sábado, agosto 03, 2013

Landau Eugene Murphy Jr - My Way

A sua voz parece veludo. Aos 19 anos era um sem abrigo, depois foi lavar carros para sustentar a família e agora ouçam como ele canta. Fez todo o seu concurso com canções de Frank Sinatra e Dean Martin tendo sido sempre o meu preferido desde a 1ª vez que o ouvi. Desejei, secretamente, que ele escolhesse My Way como canção para a final e ele "fez-me a vontade"... É uma interpretação gloriosa e, porque não dizê-lo, fez-me ir até às lágrimas. Espero que ganhe...

 Levar os meninos a passear...



Eu também não...



PERRY COMO (1912-2001) - AND I LOVE YOU SO

Uma voz que veio do passado.... e que voz!

CHIMPANZÉ

Sabe-se, hoje, através de intensos estudos de campo, que este nosso primo afastado é um estratega e implacável caçador de outros macacos, defende ferozmente o seu território de outros bandos e os chefes dos grupos lideram, uns, com maior simpatia e aceitação, outros de forma mais despótica... tal como nós, sem tirar nem pôr.



Depois do sexo ...

O que dizem as mulheres...



AS ADOLESCENTES

 - Ai, será que eu vou engravidar?

AS NAMORADEIRAS

 - Como é que te chamas?

AS TARADAS

 - Porque paraste???  Paraste porquê ???


 AS MODERNAS

 - És bem melhor que meu marido!

AS DONAS-DE-CASA

 - Já acabaste? Já posso fazer o jantar?

AS EXIGENTES

 - Isso é o melhor que consegues fazer?

AS INGRATAS

 - Só isso?


AS INSEGURAS

 - E agora? O que é que as minhas amigas vão pensar de mim?

AS MENTIROSAS

 - Tu és o primeiro que me faz sentir isso!!!


AS INSACIÁVEIS

 - As "entradas" não foram nada más.  Agora, vamos à "refeição"?

AS PROFISSIONAIS

 - São 150 dólares !

A ESPOSA

- Então?...   Não consegues por isso de pé?   Outra vez a mesma
merda!.... Já percebi, estás com Stress...

JUBIABÁ

Episódio Nº 75

CAIS

Grandes canoas imóveis sobre a água parada.

Os saveiros, velas arriadas, dormiam na escuridão. Assim mesmo davam a ideia de partida, de viagens por pequenos portos do recôncavo, com suas grandes feiras.

Mas agora os saveiros dormiam, os nomes pitorescos próximos da proa. “Paquete Voador”, “Estrela da Manhã”, “O Solitário”… Pela manhã sairiam rápidos, atirados pelo vento, as velas soltas, cortando a água da baía.

Iriam se abarrotar de verduras, de tijolos ou telhas. Correriam as feiras todas. Voltariam depois carregados de abacaxis cheirosos.

O “Viajante sem Porto” é pintado de vermelho e corre como nenhum. Mestre Manuel dorme na proa. É um mulato velho que nasceu nos saveiros e morou sempre nos saveiros.

António Balduíno sabe a história de todos estes saveiros e de todas estas canoas. Desde menino gosta de vir aqui deitar no areal do cais, a carapinha no travesseiro da areia, os pés metidos dentro de água.

A água é morna e gostosa a estas horas da noite, Balduíno às vezes fica pescando, silencioso, o rosto se abrindo em sorrisos quando fisga um peixe. Porém em geral olha somente o mar, os navios, a cidade morta lá atrás.

António Balduíno tem vontade de sair, de viajar, de correr terras desconhecidas, de amar em areias desconhecidas mulheres desconhecidas. Miguez veio do Peru e lhe deu uma surra.

Um navio apita no quebra-mar. Vai saindo iluminando a noite. É um navio sueco. Ainda há pouco os marinheiros andavam pela cidade bebendo cerveja nos bares, amando nos braços das mulatas da Barroquinha.

Agora estão no mar escuro, amanhã estarão nalgum porto longínquo com mulheres brancas ou amarelas. Um dia António Balduíno há-de engajar e correr mundo.

