sábado, janeiro 10, 2015

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Trem das Onze - Demónios da Garoua

É a simplicidade desta letra, uma desculpa aparentemente normal para não prolongar um encontro, que torna bela esta canção.


Mixórdia de Temáticas Pré - sono


PARA A PESCARIA...















- Então cumpade, tá animado?

- Eu tô, home!

- Ô cumpade, pro mode quê tá levano esses dois embornal?

- É que tô levano uma pingazinha, cumpade.

- Pinga, cumpade? Nóis num tinha acertado que num ia bebê mais?!

- Cumpade, é que pode aparece uma cobra e pica a gente. Aí nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole que é pra mode num sinti a dô..

- É... e na outra sacola, o que qui tá levano?

- É a cobra, cumpade. Pode num tê lá..,

Traição Anal









Desde o primeiro dia de casamento, Romualdo pedia à mulher para fazer sexo anal, mas ela nunca aceitava.

Certo dia, quando ele chegou mais tarde do serviço, a encontrou fazendo um sexo anal violento com o seu melhor amigo.


Não acreditando no que havia visto, saiu sem que eles percebessem e foi encher a cara no bar. Lá ele encontrou um bêbado pra quem desabafou. Contou toda a história. O bêbado escutou pacientemente e, quando o corno, quer dizer, o marido traído terminou de falar, ele respondeu:

- É, companheiro... A vida é assim! Olha só o meu caso, por exemplo: outro dia eu tava viajando de ônibus e de repente fiquei com vontade de cagar....Aí fui no banheiro, fiz força pra cagar e só peidei... 

Quando voltei pro meu lugar me deu uma vontadezinha de peidar aí fiz força pra peidar e caguei...

- Pô, meu! - Protestou o corno. - Eu desabafo com você, espero um bom conselho e você me vem com esse papo de peidar e cagar?


- Cara, só tô tentando te mostrar como é a vida... A gente não pode confiar nem no cu da gente! Imagina no dos outros...

A Srª Le Pen










Vamos por partes, estes três homens que mataram todas aquelas pessoas no jornal e super - mercado no centro de Paris, fazem parte de uma minoria ínfima dos islamitas que vivem em França, em África e no mundo, tão ínfima que muitos deles fazem parte de uma lista onde estão assinalados como perigosos terroristas.

Eles querem dar a impressão que integram uma grande organização, um grande califado com pretensões a governar todo o norte de África e parte da Europa mas não, não são uma grande organização mas são os indivíduos mais perigosos que já existiram nos tempos recentes porque dispõem de uma arma avançada que não se vende em nenhum armeiro que é o desprezo pela própria vida.

Quando os dois irmãos saíram ontem da tipografia disparando as suas armas fizeram-no com os olhos vidrados por uma loucura que, naquele momento, se traduzia na felicidade de uma morte heróica.

Aquele relativamente pequeno número de indivíduos que ao estilo de “lobos solitários”, como lhes chamam, pretende vingar um Maomé que só existe nas suas cabeças doentias, quer fazer-se notar, precisa de ser reconhecido como um inimigo poderoso, precisa que um exército que o defronte, que dê razão para a sua própria existência.

Por isso, a espectacularidade das suas acções que metem aviões contra as Torres Gémeas, comboios, metropolitanos, uns e outros às horas de ponta e agora estes assassínios no centro de Paris.

Antes de serem mortos dão entrevistas via telemóvel como se fossem pessoas normais fazendo referências aos seus chefes inspiradores que os treinaram e já foram mortos, fazendo passar a ideia que são soldados que pertencem a uma hierarquia e que cumprem uma missão ao serviço do profeta.

Na realidade, matam quantos não se convertam e não lhes obedeçam e devem ser tratados, por uma questão estratégica, como perigosos criminosos à solta e uma vez mortos enterrados em silêncio.

Em vez disso, conferem-lhes a honra das maiores manifestações de repúdio feitas por milhares de pessoas por todo o lado com os respectivos Chefes de Estado na 1ª linha.

