sábado, setembro 03, 2011

OS BAIRROS ANTIGOS DA MINHA CIDADE DE LISBOA - A FLAUTA DE RÃO KYAO

Cidade muito antiga que foi conquistada pelos mouros provenientes do Norte de África em 719. Chamaram-lhe Al-Lixhbuna. Depois de uma tentativa fracassada em 1137, D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal, conquistou-a definitivamente aos mouros com a ajuda dos Cruzados que estavam de passagem por Portugal, em 1147. Foi destruida em 1755 por um terramoto seguido de tsunami mas continua a guardar os seus bairros típicos onde o fado nasceu com a nostalgia própria dos marinheiros e da flauta do Rão Kyao.(aumente a imagem)


Caro António Roberto, Psicólogo Psicoterapeuta:

Espero que me possa ajudar.
Saí ontem à tarde no meu carro para ir trabalhar, e deixei o meu marido em casa, a ver televisão, como sempre. Andei pouco mais de 1km quando o motor parou e não pegou mais.

Voltei para casa, para pedir ajuda ao meu marido e quando cheguei, apanhei-o em flagrante na cama com a filha da minha vizinha!

Eu tenho 32 anos, o meu marido tem 34 e a desavergonhada, 19. Estamos casados há 10 anos e ele confessou que mantinha aquela relação há mais de 6 meses.
Eu amo o meu marido e estou desesperada.

Preciso urgentemente do seu conselho.

Antecipadamente grata.
Patrícia
_____________________________________________________

Cara Patrícia:

Quando um carro pára, depois de ter percorrido uma pequena distância, isso pode ser devido a uma série de factores.

Pode não haver combustível no depósito ou o filtro estar entupido, mas também pode ser da injecção electrónica ou da bomba de gasolina que, não fornecendo combustível ou pressão suficiente nos injectores impede que o motor funcione.

Nesse caso, a pessoa a contactar deve ser um mecânico.
Não volte a incomodar o seu marido. Ele não é mecânico.
Você está errada. Não repita mais isso.
Espero ter ajudado.

António Roberto - Psicólogo e Psicoterapeuta

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA





Episódio Nº 196



Os olhos penetrantes do doutor, abertos, a observar padre Vinícius no temor de Deus, atormentado de dúvidas – não parecem olhos de um morto. O pecado maior do doutor não tinha sido aquele, cabia razão ao médico. Descrente, ímpio e, se necessário, impiedoso, entrincheirado no orgulho.

Tendo-o visto no seio da família, o padre vislumbrou a solidão e o desencanto e deu-se conta do preciso significado de Tereza – não apenas amásia formosa e jovem de senhor idoso e rico; amiga, bálsamo, alegria. Esse mundo de Deus, mundo torto do Demónio, quem o pode entender?

- Deus há-de te ajudar, Tereza, nesse transe.

Os aflitos olhos do padre abandonam os olhos argutos do doutor, percorrem o quarto. Pelas mesas livros e objectos múltiplos, um punhal de prata; na parede um quarto com mulheres nuas entre as ondas do mar. O espelho enorme, impúdico, a reflectir a cama. Apenas uma rosa nas mãos do morto.

Quarto vazio dos atributos da fé, desolado como o coração de Emiliano Guedes, bem a seu gosto, despido de enfeites fúnebres; assim Tereza o conservara. Mas a família vai chegar, Tereza, a qualquer momento, gente religiosa, leva muito em conta as formalidades do culto e das aparências. Vamos permitir que os parentes encontrem o cadáver do chefe da família sem um sinal sequer da sua condição cristã? Mesmo sendo descrente, era cristão, Tereza, mandava celebrar missa na usina, assistia ao lado da esposa, dos irmãos, das cunhadas, dos filhos e sobrinhos, do pessoal do engenho e dos campos, de gente vinda de longe. Na frente de todos, ele, de pé, dando o exemplo.

- Não acha, Tereza, que seria bom acender ao menos duas velas aos pés do nosso amigo?

- Como o senhor queira, padre. Mande o senhor mesmo.

Ah, Tereza, por tua boca as velas não serão pedidas, por tuas mãos não serão postas nem acesas! Tu e o teu doutor, poços de orgulho. Piedade, senhor! Implora o padre, e eleva a voz:

- Clerêncio, Clerêncio, venha cá! Traga castiçais e velas.

- Quantas?

O padre olha para Tereza outra vez absorta, distante, indiferente ao número de velas, vendo, ouvindo e sentindo apenas o doutor e a morte.

- Traga quatro…

Na sombra da noite move-se o sacristão ao coaxar dos sapos.

21

Não ficara marca exposta e, exceptuando-se o doutor, pessoa alguma percebeu jamais resquício de amargura no comportamento de Tereza, como se ela houvesse riscado da memória a lembrança do ocorrido. Não voltaram ela e Emiliano a comentar o assunto. Muito de raro em raro, porém, perdiam-se no vácuo os olhos de Tereza, o pensamento longe e o doutor se dava conta da sombra fugidia logo encoberta por um sorriso.

Ah! poderosa ausência a daquele que não chegara a ser presença visível, apenas pressentida no violado ventre de onde os ferros do médico o arrancaram a mando do usineiro. (clik na imagem e aumente)

14ª ENTREVISTA FICCIONADA



COM JESUS SOB O TEMA:

"O SINAL DA ALIANÇA"




RAQUEL – Emissoras Latinas continuam a sua cobertura à segunda, súbita e surpreendente vinda de Cristo ao mundo. Desta vez, os nossos microfones estão instalados no que foi a antiga sinagoga de Nazaré.

JESUS – Bom dia, Rachel.

RAQUEL - Como podem ouvir, novamente Jesus Cristo nos acompanha, ele que não está sendo reconhecido pelos peregrinos que visitam este lugar. Julgo que o senhor foi baptizado aqui quando creança.

JESUS - Como baptizado?

RAQUEL - Oh, desculpe, é o resultado da emoção... ainda não me acostumei à ideia de que estou a conversar com o senhor…

JESUS – Eu me baptizei, sim, mas já era maior, no rio Jordão, quando o profeta João começou a pregar a justiça.

RAQUEL - Eu não quis dizer baptismo, mas circun…

JESUS - Circuncisão.

RACHEL - O senhor foi circuncisado?

JESUS - Claro, eu sou judeu. No povo judeu todos os homens são circuncisados.

RAQUEL - Para os nossos ouvintes que não conhecem esse rito antigo, poderia explicar o que é?

JESUS - Melhor do que eu poderá explicar o rabino que vem aí… esconda-se atrás de mim, Rachel… Ei, mestre!... Shalom!

