sábado, maio 09, 2009

VÍDEO
CANDIDATOS A FAROLEIROS?

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS



JOHN FOSTER - AMORE SCUSAMI (1964)


INTOCABLE "MOJADO" - RICARDO ARJONA
(OS DRAMAS DA EMIGRAÇÃO CLANDESTINA)


CANÇÕES BRASILEIRAS


ANDANÇAS - BETH DE CARVALHO (1968)


MÚSICA - PAULINHO TAPAJÓS/EDMUNDO SOUTO/DANILO CAYMMI


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


ELVIS PRISLEY - DON'T BE CRUEL (1957)




Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 126






- Está aborrecida, Tieta? Se fiz mal em contar, me diga.
- Fez muito bem, Carmô. Estava pensando no cachorro do noivo. E com Elisa, você falou também?

Não, com Elisa dona Carmosina não conversara, tentando tirar-lhe da cabeça a louca ideia de partir com Tieta para São Paulo, levando Astério na bagagem. Depois do difícil diálogo com Ascânio, ainda não tomara fôlego, não reunira coragem suficiente para vibrar novo golpe. A decepção de Elisa ia ser terrível, ela não tinha a fibra de Ascânio, provado pela doença do pai e pela traição de Astrud. Tieta devia pacientar um pouco, dona Carmosina falaria quando se apresentasse a ocasião, quando a própria Elisa puxasse o assunto. Deixasse a pobre conservar por mais uns dias as suas ilusões paulistas.

Quem porém tocou nesse assunto, porém, foi Astério, e o fez com Tieta quando ela voltou a Agreste. Ficou de tocaia no bar, sonsando, até Perpétua dirigir-se para a Igreja em companhia do filho seminarista, na hora da bênção. Aproveitou a folga:

- Queria falar com você, cunhada. Um assunto do meu interesse, meu e de Elisa. Mas antes me prometa guardar reserva dessa nossa conversa.

- Toque em frente cunhado, sou boa de segredo, nem imagina quantos guardo no peito, por isso é que tenho esse urbe grande. – Ri alegremente, anda satisfeita.

- É a propósito de uma ideia de Elisa. Ela, se ainda não lhe falou, vai lhe falar para pedir que leve a gente para São Paulo. Que me arranje um emprego e ceda um cómodo para nós em seu apartamento.

- Falar ainda não falou mas já insinuou. Você quer ir?

- Deus me livre! – Arrepia carreira, não vá Tieta se ofender: - Quer dizer: - eu teria muito prazer em morar em sua companhia, você é mais do que uma irmã, tem sido nossa providência. Mas eu não quero viver em São Paulo, não vou me dar bem. Elisa tem vontade de ir embora daqui para que a gente melhor a vida mas eu sei que não vai dar certo. É pior ser pobre lá do que aqui.

- Você tem razão, cunhado, é isso mesmo. Mas pode ficar descansado, não vou levar vocês comigo. Você ia se dar mal e lugar de mulher é ao lado do marido. Se Elisa me falar, tiro essa ideia da cabeça dela.

- Não sei como lhe agradecer, cunhada.

- Não agradeça. Elisa é minha irmã, tenho obrigação de cuidar dela, de ajudar vocês no que puder. Mas aqui, lá não.

Em toda a sua vida, poucas vezes Tieta vira pessoa tão contente quanto Astério ao fim da conversa. Fitou o cunhado com afecto:

- Ouça, Astério, você precisa não deixar Elisa fazer tudo que deseja. Se ela lhe falar em São Paulo, diga que você não quer ir, que daqui vocês não saem. Ponha rédea curta em sua mulher.

- Se eu disser isso, só vou botar ela contra mim. Vai bater o pé, chorar, falar nisso o dia inteiro, até me obrigar. Como é que posso convencer ela?

- Pergunte ao Velho Zé Esteves e ele lhe explica. Pergunte como é que ele ensinou a mãe de Elisa a obedecer. Quem sabe, ele lhe empresta o bordão. A receita é boa, cunhado. Bem aplicada, basta uma vez. Nunca mais mãe Tonha levantou a voz para o Velho. Quanto a essa história de São Paulo deixe comigo.

De noite, Tieta teve Ricardo na rede conforme desejara. Ali, onde em sonhos o rapazola a desejara e não soubera possui-la, ela o cavalgou e por ele foi montada, cruzando a noite no rumo da aurora. Contendo a respiração, sufocando os ais de amor enquanto juntos praticavam o
ipicilone. Ah!, o ipicilone!

sexta-feira, maio 08, 2009

VÍDEO
DANÇARINA DE PESO...

