sábado, maio 29, 2010

VÍDEO

Nem dá para acreditar...

video

CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

THE RUBETTES - SUGAR BABY LOVE
...foi o grande sucesso desta banda em 1974. Vendeu em todo o mundo 3 milhões de cópias. Só em França foram 2 milhões. A música mexe mesmo...

CANÇÕES ITALIANAS

BRUNO VENTURINI - FUNICULI FUNICULA
... a bela canção napolitana... com uma voz...de respeito.


CANÇÕES FRANCESAS

JOE DASSIN - À TOI
Do seu vasto e belo reportório
esta é, de certo, uma das minhas preferidas... depois, com esta voz inconfundível, Joe Dassin é imortal.


CANÇÕES BRASILEIRAS
JOANA - DESCAMINHOS
Esta linda cação marcou os anos 80: os velhos tempos...boa música... fortes letras, tudo era paixão pura e verdadeira. Vale a pena ouvir com atenção.



CANÇÕES PORTUGUESAS

PAULO DE CARVALHO - E DEPOIS DO ADEUS (1974)
Ganhou o Festival da Canção da RTP. Uma das melhores vozes da música portuguesa e talvez a melhor canção de todos os Festivais. Uma palavra de mágoa para José Calvário, autor da música, que faleceu prematuramente com 58 anos e outra palavra de saudação para José Niza, o autor da letra, que continua de boa saúde, aqui, na minha cidade de Santarém.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nª 132


Com as piores, certamente, gemia dona Flor, trancando portas e janelas, enquanto dona Norma a aconselhava a não agir com precipitação. Ela, dona Norma, não simpatizava com o dito cujo, é bem verdade, parecendo-lhes suspeitas a boniteza lívida, a cara de menino e o jeito de finório. Mas, quem garantiria não estivessem enganadas as duas e fossem os melhores e os mais puros os propósitos do tipo, sendo ele próprio homem de bem, correcto, merecedor de apreço e até da mão de dona Flor e do seu carinho?

Merecedor ou não, não tendo a viúva, contente de sua vida, intenções de casar-se de novo, muito menos se dispunha a manter coió sob suas janelas, a cortejá-la como se ela fosse uma dessas levianas a cobrir de vergonha a sepultura do marido, despindo seu luto nos quartos dos castelos.

Dona Norma buscava acalmá-la, por que essa violenta reacção, esse rancor contra o moço até agora pelo menos respeitoso, situando-se nos limites dos olhares e do acompanhamento à distância? Afinal não era dona Flor menina ingénua para imaginar-se à margem dos galanteios, das cogitações, dos desígnios, honestos ou frascários, dos homens. Moça, bonita, sozinha, porque não haviam de desejá-la e tentar obter suas graças? De certa maneira, homenagem à sua formosura, prova dos seus dotes e encantos. Irredutível dona Flor em sua decisão de manter-se viúva, muito bem; dona Norma não estava de acordo com tamanha idiotice mas não ia discuti-la agora. Mas por que motivo maltratar quem a ela se chegasse com respeitáveis ideias de matrimónio? Por que uma recusa gentil: “Sinto-me honrada, porém sou uma cretina, minha xoxota não tem mais uso, só serve para fazer pipi, não quero saber de casamento!”

Ria-se dona Flore da língua solta da amiga, mas, no primeiro ímpeto de indignação, no regresso das compras, com o suplicante sempre em seu rastro, já lhe batera com as janelas na cara. Em vexame e desconsolo, após uns momentos indecisos, a olhar para um e outro lado, o rapaz iniciou a retirada.

Através das frestas das janelas as comadres assistiam à cena, todas em desacordo com o gesto de dona Flor. Inclusive dona Gisa, testemunha do acontecido; dona Gisa tão sabida da leitura dos livros, do estudo dos textos, tão ingénua e mesmo tola no contacto com as pessoas. “Oh!”, murmurou repreensiva, ao ver as mãos de dona Flor no gesto rude e sua exclamação foi bálsamo para o injuriado don-juan. “Pobre moço, vítima de hábito feudal de preconceito e atraso”.

O pobre moço não queria outra coisa; ali mesmo, na rua, em lacrimosa e veemente confidência, abriu seu coração e depositou em mãos da gringa suas honestas pretensões, seu arrebatado amor e sua terrível pena. Apresentou-se: Otoniel Lopes, seu criado às ordens, comerciante em Itabuna, com loja de fazendas e crédito nos bancos, plantando uma rocinha de cacau, de complemento. Solteiro mas desejoso de casar, afinal já completara trinta anos. Vindo à capital mais em passeio que em negócios, por acaso avistara dona Flor e não mais tivera descanso e paz de espírito; louco, em desvario, tão apaixonado a ponto de lhe parecer-lhe a vida inútil se ela não escutasse suas súplicas. Sabia-a viúva e séria, era quanto lhe bastava: o mais não tinha importância. Se fosse pobre, ainda melhor: os bens dele, davam e sobravam para os dois viverem confortavelmente.

sexta-feira, maio 28, 2010


ENTREVISTAS FICCIONADAS


COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 19

Tema – Rezar o Terço?




Rezadora – Deus te salve, Maria, cheia graça, o senhor seja contigo…

Fiéis – Santa Maria, Mãe de deus, rogai por nós, pecadores…

Raquel – Continuamos na Nazareth, agora na Igreja ortodoxa da Anunciação. Um grupo de peregrinos católicos reza o terço em honra à mãe de Jesus. Estamos de novo com Jesus Cristo, cobrindo a sua segunda vinda à terra. Uma bonita devoção do rosário, não lhe parece?