Sempre sonhou com isso. Enquanto dorme e enquanto, deitado na areia, olha os saveiros e as estrelas.

O navio está desaparecendo.


A cidade estendia os braços das igrejas para o céu. Do cais ele via as ladeiras, as casas velhas enormes. As luzes brilhavam lá em cima e nuvens alvas corriam pelo céu como bandos de carneiros. Pareciam também com os dentes de Joana.

António Balduíno toda a vez que arranja uma cabrocha diz a ela:

 - Seus dentes parecem nuvens…

Mas agora que ele apanhou, que perdeu a luta, que cabrocha olhará para ele? Andam dizendo que ele se vendeu.

Ele se perdia olhando o casario negro da cidade. Havia uma estrela bem acima da sua cabeça. Não sabia qual era mas estava bonita, grande, brilhando num pisca-pisca. Ele nunca havia visto aquela estrela.


A lua apareceu muito grande e derrubou pelos fundos das casas uma luz tão esquisita que ele não conheceu mais a cidade.

sexta-feira, agosto 02, 2013

ATUNS

Painel de azulejos da pesca do cerco ao atum ao largo da costa do Algarve. O atum dirigia-se do Atlântico para o Mar  Mediterrâneo até ao mar Negro. Peixe poderoso, grande predador, pode nadar até 170 km por dia. A sua carne tem um tom rosa, em vez de branco, por causa do seu peculiar sistema vascular e é um dos peixes mais importantes do ponto de vista pesqueiro. Na costa de Moçambique, pesquei à linha atuns a que chamam de "bonitos". Os cardumes deste peixe reúnem animais todos da mesma geração. Neste caso, todos eles tinham 7,5 Kg mas pareciam verdadeiros "touros" dentro de água. Trazê-los para dentro do barco não era uma tarefa fácil...

 Em 2002 foram apanhadas mais de seis milhões de toneladas de atuns e espécies afins. Mais recentemente, com o desenvolvimento dos movimentos ambientalistas, foram levantados problemas diferentes: apesar das pescarias de atum serem bastante específicas, verificou-se que - principalmente alguns tipos de pesca, como a pesca com rede-de-cerco e mesmo a de palangre - se capturam algumas espécies indesejadas ou mesmo protegidas, como as tartarugas marinhas e os golfinhos.

Por essa razão, os consumidores (principalmente nos Estados Unidos da América do Norte, mas com tendência também de se popularizar na União Europeia) são aconselhados a não adquirirem atum que não seja "certificado" como proveniente duma "pescaria responsável" ou "que protege a biodiversidade" - "dolphin-free tuna". O Aquário de Monterey, na Califórnia publica inclusivamente uma página de aconselhamento aos consumidores. 

Painel de azulejos na Capitania  do Porto de Vila Real de Santo António

As pessoas comem acima das suas necessidades... infelizmente, outras, abaixo e muito abaixo...


Depois de me reformar, fui até à Seg. Social para poder receber a reforma. A mulher que me atendeu solicitou o meu bilhete de identidade para verificar a idade.

Procurei nos bolsos e percebi que o tinha deixado em casa.
A funcionária disse que lamentava, mas teria que o ir buscar a casa e voltar depois. E disse-me: - "Desabotoe a camisa."

Então, desabotoei-a deixando expostos os meus cabelos crêspos prateados. Ela disse: -  "Este cabelo prateado no seu peito é prova suficiente para mim," e processou a minha reforma.



Quando cheguei a casa, contei entusiasmado o que ocorrera 
à minha mulher. E ela disse: 

 - Por que não baixaste as 
calças? Poderias ter conseguido invalidez permanente também... 

