sábado, janeiro 14, 2012


TRIO IRAKITAN - TEUS OLHOS VERDES


O Trio Irakitan teve sua fase de ouro nos anos 50/60 quando existiam vários trios como: Trio Nagô, Trio de Ouro, Trigêmeos Vocalistas, Trio Madrigal, Três Áses e um Curinga, sem falar nos conjuntos vocais como o Conjunto Farroupilha, Os Cariocas, Demônios da Garoa e muitos outros. A afinação e harmonia eram perfeitas, hoje só vemos duplas sertanejas com uma segunda voz pobre e nada mais.



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E por que não?...


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TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio Nº 308





Enquanto as amigas se arrumam, Tereza vê-se reflectida no aço do espelho pelo direito e pelo avesso. Vibrantes contas de triunfo, roxo colar de sangue, posto em ombro impróprio de quem foi derrotada e se acabou. Velha, cansada de guerra, morta por dentro.

Recorda acontecimentos e pessoas, factos distantes, gente desaparecida. O doutor, o capitão, Lulu santos, o menino arrancado de seu ventre, assassinado antes de ser. Os tempos de cadeia, os tempos de bordel, a época de Estância, lugares por onde andou, o ruim e o mau, a taça de couro e a rosa. Quantos anos completara há poucos meses no xadrez, presa e surrada pela polícia de costumes da Bahia? Vinte e seis? Não pode ser. Quem sabe, cento e vinte seis, mil e vinte seis ou ainda mais? Na hora da morte não se conta idade.

Barulho na porta, ruído de discussão, a voz de dona Fina contraditando alguém, a resposta e o riso. Tereza estremece, palpita-lhe incontido o coração, de quem essa voz inesquecível, esse acento de marulho e búzio?

- Vai casar? Pode ser, mas só se for comigo.

Levanta-se trémula, não acredita nos próprios ouvidos, sai passo a passo pelo corredor, olha a medo. Na porta da rua, disposto a entrar de qualquer maneira, gigante, pássaro, vivo, inteiro, lá está ele. Então Tereza abre-se em pranto, em choro convulso. Chorando, atira-se nos braços de Januário Gereba.

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- O casamento embucetou! – anuncia Maria Petisco, saltando do táxi na porta de entrada da casa de Almério.

Deixara Tereza nos braços de mestre Gereba. Não tinha naufragado? Não estava morto? Que morto nem meio morto, vivo e bem vivo, um pedaço de homem de se lamber os beiços, rolete de cana caiana, Tereza mais sortuda. Quando o Balboa naufragara, fazia mais de três meses que ele e Toquinho, outro baiano, haviam desengajado, iniciando a volta para casa.

Na maciota, vendo mundo. Acabara de chegar e o compadre Caetano Gunzá lhe contara os acontecidos todos. O amigo Almério desculpasse, mas o casamento parecia bastante comprometido.

No primeiro momento, Almério sofreu séria decepção, profundo abalo, não há como esconder: afinal, com papéis prontos e festa paga, não era para menos. Mas a curiosidade de velho leitor de folhetins, de ouvinte fanático de novelas de rádio, habituado a encarnar-se nos melodramáticos heróis, superou o desaponto, e ele pediu detalhes.

Acreditem: em menos de meia-hora já se entusiasmava com o relato. Maria Petisco se adiantara para dar a notícia aos convidados, chegando quase junto com o juiz e o padre. O magistrado logo se retirou; dom Timóteo, porém, permaneceu à espera de Almério, talvez o pobre necessitasse de consolo.

- E o que se vai fazer com tanto manjar? – quis saber o velho Miguel Santana, que almoçara leve, reservando espaço e apetite para a comilança.
- Ai, meu Deus, a festa não vai mais haver! – gemeu a negra Domingas, preparada para sambar a noite inteira.

Na sala ia entrando Almério das Neves acompanhado de Anália, ouvia a queixa, abanou os braços, não lhe cabia culpa.

Meu povo, disse ele, o casamento deu com os burros n’água. Para mim foi triste, mas para Tereza foi alegre.



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ENTREVISTA FICCIONADA COM



JESUS DA NAZARÉ Nº 35 SOBRE O TEMA:


“SUA SANTIDADE, SUA REVERÊNCIA?”


RAQUEL - Novamente com o nosso público entusiasta e fiel das Emissoras Latinas. Alguns de vós, no entanto, têm expressado críticas à forma como está a ser executada a cobertura especial da segunda vinda de Jesus Cristo. Criticam-nos, especialmente, pelo tratamento desrespeitoso que lhe é devido e que nós não lhe damos.

JESUS
– Por que dizes isso, Raquel?

RAQUEL
- Eu mesmo, tendo em conta a sua dignidade, comecei a chamá-lo de mestre. Mas o senhor me corrigiu e pediu-me para chamá-lo, simplesmente, Jesus.

JESUS
- Porque eu acho que ninguém é mestre. Só Deus.

RAQUEL - Abrimos hoje uma tribuna público para que todos possam dar a sua opinião sobre o título que devemos usar para nos dirigirmos a Jesus Cristo. Nosso telefone, 144-000, 140 e quatro mil, esperando sua ligação… Olá?... Primeira chamada de Santiago de Chile.

CHILENO
- Se o chefe da Igreja Católica é chamado de "Sua Santidade", o chefe do chefe deve chamar-se três vezes santo. Essa é minha opinião.

RAQUEL
- E qual é a sua, Jesus Cristo?

JESUS
– Que é isso de chamar a um homem de "Sua Santidade" é… é um insulto a Deus. Porque só Deus é santo. A ninguém na terra se pode chamar assim.

RAQUEL
- Outra chamada ... Sim, eu ouço ... Esta chamada é da Argentina.

ARGENTINA
– Respeitos, apresento os meus respeitos. Se ante as autoridades religiosas dobramos um joelho ante Jesus Cristo, senhora, devemos ajoelhar com os dois, digo eu.

RAQUEL
- Que acha Jesus Cristo?

JESUS
- Eu acho muito, muito errado. Disseram-me que uma vez o meu amigo Pedro estava em numa cidade e um centurião o viu e se arrojou aos seus pés. E Pedro, que se gabava de ser que era, disse-lhe: Levanta-te, eu sou um homem como tu. Como vais te ajoelhar perante mim?