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


ALISON MOYER - WINDMILLS OF YOUR MIND


GEPY & GEPY - ANGELO BLU


CANÇÕES BRASILEIRAS


ELIS REGINA - ME DEIXAS LOUCA (ÚLTIMA GRAVAÇÃO DE ELIS REGINA NA MADRUGADA DE 3/12/81)
MÚSICA - A. MANZANERO
LETRA - PAULO COELHO


BAÚ DAS RECORDAÇÕES

ORQUESTRA DE BENNY GOODMAN - SING, SING, SING (1939)

QUANDO O SUING ERA REI...



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 125





Pedido, súplica, queixume, a voz trémula do menino dividido entre ela e Deus, cabrito no pasto de Tieta, levita do santuário. Bastaria uma palavra, um gesto, um olhar para retê-lo a seu lado, para impedir igreja e sacramento. Um menino, um levita, eleito e pecador, casto e lascivo, forte e frágil. Um menino de Deus. Dela, o Deus Menino.

- Vá e rogue a Deus por mim. Vou me roer de saudade, na tua ausência. Te quero aqui amanhã.

Falta e ausência iria sentir, a roê-la por dentro, quando embarcasse na marinete para São Paulo, com certeza não bastariam algumas lágrimas nem lavar a xoxota bem lavada. Ai, meu menino, levita de Deus! Ensinara-lhe o amor, o gosto de mulher, as delícias, os sabores requintados, fizera-o homem. Quando ela for embora, Ricardo buscará noutros braços, noutro colo, noutro regaço as sensações, a exaltação e a alegria aprendidas em Mangue Seco. Tieta sente uma raiva súbita, decide em definitivo demorar em Agreste até pelo menos a inauguração da luz. Para gozar durante mais umas semanas esse desperdício de prazer, esse mar revolto, essa ventania desvairada. Depois, ela o deixará para Deus, livre do medo e dos perigos da castidade que conduz à tristeza e ao mal, quem sabe é Tieta, vítima da conspiração das beatas, bruxas fedendo a donzelice encruada. Frustradas e amargas, as solteironas odeiam o próximo. Assim era Perpétua antes de casar-se, antes do Major.

No Domingo pela manhã, a exposição punitiva descera da lancha de Elieser enchendo de risos a praia de Mangue Seco. Juntaram-se todos diante das erguidas paredes da biboca de Tieta, as ripas para o telhado começavam a ser colocadas, num tronco de coqueiro o habilidoso Comandante Dário gravara o nome escolhido: Curral do Bode Inácio. Fizeram coro ao merecido elogio do ausente seminarista, pronunciado pelo Comandante: Tieta devia a Ricardo a rapidez do adianto da obra.

Mais tarde, andando para os cômoros, Antonieta ouvira o relato de dona Carmosina.

- Falei com Ascânio sobre o que você me contou a respeito de Leonora… Essa história de noivado no Sul, as viagens, a pílula, você sabe…

Tieta afetara surpresa e inquietação:

- Você disse a ele que Leonora não é virgem? Meu Deus, Carmô? – mas logo concordara – Pensando bem, acho que assim é melhor, que ele saiba a verdade. Eu te agradeço, Carmô. Deve ter sido desagradável.

- Se foi… Mas estou contente: pensei que ele ia romper com Leonora, desistir, não querer mais ver a cara dela, mas Ascânio superou o preconceito, Tieta. Um cara direito. Não quer que ela saiba que eu contei, é um cavalheiro.

Tieta aprovara com a cabeça, rindo por dentro. O que o cavalheiro deseja, ela sabe demais: sem cabaço a contê-lo, Ascânio vai tratar de dormir com Nora, passar-lhe a vara, exactamente como Tieta previra. Se antes, apaixonado, sonhara noivado e casamento, desistiu ao saber da verdade, nenhum homem de Agreste casa com moça deflorada. Mas nem por isso é tolo a ponto de largá-la de mão quando nada o impede de levá-la aos esconsos do rio, sob os chorões em noite sem lua. Com o que estariam resolvidos os problemas de Leonora. Depois, lavar o xibiu, derramar algumas lágrimas na partida. Por que diabo Ricardo demora tanto a voltar, ela se perguntara olhando o rio do alto das dunas sem descobrir sina da canoa de Jonas. Na igreja, na missa das oito, talvez o coroinha houvesse dado conta dos olhares lúbricos, da boca aberta, ávida a exibir a
ponta da língua, de dona Edna, putíssima e vulgar. Audaciosa.