Jesus – Fica-me uma dúvida, Raquel… Por que repetem e tornam a repetir sempre o mesmo?

Raquel – É assim o Terço. Minha avó ensinou-me que havia de rezar dez Ave-marias por cada mistério. E como há cinco mistérios são cinquenta Ave-marias. E como há três tipos de mistérios, 150 Ave-marias repetidas.

Jesus – E quem inventou essa ladainha?

Raquel – Julgo que foi sua mãe Maria que entregou o Rosário… não me recordo a que santo. O senhor não sabe isso?

Jesus – Ela?... que estranho…Por que não consultas um desses teus amigos que sabem tanto?

Raquel – Espere um momento, vou contactar alguém que certamente conhece estas histórias… Eduardo Del Rio, Rius?... Fala Raquel Perez, das Emissoras Latinas… Estou aqui em Nazaré com Jesus Cristo… Queríamos saber sobre o rosário e as suas origens…

Rius – Ui, para isso temos de recuar oitocentos anos, ao século XII, quando um frade espanhol, Domingos de Gusmão estava empenhado em converter os albigenses nascidos na cidade de Albi, no sul de França.

Raquel – E quem eram os albigenses?

Rius – Eram cristãos pacíficos e até místicos que questionavam a autoridade do Papa de Roma. Então, este frade disse que a mãe de Jesus tinha-lhe aparecido e lhe tinha dado um Rosário para converter os albigenses.

Jesus – Pergunta-lhe se os converteram…

Raquel – Jesus pergunta se eles se converteram.

Rius – Bem, não tiveram outra remédio… porque se não se convertessem queimavam-nos na fogueira.

Jesus – Como disse?

Rius – Depois, no Sec. XVI, o Papa Pio V ordenou que os soldados cristãos rezassem o Terço antes da batalha contra os turcos muçulmanos, inimigos de Roma. Em Lepanto chocaram os dois exércitos… foi uma carnificina. O Papa declarou que haviam vencido os muçulmanos graças à Virgem!

Jesus – Que coisa tão abominável!

Raquel – Ainda que, é compreensível que sua mãe se coloque ao lado dos exércitos cristãos…

Jesus – Mas, como podes dizer isso, Raquel. Não há exércitos cristãos. Os exércitos foram feitos para matar e a minha mãe nunca matou nem ajudou a matar ninguém.

Raquel – Muito obrigado pela informação, amigo Ruis. Em qualquer momento voltaremos a contactar-te… Suspeito, Jesus Cristo, que os nossos ouvintes estejam desconcertados porque em muitas aparições a sua mãe, Maria, pediu que rezassem o Terço. Ou não foi assim?

Jesus – Minha mãe era uma pessoa muito simples. Como podemos acreditar que ela pedisse que a saudassem repetindo 50 vezes a mesma oração?

Raquel – Mas há muitas pessoas simples, a minha avó por exemplo, que rezam o terço… assim encontram paz no seu coração, se aproximam de Deus.

Jesus – Bem, isso é como quem se senta à beira de um rio e a música da água a correr sossega-lhes o espírito. Porque nem a tua avó nem ninguém acredita que por repetir e repetir uma oração vão ser mais escutados por Deus. Porque ele sabe o que necessitamos antes de lhe pedirmos.

Raquel – Então, que orações devemos rezar? Mais ainda, servem as orações para alguma coisa?

Não percam a nossa sintonia. Da Nazareth a repórter Raquel Perez.



NOTA:

Segundo a história, a doutrina Cátara defendia uma vida simples fora da corrupção do mundo e criticava a Igreja de Roma pela sua opulência e poder.

O seu modo de vida rendeu-lhes a admiração do povo e o apoio dos nobres locais mas foram vistos como uma perigosa heresia pela Igreja Católica que lançou contra eles uma Cruzada, a “Cruzada Albigense” que teve início em 1209 e durou 35 anos sob as ordens do Papa Inocêncio III.

Os seus enviados estampavam a cruz nas túnicas e obtinham a absolvição de todos os pecados, remissão das penas e um lugar a salvo no céu. Como recompensa material o produto de todos os saques.

Na cruzada contra os albigenses a carnificina levada a cabo pelos cruzados não teve limites e o legado do Papa dizia:

- “Matem a todos. Deus, no outro mundo, reconhecerá os seus, isto é, Deus distinguirá entre o católico e o herege”.

CANÇÔES ANGLO-SAXÒNICAS (Com sabor tropical...)

INNER CIRCLE - SWEAT A LA LA LONG
(o grande Bob Marley....)

CANÇÕES FRANCESAS

LES CHAUSSETTES NOIRES - BE BOP A LULA
(há 50 anos cantava-se assim o rock... e nós éramos uns imberbes jovenzinhos...)

CANÇÕES ITALIANAS

GIGLIOLA CINQUETTI - IL PRIMO BACIO CHE DARÓ

(... o primeiro beijo te darei no dia em que tu me dirás que queres ficar perto de mim...)
Quem não se sente jovem ao ouvir esta vozinha linda de uma não menos linda menina?....

CANÇÕES BRASILEIRAS

SIMONE e DANIEL GONZAGA - COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ
(é lindo e de uma enorme ternura... comovente!)


