quinta-feira, novembro 05, 2009

ATENÇÃO
A "TIETA" vai de férias durante uma semana. Estará ausente de 5 a 11 mas no dia 12 o novo episódio encontrar-se - á à disposição de quantos seguem e história agora na sua fase final.
Entretanto, iremos à Turquia visitar uma região única em todo o mundo, a Capadócia. Disso, vos daremos notícias depois de regressarmos. Até lá
passem bem e com saúde.

quarta-feira, novembro 04, 2009

VÍDEOS

Na Noruega é assim...

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JULIO IGLESIAS - UM CANTO A GALIZA



Sátira aos HOMENS
quando estão
com gripe (H1N1)
António Lobo Antunes




Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

CANÇÕES ROMÂNTICAS BRASILEIRAS


ROBERTO CARLOS - QUANDO



TIETA DO


AGRESTE


EPISÓDIO Nº 277




- Você permite, Elisa, que eu torça pelo seu rico maridinho? Não tenha medo, não vou tirar nenhum pedaço… - ri em desafio.

Não importa o motivo a conceder a Astério o privilégio da torcida de dona Edna, a verdade exige que se diga dever-se a ela a vitória do tricampeão quando, considerando-se derrotado, já depositara o taco.

Ao contrário da empolgante disputa entre Fidélio e Seixas, na qual sucederam-se lances brilhantíssimos, a partida entre Ascânio e Astério arrastou-se longa e enfadonha. Equilibrada, é certo, porém nos desacertos e nos erros. Os adversários revelaram falta de treino e extremo nervosismo. Estando fora de forma, decepcionaram o público e os apostadores.

Durante o desenrolar da monótona competição, Elisa finge não entender as provocações de dona Edna – críticas às elegantes de segunda mão, palavras carinhosas de incentivo a Astério como se ele fosse seu marido ou amante. Para não ouvi-la concentrara-se nos lances da partida. Não entende grande coisa de bilhar mas, ainda assim, dá-se conta da péssima actuação de Astério. Se por acaso conseguir ganhar a Ascânio, igualmente ruim, perderá com certeza para Fidélio cuja exibição despertara entusiasmo geral. Engraçado como os homens são surpreendentes. Fidélio vivera até então retraído em seu canto, não se ouvia referência ao seu nome. De repente, devido ao assunto do coqueiral, transformara-se numa das pessoas mais badaladas da cidade. Segundo dizem, sua casmurrice não passa de sabedoria e sonsidão; um devasso enrustido. Sim, os homens são imprevisíveis; não houvesse dona Carmosina lhe contado tantas histórias de Fidélio, Elisa jamais acreditaria fosse ele um dom-juan. E o que dizer então de Astério, de seus gostos e preferências? Pelos vistos, a vagabunda da Edna, com aquela bunda chulada, está perdendo tempo, nunca terá vez.

Num gesto brusco, atira longe o cigarro de palha, ao ver Astério com quem apostara forte, botar fora a última chance de vitória. A última porque a partida chegara ao fim, faltando a Astério três pontos e a Ascânio apenas um. A diferença, para um tricampeão, recordista de carambolas, significava pouco pois lhe cabia jogar. Mas Astério afobara-se, perdera a tacada, deixando a bola na medida para Ascânio: bastaria calcular com precisão a força da tacada para marcar o ponto do triunfo. Astério encosta o taco, nada mais pode fazer, dia negro. Sente uma contorção no estômago, a primeira após a compra das terras de Jarde; pensava-se curado.

Ascânio contempla a mesa do bilhar, sorri vitorioso para Leonora, passa giz no taco, aproxima-se sem pressa, considera a partida ganha. Faz-se silêncio na sala, rompido pela voz de dona Edna, estridente:

- Osnar, você que é o Presidente da Bacia de Catarina, me diga se é verdade o que anda correndo por aí…

Debruça-se Ascânio sobre a borda do brunswick, coloca o taco, recua o braço, pronto a fazer a carambola…

- … que a beira do rio nunca andou tão frequentada, só se vê cara nova, cara de forasteira… que a forasteira não perde nem uma noite…

O taco espirra, apenas move a bola, ajeitando-a para Astério. No eco da
voz de dona Edna,
Ascânio perde a carambola e a partida.

terça-feira, novembro 03, 2009

VÍDEOS

VEM A PROPÓSITO DO NOVO GOVERNO...