quinta-feira, maio 07, 2009

VÍDEO
MÁGICOS DO VOLANTE

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CANÇÕES QUE SEMPRE LEMBRAREMOS
GLADYS KNIGT & THE PIPS - I (WHO HAVE NOTHING)



DON MCLEAN - CRYING



CANÇÕES BRASILEIRAS


AO QUE VAI CHEGAR - TOQUINHO E MUTINHO (1984)
MÚSICA E LETRA - TOQUINHO E MUTINHO
INTERPRETAÇÃO - TOQUINHO


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


THE CREW - SH BOOM (1959)



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 124



DO REGRESSO A AGRESTE, CAPÌTULO NOTICIOSO POR EXCELÊNCIA NO QUAL TIETA CITA O EXEMPLO DO VELHO ZÉ ESTEVES


Ao regressar a Agreste para a festa da inauguração das benfeitorias na praça do Curtume, acompanhada pelo sobrinho Ricardo, Tieta quis saber de Leonora notícias de seus amores. A moça sorriu embaraçada, tomou das mãos da protectora:

- Não sei o que se passou, Mãezinha. Ascânio esteve fora durante dois dias, vendo uns trabalhos da prefeitura, voltou diferente. Sempre entusiasmado com a história do turismo, sempre terno, porém menos reservado. Me disse que, com a morte do prefeito, vai ser eleito para o cargo, a situação dele vai mudar. Está exaltado, nem parece o mesmo. Até me beija, sabe? Outro dia, dona Perpétua deu flagrante na gente… Estou tão contente, Mãezinha. Aproveite enquanto é tempo, mais dia menos dia a gente arruma as malas e capa o gato.

- Ai, Mãezinha, nesse dia vou morrer.

- Ninguém morre de amor, como é mesmo que Barbozinha diz? De amor a gente vive.

Boa, devotada Carmô! Com todo o seu diploma de sabida, deixara-se enrolar pela trama de Tieta e, para impedi-la de apressar a data da partida, revelara a Ascânio a situação de Leonora, deflorada pelo calhorda do noivo. Acontecera exactamente o que Antonieta desejava. Ascânio, a par do acontecido, mudara imediatamente de conduta, tornando-se audacioso e beijoqueiro. Não tarará a perder o resto do acanhamento e a chamar a namorada aos peitos, arquivando os planos de casamento e lar, interessado tão somente em cama. Na cama tudo se resolve.

Tudo. Basta citar o exemplo do sobrinho Ricardo, quase louco de remorso e medo, apavorado, querendo desistir do seminário, sentindo-se leproso e condenado às penas eternas após ter dormido com a tia no areal de Mangue Seco.

Agora não quer outra ocupação, se pudesse passava o dia no fuque-fuque, adolescente deslumbrado, força estuante, potência sem limite, desejo infinito, ilimitada, dulcíssima estrovenga. Um temporal, um terramoto, uma festa!

A qualquer momento, nas dunas, no banho de mar, onde quer que seja e possa, ele a derruba e monta. Tieta está quebrada, moída, mordida, sugada, satisfeita, trêfega menina em férias, saltitante cabrita. Cabrita? Cabra velha que antes jamais recebera bode novo, de trouxa apenas desatada, insaciável garanhão.

Fogoso e exigente, meigo e exultante, Ricardo também mudara. Perdera o medo, enterrara o remorso mantendo, ao mesmo tempo, a vocação sacerdotal. Descobrira a bondade de Deus.

No sábado, no fim da tarde, quando os operários regressaram ao arraial do Saco, Ricardo os acompanhou na canoa de Jonas. De volta, irradiava serenidade no rosto juvenil e, encontrando Tieta na praia, oferecida no maiô a mostrá-la mais que a vesti-la, desviando os olhos, informara:

- Hoje vou dormir a Agreste, Jonas me leva na canoa.

- Hoje, por quê? Daqui a mais uns dias a gente vai para ficar. O principal está feito, do resto o Comandante se ocupa, basta a gente vir uma vez ou outra, passar um dia e uma noite. Hoje, por quê? Já se fartou de mim?

- Não diga isso nem por brincadeira. É que hoje me confessei, amanhã vou comungar, e se dormir
aqui… Volto amanhã mesmo. Me dê licença, me deixe ir.

quarta-feira, maio 06, 2009

VÍDEO
QUE AS LOIRAS ME PERDÔEM...