Os jornais e televisões não falam de outra coisa e eles, inchados de vaidade e  importância, estão já a magicar qual a próxima acção que irão fazer para chocar o mundo.

Entretanto, a parva e oportunista daquela senhora loira, francesa, que dá pelo nome de Marin le Pen, reconhece-lhes tanta importância que, por causa deles, fala até em repor a pena de morte e fechar as fronteiras sem sequer reparar que aqueles assassinos dementes eram franceses e falavam a língua de Voltaire com a mesma perfeição do que ela.

Quanto à pena de morte, eliminada em França, tardiamente, em 1981 e em quase todos os países da Europa – nos EUA uma facção poderosa da igreja evangélica, reaccionária, medrosa e fundamentalista, continua a impedi-lo - como um avanço civilizacional, comete outro erro de simples cegueira, pois se as pessoas de quem ela se quer defender com a pena de morte são estes, parece evidente que eles não temem a morte, dispensam a execução pública, morrem alegremente com as armas na mão, ao comando dos aviões, de viaturas armadilhadas ou com cintos de explosivos.

Se aquela senhora vier a ser eleita Presidente dos Franceses deixarei de ter por eles toda a consideração que me merece um país campeão das liberdades como, há muitos anos atrás, me zanguei com os americanos quando mataram os irmãos Kennedy e o pastor Luter King.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

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Veja como envelhecemos...



Camada de Nervos - Radialistas bem Dispostos


Elvis Presley - Release Me (1970)

Fazia ontem ontem, 8 de Janeiro, 80 anos se fosse vivo, As minhas homenagens ao meu cantor romântico favorito.

MINEIRIM

COMPRANDO PASSAGEM















- Quero uma passage para o Esbui



- Não entendi; o senhor pode repetir?



- Quero uma passage para o Esbui!



- Sinto muito, senhor, não temos passagem para o Esbui.



Aborrecido, o caipira se afasta do guichê, se aproxima do amigo que o estava aguardando e lamenta:



- Olha, Esbui, o homem falou que prá ocê não tem passagem não!

Esse negro tem parte com o diabo.
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 143




















Forjava adereços, balangandâs, anéis, presenteava as raparigas: no Recôncavo se habituara a pagar mulher com lábia e agrado.

Obsequiou Fadul com uma soqueira moldada na proporção dos dedos disformes do turco, arma de arromba - bem empregado o termo; presenteou o capitão Natário da Fonseca com um punhal longo e burilado, as iniciais do Capitão entrelaçadas, gravadas a fogo. Próprio para sangrar um cabra sem-vergonha,

Natário não o dispensava no cinto: nunca se sabe o que pode acontecer.

Na ida e no regresso da Boa Vista o Capitão não abria mão de dois dedos de prosa com Fadul e com Castor. Por vezes reuniam-se os três na venda ou na oficina a cavaquear sobre o volumeda safra e o preço da arroba de cacau, sobre barulhos e mortes, acontecidos de Ilhéus e de Itabuna, e as mutações do mulherio.

Bebericando devagar uma lambada de cachaça.

 - Que novidade é essa? — Quis saber o Capitão ao notar o cachorro aos pés do negro: - Ganhou de lembrança ou comprou a um vivente?

 - Nem uma coisa nem outra. Acudiu sem ser chamado.

 - É melhor deixar pra lá, Capitão. — Aconselhou Fadul rindo, bonacheirão. — Esse negro tem parte com o Diabo.

 - Já ouvi dizer...  - Natário sorriu de leve, concordando:

 - Mas um bom cachorro vale a pena. Tive um que não me largava, morreu de mordida de cobra. Lá em casa tem um renque deles embolado com os meninos. Nenhum presta pra nada.

Fez festa com os dedos, Alma Penada respondeu movendo a cauda mas não se levantou dos pés do negro. O Capitão mudou de assunto:

- Diz-que o amigo está armando uma folia de São João?

 - Tou nessa disposição. Pro povo brincar um pouco, as meninas se distrair e também porque sou arroz de festa. O que é que o Capitão acha?