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O TEMA "INTERVALO" COM A PARTICIPAÇÃO MUITO ESPECIAL DE RUI VELOSO


CANÇÕES ROMÂNTICAS BRASILEIRAS


ERASMO CARLOS & ROBERTO CARLOS - SENTADO À BEIRA DO CAMINHO



A LÁGRIMA E
O SORRISO




Um dia a língua disse ao sorriso:


- Invejo-te porque vives sempre feliz!


O sorriso respondeu:


- Enganas-te, pois muitas vezes sou apenas o disfarce da tua dor...


TIETA DO
AGRESTE


EPISÓDIO Nº 276


DEGUNDA PARTE DO CAPÍTULO DE EVENTOS MEMORÁVEIS DURANTE OS QUAIS ASCÂNIO TRINDADE PERDEU A ELOQUÊNCIA E A CARAMBOLA: O CASO DO BILHAR



O incidente do bilhar teve por cenário o Bar dos Açores, onde as partidas decisivas do torneio anual por fim se realizaram. Atrasados, pois o Taco de Ouro deveria ter sido proclamado em Dezembro. Em Agreste, ultimamente, anda tudo em descompasso e discórdia. A rotina e a harmonia cedem lugar ao imprevisto e à contenda. Alastram-se a desconfiança e a irritação, manifesta-se a cada passo evidente espírito belicoso.

A presença da nata social, senhoras e senhoritas, empresta carácter festivo à disputa. Desfile de toaletes caprichadas como se na mesma ocasião fossem escolhidos o Taco de Ouro e a Rainha da Elegância. As damas comparecem para torcer, respirar a excitante atmosfera do botequim, sobretudo para exibir os trajes, cada qual mais pretensioso. Nos anos anteriores, ostentando vestidos mandados por Tieta, modas do Sul, Elisa destacava-se das demais. Tampouco Astério tivera maiores dificuldades para derrotar os parceiros. O casal açambarcava os aplausos: ele tricampeão, ela, absoluta!

As coisas mudaram. Astério, às voltas com a criação de cabras e o plantio de mandioca, descuida-se dos treinos, enquanto Seixas e Fidélio passam horas e horas a carambolar. Quanto a Elisa, encontra rival à altura de sua beleza e elegância: a formosa paulista Leonora Cantarelli, em férias na cidade.

A primeira partida foi ganha por Fidélio, perdida por Seixas. Nos pontos e na torcida. As primas de Seixas haviam recrutado colegas e amigas para reforçar as fileiras das incentivadoras do primo. Fidélio, arredio, não recrutou ninguém, as fãs compareceram de moto próprio, numerosas. Constataram-se, inclusivé, deserções nas hostes de Seixas, em nítida prova de deterioração dos costumes locais. A febre da traição atingiu até uma das primas, a estrábica, a mais linda. Perdendo o controle, a falsa aplaudiu de pé jogada sensacional do adversário. Um vexame.

Dona Edna, cujos campeões, o fiel Terto (nem por manso e cornudo menos bom marido) e o volúvel Leléu, se encontram há muito desclassificados, não consegue esconder o despeito de não poder competir com Elisa e Leonora. Galante e ousada, não lhe faltam graça e porte, gosto no vestir; falta-lhe dinheiro ou irmã generosa. Para compensar, onde quer que esteja, os olhos de frete percorrendo os homens presentes, fala pelos cotovelos, alfinetando meio mundo. Língua louvada em mais de uma arte, exímia na arte de malhar a vida alheia, destila veneno, várias vezes o alfinete transforma-se em escalpelo. Se a repreendem, explica: por mais eu corte na pele dos outros, nunca conseguirei cobrar o que falam de mim. Durante o torneio, nem Peto escapa dos olhares doces e da agre malícia de dona Edna. Um Peto metido a rapaz, de calças compridas, sapatos postos, cabelos penteados.