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS



MARY HOPKIN THOSE WERE THE DAYS (LE TEMPS DES FLEURES)



CLASSIC EAGLES - HOTEL CALIFÓRNIA



CANÇÕES BRASILEIRAS

ALCIONE - A LOBA

COMPOSIÇÃO: PAULINHO RESENDE/JUNINHOPERALVA
INTERPRETAÇÃO: ALCIONE NAZARÉ

BAÚ DAS RECORDAÇÕES


NAT KING COLE - NATURE BOY (1948)



Tieta do Agreste

EPISÓDIO Nº 123





- Ora, os jornais… Sempre sensacionalistas.

- Dizem que só existem cinco empresas dessas em todo o mundo, que nenhum país autoriza. Poluição, palavra suja, amedrontadora. Tremenda.

- Apenas cinco? Exagero dos jornais – rebate vitorioso – posso-lhe citar pelo menos seis.

- A diferença não é grande. Temo que… Os argumentos têm de ser de peso, sem o que não conseguiremos mover o nosso amigo e, se ele não se mover, não sei como obter autorização para o registro.

O Magnífico Doutor não é pastor de cabras mas também ele conhece o seu rebanho, para tanto é pago e bem pago. Para mercadejar, sabendo, quando indispensável, aumentar a parada e sabendo também até onde ir:

- Compreendo. Todavia não falta peso aos argumentos que já oferecemos à sua compreensão e à do nosso ilustre amigo.

- Insuficientes. Argumentos ridículos, disse-me ele. Ridículos, foi a palavra que ele usou. Mesmo porque, como é do seu conhecimento, não lhe cabe a decisão final, ele próprio deve argumentar, e para isso precisa de argumentos que convençam – serve-se de nova dose de uísque – Apenas cinco, cinco ou seis, no mundo inteiro… Está nos jornais. Apodrece a agua, mata os peixes, envenena o ar. Leu o artigo de O Estado de São Paulo? Na Itália, dá cana.

- Lança ao ar a fumaça azul do charuto cubano, subversivo porém inigualável.

O Magnífico Doutor baixa a voz apesar de estarem a sós na sala reservada do Refúgio dos Lordes onde não há perigo de ouvidos indiscretos, tampouco de microfones secretos como acontece nos romances de aventuras sobre petróleo árabe e contrabando de armas com espiões multinacionais e espiãs fabulosamente sexys.

- Os meus amigos estão dispostos a reforçar os argumentos – A voz amaneirada torna-se quase ininteligível: - Quanto?

O Jovem Parlamentar pensa, faz imaginárias contas nos dedos; calca no preço, pede alto. O Magnífico Doutor balança a cabeça negativamente.

- Metade.

- Metade? É muito pouco.

- Nem um centavo a mais. – A voz ainda mais afectada: - Tenho quem faça por menos.

- Vá lá… de acordo. Afinal os jornais mentem tanto e o estadão com essa mania que o Julinho Mesquita tem de democracia se coloca contra tudo que nos interessa. Vai acabar se dando mal…

Da pasta o Magnífico Doutor extrai um talão de cheque.

- Ao portador – recomenda o Jovem Parlamentar, revelando inexperiência. O Magnífico Doutor esconde um sorriso de debique.

O Jovem Parlamentar recebe, levanta-se, vai ao armário, guarda o cheque no bolso do paletó. Servem-se de mais uma dose, erguem os copos, num brinde mudo. Marcam novo encontro, em data próxima, ali mesmo, impossível local mais discreto e apropriado para assuntos de relevante importância para o desenvolvimento nacional. O Jovem Parlamentar bate palmas, a porta se abre, as meninas retornam. Afinal a vida não se resume a cuidar dos assuntos da pátria.

O Magnífico Doutor não aceita a gentil oferta da troca de parceiras. Apressado, reduz-se a coito rápido, deve pegar o avião, tem encontro marcado no Rio. Demora-se o Jovem Parlamentar, satisfeito da vida. Peixes, águas, caranguejos, ostras, algas marinhas… Tudo isso no Nordeste, vagamente. Existirá mesmo o Nordeste ou se trata de invenção subversiva de literatos e cineastas?

A rapariga a seu lado é loira como uma escandinava. No Nordeste uma sub-raça escura. O Jovem Parlamentar sente-se redimido, em paz com a consciência.