RAQUEL
- Então o senhor não concorda com os beija-mãos e coisas assim?

JESUS
– No meu tempo quem exigia pompa eram os imperadores pensando que eram deuses. E estou vendo agora que alguns acreditam que são imperadores.

RAQUEL
- Outra chamada! ... É de Havana, Cuba. ... Prossiga, amigo.

CUBANO
- Penso eu, menina, que se o sucessor de Cristo é chamado de Papa ... o nome que melhor se adapta a Cristo é Super-Papa.

RAQUEL
- Superpapa? ... O que acha, Jesus Cristo?

JESUS
- Eu o tratei por "papai, papai" a Deus. Pela confiança. Mas a ninguém se pode ser atribuír esse nome, porque só há um Pai, o dos céus. Eu disse isso muito claramente.

RAQUEL
- Não sei se sabe que os sacerdotes são chamados de pais e as freiras de mães?

JESUS
- Pais e mães?... Mas não dizem que não têm filhos?

RAQUEL
- Outra chamada…

MULHER
- E monsenhor? Pode se dizer?

RAQUEL
- Bishop é em francês e significa "meu senhor". É assim que os bispos e cardeais gostam de ser chamados.

JESUS
– E serás tu escrava para lhe chamres senhor teu?

RAQUEL
– De acordo com outras mensagens temos outras opções: Excelência, Sua Eminência o ... que o senhor acha?

JESUS
- Eu creio que Deus vai levar todos esses títulos de palha e queimá-los com o fogo que não se apaga.

RAQUEL – Então, em que ponto ficamos?

JESUS
- Em nenhum deles Raquel. Irmãos e irmãs é o que nós somos.

RAQUEL -
E a tratá-lo a si.

JESUS
– Jesus, é quem eu sou.

RAQUEL
- E desta forma tan… drástica, terminamos nosso fórum público, embora os nossos telefones não parem de tocar. De entre Jerusalém e Jericó, para as Emissoras Latinas informouRaquel Perez.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

UMA SONECA

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TRIO IRAKITAN - O VAGABUNDO

Mais uma contribuição do Nordeste para a MPB. Surgiram na cidade de Natal em 1947 e foi, sem edúvida, o mais importante, de maior expressão e um dos mais respeitados no país.

Um menino da roça, de 15 anos de idade, e seu pai entraram num shopping, lá em Goiânia, pela primeira vez. Eles ficaram impressionados com quase tudo o que viram, mas especialmente por duas brilhantes paredes de prata que poderiam abrir e fechar.

O menino perguntou: - O que é isto, pai?
O pai, que nunca tinha visto um elevador, respondeu: - Filho, eu nunca vi nada parecido em minha vida, eu não sei o que é.

Enquanto os dois estavam assistindo com perplexidade, uma senhora idosa, gorda, numa cadeira de rodas chegou perto das portas e apertou um botão. As portas se abriram e a senhora rolou entre elas, entrando naquele quarto pequeno. As portas fecharam e o menino e seu pai observavam o pequeno número acima das portas acender sequencialmente e
continuaram a assistir até que chegou o último número... depois os números começaram voltar na ordem inversa.
Finalmente, as portas se abriram novamente e uma linda loira de mais ou menos 24 anos, saiu do quartinho.

O pai, sem tirar os olhos da moça, disse calmamente ao seu filho: - Vá buscar sua mãe....

DENÚNCIA NO PARLAMENTO

RESPONSÁVEIS PELA CRISE

ISLANDESA COMEÇAM A SER PRESOS


Julgamento a sério dos culpados de crimes financeiros contra a Pátria?...
Enfim, a Islândia é outra sociedade, uma democracia a sério, não há cá luxos desses...
Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.
Os dois arriscam-se a uma pena de pelo menos oito anos de cadeia, bem como ao confisco de todos os bens a favor do Estado e ao pagamento de grandes indemnizações.
A imprensa islandesa avança que estas são as primeiras de uma longa lista de detenções de responsáveis pela ruína do país, na sequência do colapso bancário e financeiro da Islândia.
Na lista de possíveis detenções nos próximos dias e semanas estão mais de 125 personalidades da antiga elite política, bancária e financeira, com destaque para o ex-ministro da Banca, o ex-ministro das Finanças, dois antigos primeiros-ministros e o ex-governador do banco central.
A hipótese de cadeia e confiscação de bens paira também sobre uma dezena de antigos deputados, cerca de 40 gestores e administradores bancários, o antigo director da Banca, os responsáveis pela direcção-geral de Crédito e vários gestores de empresas que facilitaram a fuga de fortunas para o estrangeiro nos dias que antecederam a declaração da bancarrota.
Em Outubro de 2008, o sistema bancário islandês, cujos activos representavam o equivalente a dez vezes o Produto Interno Bruto do país, implodiu, provocando a desvalorização acentuada da moeda e uma crise económica inédita.

NOTA - Em todo o lado hà gente desonesta e gananciosa... a Justiça é que parece não ser a mesma como se comprova pelo sketch anterior que é uma "delícia" quanto à protecção da corrupção.

TEREZA


BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA
Episódio Nº 307


As testemunhas de Almério são o banqueiro Celestino, que lhe fornece crédito e conselhos, o advogado Tibúrcio Barreiros, e doutor Jorge Calmon, director de A Tarde, gente da alta. No religioso o noivo manteve os mesmos do primeiro casamento.: Miguel Santana, um obá do Axé do Opô Afonxá, bom de cantiga e dança, patriarca outrora rico, tendo ajudado Almério nas aperturas do começo, e Taviana, proprietária do castelo onde ele por duas vezes foi buscar noiva.

Tendo sido tão feliz no casamento com Natália, por que mudar de padrinhos? Zeques, em plena convalescença, conduzirá as alianças.

Para celebrar a cerimónia religiosa, foi escolhido dom Timóteo, um beneditino, magro, ascético e poeta. Para o acto civil o desembargador Santos Cruz, naquele tempo ainda juiz em vara de família.

Estando de violão em punho, com certeza Dorival Caymmi cantará para a noiva, não lhe compôs uma modinha? Trouxe com ele dois rapazolas, ainda muito jovens, os dois com pinta de músico, um chamado Caetano, o outro Gil.

Quanto ao brinde aos nubentes, quem poderia fazê-lo senão o infalível vereador Reginaldo Pavão? Para essas circunstâncias de baptizado e matrimónio não existe orador mais indicado, é sem rival.