RABINO - Shalom, filho… o que pretendes… quem és?

JESUS – Veja, rabino, o que acontece é que esta jovem que está aqui gostaria de saber algo sobre a circuncisão…

RABINO - Qual jovem?

RAQUEL – Bom dia rabino, eu...

RABINO – Mulher pagã… e com as pernas nuas! Puah…

JESUS – Dás-te conta, Raquel…

RAQUEL - Mas por que se foi ele, por que me virou a cara?... não entendo nada…

JESUS – Deixa lá… é um guia cego como muitos do meu tempo. Que querias saber sobre a circuncisão?

RAQUEL - Para informação da nossa audiência…

JESUS - Os pais traziam os recém-nascidos à sinagoga. O rabino com uma faca afiada cortava o pequeno anel de pele que cobre o membro masculino, o prepúcio.

RAQUEL - Desculpe a minha ignorância mas… por quê esse estranho rito?

JESUS - Moisés estabeleceu-o como um sinal da aliança entre Deus e o seu povo.

RAQUEL - Imagino que seja doloroso para a criança…

JESUS – Choram por um tempo, mas logo passa. Agora, quando em maior é que dói.

RAQUEL – Em maior?... Poderia explicar…

JESUS – Dói-me que o meu povo seja tão… tão… como se diz agora? Demasiado homens, varões…

RAQUEL – Machos?

JESUS – Isso, tão machistas. Te dás conta, Raquel? Disseram que Deus só estabeleceu o seu pacto com os meninos. E as mulheres?

RACHEL - Bem, é claro, as mulheres não têm… não temos…

JESUS - Não possuem pénis.

RAQUEL – O senhor nunca falou da circuncisão?

JESUS - Não, nunca falei dela porque eu nunca gostei dessa lei. Como pode a aliança, o anel de casamento entre Deus e seu povo, ser a pele que cobre o pénis?

RAQUEL - Sim, na verdade reflecte uma religião muito masculina…

JESUS - No meu tempo, os homens rezavam todas as manhãs esta oração: - "Obrigado Senhor por ter nascido judeu e não uma mulher." Certamente, este rabino que te virou a cara ainda a reza.

RAQUEL – E o senhor, alguma vez a rezou?

JESUS – Nunca, eu senti-a como um insulto contra Deus.

RAQUEL? Por quê?

JESUS – Porque… queres que te adiante algo, uma boa notícia?

RAQUEL - Claro que sim.

JESUS - Primeiro, podes desligar esse dispositivo…

RAQUEL – Está bem… Agora diz-me se eu o tirar do ar?

JESUS - Não, agora não. Depois, depois dirás ao público o que agora te direi ao ouvido.

RAQUEL – De momento, confidencial. Em emissões futuras compartilharei convosco esta revelação impressionante.

Raquel Perez. Emissoras Latinas.

sexta-feira, setembro 02, 2011

“O VOO DO MOSCARDO” (FANTÁSTICO…)


“The Flight of the Bumble-Bee” (“O Voo do Moscardo”) é um famosíssimo interlúdio musical, composto pelo compositor russo Nicolai Rimsky Korsakov para sua ópera “O Tzar Saltan”, entre 1899 e1900.


É um verdadeiro "tour de force" musical, inicialmente escrito para um solo de violino. Algum tempo depois o próprio Rimsky Korsakov reescreveu a peça para piano. Contudo, era tecnicamente tão difícil de recriar que o famoso pianista Vladimir von Pachmann (1848/1933), ao ler a partitura, julgou-a "impossível de ser tocada". Anos depois, Serguei Prokofiev (1891/1953) aceitou o desafio e abriu a porta para que pouquíssimos colegas realizassem essa proeza...


Esta jovem pianista chinesa, de apenas 18 anos, certamente uma das melhores do mundo, dá um show

de virtuosismo…


Como se vê não é impossível mas as dificudades até nos deixam com os olhos trocados...



video


THE MAMAS AND THE PAPAS - CALIFORNIA DREAM

Bons tempos...


TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





(Episódio Nº 195)


20

Na porta do jardim, o padre Vinícius encontra-se com João Nascimento Filho, trocaram um aperto de mão e frases feitas: “que coisa, o nosso amigo ainda anteontem tão bem”, “assim é a vida, ninguém sabe o dia de amanhã”, “só Deus que tudo sabe!” Mestre João some na rua ainda escura. O padre entra no jardim, com ele o sacristão, velhote magricela e torvo, a conduzir objectos de culto. O médico vem ao encontro do reverendo:

- Finalmente chegou, padre, eu já estava nervoso.

- Acordar Clerêncio não é sopa e depois ainda tive de passar na igreja.

Clerêncio safa-se para o interior da casa, dá-se com Nina há muitos anos. Do pomar chegam ruídos nocturnos, grilos, sapos a coaxar, o pio de uma coruja. As estrelas empalidecem, a noite avança, não tardarão os primeiros sinais da madrugada. Padre Vinícius demora-se no jardim conversando com o médico, a tirar a notícia a limpo, ouvida ainda no sono quando doutor Amarílio lhe avisara do acontecido, querendo agora a confirmação:

- Em cima dela?

- Pois foi…

- Em pecado mortal, Senhor Deus!

- Se no caso há pecado, padre, dele somos todos cúmplices, pois participámos da vida do casal, convivemos…

- Não digo menos, caro doutor, mas que se há-de fazer?

Só Deus Todo-Poderoso tem o direito de julgar e perdoar.

- Padre, eu penso que se o doutor for para o inferno, será por outros pecados, não por esse…

Entram juntos na sala de jantar, onde o sacristão se regala com os cochichos de Nina. No quarto, sentada numa cadeira ao lado do leito, Tereza absorta. Ao perceber os passos, volta a cabeça. Padre Vinícius fala:

- Pêsames, Tereza, quem havia de pensar? Mas nossa vida está nas mãos de Deus. Que ele tenha piedade do doutor e de nós.

Ah! tudo menos piedade, padre: o doutor, se o ouvisse, ficaria ofendido, tinha horror à piedade.