Na saída, a gerente vem despedi-lo: satisfeito, Deputado? O Deputado, cliente novo, ainda não um habitue, agradece e solicita notícias de Madame Antoinette:

- Madame está em Paris, visitando a família. O senhor sabe que Madame é filha de um General de França? La mère est de la Martinique. Très chic! – Começa a treinar o seu francês para um dia suceder à patroa actual na propriedade da casa. Quando Tieta se cansar de vez e resolver mudar para o sertão do Agreste.






"SAWABONA"












NOVO CONCEITO DE AMOR



Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milénio. As relações afectivas também estão a passsar por profundas transformações revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o Romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.

O amor romântico parte da premissa que somos uma fracção e precisamos de encontrar a outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente tem atingido mais a mulher.

Ela abandona as suas características para se amalgamar ao projecto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobreviver e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é Parceria. Estamos trocando o amor de necessidades pelo amor de desejo.

Eu gosto e desejo companhia mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço da tecnologia, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e a aprender melhor a conviver consigo próprias. Elas estão a começar a perceber que se sentem fracção mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção, não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma, é apenas um companheiro de viagem.

O Homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de se reciclar para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na época da individualidade que não tem nada a ver com o egoísmo: o egoísmo não tem energia própria, alimenta-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor tem outra feição e significado: visa aproximar dois inteiros e não a unir duas metades e isto só é possível para os que conseguem trabalhar a sua individualidade.

Quanto mais um indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso, pelo contrário, dá dignidade à pessoa.

As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.

Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Por vezes julgamos que o outro é a nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro de si mesmo, e não a partir do outro.

Desta forma, ele torna-se menos crítico e mais compreensivo às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação há aconchego, o prazer da companhia e o respeito de ser amado.

SAWABONA - É um cumprimento usado na África do Sul que significa:

- “Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim”.

Depois da leitura atenta deste trecho da autoria de FLÁVIO GIKOVATE, médico Psicanalista, estamos em melhores condições para dizer aos outros, especialmente aos de quem se gosta: Sawabona!




terça-feira, maio 05, 2009

VÍDEO
A PROPÓSITO DE BEBEDEIRA...

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS

BRENDA LEE - I' SORRY

MICHAEL RAITNER - ON DOIT SAVOIR PARTIR



CANÇÕES BRASILEIRAS


ALMA GÉMEA - FÁBIO JR. (1995)
MÚSICA: PENINHA
INTERPRETAÇÃO: FLÁVIO AIROSA CORREIA GALVÃO (FÁBIO JR.)


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


DORIS DAY - SOMEWHERE OVER THE RAINBOW (1937)



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº 122







DA PRIMEIRA CONVERSA ONDE SE DECIDE DO DESTINO DAS ÁGUAS, DAS TERRAS, DOS PEIXES E DOS HOMENS – COM A GENTIL ASSISTÊNCIA PROFISSIONAL DAS COMPETENTES MENINAS DE MADAME ANTOINETTE



O jovem Parlamentar fez um gesto, as meninas levantam-se nuas e obedientes, abandonando os primeiros excitantes toques, sorriem e se afastam. Esperarão na sala ao lado, sabem guardar as conveniências, uma loira e a outra ruiva. O jovem Parlamentar, ainda não tão rico e poderoso quanto desejaria, confidenciara ao Magnífico Doutor a possibilidade de trocarem as parceiras após a primeira etapa. Antes de sair, a loira observou a reserva de uísque na garrafa, seria suficiente? Também os dois cavalheiros estão nus, como convém, mas o Magnífico Doutor guarda a negra pasta 007 a seu lado.

Quarentão bem cuidado, o jovem Parlamentar não possui no entanto a classe do magnífico Doutor, que é um galã de novela, se quisesse poderia ganhar a vida exibindo-se no vídeo. Certa tendência a engordar, um começo de gordura que a sauna não consegue controlar, nos olhos a cobiça e a manha, o jovem Parlamentar possui reputação duvidosa, discutida nos bastidores da Câmara Federal. Nos bastidores, jamais em público, quem se atreveria a acusá-lo? Passa por bem visto nos altos escalões e sobretudo nos reservados círculos que realmente dispõem do poder. Seu começa a repontar no noticiário como candidato a elevados cargos; o mandato parlamentar, ultimamente bastante desacreditado, já não basta para conter-lhe o prestígio em ascensão. Obtivera promessa firme de ser incluído na turma a cursar a escola Superior de Guerra.