- O que foi que deu em você, Peto? Virou homem…

Olhos dolentes, sedutores, a ponta da língua roçando os lábios para deixar o menino de pito aceso. Engraçadinho o moleque, pesteando a brilhantina. Mas quem bole com os nervos de dona Edna é o outro, o irmão, padrequinho no ponto exacto, papa missas divino. De Peto, dona Edna passa para Elisa, com quem implica solenemente: a presunçosa agora habita uma das melhores residências da cidade sem pagar aluguel, fazendo ainda mais insuportável o ar dolente e superior que exibe em permanência. Dona Edna veio disposta a aperreá-la e a amofinar, ao mesmo
tempo, a outra antipática, a hipócrita lambisgóia, Leonora. Qual das duas a mais
detestável?

segunda-feira, novembro 02, 2009

VÍDEOS

ANÚNCIOS À PARTE... PREFIRO ÁGUA.

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PAULO DE CARVALHO - OS MENINOS DO HUAMBO

PAULO DE CARVALHO - NINI DOS MEUS 15 ANOS



Por Que Nos
Apaixonamos Tão
Intensamente?




Será que a pessoa por quem nos apaixonamos é tão melhor que todas as outras a ponto de sofrermos profundamente quando não somos correspondidos, de tentarmos mesmo o suicídio ou de provocarmos a morte de um rival?

Que mecanismo é este que nos faz concentrar numa pessoa como se ela fosse a única em todo o planeta?

Por que desenvolvemos dentro de nós este aliciante mas perigoso mecanismo?

Ao princípio, julgávamos que era o coração, depois o cérebro, agora parece ser uma questão de compatibilidade hormonal.

Todos nos apercebemos quando somos surpreendidos pelas emoções da atracção sexual. Quase que sentimos o penetrar da flecha do Cupido a justificar o êxtase de certos momentos quando encontramos determinada pessoa.

… e sempre assim foi ao longo dos tempos!

Às vezes, esse momento muda as nossas vidas, outras não: a vida segue o seu curso e nós ficamos com a impressão que perdemos a oportunidade de sermos felizes para sempre.

- Para sempre?

Vinícius de Morais, que nestas coisas do amor era um “expert”, dizia sobre o amor:

- “Que seja eterno enquanto dure…”

Vivemos para o amor e construímos a nossa vida em função dele. Nascemos para amar e sermos amados. Toda a nossa anatomia corporal parece ter essa finalidade mas não confundamos paixão com amor. São sentimentos diferentes:

- As paixões, são turbilhões que nos desequilibram e, talvez por isso, a palavra que vem do grego tem o seu radical ligado a doença;

- O amor, tem a ver com os afectos e dá-nos, pelo contrário, uma sensação de equilíbrio e bem-estar.

“Nunca somos tão indefesos contra o sofrimento como quando nos apaixonamos” – Sigmundo Freud.

Ver o seu sorriso, ouvir a sua voz, observar o seu andar, recordar um momento especial ou um comentário inteligente, a mais leve percepção de ser amado envia ao cérebro uma onda gigantesca de excitação à qual todos ficam vergados: poetas, presidentes, académicos, técnicos: todos embarcam num estado confuso de expectativa, esperança, agonia, beatitude.

Depois, a paixão diminui e uma nova sensação invade a mente: - o afecto, e este é o mais esplêndido sentimento – uma sensação de natural satisfação, de um compartilhar a identidade com outro ser humano.
... Talvez isso seja o que mais se aproxima da felicidade que todos procuramoa alcançar.