Só faltaram mesmo mestre Manuel e Maria Clara, o saveiro Flecha de São Jorge encontrando-se de viagem, em Cachoeira.

Tão pouco compareceu mestre Caetano Gunzá, se bem a barcaça ventania estivesse recebendo carga, fundeada em Água dos Meninos. Não era ele de festas, bastando-lhe a festa do mar e das estrelas.

Impossível noivo mais alegre. Traja roupa nova, terno branco de HJ inglês, luxos de abastado, de filho predilecto de Oxalá.

Pouco antes das quatro da tarde, hora marcada para o casamento, um portador apareceu trazendo aflito recado de Tereza – a noiva pede para Almério dar um salto urgente em casa de dona Fina, onde ela se prepara para as bodas.

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Em casa de dona Fina, Maria Petisco e Anália ajudam Tereza Batista a se vestir e enfeitar. Noiva mais jururu onde se viu? Prepara-se para a festa do matrimónio ou para o velório do próprio enterro?

Anália reclama com a amiga que não sabe dar valor à sorte. Ai, quem me dera, fosse eu a felizarda! Ando farta dessa vida de rameira, de cama em cama, de mão em mão, vendendo o corpo, gastando amor com xodós de pouca duração. Não viu Kalil? Tão bom moço, mas a largou para casar com uma prima, o sem vergonha. Anália não o culpa, para casar também ela romperia o rabicho inconsequente. Ah! Quem me dera, lar, filho e marido para mim somente e eu somente para ele. Ai, Tereza estivesse eu em teu lugar, estaria rindo pelos cotovelos, pelos dentes todos, rindo à tola. Maria Petisco concorda em parte. Para ela ser fiel a homem não é fácil, sobretudo com os encantados descendo nas camas sem perguntar o nome do dono do colchão, do travesseiro e da adormecida criatura.

Tereza vestida e penteada, Maria Petisco coloca-lhe ao pescoço um colar de Iansã, deslumbrante e encantado, símbolo da vitória na guerra contra os mortos presente de Valdeloir Rego, joalheiro dos orixás, levado por mãe Senhora no peji. Anália a conduz defronte ao espelho para ela se mirar, formosa porém triste. (click na imagem)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 34 SOBRE O TEMA:
“BAPTISMO DE CRIANÇAS? (
6 e últ.)



O Cego, as Uvas Verdes e a Inveja

No tempo de Jesus acreditava-se que toda a desgraça e doença era o resultado de um pecado cometido pela pessoa que os sofreu. Essa crença era baseada na Escritura. No livro do Êxodo diz que Deus vai punir as faltas dos pais nas três gerações seguintes(20,5) e embora mais tarde os profetas Jeremias e Ezequiel tenham questionado esta ideia e enfatizado a responsabilidade individual, muitos contemporâneos de Jesus ainda acreditavam em doenças hereditárias por causa dos pecados dos antepassados.

Eles acreditavam que Deus os castigava na exacta proporção da gravidade do delito. Acreditava-se também que Deus poderia punir "por amor", para testar os seres humanos. Se essas punições fossem acolhidas na fé, o mal se tornava uma bênção para ajudá-los a ter um conhecimento mais profundo da lei e facilitar o perdão dos pecados. Os mestres da lei, escrupulosos na discussão destas ideias, ensinavam que nenhuma punição vinda do "amor" de Deus poderia impedir o ser humano do estudo da lei e é por isso que a cegueira era sempre vista como uma grande maldição e punição verdadeira, clara evidência de pecado pessoal ou um pecado herdado dos ancestrais do paciente.

Foi precisamente perante este caso extremo de punição divina para um cego de nascença, que Jesus desafiou esta crença. Nem os cegos tinham pecado, nem tinham pecado herdado de seus pais (John 9,1-41).


Jesus foi categórico: nenhuma enfermidade é castigo de Deus, a responsabilidade pelos pecados é individual, os pecados não são transmitidos. Para explicar, Jesus usa a reflexão que séculos antes tinha sido utilizada pelo profeta Jeremias: se os pais comerem uvas verdes não serão os filhos que irão sofrer de disenteria.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Na situação que vivemos em Portugal e na Europa estes desabafos acalorados são compreensíveis e têm muito de verdade. No fundo, é o discurso do Prof. Medina Carreira, economista e ex-ministro das Finanças de Mário Soares, que há muito o vem fazendo na televisão.

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Fala das estrelas do céu...Da lua que na noite está lá fora da sua janela... De um sol que lhe dá luz... Da mulher que ama... Enfim, fala da natureza que é linda e do amor que não o é menos. Eu também gosto.


O Gato

Um fulano quis livrar-se do seu gato.
Levou-o até a uma esquina distante e voltou para a casa.
Quando chegou a casa, o gato já lá estava.
Levou-o novamente, agora para mais longe.
No regresso, encontrou o gato novamente em casa.
Fez isso mais umas três vezes, cada vez até mais longe, e o gato voltava sempre para casa.
Furioso, pensou:
- Vou lixar este gato!
Pôs-lhe uma venda nos olhos, amarrou-o, meteu-o num saco opaco e colocou-o na mala do carro.
Subiu à serra mais distante, entrou e saiu de diversas estradinhas, subiu e desceu, deu mil voltas… e acabou por soltar o gato lá no meio do mato.
Passadas umas horas, liga para casa pelo telemóvel...
- Tá, Maria, a porra do gato já chegou a casa?
- Já... pois… ainda bem, deixa-me falar com ele porque eu estou perdido...



Moral da História:
- Bem feito! Todos aqueles que abandonam os seus animais domésticos deviam passar por esta humilhação.

VIDA – O Jackpot do Euromilhões

(continuação)

Nascemos condicionados pelos nossos genes e pelo contexto cultural e social em que vivemos e por muito que nos emancipemos através de uma formação científica sólida e diversificada, é na gestão que fazemos daqueles dois grandes factores que as nossas vidas têm que se resolver.

Em última análise, são aspectos emotivos da nossa própria natureza que irão determinar o sucesso das nossas vidas em termos de felicidade e por isso a necessidade de apelar à inteligência para orientarmos a nossa sensibilidade.