CANÇÔES PORTUGUESAS

RUI VELOSO - UM TROLHA D'AREOSA
(uma referência especial a Carlos Tê o discreto e muito talentoso autor das letras das canções de Rui Veloso. Ambos, constituiem a parelha de maior sucesso da música portuguesa)


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 131




Tinha as amigas, os tios queridos, a constante companhia de Marilda, espécie de irmã mais moça, quase uma filha, a lhe confiara seus sonhos, seu desejo de cantar na Rádio. Tinha os passeios e o rádio, músicas e novelas, programas humorísticos, os romances para senhoritas em cuja leitura a normalista a viciara, os disse-que-disse das comadres, as previsões de dona Dinorá, candidatos à sua mão aos montes, na voz e no desejo das vizinhas.

Que diriam os pseudopretendentes se tivessem conhecimento desse novo mercado de escravos, dessa farsa risonha, quando eram oferecidos à escolha de dona Flor, numa exibição ruidosa e numa análise pertinaz de virtudes e defeitos, entre comentários e pilhérias, frouxos de riso? Candidatos sem que o soubessem e desejassem e, ao demais, sistematicamente recusados.:

- Seu Raimundo de Oliveira, Qual? Aquele ajudante de santeiro que trabalha com seu Alfredo? Tenha paciência, Jacy, ele é boa pessoa, mas com aquela cara triste e aquela mania de viver na Igreja… arranje outro, por favor…

Os outros não satisfaziam tampouco; quando reuniam dotes de beleza masculina às qualidades de cidadão, ah!, esses eram todos casados, nem um só livre para remédio: o professor Henrique Oswaldo, da Escola de Belas Artes, parente da família do Areal; o arquitecto Chaves, com obra ali perto, um almofadinha; seu Carlitos Maia, com sua precária agência de turismo; o espanhol Mendez, seu Vivaldo da funerária; e aquele por quem suspiravam as moças às escondidas, pois dona Nair não admitia chamegos com seu marido nem em pensamento, Genaro de Carvalho, mais bonito que qualquer artista de cinema a acreditar-se na opinião do mulherio.

Dona Flor levava aquela história de novo casamento em tal deboche, que aos poucos a brincadeira foi-se reduzindo, projectos e candidatos em abandono.

Assim, calma e ao mesmo tempo cheia de interesse decorria sua vida quando, com a chegada do verão, num cálido Dezembro, chegou também o Príncipe, plantando-se ao pé do poste eléctrico como se ali houvesse criado raízes.

A partir do dia das compras com dona Norma, Rua do Chile acima e abaixo, nenhuma dúvida perdurou a respeito da musa a inspirar ao pálido moço fundos suspiros e olhares lânguidos. Dona Flor sentiu-se queimar em rubor, como se aquele interesse envolvesse grave ofensa ao seu estado ou significasse não ter ela sabido manter-se na fronteira da modéstia e da prudência exigidas a uma viúva.

Seria viúva tão risonha e tão saída, aponto de qualquer ousado permitir-se o direito de rondar
sua porta, de brechar suas janelas? Um insulto e uma vergonha e com que intenções?

quinta-feira, maio 27, 2010


PENSAMENTO
DO DIA





a vida não se conta pelo número de vezes que você respirou...

Adicionar imagem

... mas pelos momentos em que perdeu a respiração...

CANÇÕES ANGLO-SAXÓNICAS

SARA BRIGHTMAN / JOSÉ CARRERAS - AMIGOS PARA SEMPRE
Canção preciosa, vozes de excepção e o vídeo tráz-nos grandes recordações do mundo do desporto.


CANÇÕES ITALIANAS

CATERINA VALENTE - PERSONALITA (1960)
...possuis personalidade, uma personalidade, olhas, personalidade, ris, personalidade, beijas, personalidade... Um grande sucesso de Catarina Valente

CANÇÕES FRANCESAS

JEAN FRANÇOIS ET MARYSE - LA RENCONTRE
...o amor, as saudades, a nostalgia e a beleza da Riviera que permaneceu...


CANÇÕES BRASILEIRAS

LECI BRANDÃO - FOGUEIRA DE UMA PAIXÃO
... todos
os galos cantaram... eu sonhei! Todas as chuvas cairam... com voçê!


CANÇÕES PORTUGUESAS

CARLOS DO CARMO - LISBOA, MENINA E MOÇA
...sou suspeito, nasci e aqui vivi os meus primeiros 12 anos da vida... como não gostar?... o azul do céu, as colinas, uma delas com o castelo de S. Jorge em cima, o estuário do Tejo ao fundo... Mas não comparar com o Rio de Janeiro que já tive a felicidade de visitar. A sua beleza só é possível porque resultou de um capricho da natureza e contra caprichos nada a fazer...


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 130



Aqueles oito meses de viuvez transcorridos após o primeiro tão aflito, dona Flor os atravessara num redemoinho de quefazeres e inocentes passatempos.

Até aliviar o luto pouco saíra – visitas aos tios no Rio Vermelho, a algumas amigas mais íntimas – enchendo o tempo em casa, com a escola, as encomendas, a vizinhança.

