sexta-feira, junho 12, 2015

IMAGEM

De frente para um pacífico tubarão-baleia...


A Viúva, o preto

e a campainha...


 










Uma viúva rica e solitária decidiu que precisava de um outro homem na

sua  vida. Então, publicou um anúncio no qual podia ler-se:

"Viúva rica procura homem para compartilhar vida e fortuna.

Os requisitos necessários são os seguintes:

1 - Não me bater ...

2 - Não fugir de mim ...

3 - Ser excelente na cama ."

Durante meses a fio o telefone tocou incessantemente, a campainha não 
parava um segundo e recebeu toneladas de cartas. Contudo, nenhum dos 
pretendentes se enquadrava nos condicionalismos exigidos.

Porém, um dia, a campainha tocou novamente. Ela abriu a porta e encontrou um preto, sem braços nem pernas, deitado no tapete da porta.


Perplexa, ela perguntou-lhe:
 - Quem é você? O que quer?
 - Olá! - disse ele - A sua procura terminou. Sou eu o homem dos seus sonhos.
- Ah sim?
E porque acha que é?
 - Ora - ripostou ele -, não posso bater-lhe, porque não tenho braços, e não posso fugir de si, 
porque não tenho pernas.
- Está certo! - retorquiu ela - E o que o faz pensar que é assim tão bom na cama?
 Ele respondeu:

Eu toquei à campainha, não toquei??


As flores do temporão foram-se na enxurrada.
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 266



















A coisa não está pra brincadeira. Com igual pressa em voltar às roças ameaçadas, o capitão Natário da Fonseca chegou de prolongada ausência nas fazendas da Boa Vista e da Atalaia, portador de notícias tristes, recebidas de Itabuna.

O rio Cachoeira transbordara, inundando fazendas, destruindo roças, transformando-as em imenso lamaçal, expulsando os trabalhadores para o arraial de Ferradas.

Enormes prejuízos: as flores do temporão foram-se na enxurrada.

O coronel Boaventura Andrade, não menos preocupado, aproveitara-se para reenviar dona Ernestina às comodidades do palacete em Ilhéus, não antes no entanto que a santa senhora iluminasse a capela com dezenas de velas acendidas aos pés de São José, com a assistência da moça Sacramento, amor de menina, dedicada aos patrões, séria e diligente.

Dócil e cálida, acrescentava o Coronel a seus botões, aninhando-se nos braços acolhedores para suportar essas novas aflições que se acrescentavam a antigos e pesados amargores.

Se São José não se comovesse com as velas e as promessas, se o dilúvio persistisse nas cabeceiras do rio das Cobras, também ali, como sucedera no vale do rio Cachoeira, o temporão estaria perdido e a safra correria perigo.

Não foram apenas o coronel Robustiano e o capitão Natário, donos de terras e de roças, a tocar rebate. Mateiros e alugados, passantes no rumo da estação e das cidades, bandos de putas em retirada, repetiam a mesma desolada lengalenga: as águas subiam e ameaçavam o cacau.

Batido pela chuva, também Pedro Cigano veio se refugiar em Tocaia Grande:

- Caminhos não tem mais, é pura lama, as tropas já não passam. Vou ficando por aqui até Deus mandar uma estiada.

No balcão de seu próspero negócio, Fadul Abdala ouvia os relatos assustados, os maus presságios. Todos eles, os fazendeiros, os alugados, as raparigas e o tocador de harmônica preocupavam-se com a floração das roças, os incipientes bilros nascendo nos cacaueiros, com o temporão e a safra.

Escutando, constatava que ninguém se referia ao destino dos viventes. Calculavam o montante dos prejuízos causados pela enchente do rio Cachoeira, mas com a sorte dos retirantes sem pouso e sem comida, apinhados em Ferradas, ninguém se preocupava nem deles se compadecia.

Tendo perguntado o que estava sucedendo com aqueles infelizes, soube, mais ou menos vagamente, do surto de bexiga negra. Casos esparsos de bexiga não davam motivo para sustos, mas quando prosperava em epidemia, a morte fazia a feira, faturando alto.

