sábado, maio 30, 2009

BAÚ DAS RECORDAÇÕES


THE SONDS OF MUSIC (1965)- UMA VERSÂO BEM DISPOSTA...




CANÇÕES BRASILEIRAS


QUE PENA - GAL COSTA & CAETANO VELOSO
MÚSICA DE JORGE BEN




CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


NANA MOUSKURI - PLAISIR D'AMOUR



ELVIS PRESLEY - PROUD MARY




Tieta do Agreste
EPISÓDIO nº 147






TEU PARAÍSO, POETA, ESTÁ AMEAÇADO! CAPÍTULO ONDE A BOMBA EXPLODE


A crónica de autoria de Giovani Guimarães explodiu em Agreste no dia seguinte ao Natal. Bomba de retardamento, pois o número de A Tarde em que foi publicada datava de há três dias atrás, da antevéspera de Natal, quando o vate Barbozinha não havia ainda cometido o seu poema para a festa das crianças pobres.

A culpa cabe por inteiro à gripe que, retendo dona Carmosina febril sob os cobertores do leito, em suadouro, não apenas desfalcou a Comissão de Honra da dita festa, como impediu o comparecimento da exemplar funcionária à Agência dos Correios em dia de distribuição de correspondência. Substituiu-a dona Milú, cansada da maratona da manhã na Prefeitura, com pressa de voltar para junto da filha enferma. Entregou as poucas cartas àquelas pessoas que acorreram após a chegada da marinete, naquele dia atrasadíssima, deixou o resto, inclusive os jornais, para distribuir após o feriado.

A Tarde possuía cinco assinantes em Agreste mas o pacote continha sempre seis exemplares, sendo o sexto destinado a dona Carmosina Sluizer da Consolação, representante do jornal no município. Todos os seis ficaram na Agência, atados com um barbante, como chegaram. Dona Carmosina se encontrava de tal maneira tomada pela gripe a ponto de não se interessar sequer pelos acontecimentos da festa na Prefeitura, quanto mais pela cansativa leitura dos jornais.

Amanheceu melhor no dia de Natal, sem febre mas ainda fraca, o corpo pedindo cama e repouso, dormiu quase toda a manhã. À tarde, recebeu a visita de Tieta e Leonora, acompanhadas do comandante Dário e dona Laura, além de Ricardo, que ostentava no dedo largo anel de ouro, com uma pedra de jade, de raro verde escuro, oval e lisa, peça de valor.

Tieta saía de casa pela primeira vez após a noite do incêndio. Algumas marcas das queimaduras, vermelhas, desagradáveis de ver-se, resistiam às pomadas e unguentos. Outra, que não fosse ela, esperaria a cicatrização completa antes de exibir-se em público, mas Tieta já não suporta permanecer em casa, deitada na rede, sobretudo em dia festivo.

Na véspera organizara uma ceia à maneira do Sul para a família e os amigos, após a missa do galo. Vieram Barbozinha, Ascânio Trindade, padre Mariano, Osnar, Aminthas e Fidélio. Seixas tinha compromissos com as primas. O Comandante e dona Laura tampouco puderam comparecer. Todos os anos, desde que voltou a Agreste, o Comandante promove na véspera de Natal uma festa para os pescadores de Mangue Seco: a população não chega a quarenta pessoas, contando homens, mulheres e crianças. Reúnem-se todos numa espécie de bródio comunal que se prolonga em animado arrasta-pé. Modesto Pires contribui para os gastos mas não participa da comilança, vai à missa do galo no arraial do Saco. Em compensação, a filha Marta e o genro Pedro confraternizam com os pescadores. Por esse motivo o comandante não aceitou o convite, prometendo, porém, vir com a esposa para Agreste na manhã do dia de Natal, a tempo de saborear, no almoço em casa de Perpétua, os restos do peru, as sobras da ceia. Nem isso Carmosina e dona Milú podem fazer; o máximo que Carmosina se permite é deixar o leito,
estender-se na espreguiçadeira.

sexta-feira, maio 29, 2009

BAÚ DAS RECORDAÇÕES


LENY EVERSONG - JEZEBEL (1953)





CANÇÕES BRASILEIRAS


PAÍS TROPICAL - JORGE BEN JOR




CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


WHITNEY HOUSTON - EXALE




ROY ORBISON - PRETTY WOMAN




CRIME E CASTIGO NA IRLANDA








quinta-feira, maio 28, 2009


Tieta do Agreste
EPISÓDIO Nº 146


Em geral, o vate não se faz de rogado para declamar seus poemas mas está de calunda, a vaidade ferida com a falta de respeito dos seus concidadãos; pede desculpas, mas… Tieta intervém:

- É claro que você vai dizer a poesia, não guarde agravo. De qualquer maneira tinha de recitar para mim que não pude ir, não é mesmo? – os olhos marotos postos em Barbozinha. – Então meu velho? Estamos esperando, lasque o verbo…

Barbozinha obedece. Amoroso trovador, submisso às ordens de sua musa, põe-se de pé, retira do bolso de dentro do paletó duas folhas de papel, caprichada caligrafia, sonoros alexandrinos. Pigarreia, solicita um gole de pinga para lavar a garganta, Araci corre a buscar. O poeta emborca a cachaça, estala a língua, estende a mão e desfralda a voz.

