sábado, junho 06, 2015

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CUCU - Camada de Nervos


UM DIA DE DOMINGO


UM  BERDADEIRO DRAGÃO

... CARAGO !!!











Ele tinha dois bilhetes no melhor camarote do Estádio do Dragão, para o último jogo do campeonato, aquele que viria a consagrar o Porto como campeão nacional.

Quando ele estava sentado no seu lugar, aguardando o inicio do jogo, um outro adepto nota que o lugar ao lado do homem estava vago, e pergunta-lhe se o lugar está ocupado.

- Não, não está ocupado - responde o homem.

Assombrado, o adepto diz:

- É incrível! Quem, em seu perfeito juízo, tem um lugar destes, para o jogo mais importante da época, e não o usa?

O homem fixa o olhar nos olhos do cidadão e responde:

- Bom, na realidade, o lugar é meu.

Eu comprei este lugar há muito tempo. A minha querida esposa deveria estar aqui comigo mas, infelizmente, entretanto faleceu.

Este é o primeiro grande jogo do nosso Porto a que não assistimos juntos, desde que nos casamos, há mais de vinte anos.

Surpreso, o outro diz:


- Mas o amigo não encontrou outra pessoa que pudesse vir no lugar da sua esposa? - Um filho, um amigo, um vizinho, um parente ou outra pessoa chegada?

O homem nega com a cabeça e responde:

Não... Estão todos no Belório!!!*


Pedro Passos Coelho

e a sua biografia...

É uma vergonha para um primeiro-ministro que a sua biografia não tenha vendido mais do que 800 exemplares e tenha de ser um jornal de uma empresa de capitais estrangeiros a apelar aos seus leitores a que liguem para um número de telefone para ganharem exemplares de uma obra que ninguém parece querer comprar.

«O Jornal i, em parceria com a Alêtheia Editores, tem para lhe oferecer exemplares do livro “Somos o Que Escolhemos Ser”, uma obra biográfica sobre Passos Coelho, da autoria de Sofia Aureliano.

Ligue 760 30 11 35* e habilite-se a ganhar um exemplar!


Pedro Passos Coelho é uma das grandes personalidades políticas portuguesas. Nos poucos anos desde que está à frente do Governo, mudou o país e pôs fim a uma década perdida da vida nacional. Quem é Pedro Passos Coelho? Esta biografia revela surpreendentemente a vida do homem e do político. Baseada num amplo trabalho de pesquisa, investigação e recolha de diversas opiniões e testemunhos, Sofia Aureliano escreveu uma biografia única que nos aproxima de Pedro Passos Coelho.»
 [i]

Pobreza de iniciativa e pobreza de espírito, pobreza a mais de um político que se pretende impor aos seus cidadãos, não pela esperança no dia de amanhã, mas pelo terror de poderem cair numa miséria total angustiando-os ainda mais nas suas velhices em grande parte solitárias.

Os coronéis acendiam charutos com notas de quinhentos mil reis
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 262



















Entre os primeiros a aparecer, Bastião da Rosa e Abigail, ela arremedava uma barrica, toda redonda: tendo engravidado antes, pariu três dias depois de Diva.

- Se nascer mulher - decidiu o mestre pedreiro, quando os dois crescerem vão juntar os trapos. Fica contratado desde agora.

Nas fazendas, as colheitas haviam terminado, chegava ao fim a secagem do cacau. Safra além de todas as previsões e esperanças, dobrara a anterior com a impetuosa produção das roças novas.

Nas casas dos coronéis dinheiro era cama de gato, disparavam os créditos nas agências do Banco do Brasil em Ilhéus e em Itabuna, nas contas correntes das firmas exportadoras. Nos cabarés, os fazendeiros espoucavam champanha, presenteavam as comborças com anéis de brilhante, pulseiras de ouro, colares de pérolas.