Padre Vinícius sente-se triste deveras. Gostava do doutor, cidadão poderoso mas culto e amável, com a morte dele terminavam-se os únicos serões civilizados da freguesia, a cavaqueira alegre, os debates animados, os vinhos de qualidade, importados, a boa convivência. Talvez continuasse a ir à usina celebrar a missa na festa de Sant’Ana, baptizar meninos e casar o povo, mas sem o doutor não teria a mesma animação. Gosta também de Tereza, discreta e inteligente, merecedora de melhor sorte, em que mãos irá parar agora? Não faltarão urubus a corvejá-la, candidatos à cama vazia. Alguns com dinheiro e empáfia, mas nenhum se compara ao doutor. Se ela ficar por ali, vai passar de um para outro, degradada nas mãos de meia dúzia de graúdos tão-somente ricos. Quem sabe se viajasse para o sul, onde ninguém a conhece, assim bonita e agradável, poderia até casar. E porque não? A sorte de cada um está na mão do Todo-Poderoso. A do doutor fora morrer ali, em cima da amásia, em pecado mortal; piedade, Senhor, para ele e
para ela. (clik na imagem e aumente)

ONDE ESTÁ O MEU OURO DE MINAS?
(continuação)



Recentemente, numa viagem ao coração do sertão brasileiro (Goiás e Tocantins), o mais novo Estado da União, terra descoberta pelo célebre bandeirante português “Ahanguera” e onde se continuou a corrida ao ouro, (depois de exauridas as levadas de Minas), comprei um livro sobre a história da corrida ao ouro no Brasil, em finais do Séc. XVIII e princípios do XIX.
E, no que nos diz respeito, a coisa resuma-se assim: o ouro foi descoberto, a mando insistente da Corte de Lisboa (como se no contexto histórico dos impérios, fosse estranho a capital querer descobrir e explorar as riquezas da colónia), pelos heróicos bandeirantes, que eram, quase todos, brasileiros de São Paulo; quem escravizou os índios e os negros trazidos de África para as minas foram os portugueses, não os brasileiros; a Corte (isto é Portugal) roubou sem pudor, o ouro do Brasil, exigindo o célebre “quinto” – que o autor reconhece, todavia, que nunca conseguiu cobrar, nem próximo – (um quinto, 20%; tomáramos nós que hoje os Estados se contentassem em cobrar-nos 20% de impostos sobre a riqueza produzida!); quem deixou que as minas se esgotassem por falta de técnicas de exploração adequada, como viria depois a acontecer com o café, no Vale de Paraíba, já o Brasil era independente há muito), foi a Corte de Lisboa, a 10.000 Km de distância, e não os donos das explorações, que, por acaso, eram brasileiros; e quem, finalmente aproveitou o ouro do Brasil foi Portugal (que usou o que recebeu para, já então, pagar a dívida externa) e não o Brasil que ficou com 90% dele, usando-o para tornar São Paulo a cidade mais rica da América do Sul e dar berço ao próprio Estado de Minas Gerais (cuja tentativa de secessão, a “Inconfidência Mineira” foi sufocada por Portugal, mas a benefício do Brasil – até hoje).

De facto, não havia necessidade. Graças ao D. João V, sobretudo, ainda hoje nos tomam por ladrões no Brasil. E onde está o meu ouro de Minas?

Miguel Sousa Tavares

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES



À 13ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:


“JOSÉ, MARIDO DE MARIA? (4º e último)


Um Homem Justo


No Evangelho de Mateus José é caracterizado com uma só palavra: era um homem "justo", uma qualidade que os profetas de Israel atribuíam a Deus. Que Deus é justo significa na cultura hebraica dizer que ele é justiceiro, que faz justiça, que toma partido pelos que estão de baixo, sem poder e puxa para cima para os pobres, que dá a cara por eles e não se deixa subornar nem por palavras bonitas nem por rituais sagrados. Pai genético ou pai adoptivo, José fez Jesus herdeiro do seu senso de justiça.

José na Literatura

José de Nazaré é um personagem mais na pintura do que na literatura. Muitas vezes aparece em filmes, mas de forma cinzenta e secundária. O Prémio Nobel de Literatura, José Saramago, torna-o protagonista excepcional da primeira parte de seu romance "O Evangelho Segundo Jesus," quando José é crucificado por engano em Séforis, a capital da Galileia, uma tragédia que ocorre quando Jesus ainda é jovem e que influenciará decisivamente a sua vida.

quinta-feira, setembro 01, 2011

THE MAMAS AND THE PAPAS - MONDAY MONDEY

A inesquecível, imperdível, saudosa... música dos Anos 60!


PEDIDO DE CASAMENTO

Ela, tímida, receosa, cheia de pudor... ele, convicto, decidido, cheio de boas intenções, confiante em que tudo irá dar certo ....






Diferença entre ter "PEITO" e "TOMATES"

Todos ouvimos falar em alguém ter Peito ou ter Tomates, mas sabe REALMENTE a diferença entre ambos?


Ter PEITO
- É chegar a casa tarde, após uma farra com os amigos, ser recebido pela mulher com uma vassoura na mão, e ter peito de perguntar:

- "Vais varrer, ou vais voar?"

Ter TOMATES - É chegar tarde a casa, após uma farra com os amigos, a cheirar a perfume e cerveja, batom no colarinho, e dar uma palmada no rabo da mulher e dizer:

- "Tu és a próxima, gorducha!"

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA






(Episódio Nº 194)



O doutor dá-se conta da medida infinita da tristeza, da desolação.:

- Eu sei o que você está sentindo, Tereza, infelizmente não pode ser de outra maneira, não quero e não terei filho na rua. Não darei meu nome. Você se pergunta com certeza se não tenho vontade de um filho meu e seu. Não, Tereza, não. Só quero a você, a você sozinha, sem mais ninguém. Não gosto de mentir nem para consolar tristezas.

Fez uma pausa como se muito lhe custasse o que ia dizer:

- Ouça, Tereza, e decida você mesma. Eu lhe quero tanto bem que me disponho a lhe deixar ter a criança, se você faz questão e a sustentá-la enquanto eu viver – mas não o reconheço como filho, não lhe dou o meu nome e com isso acaba a nossa vida em comum. Quero a você, Tereza, sozinha, sem filhos, sem ninguém. Mas não lhe quero contrafeita, triste, ferida, ia ser ruim o que até agora tem sido tão bom. Decida, Tereza, entre mim e o menino. Nada lhe faltará, garanto, só não terá a mim.

Tereza não vacilou. Pondo os braços em torno do pescoço do doutor, deu-lhe os lábios a beijar: a ele devia mais do que a vida, devia o gosto de viver.

- Para mim o senhor passa antes de tudo.

O doutor Amarílio veio à noite e conversou a sós com Emiliano, na sala. Depois foram ao encontro de Tereza no jardim e o médico marcou a intervenção para a manhã seguinte, ali mesmo em casa. E as reservas morais, tão ponderáveis, o ponto de vista categórico, doutor Amarílio, que fim levaram? Levaram sumiço, Tereza, um médico de roça não pode ter ponto de vista, opinião firmada, não passa de curandeiro às ordens dos donos da vida e da morte.