Mais de dois decênios haviam transcorrido desde que Fadul
Abdala pisara o chão do cacau e se fizera grapiúna, primeiro de entranhas, depois de certidão.

Guardava no fundo do baú o envelopado em papel pardo, o documento do cartório de Itabuna, no qual se liam data e local do nascimento de criança de sexo masculino, cor branca e etecétera e tal, que na pia batismal recebera o nome de Fadul.

Vira a luz do dia na Fazenda Araruama, no termo de Macuco - brasileiro nato por obra e graça de Ubaldo Madureira, segundo escrivão e companheiro de regamboleio nas pensões de raparigas.

Homens e mulheres, meninos e meninas sobretudo, chegados do outro lado do mundo, renasciam brasileiros na pena garranchosa do amanuense. O tabelião, bacharel Márcio Costa do Amaral, punha carimbo e rubrica, garantias da verdade, embolsava boa parte da maquia.

Procurador Rosário Teixeira
Duas Perguntas











Juiz Carlos Alexandre














O que é que José Sócrates não pode fazer em prisão domiciliária com pulseira electrónica que prejudique o bom andamento do processo mas que já poderá fazer em prisão domiciliária sem pulseira electrónica com qualquer outro meio de vigilância?

- Que dispositivo diabólico possui a pulseira electrónica que pelos seus efeitos é insubstituível por qualquer outro sistema de vigilância dentro de casa ou à porta da casa de Sócrates?

Srs. Procurador Rosário Teixeira e Juiz Carlos Alexandre, atendendo a que o processo de José Sócrates “é público”, todos nós, simples leitores de jornais, vamos formulando as nossas opiniões, quase todas condenatórias de José Sócrates pelo volume dos factos que se vão acumulando contra ele e também eu, como dizia ontem Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, já o condenei subjectivamente mas este prolongar da prisão preventiva depois de os senhores a terem considerado desnecessária substituindo-a por prisão domiciliária com pulseira electrónica, começa a cheirar a uma desleal prova de força entre quem tem o poder porque representa a justiça do Estado e quem está preso preventivamente sem que ao fim de 6 meses não haja cheiro de acusação.


- Sendo a fuga ao segredo de Justiça um crime como qualquer outro como é possível que o conjunto de perguntas e respostas do interrogatório judicial do Procurador Rosário Teixeira a José Sócrates tenham logo sido transcritas na revista Sábado?

- Quantas pessoas têm acesso a estes conteúdos que torne tão difícil apertar a malha do silêncio à sua volta?

- Será isto justiça ou simplesmente um negócio mediático de contornos políticos?

Alguém estaria interessado nas perguntas do Sr. Procurador se as respostas fossem do “Zé dos Anzóis”?

Por este andar não será apenas José Sócrates o condenado na praça pública, a Justiça do país também não se salva.

quinta-feira, junho 11, 2015

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E o namorado que nunca mais chega...



Rod Stewart & Amy Bell - I Dont Want To Talk About

Esta é uma das canções que nunca devia ser esquecida...


Mixordia de Temáticas - Samantha Fox explica Acordo Ortográfico


Há quinze anos não via tanta água
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 265




















Apenas começara a palmilhar aqueles cafundós-de-judas, seu Cícero Moura pegara numa pensão de raparigas, em Taquaras, uma gonorréia que se tornara crónica e de gancho e lhe dera panos para as mangas.

Desde então carregava consigo nas viagens permanganato em pó: se tivesse de castigar o pau com mulher da vida, exigia que a quenga começasse por lavar as partes com uma solução de permanganato dissolvido em água, condição sine qua non para trepada e pagamento - não era mesquinho se lhe satisfaziam as exigências.

Somente em último caso, porém, recorria às putas. Nos braços das mucamas sentia-se seguro, pois sendo elas via de regra defloradas e possuídas pelos coronéis tinham de ser, em conseqüência, limpas e sadias.

Não desdenhava também de amigadas e dava a vida por menina nova, recém-descabaçada. Seu Cícero Moura, um tampinha assanhado, doido por mulher.