Para um coronel ser deveras respeitado, devia possuir casa civil e casa militar: na civil, esposa austera e religiosa, rainha do lar, devotada aos cuidados da família, aos deveres de mãe; na militar, amante vistosa e chique, posta nos trinques, boa de cama, alegre companhia, para deleite da vista e regalo do corpo e para fazer inveja.

No intento de dar a medida dos despropósitos, corria à voz pequena nas ruas das cidades, nos caminhos das roças, que os coronéis acendiam charutos com notas de quinhentos mil-réis.

Ao que parece, realmente, em noite de esbórnia memorável, comemorativa do fim da safra num cabaré de Ilhéus, o coronel Damásio de Castro ou o filho dele, o bacharel Zequinha - as versões se contradizem - botara fogo numa nota de quinhentos para com ela acender o cigarro de Wanda Miau-Miau, suprema homenagem.

Acendera o cigarro da fúlvida polaca e aproveitara o lume para o charuto Suerdieck feito à mão na fábrica de São Félix.

Não menos farta e feliz fora a colheita de Jacinta Coroca, colheita de meninos. Não perdera nenhum e em lugar de sete tinham sido nove, um atrás do outro. Como assim se eram sete as prenhas desfilando em Tocaia Grande, nas duas margens do rio, durante o inverno, sob a chuva fina?

Dinorá, conforme as previsões dos abelhudos, pariu gêmeas com a diferença de menos de meia hora entre as duas meninas, duas bonequinhas na gabação da parteira, Marta e Maria, as primeiras mabaças de Coroca.

O nono, aliás o primeiro a nascer, foi posto no mundo por Guaraciaba, mulher de Elói Coutinho, casal proveniente do Recôncavo.

Por eles Castor soubera do falecimento do tio Cristóvão Abduim e do devoto comportamento de Madame La Baronne, entregue aos afazeres da Matriz.

 Mais do que a idade, o sol dos trópicos a avelhantara sem contudo lhe diminuir o élan, prosseguia activa e actuante: na fervorosa récita do ora-pro-nobis, debulhava adolescentes coroinhas, sem distinção de cor, mantendo no entanto certo fraco antigo pelos escurinhos, dos acólitos de Deus os predilectos.

sexta-feira, junho 05, 2015

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Nós vêmo-lo, ele espia-nos...



Mixórdia de Temáticas - Exame de Bugigangas


António Zambujo - Pica do 7

Só mais uma vez...

No peito do negro o coração cresceu...
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 261


















Esperavam, ansiosos. Finalmente foi de rebuliço a madrugada na tenda do ferreiro. Com o início da entressafra reduzira-se o movimento das tropas de cacau seco.

Quando, no correr da noite, as dores fizeram-se sentir, Tição fora buscar o galo, amarrado com prudente antecedência na goiabeira do quintal, e o sacrificara aos orixás. Somente depois saíra em demanda de Coroca.

Na pisada da parteira, as parentas não tardaram a invadir a casa: Vanjé, Lia e Dinorá. Dinorá com a barriga desconforme, tão avultada, dando a pensar que os ibejes haviam azeitado a estrovenga de Jãozé e iam nascer gêmeos, Cosme e Damião, mabaças.

Não adiantou Castor fazer cara feia, tentando impor sua presença ao lado da esteira onde Diva padecia. Quando parava de gemer, ria para ele, valente, como se fosse parideira veterana.

- Fora daqui! - Ordenou Coroca, empurrando o negro: Vá se pegar com os santos.

Autoridade de parteira, a maior que existe. Sentado junto ao peji, Tição aguardou, contendo a impaciência. Alma Penada e Oferecida estenderam-se a seus pés, inquietos eles também, os focinhos farejando o ar, as orelhas atentas, os olhos postos no amigo.

Algo estava a ponto de acontecer, eles sabiam. Ao escutar o vagido, Castor levantou-se de um salto e varou quarto adentro: Coroca tinha o recém-nascido nas mãos e exibiu o pequeno corpo sujo de sangue na luz alvacenta da barra da manhã para que todos o vissem: Tição e Diva, Vanjé, Lia e Dinorá com seu barrigão.