Douglas Adams
A Conversão ao
Ateísmo de 
Douglas Adams


Douglas Noël Adams (Cambridge, 11 de Março de 1952  Santa Bárbara, 11 de Maio de 2001) foi um escritor e comediante britânico, famoso por ter escrito esquetes para a série televisiva Monty Python's Flying Circus, junto com os integrantes desse grupo de humor nonsense, e pela série de rádio, jogos e livros The Hitchhiker's Guide to the Galaxy.
Os fãs e amigos de Adams o descreveram também como um activista ambiental, um assumido ateísta radical e amante dos automóveis possantes, câmaras, computadores Macintosh e outros 'apetrechos tecnológicos'.
 O biólogo Richard Dawkins dedicou-lhe seu livro The God Delusion – “A Desilusão de Deus -  e nele descreve como Adams compreendeu a teoria da evolução e, tornou-se um ateísta. Adams era um entusiasta de novas tecnologias, tendo escrito sobre email e usenet antes de tornarem-se amplamente conhecidos. Até o fim de sua vida, Adams foi um requisitado professor de tópicos que incluíam ambiente e tecnologia. Faleceu aos 49 anos vítima de um ataque cardíaco.

O comovente e divertido relato que Douglas Adams faz da sua própria conversão ao ateísmo radical – ele insistia no “radical” para o caso de alguém o confundir com um agnóstico – é uma prova do poder do Darwinismo enquanto despertador das consciências.

Espero ser perdoado por me permitir alongar tanto na citação que se segue. A minha desculpa é que a conversão Douglas pelas minhas obras anteriores, que não pretendiam converter ninguém, me inspirou a dedicar à sua memória este livro.
 Numa entrevista reeditada postumamente, um jornalista perguntou-lhe como se tinha tornado ateu.
Douglas iniciou a resposta explicando como se fizera agnóstico, logo acrescentando:

 - «Eu pensei, pensei. Mas não tinha muito por onde avançar, por isso não cheguei a nenhuma decisão.
Tinha imensas dúvidas em relação à ideia de deus mas não sabia o suficiente sobre o que quer que fosse para o substituir por um bom modelo de uma eventual explicação para, sei lá, a vida, o universo e tudo o que há.
Mas eu insisti e continuei a ler e continuei a pensar. A certa altura, estava eu a entrar na casa dos 30 quando tive um encontro com a biologia evolutiva, particularmente sob as formas dos livros de Richard Dawkins, o Gene Egoísta e, a seguir, o Relojoeiro Cego.
 De repente, (creio que ao ler o Gene Egoísta pela segunda vez) todas as peças se encaixaram. Era um conceito de uma simplicidade assombrosa, mas que deu origem, naturalmente, a toda a infinita e desconcertante complexidade que a vida contem.
O espanto que inspirou em mim fazia parecer com que o espanto de que as pessoas falam relativamente à experiência religiosa me parecesse francamente pateta quando postos ambos lado a lado.
Eu colocaria o espanto da compreensão acima do espanto da ignorância, não tenho dúvidas sobre isso.»

É evidente que o conceito de simplicidade assombrosa de que Adams aqui fala nada tinha a ver comigo. Ele falava era de Darwin e da sua Teoria da Evolução por Selecção Natural – o grande despertador de consciências científico.
 Douglas, tenho saudades tuas. És o meu convertido mais inteligente, o mais alto e possivelmente também o único. Espero que este livro te consiga fazer rir – embora não tanto como tu a mim.
Richard Dawkins – “A Desilusão de Deus”

Mas também perdi tudo...
JUBIABÁ

Episódio Nº 74


Naquela noite fria da sua derrota, como não quisesse ir beber na “Lanterna dos Afogados”, foi para o “Bar Baía”.

Sentou numa mesa dos fundos com o Gordo e bebia silenciosamente quando um homem veio para eles e pediu que pagassem um trago. Balduíno olhou:

- Eu conheço este sujeito… não sei de onde mas conheço…

O homem tinha os olhos vidrados e passava a língua nos beiços:

 - Um mata-bicho… paga camarada…

Foi quando António Balduíno viu o talho que ele tinha no rosto:

 - Aquilo é obra minha…

Ficou pensando, bateu a mão na testa:

  - Você não é Osório?

O Gordo acrescentou:

 - Um que era soldado…

 - É, já fui sargento…

Puxou uma cadeira e sentou:

 - Já fui sargento… - passava a língua nos beiços. – Um mata-bicho…

Balduíno ria. O Gordo tinha pena.

 - Depois veio uma mulher, uma mulher, ouviu? Bonita… Chi! Bonita… Só vendo… Era minha noiva, ouviu… Eu tava esperando ser cabo…

Mas você não era sargento?