Só somos seres superiores porque temos a capacidade de sermos bons de uma forma inteligente: nem “máquinas pensantes”nem “donzelas de lágrima ao canto do olho”.

A razão e o sentimento têm que “casar-se” sem que para isso haja alguma fórmula mágica a não ser, talvez, a que se esconde algures dentro de cada um de nós…

Temos uma dívida para com o meio que nos cerca pois não só o planeta em que vivemos é propício e “amigável” como o próprio Universo também o é.

Segundo os cálculos dos físicos, pequeninas alterações que fossem nas leis e nas constantes da Física e o Universo ter-se-ia desenvolvido de tal modo que a vida teria sido impossível.

Mas a nossa responsabilidade não é perante o Universo que se organizou de forma a permitir a vida, nomeadamente a nossa, pois somos demasiado pequenos e insignificantes para assumirmos responsabilidades perante o Universo.

A nossa responsabilidade é perante nós próprios, na qualidade de única espécie verdadeiramente inteligente que ao longo de um processo evolutivo de muitos milhões de anos, e com muitos sobressaltos pelo caminho, se conseguiu impor.

Despoletamos forças poderosas, estamos em vésperas de construir estações orbitais com condições para lá podermos viver, transformamos o nosso mundo numa aldeia global, mas continuamos com imensas dificuldades em resolver situações de simples vizinhança e convivência em que alguns conflitos religiosos continuam a ser os de mais difícil resolução.

…Sempre, sempre os deuses a dificultarem a vida dos homens!!! …

Richard Dawkins

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA






Episódio Nº 306

Os fornos da Panificadora de Nosso Senhor do Bom Fim trabalharam sem cessar, mas não o fizeram para servir a população de Brotas, naquele dia postos à disposição da festa.

O feliz nubente, Almério das Neves, não é dono do próspero estabelecimento, em breve um empório? Um favorecido da sorte, um venturoso, nasceu com certeza empelicado; se fez por si, tem direito a celebrar com pompa seu segundo casamento.

Para a grande festa a Bahia inteira recebeu convite, e quem, por acaso, sobrou no esquecimento veio de penetra, não faltou ninguém.

Realizou-se na residência de Almério, vizinha à padaria embora até ao pé dos fornos dançassem convidados noite adentro.

Ao jazz-band Os Reis do Som, do cabaré Flor de Lotus, cabem louvores pela animação, mas o auge sucedeu passada a meia-noite, quando o Trio Eléctrico desembarcou na rua e a festa transformou-se em carnaval.

Unânime, compareceu a corporação dos panificadores, os monopolistas espanhóis e os concorrentes nacionais. Lá estavam os companheiros de Almério na confraria da Igreja do Bonfim e os do candomblé de São Gonçalo do Retiro, onde ele tinha posto e título na casa de Oxalá.

Sentada numa cadeira de braços de alto espaldar, mãe senhora rodeada pela corte de obás. Representações de outros candomblés, a mãe-pequena Creusa, figurando mãe Menininha do Gantois, Olga de Alaketu toda nos trinques. Eduardo de Ijexá, mestre Didi e Nezinho de Muritiba, vindo especialmente. Os artistas para quem Tereza posara, Mário Cravo, Carybé, Genaro, Mirabeau e aqueles ainda esperando vez e ocasião, ai nunca mais! Entre eles, Emanuel, Fernando Coelho, Willys e Fernando Teixeira, que pelo nome, por ser maranhense e bom de prosa, recorda a Tereza o amigo Flori Pachola, do Paris Alegre, em Aracaju. Junto com os artistas, os literatos a gastar uísque, escolhendo marcas, uns perdulários, uns snobes: João Ubaldo, Wilson Lins, James Amado, Idásio Tavares, Jehová de Carvalho, Cid Seixas , Guido Guerra e o poeta Telmo Serra.

O alemão Hansen e os arquitectos Gilberto Chaves e Mário Mendonça escutam, atentos, mestre Calá contar pela milésima vez a história verídica da baleia que embocou no rio Paraguaçu e engoliu um canavial inteiro. Se alguém tiver ocasião de se encontrar com o gravador do lírico casario e das bravias cabras, aproveite para ouvir a história, quem não a ouviu não sabe o que perdeu.

Assim postos os nomes, parec3e ter havido excesso de homens e falta de mulheres. Engano pois cada um deles estava com a esposa, alguns com mais de uma. Em nome de Lalu, dona Zélia levou perfume para a noiva e no próprio nome um anel de fantasia, dona Luísa, dona Nair, e dona Norma levaram flores. E as mulheres da vida, essas não contam?

Sérias, quase solenes, trajadas com muita discrição, as caftinas. Senhoras de alto gabarito: Taviana, a velha Acácia, Assunta, dona Paulina de Sousa, de braço dado com Ariosto Alvo Lírio. Modestas, retraídas, umas tímidas meninas, as raparigas, algumas com os xodós ao lado. Uma princesa, a negra Domingas, favorita de Oguim.

Num canto da sala, quase escondido pela cortina da janela e por Amadeu Mestre Jegue, Vavá na cadeira de rodas. Tereza o escolhera para padrinho ante o juiz juntamente com dona Paulina, Toninha e Camafeu de Oxossi. No padre, o pintor Jenner Augusto e a esposa, fidalga sergipana de autênticos pergaminhos e, vejam só! sem preconceitos.

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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 34 SOBRE O TEMA:

“BAPTISMO DE CRIANÇAS?” (5)



Batismo de Crianças: Uma Questão Controversa

O significado do baptismo de crianças foi discutida pelos pelagianos, que por negarem o dogma do pecado original foram considerados hereges pela Igreja oficial.
Sustentaram os pelagianos (IV e V Séculos), que as crianças são baptizadas não para lhes ser perdoado qualquer pecado, mas para as tornar melhor e dar-lhes o status de filhos adoptivos de Deus. A igreja oficial, por isto, perseguiu-os cruelmente, insistindo que até uma criança recém-nascido está sob o poder do mal.



O Concílio de Florença (1442), em seu decreto contra os jacobitas, outro grupo considerado herege, reafirmou esta doutrina, declarando que o baptismo não deve ser adiado até mesmo para 40 ou 80 dias, como era o costume de algumas pessoas. O motivo era o perigo de morte, que pode acontecer muitas vezes, não havendo outro remédio disponível para essas crianças, excepto o sacramento do baptismo, que os livra do poder do diabo e os faz filhos adoptivos de Deus. Esta crença de bebés inocentes nas mãos do diabo expressa-se no rito católico do baptismo, no qual se incorporam exorcismos de rejeição "a Satanás, a suas pompas e suas obras," que os padrinhos devem fazer em nome da criatura.