No peito do negro o coração cresceu e ele sentiu os olhos húmidos. Desde que se entendia por gente jamais lhe acontecera lágrimas. Nem mesmo ao receber no fim do inverno a notícia da chegada com tamanho atraso da morte de seu tio Cristóvão Abduim, ferreiro e alabê.

Dissera a Diva: se for menino vai se chamar Cristóvão como meu tio que me criou; se for menina tu bota o nome que escolher.

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Logo no mesmo dia mandou, pelo tropeiro Romeu da Luz recado para o coronel Robustiano de Araújo na Fazenda Santa

Mariana:

- Não esqueça de dizer ao Coronel que nasceu o afilhado dele. Romeu da Luz acompanhara Gerino até a tenda do ferreiro para visitar Diva e conhecer o filho de Tição.

Incessante romaria, não faltou ninguém. Zilda trouxe uma camisola de pagão e sapatinhos de croché, feitos por ela. Fadul retirou de seus guardados e pendurou no pescoço de Cristóvão, para livrá-lo do mau-olhado, uma correntinha com uma figa de ouro, pequenina.

Cuidado com a argumentação
de uma mulher inteligente...











Um casal sai de férias para um hotel-fazenda.

O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler.

Uma manhã, o marido volta da pesca e resolve tirar uma soneca.

Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar o barco do marido e ir ler no lago.

Ela navega um pouco, ancora, e continua lendo seu livro.

Chega um guarda do parque em seu barco, pára ao lado da mulher e fala:

- Bom-dia, senhora. O que está fazendo?

- Lendo um livro - responde e pensa: "será que não é óbvio?"

- A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida, informa.

- Sinto muito, tenente, mas não estou pescando, estou lendo.

- Sim, mas com todo o equipamento de pesca. Pelo que sei, a senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí imediatamente, terei de multá-la e processá-la.

- Se o senhor fizer isso, terei que acusá-lo de assédio sexual.

- Mas eu nem sequer lhe toquei! - diz o guarda.

- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode começar a qualquer momento.

- Tenha um bom-dia senhora, diz ele, e foi-se embora.

Esperar para ver...
Esperar para ver














Ao nível da política nacional nada de novo: a Coligação vai metendo medo aos portugueses e o PS a tentar ser um factor de esperança e assim vai continuar a ser nestes meses inúteis até às próximas eleições legislativas em Outubro.

A nível europeu também não há alterações. Bruxelas e a Alemanha, mesmo que não o digam estão apavoradas com a possível saída da Grécia da zona Euro e a decisão final do empréstimo aos gregos arrasta-se por entre sorrisos e palavras de esperança dos intervenientes.

Os Deficits Orçamentais mantêm-se como um garrote aos países europeus do Sul enquanto que o Superávite Orçamental alemão parece não incomodar ninguém, sem nenhum tipo de consequências, mesmo sabendo-se que esses excedentes comerciais fazem falta e condicionam o desenvolvimento económico europeu.

Perante estes impasses momentâneos ditados pelo poder dos mais fortes em que a própria Alemanha, tão zelosa no cumprimento dos Tratados Europeus que a favorecem, já vai dizendo que eles podem  se alterar para satisfazer as exigências inglesas no próximo referendo entre ficar ou sair da Zona Euro, o que resta a nós, portugueses, especialmente a sul do Sistema Montanhoso Montejunto-Estrela que não seja o Jorge Jesus?

Ontem, por curiosidade, estive atento à reacção dos adeptos de ambos os Clubes e como era de esperar, o desespero é muito maior nas hostes benfiquistas com a passagem do seu amado treinador para o outro lado da grande-circular agora ao serviço do eterno rival Sporting havendo mesmo quem, no auge da revolta, se pronuncie a favor da morte de Jesus.

Se alguém neste momento precisa de segurança reforçada é o actual-novo treinador do Sporting e neste mundo de paixões avassaladoras só é de esperar que os ânimos acalmem até ao próximo embate entre as duas equipas na disputa da Super-Taça.