- Durma tranquila, Tereza, é simples curetagem, coisa à toa.

À toa e triste, doutor. Hoje ventre fecundo, amanhã pasto da morte. Doutor Amarílio entende cada vez menos as mulheres. Não fora Tereza Batista ao consultório propor o aborto, se o médico não o fizesse ela iria em busca de uma curiosa qualquer, dessas muitas fornecedoras de anjo à corte celeste, porque então o olhar aflito, a face dolorida? Porquê? Por ter sido ele a última esperança de Tereza na luta pelo filho; todas as reservas do médico, o ponto de vista categórico, ninguém pode dispor de uma vida, decidir sobre a morte alheia, abalassem os princípios do doutor Emiliano.

Tão desatinada, Tereza parecia esquecida da intransigência do usineiro, imutáveis normas de comportamento. Filho na rua, não, escolha entre o menino e eu. Adeus filho que não conhecerei, desejado menino, adeus.

Coisa à toa decorreu sem incidentes e Tereza só guardou o leito por conselho médico e exigência de Emiliano. Ele não a deixou sozinha um único instante, a lhe oferecer chá, café, refrescos, frutas, chocolate, bombons, a ler para ela, a lhe ensinar truques de baralho, conseguindo fazê-la sorrir ao longo daquela jornada melancólica.

Apesar dos repetidos e urgentes apelos de Aracaju e da Bahia, dos negócios importantes, o doutor demorou junto da amásia uma semana inteira. Dias de ternura, de mimo e dengue, de dedicação tamanha, a ponto de Tereza sentir-se limpa de qualquer desgosto, paga pelo sacrifício, contente de viver, sem nela ter ficado marca exposta.

Assim era o doutor, o rebenque e a rosa.
(clik na imagem)

ONDE ESTÁ O MEU OURO DE MINAS?
(continuação)


Há excepções, claro (Joaquim Nabuco, por exemplo), mas o tom geral da narrativa é de tal ordem que apetece perguntar como é que, até à independência (concedida por um soberano português, se distinguiam os portugueses do Brasil dos brasileiros do Brasil?

Por exemplo, o grande sucesso editorial brasileiro dos últimos tempos, o “1808”, de Laurentino Gomes, sobre a chegada da corte de D. João VI ao Brasil: um panfleto doentiamente anti português, sem a menor preocupação de enquadrar a história no seu contexto e onde só interessa o lado negro da aventura joanina. Parece, segundo o autor, que com a estada da corte portuguesa, os “brasileiros” descobriram, estupefactos, a porcaria urbana, a corrupção, o compadrio e o desgoverno (tudo coisas que, como se sabe, foram extintas em todo o Brasil há muito).

Ora, todos sabemos que D. João VI era um atrasado mental e que a Dª Carlota Joaquina era uma ninfomaníaca sevilhana permanentemente ocupada a conspirar contra o próprio rei e marido. Mas isso não era uma especialidade portuguesa, mas um dado corrente nas cortes europeias, minadas pela consanguinidade e pelas regras arbitrárias próprias dos sistemas monarcas da época.

Todavia, e conforme demonstram estudos recentes, D. João VI foi bem melhor soberano no Brasil do que foi em Portugal. Reformou a cidade do Rio de alto a baixo, abriu os portos brasileiros ao comércio internacional e instalou um verdadeiro Estado – que levou daqui por inteiro – onde antes apenas havia capitanias e mandantes locais.

O seu grande erro foi ter regressado, em vez de ter tido a visão de perceber que a capital do império deveria ser o Brasil e não Portugal.
(continua
)

INFORMAÇÕES COMPLENTARES



À 13ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:


“JOSÉ, MARIDO DE MARIA?”(3)


A Hipótese de Violência Sexual



Nas primeiras controvérsias entre paganismo e cristianismo menciona-se o facto de que Maria foi violada. O filósofo pagão Celso em "Verdadeiras Doutrinas”, escrito no ano 178, dá ainda o nome do violador: Panthera, um soldado romano. Este era um nome grego bastante comum na sua época, e era também o nome de uma das legiões romanas que ocupavam a Palestina nos anos em que Jesus nasceu.

As violações pelas tropas romanas contra as mulheres da Galileia eram muito frequentes. Expressavam então, tal como agora se expressa nas guerras e intervenções militares – mais do que um instintivo desejo sexual masculino, um abuso de poder e de agressão física com a qual os soldados procuram estabelecer superioridade e domínio sobre os territórios conquistados e os seus residentes.

quarta-feira, agosto 31, 2011

VÍDEO


Fuzilamento...


video


ALCEU VALENÇA - LA BELLE DU JOUR

O Brasil não é um país, é um continente. Podemos visitá-lo várias vezes e encontraremos sempre paisagens diferentes, umas delicadas outras poderosas. Em 1995 visitei o Brasil e na noite da passagem do ano para 1996 eu estava na praia de Copacabana aos abraços com mais não sei quantos milhões de brasileiros num espetáculo humano único no mundo. Estive em Pernambuco, no Recife, em Olinda e, naturalmente, na praia de Porto de Galinhas nas suas águas cálidas e absolutamente transparentes...lindo! Parabéns ao autor deste vídeo pelo seu bom gosto.


TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA







(Episódio Nº 193)



Ela concordou, outra coisa não desejando senão guardar uma esperança: ah, um filho, uma criança sua, e ainda por cima filho do doutor! Emiliano chegou poucos dias depois, na hora do almoço, mas, tão saudoso de Tereza, antes mesmo de ir para a mesa posta levou a amásia para o quarto e começaram por folgar, em riso e brincadeira – tenho fome é de você, fome e sede, minha Tereza. Nervosa assim não a vira antes, uma alegria intensa e um laivo de preocupação. Passado o ímpeto inicial, largados no leito, a mão dele sobre o ventre de Tereza, o doutor quis saber:

- Minha Tereza, tem algo a me dizer, não é?

- Sim, não sei como se deu mas estou grávida… Estou tão contente, pensei que nunca pegasse filho. É bom.

Uma nuvem sombreou o rosto do doutor, a mão fez-se pesada no ventre de Tereza e os olhos claros foram de novo fria lâmina azul, de aço. Um silêncio de segundos durou um mundão de tempo, o coração de Tereza parado.

- Tu tens de tirar, querida. – Dizia-lhe tu, coisa rara, fazendo-se ainda mais terno, a voz num sussurro no receio de magoá-la, inflexível porém: - Não quero filho na rua, já te expliquei porquê, te lembras? Não foi para isso que te trouxe para junto de mim.

