sábado, julho 04, 2009

VÍDEOS
E O POVO PÁ... (MÚSICA DE INTERVENÇÃO POLÌTICA)

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BAÚ DAS RECORDAÇÕES


JACQUES BREL - LA VALSE À MILL TEMPS


CANÇÕES BRASILEIRAS

CLAUDETTE SOARES - O CRAVO BRIGOU COM A ROSA (1958)
Uma das principais vozes do Samba Rock e Bossa Nova


sexta-feira, julho 03, 2009


RUI VELOSO



Cantor e compositor, natural de Lisboa, cresceu no Porto e iniciou-se na música aos seis anos de idade tocando harmónica.
Hoje está a caminho dos 30 anos de carreira depois de ter sido considerado o “Pai do Rock Português” movimento musical surgido na década de 80.

Em 1976 conhece Carlos Tê que se tornaria o autor das letras dos seus maiores sucessos.

Em 1979, assina contrato com a Valentim de Carvalho formando, no ano seguinte a “Banda Sonora” composta por Zé Nabo e Ramon Galarza na bateria.

O seu primeiro Álbum, “Ar de Rock", alcança de imediato grande sucesso e canções como “Sei de Uma Camponesa”, “Rapariguinha do Shopping” e “Chico Fininho” atingem o top das vendas.

Para mim, ele é dos melhores músicos portugueses e muitas das suas canções, nessa ligação “mágica” com o letrista Carlos Tê, são de uma beleza difícil de igualar.

As duas músicas que vamos colocar de seguida são do seu primeiro Álbum e revelam a influência e atracção que desde sempre sentiu pelo ritmo dos blues.

RUI VELOSO - RAPARIGUINHA DO SHOPPING




RUI VELOSO - CHICO FININHO



TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 173





O Velho ri, riso encatarrado, de fumo de corda, cavo e grosso, satisfeito e cúmplice. A areia voa sobre eles, entranha-se nos cabelos anelados de Tieta, na crespa carapinha de Zé Esteves.

- Guardei todos os meses uma parte do dinheiro que tu mandava, tirando o bastante para o aluguel e para a comida, juntando o resto na ideia de um dia comprar uma nesga de terra e um par de cabras. O que juntei dá para pagar bem mais de metade do que Josafá está pedindo pela criação de Jarde. Mas ele quer tudo à vista, não fia nem um vintém – Acrescenta, para animá-la:

- Vendo o dinheiro vivo é capaz de fazer uma redução.

- Quanto falta, Pai?

Tieta pensa na maleta, entupida de notas quando desembarcou, agora quase vazia. Fizera despesas grandes em Agreste, comprara uma casa, construíra outra, adquirira móveis, encomendara na Bahia banheiras, latrinas e espelhos, ajudara meio mundo. Um pedaço de terras, cabras e um bode inteiro para alegrar os últimos anos da vida do velho Zé Esteves, dinheiro jogado fora. Não já lhe deu segurança na velhice, não vai tirá-lo do buraco em que vive para residir em casa confortável, para Agreste luxuosa? Ainda quer mais? Um abuso. Tieta não gosta de abusos nem é de desperdícios.

Reflecte-se a aflição no rosto súplice do Velho, ali parado, à espera de resposta, no alto das dunas de Mangue Seco, nas mãos o bordão do tempo em que possuía rebanho grande e impunha sua vontade às filhas, baixando-lhes nas pernas e nas costas a taça de couro cru e aquele mesmo cajado de pastor. Ao senti-lo agoniado, Tieta recorda Filipe a lhe explicar quanto é mais profunda e pura a alegria de dar do que a de receber, quando, para satisfazer-lhe a fantasia e a vaidade, comprava-lhe caras e absurdas inutilidades. Felipe lhe ensinara o gosto singular de fazer os outros felizes. Se fosse necessário descontaria um cheque com Modesto Pires, o dono do curtume se pusera às ordens para o caso de ela vir a necessitar de dinheiro líquido.

- Pois vá e feche o negócio, Pai.

Zé Esteves ficou mudo e por um átimo a face se lhe contraiu num ríctus doloroso, tanta alegria semelhando dor aguda. Empunhando o bordão, num esforço levanta-se e desce das dunas com a filha ao lado, ela sorrindo contente ao vê-lo sem palavras. Andam juntos até à praia onde o barco de Pirica estava à espera. Antes de embarcar o Velho tenta beijar as mãos da filha mas Tieta não consente. O ruído do motor dando a partida foi abafado por outro muito maior: um helicóptero vindo do mar, sobrevoou o coqueiral, tão baixo a ponto de se poder ver três pessoas na cabine, duas delas de binóculos examinando os arredores.

Ao chegar a Agreste, Zé Esteves não parou sequer em casa, tampouco na casa nova para ver o andamento das obras, nem no bar para contar do helicóptero. Do desembarcadouro saiu directo para a estrada de Rocinha, tomando pela terceira vez no mesmo dia o caminho das terras de Jarde. Apoiava-se no cajado, a subida das dunas deixara-lhe as
pernas trôpegas e a respiração
curta.