 - Não disse que ele tem parte com o Diabo? Já me enrolou, vou entrar com açúcar e sal, dinheiro pra comprar milho verde e coco seco e ele ainda quer foguete e sanfoneiro.

 - Queixou-se o turco sem parar de rir.

- Não chie, compadre, vancê também dá a vida por um divertimento.

Choque de Religiões?








Sempre que em viagens de passeio fiquei em cidades islâmicas o que sempre aconteceu nessas ocasiões foi ser acordado de madrugada pelo chamamento, através se potentes alti-falantes pela voz de um clérigo a chamar os fiéis para a oração.

Com toda a sinceridade, acho aquilo um abuso, um incómodo, um atentado ao meu direito de dormir a manhã descansado mas os valores da minha cultura dizem-me que na casa dos outros devo aceitar e respeitar os seus hábitos quer sociais, quer religiosos, tanto mais que quando saí da minha terra para os visitar já sabia o que me esperava.

Da mesmo maneira que ao aceitar um convite para jantar em casa de certas famílias cristãs e eles tiverem o hábito de encomendar e agradecer a refeição ao Senhor antes de começarem a comer devo, respeitosamente, aguardar em silêncio o desenrolar da cerimónia.

Ou seja, nos seus países ou nas suas casas, os visitantes devem aceitar os hábitos de cada um como sinal de boa educação e de respeito pelos outros.

Este foi um dos valores que os meus pais e a minha sociedade me transmitiu, faz parte de mim, é indiscutível mas se na minha cidade de Santarém, onde vivo, se instalasse uma mesquita que me acordasse todos os dias de madrugada para me mandar rezar, a mim, que ainda por cima sou ateu, não iria gostar mesmo nada...

Os cidadãos de países islâmicos do norte de África saem das terras onde, infelizmente, nem têm paz para poder viver, o que acontece também pelo contributo directo ou indirecto de países da Europa, e assentam arraiais, ao abrigo de leis da emigração, em países europeus, entre eles a França, transportando consigo, como é inevitável, os seus hábitos sociais e religiosos.

Aqui chegados, reivindicam o direito de viverem como viviam nos seus países algo parecido como se eu, instalado numa das suas cidades, mandasse desligar o alti-falante da mesquita para não ser incomodado no meu sono matinal.

A França vive situações deste género de muito difícil resolução pois em determinados bairros de Paris ou em certas cidades, como Marselha, com uma grande concentração de pessoas imigradas de países do Magreb, a descaracterização da sociedade francesa é quase total.

Se pessoas desses contingentes migratórios, da primeira ou segunda geração, especialmente estes, já nascidos em França e portanto seus naturais, irrompem pela Redacção de um jornal, no centro de Paris, e executam pessoas que fazem uns bonecos de que elas não gostam por ofenderem os seus princípios religiosos então... “o caldo começa a entornar-se”.

O Mar Mediterrâneo pode não ser mais que um simples rio a separar dois continentes mas o que acontece é que, na verdade, a religião islâmica estabelece muitas diferenças entre as pessoas que vivem de um e outro lado.

Maomé era um líder militar, ao contrário de Jesus que dava a outra face, unificou tribos e impôs pela espada uma religião, a sua, com regras muito apertadas, preceitos religiosos absorventes em que um crente, para ser um bom fiel, tem a sua vida regulada sobre todos os aspectos nas 24 horas do dia.

Para piorar as coisas esses preceitos ficaram escritos num livro e cada uma das facções religiosas ou grupos de crentes que se seguiram, dá-lhes a sua interpretação, faz a sua leitura, à boa maneira de certos textos jurídicos que dizem tudo e o seu contrário.

Eduardo Lourenço, filósofo, pensador, que viveu a maior parte da sua vida em França onde acompanhou o aprofundamento das diferenças entre os naturais e várias gerações de muçulmanos, diz que nos confrontos com o Islão “nunca vimos a Europa levar a melhor, antes se pode afirmar que a Europa sempre perdeu com o Islão”.

