quinta-feira, setembro 27, 2007

Clara Ferreira Alves e o Budismo


CLARA FERREIRA ALVES E O
BUDISMO

Clara F. Alves foi ver o Dalai Lama e na sua Pluma Caprichosa deixou-nos um relato dessa experiência que foi estar num espaço fechado onde se respirava um ambiente de espiritualidade na presença de um homem que irradia inteligência, bondade e simpatia que, em doses iguais, parecem constituir a receita ideal para um enorme poder de sedução.

Clara F. Alves não conseguiu entender a prelecção, não sabe tibetano e o inglês do Dalai Lama é incompreensível mas deu-lhe suficiente prazer ouvir o som das palavras.

Numa situação de encantamento o entendimento das palavras pode ser até um factor de distracção para o clímax que se estabelece e que dispensa perfeitamente o esforço de tentar perceber “o que é que o senhor está a dizer”.

De resto, Templos, Conventos, Mosteiros, Igrejas não vivem de palavras mas antes de silêncios, murmúrios e de uma musicalidade sem música que certos estados de alma conseguem ouvir.

Clara F. Alves ficou seduzida e só não muda de religião porque é demasiado tarde convencida como está que, se fosse budista, viveria e morreria melhor.

As religiões correspondem à satisfação de necessidades interiores das pessoas e deveriam servir, na verdade, para se viver e morrer melhor mas quem se lembrar um pouco daquilo que estudou na História, logo verifica como elas têm contribuído para infernizar a vida e apressado e piorado a morte.

Mas se tudo está esquecido no que se refere ao passado leiam-se os jornais e pasme-se sobre o que é viver e morrer sob o lema das religiões na Palestina entre Judeus e seguidores do Islão e no Iraque entre facções diferentes de uma mesma Religião.

Sim, mas os budistas defendem o princípio da não-violência, para eles, a paz e a convivência pacífica constituem ensinamentos básicos: “evitar o mal, fazer o bem e cultivar a mente”.

Quem não se lembra do exemplo dado pelo Mahatma Gandhi na Índia?

E já se esqueceram da mensagem de paz e amor dada por Cristo que morreu na cruz para não transigir destes princípios?

E o Islão, que é descrito em árabe como um “Deen” que possui uma relação etimológica com outras palavras árabes que significam paz.

Ou seja, nenhuma religião seria religião senão advogasse a paz entre aqueles que pretende persuadir a serem seus seguidores só que, até à data, ainda não o conseguiram.

Bom, mas talvez a paz não seja o único objectivo a ser perseguido pelas religiões pois, se assim fosse, corriam até o risco de já terem desaparecido.

Há quem sinta nas religiões um alimento para a alma, um amparo para as suas existências sem o qual elas deixariam de ter sentido.

As religiões fazem as pessoas sentirem-se pequeninas, frágeis, indefesas, ignorantes e daí a necessidade da sua protecção e dos seus ensinamentos.

Pessoalmente, é a promessa da continuação da vida sob uma qualquer outra forma e num qualquer outro sítio, é a recusa do fim, a não aceitação da morte como solução definitiva.

Clara F. Alves sentiu-se interiormente reconfortada ouvindo o Dalai Lama, rodeada de budistas… talvez pelo exotismo do ambiente que foi criado pelos personagens e pelo convite à paz e meditação que lhe foi transmitido.

Acredito piamente na sinceridade das suas palavras pois quem vive permanentemente no stress do dia-a-dia desta sociedade meio louca bem precisa de umas férias em um qualquer Mosteiro budista para uns tempinhos de tranquilidade e meditação.


segunda-feira, setembro 24, 2007

José Mourinho


JOSÉ MOURINHO

Esperava-se este desenlace a qualquer momento pois era notório que a equipa do Chelsea vinha a acusar uma progressiva falta de eficácia com três empates seguidos e exibições menos conseguidas.