MANUEL PINHO




Vi em directo e, num primeiro momento, por distracção minha, pensei presenciar uma cena vulgar de um baile do entrudo mas os papelinhos e as serpentinas não apareceram vindas do lado contrário e, reparando melhor, aquilo era mesmo o hemiciclo da Assembleia da República no dia do Debate do Estado da Nação.

Mas então, que aconteceu?

Como pode um ministro, em plena sessão, quando o chefe do governo debate com a oposição em luta renhida de “bola cá, bola lá”, chamar por gestos bem explícitos, cornudo ao deputado do PCP Bernardino Soares?

De que espécie de consistência emocional é este homem dotado?

Que mecanismos de controle tem sobre ele próprio para incorrer num disparate daqueles?

As gafes verbais de Manuel Pinho já eram conhecidas, os seus argumentos e explicações primárias e inconvenientes, foram salpicando o seu mandato de ministro que decidiu encerrar agora com “chave d’ouro” empalitando o “oponente”, em gíria tauromáquica.

Uma nota de boa disposição, mesmo em momentos solenes como é o debate da Nação, não tem mal nenhum: descomprime, alegra, baixa a tensão, mas nem todo o bom humor deste mundo e do outro, de acordo com os nossos padrões actuais, poderia justificar a atitude de Manuel Pinho.

Pior ainda, é que o senhor, interpelado sobre a ocorrência de que tinha sido o autor afirmou, com toda a ingenuidade dos seus olhinhos marotos que não via razão nenhuma para pedir a demissão.

Claro que, no futuro, quando se fizer referência o Dr. Manuel Pinho, que foi ministro da Economia e da Inovação do governo de maioria de Sócrates, não irão dizer, pelo menos em primeiro lugar, que foi o ministro que inspirou o programa tecnológico, colocou em andamento a construção das barragens em falta no nosso país, deu vida às eólicas para aproveitar as fontes de energia renováveis e diminuir, assim, a extrema dependência do petróleo com impacto terrível na nossa dívida ao exterior.

Muito menos, será lembrado pela sua enorme capacidade de trabalho ou pelo seu empenho e voluntarismo para salvar da falência empresas importantes do país.

Em tempos, falava-se muito em governos sombra. Foi pena que Manuel Pinho não tivesse sido capaz de se manter na sombra ou tivesse recrutado demasiado tarde um assessor para cuidar da sua imagem.

Mas estamos no fim da legislatura, nada está perdido, amanhã é um novo dia e o país vai sobreviver.

Sócrates perdoou-lhe. À noite levou-o a jantar com António Costa.


...Também, logo com o Bernardino do PCP, que tece elogios ao regime esquizofrénico e psicopata da Coreia do Norte, o do "amado líder"...!!!

quinta-feira, julho 02, 2009

VÍDEOS


FADO, ALMA LUSITANA




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BAÚ DAS RECORDAÇõES

SALVATORE ADAMO - MES MAIS SUR TES HANCHES (1965)


CANÇÕES BRASILEIRAS

IVETE SALGADO e JORGE ARAGÃO - LOUCURAS DE UMA PAIXÃO
Música e Letra de Mauro Dinis e Ratinho. Música lançada no LP/CD "Sambista a Bordo" de 1997 de Jorge Aragão




ANTÓNIO
VARIAÇÕES








Em 1981, antes de ter lançado qualquer disco, vai ao Programa de TV “O Passeio dos Alegres” de Júlio Isidro e a sua música e presença inconfundível, granjearam-lhe de imediato fama considerável.

Editou o seu primeiro Single com o tema “Povo que Lavas no Rio” de Amália Rodrigues que era a sua maior referência e “Estou no Além”.

Em 1984 lançou o seu segundo trabalho “Dar e Receber”. Era Fevereiro e em 22 de Abril, Variações daria o seu último concerto. Depois disso apareceu apenas mais uma vez, no programa “A Festa Continua”, de Júlio Isidro.

Quando “Canção do Engate” invade as rádios, já António Variações se encontrava internado no Hospital Pulido Valente devido a um problema brônquico-asmático. Transferido para a clínica da Cruz Vermelha morreu a 13 de Junho, vítima de broncopneumonia, provavelmente causada pela sida. O actor holandês Jelle Balder, com quem manteve um relacionamento amoroso, foi seu companheiro até à morte.

Especula-se que terá sido a primeira figura pública a morrer de sida. Vinte anos depois da sua morte, em Dezembro de 2004, foi lançado um Álbum com canções da sua autoria que nunca tinham sido editadas.

Sete conhecidos músicos portugueses formaram a banda Humanos e gravaram 12 músicas seleccionadas de um conjunto de cassetes “perdidas” no património de Variações administradas
pelo irmão Jaime Ribeiro.