 - É isso mesmo: nem me lembro, eu acho que tava esperando ser capitão. O capitão tinha me prometido… O capitão…

Me dá outro mata-bicho? Menino me traz outro mata-bicho que é o menino aqui quem paga… marcámos o casório… Ia ser um festão… Ela era bonita… Bonita… Mas foi com outro…

 - E esse talho?

 - Ah! Foi o tal… Mas eu deixei ele com as tripas de fora… Ela era uma beleza… Beleza…

 - Era sim…

 - Você conheceu ela?

 - Você não se lembra?

Beberam até ao fim da noite e saíram abraçados, muito amigos, dando gargalhadas, esquecidos de Maria dos Reis e de que tinham sido soldado e boxeur.

De repente o homem disse:

 - Você era o tal…

E se afastou de António Balduíno.

 - Mas também perdi tudo…

Se abraçaram de novo e foram cambaleando pela rua:

 - Ela era uma lindeza…


António Balduíno confundia a negra Maria dos Reis com a branca Lindinalva.

quinta-feira, agosto 01, 2013

Não pode perder a medição com a chave inglesa... No fim, todos ficam envergonhados porque ninguém gosta de ser apanhado...


Fauna Africana

Este é um elefante macho, de sete toneladas, grandes orelhas, enorme arcaboiço. Nunca tive a sorte de ver um animal com esta imponência... já são raros e vivem afastados das manadas das fêmeas e jovens. Autênticos monumentos da vida animal terrestre merecem, contudo, menos respeito e protecção que os outros, os de pedra, que não têm inteligência, memória e sentimentos como estes.... Na Gorongosa, dentro da carrinha parada, suportei a carga de uma fêmea que se sentiu ameaçada por ter uma cria pequena. Correu na nossa direcção, abanou as orelhas, levantou a tromba e disse, em linguagem de elefante: "vão-se embora, não vos quero aqui..." E nós fomos...


Salvatore Adamo - Quand Les Roses

Adamo, ainda a preto e branco, no distante ano de 1964...



A minha mulher e eu estávamos sentados numa mesa na reunião do liceu, e eu fiquei a olhar para uma moça bêbada que balançava seu drinque enquanto estava sozinha numa mesa próxima.

A minha mulher perguntou:

 -  Conhece-la ?

 - Sim -  disse eu. Ela é minha antiga namorada... Eu sei que ela começou a beber logo depois de nos separarmos há tantos anos e pelo que sei ela nunca mais ficou sóbria.

 - "Meu Deus!", disse a minha mulher, "quem pensaria que alguém pudesse ficar celebrando durante tanto tempo?"

As maravilhas do mundo subaquático...
(utilize todo o ecrã)

A PROVA DE PASCAL
(Continuação)

Richard Dawkins – “A Desilusão de Deus”


De acordo com o grande matemático francês Blaise Pascal, por maiores motivos que sejam as probabilidades contra existência de Deus, há ainda uma assimetria maior no castigo por escolher a opção errada.

O melhor é acreditar em Deus, porque se estivermos certos, habilitamo-nos a ganhar a felicidade eterna, e se estivermos errados não vai fazer diferença nenhuma.

Por outro lado, se não acreditamos Nele e estivermos errados somos condenados à maldição eterna ao passo que se tivermos certos não faz qualquer diferença.

Perante isto a decisão é facílima: acreditar em Deus.

Perguntaram a Bertrand Russell o que diria se morresse e Deus lhe perguntasse por que razão não tinha acreditado:

 - «Provas insuficientes, Deus, provas insuficientes» foi a (eu ia a dizer a imortal) resposta de Russell.

Não teria Deus respeitado mais Russell pelo seu corajoso cepticismo, (para não falar de corajoso pacifismo que lhe valeu a prisão na 1ª Guerra Mundial) do que Pascal pela cobardia de apostar no seguro?

E se, de qualquer maneira, não temos maneira de saber para que lado se inclinaria Deus, o que é facto é de que não precisamos de sabermos para refutarmos a aposta de Pascal.