O Magnífico Doutor, habituado ao trato com os grandes, em nenhum momento pronunciou-lhe o nome por desnecessário e imprudente. Tampouco durante a conversa citaram quantia ou falaram em pagamento. Apenas, em certo instante, abriu-se um sorriso amplo no rosto calculador do jovem Parlamentar: nem sempre aparece nos tempos actuais transacção assim rendosa. Em termos de legítimo patriotismo, o jovem Parlamentar desenvolve cauteloso trabalho de contactos e acertos, com reconhecida habilidade. Propina seria palavra escandalosa e indigna para designar a expressiva gratidão daqueles que lhe utilizam os méritos e as relações. Se respeitável bolada lhe advém, trata-se de merecida pecúnia – finalmente a palavra certa! - Pois um passo em falso, um erro de pessoa, pode custar mandato e carreira: os da linha dura são infensos à corrupção e vivem de olho atento, desconfiadíssimos. Tarefa delicada, exige alta recompensa.

É reconfortante vê-los ali, no fim da tarde, estendidos nus e cómodos em amplos divãs em uma das salas à prova de som reservadas por Madame Antoinette para ruidosas surubas, mandando as meninas embora, adiando o deleite, sacrificando o tempo de lazer ao trato de superiores interesses, conscientes ambos dos seus graves deveres.

- Aqui estamos a coberto da curiosidade e indiscrição – freguês recente e vaidoso, o jovem Parlamentar louva as virtudes do Refúgio.

Essas salas reservadas antes de tudo à confraternização sexual, em moda desde os banhos romanos, servem igualmente para importantes conversas de negócios entre magnatas desejosos de sossego e reserva. Como bem diz o jovem Parlamentar, no Refúgio dos Lordes estão acoberto da curiosidade e da indiscrição.

O Magnífico Doutor abre a pasta, retira um estojo de couro, oferece charutos. Conhece hábitos e preferências dos parceiros, estudou, entre divertido e enojado, a biografia do jovem Parlamentar.

- Cubanos… - esclarece a seguir, pois sendo Cuba matéria proibida em qualquer sector da vida nacional, a oferta ganha importância.

O jovem Parlamentar não se contenta com um, empalma três:

- Antes, só fumava cubanos. Agora andam difíceis, culpa da canalha comunista – aspira o odor do charuto – Sublime! Precisamos libertar Cuba das garras de Fidel de Castro, varrer do continente essa ameaça vil e constante de subversão – Um pouco retórico, fala como se estivesse na tribuna da Câmara.

- Mais dia, menos dia, os americanos acabarão com ele. – O Magnífico Doutor estende o isqueiro de ouro, acende o charuto do interlocutor. – Mas, quando quiser charutos cubanos, não faça cerimónia, tenho sempre um estoque.

O Jovem Parlamentar não pode esconder o laivo de inveja nos olhos gulosos: esses tipos sabem gozar a vida, nada lhes falta, dão-se a todos os luxos. E este é apenas um testa de ferro, imagine-se os outros, os patrões. Decide fazer o trato mais difícil, aproveitar a oportunidade:

- Obrigado. Mas vamos ao que importa, não devemos deixar as garotas esperando por muito tempo. Devo dizer-lhe que as coisas não se apresentam fáceis, há obstáculos sérios, diria mesmo: quase intransponíveis. O nosso amigo declara que não deseja envolver-se no caso.

- Mas há poucos dias as notícias eram outras.

-
Os jornais ainda não haviam falado no assunto. Leu o que andaram escrevendo?

segunda-feira, maio 04, 2009

VÍDEO
TAL ERA A BEBEDEIRA...

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SANDIE SHAW - LOVE ME, PLEASE, LOVE ME


JENNIFER RUSH - THE POWER OF LOVE


CANÇÕES BRASILEIRAS

BETH CARVALHO - 1800 COLINAS (1974)

MÚSICA E LETRA: GRACIA DO SALGUEIRO
INTÉRPRETE: ELIZABETH SANTOS LEAL DE CARVALHO (BETH CARVALHO)

BAÚ DAS RECORDAÇÕES


AL BOWLLY - BLUE MOON (1936)