ANTÓNIO VARIAÇÕES - ESTOU ALÉM




ANTÓNIO VARIAÇÕES - HUMANOS - MARIA ALBERTINA



TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 172




Também Tieta esconde um sorriso ao contar do caibro escapando-lhe das mãos. Adorado caibro, além dos lábios e dentes vorazes; a juventude, a areia, as ondas. Ah!, o amor na praia, na fímbria do mar, carícia de espumas. Anjo revel, terei forças para desprender-me dos teus braços e partir?

Sob a canícula do começo da tarde, pai e filha sobem as dunas, em silêncio, ela pensando nas sublimes estrepolias de Ricardo, ele buscando a palavra precisa para colocar a premente questão. Resolve-se:

- Tenho um pedido a te fazer, minha filha.

- Peça, meu pai que, se eu puder, atendo, vosmicê sabe.

- É a coisa que mais desejo no mundo mas tu tem sido tão boa comigo, tem me dado tanta satisfação que fico com medo de abusar. – Ora, pai, deixe disso, que vosmicê nunca foi de cerimónias. Quando vosmicê queria uma coisa só não pedia se pudesse tomar. Vá peça.

Diante deles se abre passo a passo a paisagem violenta, fascinante e infinita. Naquele mar-oceano pai e filha temperam a alma, crestaram a pele ao contacto do vento de areia, cortante fio de punhal. O cajado, inútil no chão movediço, atrapalha mais que ajuda na subida. O Velho sente o esforço, já não possui a agilidade e a resistência de antes quando, atrás de raparigas, escalava os cômoros a correr e saltava sobre as pedras dos cabeços para segurar e montar cabras em cio, não lhe bastando a mulher jovem e bonita trazida dos roçados. Ainda assim avança sem se queixar do escaldante sol de verão, o pensamento no pedido e na resposta.

Lá em cima, depois de contemplar por instante o panorama insólito, sentam-se sobre uma palma de coqueiro. Tieta se ajeita para encobrir outra mancha ainda maior. Felizmente a ventania varreu a marca dos corpos sobre a areia e na praia o mar lavou a lembrança nocturna dos embates. Imagine vosmicê, Pai, sua filha e seu neto na descaração. Assim como eu vi vosmicê se pondo nas cabras.

Tu bem sabes minha filha que passei a vida criando cabras. Depois que tu partiu as coisas desandaram, acho que foi castigo de deus – coça a cabeça, a areia incrusta-se nos cabelos brancos e crespos, duros capuchos de algodão – por minha ruindade te botando para fora de casa. Só pode ter sido.

- Não fale nisso, Pai. Ninguém se lembra mais, esqueça também.

- Castigo, sim. Acabei perdendo tudo e se tu não tivesse vindo em meu auxílio, ia acabar mendigando porque se dependesse de Perpétua eu morria de fome e Elisa não tem onde cair morta. Tu me deu de um tudo mas, antes que Deus me chame, queria ainda ter uma alegria, além dessa de te ver que eu não merecia.

Pai pare com essas galantezas, não são de seu feitio nem precisa me gabar tanto. Diga logo qual é essa alegria que vosmicê tanto deseja. Se eu puder lhe satisfaço.

- Poder você pode não sei se vai querer. Como lhe disse dou a vida por meio metro de terra e um casal de cabras. Um casal, três ou quatro, meia dúzia e já é demais, dá para ocupar meus dias.

- Se bem entendo, vosmicê quer ter outra vez, uns alqueires de terra e umas cabeças de cabras, é isso?

- E mais um bode, um bodastro bem inteiro, parecido com Inácio, tu te recorda dele? Nunca mais houve um bode igual em Agreste.

- Se me recordo? Botei o nome dele na minha biboca: Curral do Bode Inácio. Ele não atendia a ninguém, nem a vosmicê, mas vinha comer na minha mão. Então, o Pai quer terá e rebanho, de novo. A gente pode pensar nisso. Ou vosmicê já tem alguma coisa em vista e veio de trato feito?

- Ninguém lhe pode esconder nada, minha filha, você nasceu inteligente, saiu a mim. Elisa é tola, saiu a Tonha. Perpétua é enrolona e tratante…

VÍDEOS
OS NOSSOS INSEPARÁVEIS AMIGOS

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BAÚ DAS RECORDAÇÕES

FRANÇOISE HARDY - TOUS LES GARÇONS ET LES FILLES


MUSICAS BRASILEIRAS


FAFÁ DE BELÉM - BILHETE
Música lançada no LP "Novo Tempo" de Ivans Lins em 1980



quarta-feira, julho 01, 2009


ANTÓNIO VARIAÇÕES




Filho de pessoas simples, do campo, nasceu em 1944, numa pequena aldeia da freguesia de Fiscal, Concelho de Amares, distrito de Braga, no seio de uma família numerosa, com mais sete irmãos.

O pai, Jaime Ribeiro, toca cavaquinho e acordeão e animava festas e romarias tendo sido fonte de inspiração para o filho.

O seu primeiro emprego foi aos onze anos, em Caldelas e um ano depois parte para Lisboa onde teve vários empregos: barbeiro, balconista e caixeiro.