Repare-se que é de uma aposta que se trata, e Pascal não quis dizer senão que eram escassas as suas probabilidades.

O leitor “apostava” em que Deus daria mais valor à crença fingida por desonestidade do que ao cepticismo sincero?

Provavelmente ele estava a brincar quando fez a sua aposta, tal como eu estou a brincar quando estou a rejeitá-la desta maneira.


Por que razão é quase certo que Deus não existe

«Os sacerdotes das diferentes seitas religiosas… temem o avanço da ciência como as bruxas temem a aurora e franzem o sobrolho ao fatal arauto dos logros em que vivem»
                                                           
Thomas Jefferson


O Fantástico Boeing 747

O argumento da improbabilidade é o que maior importância tem. Revestindo-se tradicionalmente com as roupagens do argumento do desígnio, é hoje, sem margem para dúvidas, o mais popular apresentado a favor da existência de Deus.

É de facto um argumento bastante forte. O nome que dou à demonstração estatística de que Deus quase de certeza não existe é a jogada do fantástico Boeing 747 e do ferro-velho.

Esta teoria deve-se a Fred Hoyle, astrónomo britânico que afirmou que a probabilidade da vida ter surgido na Terra não é maior do que a possibilidade de um furacão ter varrido um ferro-velho e, por sorte, ter montado um Boeing 747.

A sua teoria é de que a vida surgiu no espaço espalhando-se então pelo universo.

As coisas complexas não podem ter surgido por acaso e este é o argumento da improbabilidade.

A selecção natural de Darwin mostra quanto isto é verdadeiro. A hipótese de Deus corresponde ao Boeing 747 que apareceu feito, por acaso, depois de um vendaval ter varrido um ferro-velho.

(continua)

Nunca mais voltou ao tablado....
JUBIABÁ

Episódio Nº 73


- Dou os outros cinquenta depois…

 - Assim não…

 - Não tenho agora, é sério…

 - Se quiser é agora…

Recebeu os cinquenta que faltavam e foi para a mesa do Gordo. Quando o empresário saíu, António Balduíno riu até ficar com a barriga doendo.

No dia seguinte, depois da luta e da sensacional derrota do campeão carioca, o empresário veio procurar António Balduíno na “Lanterna dos Afogados”. Vinha com uma cara dos diabos:

 - Você é um tratante…

António Balduíno ria.

 - Eu quero o meu dinheiro…

- Quem rouba ladrão tem cem anos de perdão…

 - Vou aos jornais, vou à polícia…

 - Vá…

- Você é um ladrão… Um ladrão…

António Balduíno botou também o empresário no chão. O pessoal do botequim que não esperava esta luta aplaudia.

 - Ele quis me comprar, gente… Me deu cem mil réis para eu perder para aquele raquítico… Eu disse que perdia… Engoli o dinheiro dele e derrubei o homem dele hoje… É pra ele não querer comprar homem… Eu só me vendo por amizade, gente…

Agora vamos beber o dinheiro dele…

A “Lanterna dos Afogados” ria. António Balduíno saíu e foi levar para a Zefa, uma cabrocha que viera do Maranhão e trouxera um beijo da dos Reis para o amante (em vez de um dera muitos), o colar de contas vermelhas que comprara naquele dia com o dinheiro do empresário do campeão carioca.

Luigi falava seriamente em ir para o Rio.


Sua carreira de boxeur terminou no dia em que Lindinalva ficou noiva. Nos jornais que anunciavam a sua luta com o peruano Miguéis, António Balduíno leu a notícia do noivado de “Lindinalva Pereira, filha do capitalista comendador Pereira, desta praça, com o jovem advogado Gustavo Barreiras, rebento glorioso de uma das mais ilustres famílias baianas, poeta de versos rutilantes, orador primoroso.

Tomou um porre mãe, foi derrotado no terceiro round porque já não podia lutar, apenas recebia os socos que Miguez, o peruano, lhe aplicava.


Correu que ele estava comprado. Ele não explicou a ninguém o seu fracasso. Nem a Luigi que chorava nessa noite, arrancando os cabelos e praguejando, nem ao Gordo que olhava com aqueles olhos de quem espera sempre uma desgraça:

 -  Nunca mais voltou ao tablado.

quarta-feira, julho 31, 2013

MARIA CREUZA - MEDLEY

.... assim como o poeta só é grande quando sofrer...