Tieta do Agreste

EPISÓDIO Nº 121




ONDE O AUTOR PROCURA E NÃO ENCONTRA TERMO JUSTO PARA DESIGNAR O REFÚGIO DOS LORDES


Não, não deverei usar nenhuma das palavras clássicas: prostíbulo, lupanar, bordel, serralho, alcoice, conventilho, pensão de mulheres, casa de putas, nem mesmo randevu, para classificar o Refúgio dos Lordes, na capital do glorioso Estado de São Paulo, abrigo luxuoso, discreto, fechadíssimo. Maison de repôs, talvez, não fosse o termo servir também sanatório destinado a malucos endinheirados e enrustidos. Enrustidos, os seleccionados fregueses do Refúgio, mas dificilmente fracos da cabeça, quase sempre cérebros privilegiados, de elevadíssimo QI, sagazes financistas quando não prudentes e esclarecidos pais-da-pátria. Funcionasse na Bahia, seria castelo, a designação soa bem, recorda nobreza e fausto. Em São Paulo, o Refúgio dos Lordes participa da medicina e da bolsa de valores, não se reduzindo a satisfazer necessidades dos ricos e poderosos – dos mais ricos e dos mais poderosos – pois atende e trata com terapêutica própria melindrosos complexos, atende a graciosas taras, indo da massagem sueca ou nipónica ao divã de irresistíveis psicanalistas com escola completa, faculdades nacionais e por vezes estrangeiras, ditas BBC: boca, boceta e cu. Serve também, quando necessário, como local de encontro o mais conveniente pela discrição, para o trato e conclusão de assuntos reservados, referentes à economia, às finanças e à política. Ali discutem-se superiores interesses, fundam-se bancos, erguem-se indústrias, escolhem-se candidatos a governador.

Ao abandonar a simplicidade de Agreste, onde a casa de Zuleika Cinderela é apenas puteiro e nada mais, para envolver-me com os grandes do sul, com a intelectualidade dos tecnocratas, empresários, homens de Estado, altas patentes, os dirigentes dos destinos pátrios, sinto-me acanhado, faltam-me conhecimento e inspiração à altura do nobre tema. Como designar o pequeno império dirigido em francês com competência, dedicação e toute la delicatesse por Madame Antoinette?

Perdoem-me senão encontro a palavra justa, sinto-me embaraçado, tento cometer imperdoável erro, rude narrador habituado a chão árido e a vidas modestas, de dinheiro parco e duro trabalho. Aliás, para que classificar este aprazível local de relax, onde os grandes do mundo distendem os nervos e recuperam as forças? Nesse bendito recanto, segundo consta, figurões já de todo impotentes se reerguem pururucas e obtêm satisfação nas mãos sábias e belas das meninas, quando não nos lábios de carmim. Ah!, quanto custa ser pobre e inédito. Digo inédito porque sei que as portas do Refúgio dos Lordes excepcionalmente se abrem para aqueles escribas de fama e glória, uns poucos privilegiados. Um dia lá chegarei, quem sabe, se a sorte
ajudar. Poderei então encontrar a
designação exacta. Por ora, não.

domingo, maio 03, 2009

VÍDEO

NUNCA MAIS ALGUÉM FARÁ ISTO

video

GIGLIOLA CINQUETTI - NON HO L' ETA PER AMARTI



RENEE & RENATO - SAVE YOUR LOVE


MÚSICAS BRASILEIRAS

APESAR DE VOCÊ 1972

MÚSICA/LETRA/INTÉRPRETE - CHICO BUARQUE DA HOLANDA


BAÚ DAS RECORDAÇÕES


TED LEWIS - JUST A GIGOLO 1931



Tieta do Agreste


EPISÓDIO Nº120




- E conseguiu?

- Não sei, não posso te dizer. Só poderia tirar a limpo se a coisa acontecesse e eu tivesse de resolver, de enfrentar o problema.

Acontecera com ele, Ascânio, tantos anos depois, quando não tem máximo a seu lado para o debate, a conversa, o conselho. Formados, Aparecida e Máximo já não são os radicais de ontem se bem não houvessem renegado os dias da juventude; ele se acomodara na Justiça do Trabalho, advogado de sindicados e operários, ela pendurara o diploma para dedicar-se ao marido e aos filhos. Sozinho, Ascânio deve enfrentar e resolver o problema.

Na noite sem descanso, em nenhum momento culpou Leonora, a seu ver incauta vítima do canalha. Não a julgando culpada ou indigna, sofria tão-somente por sabê-la deflorada, incompleta. Dilacerado pela dúvida: prosseguir desejando-a como esposa, sonhando noivado e casamento ou desaparecer para sempre da sua frente? Terá forças para fitá-la, sabendo que ela foi possuída por outro, desonrada?