Seguiu-se o serviço militar em Angola e a aventura pelo estrangeiro: Londres, em 1975 e meses depois Amesterdão onde descobriu um novo mundo. Foi nesta cidade que aprendeu a profissão de cabeleireiro.

Com a ajuda do seu amigo Fernando Ataíde, Variações foi admitido na Ayer, primeiro cabeleireiro unisexo em Portugal.

Ataíde era igualmente seu amante e Variações assumiu essa forma de orientação sexual.

Entretanto, deu início aos espectáculos com o grupo Variações atraindo rapidamente as atenções pelo seu visual excêntrico e o seu estilo musical que combinava vários géneros: rock, pop, blues e fado.

Em 1978 assinou contrato com a Valentim de Carvalho.

ANTÓNIO VARIAÇÕES - É PR'AMANHÃ







ANTÓNIO VARIAÇÕES - HUMANOS - MUDA DE VIDA



TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 171




Ao saber da decisão da venda, anunciada por Josafá no Bar dos Açores e transmitida ao sogro por Astério, Zé Esteves se pôs imediatamente a caminho percorrendo os três quilómetros e meio a separar as terras de Jarde das ruas da cidade. O preço não lhe pareceu alto, apenas o pagamento tinha de ser à vista. De volta a Agreste Zé Esteves contou e recontou o dinheiro escondido, pé-de-meia escondido em cerca de doze anos, a partir do primeiro cheque enviado pela filha rica de São Paulo. Tem para pagar mais de metade mas ainda falta um bocado de dinheiro.

No mesmo passo retornou à presença de Jarde e Josafá. Propôs entrar com a maior parte e completar o restante mês a mês. Josafá recusou: quer o dinheiro todo de uma vez, não se dispondo a financiar nem um tostão. Por que não pede à sua filha? Para ela não é nada, uma ridicularia – perguntou enquanto o velho Jarde, calado, se retirava, deixando a conversa por conta dos dois.

Foi ver as cabras sob o sol, por seu gosto morreria ali, nos outeiros calvos perto dos bichos indóceis.

Pedir à filha, fácil de dizer, difícil de fazer. Zé Esteves coça a cabeça. Tieta no pouco tempo que leva em Agreste, comprara a mansão de dona Zulmira, uma das melhores residências da cidade, onde ele e Tonha vão viver como lordes, mandara nela fazer obras – na opinião de Zé Esteves dispensáveis, onde já se viu em Agreste moradia com dois banheiros, cada qual o maior? – adquiriu terreno em Mangue Seco onde construía casa de veraneio, gastos enormes, um dinheirão e tudo pago no contado. Tieta não mede despesas para ter conforto; toca o bonde para a frente, exigindo o melhor: móveis, utensílios, banheiras mandadas vir da Bahia. Banheiras, imagine-se! Para que diabo? Essa gente do sul não sabe mais o que inventar.

Quando Tieta quer uma coisa, não discute, vai pagando. Mas Zé Esteves nunca soube que ela quisesse encostas de morro plantadas de mandioca, outeiros de figo da índia e pedras onde saltam cabras. Josafá deu-lhe prioridade até ao dia seguinte. Não vendo outra solução, Zé Esteves almoça às carreiras, aluga o bote de Pirica, desce o rio para Mangue Seco.

- Por aqui meu Pai? Que foi que deu em vosmicê? – Tieta leva-o a ver a casinha quase pronta onde Ricardo, de brocha em punho, ajudando na caiação lhe pede a bênção. O velho repara no neto: o corneta desasnou, nem parece o rato da sacristia do começo das férias.

Tieta prossegue enquanto visitam a obra:

- Alguma novidade nos trabalhos da casa? Aperte seu Liberato, tome o exemplo de Cardo que botou o pessoal daqui para trabalhar a toque de caixa.

Quero dormir em nossa casa em Agreste, antes de ir embora.

E tu está querendo ir?

- Assim liguem a luz nova. Só espero a festa. Vim por um mês, vou passar quase dois, já pensou?

- Para a festa tu tem de ficar pois foi tu minha filha, quem botou essa luz em Agreste. A quem se deve agradecer o benefício? Tieta sente por trás do elogio, a agitação e o acanhamento do pai:

- A que veio, Pai? Me diga.

Quero tratar um assunto com você.

- Pois fale que eu lhe ouço.

- Aqui não – diz em voz baixa, apontando com os olhos Ricardo, os trabalhadores, a Toca da Sogra onde o Comandante Dário, que o acolheu à chegada, está estirado na rede, lendo.

- Então venha comigo, vamos ver se vosmicê ainda tem pernas para subir um cômoro.

O minúsculo maiô deixa à vista mancha escura e recente na parte interna na coxa de Tieta que explica: pancada de um caibro, ali, na obra. Ela e Ricardo, para dar o exemplo, trabalham de operários. Ouvindo a explicação, Ricardo sorri à socapa. Sorte o maiô cobrir a bunda, o ventre, o entre pernas. Recorda a voz da tia entre gemidos.