Arauto de boa nova, anuncia o nascimento de Cristo, pobre e nu, na manjedoura em Belém. Que venham as crianças de agreste, todas, sem excepção de nenhuma, participar da alegria universal, pois à infância pertence essa festa por decisão da benemérita Brastânio, cujos proprietários, nobres e magnânimos construtores da pátria grandiosa e justa, atiram braçadas de brindes valiosos no regaço da pobreza, transmudando as lágrimas das crianças desprovidas em risos álacres, em pipilar de pássaros, em gorjeios de aves felizes.

Buscara inspiração na Bíblia e na beleza do chão, do rio, do mar, molhara a pena nos profundos sentimentos de solidariedade humana. Assim iluminou obscuros lares com estrelas d’alva, comparou os directores da Brastânio a novos Reis Magos descobrindo os ásperos caminhos de Agreste, trazendo nas mãos da bondade, ouro, mirra e incenso. Rimou a pobreza do povo com a grandeza nacional, o infeliz menino dos outeiros de Agreste com o infame divino, rei da Judeia, rimou titânio com Ascânio. Ascânio Trindade, capitão da aurora, a romper os muros do atraso, a abrir as comportas do progresso.

Leonora, empolgada, ergue-se em aplausos, os demais a acompanham: palmas e exclamações entusiásticas. Triunfo completo a compensar a decepção anterior.

- Chegue aqui, quero-te dar um beijo! – exige Tieta e beija o vate na face maltratada, imprimindo-lhe nas rugas as marcas dos lábios, em baton cor de vinho.

- Bravos, Barbozinha, gostei muito. Merecido, esse elogio a Ascânio – considera dona Milú. – Ascânio não desanima e se um dia Agreste voltar a valer alguma coisa, a ele se deve. A ele e a você Tieta. Foi você chegar e tudo mudou: foi como um clarão nos iluminando. Não falo da electricidade de Paulo Afonso, falo de qualquer coisa que eu mesma não sei explicar, não passo de uma velha boboca. Uma coisa que a gente não vê, não toca mas existe, uma luz que veio com você, minha filha, Deus a abençoe.

Aproxima-se da rede e beija Tieta com carinho maternal. Despede-se. - Vou-me embora, Carmô deve estar sobre brasas, vai-me dizer muitas e boas. Com razão.

Ascânio pede-lhe mais um minuto apenas, por favor. Pondo-se também de pé, faz sua proclamação aos povos, anuncia a nova era, a era da Brastânio. Não acrescentou seu nome ao da grande indústria de dióxido de titânio, por desnecessário. Merecendo apoio e aplauso dona Milú, já o fizera De Matos Barbosa em versos que Leonora decorou e repete baixinho, entreabertos os lábios de carmim.


CRIME E CASTIGO NA IRLANDA
PALMIRA F. SILVA


Na Irlanda, a justiça é no mínimo bizarra. Enquanto Estado e Igreja fazem um acordo para conceder imunidade aos muitos membros do clero católico que durante anos abusaram sexualmente de milhares de crianças em instituições da Igreja Católica, o ministro da Justiça inflama-se contra os que contestam a sua lei que pretende criminalizar a blasfémia. Ou seja, para o ministro da Justiça irlandês abusar e maltratar crianças é coisa pouca que nem sequer merece castigo. Pelo contrário, blasfemar é um crime abominável que não pode passar sem punição.

De facto, depois de deplorar a «inacreditável intolerância» dos que se opõem à fantástica lei da blasfémia, que poupará aos contribuintes a maçada de decidirem sobre a sua oportunidade em referendo, e de denunciar os histéricos apóstolos, com cérebros do tamanho de ervilhas, de teorias da conspiração, Dermot Ahern declarou-se mistificado pela reacção da Organisation for Security and Cooperation in Europe (OSCE) à sua fantástica lei.

Ahern, que numa sessão parlamentar do Justice Comunittee em que se debateu a lei, referiu os comentários blasfemos sobre a sua pessoa e comparou a sua pureza à do "menino Jesus" e não percebe porque razão apenas os países islâmicos aplaudem a sua iniciativa de punir estes "criminosos maiores". Ou por que razão na Irlanda o público se indigna por os crimes da Igreja ficarem impunes em vez de perceber que o que é realmente urgente é punir os que se atrevem a criticar essa mesma Igreja - que se recusa sequer a rever os acordos que lhe garantem que não só ficará impune como não pagará mais um tostão às vítimas dos seus crimes.