A partir da Reforma Protestante no século XVI, começou a haver entre os cristãos reformados opiniões contra o baptismo infantil, embora o próprio Lutero o tenha mantido. Os anabatistas, por exemplo, enfrentaram os luteranos por se recusarem a baptizar as crianças, o que levou até a guerras. As únicas denominações protestantes que mantêm actualmente o baptismo das crianças são a luterana e a morava. Na Igreja Anglicana, copta, maronita e as igrejas ortodoxas na Europa Oriental e Oriente Médio também é praticado o baptismo infantil.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

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VÍDEO


Vê agora para que servem as folhas no chão da floresta?...

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DEMIS ROUSSOS - GOOD BY, MY LOVE GOOD BY

A mais linda canção romântica do milénio...

A VIDA - O JACPOT do EUROMILHÕES

(continuação)

Chegamos à vida contra todas as probabilidades, oriundos de um mundo de silêncio e de nada e depois de uma existência fugaz, que metaforicamente podemos equiparar a um pestanejar de olhos, regressamos a ele e, no entanto, esse momento fugaz, é tudo quanto nós temos.

E sendo tudo, é ainda muito mais do que aquilo que nós valorizamos quando olhamos à nossa volta e nos apercebemos do que muitas, muitas pessoas, fazem às suas vidas e à vida dos seus semelhantes: crime e desperdício!

Não há crença ou religião que não aponte para outras vidas numa estratégia óbvia de condicionar e influenciar as pessoas a adoptarem determinados comportamentos e atitudes, normalmente de disciplina e submissão, embora tudo à nossa volta nos mostre à evidencia que após a morte a vida continua, é certo, mas através de novos personagens que não os anteriores recauchutados.

A vida é um bem precioso, e é precioso porque é raro, embora os sete mil milhões de semelhantes nossos que habitam o planeta nos possam dar uma ideia contrária, mas o que é este número comparado com o dos grãos de areia do deserto do Sara?

Vamos morrer e por isso somos nós os bafejados pela sorte. A maior parte das pessoas nunca vai morrer porque nunca vai chegar a nascer.

É muito importante pensar a vida, a nossa vida, como aquela oportunidade que nos surgiu de entre muitos milhões de oportunidades que podiam ter acontecido a outros no nosso lugar.

Se assim conseguirmos pensar, até porque é essa a realidade, olhar-nos-emos e aos nossos companheiros de “viagem” com outros olhos, com mais atenção e mais sentido de responsabilidade.

No fundo, todos buscamos a felicidade que é aquela “coisa” que definimos para nós próprios nem sempre facilmente.

Sabemos, acima de tudo, que queremos ser felizes mas não sabemos bem “como” nem “com quem” e quando o julgamos saber muitas são as vezes em que concluímos que estávamos enganados.
(continua)

TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA



Episódio Nº 305


73

Um sorvete, de pitanga ou de mangaba, um refresco de caju ou de maracujá, genipapada? O doce em calda pode ser de jaca ou de manga, de banana em rodinhas, de goiaba. Prefere alua de abacaxi ou de xengibre? Um aracajé, um abará? São preparados por Agripina, ninguém os faz melhores. Aceite alguma coisa, tenho prazer em oferecer. Uma conversa para ser completa e boa, exige o acompanhamento de comer e beber, não lhe parece?

Sim, eu a conheço, aqui a tendo visto; nesta casa passa gente do mundo inteiro, meu senhor. O pobre e o rico, o velho experiente e o moço em fogo, o pintor de quadros e o de paredes, o abade do convento e a mãe-de-santo, o sábio modesto e o tolo enfatuado, todos vêm me apertar a mão, com todos eu converso, em qualquer língua, não me aperto – Deus criou os idiomas para a gente se entender e não para dificultar o conhecimento e a amizade entre as pessoas.

Acolho a todos com delicadeza, pois sou de fina educação baiana, e vou-lhes contando o quanto sei, o que aprendi nesses oitenta e oito anos já cumpridos, bem vividos.

Com quem se parece Tereza Batista, tão castigada pela vida, tão cansada de apanhar e de sofrer e, ainda assim, de pé, com todo o peso da morte no lombo, porfiando em arrancar da maldita uma criança para a vida? Pois eu lhe digo com quem se parece.

Sentada nesta varanda, vendo ao longe o mar do Rio Vermelho, olhando as árvores, algumas centenárias, a maioria plantada por mim e pelos meus, com essas minhas mãos que empunharam a carabina nas matas de Ferradas, nas lutas do cacau, recordando João, meu finado, um homem alegre e bom, cercada pelos meus três filhos, meus tesouros, e pelas três noras, minhas filhas e rivais, pelos netos, netas e bisnetos, por meus parentes e aderentes, eu, Eulália Leal Amado, Lalú, na voz geral da bem-querença, lhe digo, meu senhor, que Tereza Batista se parece com o povo e com mais ninguém. Com o povo brasileiro, tão sofrido, nunca derrotado. Quando o pensam morto ele se levanta do caixão.

Aceite um refresco de umbu, um sorvete de cajá. Se prefere uísque, também posso lhe servir, mas não lhe louvo o gosto.

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A festa do casamento de Tereza Batista foi tema de conversa e louvação durante longo tempo na cidade da Bahia. Rodolfo Coelho Cavalcanti celebrou-lhe a alegria e a grandeza num folheto de cordel, festa mais falada e referida, inesquecível.

Pela fartura da comedoria, havendo quatro mesas repletas em tudo. Numa delas, só comida de azeite e coco, do vatapá ao efó de folhas, as moquecas e os xinxins, o acarajé e o caruru, o quitandê tão raro, as frigideiras.

Nas outras, todo o género de quitutes: mal-assados, lombos, galinhas, conquéns e patos, os perus, vinte quilos de sarapatel, dois leitões, um cabrito, as travessas cheias e ainda sobrando na cozinha.
E as sobremesas? Melhor não falar, só espécies de cocada havia cinco.