- Doido, tu não vai acabar me obrigando andar de calças compridas aqui na praia.

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Sensacional

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terça-feira, junho 30, 2009

VÍDEO

Mais Sensacional

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BAÚ DAS RECORDAÇÕES

NEIL SDAKA - OH! CAROL (1959)


CANÇÔES BRASILEIRAS
MAURÍCIO MANIERE - BEM QUERER
Esta canção foi lançada no CD "A Noite Inteira" e foi grande sucesso em 1999 tornando o seu autor e intérprete muito conhecido em todo o Brasil




ANTÓNIO VARIAÇÕES




Em Junho último passaram vinte e cinco anos da sua morte prematura, vítima de doença grave aos trinta e nove anos, mas a sua presença no musical deste país, e não só, foi tão marcante, tão forte e corajosa, que mais parecem ter sido apenas vinte e cinco meses.

A sua curta discografia continuou a influenciar a música portuguesa nas décadas posteriores. Numa entrevista sua, António Variações (António Joaquim Rodrigues Ribeiro) explicava o nome escolhiodo:

- "Variações é uma palavra que sugere elasticidade, liberdade. É exactamente isso que faço no campo da música. Aquilo que canto é heterogéneo. Não quero enveredar por um estilo, não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos."

Continuaremoa amanhã a descrever sucintamente a sua biografia e iremos apresentando as
canções mais marcantes do seu reportório.




ANTÓNIO VARIAÇÕES - CANÇÃO DO ENGATE










ANTÓNIO VARIAÇÕES - O CORPO É QUE PAGA













TIETA DO AGRESTE

EPISÓDIO Nº 170

DA MORTE E DO BORDÃO


O velho Zé Esteves morreu de alegria, conclui Tieta ao tomar conhecimento dos detalhes finais. Caíra morto envolto em riso quando, tendo fechado negócio para a compra da terra e do rebanho, voltou ao curral com Jarde Antunes e seu filho Josafá. Não fizera por merecer morte assim tão leve, segundo o comentário do genro, em cuja casa se realiza o velório. Astério murmura a medo aos ouvidos do amigo Osnar:

- Ruim como a peste. Botou fora tudo que tinha mas nem com a pobreza baixou a crista, vivia dando esporro em todo o mundo. De repente, esse farturão, Tieta lhe satisfazendo todas as vontades e ainda por cima as cabras, deu nisso.

Conversam no passeio, a sala repleta. Pela janela, enxergam Tonha, numa cadeira ao lado do caixão. Ali sentada, obediente, silenciosa, às ordens do marido como durante toda a vida. Astério Simas conclui, olhando a sogra:

- Um carrasco. Perto dele ninguém levantava a voz. Nem Perpétua, - Rectifica: - Só Antonieta. Dizem que desde menina.

Do outro lado do esquife, Perpétua leva o lenço aos olhos secos, arfa o peito em inexistentes soluços, enquanto na cozinha, assistida por dona Carmosina, Elisa prepara café e sanduíches para ajudar a travessia da noite.

Acontecera no caminho de Rocinha, em terras de Jardes Antunes, nas encostas de um morro, cabeços de capim ralo, figos da índia, penhascos, paisagem agreste e áspera, própria para os pés e olhos de Zé Esteves, nativo daquele chão. O rebanho bem tratado, dando gosto ver. Zeloso, Jarde, cuida pessoalmente dos bichos e da mandioca desde o raiar do sol. Seu pedaço de terra limita com a propriedade de Osnar, onde a mandioca, o milho, o feijão, as cabras, as ovelhas e os trabalhadores são administrados pelo compadre Lauro Branco, que com certeza o rouba nas contas mas lhe dá descanso e despreocupação, uma coisa pagando a outra e, ao ver de Osnar, por preço ainda assim barato.

Josafá, caboclo forte, de olhar arteiro, ouve o pai falando das cabras e do bode, sabe quanto lhe custa a decisão finalmente tomada, e se pergunta a razão e se pergunta a razão como Jarde e Zé Esteves são de tal maneira apegados a uma terra safara e ingrata, de áridos outeiros carecas, a uns bichos ariscos. Ainda adolescente, a exemplo dos demais rapazes do Agreste, Josafá abandonara os pais e a casa de barro batido, rumando para o sul. Começara varrendo o armazém de seu Adriano, em Itabuna; em dez anos chegara a sócio e realizou o sonho da sua vida: adquiriu uma roça de cacau, pequena ainda, produzindo por volta de quinhentas arroubas, mas um bom começo. Isso sim, valia a pena, lavoura de rico. Cultivar cacau era o mesmo que plantar ouro em pé para colher em barras, duas vezes por ano. Mandioca e cabras, labuta de pobretões.