Aliás, estas prioridades bizarras não são exclusividade da Irlanda ou do clero irlandês. De facto, o ex-arcebispo que afirmou que os ateístas não são «totalmente humanos», reafirmou as acusações na tomada de posse do seu sucessor. Cormac Murphy O'Connor aproveitou a ocasião para verberar a falta de fé, «o maior de todos os males», e depositar no mal maior que qualquer pecado a culpa de guerras e destruição. Assim, não é de espantar que o seu sucessor, depois de ter pedido «mais respeito» pela religião, tenha comiserado sobre o "corajoso" (sic) clero pedófilo que foi obrigado a enfrentar o seu passado com este ignóbil relatório contra o qual a Igreja tanto lutou.

Mais concretamente, numa entrevista àITV News at Ten, o arcebispo afirmou:

«I think of those in religious orders and some of the clergy in Dublin who have to face these facts from their past which instinctively and quite naturally they'd rather not look at. That takes courage, and also we shouldn't forget that this account today will also overshadow all of the good that they also did.»

Também acho que sim, que não se pode deixar de louvar a coragem de quem abusa, maltrata e tortura crianças durante décadas ... haja paciência para tanto autismo!

TAG CLOUD : religião

BAÚ DAS RECORDAÇÕES

OH SUSANA
CANÇÃO ESCRITA EM 1847 E ASSOCIADA À CORRIDA DO OURO NA CALIFÓRNIA E MUITO PROVACVELMENTE BASEADA NUMA CANÇÃO DE MARCHA ESCOCESA UMA VEZ QUE A MELODIA PODE SER INTERPRETADA EM GAITA DE FOLES.




CANÇÕES BRASILEIRAS


FÁBIO JUNIOR - MINHA NAMORADA ( DE VINÌCIUS DE MORAIS - 1962)




CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


RICHARD ANTONY - JAMAIS JE NE VIVRAI SANS TOI




DICK RIVERS - RIEN QUE TOI



Tieta do Agreste



EPISÓDIO Nº 145


ONDE FINALMENTE BARBOZINHA DECLAMA COMO DEVIDO SEU POEMA E ASCÂNIO TRINDADE LANÇA PROCLAMAÇÂO AOS DE SANTANA DO AGRESTE


Soldados de derrotado regimento da caridade, batendo em retirada, atravessaram a praça e refugiaram-se em casa de Perpétua, onde, na varanda, estendida na rede, Tieta convalesce. Animada curriola, repartida entre a indignação e o riso, ainda sob o comando de dona Milú, demissionária:

- Ai, Tieta, minha filha, não tenho físico para aguentar uma tareia dessas. Para outra igual, Ascânio não conta comigo.

Arrastam cadeiras, colocam-se em torno da rede. Tieta reclama detalhes, enquanto beija a mão de padre Mariano e se regala a admirar Ricardo, ainda de sobrepeliz branca, levita do santuário. O reverendo veio apenas dizer-lhe bom dia mas aceita um copo de suco de cajá antes de retornar à igreja, arrastando consigo o seminarista. Tieta prende um suspiro, sócia de Deus, cada qual com os seus horários.

Elisa, mancando, vai à cozinha preparar um café bem forte para o ofendido Barbozinha. A pequena Araci equilibra nos braços magros pesada bandeja com copos de sucos de frutas: de manga, de mangaba, de cajá, de umbu. As primas de Seixas espiam para o interior da casa onde penetram pela primeira vez, desejando bispar o máximo. Cutucam-se maliciosas, envesgam os olhos para a rede onde as carnes rijas de Tieta se exibem no decote e no abandono do negligé de nailon, amarelo com redes brancas, o fino.

Perpétua escolta o padre até à porta da rua. De regresso elogia o gesto dos industriais, a valiosa oferta de brindes de natal às crianças da cidade. Tentara convencer Peto a entrar na fila mas o peralta sumiu de suas vistas. Da janela, espiara o movimento, condena a má educação do povo.

- Essa gentinha não merece a caridade de ninguém. Então os homens mandam um avião de presentes e o resultado é essa vergonheira… Até dá nojo.

Tieta toma a defesa do povo do Agreste, humanidade sofrida, condenada à miséria, cujos filhos não conhecem outros brinquedos além de bruxas de pano e caminhões feitos com restos de madeira, tampas de cerveja no lugar das rodas.

- Eles são pacientes demais.

