "Demônios da Garoa" por um ouvinte da radio não identificado até hoje. Vale lembrar que Leporace ao anunciar o conjunto em seu programa costumava chamá-los de "endiabrados" do Grupo do Luar.
Em 1949, durante as gravações do filme O Cangaceiro, conheceram o compositor Adoniran Barbosa. Nasceu a parceria que rendeu os principais sucessos do grupo e seu reconhecimento nacional.

Este é o medo f instintivo, "pai" do outro, feito sentido de responsabilidade
O medo feito sentido 



de

 responsabilidade



 no futuro










Hans Jonas é um inimigo radical das utopias, que viam o mundo em que tudo era possível e nada estava escrito. A brutal experiência da bomba atómica, da poluição do meio ambiente e do Holocausto, demonstram que, moralmente, a utopia pode acabar sendo a justificação para o assassinato em larga escala e a destruição do planeta. 

A Utopia dizia aos homens "Você pode fazê-lo e, como você pode, você deve".

A responsabilidade requer o cálculo de risco e, na dúvida de que algo pode dar errado, é melhor não. O imperativo ético que é proposto por Jonas arranca do medo ou, para usar as suas palavras, a "heurística do medo", que é uma mistura de respeito com medo. 

É o medo das consequências irreversíveis do progresso (modificação genética, a destruição do habitat), que nos obriga a agir de forma responsável e o motor que nos impulsiona é a ameaça que paira sobre a vida futura. 

O medo é um sentimento negativo, mas dessa negatividade pode sair algo de positivo: constatando que o planeta está em perigo e que a causa desse perigo é o poder do ser humano, possuidor de uma técnica que corre o risco de se tornar anónima e autónoma, deve ser prestada mais atenção à profecia de miséria do que à utopia da felicidade e agir em conformidade, levando a sério a ameaça que paira sobre o futuro da humanidade e nos convida a agir responsavelmente.


NOTA - O medo como mecanismo de responsabilidade foi o instrumento que nos foi inculcado para preservarmos a nossa vida. O medo e a dor são avisadores de que há um perigo que nos ameaça.

Hoje podemos fazer demasiadas coisas, só o medo nos tem travado. Não foi pelo medo que a guerra fria acabou?

As cada vez mais acentuadas desigualdades sociais deviam fazer-nos temer confrontos graves destruidores da humanidade ou pelo menos da nossa civilização.

É preciso que o medo funcione.

Jantar de Confraternização 










Um grupo de amigos de 50 anos discutia para escolher o restaurante onde iriam jantar. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque as empregadas usavam mini-saias e blusas muito decotadas. 

Dez anos mais tarde, aos 60 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque a comida era muito boa e havia uma excelente carta de vinhos. 

Dez anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque lá havia uma rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador. 

Dez anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical. Todos acharam que era uma grande ideia porque nunca tinham ido lá.

Que previdência se deu?
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)


Episódio Nº 110
















Não ouviu a resposta nem se preocupou em receber a paga; assim mesmo como estava partiu em disparada sob o aguaceiro.

Encharcada, chegou ao toldo no descampado: ninguém. Onde andariam?

Fugidos nos brejos que nem as mulheres? Defendendo o armazém tampouco estavam, não vinha zoada daquelas bandas.

Dirigiu-se para o barracão: lá encontraria ao menos os três cabras encarregados de guardar o cacau seco. Largou-se açoitada pelo vento; tudo calmo em derredor - calmo demais, dava medo.

Uma das portas do depósito entreabriu-se ao rumor de seus passos. Olhos acostumados a enxergar nas trevas, Bernarda percebeu o cano do clavinote. Gritou seu nome, a porta se abriu de todo.

Dentro do barracão, os cabras e o boiadeiro montavam guarda, armas em punho. Sentados no chão, tropeiros e ajudantes disputavam partidas de ronda: uns apostavam, outros assistiam, desatentos todos, o sentido posto nos jagunços.

Olharam para Bernarda mas nenhum abriu a boca; prosseguiram o jogo. Sabiam que ela não viera em busca de frete: requestada, nunca precisara sair à cata de freguês.