CANÇÔES ROMÂNTICAS BRASILEIRAS

JÙLIA GRACIELA - ANÚNCIO DE JORNAL



TIETA DO


AGRESTE

EPISÓDIO nº 275



CAPÍTULO DE EVENTOS MEMORÀVEIS DURANTE OS QUAIS ASCÂNIO TRINDADE PERDEU A ELOQUÊNCIA E A CARAMBOLA – PRIMEIRA PARTE: O CASO DO DISCURSO


Entre a passagem do doutor Hélio Colombo por Agreste e a publicação da notícia em gazeta da capital, por duas vezes Ascânio Trindade esteve a ponto de perder a cabeça – na primeira perdeu o fio do discurso, na segunda a carambola.

O caso do discurso sucedeu no comício improvisado para saudar a chegada às ruas do burgo dos postes da Hidrelétrica. Quando o engenheiro chefe desceu do jipe e subiu a escada da Prefeitura, Ascânio Trindade, na sala de despachos, sozinho, busca digerir recentes e embaraçosas atitudes, tomadas à sua revelia, impostas por terceiros sem que sobre elas lhe houvessem permitido opinar ou discutir. Satisfatórias, entretanto.

Ignorando-lhe os escrúpulos, pisoteando os preconceitos locais, o atraso sertanejo, Leonora o transportara cada noite ao paraíso, ou seja à Bacia de Catarina. Solucionando intrincado problema, o famoso advogado ordenou-lhe desapropriar as terras do coqueiral, apenas assuma o cargo de prefeito. Acatara as duas soluções, ambas o comprazem.

Persiste, todavia, dentro dele um laivo de descontentamento como se, ao concordar com tais iniciativas e delas participar, cometesse acto reprovável. Analisando-as, nelas não encontra nada de sujo ou desonesto. Por que então o medo e a dúvida? Exclusivamente por lhe faltar estofo de líder. Enredado em melindres, em relutâncias e susceptibilidades provincianas, mentalidade estreita, assusta-se e vacila quando a conjuntura exige firmeza e audácia. Mestre Colombo e Leonora representam a mentalidade aberta e avançada das grandes cidades. Surpreendente Leonora, tão frágil e tão disposta, tão discreta e tão atrevida!

A voz do engenheiro interrompe suas matutações:

- Vim lhe convidar para assistir à colocação do primeiro poste na cidade. Gostaria também de chamar a tal ricaça, a que manda no governo. Assim terei o prazer de a conhecê-la.

Empolgado com a notícia, Ascânio salta de cadeira, enfia o paletó.

- Ela está em Mangue Seco, o senhor vai conhecê-la no dia da festa. Já podemos marcar a data?

- Digamos, o primeiro domingo daqui a quinze dias.

Ascânio faz as contas, dezassete dias exactamente. Ao fixar a data para a grande festividade, o engenheiro determina o dia do regresso a São Paulo das Cantarelli, a viúva e a herdeira. Ascânio estremece: o curto tempo tão falado e repetido deixa de ser expressão vaga, transformando-se em prazo fatal. Daí a dezoito dias, na marinete de Jairo, partirá de Agreste a mais pura e bela das mulheres.

Célere, espalha-se a notícia, movimentando a cidade. Nas mãos festeiras de Vavá Muriçoca, o sino da Matriz badala alvíssaras. Padre Mariano surge no átrio. Por obra e graça de devota paroquiana, generosa ovelha do rebanho do Senhor, comendadora papalina, meritíssima, foi instalada nova rede eléctrica no templo, cuja fachada, recoberta de lâmpadas coloridas, aguarda a luz de Paulo Afonso, Padre Mariano acelera o passo para alcançar Ascânio e o engenheiro chefe.