Dividem-se as opiniões, a discussão ameaça pegar fogo, a atmosfera guerreira da Prefeitura invade a pacífica varanda da mansão onde as paulistas onde as paulistas se hospedam. Seixas, por uma vez exaltado, a favor de Tieta, defendendo o direito dos povos à revolta. Elisa, exibindo o pé inchado, consequência do pisão de potente lavadeira disposta a obter bonecas e cornetas para os oito filhos, não encontra desculpas, nem para a má-educação do zé-povinho nem para a ausência da malta do bilhar.

Não se refere a Astério, de plantão na loja, sem poder abandonar o balcão, na véspera de natal sempre se vende alguma coisa. Mas Osnar, Aminthas, Fidélio, eles e outros, deixaram-se ficar no botequim, de taco e giz na mão, em vez de atender ao pedido de Ascânio comparecendo à Prefeitura para ajudá-las a conter as feras, porque não passam de feras…

Presidente da comissão de Honra, dona Milú, devia ser a mais indignada, a primeira a condenar a grosseria geral. Muito ao contrário, defende os canibais:

- Feras coisa nenhuma! Pobres, somente pobres e nada mais. Brigando, se atropelando por uma bonequinha de plástico que não vale dez réis de mel coado, por uma corneta de latão, para dar aos pobrezinhos dos meninos. Por falar nisso, que ideia péssima essa de oferecer cornetas… Não podiam escolher outra pinóia qualquer?

Observação com a qual todos estão de acordo: o vibrante concerto de cornetas, tantas e tão estridentes, sopradas em conjunto, fora o pior da festa. Dona Milú volta-se para o poeta que ainda não abriu a boca:

- Tenho que ir embora, deixei Carmô na cama, com febre; quando se resfria fica enjoada como ela só, vira alfenim. Mas antes quero ouvir os versos de Barbozinha. Lá não deu jeito. Por causa das cornetas.

quarta-feira, maio 27, 2009

VÍDEO

O eterno L. Armstrong numa das mais lindas canções...

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


MICHAEL BOLTON - WHEN A MAN LOVES A WOMAN




MARIAH CAREY - I'LL BE THERE


CANÇÔES BRASILEIRAS


DALVA DE OLIVEIRA - ESTRELA DO MAR (1952)


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


SHIRLEY BASSEY - IF YOU AWAY (1967)




Tieta do Agreste
EPISÓDIO Nº 144





Dona Milú não ri, dá ordens:

- Boneca, automóvel, corneta, fogão e reco-reco só para os necessitados.

A fila está cheia de gente que não precisa, uma vergonha. Para esses, uma bola de ar ou um queimado, e olhe lá! Estão aqui porque os pais não têm brio na cara.

Para que não haja dúvidas exemplifica:

- Estás ouvindo, Dulcineia? Teus filhos estão na fila, como se a padaria não desse dinheiro. Teu irmão também, Georgina, um moleque grande daqueles. Só quero ver.

Apenas Leôncio destranca a porta e permite a entrada, a fila se desfaz, a meninada avança em bloco, mães e pais postam-se diante da mesa de mãos estendidas, empurram as cadeiras.

A poder de gritos e de alguns puxões de orelhas, padre Mariano contem a avalancha durante os minutos necessários à cerimónia da bênção. Ao terminar, ainda tenta cometer pequeno sermão mas desiste diante da gritaria e da balbúrdia que, de imediato, se estabelecem. Padre Mariano, Vavá Muriçoca e Ricardo são envolvidos pela leva de candidatos aos donativos da Brastânio.

Indiferente aos brindes mas amiga da confusão, dona Edna se aproveita e, em meia água benta e ao incenso, consegue ao mesmo tempo apertar a mão de Leléu em doce promessa e roçar a bunda na batina de Ricardo, façanha limitada, porém divertida e grata.

Torna-se impossível qualquer espécie de controlo, fracassam as tentativas de distribuir bonecas e fogões às meninas, automóveis e cornetas aos meninos, bolas de ar e caramelos aos filhos de gente endinheirada. Um tumulto, um motim: a comissão imprensada contra a parede, as cadeiras derrubadas, mãos maternas arrancando os brindes. A donzela Cinira tem uma tontura e desmaia, Elisa sai à procura de um copo de água. Falta de homem, diagnostica dona Milú desistindo de distribuir brindes para aplicar beliscões cascudos nos moleques mais ousados.

Desaparece rapidamente o monte de brinquedos. Os retardatários recebem tão-somente a estampa colorida com a efígie de Jesus e as frases da oferenda da Brastânio.

Na rua, estouram discussões entre mães e pais, duas mulheres do Buraco Fundo se agarram pelos cabelos, crianças se batem entre choros e xingos. Vencidas, arrasadas, desfeitos os penteados, amarrotados os vestidos, senhoras e moças da comissão de honra ameaçam chiliques. Dona Dulcineia retirou-se às pressas, após entregar aos filhos corneta, boneca, fogão e automóvel, levando ela própria reco-reco e língua de sogra, balas para o marido; para isso aceitou participar da comissão, dona Milú que vá pregar para outra freguesia.