Nesse dilema debateu-se noite afora, o coração opresso, as lágrimas impondo-se sobre o orgulho masculino, vacilando entre a força do preconceito e a força do amor. Uma única solução não lhe ocorreu em momento algum, exactamente a desejada por Tieta: transformar o idílio casto em agradável aventura casual, trocar o sonho do casamento pela possibilidade de dormir com Leonora enquanto ela permanecesse em agreste, aproveitando-se do conhecimento do seu estado, encerrando o caso na porta da marinete, num rápido ou prolongado beijo de despedida.

Quando a madrugada nasceu sobre o rio, o amor vencera a primeira batalha: Ascânio não conseguira arrancar Leonora do coração, nem a ela nem ao propósito de tê-la como esposa, senhora do seu lar. Não obstante, a ferida estava aberta, sangrando, e ele temeu encontrá-la imediatamente. Talvez não conseguisse esconder o sofrimento, sobretudo, não desejava que ela o soubesse a par da verdade. Não era homem de dissimular os seus sentimentos, não sabia usar a máscara, tudo o que ia por dentro dele se reflectia no rosto.

Não estando certo de poder controlar face e coração, guardando ainda lágrimas por chorar, decidiu ir fiscalizar algumas obras da prefeitura em Rocinha, pontilhões e mata-burros. Acordou o moleque Sabino que dormia na sala do cinema, numa cama de vento, deixou com ele um recado para Leonora: chamado urgente obrigava-o a afastar-se da cidade por um ou dois dias; partindo ao romper do sol, não pudera despedir-se. Apenas voltasse iria vê-la.

Iria vê-la ou não, tudo dependeria da reflexão e da decisão dela decorrente. Selou o cavalo – dádiva do coronel Artur de Tapitanga à prefeitura – e tocou-se para os matos, levando na garupa o hímen roto de Leonora. Ia com ele no passo lento do cansado animal, levantando detalhes, dúvidas, indagações.

Uma única vez ou muitas vezes? Muitas não teriam sido pois o embusteiro fora desmascarado e expulso; talvez algumas poucas, mais de uma porém. Que importa quantas vezes? O terrível é ter ela se dado a outro, não se haver conservado íntegra e pura.

Fizera-o, todavia, antes de conhecer Ascânio, nada a assemelhava à traidora Astrud, a escrever-lhe cartas de amor enquanto se rebolava com o outro e dele engravidava. Leonora apenas se entregara em momento de desvario; quando a paixão falou mais alto que a decência.

Teria apenas deixado se possuir, enganada pela lábia do miserável ou, no prosseguimento dos embates, conhecera a violência e a doçura do prazer, desmanchando-se em gozo?

No dorso do cavalo, no meio das plantações de mandioca ou do verde milharal, ouvindo queixas e pedidos dos roceiros, as indagações o prosseguiram e revolveram, o hímen de Leonora atado à garupa do cavalo, mil vezes deflorado na viagem lenta, no combate longo.

Do dilacerado hímen o amor cresceu vitorioso. Ascânio, aos poucos, sem a ajuda dos hipies, de padres progressistas e de proféticos canoeiros acalmou o coração, reteve as lágrimas e enterrou o preconceito. Passou a imaginá-la viúva, uma jovem, formosa e infeliz viúva. Imbatível dona Carmosina, cabe-lhe sempre a derradeira palavra. A uma viúva não se reclama a virgindade, apenas decoro e amor. Decidiu prosseguir no sonho – de tão difícil consecução – de um dia pedir a mão de Leonora em casamento. Sabê-la enganada e violada fez com que a sentisse ainda mais próxima e querida, mais amada.

De regresso a Agreste, foi em seguida visitá-la a casa de Perpétua. Leonora achou-o abatido, sem dúvida cansado da viagem, tantas léguas a cavalo, sob o sol ardente, cuidando dos interesses do município. Passou-lhe a mão na face, brandamente, em inocente agrado. Violada, sim, porém perfeita de candura e pureza, casta mais que qualquer virgem.

Depois, com o recado do magnata do turismo e o suicídio do prefeito, a certeza da eleição próxima para o cargo, as novas perspectivas abertas para o município e para ele próprio, Ascânio sentiu-se com esperanças válidas. O facto de Leonora não ser mais virgem facilitava, inclusive, a boa solução. No mercado do matrimónio, o valor da jovem… Meu Deus, como pensar em termos de mercado quando se trata de amor, tão forte amor a ponto de matar e enterrar o mais antigo e arraigado preconceito?

Vitorioso, sim, mas não em paz, tinha razão o Comandante. Ainda não, pois a película do novo
hímen na chaga aberta no peito de Ascânio renasce pouco a pouco, lentamente.

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