Todos os anos, por ocasião das festas de Natal e Ano-Novo, Josafá, bom filho, visitava os pais. Há dois anos a mãe morrera e desde então tenta convencer Jarde a vender posse e rebanho e ir com ele para Itabuna; se não pode viver longe do campo, venha ajudá-lo na roça de cacau, nas terras fartas de Itabuna. O pai resistia, não desejando mudar de chão mesmo por outro mais fértil, cacau em lugar de mandioca, bois e vacas em lugar de cabras. Mas desta vez, ao chegar, Josafá ouve notícias das transformações e novidades de Agreste. Armou-se então de tais argumentos que Jarde não teve como contestá-lo, inclusive porque lhe fez ver ser ele, Josafá, proprietário de metade daqueles bens, herança da mãe. Fê-lo a contra gosto mas não podia perder aquela oportunidade de ganhar um dinheiro realmente grande para aplicar em novas roças de cacau. Curvou-se o velho na casa do sem jeito.

VÍDEOS

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CANÇÕES QUE SEMPRE RECORDAREMOS


CHRIS BURG - THE LADY IN RED



CANÇÕES BRASILEIRAS


BRIGAS - ALTEMAR DUTRA (1966)
Composição de Evaldo Gouveia e Jair Amorim

A Gravação de "BRIGAS" foi incluida entre as 100 melhores canções do século da MPB.



segunda-feira, junho 29, 2009


GAIVOTAS



Mais de 50 anos separam estas duas "Gaivotas", uma cantada no estilo do fado clássico por aquela que viria a ser a melhor voz portuguesa reconhecida internacionalmente, a outra, na voz doce e melodiosa de Sónia Tavares num estilo pop, dos tempos que vivemos.

Passado e presente,não os comparemos, seria injusto. As pessoas da minha idade valorizarão, naturalmente, o fado clássico e ainda por cima na voz de Amália, os jovens de hoje não têm dúvidas: a Gaivota da Amália é uma "coisa careta" mas, na verdade, de comum só têm a letra e eu, que já fiz 70 anos e nasci a ouvir a Amália, confesso que gostei muito de ouvir a Gaivota da Sónia Tavares.


SÓNIA TAVARES - GAIVOTA









AMÀLIA RODRIGUES - GAIVOTA







Tieta do Agreste
EPISÓDIO Nº 169





Ora, o carácter nacional e patriótico da Brastânio tem sido repetidas vezes afiançado e eu não pretendo discutir tal afirmação. Nem rectificá-la, nem ratificá-la. Mantendo-me à margem, apenas esclareço, cumprindo obrigação de autor imparcial, ser o Bayer da entrevista um Karl qualquer, técnico de renome e nada mais: não possui acções na companhia. Se outros Bayer, donos de meio mundo, têm dinheiro e mandam na empresa, não sei nem desejo saber. Meta a mão em cumbuca quem quiser, não eu, macaco velho.

Evitando assim qualquer confusão no espírito do leitor, antes de retornar ao folhetim propriamente dito, gostaria de acrescentar uma palavra sobre a actuação desses capacíssimos técnicos, pagos a peso de ouro. Palavra de pouca valia por se de leigo em matéria científica – mais leigo ainda que o cronista Giovanni Guimarães, cujas boas intenções estão dando nesse bode todo – não obstante capaz, quem sabe, de revelar curiosa circunstância na aplicação dos incomensuráveis conhecimentos desses senhores cuja opinião, como se disse atrás e em seguida se provará, dita leis e orienta governantes.

O Herr Professor Karl Bayer foi categórico. Nenhum perigo de poluição. Com isto liquidou os últimos escrúpulos de certos homens de governo aparentemente receosos da propalada capacidade poluidora da Brastânio. A segurança expressa pelo competente técnico não significa no entanto inflexibilidade; tudo no mundo depende de hora e lugar e de quantia em jogo. Amanhã Herr Bayer pode mudar de opinião, afirmar exactamente o contrário e nisso reside a grandeza (e a fortuna) dos técnicos fora de série.

Sou levado a essa conclusão lendo nos jornais notícia da chegada ao Brasil de outro técnico ilustre e infalível.

Vem por conta de multinacional com matriz nos Estados Unidos negociar contracto de risco para prospecção de novos campos petrolíferos garantindo, no maior entusiasmo, possuir nosso subsolo incomensuráveis reservas do cobiçado ouro negro. Trata-se do mesmo competente especialista outrora contratado por governantes nacionais para tirar a limpo de uma vez por todas a existência ou não de petróleo no Brasil.

Foi ele ainda mais categórico, explícito e peremptório em sua resposta negativa do que, na polémica sobre a Brastânio, o conclusivo Bayer. Após meses de estudo, pesquisas, prospecções, banquetes, garantiu, sobre palavra de honra, a total, absoluta ausência de petróleo no subsolo brasileiro: nem uma gota para remédio, na terra e no mar. Não passando toda e qualquer afirmação em contrário de agitação subversiva, a serviço de Moscovo merecedora de severa repressão. Embolsou régio pagamento e, se não me engano, recebeu de lambugem magna condecoração pelos serviços prestados ao Brasil. Sua opinião fez lei e vários indivíduos foram trancafiados no xadrez, entre os quais um certo Monteiro Lobato, escritor de profissão, teimoso brasileiro irresponsável a ver petróleo onde petróleo não havia; inexistência provada e comprovada pelo relatório de Mister… como é mesmo o nome do porreta?