 A água escorria-lhe do corpo, fazia poças no assoalho: a combinação grudada na pele emoldurava-lhe os seios e a barriga, as coxas e as ancas. À luz difusa dos candeeiros parecia uma visagem do outro mundo.

 - Diz que os jagunços tão atacando a casa de seu Fadu.

Não houve resposta. O tangerino quis falar, arrependeu-se, ficou a olhar para ela como se estivesse com a vista encandeada: ai, nunca se deitara com Bernarda!

 - Tão ou não?

Desviando o olhar da sombra dos pentelhos molhados da atrevida, o vaqueiro abanou a cabeça, confirmou:

- João Fanchão, Chico Serra e Manezinho, não podia se juntar três mais pior que esses.

 - Que providência se deu?

O cabra que lhe abrira a porta admirou-se da pergunta; a voz neutra, explicou:

 -Providência? Eles veio na intenção da venda, depois de roubar vão embora.

Contando os cabras, o tangerino, os tropeiros e ajudantes somavam nove homens, quatro dos quais armados com paus-defumaça, além dos facões e punhais dos estradeiros.

- Eles não passa de três e só aqui tem nove...

Jorge Jesus o "artista"
Zenit 1 - 0 Benfica









"O imbecil do Jesus já se pode concentrar naquilo que é importante e sua prioridade, os jogos com o Arouca."

O primeiro erro num

processo que só

agora começou

(Do Blog O JUMENTO) 








"Há por aí quem tenha mais olhos do que barriga e agora estão metidos num grande buraco, cometeram um erro estratégico muito grave ao meterem José Sócrates numa cela da prisão. E meteram-no para recolherem provas que fazem crer existirem e ao fazê-lo não só ficaram com o ónus da prova que já era deles, como estão obrigados a provar que Sócrates é mesmo culpado do que fizeram crer e do que o vão acusar.

A justiça portuguesa está muito habituada a apresentar quer os sucessos, quer os abusos e erros como provas de que é uma justiça competente. Quando condena festeja a sua competência, como sucedeu recentemente com o caso Sócrates na versão sucateiro. Quando os tribunais inocentam os procuradores recorrem até poderem, talvez na esperança de o arguido já não ter mais dinheiro para se defender, para no fim concluírem que ao ser declarada a inocência a justiça também funcionou.

Quando não conseguem arranjar qualquer prova recusam-se a admitir a inocência e arquivam os processos a “aguardar melhor prova”, para a justiça os portugueses são como os bebés para a Igreja Católica, mal nascem já são culpados e enquanto não forem ilibados por um juiz são culpados de qualquer coisa, não se sabe bem do quê mas são certamente culpados. É como quando a minha mãe me dava uma palmada por engano, a desculpa era sempre a mesma, ficava por conta das situações em que não tinha sido apanhado.

Os grandes instrumentos da justiça portuguesa parecem ser o medo e a difamação, quem cai nas malhas da justiça é amedrontado e fica em silêncio na esperança de os magistrados o recompensar com alguma generosidade no momento da acusação, enfim, um pequeno desconto. Por outro lado e enquanto os arguidos são silenciados os jornais e televisões da justiça condenam os arguidos na praça pública, destroem-nos moral e psicologicamente e perseguem familiares, amigos e todos os que os ousem defender.

Desta vez a justiça pode ter cometido dois erros de cálculo, teve mais olhos do que barriga e deteve Sócrates com muitas certezas e poucas provas, o segundo erro poderá ter sido a sua prisão preventiva. Agora a justiça está obrigada a apresentar um caso sólido e sem margem para qualquer dúvida, tinham a certeza, prenderam o homem e tentaram destruí-lo, não podendo dizer que destruiu as famosas provas por estar na prisão e porque não teve tempo de ir a casa destruir os tais documentos.

Ainda por cima o silêncio a que pensaram ter condenado Sócrates é bem ruidoso do que imaginavam, esqueceram-se que a prisão preventiva não é uma condenação ao silêncio e muito menos a perda de todos os direitos. Se tivesse sido condenado ou se calava ou ia para a solitária, mas em prisão preventiva pode receber quem bem entende, conta com os advogados e elabora os comunicados que bem entender. Em vez de serem os jornalistas a perseguirem-no pelas ruas de Lisboa perguntando-lhe o que lhes mandaram perguntar, é o Sócrates  a conseguir a mediatização das suas respostas.