Georgina afoga os soluços no lenço, o irmão a ameaçara: vou contar a papai que você não quis me dar nem o automóvel nem a corneta, sua burra.

Em meio à barulheira dessa algazarra festiva e rude, do intolerável som de vinte abjectas cornetas de lata, o vate Barbozinha, na tribuna do conselho, declama o poema composto especialmente para a ocasião, comovente, bíblico e louvaminheiro. Em vão Ascânio, Seixas, Leléu e outros rapazes reclamam silêncio.

Também Leonora e Elisa, duas formosuras raras, erguem as vozes e suplicam, por favor, um minuto de atenção. Do poema, ali nada ou pouco se pôde ouvir, para tristeza do bardo insigne que passara dois dias e duas noites escolhendo rimas, contando sílabas e buscando informações sobre dióxido de titânio.

- Me diga, mestre Ascânio, que diabo é isso?

O que fosse, exactamente, tão pouco Ascânio o sabia. Importante, importantíssimo produto, cuja fabricação vai significar grande economia de divisas ao país, passo fundamental para o desenvolvimento pátrio. Em que consiste, porém, disso não tem a mais mínima ideia, confessara um tanto encabulado.

Ascânio resolve adiar para melhor ocasião o discurso anunciando aos povos a nova era: os povos, em bulha e correria, se retiram com os brindes, desinteressados de poesia e oratória. Mulheres pobres com os filhos escanchados nas ancas, homens mal vestidos levando crianças pela mão, molecotes soltos pelas esquinas, rapidamente a multidão se desfaz. Largadas nos caminhos, atiradas fora, as estampas com a efígie de Jesus, a frase do Novo Testamento e o nome da Brastânio. Não possuem valor de compra e troca.

Tendo Bafo de Bode pedido um brinde ou um trago de cachaça a Leôncio, este lhe ofereceu uma estampa, único brinde a sobrar.

- Por que não oferece à senhora sua mãe? – perguntou o mendigo ofendido.

O capenga Leôncio considera a festa um sucesso sem exemplo e a Brastânio organização digna dos maiores elogios. Único a receber sacola íntegra – não uma, três e com antecedência, sem empurrões nem briga – ainda conseguira surripiar uma corneta que termina dando a Bafo de Bode para se ver livre dele.

Pequena corneta de lata, vagabunda mas barulhenta, Bafo de Bode desce a rua a soprá-la, produzindo um som incómodo, arrepiante, medonho. Com ele obtém o silêncio necessário para onde Terto irá pendurar os novos chifres se já não tem lugar no corpo que não esteja ocupado. Resta-lhe enfiá-los no cu, são chifres de menino, não doem. O que diz Bafo de Bode, podre de
bêbado, não se repete, muito menos se escreve.

OTIS REDDING - SITTING ON THE DOC OF THE BAY



OTIS
REDDING















Na estrada desde 1960, Otis teve seu maior reconhecimento no Monterey Pop Festival, em 1967 (v. post Monterey Pop). Um dos maiores expoentes do soul (expressão musical dos negros americanos que transmuta gospel e R&B para uma forma de funk). Sua última apresentação com sua banda de apoio, The Bar Kays, foi em 9 de dezembro de 1967 em Cleveland, Ohio, em um lugar chamado “Upbeat”, para a TV. Na tarde do dia seguinte, 10 de dezembro de 1967, Otis, aos 26 anos, seu empresário, o piloto, a bandmate Phalon Jones, e 5 integrantes da banda (o 6º, James Alexander, viajou em avião comercial porque o Beechcraft 18 de Otis estava lotado), com excepção do único sobrevivente Ben Cauley, morreram quando seu avião caiu no Lago Monona, perto de Madison, Wisconsin. Ben conta que estava sem sono e viu Phalon olhar para fora da janela e dizer “Oh, no !”. Então ele desafivelou seu cinto de segurança e essa foi sua última lembrança antes de ser encontrado nas águas geladas do lago, agarrando-se a uma almofada para manter-se flutuando.

terça-feira, maio 26, 2009

AS QUATRO FRASES


Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson
começou uma conferência citando quatro frases:

1. "A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, despreza a
autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos
filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma
pessoa idosa entra, respondem aos pais e são simplesmente maus."


2. "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a
juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é
insuportável, desenfreada, simplesmente horrível."

3. "O nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os filhos não ouvem
mais os pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."

4. "Esta juventude está estragada até ao fundo do coração. Os jovens
são maus e preguiçosos. Eles nunca serão como a juventude de
antigamente... A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa
cultura."