Pela abastança de bebidas, garrafas e barris, chope, cerveja, batidas variadas, garrafões de vinho Capelinha, uísque, vermute, conhaque, a boa cachaça de Santo Amaro e os refrigerantes. No gelo, nas prateleiras dos armários sobrecarregados.

Doutor Nelson Taboada, Presidente da Federação das Indústrias mandou de presente ao noivo, benquisto associado, uma dúzia de garrafas de champanhe para o brinde após o sim.

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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 34 SOBRE O TEMA:

“Baptismo de Crianças?”(4)




Porque nascem os bebés em pecado…

A prática do baptismo por imersão foi diminuindo à medida que o baptismo infantil se generalizava, uma prática que aparece em escritos no século segundo, e foi incentivado na medida em que a teologia cristã se agarrava cada vez mais à ideia de que todos nós nascemos em pecado, o que levaria muito cedo ao dogma do "pecado original".


A base para essa ideia na teologia parte de uma interpretação literal dos textos de Paulo em 1 Coríntios 15,21 e Romanos 5.12. A ideia foi sistematizada e adornada no século IV pelo bispo Agostinho de Hipona, o grande Santo Agostinho, o teólogo mais influente na teologia cristã entre Paulo e Lutero, que pode ser considerado o "pai" da doutrina do pecado original e, consequentemente, o pai da tradição que denigre a sexualidade humana, por ser a via para a "transmissão" desse pecado. Esta doutrina nefasta é ainda central para a teologia católica oficial.


Até agora, este "pecado original" seria a principal razão para o baptismo de crianças. Razão e até mesmo obsessão, porque tem havido campanhas para baptizar os bebés logo a seguir ao nascimento e existem mesmo campanhas para baptizar até os fetos abortados. Obsessão baseada no medo: a crença de que as almas dessas criaturas, mesmo ainda não formadas, iriam, por causa do "pecado original" para o limbo, um "lugar" em que nem vêm Deus, nem voltam a ver novamente seus pais. Depois de séculos alimentando esta crença absurda do limbo em Maio de 2007 "foi fechado" oficialmente pelos teólogos do Vaticano. Desaparecerá, por isso , o costume do baptismo infantil?

terça-feira, janeiro 10, 2012

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Butão, esse reino pequeno e fechado nos Himalaias, encravado entre a China e a Índia. A capital é Thimphu.


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Genial... com a qualidade da BBC

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EDNARDO - PAVÃO MISTERIOSO (1976)


É uma referência da música cearense e um dos mais importantes compositores brasileiros da notável safra dos anos setenta, com intervenções no cinema, teatro e relevisão. O amor e a tradição ao seu berço foi uma constante nos seus trabalhos.




O Jackpot do Euro-Milhões

Não jogo, falta-me a fé, mas hoje deu-me para ali… e como comportamento aberrante fiquei a matutar nele. O factor aliciante do Euro-Milhões é o jackpot, prémios que por não sairem se vão acumulando até atingir, por vezes, mais de uma centena de milhões de euros e cuja probabilidade de me sair é muito menor do que a de ser destruído por um objecto vindo do espaço. Consolo-me, pensando que foi uma forma de contribuir para a acção social da Misericórdia de Lisboa.

É que eu próprio, os meus amigos que seguem o Memórias Futuras em Portugal, Brasil, E.U.A. ou em qualquer outro lado, todos nós, somos um caso evidente de jackpot e esse já ninguém nos tira, ganhámo-lo no momento do nosso nascimento.

Ora vejamos: os nossos pais produziram por dia, no período fértil das suas vidas, entre 300 a 500 milhões de espermatozóides, repito, por dia, e qualquer um deles, combinado com um óvulo de entre umas centenas pertencentes às nossas mães, era um potencial descendente.

Repare-se bem, muitos milhares de milhões de uma pequena célula, cada uma diferente de todas as outras, que eram pertença dos nossos pais, escolhida num processo competitivo, (espécie de corrida de 100 metros) até ao local da fecundação com um dos muitos óvulos das nossas mães que estava disponível nesse dia, determinou o nascimento de cada um de nós numa probabilidade que desafia quase o infinito.

Richard Dawkins, grande especialista do genoma humano - (Premio Nobel em 1973 pelos seus estudos em Etologia e um dos maiores intelectuais do nosso tempo) - afirmou que as pessoas potencialmente permitidas pelo nosso ADN que poderiam estar aqui no nosso lugar mas que na verdade nunca verão a luz do dia, excedem em número os grãos de areia do deserto do Sara… pensem bem, os grãos de areia do deserto!

E não é que cada um de nós tem a sensação que é o filho óbvio dos seus pais? Não é isso que sente qualquer um?

Agora que penso nisto quase que estremeço ao imaginar a multidão de irmãos meus que ficaram por nascer e me “deram” o seu lugar para que eu possa estar aqui a escrever ou a jogar ténis com o meu amigo Carlos.

E, no entanto, as pessoas “choram-se” porque quando jogam nunca lhes sai nada e pensam, pensamos todos, que ter sorte é acertar na “chave” do Euromilhões quando, como já devem ter percebido, sorte é ter nascido, para o bem e para o mal...
(continua)

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA







Episódio nº 304




Queixumes de amor sobrevoam Tereza insone largada sobre o madeirame, olhos secos de ausência, punhal fincado no peito, morto coração, a mão a tocar as águas do mar e do rio misturadas, o mar e o rio de Janu bem-querer.

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Quando o saveiro baixou a âncora na Rampa do Mercado, Tereza estava pronta para abandonar o porto da Bahia e embrenhar-se no sertão. No cais, a esperá-la, o bom Almério.

Pobre amigo, vai sofrer com a notícia, mas o pior de tudo será ficar ali refazendo os roteiros de Janu, olhando o mar onde ele viveu, tocando a madeira do veleiro em cujo leme ele pousou a mão.

Face aflita, voz embargada, Almério em desespero:

- Tereza, Zeques está doente, muito doente. É meningite. O médico diz que talvez não escape. – Um soluço foge-lhe do peito.

- Meningite?

Seguiu com Almério e na cabeceira do menino ficou dez dias praticamente de enfiada, sem dormir e sem comer, a cuidar dele.

Diplomara-se enfermeira no trato da bexiga. Tantas vezes lutara contra a morte, tantas vezes a vencera, Tereza da Bexiga Negra. Agora, morta ela própria, bate-se pelo órfão.