FAUNA AFRICANA

Conheci-os aos milhares, primeiro sobrevoando-os numa pequena avioneta pilotada pelo meu amigo Jorge, depois, cá em baixo, em cima de um Unimog, daqueles que andam na terra, em zonas pantanosas e até atravessam rios. Eles eram uma linha negra, contínua, no horizonte e nós, a passo de unimog, fomos-nos aproximando e a manada abriu para passarmos... mais de 5.000, 10.000, 20.000, como contá-los?... Eram tantos, a perder de vista! E depois daquela havia mais manadas .Estávamos em 1973/4, nos tandus do Marromeu, vivia a maior concentração de búfalos do mundo, a norte da cidade da Beira, em Moçambique, que ainda era colonial, por pouco tempo , é certo, mas ainda lá estavam os búfalos todos... A 40 anos de distância no tempo e a muitos milhares de quilómetros de caminho... gostava de lhes agradecer por terem-me recebido tão bem..."


Maputo, Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2012:

Notícias
Na Reserva Especial assim como em todo o complexo de Marromeu se observam algumas degradações da vegetação devido ao corte desregrado de madeira, o fabrico de carvão, corte de estacas, barrotes, queimadas descontroladas, extracção do mel, abertura de campos de cultivo, abertura de áreas para habitação e outras motivações.  
A vegetação da reserva, na região do Delta do rio Zambeze, é predominantemente de espécies endémicas de palmeiras dos géneros Borassus (palmeira alta), Borassus aethiopum, localmente, conhecida como "midicua", muito utilizada para barrotes na construção de casas; e Hyphaene (palmeira baixa), Hyphaene coriacea e Phoenix reclinata, conhecidas localmente, como "micheu" donde se extrai a sura (bebida tradicional), muito consumida pelos habitantes do Delta e são as maiores vítimas da destruição pelas comunidades locais.  
As espécies de plantas mais exploradas na Reserva de Marromeu são, designadamente palmeira alta e baixa (usadas para o fabrico de canoas e bebidas), capim (para cobertura de casas), chanfuta, mutondo, metil (também conhecida por njale), mondzo e mabungue.
No entanto, o conflito é mais notório nas zonas altas do Complexo de Marromeu bem assim como ao longo do rio Zambeze e outras áreas de conservação. A título de exemplo, em 2011 foram registados 22 casos de conflito que resultaram em igual número de óbitos, enquanto no primeiro semestre de 2012 registaram-se 12 casos. Os animais tidos como mais problemáticos foram hipopótamos, crocodilos, búfalos e elefantes.

Nota - A natureza e os seus animais, em casos de conflito dos povos no continente africano, são sempre o elo mais fraco, os grandes sacrificados... com as mulheres e as crianças.


Os Terríveis AVC(s)

Às vezes, mais apetecia não ter amigos quando, num qualquer momento da nossa rotina diária, somos confrontados com a terrível surpresa de ver alguém que nos foi próximo reduzido fisicamente daquela forma tão chocante como acontece com as vítimas dos Acidentes Vasculares Cerebrais.

Ontem, de manhã, como de costume, estava no Café que substituiu agora, em termos de rotina, o local de trabalho onde a secretária deu lugar à mesa onde tomo um demorado pequeno-almoço preenchido pela leitura do jornal.

A dado momento, algo me chamou a atenção e levantando a vista da leitura reparei num senhor de idade, careca, que tentava, de uma forma esforçada e balbuciante, cumprimentar alguém.

Quando me apercebi que era comigo baixei a cabeça para retribuir o cumprimento e rapidamente regressei à leitura do jornal mas de repente, como se um qualquer mecanismo dentro de mim tivesse sido activado, levantei-me, dirigi-me à pessoa em questão e também eu, de forma hesitante disse: mas… és o Arménio!