Em Junho cozinhou seus pratos de canjica, suas bandejas de pamonha, seus manuês, filtrou seus licores de frutas, seu famoso licor de jenipapo. Com apenas três meses de luto, não abriu suas salas nem nas noites de Santo António e São João, nem mesmo na de São Pedro, patrono das viúvas. Os meninos do bairro acenderam uma fogueira em sua porta e vieram comer canjica; com eles dona Norma, dona Gisa, três ou quatro amigas, na intimidade, sem nenhuma festa. Todos aqueles pratos de canjicas, as bandejas de pamonha, as garrafas de licor foram de presente para os tios, os amigos, as alunas, nos ritos de Junho, mês das festas do milho.

Depois do sexto mês até ao aparecimento do Príncipe, em Dezembro, as suas actividades sociais cresceram muito. Aliviara o luto em Setembro, às vésperas do primeiro Domingo, data sagrada do caruru anual de Cosme e Damião, os Dois-Dois, devoção do finado; com ele vivo os festejos começavam de manhãzinha, com alvorada de foguetório, indo terminar noite alta, forrobodó de arromba, a casa aberta tanto a amigos como a estranhos. Mantendo o preceito dos Ibejes, dona Flor cozinhou o caruru e o serviu discretamente a alguns vizinhos e amigos, cumprindo assim a obrigação do falecido. Mirandão veio com a mulher e os filhos; Dionísia de Oxóssi só com o menino, pois o xará comia poeira nas estradas, transportando carga para Aracajú, Penedo e Maceió.

As amigas a arrastavam a compras e passeios, a cinemas e visitas; assistira a dois espectáculos de Procópio quando o actor ocupara com sua companhia o Teatro Guarani. Com dona Norma e seu Sampaio, fora ao primeiro, com doutor Ives e dona Emina ao segundo, rindo num e noutro sem parar.

Por vezes permanecia em casa, recusando insistentes convites, pois tantas solicitações a fatigavam; e essa fadiga era responsável, a seu ver, por certa e desagradável sensação difícil de definir: como se movimento, trabalho e riso não bastassem para encher sua vida, de súbito desanimada, como se tudo aquilo fosse extremamente cansativo. Não um cansaço físico, sempre útil e benfazejo, pois a fazia dormir a noite inteira num sono pesado de repouso, sem sonhos. Um esgotamento interior, uma insatisfação.

Nenhuma amargura no entanto, nem mesmo permanente melancolia; sua vida era alegre e agradável como jamais o fora. Saía, passeava, em mil e uma coisas ocupada, sem esquecer a escola, divertida responsabilidade; sendo aquele desânimo, de quando em vez a dominá-
la, passageira
nuvem em seus dias claros de jovial agitação.

quarta-feira, maio 26, 2010


ENTREVISTAS

FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 18

Tema – Perdido no Templo?


Raquel – Percorremos as ruas de Nazareth na companhia de Jesus Cristo na sua segunda vinda à terra. Para a entrevista de hoje, a nossa audiência pediu-nos que procurássemos sobre os muitos anos da sua vida que permanece oculta…

Jesus – Mas eu nunca andei oculto em lugar algum… Galileia era uma região extensa, mas aqui todos me conheciam.

Raquel – Creio que os nossos ouvintes se referem aos seus anos ocultos na Índia…

Jesus – Na Índia?

Raquel – Sim, há aqueles que asseguram que o senhor, ainda em jovem, esteve em Cachemira e que ali se formou em Mestre das sabedorias orientais…

Jesus – Essa é que é muito boa!... Olha Raquel, eu só uma vez cheguei à fronteira norte, a Tiro e Sidon… em jovem, os meus passeios foram a Jerusalém, ao sul, para celebrar a Páscoa.

Raquel – Foi a sua primeira viajem aos 12 anos, quando se perdeu no Templo.

Jesus – Sim, dessa vez a curiosidade fez-me perder. É que para um jovenzito da Galileia como eu, ver Jerusalém pela primeira vez foi… como explicar-te? Uma cidade tão grande, tanta gente, tantas casas… e o Templo!

Raquel – O Templo de Jerusalém: uma das maravilhas do mundo antigo.

Jesus – Quando vi aquela maravilha escapei-me de meus pais, fui correndo para a esplanada e perdi-me entre a gente. Havia grupos de rapazes escutando uns anciãos que contavam histórias e eu juntei-me a um a ver o que aprendia… ainda me recordo.

Raquel – Eu também me recordo.

Jesus – Como te podes recordar tu, Raquel?

Raquel – Não está falando dessa história tão conhecida, onde o senhor sendo um jovem, discute de igual para igual com os doutores da lei…

Jesus – De igual para igual, não. Estive escutando, fiz algumas perguntas.

Raquel – Por causa dessa famosa história, muitos o consideravam um jovem prodígio, um génio, um predestinado.

Jesus – Nenhum predestinado, Raquel. O que eu tinha era curiosidade. Nessa idade, aos 12 anos, quer-se conhecer tudo.

Raquel – E nessa idade o senhor já sabia qual seria o seu destino e tinha consciência do que o esperava.

Jesus – Nesse dia o que me esperou foi uma tremenda reprimenda… naquele tumulto os meus pais levaram muito tempo a dar comigo. E quando me encontraram… foi até à Nazareth a ralharem comigo!

Raquel – Permita-me que insista, Jesus Cristo e lhe peça que não fuja à questão. Nessa idade o senhor sabia…

Jesus – Sabia o quê?

Raquel – A missão divina para que havia vindo ao mundo. O senhor era humano mas também tinha uma consciência divina. O senhor sabia.