Actualmente, continua ele, “o que acontece de forma inédita é que nestes últimos anos a Europa ficou cercada e o que nos salva são as divisões no seio do próprio Islão, que foi sempre qualquer coisa de impenetrável e, portanto, a tornar-se numa grande sedução para muitos jovens que não encontram nesta Europa dos últimos anos grandes saídas para a vida.”                                                                                                                                             

quinta-feira, janeiro 08, 2015

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Fragata inoperacional há já muitos anos, 50 ou 60, talvez mais. Eram utilizadas para fazerem o movimento de carga e descarga dos navios fundeados no Tejo, Usavam uma vela, carregavam até 100 toneladas e eram uma das embarcações mais emblemáticas do estuário do rio. Um familiar meu, ferrenho benfiquista, era proprietário de um barco destes que se colaram à minha memória de criança apela imagem de homens vergados com sacos às costas a subirem para as fragatas por pranchas íngremes, numa prova de força, destreza e equilíbrio surpreendentes em corpos aparentemente fracos.

Joe Cocker - Unchain my heart

Falecido a 22 do mês passado com 70 anos a sua voz rouquenha nunca será uma saudade porque a podemos recordar sempre que quisermos.


Sempre é bom saber...


DO LATIM:











O vocábulo "maestro" vem do latim "magister" e este, por sua vez, do adjectivo "magis" que significa "mais" ou "mais que". Na antiga Roma o "magister" era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!


Por exemplo um "Magister equitum" era um Chefe de cavalaria, e um "Magister Militum" era um Chefe Militar.


Já o vocábolo "ministro" vem do latim "minister" e este, por sua vez, do adjectivo "minus" que significa "menos" ou "menos que". Na antiga Roma o "minister" era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso.


COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO PORQUE QUALQUER IMBECIL PODE SER MINISTRO ... MAS NÃO MAESTRO !!!




Nota -  O novo Acordo ortográfico que se esteve nas tintas para os étimos latinos da língua portuguesa teve como finalidade ficarmos sem saber que a verdadeira razão da incompetência de certos ministros se não vem das calendas gregas vem, pelo menos, das romanas.

Mixórdia de Temáticas - Titanic é para Meninos


A PESQUISADORA

E O MINEIRIN













Uma pesquisadora do IBGE bate à porta de um sitiozinho perdido no interior de Minas.


- Essa terra dá mandioca?


- Não, senhora.


- Dá batata?


- Também não, senhora!


- Dá feijão?


- Nunca deu!


- Arroz?


- De jeito nenhum!


- Milho?


- Nem brincando!


- Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?


- Ah! ... Se plantar é diferente.

O resto as putas resolviam
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 142


















O frio castigava as criaturas, a chuva desfazia os caminhos mas, do meio da tarde ao meio da noite, Tocaia Grande vivia horas intensas, circulavam dinheiro e emoções.

Na forja acesa, à luz do dia ou à luz das lamparinas, o negro Castor Abduim, o dorso nu, examinava ferraduras, calçava burros, reajustava arreios, amolava facões, media o gume dos punhais e os afiava, recondicionava armas de fogo.

 Sempre às ordens para dar um jeito nos apuros dos tropeiros que viam na forja de Tição e no armazém de seu Fadul sucursais terrenas da divina providência. O restante as putas resolviam.

A perene lufa-lufa do inverno parecia-lhe bem pouca coisa tendo em vista a pretensão que o fizera levantar ali uma oficina destinada a muito mais.

 Ferrar burros, ótimo!, proporcionava-lhe o necessário para viver, mas era com o rústico fabrico de panelas, baldes e chaleiras, de facas e punhais que vinha conseguindo pagar o empréstimo tomado ao coronel Robustiano de Araújo.

O fazendeiro, todas as vezes que o negro lhe aparecia na intenção de amortizar a dívida, repetia a mesma simpática lengalenga, não estava cobrando, fossem os demais dispostos e honestos como o ferreiro e tudo correria melhor nas divisas do rio das Cobras.

Tição não se afobava: sabia não ser chegado ainda o momento de realmente ganhar dinheiro gordo com a oficina. Mas sabia também que estava prestes a acontecer.