Das duas uma, ou a justiça prova tudo o que disse e mandou dizer ou desta vez o caçador corre um sério risco de ser caçado. A prisão de José Sócrates poderá ter sido um dos maiores erros da justiça portuguesa e acabar por ter o efeito contrário ao que era pretendido, desta vez em vez de funcionar como condenação prévia do arguido pode ser uma espada sobre o pescoço dos que propuseram e decidiram a sua prisão.

A justiça está habituada a errar e a beneficiar do medo colectivo que o povo português tem de uma justiça que nunca deixou de se sentir como um tribunal plenário. Por mais que erre, por mais que difame com a manipulação e a violação do segredo de justiça, por mais que considere as sentenças não condenatórias como medalhas para exibir ao peito, a justiça e os seus agentes sempre saíram impunes dos seus actos. Em Portugal a justiça nunca errou, nunca se registou um erro judiciário e nunca um magistrado pagou pelas consequências dos seus erros.

Talvez desta vez seja diferente e a justiça venha a ter de assumir a responsabilidades e consequências dos seus erros e, para já, a prisão preventiva de José Sócrates poderá ter sido o primeiro erro num processo que só agora começou, ainda que há muito que tudo tenha sido escrito, os neo-nazis já tinha falado dos dinheiros de Sócrates e há muito que estava escrito nas estrelas que ele seria preso.




NOTA

Terá a justiça dado um passo maior do que a perna ao decretar a prisão preventiva de Sócrates para poder conduzir melhor a investigação?
Sócrates governou este pais durante mais de seis anos e nessa qualidade ficou conhecido no mundo inteiro. Prendê-lo preventivamente no aeroporto à saída do  avião apenas para investigá-lo é pôr Portugal nas bocas do mundo e, para já, assassinar politicamente um ex-1º Ministro.
Podem os juízes dizer que perante a lei somos todos iguais. Pelas más razões sabemos que não é verdade. Neste caso, a realidade e o bom senso também nos dizem que não.
A justiça não deve deixar dúvidas em caso algum, neste muito menos.    

quinta-feira, novembro 27, 2014

IMAGEM

Nós tivemos cá um Zé das Medalhas, o Francisco Canas, ali na Baixa de Lisboa, que se especializou, mais tarde, em levar malas de dinheiro lá para fora. Terá sido um complexo que ele ganhou quando viu estes tipos carregados de medalhas e percebeu que não podia competir com eles...



OSWALDO MONTENEGRO - METADE DE MIM




Nasceu no Rio de Janeiro em 1956 e é músico, cantor, poeta, compondo trilhas sonoras para peças teatrais, cinema e televisão. Tem uma das parcerias mais sólidas ao lado de Madalena Salles que o acompanha com as suas flautas. Oswaldo foi um caso excepcional de precocidade talvez porque nasceu numa família de músicos: seu pai, por quem foi influenciado musicalmente, mas também a sua mãe e os avós maternos.


                   

Camada de Nervos - Palitos


Um casal recém casado chega ao hotel e a inocente rapariga diz ao marido:

- Amor, eu não sei nada destas coisas, então vais ter que me ensinar.

Compreensivo o marido responde: - Minha vida, a partir deste momento, à tua"coisita" vamos chamar-lhe a prisão e a "este" vamos chamar o prisioneiro. Vamos então meter o prisioneiro na prisão... 

Depois do primeiro "round", o tipo atira-se de barriga para cima na cama, mas a rapariga entusiasmada diz ao marido:
 

- Amor, o prisioneiro está fora da prisão. O esposo não muito entusiasmado diz:

- Vamos metê-lo na prisão outra vez. E seguem com a segunda.... 

Mas a rapariga  diz-lhe: - Amooooooooor, o prisioneiro está fora outra vez!


Levanta-se o tipo como pode, com as pernas tremendo como um recém nascido, e vai para a terceira.....

Ao terminar atira-se na cama, exausto. Mas a rapariga volta a dizer:

 - Querido, o prisioneiro voltou a sair!


Responde-lhe o esposo, desesperado:

 - Não me chateies porra!... O prisioneiro não foi condenado a prisão perpétua...