Doutor Sabino, um jovem pediatra, ao fim de alguns dias, sorri pela primeira vez. Ao receber os agradecimentos de Almério, aponta Tereza junto à cama do convalescente.

Ele deve a vida a dona Tereza, não a mim.

Vendo-os lado a lado, nos cuidados da criança, o doutor Sabino, com a impertinência dos moços, se intromete onde não é chamado:

- Se os dois são livres por que não se casam? É disso que o moleque mais precisa: mãe.

Disse e se foi, deixando-os um diante do outro. Almério levanta os olhos, abre a boca a medo, arrisca:

- Bem podia ser… Por mim é o que mais desejo.

Carregada de defuntos, morta, entregue, Tereza Batista se acabou.

Me dê tempo de pensar.

- Pensar mais o quê.

Companheira no trato do menino e da casa, pode ser. Mas na cama, aí, será apenas competente profissional e, sendo amiga de Almério e devendo-lhe gratidão, tendo-lhe estima, mais penoso e difícil se tornará o exercício da função. Mais cruel do que em lupanar de porta aberta nas estradas do sertão, do que na pensão de Gabi, na Cuia Dágua, em Cajazeiras. Terá forças para representar? Em cama de puta não é difícil, mas em leito de esposa será dura tarefa, ingrata obrigação.

Almério não lhe pede sequer amor, acredita poder ganhá-lo no passar do tempo. Quer apenas companhia para ele e o menino, cama igual à do castelo, interesse e amizade. Alegria ela não possui, não pode dar. Aí, já não lhe restam forças para pelejar, Tereza Batista Cansada de Guerra.

- Se aceita assim…

Almério atira-se padaria adentro a anunciar a nova. (click na imagem)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

À ENTRECISTA Nº 34 SOBRE O TEMA:
"BAPTISMO DE CRIANÇAS?" (3)


Baptismo é Imersão

Os primeiros cristãos que viveram na terra de Israel foram baptizados submergindo-se no rio Jordão, repetindo o ritual de João. Os que viviam noutros lugares faziam-no em rios ou lagoas.


A própria palavra "baptismo" vem da palavra grega "mergulho", "afundar na água." Através dos séculos, este costume se perdeu e hoje no ritual católico ficaram apenas algumas gotas de água que o sacerdote derrama sobre a cabeça do novo cristão. Os cristãos de ritual ortodoxo e alguns cristãos evangélicos ainda praticam o baptismo por imersão em rios e águas tranquilas do mar.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Pingo Doce na Holanda e o fuher não gostou...

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O que resta de uma olaria que persiste na Lisboa onde nasci aguardando que qualquer coisa de novo apareça no seu lugar.

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FERNANDO LONA - CIDADÃO DO MUNDO


Especialmente para os baianos recordarem... Em 1977, às 15h00 do dia 5 de Julho, Fernando Lona morreu num desastre de automóvel quando se dirigia para Curitiba. Hoje o seu canto ecoa nos ouvidos e na lembrança daqueles que lhe foram contemporâneos mas basta ouvi-lo para descobrir a sua intemporalidade e a Baía e o Brasil estão em falta para com a sua memória. Apenas editou um disco mas foi suficiente para se inserir entre os mais significativos da MPB. Aliava, como poucos, a beleza dos versos à harmonia e às imagens fortes da sua época. Já se diz na Bahia quando se quer referir os anos sessenta e setenta "como no tempo do Fernando Lona.


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Última volta do Grande Prémio de Mugelo de 2009 em 250 c.c. Numa pista molhada, dois motociclistas disputam a vitória lado a lado...

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O primeiro pecado do homem foi a fé;
A primeira virtude, a dúvida.



Carl Sagan

Conto Curto

Quando Carlinhos era pequeno, queria ser bailarino e seus pais o desencorajaram, porque era coisa de paneleiro.

Logo depois, quis ser cabeleireiro, mas seus pais não deixaram porque era coisa de paneleiro.

Passado algum tempo quis ser estilista, mas seus pais não permitiram porque era coisa de paneleiro.

Entretanto Carlinhos cresceu, é paneleiro e não sabe fazer merda nenhuma.

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 303



Nos ombros de Tereza os mortos pesam, carga ruim. Até agora ela os conduziu sem demonstrar desânimo, sem cair em desespero. Aguentou o peso dessas mortes na cacunda, delas ressuscitando por três vezes. Mas Janu pesa demais, com esse defunto Tereza não aguenta. Januário Gereba, marinheiro, Janu do bem-querer, morri em tua morte, me acabei de vez.

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Para que ir à Companhia de Navegação ouvir do senhor Gonzalo a confirmação da notícia, condolências formais, a mirada de frete a medir-lhe o luto e a formosura. Não fora ele próprio que fornecera a lista de nomes à imprensa? Para cravar mais fundo a lâmina do punhal, perder a derradeira esperança. Ali, na fria antessala da empresa marítima, Tereza ouve pela boca do espanhol a leitura do telegrama anunciando a morte de todos os tripulantes do Balboa, inclusive dos Baianos. Para que viera? Para cravar o punhal mais fundo ainda, se possível. Acabou Tereza Batista.

Na cabeça o xale florado, presente do doutor, usado em horas de alegria e de peleja, agora véu de viúva, trapo de mortalha, os olhos de um negrume opaco, vazios, a boca exangue, lá se vai ela, andando ao léu.

O Xarriô a deposita na Cidade Alta e apenas entra na Praça da Sé depara com Peixe Cação. Ao avistá-la o tira eleva a voz e xinga:

- Puta de merda! Cadela suja!

Queria vê-la reagir para de novo a levar presa e concluir a vingança prelibada. Tereza contenta-se com olhar para o provocador, prossegue seu caminho. Foi quanto bastou: o tira permaneceu paralizado, era o olhar de uma pessoa morta, de um defunto vagando pela rua.

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Maria Clara e mestre Manuel a acolheram no saveiro e a levaram em extensa e vagarosa viagem pelo Recôncavo, Tereza se despedia. Da cidade, do porto, do mar, golfo, do rio Paraguaçu.

Decidira ir embora da Bahia, regressar às terras do sertão onde nascera e se criara. Em Cajazeiras do Norte, Gabi ainda fala no nome da formosa sem igual: volte quando queira, esta é sua casa.