 Da Fazenda Santa Mariana, nas nascentes do rio, até aquela sobra de mata em torno de Tocaia Grande, estendia-se um ilimitado território de roças novas, plantadas recentemente, nos anos que se seguiram à sanguinolenta conquista, às tocaias e aos caxixes.

 Esses cacauais não tardariam a florir e a dar frutos. Aí, então, não haveria medida capaz de aferir o ganho e a ganância.

Tocaia Grande já não dependeria de tropas e tropeiros. 

Charb: "prefiro morrer de pé a viver de joelhos"
A morte desceu

sobre Paris












Com alguma sorte à mistura, até se enganaram no número da porta, o acto de vingança sobre os jornalistas e cartoonistas do jornal satírico/humorístico Charlie Hebdo, foi um sucesso.

Instalações que tinham portas de segurança, guardadas por polícias, jornalistas protegidos por agentes especializados na defesa de pessoas, e tudo foi facilmente ultrapassado e os crimes realizados na totalidade e em impunidade.

No entanto, este sucesso ao estilo Al Capone correspondeu a mais um tremendo fracasso para um Movimento, Organização, ou lá o que seja aquilo, que afirma querer dominar o mundo árabe através de um enorme Califado e também a Europa e, quiçá, o Mundo.

O Charly Hebdo, com as suas caricaturas fazendo troça do profeta Maomé, procurando vulgarizar a sua religião, como já o tinha feito com outras religiões, entre elas a cristã, era uma arma poderosa que atingia o coração dos fanáticos.

Conseguiram mais vítimas que se juntaram à das Torres Gémeas de Nova Yorque, às do Metropolitano de Madrid e às de Londres e a tantas outras às quais se juntarão mais no futuro porque os radicais fanáticos religiosos vão continuar a existir e a fazer-nos pagar o preço da sua existência.

Esta gente, infelizmente, veio para ficar não sabemos por quanto tempo. Os meios tecnológicos, a capacidade de organização, as tácticas militares, tanto estão ao serviço dos bons como dos maus e por isso a dificuldade em combatê-los, por isso a sua eficiência.

Como dizia recentemente um jornalista alemão, recebido em visita aos territórios do Estado Islâmico:

-  “eles são um em cem misturados no meio da população. Até nem são muito inteligentes mas andam com cintos de bombas à cintura e um total desprezo pela sua própria vida.” – Como podem ser combatidos?

Estão possuídos por ideias que perderam toda a racionalidade, deixaram de ser pessoas, deixaram de ser humanos refugiados atrás de Maomé e por isso, sentados no banco dos réus, em vez de se defenderam, limitam-se a ler ou a recitar o Corão.

Como lidar com isto? – Não é, com certeza com exércitos e drones, embora eles também sejam precisos e possam ter o seu papel.

É preciso ir ao âmago das sociedades, às famílias, às crianças e o campo de actuação principal é aqui, na Europa, onde vivem mais de 10 milhões de muçulmanos, a maior parte concentrados na França e na Alemanha, respectivamente, 6,4 e 3 milhões, muitos deles nascidos nestes países, seus nacionais.

No conjunto, no entanto, não representam mais de 5 a 6% numa sociedade que toda ela é cristã, agnóstica ou ateia.

É evidente que se esses milhões de muçulmanos estiverem concentrados nas cidades, em guetos, segregados ou auto segregados, vivendo sem emprego, sem trabalho e sem o que fazer, a situação torna-se muito perigosa porque propícia a comportamentos radicais especialmente de natureza religiosa, tendo, como reacção, o crescimento de partidos de extrema direita racistas e xenófobos.

O que aconteceu agora em Paris é uma lástima porque, para além de tudo, as pessoas que foram mortas era gente excepcional pela sua coragem e pelo seu humor que é o tipo de inteligência mais fino e raro do cérebro humano.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

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Se alguma vez lhe perguntarem onde fica o Eden aponte para aqui, sob as vistas do monte Kilimanjaro, no Norte da Tanzânia, fronteira com o Kénia. Se andasse com o relógio para trás veria por estes lados alguns dos nossos antepassados. São locais considerados pela UNESCO  em 1989 Património da Humanidade.