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a
aprovação que os espectadores davam às frases.

Então, revelou a origem delas:

- a primeira é de Sócrates (470-399 a.C.)

- a segunda é de Hesíodo (720 a.C.)

- a terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.

- a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas
da Babilónia e tem mais de 4000 anos de existência.

Ora bolas... afinal, nada mudou!

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O GRANDE CHARLOT!

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


CONNIE FRANCIS - I WILL WAIT FOR YOU




MATT MORGAN - GUITARRA ROMANA


CANÇÕES BRASILEIRAS


PARATODOS - CHICO BUARQUE (1993)


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


EMÍLIO PERICOLI - AL DI LA (1962)



Tieta do Agreste
EPISÓDIO Nº 143


DE COMO O VATE DE MATOS BARBOSA COMPÔE E DECLAMA UM POEMA QUE NÃO É OUVIDO EM RAZÃO DO EXAGERADO SUCESSO DA FESTA ONDE FORAM DISTRIBUIDOS OS BRINDES DA BRASTÂNIO ÀS CRIANÇAS POBRES, CAPÌTULO POR ISSO MESMO AGITADO E CONFUSO, COM DONA EDNA EM PLENA ACÇÃO



A verdade deve ser dita e proclamada: a distribuição dos brinquedos superou todas as previsões; mais do que animado reboliço de moças e senhoras, de crianças felizes, foi um deus-nos-acuda, um pandemónio, desbordando de todos os limites da ordem e da boa educação.

Em Agreste, terra falta de recursos e de distracções, qualquer cerimónia, de missa a enterro, congrega o povo ávido de entretenimento. A notícia da chegada dos brindes na máquina voadora, conduzidos por Papai Noel em pessoa, correu mundo. Assim, na manhã da véspera de Natal, a carantonha e a fama de valentia de Leôncio não conseguem conter a massa infanto-juvenil, comandada por adultos, na maioria de sexo feminino, reunida à frente da Prefeitura, cuja porta de entrada ele mantém fechada à chave.

Nem mesmo Ascânio Trindade, conhecedor por ofício e devotamento, dos problemas e realidades do município, jamais imaginaram existissem tantas crianças em Agreste.

Ao que se vê todas paupérrimas, pois até os filhos de Agostinho Pão Dormido, dono da padaria, apatacado cidadão, candidataram-se aos regalos da Brastânio: um menino e uma menina, gordos, bem alimentados, nos trinques. Encontram-se entre os primeiros da fila mandada organizar por Ascânio, ali deixados pela mãe, dona Dulcineia Broa Azeda. Fila interminável a fazer-se e a desfazer-se, não para de chegar gente. A molecada corre, grita, levanta poeira, rola no chão, uma bagunça generalizada.

- Que esporro medonho! – comprova Aminthas, espiando da porta do bar, o taco na mão – Não vai ajudar Osnar? Ascânio pediu…

- Desatino só cometo por causa de mulher. Vá você, se quiser – Osnar passa giz no taco, admirando-se da inesperada presença de Peto que chega e se acomoda numa cadeira, disposto a acompanhar a partida de bilhar – Por aqui, Sargento Peto? Pensei que você fosse o número um da fila…

- Para ganhar aqueles bagulhos? Eu, hei? Fico na minha, pô! – Tendo feito tão longo discurso, estendeu os gambitos, chamou seu Manuel, ordenou uma coca-cola na conta de Osnar.

Na sala da Prefeitura, desfalcada da insubstituível dona Carmosina, presa ao leito com um resfriado fortíssimo, febre, dor de cabeça, tosse e catarro, a numerosa e galharda comissão de honra coloca-se sob o comando de dona Milú e entrega-se afobada à tarefa de dividir o conteúdo das sacolas para atender ao maior número de crianças.

Alguns rapazes ajudam, vieram acompanhar namoradas, entre eles o filho de seu Edmundo Ribeiro, coletor, o jovem Leléu de quem já se teve notícia anterior e venérea. Universitário, segundanista de Economia, magricela, prafrentex, cabeludo, no rigor da moda, calça Lee, desbotada, camisa aberta, as fraldas fora das calças, as mangas arregaçadas, a barba por fazer, é o ai-jesus das moças, não chega para as encomendas. Seixas também está presente, combóia um batalhão de primas.

- Nem assim vai dar… - declara Elisa, voltando da janela de onde fez um balanço da situação, calculando o número de crianças.

Elisa e Leonora elegantíssimas, são as duas estrelas da comissão, formosuras que se completam e se opõem, a loira paulista, filha de imigrantes italianos, a morena sertaneja, brasileira de muitas gerações e muitos sangues misturados. Os olhos ladinos de Leléu pousam numa e noutra, a compará-las.