Abençoado futebol que a preço zero concentrou em si as atenções e nos livrou daquele inútil programa de governo, ou lá o que é, da Coligação de que não mais se falou nos média por critérios editoriais.

Eu estou curioso e expectante não sobre a qualidade de carácter do Presidente do Sporting que o Manuel José, antigo jogador e treinador conceituado internacionalmente, especialmente no Egipto, considerou de execrável pelo que fez ao seu colega Marco Silva acabado de ganhar para o Clube a Taça de Portugal e que ainda com 3 anos de Contrato foi despedido com Justa Causa e com Processo Disciplinar por motivos ridículos.

O Sporting tem um Conselho Leonino mas devia ter um Conselho de Ética para reprovar e condenar o comportamento deste senhor.

Quanto a Jorge Jesus, terminado que foi o seu Contrato com o Benfica, optou pelo Sporting numa jogada de grande risco desportivo, risco que ainda é maior por parte de Bruno de Carvalho porque a generalidade dos adeptos ainda vê em J. Jesus o “inimigo” e se os resultados não aparecerem vão ser ambos crucificados até porque, não esqueçamos, Marco Silva era o treinador de 97% dos adeptos do Sporting e o seu comportamento em todo este processo foi, no mínimo, de um cavalheiro.

Alguns Sportinguistas dizem agora que Jorge Jesus é o melhor treinador de futebol do mundo, só ao nível de José Mourinho e eu vou esperar para ver porque uma coisa foi vê-lo no Benfica e outra, muito diferente, é vê-lo agora no meu Sporting e, portanto, tenho que esperar para ver...

Se ser o melhor treinador é gesticular muito no seu espaço e fora dele junto às linhas do campo de futebol, então ele será, com o italiano Simeone do Atlético de Madrid, o melhor do mundo.

quinta-feira, junho 04, 2015

SAUNA

A sauna, chamada ainda de banho finlandês, cheia de água térmica, consiste em uma sala ou casa com um ambiente muito aquecido, a fim de propiciar relaxamento e promover o convívio social entre os frequentadores do recinto. Há basicamente dois tipo de saunas: a "sauna a vapor" (sauna húmida ou banho turco) e a "sauna seca", que utiliza pedras ou outro material que é aquecido, sem libertar vapor. É frequente que à permanência na sauna se siga um banho ou chuveiro de água fria, ainda que essa prática seja contra-indicada por alguns médicos.

A sauna húmida raramente ultrapassa os 60°C enquanto na sauna seca o corpo humano tolera facilmente temperaturas superiores a 80 °C durante curtos períodos de tempo.

A sauna seca é de origem finlandesa (2 milhões de saunas para 5,2 milhões de habitantes) e a prática de saunas é habitual na Escandinávia, onde a temperatura no interior pode chegar a 100 °C e a nudez é natural e quase obrigatória. O interior das saunas secas é revestido de madeira e as cabinas de sauna são aquecidas a lenha ou a electricidade.

Alegadamente, entre os benefícios da sauna estão o alívio de dores de coluna, o aumento da circulação sanguínea, a hidratação da pele e desobstrução dos poros, o combate ao stress e à hipertensão. Além disso, relaxa a musculatura, limpa e desobstrui as vias respiratórias, desintoxica e expulsa as impurezas do organismo e combate doenças do sistema respiratório.

No entanto, a frequência habitual ou prolongada de saunas deve ser autorizada por um médico, pois certas patologias respiratórias e circulatórias não beneficiam com a permanência no ambiente quente das saunas, com uma frequência superior a uma vez por semana.

Camada de Nervos - A Primeira Vez


Pois será com muito gosto, Tição.
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 260




















Na porta, Castor Abduim saudou o fazendeiro com alvoroço:

- Entre, compadre, a casa é sua. Seu afilhado já nasceu, venha ver que bitelo de mulato.