Desejara antes, porém, percorrer os caminhos de Janu, no saveiro Flecha de São Jorge que um dia se chamara Flor das Águas e pertencera a mestre Januário Gereba com algemas nas mãos e grilhetas nos pés. Conhecer os velhos cais descritos por ele em Aracaju, na Ponte do Imperador. Cachoeira, São Félix, Maragogipe, Santo Amaro da Purificação, São Francisco do Conde, as ilhas perdidas, os canais, uma geografia de tristezas.

De que lhe adianta recuperar lembranças, aprender paisagens, escutar o vento se ela não está e não vai chegar?

Mestre Manuel ao leme; a seu lado, na popa do saveiro Maria clara canta modas de Janaína, músicas do mar e da morte, Inaé velejando no sopro da tempestade, Iemenjá cobrindo os cabelos desnastros o corpo do náufrago, verde cabeleira da cor das profundezas.

No desvão da noite, ao morrer do luar, ao nascer da aurora, o saveiro ancorado nas margens do Paraguaçu, as velas arriadas pensando Tereza adormecida, mestre Manuel toma de Maria Clara e os ais do amor aquietam as águas. (click na imagem)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

À ENTREVISTA Nº 34 SOBRE O TEMA:

“ BAPTISMO DAS CRIANÇAS?” (2)


O Baptismo de João

Água e a sua capacidade de purificação ritual é uma característica de quase todas as religiões e movimentos espirituais do mundo.

O rito do baptismo que João popularizou, e que Jesus recebeu é o reconhecimento público que significa uma vontade de preparar o caminho para o Messias. A sua disposição de espírito para uma mudança de vida, uma "conversão".


O baptismo de Jesus foi o ponto de partida de partida para a sua "vida pública", o momento em que Jesus sentiu que queria fazer com sua vida algo para mudar a situação no seu país, para partilhar com os seus compatriotas que a ideia que tinham de Deus tinha de mudar para poderem ser livres.


O rito do baptismo de João era colectivo e simbólico. Depois de confessar suas faltas, João mergulhava as pessoas no rio como um sinal de purificação e renascimento: água purificava, ela era vida, fazia renascer. Os essénios praticavam abluções purificadoras, como se evidencia pelos rituais que tinham lugar nas piscinas encontradas nas ruínas do mosteiro essénio de Qumran, grupo religioso ao qual, provavelmente, João teria estado ligado.

domingo, janeiro 08, 2012

HOJE É DOMINGO


(Na minha cidade de Santarém)

Para nós, reformados, os Domingos já não são Domingos. O que tinham eles de mais importante que não fosse a folga no trabalho, a pausa nas relações do dia-a-dia com os colegas, o arrumar do despertador na noite de sábado?

É certo que a vida continuou, mas mais a título de acrescento e sem que nunca me tenha desaparecido esta sensação desagradável de que vivo à custa dos outros… Pagam-me exactamente o mesmo sem eu fazer nada… maravilhas do estado social, conquistas da social-democracia em vias de desaparecimento. Como diz Boaventura Sousa Santos, “o capitalismo financeiro não tolera economias com distribuição social”.

Tenho, para mim, que caímos numa terrível armadilha para a qual caminhámos ou melhor, nos conduziram, como ratinhos cegos e inconscientes e ainda hoje esperamos que à última da hora alguém nos venha salvar. Não é possível distribuir riqueza que não se produza… é o futuro que fica comprometido quando os credores disserem: basta!

Consultam-se agora os sábios, ouvem-se as iminências do costume: economistas, políticos, ex- governantes, comentadores, mas das suas doutas palavras não se retiram esperanças, ninguém tem soluções, a problemática é tão intrincada que não se vê saída que não seja “para os quintos do inferno…”. O destino é pagar... mas como e quando?

Erros, todos apontam, críticas, então, quem não as faz… as queixas não têm fim mas de que servem? Os governos estão encurralados, impotentes, incapazes, dependentes de uma entidade que tem muitos nomes a começar por “mercados”, agências de Rating, “troika”, senhora Merkel… e por todas as forças que na luz difusa dos gabinetes, no cimo dos arranha-céus, gerem os destinos da humanidade.

Boaventura Sousa Santos, que é Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra mas que passa parte do ano a ensinar nos EUA, prevê que “haverá perturbações civis nos próximos meses” e Eduardo Lourenço, o mais importante filósofo e pensador de língua portuguesa, diz que “Se as manifestações de indignados não fossem inconsequentes o mundo já estava a arder” e remata com a afirmação de que “A Europa condicionou a civilização mundial e agora não tem liderança. Está paralisada. Os problemas refluíram para ela própria”.

Longe vão os tempos em que tínhamos nas nossas casas um décimo das coisas que temos hoje mas em contrapartida as preocupações para o dia seguinte era se fazia sol ou chovia ou se aquela chata dor na coluna iria melhorar...

Quem havia de esperar que o consumismo desenfreado nos havia de conduzir a este ponto, mais de 13% de desemprego e um grupo enorme de pessoas mais idosas que não têm condições para voltarem ao mercado de trabalho?


Percebe-se, por isto, que em 2011 tenham sido vendidas por mês, em média, 564.000 embalagens de anti-depressivos e na última década, quando a taxa de desemprego era então de 4%, o aumento destes psicofármacos tenha disparado 177%.

É o fim de um ciclo e o caminho irá ser mais ou menos longo e doloroso como sempre acontece nos períodos de transição mas dele irá nascer um novo Portugal, mais selectivo, mais rigoroso, mais especializado e competitivo, com mais futuro, beneficiando de uma herança colectiva que não é só de vícios mas também de uma energia criativa e imaginativa e de um espírito de sacrifício que esteve na base da nossa sobrevivência como povo dotado de uma cultura e identidade própria.

Desta vez, não há muletas: nem o ouro do Brasil, as especiarias da Índia, o comércio de escravos, as matérias-primas das colónias a preço de saldo, não, desta vez será totalmente por mérito nosso, dos portugueses e da sua juventude muito mais culta e preparada.


Nada está escrito nas estrelas, tudo vai depender do que fizermos no dia a dia, nós e os restantes europeus com quem estamos agora embarcados nesta aventura.


(Click no Sá da Bandeira que distinto na sua pose, continua a observar)

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