Tornara-se figura popular nos limites das províncias do rio das Cobras. Na imponente pasta de couro, além do caderno de notas com os números das compras e dos créditos, levava maços de pequenas estampas de santos, coloridas, que distribuía com igual piedade às senhoras dos coronéis, às mucamas nas sedes das fazendas e às raparigas nos puteiros: prenda recebida sempre com agrado.

Vez por outra via-se seu Cícero Moura desmontar do burro Envelope em frente ao armazém do árabe Fadul Abdala, enfrentar uma dose dupla de conhaque e se informar sobre o mulherio:

- Tem gado novo por aí, amigo Fadul? Alguma bezerra desmamada?

Iniciando seu percurso, na entrada da entressafra e das chuvas de verão, o comprador de cacau passou por Tocaia Grande e repetiu a pergunta habitual. O turco apontou com o dedo a lesa parada sobre o pontilhão, coberta com um saco de aniagem:

- Alguém comeu os tampos da bichinha e os meninos estão se pondo nela. Esse galalau daqui, também. — Referia-se a Durvalino ocupado em lavar garrafas junto ao poço.

Seu Cícero Moura ainda fuxicou detalhes de idade e de ensejo: quando se dera o caso mais ou menos? Assim novinha, a xoxota em flor, sem ter tido tempo de pegar doença, abrindo as pernas por prazer, não por dinheiro, exatamente como ele apreciava.

Traçou o resto do conhaque, dirigiu-se para o pontilhão, o olhar aceso.

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Servindo a cachaça escassa do paradeiro a fregueses ocasionais, Fadul Abdala digeria notícias alarmantes com os olhos postos no céu de chumbo. Conjecturas, vaticínios, exclamações de alarme rolavam sobre o balcão sebento.

Também o coração do turco se confrangia. Antes de seguir para Taquaras sob o aguaceiro - parecia o mesmo que acolhera à chegada tão seguidas desabavam as pancadas d’água - o coronel Robustiano de Araújo parou na venda do árabe para dar-lhe bom dia, tomou um trago precavendo-se contra os sintomas de defluxo e reafirmou a apreensão que o consumia:

- Vou a Ilhéus mas volto no mesmo pé. Há mais de quinze anos não via tanta água.

Mania dos Remédios Caseiros...
















Um médico, depois de ver a história clínica do paciente, pergunta:
- Fuma?
- Pouco.
- Faz bem. Quanto menos melhor.
- Bebe?
- Pouco.
- Ainda bem.
- Pratica desporto?
- Não posso. Tenho lesões antigas.
- Pois, é pena.
- E sexo, pratica com frequência?
- Muito pouco.
- Isso é que não pode ser. Se não pratica desporto, deve compensar fazendo muito sexo. Vá para casa e pense bem nisso...
Ele foi para casa, contou à mulher o que o médico lhe tinha dito e, de seguida foi tomar um banho. A mulher, esperançosa, enfeita-se, perfuma-se, põe o seu melhor baby-doll e fica à espera dele, numa pose toda provocante.
Ele sai do chuveiro, perfuma-se cuidadosamente, começa a vestir-se, e a mulher, surpreendida, pergunta:
- Aonde é que vais?
- Não ouviste o que o médico me disse?
- Sim, por isso mesmo estou aqui, já prontinha para... tu sabes!
Então ele responde:

- Ah, Francisca, Francisca, lá estás tu outra vez com a mania dos remédios caseiros...

Creio que irá ganhar na "secretaria"...
José Sócrates






















O desfecho do Processo de José Sócrates que continua em prisão preventiva por ter recusado a prisão domiciliária com pulseira electrónica, será para os portugueses, juntamente com os confrontos Benfica-Sporting ou Jorge Jesus-Rui Vitória, um dos grandes motivos de interesse e curiosidade já que, o resultado das legislativas se vai saldar por uma vitória à tangente de qualquer um deles com dificuldades governativas futuras.

De qualquer maneira, os actores serão os mesmos a debitar o mesmo tipo de afirmações que todos já ouvimos e conhecemos de um lado e do outro.

A sentença sobre José Sócrates já está feita na Praça Pública e traduziu-se numa condenação. As fugas de informação do Processo foram suficientes para a formulação de um juízo final.