Richard Dawkins
Porque Existem

 as Pessoas?

















É com esta pergunta que Richard Dawkiins inicia o seu livro “O Gene Egoísta” cujo argumento é de que nós, e todos os restantes animais, somos máquinas criadas pelos nossos genes sendo que, cada gene, constitui a unidade fundamental da hereditariedade.

Os milhares de gerações que nos precederam deixaram como herança o resultado das suas acções e a sua constituição biológica, às quais devemos a nossa própria existência.

Em cada novo dia que se abre para o mundo, tudo depende de quem está vivo e do exemplo que transmitirá a quem nasce.


A nossa história está escrita nos nossos genes e nas nossas acções. Sobre os primeiros a nossa capacidade de intervenção é escassa, sobre as segundas é quase total, se formos pessoas livres.


Nunca como neste momento da vida da humanidade tivemos os meios para fazer da Terra um jardim ou um deserto, para tornar a nossa vida agradável ou infernal e fazer a história hoje é fazer esta escolha.


É bom recordar que aquilo que nos torna semelhantes é preponderante comparativamente com o que nos torna dissemelhantes.


A variedade com que nos apresentamos em relação à cor da pele, forma do corpo, linguagem e cultura tem apenas a ver com a capacidade de enfrentarmos a mudança e de nos adaptarmos a ambientes diferentes e desenvolvermos estilos de vida originais que têm sido a melhor garantia para o futuro da nossa espécie.


A vida inteligente de um planeta atinge a maioridade quando, pela primeira vez, compreende a razão da sua própria existência.


Se criaturas vindas do espaço algum dia visitarem a Terra, a primeira pergunta que farão, para se aperceberem do nível da nossa civilização, será: “Eles já descobriram a evolução?”.


Os seres vivos existiram na Terra sem saberem porquê durante mais de 3 biliões de anos, antes da verdade ocorrer a um deles.


O seu nome foi Charles Darwin, embora outros, antes dele, também tenham suspeitado da verdade; mas foi Darwin quem, pela primeira vez, construiu uma explicação coerente e defensável da razão da nossa existência.


Devemos a Darwin podermos dar hoje uma resposta sensata à criança que, pela sua natural curiosidade, nos formule a pergunta com que R. Dawkins inicia o seu livro.


Já não temos que recorrer à superstição quando confrontados com os problemas de fundo: Há um sentido para a vida? Para que existimos? O que é o Homem?


A teoria da evolução está hoje tão sujeita à dúvida quanto a teoria de que a Terra gira à volta do Sol e as suas implicações ainda estão para serem completamente compreendidas embora ela toque todos os aspectos da nossa vivência social como: o amar e o odiar, o lutar e o cooperar, o doar e o roubar, a nossa ganância e a nossa generosidade.


Muitos autores interpretaram a evolução como se ela se processasse a favor da espécie, ou do grupo quando, na verdade, ela procura servir o indivíduo ou o gene. É com este objectivo que a evolução opera.


Tal como os gangsters de Chicago, os nossos genes sobreviveram, em alguns casos, durante milhões de anos, num mundo altamente competitivo e por isso, é natural esperar deles certas qualidades e uma dessas qualidades, apontada por R. Dawkins, é a do seu egoísmo implacável o qual, geralmente, originará um comportamento individual egoísta embora, em circunstâncias especiais, um gene possa atingir melhor os seus próprios fins egoístas manifestando-se, ao nível do comportamento individual, por um acto de altruísmo.


Por exemplo, a picada das abelhas obreiras é um comportamento defensivo muito eficiente contra os ladrões do mel, mas as abelhas que picam são lutadoras kamikaze porque no acto da picada os órgãos internos vitais da abelha são arrancados do corpo e ela morre pouco tempo depois.


A sua missão suicida poderá ter salvo a reserva de comida da colónia mas ela já não estará presente para colher os benefícios e, deste ponto de vista, e pelos nossos conceitos, este acto é um comportamento altruísta.


Mas, por muito que gostássemos de acreditar no contrário, o amor universal e o bem-estar da espécie como um todo são conceitos que, infelizmente, não têm sentido do ponto de vista evolutivo.