Ambas lhe apetecem, mas têm dono: uma é esposa séria de comerciante ainda moço, a outra namora o secretário da Prefeitura, uma lástima. Ao desviar o olhar encontra o de dona Edna a fitá-lo, dolente, derramado em sombra e insistência. Leléu responde ao sorriso, dona Edna se aproxima, seguida de Terto, que não parece ser seu marido mas com ela casou no juiz e no padre.

Entra na sala padre Mariano, veio benzer os brindes. Vavá Muriçoca, sacristão idoso e ranheta, carrega o repositório de água benta e o aspersório, enquanto Ricardo, de sobrepeliz branca debruada de vermelho, conduz o turíbulo e o incenso. Dona Edna vacila. Primeiro a devoção, depois a diversão. Dirige-se ao padre, beija-lhe a mão, devora Ricardo com os olhos. Ai que o amoreco não afasta a vista, como antes! Pela primeira vez enfrenta o Cupido olhar e mira o rosto da oferecida, sorrindo levemente ao dizer bom dia, dona Edna. Anjo sem mácula mas homem feito. Bom dia, meu coroinha. Ai, quem lhe dera as primícias!

Tendo cumprido a devoção, dona Edna ruma para Leléu que busca conquistar as graças do marido Terto. Tolo, não há necessidade de amaciar-lhe os cornos.

Ante a declaração de Elisa, logo confirmada por Seixas, dona Milú, após breve conferência com Ascânio, ordena sejam todos os brinquedos retirados das sacolas, acumulados atrás da mesa da presidência do Conselho Municipal, em cujos lados são dispostas as cadeiras de espaldar dos vereadores, formando uma espécie de barricada a defender os brindes e as senhoras e moças encarregadas da distribuição. Cada criança receberá um presente.

- Nada de protecção! – recomenda Ascânio Trindade, meio a sério, meio em brincadeira.

segunda-feira, maio 25, 2009

VÍDEO

Ora aí está uma boa contratação para a próxima época. Especialmente na disputa de bolas ombro a ombro...

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


JOE DASSIN (1938 - 1980) - LE JARDIM DU LUXEMBOURG



CANÇÕES BRASILEIRAS

TAIGUARA - UNIVERSO NO TEU CORPO


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


DANIEL SANTOS - ADIOS MUCHACHOS (1948)



Tieta do Agreste
EPISÓDIO Nº 142





De braço dado com Leonora, fugira à pergunta com uma pilhéria:

- Com o rabo de fora…Adivinhe, se puder.

Ao coronel Artur de Figueiredo, por motivos óbvios – mandachuva, prefeito em exercício, além de padrinho e protector – expusera em detalhes a conversa anterior com o grande empresário, planos e plantas. Fora à fazenda Tapitanga a propósito. Mas o coronel ainda meio broco, já não se interessa por nada tirando terras e cabras. Considerara o projecto pura maluquice, se não fosse pior, tenebroso plano de vigarista:

- Grande empresário, meu filho? Esse tipo não passa de um gatuno. Só que ele não sabe que é mais fácil tirar leite do saco de um bode do que arranjar verba em Agreste. Tomou o bonde errado. Ladrão e doido.

Discutir com o padrinho? Inútil, não o convenceria. Mas agora ali estavam os brindes, cinquenta sacolas contendo brinquedos para as crianças pobres, o coronel terá de render-se à evidência. Grande empresário, sim. Nem maluco nem vigarista, representante de imensos capitais, falando em nome da Brastânio, indústria para a produção de dióxido de titânio, básica para o desenvolvimento nacional. Situada em Agreste, cujo prefeito é o dinâmico e competente Ascânio Trindade. Se ainda não é, será, assim que haja eleição, cuja data o Tribunal Eleitoral do Estado deve marcar em breve.

Faz-se absolutamente necessário assinalar com solenidade significativa a entrega dos brindes, a dádiva da Empresa. Ascânio decide constituir uma comissão de senhoras e senhoritas gradas para a comovente cerimónia da distribuição, na véspera de Natal, daí a dois dias. Vai ser um sucesso, um Natal inesquecível, graças à Brastânio. Sorri sozinho, imaginando Leonora, fada a repartir brinquedos e alegria entre a meninada.

Convocará Barbozinha para agradecer em nome das crianças aos generosos industriais da Brastânio. Nessas ocasiões ninguém o iguala, sabe como atingir o coração dos ouvintes, arrancando lágrimas e aplausos. Também ele, Ascânio, dirá umas palavras: para anunciar aos povos o começo de uma nova era para Sant’Ana do Agreste – a era da Brastânio e – por que não? – de Ascânio Trindade, não mais um pobretão, reles funcionário municipal pouco acima de Leôncio, igual a Lindolfo. Um administrador, um político, um estadista. Merecedor da tua mão de esposa. Calca o espinho aos pés: a virgindade não passa de tolo preconceito. Uma jovem viúva, paulista, bela e rica.