Uma teia de amizades, conlúios, cumplicidades, esquemas engendrados entre amigos e familiares foram bastantes para satisfazer o enorme apetite de José Sócrates por dinheiro depois de terminado o período de governação.

Esta é uma parte do assunto que me parece definitivamente assente na cabeça dos portugueses, seja ela falsa ou verdadeira, mas as coisas não se esgotam aqui.

O Processo que irá desenrolar-se em Tribunal, caso venha a haver acusação, e seria o cúmulo se ela não vier a ser formulada dentro em breve, vai ter de decidir um Culpado ou um Inocente.

Nós, que vimos acompanhando pelos jornais todas as notícias que conduziram, desde a sua prisão, à condenação pública de Sócrates, estamos convencidos que muito dificilmente se virá a fazer prova das acusações e os juízes não irão ter como o condenar.

Ficarão as suspeitas, as interrogações, as dúvidas a esbarrarem no testemunho de amizades fidelíssimas que irão servir de justificação para explicar o que, na lógica do bom senso e na dos próprios juízes, nunca será convictamente explicado.

Este é o meu “feeling” e cá estaremos, espero eu, para reconhecer o erro se me vier a enganar.

quarta-feira, junho 10, 2015

Um Camões sofrido como o país
Dia de Portugal e das 

Comunidades















Este é o dia em que o meu país faz anos. Os portugueses descansam, descontraem, passeiam com os filhos e os netos e o Presidente discursa mas, sinceramente, deste Presidente já nada me interessa... apenas anseio que se vá embora e nos liberte da sua presença cinzenta, amorfa, bafienta e manhosa.

Neste dia podíamos recordar coisas boas que fizemos ao longo do nosso percurso de país e ainda há dias recordei aqui, no Memórias Futuras, uma dessas coisas ao referir-me à reconstrução da cidade de Lisboa devastada pelo terramoto de 1755 e que hoje, 260 anos depois, lavada que fosse a fachada de muitos prédios da Baixa, aí está para encantar com a sua admirável luz a reflectir o céu e o mar do estuário do Tejo que lhe serve de ante-câmara, todos quantos nos visitam.

Mas o meu pensamento vai para as Comunidades de Portugueses espalhados por esse mundo fora e que nunca esquecem a sua terra natal, seja ela uma cidade deste Portugal ou uma pequenina aldeia escondida em algum local recôndito do interior.

O nosso 1º Ministro com o seu sorriso cínico e desdenhoso continua a desafiar os jornalistas para vasculharem nos arquivos as afirmações em que ele mandou os seus concidadãos emigrarem.

Em Outubro de 2011, Alexandre Mestre, Secretário de Estado de Passos, convidou os jovens a emigrar. Dois meses depois, o próprio Passos propôs a professores desempregados que emigrassem e tudo isso está gravado.

No ano seguinte, 2012, os portugueses emigraram mais do que em 1966, a quando do pico da emigração para França.

Sempre os nossos compatriotas emigraram: pais, avós, bisavós e por aí fora. Estão no Brasil, no Canadá, nos EUA, em França, Inglaterra, por todos os países do mundo. A emigração está, portanto, no nosso ADN, partir é um direito que nos assiste e se nos vamos embora é porque somos livres de tomar as nossas decisões em momentos adversos da vida.

Sabemos disto pelo passado histórico, recente e actual. Tem sido uma constante do nosso percurso como comunidade com mais de oito séculos de existência.

Vir agora um governante, por todas as justificações deste mundo que ele possa apresentar, convidar-nos a emigrar, afastarmo-nos das nossas raízes e das nossas famílias, é um “insulto”, como lhe chama Ferreira Fernandes, um dos nossos melhores jornalistas.

A obrigação de um governante é criar condições para que todos os portugueses possam viver e trabalhar na sua terra, anunciar-lhes alternativas, e se eles tomarem a liberdade de partir, peçam-lhes desculpa, expressem a sua mágoa e não sorrisos cínicos de políticos medíocres.