Tereza sabia de ciência certa que não seria outra a decisão mas nem por isso foi menos cruel ouvir. Uma luz se apagou dentro dela. Conteve o coração:

- Me lembro e acho que o senhor tem razão. Eu já disse ao doutor Amarílio que quero tirar de qualquer jeito, mas ele me pediu para esperar a sua chegada para decidir. Por mim, já decidi e vou tirar.

Tão firme e intransigente a voz, quase hostil, o doutor não pôde conter certo desaponto:

- Decidiu por não querer um filho meu?

Tereza o fitou surpreendida, porque lhe faz essa pergunta se ele próprio lhe dissera, ao se estabelecerem em Estância, não querer filho na rua, filho apenas esposa pode ter, cama de amásia é para folgar, amásia é passatempo. Não vê como ela se domina para poder anunciar a decisão em voz firme, sem tremer os lábios? Ele lê por dentro de Tereza, então não sabe quanto ela deseja aquele filho, quanto lhe custa a valentia?

- Não me pergunte isso, sabe que não é verdade. Vou tirar porque não quero filho para passar o que eu passei. Se fosse diferente, eu não tirava, tinha, mesmo contra a vontade do senhor.

Tereza afasta do ventre a mão pesada do doutor, encaminha-se para o banheiro. Emiliano pôs-se de pé e rápido a alcança e traz de volta; estão os dois nus e sérios, frente a frente. Senta-se o doutor na poltrona onde costuma ler, Tereza ao colo:

- Perdoa-me Tereza, não pode ser de outra maneira. Sei quanto é difícil, mas não posso fazer nada, tenho meus princípios e lhe falei antes. Nunca lhe enganei. Também eu sinto mas não pode ser.

- Eu já sabia. Quem disse que talvez o senhor quisesse foi o doutor Amarílio, e eu, boba…

Um cão batido pelo dono, um fio de voz se desfazendo em mágoa, Tereza Batista no colo do doutor, amásia não tem direito a filho. (clik na imagem e aumente)

ONDE ESTÁ O MEU OURO DE MINAS?
(continuação)


Hoje, fizemos um longo caminho, cá e lá. Um caminho feito muito pouco pelos políticos com as suas eternas juras de amor mútuo, mas sobretudo pelos intelectuais e pelas classes cultas – através da música, do cinema, da literatura. Já há alguns milhões de brasileiros que sabem que os portugueses não são todos merceeiros, que os homens não têm todos um metro e meio e as mulheres não têm todas bigode.

Pessoalmente, considero o Brasil a minha segunda pátria. Não porque tenha sido, em parte, um país inventado pelos portugueses ou porque lá se fale a minha língua mas porque acho o Brasil – feito por portugueses, índios, africanos, brasileiros e também italianos ou japoneses – um país único no mundo, absolutamente diferente de todos e extraordinário.

Está longe de ser um país perfeito e, muito pelo contrário, é um país excessivo em tudo, no mal e no bem, nas qualidades e defeitos, e talvez seja isso que o fez tão fascinante. Os países que amamos são um pouco como as pessoas que amamos e eu não acho interessantes os países perfeitos e desconfio sempre das pessoas perfeitas.

É a esta perspectiva que me irrita muitíssimo as críticas mútuas redutoras com que tantos portugueses e brasileiros se entretêm, como se com tanta mistura de sangue e de sémen, tanta aventura e tanta desgraça em que andámos misturados um com o outro, os vícios e fraquezas de cada um nunca tivessem passado ao outro.
Como português (ou como luso-brasileiro que fui até 1822), irrita-me aquilo que considero uma tentativa de falsificação histórica de muitos historiadores brasileiros: a ideia de que no Brasil, e durante 322 anos, tudo o que correu mal, todas as vilanias, toda a exploração, todas as injustiças e mal governo, foi obra dos portugueses; e tudo o que correu bem foi obra dos brasileiros. Como se os brasileiros não tivessem sido também portugueses e os portugueses não tivessem também sido brasileiros até 1822!
(continua
)

HISTÓRIAS

DE HODJA


Hodja leva o burro ao mercado para o vender. Potenciais compradores reúnem-se à volta dele mas quando um lhe toca no rabo ele dá um coice. Outro põe-lhe a mão no dorso e ele dá outro coice. Outro homem tenta ver-lhe os dentes e o burro morde-lhe. Assustado o vendedor diz a Hodja:

- “Não vais conseguir vender esse animal. Ninguém vai comprá-lo. É melhor levá-lo de volta.”

Responde o Hodja:

- “De qualquer maneira não o trouxe para vender. Eu trouxe-o para que todos vissem a terrível criatura que ele é, e o que eu sofro para aturar o mau génio que ele tem.”

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES



À 13ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:


“JOSÉ, MARIDO DE MARIA?”(2)



Filho de "mãe solteira"?

A tradição apresentou José como um homem velho e, portanto, sem nenhuma capacidade para desenvolver actividade sexual reforçando, assim, a ideia da virgindade física de Maria. Talvez José não fosse o pai genético de Jesus, não porque Maria não concebesse Jesus virginal, mas porque Jesus foi gerado como resultado de estupro.

Esta hipótese é baseada no Evangelho de João, onde Jesus é chamado de "Samaritano", um insulto muito forte equivalente a "bastardo" (João 8,48). Também tem base no facto, incomum nessa época, que os Evangelhos mencionam Jesus simplesmente como "filho de Maria" (Marcos 6.3), uma vez que era obrigatório referir o ascendente masculino quando alguém era apresentado a outra pessoa. Inclusive, esta premissa tem fundamento no facto de Mateus para falar de Maria usar a palavra "parthenos"que, designando virgindade física, também foi um eufemismo usado tanto para se referir uma mulher não casada mas grávida (o nosso actual "mães solteiras"), como para falar de uma menina engravidada por estupro. Assim, filhos de pais desconhecidos eram chamados "filhos de virgem". E isto era assim porque nos tempos antigos a virgindade era vista mais como um estado social (mulher sem um homem) do que um estado físico (mulheres com hímen intacto).

terça-feira, agosto 30, 2011



VÍDEO



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ALCEU VALENÇA - COMO DOIS ANIMAIS


Ele nasceu no interior de Pernambuco em 1946, nos limites do sertão e do agreste. Podia ter sido advogado mas ficou na música... ainda bem para nós, quem iria depois ouvir os seus dicursos na barra dos tribunais?...