Amulatado também, o Coronel. Mas naquelas bandas a divisão se fazia entre ricos e pobres: para fazendeiro não passar por branco era necessário ser negro retinto como o coronel José Nique e fazer questão de apregoar a raça. Negro Zé Nique! Bonito e milionário! - proclamava-se ele do alto do cavalo pampa estalando o rebenque de couro trançado e cabo de prata.

 O coronel Robustiano entregava na abertura da entressafra ao padre Mariano Rastos, prior da catedral de São Jorge, uma espórtula para o altar do santo guerreiro, e um óbolo, igualmente liberal, a pai Arolu para o peji de Oxóssi, senhor da natureza.

Entre os dois, o santo e o encantado, haviam de manter a chuvarada em limites razoáveis para que a floração e os bilros de cacau se desenvolvessem livres de ameaças e a safra fosse ainda maior.

Promessa urgente e necessária: nas cabeceiras do rio das Cobras o tempo desabava. O Coronel desabotoou o capote e o depôs no pedregulho próximo à forja para secá-lo: tempo mais filho da puta, arrenegado!

- Recebi o recado com a boa nova, vim visitar a comadrinha.

Como é que ela está passando?

- Contente como um passarinho, não pára de se rir.

O compromisso do compadrio vinha de longe. Ao saldar a dívida contraída com o Coronel para as despesas de instalação da oficina, paga aos pedaços, à la vonté, como o generoso credor lhe permitira - não precisa se afobar, Tição, não corre pressa: repetia-lhe a cada recebimento 

- Tição anunciara:

- Quando um dia eu me casar, vou pedir a vosmicê e a dona Isabel pra batizar meu primeiro filho.

- Pois será com muito gosto, Tição.

O negro cumprira o empenho. Casar não se casara mas se ajuntara, na prática a mesma coisa. Quando Diva começou a botar barriga, ao avistar o Coronel em Tocaia Grande, Tição lhe dissera:

- Me amarrei, Coronel, e o afilhado de vosmicê já está encomendado.

- Negro gabola e galhofeiro, acrescentou: - No capricho.

No capricho, no embalo, no gemer da rede. Amásios, ele e Diva mais pareciam namorados: de zanga ou rusga, nem sequer rumor; de mãos dadas, risonhos, estavam sempre juntos, trocando segredos e beijinhos, e se dizia que haviam nascido um para o outro.

Ele a tratava por preta, minha preta, e ela o chamava de meu branco. Repousava a cabeça no peito negro e largo e ele tocava-lhe a barriga com a mão espalmada, medindo-lhe o crescimento.

NANA MOUSKOURI - LOVE STORY

Uma das mais lindas canções de amor numa das mais lindas vozes femeninas. É uma história de amor clássica de um filme de 1970, Love Story, considerado o mais romântico de todos os tempos pelo American Film Institut. O autor da música, Francis Lai, ganhou um Óscar pelo seu trabalho. A letra da canção começa assim: ... nós éramos jovens quando eu te vi pela primeira vez... eu fecho os olhos e começo a lembrar... eu estava aqui na varanda ao ar de verão...


Na Sauna














Um grupo de homens está na sauna, quando eis que um telemóvel começa a tocar.

-Alô.

-Querido.

-Sim querida.

-Está na sauna?

-Sim, estou.

-Sabe o que é, estou em frente a uma loja de roupa que tem um casaco
de vison magnifico, posso comprá-lo?

-Quanto custa?

-Só 3.000 €.

-Bem, está bem compra.

-Ah que bom, outra coisa, acabei de passar no concessionário da
Mercedes e vi o ultimo modelo, é fantástico, falei com o vendedor que
faz um óptimo preço.

-Qual é o preço?

-Meu amor são só 150.000 €.

-Bom ok mas por esse preço tem de ter todas as opções.

-Pode deixar eu trato brigado queridão. Olha outra coisa só.

-O quê?