O conselho para emigrar vindo da boca de um 1º Ministro é um insulto, chama-lhe Ferreira Fernandes e chamo eu e não estaremos de certeza sós.

terça-feira, junho 09, 2015


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Casa Estrela - Dormidas



Zorba Il Greco (1964)

Desculpem... mas já não actores destes. Antony Quinn nem sequerc era grego mas mexicano. 


Olha-me esta ...












Aqui há tempos, um indivíduo sofreu um terrível acidente e o seu pénis foi dilacerado e arrancado.

Foi atendido no Hospital de Santa Maria e o médico assegurou-lhe que a medicina moderna podia pôr-lhe um 'instrumento' novo, mas que o seguro de saúde nao cobria a cirurgia, já que a mesma é considerada cirurgia estética.

O médico, um ilustre cirurgião estético da nossa praça, acrescenta que os preços da cirurgia são:

- 3.500,00 EUR - para um pénis de tamanho pequeno;
- 6.500,00 EUR - para o tamanho médio;
- 9.000,00 EUR - para o de tamanho grande (barato nao?).

O homem aceitou imediatamente mas ficou na dúvida se havia de implantar um médio ou um grande. O cirurgiao, então, aconselhou-o a conversar com a mulher antes de tomar uma decisao.

O homem assim faz... todo entusiasmado, telefonou a mulher e explicou-lhe o que se passava.

Daí a pouco, voltou ao consultório e o médico viu que ele estava visivelmente incomodado e deprimido, e por isso perguntou-lhe:

- Então, o que é que o senhor e a sua mulher decidiram?

O homem, cabisbaixo, responde-lhe:

- É uma pôrra!... Diz que prefere remodelar a cozinha..

Vamos rogar a Deus para que a chuva pare.
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 264




















O coronel Robustiano de Araújo completou antes de partir sob o aguaceiro:

- Meu temor maior é pelas roças de cacau que estão florando: a safra pode gorar. Vamos rogar a Deus que a chuva pare.

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Seu Cícero Moura, conhecido nos puteiros pelo apodo de Doutor Permanganato, baixinho e delicado, representante de
Koifman & Cia, uma das principais casas exportadoras de cacau, subia e descia o território do rio das Cobras montado em Envelope, burro lerdo e cauteloso, de passo medido e meditado: nos caminhos de lamaçais, boqueirões, despenhadeiros, a segurança do cavaleiro dependia da qualidade do animal.

Nem sequer para atravessar as trilhas abertas na mata, para arranchar em ínfimas caixa-pregos, seu Cícero Moura abria mão da gravata-borboleta, do colarinho e dos punhos engomados, a ponta do lenço dobrada sobressaindo do bolsinho do paletó, a corrente do relógio cruzada no colete, o cabelo luzidio de tanta brilhantina, uma risca no meio do penteado, última moda.

Como se estivesse a caminho de um sarau de gala. De certa maneira assim era, pois nas casas-grandes das fazendas onde pousava sempre que podia, sua chegada movimentava cozinheiras e mucamas, sendo ele chegado à boa mesa e às criadas de servir.

Pequeno e magricela, em cada refeição comia seu peso. Quanto às criadas, tinha razões de sobra para preferi-las. Os melhores clientes de seu Cícero Moura se encontravam entre os pequenos fazendeiros. Necessitados em geral de numerário para enfrentar as despesas do paradeiro, não podiam aguardar temporão e safra quando o preço da arroba de cacau atingia culminâncias como faziam os grandes proprietários.

Seu Cícero Moura comprava por antecipação, e a preço conveniente, parte da safra vindoura, adiantando o pagamento. Nessas plantações menores discutia e acertava negócios, bebericando um cafezinho ou um cálice de licor de jenipapo, mas para hospedar-se, comer e passar a noite, preferia as grandes fazendas onde o sal era de primeira e as mucamas, crias da casa, eram umas gracinhas.

Umas gracinhas, encantavam-no pela mocidade e pelo asseio. Deitando-se com elas considerava-se garantido, livre do perigo de apanhar doença feia. As moléstias venéreas, gonorréia, mulas e cavalos, grassavam nos puteiros da região, tratadas à base de mezinhas e garrafadas milagrosas.