Manejando pás e picaretas, operários cavam o buraco onde se erguerá o primeiro poste, no antigo caminho da lama, futura rua Dona Antonieta Esteves Cantarelli. Dos becos e ruas, desemboca gente. Os últimos cépticos rendem-se à evidência: mais duas semanas e Agreste estará consumindo força e luz da Hidrelétrica de São Francisco. Energia capaz de mover indústrias, luz forte e brilhante, vinte e quatro horas por dia, não a fosca e débil iluminação do motor, limitada a três horas quando não há pane. A luz de Tieta. O nome da benfeitora passa de boca em boca, em louvor e admiração. Todos sentem orgulho da riqueza e importância, do prestígio e poderio da conterrânea, patrona da cidade e do município, filha pródiga e predilecta. A ela, apenas a ela, deve-se aquele milagre – verdade proclamada pelo próprio engenheiro-chefe.

Inacreditável milagre, define ele, de cima do caixão de querosene. Vendo dezenas de cidadãos comprimidos em torno aos engenheiros e aos operários, comentando, prontos para o aplauso. Ascânio manda o moleque Sabino em busca de um caixote: momento tão solene da vida de Agreste não pode transcorrer em branca nuvem. Improvisa tribuna e comício e, para iniciá-lo, convida o engenheiro-chefe, “comandante invicto dessa épica batalha do progresso a quem manifestamos a nossa gratidão”. Falto de dotes oratórios, o engenheiro reduz-se a quatro rápidas frases. Parabeniza o povo da região mas recusa agradecimentos, ele e sua equipe cumpriram apenas ordens da Companhia, ordens que de início lhe pareceram absurdas pois a extensão dos fios eléctricos a Agreste fora um autêntico inacreditável milagre. Deviam agradecer exclusivamente à poderosa personagem que o proporcionara e a quem ainda não tivera o prazer de conhecer. Ao descer, é apresentado a alguns familiares da poderosa personagem: a irmã Perpétua, o sobrinho Peto, a enteada Leonora, a quem despe com os olhos gulosos e competentes. Material de primeiríssima, papa fina.

Leonora acha que Ascânio merece uma parcela dos aplausos e da gratidão pois se batera com desesperada pertinácia, sofrendo, inclusivé humilhações, para a obtenção daquela vitória. Nada conseguira, é verdade, mas nem por isso seu esforço deve ser esquecido.

Aliás não lhe regateiam aplausos quando ele sucede ao engenheiro, sobre o caixote. Sobretudo ao se referir à actuação de dona Antonieta Esteves Cantarelli, a quem o povo de Agreste será eternamente agradecido. Ficasse por aí e com certeza compartilharia da gratidão expressa pelos presentes aos responsáveis por fios, postes, lâmpadas e iluminação. O erro de Ascânio foi querer aproveitar a ocasião para fazer propaganda da Brastânio. Num gesto imperativo apontou o chão, perguntando: a quem se deve o asfalto sobre o qual pisamos, cobrindo para sempre a lama secular da entrada da cidade? Quem enviou máquinas, técnicos, operários? A Brastânio, cuja presença no município significa a redenção de Agreste – disse, repetindo o chavão da entrevista. Palmas e bravos, de mistura com apupos e apartes, divididas as opiniões.

- Abaixo a poluição! – Brada dona Carmosina.

Ascânio não dá atenção, prossegue entusiasta e eloquente, mas logo
anónima voz em falsete, evidentemente disfarçada na confusão do ajuntamento.

- Cala a boca, Pleibói matuto! Tu é vendido!

Ascânio engasga no meio da frase, sem conseguir localizar o canalha – se for homem apareça e repita – perde a eloquência e a segurança, alinhava o discurso. Ao descer do caixote estrugem aplausos e vivas: dirigidos ao poste que os operários acabam de colocar de pé, maravilha do século. Altíssimo, de concreto, bifurcando-se em braços para as lâmpadas, porreta.

domingo, novembro 01, 2009


O QUOCIENTE
E A HIPOTENUSA

Um Quociente apaixonou-se
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

CELINE DION & ANDREA BOCELLI - THE PRAYER


CANÇÕES ROMÂNTICAS BRASILEIERAS

CARMEN SILVA - ADEUS SOLIDÃO



TIETA DO


AGRESTE

EPISÓDIO Nº 274



- Pouco falta – constata o Comandante.