Deixa as sacolas sob a guarda de Leôncio, duplamente feroz, jagunço e praça de pré. Dirige-se à casa de dona Perpétua, para comunicar a chegada dos brindes a Leonora e a dona Antonieta, esta última ainda recolhida ao leito onde as queimaduras cicatrizam sob a terna vigilância do sobrinho
seminarista, um menino de ouro.

domingo, maio 24, 2009

VÍDEO
CHARLES AZNAVOUR E FILHAS

video

CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


MICHELE ZARRILLO - TI PENSO OGNI MOMENTO




BONEY M - STILL I'M SAD


CANÇÕES BRASILEIRAS
PAULO DINIZ - EU QUERO VOLTAR P'RA BAÍA



BAÚ DAS RECORDAÇÕES

GUY MARDEL - N'AVOUE JAMAIS (1965)



Tieta do Agreste
EPISÓDIO Nº 141






DO CONTEÙDO DAS SACOLAS, CAPÌTULO NO QUAL A BASTÂNIO COLOCA JESUS A SEU SERVIÇO


Meia centena de sacolas de papel, com cores e a insígnia – Ordem e Progresso – da bandeira brasileira, contadas e acumuladas na sala de reuniões do Conselho Municipal; separadas em dois grupos de vinte e cinco. No primeiro, destinado às meninas, predomina a cor amarela e cada sacola contem uma pequena boneca de plástico, um fogãozinho de lata, duas bolas de ar, um saco de balas, uma língua de sogra, um reco-reco de madeira. Nas outras, a cor dominante é o verde; a boneca e o fogão foram substituídos por um automovelzinho (de plástico) e uma cornetinha de (lata). Em todas as cinquenta, idêntica estampa com a efígie de Jesus de um lado, e do outro uma inscrição onde se lê em caracteres dourados: “Deixai vir a mim as criancinhas. Oferta da Brastânio – Indústria Brasileira de Titânio S. A., uma empresa ao serviço do Brasil”.

Peto, perdidas as últimas ilusões, abandona a Prefeitura:

- Que zorra! Um lixo…

Em compensação Leôncio freme de entusiasmo:

- Viva Deus! Sete mimos em cada saco, que fartura! Vou querer para meus três netos, as duas meninas e o menino. Não me falte por favor, doutor Ascânio.

Ascânio concede as três sacolas ao ex-soldado e ex-cangaceiro, fiel auxiliar da Prefeitura, salário mínimo nem sempre pago em dia. Naquela hora alegre e luminosa não pode negar-se a nenhum pedido, estando ele próprio cumulado, tendo recebido de uma vez e inesperadamente tantas mercês.

O Natal das crianças pobres. A solução do problema a afligi-lo, o financiamento da festa de inauguração da luz da Hidrelétrica: a benemérita Brastânio paga tudo, calçamento e bandeirolas, foguetes e música e o Doutor Mirko Stefano honrará a cidade com a sua presença. Mais ainda, porém, excitam-no as notícias sobre as perspectivas da instalação em Agreste da monumental indústria: o doutor praticamente garantiu o feliz resultado dos estudos. Nem Itabuna, nem Ilhéus, nem Valença, nem Arembepe…

Ascânio fica em dúvida: teria o doutor Mirko citado Arembepe entre os locais possíveis? Guarda a impressão de ter escutado o nome da praia famosa, atracção turística internacional, apesar de não chegar aos pés de Mangue Seco. Mas não tem certeza pois, ao repetir o nome das cidades concorrentes, o magnata as reduzira às duas do sul do sul do estado e à terceira do recôncavo. Enfim, não importa, pois as preferências dos responsáveis pela a empresa fixam-se em Agreste.

Para fechar a sua visita com chave de ouro O doutor Mirko liberara Ascânio da obrigação de sigilo: pode comunicar a boa nova ao povo. Ele o fará durante a distribuição dos brindes de Natal.

Mentir não é o forte de Ascânio Trindade, não sabe fazê-lo, comete indiscrições, escapam-lhe detalhes, revela pistas. Assim aconteceu no discurso pronunciado na Praça do Curtume (rectificando em tempo: Praça Modesto Pires) quando, levianamente, anunciara para breve grandes novidades, dando a entender a existência de projecto muito mais considerável do que simples empreendimento turístico, fazendo referência, imagine-se! A pólo industrial.

A maioria não maliciou mas alguns ficaram de orelha em pé. Osnar o interpelara a caminho do rio:

- Que conversa é essa, Capitão Ascânio, de pólo industrial? Nessa história tem gato escondido…





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