Jesus – Eu sabia o que sabem os rapazes dessa idade.

Raquel – Mas já estava escrito nos livros sagrados tudo o que o senhor iria fazer. O senhor sabia.

Jesus – Tudo o que iria fazer…? Eu não sabia nada, Raquel, que haveria de saber?

Raquel – Mas na sua consciência…

Jesus – Escuta, Raquel. Deus nos entrega a cada um, um livro com todas as páginas em branco e nós é que lá vamos escrevendo, alguns com melhor letra, outras com letras retorcidas… Naquela primeira viajem a Jerusalém, eu ainda só havia chegado à página 12, as primeiras da história da minha vida. As outras estavam em branco.

Raquel – Satisfeita a nossa audiência? Parece-me que não. Suspeito que, por esta altura da nossa entrevista, tenhamos mais perguntas que respostas. Por isso lhe prometemos novas entre vistas com Jesus Cristo.

Emissoras Latinas, Raquel Perez na Nazareh

CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

BARBARA STREISAND/LOUI ARMSTRONG - HELLO DOLLY
... dois "monstros sagrados" da música internacional...


CANÇÕES FRANCESAS

RENÉ JOLY - CHIMÈNE
...uma canção que nos faz sentir belos sobre uma bola de cristal...


CANÇÕES BRASILEIRAS

CAETANO VELOSO - VOCÊ NÃO ME ENSINOU A TE ESQUECER
(é uma das mais lindas canções românticas, (valeu o amor perdido) na voz maravilhosa do C. Veloso)


CANÇÕES ITALIANAS

ADRIANO CELENTANO - SI È SPENTO IL SOLE (1962)
... apagou-se o sol no meu coração para ti ... não terei mais outro verão de amor
... os dias são noites frias para mim ... sem mais luz nem calor ...

CANÇÕES PORTUGUESAS

TONICHA - MENINA DO ALTO DA SERRA
Festival da Eurovisão de 1971. O poema é do Ary dos Santos e a voz da consagrada Tonicha. Nasceu em 1946 e começou muito cedo no mundo da canção. O seu reportório esteve ligado a música de intervenção e ao folclore. Cantora de sucesso, aqui do Ribatejo. Voltaremos a ela.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

EPISÓDIO Nº 129



Se entravam numa loja, ele na porta punha-se à espera; se dobravam uma esquina ele as seguia; se paravam ante uma vitrine, da vitrina imediata ele as observava. Como duvidar ainda?

As comadres vinham sozinhas ou em grupo espiá-lo ao pé do poste. Como era lindo e parecia infeliz, suplicando ternura, a graça de um olhar, de um sorriso, de uma esperança, formavam todas de seu lado, a seu favor, tentando inclusivé adaptá-lo à visão do noivo revelado na bola de cristal. Não era ele moreno e distinto, talvez doutor e com dinheiro? Quanto à idade e outros atributos físicos, talvez o desencontro se devesse à miopia de dona Dinorá, enxergando maturidade onde devera ver juventude, forte tronco onde existia ponto fraco, saúde de ferro em lugar de pálida languidez. O melhor, na opinião de todas as comadres, era a vidente consultar de novo o cristal e os baralhos, pondo fim àquelas obscuras contradições.

Assim o fez dona Dinorá ante a expectativa do bairro em polvorosa, uma onda crescente de simpatia e solidariedade a cercar Eduardo, o Príncipe das Viúvas, ancorado ao poste de electricidade, fitando o lar de dona Flor, sua próxima escala, porto de aguada e abastecimento.

Aconteceu, porém, ter-se repetido na bola de cristal e na leitura dos baralhos o perfil enérgico do quarentão soberbo com seu anel de grau e sua rosa cor de vinho. Estando a visão envolta em fumaça, como sucede sempre no mistério das revelações, não podia dona Dinorá precisar a qualidade da pedra no anel do doutor, esclarecendo-lhe de vez a profissão. Mas podia com absoluta certeza e alguma pena do moço pálido a suspirar na esquina, garantir nada ter de comum com ele o verdadeiro pretendente, o futuro noivo ainda a aparecer.

Por mais se esforçasse ela, curvada sobre o límpido cristal ou sobre os vistosos naipes, concentrando-se nos eflúvios hindus do Ganges, nas secretas legendas dos templos do Tibet, nada obteve: as forças ocultas da magia oriental persistiam na firme decisão de negar passagem ao Príncipe Eduardo (de Tal). Também nos ebós dos candomblés, em sacrifícios de conquéns e pombos, de galos e de um bode negro, despachos encomendados por Dionísia de Oxóssi para defender sua comadre dona Flor dos malefícios e dos malvados, Exu fechava seus caminhos, trancava suas encruzilhadas para o galante sedutor, especialista sem rival em consolar viúvas, roubando-lhes os solitários corações e, de passagem, haveres e economias, cobres e pratas, anéis e jóias.

terça-feira, maio 25, 2010


Mais Uma Vez:
QUE ME DESCULPEM
AS LOIRAS....



Uma loira chegou ao hotel em Luanda, e como estava muito calor abriu a janela. Só que começaram a entrar vários mosquitos.

Então, ligou para a recepção e reclamou:

- Boa noite, estou com muito calor e com a janela aberta entraram vários mosquitos no meu quarto que me estão a incomodar.