Valha-nos o futebol...
As Paixões do Futebol















As paixões do futebol são precisamente iguais às de qualquer outro desporto de competição de massas pouco variando de local para local no planeta.

- "Tá a ver?... o Jorge Jesus enquanto treinador do rival Benfica era uma “besta”, agora, ao serviço do meu Sporting, é “bestial”... isto é uma irracionalidade".

Quem diz isto é o melhor cirurgião de transplantes de fígado internacionalmente reconhecido, Prof. da Faculdade e amante apaixonado do meu clube, o Sporting Clube de Futebol, com intervenção semanal como comentador desportivo.

O futebol incorpora, melhor do que qualquer outro jogo, a rivalidade ancestral entre tribos que disputavam entre si os mesmos recursos dentro dos mesmos espaços.

Mas paixões são paixões independentemente daquilo que as motiva. Quando estive em Pompeia, contou-me a guia turística, ao mostrar-nos a cela onde teria estado o famoso gladiador Spartacus, que o recinto onde decorriam os combates teria sido interdito durante muito tempo por mau comportamento dos adeptos de gladiadores rivais, exactamente por causa das paixões à volta dos lutadores seus preferidos e que os levou a desordens sangrentas entre uns e outros, talvez mais acaloradas que a dos próprios gladiadores entre si.

Não há volta a dar... a paixão Clubística é uma paixão como qualquer outra e sofre dos mesmos arrebatamentos, das mesmas loucuras, das mesmas irracionalidades.

O Presidente do meu Sporting, a quem deploro o estilo, os comportamentos e os discursos, tudo a lembrar o Diabo da Tasmânia, mamífero marsupial da Ilha da Tasmânia célebre pela sua agressividade e raridade, tomou, ao arrepio da sua afirmada política de contenção de custos, a decisão de contratar Jorge Jesus que tinha acabado a sua ligação de vários anos com o grande rival Benfica.

Uma decisão de mestre, golpe de magia, decisão de risco, espécie de tudo ou nada, que vai agora ficar dependente dos resultados desportivos e que implicou uma Rescisão de Contrato por Justa Causa e Processo Disciplinar com o seu treinador, com mais 3 anos de contrato e que tinha acabado de lhe dar um título desportivo, a Taça de Portugal, depois de 7 anos sem ganhar nada... com a esmagadora maioria dos adeptos e sócios do Clube ao seu lado.

Eu não tenho a certeza que Jorge Jesus seja o melhor treinador do mundo. Ouvi ao longo do tempo, sobre o seu trabalho como treinador do Benfica, muitas críticas de pessoas entendidas de futebol que me pareceram, então, perfeitamente acertadas.

Sobre a sua vaidade e auto convencimento estamos todos de acordo, sobre isso não há dúvidas de ninguém, dos que gostam e dos que não gostam dele... o teste sobre esta matéria irá ser realizada ao serviço do Sporting e o resultado levá-lo-à aos píncaros ou será como o esvaziar de um balão cujo sopro o varrerá a ele e ao Presidente porque as massas não perdoam.

Sobre o Portugal futebolístico está lançado o maior “suspense” de que eu alguma vez me lembre. Seja qual for o resultado das próximas eleições, os portugueses sempre poderão dizer: "bem, felizmente temos agora o Jorge Jesus do Sporting contra o Benfica do Rui Vitória.”

Vivam as paixões do futebol para nos ajudar nas tristezas e preocupações da vida.

segunda-feira, junho 08, 2015

MAGEM


Eu julgava que os motores dos automóveis eram puxados por "cavalos força"  a elefantes é batota...