Onde Está o Meu Ouro de Minas?
(continuação)

Dir-se-ia então que o desdém e a fútil superioridade com que aqui recebemos esses brasileiros que vieram ocupar os trabalhos que os portugueses já não queriam foi uma espécie de ajuste de contas tardio com a forma como os brasileiros receberam os portugueses que para lá foram em massa desde o último quartel do Séc. XIX até às primeiras décadas do Séc. XX.

Injustiça paga com injustiça: nós ficamos agora a dever aos brasileiros grande parte da construção das auto-estradas, hospitais e Expôs, com que, imbecilmente, imaginávamos ter conquistado para sempre a modernidade e o progresso; e antes, eles ficaram a dever-nos os ciclos do café e da borracha da Amazónia, que não teriam sido possíveis, por ausência de mão-de-obra, sem a impressionante emigração portuguesa – que teve como contrapartida, a ruína do interior de Portugal.

No imaginário do povo brasileiro, o português ficou para sempre associado à figura do padeiro de esquina de S. Paulo e do Rio (ainda hoje figura obrigatória nas novelas da globo, com um actor português a desempenhar o papel).

E, quando a inflação subia aos níveis estratosféricos a que às vezes sobe no Brasil, o padeiro português da esquina era o alvo imediato da raiva popular: como aceitar que os tipos que tinham desembarcado no Brasil descalços e vagabundos, se tivessem tornado em menos de uma geração, exploradores do povo que os acolhera?

Tivessem eles consultado os livros de bordo desses navios que trouxeram essa leva de portugueses (todos eles na flor da idade, dilacerados pela perspectiva de não voltarem a ver a casa e a família, mas com uma vontade incrível de acrescentar mais Brasil ao Brasil), tivessem sabido das condições desumanas em que viveram e trabalharam nos cafezais do Vale do Paraíba e nos seringais da Amazónia, e talvez tivessem outro olhar, mais justo, sobre essa espécie de irmãos mal-quistos. (continua)

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA


Episódio Nº 192


Passada a incontida explosão de alegria, Tereza pôs-se a reflectir, aprendera a fazê-lo na cadeia: o doutor tinha razão. Botar no mundo filho natural é condenar um inocente ao sofrimento. Na pensão de Gabi testemunhara mais de um caso: o filho de Catarina morrendo aos seis meses devido aos maus-tratos da mulher paga para cuidar dele; a filha de Vivi ficara fraca do peito escarrando sangue; a tomadora de conta, uma peste velha, a gastar na cachaça o dinheiro dado por Vivi para a comida. As mães na zona, os filhos ao abandono, entregues a estranhos. Daquela vida ruim de mulher dama o pior ainda era a aflição com os filhos.

Estando o doutor ausente há três semanas, atendendo a negócios importantes na Bahia, na matriz do Banco, Tereza foi ao consultório do doutor Amarílio. Exame ginecológico, perguntas, diagnóstico fácil: gravidez; e agora, Tereza? Ficou à espera da resposta, os olhos negros de Tereza cismarentos, absortos: ah, um filho nascido dela e do doutor, crescendo belo e arrogante, de olhos azuis celestes e maneiras finas, a quem nada faltasse neste mundo, um fidalgo como o pai! Ou rapariga como a mãe, de deu em deu, de mão em mão?

- Quero tirar doutor

O médico tinha ponto de vista firmado, ponderáveis reservas morais:

- Eu não aprovo o aborto, Tereza. Já fiz alguns mas em casos muito especiais, por necessidade absoluta, para salvar a vida de mulheres que não podiam conceber. Aborto é sempre ruim para mulher, física e espiritualmente. Ninguém tem direito a dispor de uma vida…

Tereza fitou o médico, essas coisas são fáceis de dizer, duras de ouvir:

- Quando as coisas não têm jeito… Não posso ter menino, o doutor não quer – baixou a voz para mentir – nem eu também…

Mentira em termos pois queria e não queria, pois queria e não queria. Queria com todas as fibras, não era estéril, que emoção! Ah, um filho dela e do doutor! Mas quando pensava no dia de amanhã já não queria. Quanto tempo vai durar o xodó do doutor Emiliano, capricho de rico? Pode acabar a qualquer momento, já durou até demais, amante é para o prazer da vida, o prazer da cama. Quando o doutor resolver variar, cansado dos braços de Tereza, a ela só restará a pensão da Gabi, a porta aberta do puteiro, o filho a se criar na zona, a crescer no abandono e na necessidade. Entregue a uma qualquer, mais pobre ainda do que as putas, em troca de um pouco de dinheiro, sem carinho materno, sem afecto algum, sem pai, vendo a mãe de vez em quando, condenado. Não, não vale a pena, ninguém tem o direito, doutor Amarílio, de condenar um inocente, o próprio filho, antes dispor da morte enquanto há tempo.

- Filho sem pai não quero. Se o senhor não quiser tirar arranjo quem faça, não falta em Estância. Tuca a capoeira já mandou tirar não sei quantos, é quase um por mês. Falo com ela conhece quase todas as fazedoras de anjos.

Filho sem pai, pobre Tereza. O médico teme a responsabilidade.

- Não vamos nos afobar, Tereza, não há motivo para tanta pressa. O doutor já viajou há bastante tempo, não foi? Não tardará a estar de volta. Vamos esperar que ele chegue para decidir. E se ele não quiser que você aborte
? (clik na imagem e aumente)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À 13ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:



“JOSÉ, MARIDO DE MARIA?” (1)


O Grande Desconhecido

Ao contrário de Maria em que os Evangelhos nos dão dados importantes para reconstruir características da sua personalidade, de José não se diz uma só palavra. Só em dois dos quatro Evangelhos, José aparece várias vezes mas apenas nas narrativas da infância de Jesus, que mais que históricos ou biográficos, comunicam símbolos da cultura judaica, sendo construídos com referências a personagens e acontecimentos do Antigo Testamento.

Por exemplo, o José que em recebe em sonhos o anúncio de que Maria deu à luz um filho faz lembrar o José de Genesis que sonhava o futuro. Apesar do pouco que sabemos de José de Nazaré, a Igreja Católica produziu uma abundante literatura sobre ele, até construir um ramo da teologia denominado “Josefología". Desde há anos os “Josefólogos” realizam congressos internacionais em diferentes países para construir especulações sobre o significado da vida deste homem.


Um Artesão que Faz-Tudo

Que José era "carpinteiro"baseia-se numa citação do Evangelho de Mateus, que fala de Jesus como "filho do carpinteiro" (Mateus 13:55). A palavra aramaica para descrever este ofício é "nagar", que significa algo mais amplo: artesão. A palavra grega usada por Mateus na sua escrita é "Tekton" conceito ainda mais amplo, que designa um trabalhador em geral, alguém que faz qualquer trabalho.

segunda-feira, agosto 29, 2011



VÍDEO


Nunca ande sózinho... há muitas espécies de papa-formigas...