-Hoje passei em frente à imobiliária e reparei que aquela casa que vimos o ano passado está a venda, lembras-te dela? Aquela que tem jardim, churrasqueira completamente isolada naquela praia magnífica, lembras?


-Lembro sim quanto custa?


-Meu querido somente 650.000€ agora.

-Bom pode comprar mas pague no máximo somente 620.000 €.

-Está bom amor, obrigado és um maridão até logo beijos.

-Até logo.

Ele desliga o telemóvel e pergunta aos outros:


-ALGUÉM SABE DE QUEM É ESTE TELEMÓVEL?

Meu filho acabou de sair de casa...
N’ Acredito !





















Tal como diz a minha neta de 2 anos, também eu com 76 de idade e mais de sessenta de sportinguista digo: n’ acredito!

Bruno de Carvalho, Presidente do meu Clube perdeu os pruridos que tinha com os fundos de investimento que compram passes de jogadores para depois os venderem e ganhar dinheiro com eles, isto a propósito do seu jogador Marcos Rojo que foi jogar para o Manchester, e resolveu abrir as portas do Clube aos dinheiros africanos que cheiram a petróleo, diamantes e a florestas... digo eu, não sei.

A ambição de um jovem que saltou das bancadas da Juve Leo para o banco dos jogadores suplentes na qualidade de Presidente do Clube e que na hora de festejar a vitória como vencedor da Taça de Portugal passeia às cavalitas no relvado do Estádio um seu jogador de futebol e decide, como prémio do êxito do seu treinador, jovem, competente, honesto e sensato, despedi-lo quando ele tem ainda três anos de contrato, é um verdadeiro “golpe de mestre”, “uma jogada genial” só ao alcance dos presidentes predestinados...

Mas o melhor vem depois, “o coelho que sai de dentro da cartola”, o verdadeiro passe de mágica: Jorge Jesus, treinador vencedor do eterno rival de 100 anos da outra circular, para humilhação da nação benfiquista, vai para o Sporting a ganhar ainda mais do que no Benfica para aumentar a humilhação...

Há dois dias atrás, ainda debaixo do efeito da vitória no bi -Campeonato Nacional, dizia-me, arrebatada emocionalmente, a jovem empregada que todos os dias me vende o pão, a propósito do Jorge Jesus: “eu amo aquele homem, quero casar com ele, quero ir ao relvado do meu Clube dar-lhe um beijo...”

Os fazedores de opinião, os gurus do futebol que semanalmente alimentam na rádio e televisão conversas intermináveis, chatas e cansativas sobre futebol, foram convocados de urgência. Os telemóveis retiniram nos vários toques insistentemente. Os mais cuidadosos ainda encostaram à direita, os outros, uma mão no volante, outra na orelha, lá foram dizendo da sua surpresa.

Os sportinguistas vão-se dividindo:

 - “Génio do futebol, golpe de mestre, aquele Bruno de Carvalho de uma penada humilhou a nação benfiquista e prepara-se para ser campeão...”

 - “Aquilo não se faz, 97% da massa associativa do Sporting gostava e preferia a continuação de Marco Silva acabadinho de ganhar a Taça de Portugal, título que escapava desde 2007 e, para além do mais, jovem, competente, sensato, honesto e com mais 3 anos de contrato. Aquilo não se faz...”

Qual programa político da Coligação ou do PS, mas quem vai querer saber disso?... mete-se o cigarro à boca, inala-se uma longa coluna de fumo que lentamente nos vai deixando, cérebro toldado, finalmente felizes...

E eu, que digo eu?

– O nosso Clube é como um filho. Com este Presidente e este treinador ele acabou de sair de minha casa, foi para a sua vida, não deixa de ser meu filho mas, à cautela, vou pôr um anúncio nos Jornais declarando que não me responsabilizo pelos seus actos.

quarta-feira, junho 03, 2015

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Eu juro que não quero ser mauzinho mas esta história do paraíso com o Adão e a Eva e a serpente em pano de fundo, momento alto do criacionismo, não será conversa de tontinhos?...