Mixórdia de Temáticas - Preparação para o Dia dos Namorados

TOM JONES - IT'S NOT UNUSUAL

Dizia-se que tinha saído das minas para cantar, mas não. Era filho de um mineiro e de uma doméstica e não seguiu a profissão do pai por causa de uma tuberculose juvenil que desanconselhava a descida às minas. Começou por fazer muita coisa até descobrir que podia ganhar umas libras como cantor e esta foi a canção - Its Not Unusual -  em que ele acertou no alvo milionário e de repente, o rapaz que gostava de boxe e que praticava em bares e rixas de rua, que se vestia de veludo com medidas justas, que parecia não saber dominar  a espantosa potencia vocal que lhe foi distribuída pela natureza, tinha nas mãos um 1º lugar nas tabelas de venda.
Foi requisitado como solista por empresários e agentes de espectáculos pela sua receptividade junto das mulheres que atiravam para o palco cuecas ás quais, suprema sedução, ele limpava o suor da testa.
Chegou a referir-se que Tom acasalava com 250 mulheres diferentes por ano mas a esmagadora maioria não passava da 1ª noite mas houve algumas excepções: a cantora Mary Wilson,  Diana Ross, Majorie Wallace, Miss Mundo 1974 que por causa disso viu-lhe ser retirado o título.
Com dezasseis anos foi pai, casou-se com esta idade e Mark, o filho, nasceu quando ele tinha 17 anos. O seu casamento durou desde sempre até hoje mas, em boa verdade, passou ao lado dele. Todo o tempo somado não viveram juntos mais do que 10 ou 12 anos. Conseguiu tudo, cantou todo o tipo de canções, foi amigo de todas as celebridades do seu tempo, apenas um objectivo não conseguiu por muito que o desejasse: substituir Sean Connerry no papel de James Bond. 



E por que, se mal pergunto, Coronel
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nª 263




















Tamanqueiros de profissão, Guaraciaba e Elói ergueram um casebre e começaram a trabalhar, com afinco e aptidão, o couro e a madeira. Guaraciaba por pouco não desova no caminho, tão pejada estava.

Foi a pioneira naquela parição; uma das estancianas, Zeferina, fechou o ciclo, teve menino na noite em que a enchente começou.

Cinco fêmeas e quatro machos nas mãos de Jacinta Coroca, mãos abençoadas no incenso da velha Vanjé, louvor que de boca a boca se generalizava: mandavam-na chamar das fazendas próximas.

Da mulher do coronel Setembrino Arruda salvou a vida - a dela e a da cria - transformando em feliz sucesso um parto difícil, prematuro, de sete meses. Dona Beatriz descansava na casa grande da fazenda, entre Taquaras e Tocaia Grande, à espera da data prevista para ir dar à luz em Ilhéus, assistida pela capacidade do doutor Ismael Alves, obstetra ideal seja pela sabença celebrada, seja pela idade respeitável.

De repente foi aquele corre-corre, um deus-nos-acuda: mandaram a toque de caixa um mensageiro com a montaria e ordens de trazer Coroca; voando, a todo vapor.

Chegou a tempo, segurou as pontas, lutou com a morte, palmo a palmo, não teve medo. Será que não?

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O coronel Robustiano Andrade deu as alvíssaras à comadre Diva, alvíssaras dignas de quem colhia mais de cinco mil arrobas de cacau e marcava com seu ferro tantos rebanhos, incontáveis cabeças de gado pé-duro: bois, vacas, novilhas, bezerros e dois touros guzerás, comprados a peso de ouro no sertão de Minas Gerais, filhos de campeão importado pelo famoso criador coronel Alfredo Machado.

Alvíssaras em nota de quinhentos, estalando de nova.

- Foi Isabel que mandou pra comadre comprar umas bobagens pro afilhado.

Visita de parabéns, por consequência alegre. Entretanto Tição percebeu nos modos do fazendeiro, de hábito conversador e trocista, uma latente apreensão. Não se aventurou a perguntar a causa mas o próprio Coronel, ao despedir-se na porta da oficina, revelou:

- Estou muito preocupado, Tição. Muito mesmo.

- E por que, se mal pergunto, Coronel?

 - Está chovendo sem parar nas cabeceiras do rio, uma corda- d’água cada vez mais forte, O rio está enchendo por demais, não sei o que vai acontecer. Deus queira não se passe nada.

Pelas dúvidas, tomei providências para retirar o gado para aquele casco mais no interior onde fica o criatório de bezerros, você conhece.

Também ali a chuva lavava o vale, engordava o rio. O fazendeiro e o ferrador de burros demoraram-se um instante examinando o céu coberto de nuvens negras, carregadas, ouvindo o zunido do vento atravessando a mata.

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