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A relação entre brasileiros e portugueses tem uma história por vezes mal contada e com equívocos à mistura. Miguel Sousa Tavares, jornalista, licenciado em Direito, advogado, comentador político na televisão e na imprensa, é uma voz independente e desassombrada, como foi a de seu pai, Francisco Sousa Tavares, também ele advogado e de Sophia de Mello Bryner, escritora e uma das maiores poetisas da língua portuguesa.
Este texto é esclarecedor, a história e os factos são o que são e o Miguel Sousa Tavares fala deles sem qualquer espécie de complexos. Vamos aqui transcrevê-lo, aos poucos, para não tomar muito tempo aos meus amigos.





ONDE ESTÀ O MEU OURO DE MINAS?

(Graças ao D. João V, sobretudo, ainda hoje nos tomam por ladrões no Brasil.)

Estamos a assistir ao regresso cada vez mais acentuado dos imigrantes brasileiros ao Brasil. Eles trouxeram a esta terra de gente macambúzia e eternamente insatisfeita uma delicadeza e uma alegria que só nos fizeram bem e que vão deixar saudades. E também acho que quando esta leva de imigrantes do Brasil aqui começou a chegar, fugindo de uma situação económica negra para vir encontrar um país então no apogeu das esperança e das ilusões (o tal "oásis", que viria a secar), foram recebidos com uma altivez e uma arrogância de novos-ricos que só as andanças da história podiam, em parte, desculpar. De facto, as relações Portugal-Brasil, nos últimos 150 anos, são um interminável jogo de ioiô, em que, quando um está em baixo, o outro está em cima, e vice-versa, com ciclos de emigração, económica ou política, cruzados ao sabor da situação interna de cada um de nós. (Continua)

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 191


Não engravidara com Dan, no prazer da cama. Mais de dois anos com o capitão e não pegara filho. Sem tomar cuidado, pois o capitão não tomava cuidado nem reconhecia paternidade. Quando alguma menina aparecia grávida, mandava-a embora incontinente.

Abortasse, parisse, fizesse como entendesse, ao capitão não lhe importando. Se alguma ousada vinha de filho no braço, pedir-lhe auxílio, mandava Terto-Cachorro correr com a não-sei-que-digo, quem mandara ter? Filho só com Dóris, filho legítimo.

Estéril, seca, dissera Tereza ao doutor quando, recém-chegados a Estância, ele lhe recomendou precauções e métodos anti-concepcionais.

- Nunca peguei menino.

- Ainda bem. Não quero filho na rua. – A voz educada porém crua, inflexível: - Sempre fui contra, é uma questão de princípios. Ninguém tem o direito de pôr no mundo um ser que já nasce com um estigma, em condição inferior. Ademais quem assume compromisso de família não deve ter filho fora de casa. Filho a gente tem com a esposa, se casa para isso.

Esposa é para engravidar, parir e criar filhos; amante é para o prazer da vida, quando tem de cuidar menino, fica igual à outra, que diferença faz? Filhos na rua, não, é assim que eu penso. Eu quero minha Tereza para meu descanso, para me fazer a vida alegre nos poucos dias de que disponho para mim, não para ter filhos e amolações. De acordo, Favo-de-Mel?

Tereza fitou os olhos claros do doutor, lâmina azul de aço:

- Não posso mesmo ter…

- Melhor assim – Acentuou-se a sombra no rosto do doutor: - Meus dois irmãos, tanto Milton quanto Cristóvão, fizeram filhos na rua, os de Milton andam por aí ao deus-dará, a me dar dores de cabeça; Cristóvão tem duas famílias, um renque de filhos naturais, é pior ainda.

Esposa é uma coisa, amante é outra, diferente. Quero você só para mim, não quero lhe dividir com ninguém, muito menos com menino – Silenciou e de repente a voz fez-se novamente meiga e os olhos claros, em vez de lâmina de aço, eram água límpida, mirada afectuosa e um pouco triste: tudo isso e minha idade, Tereza.

Já não tenho idade para filho pequeno, não teria tempo para fazer dele um homem, uma mulher de bem, como fiz, como ainda estou fazendo com os outros. Quero guardar para você todo o tempo que me sobra… – E a tomou nos braços para fazer amor, amásia é para isso, Favo-de-Mel.

Sendo Tereza estéril, acabaram-se os problemas. Fosse parideira e haveria de desejar um filho do doutor para sentir-se a mulher mais feliz do mundo e, não obtendo permissão, sofreria demais. O usineiro fora franco, directo, até mesmo um pouco rede, ele sempre tão delicado e atento. Sendo ela estéril nenhum problema.

Não era estéril, ah, um filho do doutor cresce em suas entranhas, aleluia
! (clik na imagem)

13ª ENTREVISTA FICCIONADA



COM JESUS SOBRE O TEMA:


“SERÀ QUE JOSÉ È MARIDO DE MARIA?”





RAQUEL – Os microfones das Emissoras Latinas continuam instalados postos aqui na Nazaré, fora da Basílica da Anunciação, onde, aparentemente, não se anunciou nada. Pelo menos é o que eles nos disseram inclusivé Jesus Cristo, o filho de Maria ...

JESUS - … e de José.

RAQUEL - Bem vindo uma vez mais, Jesus Cristo. Falemos então de José. Tem sido dito que você era de uma família pobre… Mas pelo menos o seu pai tinha uma oficina de carpintaria…

JESUS – Uma oficina? Aqui ninguém tinha nada.

RAQUEL - José não era um carpinteiro? Pertencia a uma classe média, a que hoje chamaríamos um médio empresário…

JESUS - Classe média?... Aqui a única classe era a dos desempregados…

RAQUEL - Mas o evangelho diz que o senhor era filho do carpinteiro…

JESUS – Escreveram isso para levantar socialmente o meu pai. Mas ele, como todos em Nazaré, era um trabalhador braçal, um faz-de-tudo.

RAQUEL - Um faz-de-tudo?

JESUS – Sim, um artesão de qualquer coisa que fosse preciso fazer. Meu pai trabalhava no que aparecia. Chegava o tempo das uvas e o contratavam para as vindimas Amanhã era para construir um muro, depois de cortar o trigo. E na maioria dos dias, era uma mão sobre a outra. Não havia trabalho para a Galileia.