- Se a Senhora desligar as luzes do seu quarto, eles irão embora, disse-lhe o recepcionista.

Ela fez o que ele disse e realmente eles foram embora.

Depois de um tempo, começaram a entrar vários pirilampos. Então ela tornou a ligar para a recepção a reclamar.

E o recepcionista perguntou:

- Mas o que foi agora?

Ela responde:

- Não resolveu nada! Os mosquitos voltaram com lanternas!

VÍDEO

... Só azares...

video

CANÇÕES ANGLO - SAXÓNICAS

VANGELIS - CONQUEST OF PARADISE
...aquele desembarque não pronuncia nada de bom ... para os que lá estavam... como sabemos. Mas a canção tem uma dimensão espiritual empolgante... ajudou o partido socialista a ganhar umas eleições quase por maioria absoluta


CANÇÕES ITALIANAS

SIMONA COLLURA - MAMBO ITALIANO
(há quantos anos... lembram-se ainda?)

CANÇÕES FRANCESAS

FRANCIS CABREL - JE L'AIME À MOURRIR
gostei especialmente da entrada... isto é que são públicos...

CANÇÕES BRASILEIRAS

CAETANO VELOSO - NOSSO ESTRANHO AMOR

(Caetano é um génio da música brasileira...não precisa de orquestras ou tambores: a sua voz, a sua maneira de dizer e a sua viola)

CANÇÕES PORTUGUESES

SÓ FORRÓ - SER EMIGRANTE
Em homenagem às lindas ilhas dos Açores que já tive oportunidade de conhecer e aos açorianos para quem a emigração não é escolha ou opção mas uma inevitabilidade. Por isso o sentimento e emoção que esta canção lhes desperta.


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÓDIO Nº 128



Gastou Marilda inutilmente os seus sorrisos, não foi correspondida. Saía porta fora em direcção ao Largo ou bem para sentar-se cismarenta na balaustrada do pátio da igreja de Santa Tereza – sítio tão ideal para declaração e juras de amor jamais existiu nem existirá, assim idílico, com o céu tão próximo e azul, o mar lá em baixo verde escuro, as paredes seculares do templo e ainda com certeza, a compreensiva bênção de dom Clemente para qualquer esquivo beijo herético.

Não a seguira no entanto o Príncipe, nem para o túmulo do Largo, nem para a paz e o silêncio do mirante sobre as águas. Não abandonava o poste, como se tivesse a ele acorrentado, os olhos fixos nas venezianas da escola.

Ora, se tão pouco era Marilda o alvo dos seus suspiros, a quem atribui-lo senão a dona Flor?

Assim concluíram comadres e amigas e até Marilda, apesar da sua pouca idade e experiência:

- Eu acho que ele está de olho é em você, Flor.

- Em mim? Tu está doida?...

Dias depois, indo ela de compras com dona Norma pelas lojas da Rua Chile, ele as acompanhara tomando o mesmo bonde, a fumar cigarro sobre cigarro e a sorrir tão terno e precisado de carinho. Dona Norma até quase se zanga ao dar-se conta, imaginando dona Flor com segredos para ela.

Muito bonito… A senhora de pretendente e não me disse nada…

- Nem sei quem é… Vive plantado faz uns dias em frente lá de casa, nunca vi mais gordo antes, pensei que fosse alguma aluna, mas vi que não. É com Marilda, que eu disse e parecia, mas também não era. Até a pobrezinha ficou triste. Não sei que diga…

Na maior das excitações, dona Norma examinou o janota em longos e ostensivos olhares, que ela pensava discretíssimas miradas de relance.:

- Bonito pra burro… Só que parece um tanto moderno demais… e após novos olhares, rectificando: - Não é tão moderno como aparenta e, para dizer a verdade é bonito demais para o meu gosto…

- Bonito ou feio não me interessa…

Saltaram do bonde, o tipo atrás. Num átimo, dona Norma traçara complicado itinerário capaz de pôr a limpo se o desmilinguido vinha ou não no rastro delas. Logo ficou patente e claro. Sem tentar aproximar-se nem lhes dirigir a palavra, mantendo-se a prudente distância com o seu sorriso coquette e o olhar súplice, não as perdera de vista um só instante

segunda-feira, maio 24, 2010


ENTREVISTAS FICCIONADAS


A JESUS CRISTO


Entrevista Nº 17

Tema – Jesus Analfabeto?


Raquel – Continuamos as entrevistas com Jesus Cristo durante a sua segunda vinda a este mundo. Estamos instalados em Nazareth no lugar onde ele nasceu e junto da velha Sinagoga onde ele estudou. Porque o senhor estudou aqui, imagino eu.

Jesus – Estudar, o que se diz estudar… O rabino ensinava-nos algumas coisitas da lei. Mas como éramos muito travessos…

Raquel – onde realizou os seus estudos superiores?

Jesus – Quais estudos superiores?

Raquel – Refiro-me a filosofia, teologia… Talvez tenha conseguido uma Bolsa para estudar em Qumram esse Mosteiro junto do Mar Morto que era famoso no seu tempo?

Jesus – Qumram?... Esse está muito longe daqui. Para além disso, que eu saiba, apenas lá chegavam os filhos das famílias de Jerusalém. João Baptista esteve lá mas eu não conheci esse destino.

Raquel – Então, Jesus Cristo, onde estudou o senhor?