- Falta pouco ou falta muito, tudo depende.

- Depende de quê? Você duvida, por acaso que ele seja eleito?

A voz do comandante Dário reflecte desânimo e impotência, dona Carmosina ouve em silêncio.

- Posso vir a duvidar, por que não? Dependendo das circunstâncias, posso até apostar que ele não será eleito.

- Como não há-de ser eleito? Candidato único, candidato do coronel Artur…

- Basta que ele não seja candidato do Coronel ou, em último caso, não seja candidato único…

- Você está querendo dizer… - interrompe, interessada, dona Carmosina.

Que basta surgir outro candidato, capaz de derrotar Ascânio, seja na preferência do Coronel, seja nas urnas…

- Estava me dando conta de onde você ia chegar. Mas não vejo jeito. O Coronel é padrinho de Ascânio, confia nele, no dia do enterro de Enoch disse que o novo prefeito iria ser Ascânio e todo o mundo ficou de acordo. Não vejo por que há-de mudar.

- Sei lá… O velho anda biruta, ainda ninguém procurou saber o que o cacique pensa sobre a instalação da fábrica, se é a favor ou contra. Não custa conversar, tentar convencê-lo. Mas se ele mantiver Ascânio, então nós iremos para as urnas.

- Nas urnas, Ascânio é imbatível.

- Imbatível? Talvez tenha sido, Carmô, não é mais. Antes todos viam nele um rapaz trabalhador e honesto, não havia duas opiniões sobre Ascânio e todos o queriam para prefeito. Hoje, justa ou injustamente, para muitos ele se transformou num homem a soldo da Brastânio, de olho no dinheiro de Leonora. Aqui para nós, a meu ver, Ascânio não passa de um bobo alegre. Mas por aí, o menos que dizem dele é que está de cabeça virada. Você não se deu conta Carmô, que a unanimidade acabou? Começando por nós, que estamos aqui. Antes éramos todos eleitores de Ascânio, eleitores de cabresto. Hoje, meu voto ele não tem.

- Nem o meu, concorda o Comandante.

- Ainda assim não vejo quem possa competir com ele.

- Ficou cega de todo, prima.

- Quem, me diga!

O cidadão eminente, preclaro filho de Agreste, oficial da nossa gloriosa Armada, Comandante Dário de Queluz!

- Eu? Você está maluco? Não sou político nem pretendo ser.

- Exactamente. Os políticos andam muito por baixo, quem manda actualmente no país são os militares, não é? Comandante, assuma seu posto!

- Eu, jamais!

Aminthas não lhe dá atenção:

- Vai ser dureza mas eu considero que poderemos ganhar se…

- Se?

- Se a gente contar com o apoio de dona Antonieta. Tendo Santa Tieta do Agreste do nosso lado, pedindo votos para o Comandante, é barbada.

- Não aceitarei de maneira nenhuma… - recomeça o Comandante, erguendo-se para sublinhar a sua decisão.

Dona Carmosina volta-se para ele, novamente esfogueada, em pé de guerra:

- Como, não aceita? Patriotismo se prova é nestas horas, Comandante. Dona Milú traz cálices, serve licor de violetas. A ocasião impõe um brinde.

A velha senhora, em priscas eras, foi eficiente cabo eleitoral:

- Saúde, Comandante! Vou começar a propaganda hoje mesmo. Já tenho um mote para a campanha: abaixo a podridão – Dona Milú saboreia o licor, estala os lábios

VÍDEO

SENSACIONAL

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MAIS SENSACIONAL...

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MEMORIAL "A LÁGRIMA" DO ESCULTOR ZURAB TSERETELI. FOI OFRERCIDO PELO GOVERNO RUSSO AOS E.U.A. EM HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DO TERRORISMO DO 11 DE SETEMBRO.


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