RAQUEL - Enfim, de volta ao ponto de maior interesse para nosso público. Na entrevista anterior, o senhor disse que José era seu pai…

JESUS - Sim.

RAQUEL - Isso significa… que Maria e José eram casados.

JESUS - Sim, certo.

RAQUEL - E viviam como marido e mulher…

JESUS – Claro, como haviam de viver?

RAQUEL – Não é tão pressuposto assim, porque a nós sempre nos falaram de um José, homem de idade, barba branca, com uma vara florida…

JESUS - A vara só me lembro de uma nas mãos de meu pai num tempo em que eu me comportado muito mal…

RAQUEL - Não, eu referia-me à castidade… Se não for indiscreta, gostaria de falar sobre o lado humano do casal… Eles gostavam um do outro, amavam-se? Ou eram a sagrada família, um casal de aparências apenas?

JESUS - Mas o que estás dizendo, Raquel? Eles queriam-se muito. Meu pai sempre chamou a minha mãe "minha morena", como o Cântico dos Cânticos. Conheces esse poema de amor, certo?

RAQUEL - Sim, uma vez o li…

JESUS – A mim dava-me prazer ver meu pai e minha mãe caminhar abraçados ao entardecer… Meu irmão Tiago e eu subíamos a um muro para espiá-los… E pegamos os dois se beijando… e a minha mãe ficou corada de vergonha…

RAQUEL - No entanto, o evangelho diz que quando eles estavam ainda namorando, Maria apareceu grávida e José teve muitas dúvidas e até pensou em a deixar… O senhor soube alguma coisa desta crise conjugal?

JESUS - Como deves calcular eu nunca lhes perguntei sobre essas coisas, ainda que uma vez ...

RAQUEL – Uma vez o quê?

JESUS - Uma vez, aqui em Nazaré, insultaram-me e me chamaram bastardo.

RAQUEL - E por que te chamaram isso?

JESUS - Bem, naquele tempo, abusavam das raparigas, forçavam-nas…

RAQUEL – O mesmo que agora…

JESUS – Mas, como te disse, eu nunca perguntei nada sobre isso, nem estava preocupado. José amava-me muito, fez de mim um homem. Ensinou-me a trabalhar, a ser justo. Um dia te direi como foi o seu fim.

RAQUEL - Ou seja, a possibilidade de que seu pai não tenha sido o seu pai…

JESUS – Pai, não é somente aquele que gere. Isso qualquer animal faz. Pai é quem te cria, quem te ensina a viver.

RAQUEL - Em resumo, Jesus Cristo deixou-nos sem anjos anunciadores a Maria, sem sonhos reveladores a José, sem virgens a dar à luz… o que nos resta?

JESUS – Resta-nos o amor. Minha mãe e meu pai amavam-se, é o mais importante. A única coisa importante.

RAQUEL – Amigos e amigas agora queremos ouvi-los. Os telefones da nossa Emissora estão disponíveis.

Eu sou Raquel Perez.

domingo, agosto 28, 2011

HOJE É



DOMINGO





Do meu Café, na minha cidade, em mais este Domingo, vou passando, como é meu indestrutível hábito, o olhar pelo jornal. Esta semana, chocou-me a insistência com que a comunicação social, imprensa e televisão, nos “bombardearam” com os rendimentos e patrimónios das pessoas que nos governam: o que têm, o que ganham, o que declaram, as marcas dos carros em que se deslocam…ficámos por saber os alfaiates onde mandam confeccionar os seus fatos e aqueles que, definitivamente, aderiram ao pronto-a-vestir.

O deleite que a notícia causa nas pessoas, não sei quantas sejam mas devem ser muitas para insistentemente se encherem páginas de jornais e até de revistas conceituadas com “aquilo” deixa-me envergonhado. Que há curiosidade mórbida, mixuruca, fofocas de comadres, todos nós sabemos, mas… é preciso alimentá-la desta forma a pretexto da “transparência” tão querida a este governo?

Eu gosto de pensar na honestidade das pessoas, especialmente destas e pretendo continuar assim, com a garantia de que o estado tem mecanismos que zelam pela seriedade da “coisa” pública. Não se faça destas coisas casos de voyarismo explorando uma curiosidade doentia que leva alguns a espreitarem pelo buraco da fechadura da vizinha.

Dizia a minha avó que “com papas e bolos se enganam os tolos” e a propaganda e uso desta transparência que serve de suporte às notícias fizeram-me recuar aos ditados antigos…

Mas preocupante, preocupante mesmo, é o facto de alguns multi-milionários nos E.U.A e na Europa, dezasseis personalidades do mundo empresarial francês, quererem pagar mais impostos dado que se sentem demasiado bem tratados pela política fiscal dos seus países.

Warren Buffet, um dos dois ou três homens mais ricos do mundo, uma espécie de Midas que onde toca faz ouro, pediu ao Governo de Obama: “deixem de mimar os super-ricos”.

Se alguém tivesse dúvidas de que a situação é grave depois disto deve ficar esclarecido. Estes homens, a maior parte deles, chegou onde chegou e tem o que tem, por andarem sempre um “passo” à frente de todos os outros. Lembro-me do “rei” dos cafés, em Portugal, o Sr. Rui Nabeiro, que explicava o seu sucesso da seguinte maneira: - “Sabe… é que quando os outros (os concorrentes) iam para lá já eu vinha para cá!”

Ora bem, eu desconfio que ao dizer o que diz, o Sr. Warren está exactamente a dar um passo à frente dos outros… sem uma classe de trabalhadores por conta de outrem minimamente “saudável” como vão poder os super ricos encarar o futuro... para não referir já fenómenos graves de generalizada instabilidade ou rutura social?

Esta sociedade tem-se revelado para estas pessoas a galinha dos ovos de ouro e de bom grado esta situação se presta a considerações especulativas de todo o género sobre transacções financeiras, lucros, impostos, o que é legítimo ou ilegítimo mas, diga-se o que se disser, as desigualdades a que chegámos são escandalosas, do ponto de vista ético e social.

Que sejam exactamente os poucos (alguns...) que estão na outra ponta da desigualdade a chamar a atenção para o facto diz bem sobre duas coisas:


- 1º - Todos os governos têm medo dos ricos;


- 2º - Os ricos têm medo que o “edifício”caia.

Mas, por favor, não falem em distribuir os “sacrifícios” pelos ricos porque desde quando diminuir o tamanho do iate ou a cilindrada do automóvel é sacrifício? Arranjem outra palavra…

E assim vamos vivendo… já não nos chegavam as preocupações com os pobres e remediados, temos agora as dos muito ricos.

Um Bom Domingo para todos.

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