Envelhecido, com a voz entaramelada, o braço direito imobilizado o meu amigo estava quase irreconhecível e procurava, desesperadamente, que eu entendesse a sua explicação sobre o que lhe acontecera porque ele não tinha sido o culpado…aquilo terá acontecido durante uma operação que deveria ter ocorrido de uma forma normal, sem outras consequências e muito menos aquela que aparentemente nada tinham a ver com o assunto.

Isto soube eu pelo senhor que o acompanhava…mas que me interessavam as explicações perante aquela situação de um amigo que durante anos seguidos me tinha acompanhado na organização e montagem da Cooperativa Lar Scalabitano, para a concretização do maior investimento em habitação social na cidade de Santarém?

Procurei sossegá-lo, afirmar-lhe que tudo iria voltar ao normal, com o tempo, a ginástica de recuperação e a sua força de vontade mas, naquele momento, mandava a comoção e encostando a minha cabeça à dele não pude evitar que os olhos se marejassem de lágrimas…hoje, o Arménio, ontem o Victor, entre eles o Pita Soares e outros que não conheço mas com quem me cruzo na rua…

Aquele é o preço que muitos de nós estamos a pagar por uma vida que, aparentemente, julgávamos sem riscos ou, sabendo-os, nunca acreditámos que um dia seríamos nós a sofrer-lhes as consequências.

O sedentarismo, os cigarros, o stress, as análises que não se fizeram, os medicamentos preventivos que nunca se chegaram a tomar e aquele maldito sofá, tão cómodo quanto apelativo constituíram armadilhas que se foram somando umas às outras e a partir de certa altura a nossa vida entra num jogo de roleta russa em que nunca sabemos o momento em que o gatilho dispara a bala que nos há-de deixar naquele estado.

A vida do homem nunca decorreu sem riscos, eles são inerentes à nossa própria existência de seres vivos e, extremando as coisas, quase que poderíamos até dizer que nascemos para correr riscos e, em todo esse processo, os mais avisados, os mais hábeis, os mais fortes e, principalmente, os mais afortunados, morrem mais tarde que os outros.

No caso concreto dos AVC(s) o que se pede às pessoas é que, especialmente a partir de uma certa idade, vigiem o seu corpo e tal como fazem com o automóvel submetam-no a revisões periódicas, que raio, ele não é menos importante que o carro e da mesma forma que falam com os mecânicos na oficina conversem igualmente com os médicos e sigam os seus conselhos, afinal para que servirá depois o automóvel se não podermos voltar a ter o prazer de o conduzir?

A vida e a saúde não estarão nas nossas mãos, acredito, mas será que não poderíamos ter feito mais qualquer coisita?

E quando não o fizermos por nós por quem o iremos fazer?

Para incapacidade já basta aquela que a velhice quase diariamente, com pezinhos de lã, sorrateiramente, lá nos vai acrescentando.

Cuidem-se!

Hoje, foi o Pereira com quem trabalhei durante muitos anos. Encontrei-o quando fui ao Multibanco com a minha neta. Lá vinha ele, muito mais magro, completamente embranquecido, não sei quantos anos mais velho e, no entanto, dois ou três meses depois da última vez que o vi...

Num circuito urbano sem trânsito alguém faz magia ao volante de um automóvel... será automóvel?...

PAPA FRANCISCO


A bordo do avião que o levou de volta ao Vaticano, o Papa foi interpelado sobre o suposto lobby gay do Vaticano. O que disse Francisco? Isto:


«Temos de distinguir entre uma pessoa ser gay e o facto de fazer lobby, porque nenhum lobby é bom. O problema não é ter essa tendência. Devemos ser como irmãos. Se uma pessoa é gay e procura o Senhor, se tem boa vontade, quem sou eu para a criticar? Não se deve marginalizar as pessoas por isso. É preciso integrá-las na sociedade.»

Da mesma forma, um habitué dos bares da Panasquina (cruzamento da Rua da Barroca com a Travessa da Espera, no Bairro Alto) poderá dizer:

«Temos de distinguir entre uma pessoa ser straight e o facto de fazer lobby, porque nenhum lobby é bom. O problema não é ter essa tendência. Devemos ser como irmãos. Se uma pessoa é straight e procura a Virgem Maria, se tem boa vontade, quem sou eu para a criticar? Não se deve marginalizar as pessoas por isso. É preciso integrá-las na sociedade.»