O nome o leitor pode vê-lo nos jornais, onde brilha de novo, agora afirmando exactamente o contrário sobre a existência de petróleo no subsolo brasileiro, na terra e no mar, pago desta vez por seus patrícios. No caso, nascimento e dinheiro coincidem para lhe dar a nacionalidade norte-americana, uma das melhores entre as actuais.

Quem sabe, com o passar do tempo, o nosso Herr Professor Bayer mudará também de opinião. Quanto aos outros Bayer, os magnatas, a esses pouco importa se a indústria de dióxido de titânio polui ou não. Se polui o faz bem longe deles, em ignotas terras da Bahia. A fumaça mortal, amarela ou negra, não os alcança, cabe-lhes apenas recolher os lucros do capital aplicado e das gorjetas pagas a sabichões e a excelências.

domingo, junho 28, 2009


MICHAEL JACKSON






Faleceu aos 50 anos, vítima de si próprio, das suas excentricidades mas também do seu grau de profissionalismo, perfeccionismo e de exigência de si próprio.

Não viveu a infância e a juventude porque o artista que era, iniciando a actividade aos 5 anos, não lho permitiu. Idolatrado em vida pelos fãs que tudo lhe perdoaram é agora a altura de ser chorado por eles.

Em boa verdade não morre, creio mesmo que renascerá no coração dos milhões de admiradores que conquistou em todo o mundo pelo que foi como músico, cantor e bailarino.

Thriller, foi o vídeo mais vendido de sempre, vamos recordá-lo:

MICHAEL JACKSON - THRILLER




FRIDA, PARA FINALIZAR OS ABBA




Frida, casou-se muito cedo, aos 16 anos e teve dois filhos mas divorciou-se aos 23. Em 1967 lança o seu primeiro single mas com pouco sucesso. Em 1969 conheceu Benny Anderson, apaixonaram-se e vão viver juntos.

Em 1973 entra para os ABBA com o marido Benny e o casal Bjorn e Agnetha e o Grupo conquista o mundo até 1981 quando, depois de do divórcio de Agnetha e Byjorn, também Frida e Benny se separam.

Depois da dissolução dos ABBA também ela, a exemplo de Agnetha, gravou alguns discos mas também, naturalmente, sem o sucesso anterior do Grupo.

Em 1992 Frida casou-se com o príncipe suíço Ruzzo Russ que morreu de cancro em 1999 quando, no ano anterior, a sua filha Lise- Lotte, também tinha morrido num desastre de automóvel nos EUA.

Mora actualmente na Suiça e recentemente ao completar 60 anos editou um DVD com uma longa conversa sobre toda a sua vida profissional e vídeos das suas actuações.

Depois de em 2008 ter aparecido e até dançado com Agnetha e Meril Streep na premiére do musical Mamma Mia, Frida reaparece, para delírio dos seus fãs, junto de Agnetha no RockBjornen.
Falámos mais em particular das vidas de Agnetha e Frida mas é desnecessário acrescentar que os "cérebros musicais" dos ABBA foram Benny e Byjorn.

A partir de Junho de 2009 os ABBA terão um museu com 3 andares em Estocolmo. Todos os membros do grupo apoiaram o projecto e vão ceder roupas, instrumentos e música.


ABBA - NINA, PRTTY BALLERINA





ABBA - SUPER TROUPER




TIETA DO AGRESTE
EPISÓDIO Nº 168









REFLEXÃO DO AUTOR A PROPÓSITO DE NOMES E TÉCNICOS



Cansado do esforço feito para manter incólume minha propagada e prudente posição de narrador objectivo, evitando envolver-me na polémica ao resumir e transcrever opiniões, expostas em crónicas, editoriais, tópicos e entrevistas, permito-me curta reflexão sobre nomes de família e maneiras de agir de técnicos fora de série, famosíssimos, cujas conclusões ditam lei. Faço-o no desejo de evitar ao leitor engano e confusão.

Em tempos bicudos, quando o livro se transforma em artigo de luxo em lugar de ser, como deveria ser, objecto de primeira necessidade igual ao pão e à agua (aliás, também absurdamente caros, não existe mais nada barato a não ser aporrinhações e tristezas), não posso permitir que o leitor, tendo aplicado seu rico dinheirinho na compra de exemplar deste empolgante e volumoso folhetim – duas qualidades intrínsecas aos bons folhetins – seja levado a conclusões erróneas. O que poderia suceder se não for esclarecido de imediato detalhe referente ao cientista Karl Bayer, cuja entrevista a uma folha de Salvador teve o essencial de seu profundo conteúdo incluído em capítulo anterior.

Sintetizado, pois sendo a entrevista longa e prenhe de ciência física, química, ecológica e quejandas, sua transcrição na íntegra não me pareceu recomendável. Para dizer a verdade, a ciência do doutor Bayer, de tão volumosa e maciça, torna-se maçuda e enfadonha. Deixemos, porém, esse detalhe de lado e falemos do nome de família do doutor, assunto primeiro desta reflexão. Bayer - sobrenome famoso ostentado por Her Professor Karl.