If I Were a Rich Man

Adoro esta canção, empolgante, deliciosamente cantada no cenário de um palheiro por um lavrador enquanto dá de comer aos animais e sonha o que seria se fosse um homem rico. Quem não sonhou, um dia, o que seria se fosse "a rich man? "


Camada de Nervos - Protecção Civil


O EMPRESÁRIO

 E O MINEIRIM















Num certo dia, um empresário viajava pelo interior de Minas. Ao ver um peão tocando umas vacas, parou para lhe fazer algumas perguntas:

- Acha que você poderia me passar umas informações?

- Claro, sô!

- As vacas dão muito leite?

- Qual que o senhor quer saber: as maiáda ou as marrom?

- Pode ser as malhadas.

- Dá uns 12 litro por dia!

- E as marrons?

- Tamém uns 12 litro por dia!

O empresário pensou um pouco e logo tornou a perguntar:

- Elas comem o quê?

- Qual? As maiáda ou as marrom?

- Sei lá, pode ser as marrons!

- As marrom come pasto e sal.

- Hum! E as malhadas?

- Tamém come pasto e sal!

O empresário, sem conseguir esconder a irritação:

- Escuta aqui, meu amigo! Por quê toda vez que eu te pergunto alguma coisa sobre as vacas você me diz se quero saber das malhadas ou das marrons, sendo que é tudo a mesma resposta?

E o matuto responde:

- É que as maiáda são minha!

- E as marrons?

- Tamém!

Ocê foi freira no convento?
TOCAIA GRANDE
(Jorge Amado)

Episódio Nº 141



















Epifânia estivera a ponto de perder a cabeça com Dalila, uma fedorenta que não se dava ao respeito. Enquanto o verão durou luminoso e leve ela riu de tudo e tudo desculpou.

 Mas veio o inverno, escuro, frio e triste. O movimento cresceu, é bem verdade, o dinheiro corria farto mas ainda assim, tomava-se difícil suportar a lama e a morrinha, quanto mais a altanaria de Castor Abduim, ferrador de burros, garanhão impenitente, negro fingido e enganador.

Quando a enfezada Cotinha dispensou novo ebó - não aguento homem que apanha de mulher!  - e resolveu passar em terra mais adiantada as festas de Junho, as de Santo Antônio, de São João e de São Pedro, três santos de sua devoção, Epifânia não vacilou:

 - Vou junto com tu.

- Cansou de Tição?

Ia dizer que sim, se arrependeu:

 - Quem cansou foi ele. Refletiu mirando a chuva: - Se gostou de mim, nunca me disse.

Como se sabe, não cumpriu o trato, não seguiu viagem. Mas tampouco Cotinha mudou de praça, também ela arrepiou caminho.

Ao ouvir falar na festa de São João que o negro estava preparando mais que depressa foi se oferecer para fabricar o indispensável licor de jenipapo: os frutos tombavam das árvores, apodreciam no chão.

 - E ocê sabe fazer?

Aprendera com as freiras na cozinha do convento, em São
Cristóvão, cidade sergipana onde nascera.

 - Ocê foi freira no convento? - Admirou-se Castor.

 - Quisera ser, não alcancei. — Uma ponta de saudade na voz cantada. - Trabalhava de criada em troca da comida e pra servir a Deus. Depois frei Nuno, um frade português que vinha todo dia rezar missa, me passou nos peitos atrás do sino grande.

 - Recordou com nostalgia: - Um pé de macho, benza Deus!

Eu mal chegava no umbigo dele. Suspendia a batina, arregaçava minha saia e tome lenha.

Suspirou à menção daquela época bem-aventurada quando levava vida de abadessa: vinho de missa e rola benta:

 - Mas as irmãzinhas descobriram, me mandaram embora.


A lama e a morrinha. O inverno durava dos fins de Abril aos começos de Outubro, atravessava o temporão inteiro e parte da safra, os meses de maior movimento, quando a animação atingia o auge.

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