Estamos no domínio do arbítrio. Tudo é consensual, redundante...como dizia o outro: não adiantam nem atrasam... Excepção feita à referência sobre: ...« é preciso integrá-los na sociedade».


 Integrar quem? O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros está casado com um homem. Em todos os países europeus (mas também nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão, Israel, Argentina, etc.) há senadores, deputados, presidentes de Câmara, altos funcionários do Estado, banqueiros, desportistas, gestores, jornalistas, etc., que são homossexuais assumidos. E deixo de lado a quota dos intelectuais tout court. É preciso integrar esta gente onde?

Em que mundo vivem os senhores Papas?




Um indivíduo vai ao consultório de um conhecido psiquiatra e diz-lhe:

- Todas as vezes que estou deitado, acho que está alguém debaixo da cama.
Nessa altura, vou para baixo da cama para ver e então acho que há alguém em cima da cama. Para baixo, para cima, para baixo, para cima.
Estou a ficar maluco doutor!

- Deixe-me tratar de si durante dois anos - diz o psiquiatra. Venha três vezes por semana, e eu curo-o desse problema.

- E quanto é que eu vou pagar por cada sessão? - pergunta o homem.

- 80 Euros por sessão - responde o médico

- Bem, vou pensar - conclui o sujeito.

Passados seis meses, encontram-se na rua.

- Ora viva! Então porque não apareceu no meu consultório? pergunta o psicólogo.

- 80 euros a consulta, três vezes por semana, dois anos = 12.480 euros, ia ficar-me muito caro. Além disso falei com um alentejano na minha herdade que me curou por 20 euros.

- Ah é? Como? - Pergunta o psiquiatra.

 - O sujeito responde: - Por 20 euros cortou-me os pés da cama...

Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples!
Pense numa solução, em vez de ficar focado no problema!!!

Você falou em cem...
JUBIABÁ

Episódio Nº 72

Concedeu a revanche a Vicente. Venceu novamente. Luigi andava feito maluco e só falava em vir para a Rio. Entabulara conversações com empresários da capital do país. António Balduíno amava mulatas no areal, bebia na “Lanterna dos Afogados”, ria nas ruas da cidade a sua gargalhada clara.


Apareceu por lá um campeão carioca de boxe. Desafiou todo o mundo, fez um barulho enorme. Acertaram uma luta com António Balduíno. Houve um grande interesse na cidade pelo choque dos dois campeões.

 Na véspera da luta António Balduíno conversava na “Lanterna dos Afogados”, quando foi procurado pelo empresário do campeão carioca.

 - Boa noite…

 - Boa noite…

António Balduíno oferece cerveja.

 - Eu queria falar com você em particular.

O Gordo e Joaquim foram para outra mesa.

 - É o seguinte: você sabe. Cláudio não pode perder…

 - Não pode perder?

 - Pelo seguinte: ele está me custando muito dinheiro. Se ele perder de você não pode lutar mais aqui… Não é?

 - E…

- Mas se ele ganhar luta de novo com outros… Paga a despesa.

 - E daí?

 - Eu lhe dou 100$00 para você perder. Depois você tem a revanche.

António Balduíno levantou a mão, mas a largou em cima da mesa.

 - Você falou com Luigi?

 - Luigi é um trouxa… Ele nem precisa de saber disto…

Sorriu:

 - E depois da gente ir embora, você tem a revanche… Está bem?

 - O dinheiro está aí?

 - Lhe dou depois da luta.

 - Não. Eu não vou nisso. Se quiser dar hoje…

 - E se você não perder?

 - E se depois de eu perder e me esculhambar você não me pagar?

António Balduíno tinha levantado. O Gordo e Joaquim espiavam da outra mesa.

 - Não é preciso brigar – disse o empresário – sente…

Olhou para o negro que emborcava o cálice de cachaça:

 - Acredito em você… Pegue aqui por baixo da mesa…

António Balduíno pegou o dinheiro. Viu que eram cinquenta mil réis:


 - Você falou em cem!...

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