Famoso, conhecidíssimo, por isso mesmo dando facilmente lugar a confusões de perigosas consequências. Apresso-me assim a dizer que, até onde posso assegurar, não é o professor membro da família de nacionalidade alemã, proprietária de grandes indústrias e empórios químicos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Nacionalidade significando, no caso, capital social e de giro; em tempo de multinacionais, ainda mais que o local de nascimento e o sangue, o dinheiro determina a nacionalidade.

Ao topar com Her Professor Karl Bayer ditando regras no capítulo anterior, gritei aleluia, sonhei imortalidade académica e prémios literários (em pecúnia, se possível), pensando estivesse nosso folhetim cumulado de honra devido à presença entre a pobre humanidade de Agreste de um dos grandes do mundo, um Bayer. Nas páginas iniciais deste fiel relato das aventuras de Tieta, expressei a esperança de que, no decorrer da narrativa, nela surgisse, para glória de quem a redige (mal e porcamente), a figura de um magnata, de um dos verdadeiros donos da Brastânio. Um grande patrão, não um barrabotas qualquer, Magnífico Doutor, Managerial Sciences Doctor, Moço ou Velho Parlamentar, Sua Excelência, todos assalariados, ocupando altos postos, todos muito bem pagos em divisas, mas nenhum deles um verdadeiro patrão. Ao ler o nome Bayer encimando a entrevista, pulsou-me disparado o coração, imaginando estar diante de um dos legendários reis da indústria mundial. Fatal engano: trata-se apenas de mais um testa de ferro, técnico reputado e alemão porém Bayer bastardo, não passando de simples coincidência.

Busco esclarecer o detalhe pois, segundo li alhures, estão os Bayer legítimos associados à indústria de dióxido de titânio em mais de um país. A transcrição da entrevista do Bayer espúrio poderia sugerir, por consequência, solerte e malévola intenção de caracterizar a existência na Brastânio de capitais germânicos, majoritários e colonizadores.

CÉSAR MANRRIQUE

Um aspecto do resutado da sua interveção nas belezas naturais da sua ilha.

CÉSAR MANRRIQUE



Numa terra distante, no meio do Atlântico nasceu em 1919 um menino que desde cedo admirou Picasso e amou a sua terra. Um menino que tinha duas irmãs, uma delas sua gêmea. Ele cresceu e foi estudar numa ilha perto da sua. Cursou dois anos de Arquitetura e decidiu que não era bem aquilo que ele queria e voltou à sua ilha. Mas ganhou uma bolsa de estudos e fez-se professor de pintura e desenho na Academia de Belas Artes de São Fernando em Madrid. Mas ele era um artista inspirado e com alguns amigos montou um grupo de vanguarda de arte abstrata e a primeira galeria de arte não figurativa de toda Espanha, a Fernando Fé.

Mas o mundo ficou pequeno e ele foi para América convidado por um Rockfeller que havia comprado alguns dos seus quadros. Expôs na terra do Tio Sam, mas chamado pela força dos vulcões da sua terra, voltou em 1966 definitivamente para Lanzarote. Aí seguiu pintando, mas também esculpindo e criando arte gráfica, sem contar que começou a intervir em grandes espaços urbanos. De um depósito de lixo criou um jardim botânico, e das lavas brotaram casas e
mirantes.
Este homem chamava-se César Manrrique e morreu no lugar que mais amava, de forma trágica, em 1992, atropelado praticamente ao pé da sua casa, mas o seu espírito guerreiro mantem-se na alma de cada lanzarotenho que luta por manter a sua ilha, a sua casa e a sua vida.

ARQUIPÉLAGO DAS CANÁRIAS
ILHA DE LANZAROTE
"MUNIDOPIS POLYMORFA"

Nestas águas paradas, filtradas pela luz do sol que entra pela abertura do teto do túnel, vivem uns caranguejos brancos, cegos e muito pequeninos que só existem aqui mas que não são os únicos animais endémicos da ilha.








Há 500.000 anos a lava do vulcão passou por aqui e foi para o mar aumentando as dimensões da ilha em crca de 20 km2. Atrás de si deixou um túnel com cerca de 7 metros de diâmetro que em alguns sítios abriu buracos no tecto.







Estes espaços de beleza única e "sui generis" foram tratados com todo o cuidado e sensibilidade artística de César Manrrique que sem interferir permitiu que os visitantes as possam admirar.

LANZAROTE

O crepúsculo juntamente com uma escarpada e abrupta encosta na ilha de Lanzarote. Ao fundo uma ponte de pedra com uma ponta afiada onde as ondas rebentam.



LANZAROTE
No dia primeiro de Setembro do longínquo ano de 1730, iniciou-se uma série de erupções vulcãnicas que duraram até 1736. Elas formaram uma centena de novos vulcões e enterreram um quarto da superfície da ilha.

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