José Mourinho tem uma reputação de vencedor a defender e mesmo que possa argumentar com lesões de jogadores “chave”, erros evidentes de arbitragem, aquisições do patrão contra a sua vontade e que, realmente, não provaram dentro das 4 linhas, casos do Balack e Shechenko, falta de reforços em quantidade e qualidade indispensáveis quando se tem como meta ganhar a Liga Inglesa e a dos Campeões Europeus, o que é verdade é que só as vitórias lhe interessam e tudo o resto são desculpas.

O mundo do futebol é, cada vez mais, um mundo “cão” na medida em que o sucesso só se mede por vitórias e estas por dinheiro e quando o dinheiro já é tanto que, ele próprio, deixou de ser o principal objectivo, resta a satisfação de caprichos pessoais e notoriedade a nível mundial de quem tem recursos financeiros quase ilimitados.

Michel Platini, presidente da UEFA e ex jogador francês, afirmou a representantes dos principais governos da Europa que está preocupado com o grande valor que se dá ao dinheiro no futebol e pediu que o carácter desportivo seja prioritário no Tratado da Reforma da União Europeia.

Segundo Platini:

-“ A distorção nos valores desportivos não obteve uma resposta adequada das instituições europeias que continuam a não reconhecer a natureza específica do desporto e a necessidade de medidas que igualem as competições”.

E acrescentou:

-“ O Tratado da Reforma da EU não está a discutir o tema de forma aprofundada, mesmo quando os adeptos do futebol na Europa pedem a criação de um modelo desportivo baseado na solidariedade financeira com os mais desfavorecidos”

Para o Presidente da UEFA o futebol, ao defender valores fundamentais para a integração social e a sua luta contra o racismo, violência, descriminação, doping e defesa do “fair play”, mostra que o desporto está na vanguarda para se criar uma consciência europeia.

“Os valores desportivos devem estar acima do dinheiro. O futebol é algo que unifica a Europa e ultrapassa fronteiras e por isso deve receber o apoio que precisa.”

José Mourinho é um homem do futebol, nasceu para ele com o pai, de quem me lembro ainda como guarda redes do Vitória de Setúbal, mas dotado de grande inteligência, ( 1º no seu curso) perspicácia e uma ambição que não cabia nas quatro linhas do campo deixou-se de pontapés na bola e enveredou pela carreira de treinador de futebol tendo sido já eleito, por duas vezes, o melhor do mundo.

Não gosto de especular mas parece-me evidente, por razões perfeitamente compreensíveis, que José Mourinho deixou de interessar a Roman Abramovich por ser um empecilho ao seu projecto de “ quero, posso e mando” e este a José Mourinho por não lhe conceder a liberdade de decisões de que um líder tem que dispor para o poder ser.

Acresce, que este período vitorioso do Chelsea da responsabilidade de José Mourinho, ao fim de 50 anos de apagada e vil tristeza, não iria prolongar-se e nada melhor que sair quando o som dos aplausos ainda se ouvem ao longe.

Por isso, entre um multimilionário russo com cara de pasmado e um portuguesinho esperto e atrevidote foi, sem dúvida, este último, o que melhor se saiu e já nem falo nos milhões que não fazem falta nenhuma ao Roman mas que asseguram, em definitivo, o futuro dos filhos do José.

Mourinho, por imperativos do Contrato de Rescisão que, frise-se, foi da vontade de ambas as partes, como atrás ficou explicado, não pode, para já, treinar outro Clube em Inglaterra o que ele, de resto, também não desejava por motivos quase óbvios, mas a imagem que deixa atrás de si na orgulhosa Albion é a de um português que afrontou sem medos e em estilo provocatório os desafios que lhe colocaram começando logo por dizer aos ingleses, à sua chegada e correndo os riscos do ridículo, que era o melhor e comprovando, nos anos seguintes, que era mesmo.

Esta terá sido, sem dúvida, das “tiradas” mais arriscadas de um emigrante português no estrangeiro e logo por cima na convencida e pretensiosa Grã-bretanha.





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