Jesus – Em parte nenhuma. Eu não pude estudar. Os meus pais eram muito pobres.

Raquel – Bem, mas na Sinagoga ensinaram-lhe o elementar, não?

Jesus – Na Sinagoga ensinavam-nos a lei, mas a lei está escrita em hebraico e nós falávamos aramaico. Então, o Rabino ia traduzindo e fazia-nos repetir…

Raquel – Mas o senhor sabia ler?

Jesus – Como tu disseste: o elementar.

Raquel – Mas não foi aqui nesta mesma Sinagoga da Nazareth, que tu leste um trecho de um profeta, creio que de Isaías?

Jesus – Vou contar-te um segredo. Esse texto eu sabia-o de memória… é a minha profecia favorita. Então, passei adiante, desenrolei o pergaminho e comecei: “ O espírito do Senhor está sobre mim. Ele envia-me aos pobres para lhes anunciar a Boa Notícia”.

Raquel – Confesso-lhe que a nossa audiência deve estar bastante confundida porque se o senhor não sabe ler como poderia saber escrever?

Jesus – Eu ão sabia escrever. Os Sacerdotes e os Escribas é que controlavam os livros.

Raquel – Mas, não se recorda daquele episódio da mulher adúltera em que o senhor se pôs a escrever na terra e…

Jesus – Pus-me a fazer uns riscos, como os presos, fazendo tempo até que aqueles velhos hipócritas se fossem dali embora.

Raquel – Então, senhor Jesus Cristo, e desculpe-me se eu o ofendo… o senhor era praticamente analfabeto?

Jesus – Não me ofendes, porque todos os homens do campo do meu tempo e sobretudo as mulheres, não sabiam ler nem escrever. A minha mãe não conhecia nem uma letra do alfabeto.

Raquel – A virgem Maria, quero dizer, a Maria sem virgem, também era analfabeta?

Jesus – Também, Raquel, eu estou admirado porque nestes dias tenho visto jovens muito pequenos, tal como meninas, a saberem ler e escrever… como o mundo mudou nestes anos, não é verdade?

Jovem – Esperem, esperem!... Tu não és Raquel Perez das Emissoras Latinas?

Raquel – E tu és uma jornalista da concorrência?

Jovem – Não, sou uma fã dos teus programas… Gosto como fala Jesus Cristo. Força, segue nesse sentido… Dás-me um autógrafo, por favor.

Jesus – Que me está pedindo esta jovem, Raquel.

Raquel – Que assines o caderno dele.

Jesus – Que assine?

Raquel – Sim, que escrevas o teu nome.

Jesus – Sim, o meu nome eu sei escrever.

Raquel – Toma este lápis.

Jesus – Meu pai, José, ensinou-me essas letras… a ver… espera…

Jovem – Obrigado, Jesus Cristo, meu irmão… guardá-lo-ei como um tesouro!

Raquel – Senhores ouvintes, amigos e amigas, querem também um autógrafo de Jesus Cristo? Não têm mais que ligar para o 144-000.
Continuaremos em breve. Emissoras Latinas, Raquel
Perez.

CANÇÕES ANGLO- SAXÓNICAS

PHIL COLLINS - IN THE AIR TONIGHT
(em directo de Madison Sqare Garden em 1988)

CANÇÕES ITALIANAS

GIANNI PETTENATI - BANDEIRA GIALLA (1966)
(... até que venhas agitar a bandeira amarela tu saberás que aqui se dança e o povo voará...)


CANÇÕES FRANCESAS

MIREILLE MATIHIEU - PARIS EN COLERE
(ninguém melhor para cantar esta canção que Mireillle Mathieu. Ela concentra em si o fervor patriótico e religioso adequado a canções militares e hinos religiosos. Com a sua poderosa voz ela é um tesouro nacional francês.)

CANÇÕES BRASILEIRAS

MARTINHA - TE AMO MESMO ASSIM
(na década de sessenta, Martinha mexeu com muitos corações. Canta e compôe. A jovem da canção é a antítese da mulher rebelde.... mesmo quando lhe dizem que ele já não gosta dela, continua a amá-lo e será dele na hora que ele quiser...)

CANÇÕES PORTUGUESES

NUNO DA CAMARA PEREIRA - SAMARITANA
(comprometido com a causa monárquica, Nuno da C. Pereira envolveu-se na política e acabou deputado na Assembleia da República. Sinceramente, prefiro ouvi-lo a cantar.)


DONA FLOR
E SEUS DOIS
MARIDOS

EPISÓDIO Nº 127



Com o correr dos dias, não o tendo surpreendido na companhia de nenhuma aluna e vendo-o sempre ali em horas as mais diversas e até pela noite, a fitar as suas janelas, concluiu, ante tais horários absurdos, nada de comum existir entre a persistência do coió e as estudantes de forno e fogão.

Não lhe ditando os passos discípula da escola, então qual o alvo de seus olhares e suspiros?