Se desejarmos construir, e essa deverá ser sempre a nossa preocupação, uma sociedade na qual os indivíduos cooperem generosa e desinteressadamente para o bem-estar comum, não poderemos contar com a ajuda da natureza biológica.


Tentamos ensinar generosidade e altruísmo exactamente porque nascemos egoístas e por isso, há que compreender o que pretendem os nossos genes egoístas para tentar frustrar-lhes as suas intenções.


Convém, no entanto, esclarecer que as características herdadas geneticamente não são, por definição, fixas e inalteráveis.


Por outras palavras, os nossos genes podem programar-nos para sermos egoístas mas nós não somos obrigados a obedecer-lhes durante toda a vida, simplesmente, essa desobediência, ser-nos-à mais difícil do que se estivéssemos programados geneticamente para sermos altruístas.



Nota - A nossa biologia pode não nos ajudar mas a inteligência pode salvar -nos levando-nos a perceber que a cooperação e o bem estar comum constituem a salvação da humanidade. O EI (estado Islâmico) e as suas práticas de morte  indiscriminadas mostram ao mundo, pela negativa, qual o caminho certo.

Nos dias de hoje, este era um exemplo impensável do caminho para um suicídio colectivo e aprova de que a loucura humana continua a existir e organizada pode tornar-se temível mas é má de mais para poder triunfar.

Não serve a ninguém com o mínimo de legitimidade, está condenada ao fracasso e a fazer vítimas. Em termos civilizacionais é um retrocesso e uma aberração. A humanidade já foi longe de mais para a poder tolerar.

Os jagunços estão atacando a venda de seu Fadu
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 109



















Primeiro detiveram-se nos cómodos do fundo. No menor, que servia de cozinha, nada encontraram além da trempe e dos improvisados vasilhames.

 No quarto de dormir, na cama, em cima da coberta suja, jazia o canivete de Fadul. Antes de guardá-lo no bolso, Janjão examinou com interesse e satisfação a longa e fina lâmina de aço: exactamente o que ele precisava para sossegar puta metida a besta na hora de enrabá-la.

Sorrindo, emborcou a sobra de aguardente, atirou o casco vazio contra a parede. Manezinho e Chico Serra rasgaram o colchão, espalhando o capim seco.

Janjão trouxe nova provisão de cachaça e entre os três desmontaram a cama enorme, obra-prima do carpina Lupiscínio, toda ela em madeira de lei trazida da mata onde cresciam jacarandás, vinháticos, putumujus, paus-d’arco, selva de perobarosa e de pau-brasil.

 Procuravam esconderijo onde pudesse estar o saco de moedas de ouro. Nem esconderijo nem moedas.

O outro compartimento servia de depósito de mercadoria. Durante animado interregno divertiram-se atulhando os embornais com bugigangas, destruindo tudo que não lhes fosse de utilidade imediata.

Saudaram com entusiasmo e goles de branquinha o encontro das calças de brim. Despiram as de bulgariana, velhas, remendadas, enfiaram-se naquelas luxarias de pano caro.

Chico Serra vestiu duas, uma por cima da outra. Abarrotaram-se de deslumbrantes nonadas, mas tampouco no depósito descobriram rastro do tesouro.

 - Tá escondido na venda. Nós devia ter começado por lá.

 - Raciocinou Manezinho.

Precavido, andou até a porta, olhou para fora: apenas a escuridão de breu e a fúria do aguaceiro, nenhum ruído além do zunir da ventania.

Manezinho sorriu, orgulhoso da merecida fama: nenhum filho da mãe ousara perturbá-los. O nome e o renome dos colhudos chegam aos lugares antes deles.

6

Bernarda tentara se atrever, apenas ela. Quando Dalila aparecera em pânico convidando o mulherio a raspar-se para os matos, Bernarda estava ocupada com um tropeiro e os apelos não lhe fizeram mossa. Palavrões, gritos e ameaças eram habituais na noite do arruado: quanto maior a influência, maior o destempero.

Mas o alvoroço crescia e se alastrava: Bernarda tendo levado o parceiro a se fartar de gozo, enfiou a combinação e saiu a ver.

Voltou com a notícia:

- Os jagunços tão atacando a venda de seu Fadu.

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