MIXÓRDIA DE TEMÁTICAS - O FLAGELO DA VIOLETA


O Romantismo simples e belo de um grande poeta na voz incomparável do rei dos cantores brasileiros


Ora, se deu que uma noite...
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)




Episódio Nº 259




















O barbeiro conseguia que, libertos da prisão da gaiola, voassem dentro e fora da casa, fossem longe, e em seguida retornassem vindo pousar em cima da jaula ou na porteira de gravetos de bambu, aberta, à espera.

Dobravam o canto e permitiam que Dodô os agradasse. Os moleques, mudos e pasmos, passavam horas vendo-o ensinar aos pássaros aqueles impossíveis.

Assobiador emérito, Dodô assobiava modinhas, os pássaros sofrês retomavam a melodia e aprendiam a imitar na perfeição o chilro dos vizinhos de gaiola. Os passarinhos de Dodô Peroba não eram apenas mansos e ensinados como outros por aí afora: eram artistas dignos de figurar num circo.

Assim lhe dissera o coronel Boaventura Andrade que em sua mão comprara um concriz - concriz, joão-pinto, sofrê e corrupião são alguns dos nomes pelos quais se conhece o pássaro sofrê - para dar de lembrança à moça Sacramento: ouvira-a referir-se à nostalgia do canto do corrupião, coisa mais tocante a seu ver não existia.

Os pássaros que Dodô criava e amansava não chegavam para as encomendas, pedidos provenientes das fazendas, da estação de Taquaras, até de Itabuna. O passarinheiro porém desfazia-  se deles contra a vontade e com tristeza, e somente ao fim de prolongada negociação.

Não vendia ao primeiro que aparecesse, a qualquer um. Queria antes ter certeza de que o comprador gostava realmente de bichos, não era um daqueles desalmados donos de rinhas de galos e de passarinhos que os criavam na intenção de lutas e apostas.

Solta na barbearia vivia uma rola fogo-pagou, essa ele não admitia vender nem por todo o ouro do mundo: beliscava-lhe os dedos dos pés, pousava em seu ombro ou sobre a ouriçada gaforinha descobrindo e esticando com o bico os primeiros fios de cabelo branco.

Propostas de compra não faltavam, já recebera várias e recusara todas, enraivecendo-se, abandonando sua habitual pachorra, quando insistiam. Como poderia viver sem ouvi-la repetir a cada momento a onomatopéia sonora e divertida: fogo- pagou, fogo-pagou! Era visto à porta, sentado num tamborete de madeira, a ave na cabeça a picar-lhe a gaforinha.

Ora, se deu que uma noite, passado o acorçôo dos tropeiros, quando o silêncio se fez no descampado, Dodô Peroba despertou do sono leve ouvindo surpreso a rolinha emitir o alegre aviso: àquela hora deveria estar adormecida na gaiola, a alba do dia ainda não se anunciara.

Levantou-se da esteira e escutou no escuro: os pássaros dormiam, não provinha da sala o grito que continuava a se fazer ouvir, obstinado apelo. Chegava de fora, seria de um pássaro perdido, aflito e louco. Quem sabe ferido na asa, sem poder voar, solicitando ajuda?

Deslocando-se sem fazer barulho para não perturbar os passarinhos, Dodô Peroba esgueirou-se até a porta. Não andou dois passos: logo enxergou a lesa ali acocorada, sob o chuvisco. Ao divisá-lo no negrume, Ção sorriu, pôs-se de pé e lhe estendeu os braços.



CRESCEM AS ÁGUAS DO RIO, QUASE ACABAM COM TOCAIA GRANDE

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Sob o aguaceiro torrencial, pingando água, o capote encharcado, o coronel Robustiano de Araújo desmontou na porta da oficina do ferrador de burros. Entregou a rédea ao capanga que o acompanhava, Nazareno, irmão mais moço de Gerino, dois cabras de absoluta confiança:

- Me espere no depósito. 

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