Marilda, certamente; outra não podia ser a causa da aflita presença. Vivendo a moça mais tempo em casa da professora do que na sua própria, o fulano a imaginara irmã ou sobrinha de dona Flor: exibiam as duas a mesma doce cor de pele, morena sem termo de comparação, um tom de cor rosa-chá, de mate e de finura, resultante de ter-se misturado sangue indígena ao negro e ao branco para criar esse primor de mestiçagem

Marilda dava corda ao suspirante ou o desprezo lhe dava? Chegara a preciosa à idade de namoro; com mais dois anos concluiria o curso pedagógico, apta para o noivado e casamento. Já se dera conta, aliás, do interesse do indivíduo, mas atribuindo a responsabilidade a outra qualquer; à escalabreada Maria, às bonitas filhas do doutor Ives, à professorinha Balbina, quem sabe? Mas se nenhuma delas vivia junto ao poste, não se avistando dali suas janelas e, sim, as da sala de visitas de dona Flor, onde só Marilda se demorava a ouvir rádio e a ler romances da Colecção Menina e Moça, havia de ser por ela a vigília e a melancólica postura do Mané-teimoso.

Pela brecha da janela, brecharam o camarada: é lindo, suspirou Marilda, inconstante coração já disposto a sacrificar o namorico com Mecenas, colega do pedagógico, frangote de sua mesma idade. Concordava dona Flor: uma “galanteza de rapaz”, bem jovem ainda, não teria mais de vinte e três ou vinte e quatro anos, na medida exacta para a futura mestra. Era preciso tomar informações, saber se exercia profissão liberal e rendosa ou se possuía bom emprego em banco ou escritório. Talvez fosse rico, e assim o demonstrava, pois não tinha horário para exibir-se na
rua, escorando o poste à frente da casa de dona Flor.

domingo, maio 23, 2010


AS ENTRVISTAS


FICCIONADAS


A JESUS CRISTO




Também eu tenho acompanhado com interesse as entrevistas que Jesus Cristo tem concedido em exclusivo à repórter Raquel Perez das Emissoras Latinas.

Às palavras humildes e tranquilas de Jesus Cristo num discurso de grande sensatez e serenidade, juntam-se informações que ele nos tem transmitido da sociedade do seu tempo onde viveu e pregou.

Estas informações têm-nos sido prestadas a propósito das respostas às perguntas de Raquel as quais, naturalmente, exigem uma referencia ao contexto social onde decorreu a sua vida, muito concretamente aos usos e costumes daquele tempo.

Vamos esperar muitas mais revelações que fazem de cada entrevista um momento de satisfação de uma legítima curiosidade.

Legítima curiosidade que Jesus Cristo também sentiria se eu lhe pudesse fazer chegar o conteúdo da leitura de uma entrevista feita a um jornalista, Curzio Maltese, do diário La República, que deu origem ao livro "La Questua" (a recolha das esmolas) e que em 2008 liderou as vendas em Itália, sobre o que se passa nas relações entre o Estado Vaticano e Italiano:


- "Ficaria então a saber que a Igreja custa mais à Itália do que custa a sua classe política.

O Estado dá à Igreja mais de 5 mil milhões de euros por ano através de apoios a escolas católicas e instituições sociais ou de saúde, de isenções fiscais e de impostos numa violação do Direito Civil.

Mesmo não querendo, o cidadão italiano é obrigado a financiar a Igreja, que é quase uma holding recebendo todos os anos o mesmo dinheiro que a Itália dá agora para ajudar a Grécia.

A Igreja é mais poderosa do que Berlusconi ou qualquer força política, sendo que todo o sistema eclesiástico é governado por uma inteligência notável.

Ela jogou sempre com a Direita e a Esquerda conseguindo obter sempre o que queria quer de ditaduras ou de democracias.

No Parlamento há um lóbi clerical católico muito forte que condiciona as leis especialmente as que se relacionam com as mulheres, a família, o testamento vital e os novos direitos civis, mesmo sendo laica a Constituição da República.

Ela faz positivamente o que quer. Por exemplo, o financiamento com dinheiros públicos a escolas privadas está proibido mas isso não vale para as escolas católicas. O Vaticano é uma espécie de zona franca com um poder económico considerável.

A religião católica é a que mais condena o dinheiro mas é a única que tem um banco gerido pela Cúria Eclesiástica, banco obscuro, ligado a episódios terríveis da vida italiana, relacionados com a Máfia, as bancarrotas, enfim…

Nunca nada foi investigado. Quando o arcebispo Marcinkus foi acusado de provocar o “crack” do Banco Ambrosiano, o passaporte do Vaticano impediu a sua prisão…

O turismo italiano pode estar em crise mas o religioso cresce. Um hotel religioso daqueles de 4 e 5 estrelas com piscina e quartos a 200 e 300 euros está isento de impostos numa situação de total deslealdade.

É certo que a Igreja presta assistência aos pobres e acolhimento aos emigrantes, tarefas que deveriam pertencer ao Estado mas, dos 0,8% de impostos, que lhe rendem mais de mil milhões de euros, só 20% vão para as acções de caridade ficando o resto na Igreja para auto-financiamento.

Isto foi denunciado em Itália e a reacção da opinião foi muito importante já que as pessoas são sensíveis e críticas a esta situação da qual, simplesmente, não era informada.

Face a essa reacção a taxa dos 0,8 caiu para cerca de 2oo milhões e a Igreja está preocupada."

Todas estas "tropelias" feitas em nome de Jesus Cristo pelos seus seguidores deveriam deixá-lo, concerteza, triste e frustrado. Esperemos que a Raquel não saiba e por isso nada lhe diga. Já lhe basta o que acontece no mundo para o desiludir quanto mais com o que se passa na sua casa.

Desta vez, ser-lhe-ia muito mais difícil correr com os "vendilhões do templo"...

Site Meter