sábado, dezembro 11, 2010


Versão japonesa do Joãozinho! (super actualizada!!!)



No primeiro dia de aulas numa escola secundaria nos EUA, a professora apresentou aos alunos um novo colega, Sakiro Suzuki , do Japão.

A aula começa e a professora:


- Vamos lá testar os vossos conhecimentos de história e política.

-Quem disse: 'Dê-me a liberdade ou a morte'?

Silêncio total na sala.

Apenas Suzuki levanta a mão e diz:


- Patrick Henry em 1775 em Filadélfia.

Muito bem, Suzuki.

- E quem disse: 'O estado é o povo, e o povo não pode afundar-se.'?

- Abraham Lincoln em 1863 em Washington.

A professora olha os alunos e diz:


- Vocês não têm vergonha?

- Suzuki é japonês e sabe mais sobre a história americana do que vocês!

Então, ouve-se uma voz baixinha, lá ao fundo:

- Vai levar no cu ... , japonês filho da puta...!

- Quem foi?! grita a professora.

Suzuki levanta a mão e sem esperar responde:

- General McArthur em 7 de Dezembro de 41 em Pearl Harbour e Lee Iacocca em 1982 na Assembléia Geral da Chrysler.

A turma fica silenciosa, apenas se ouve ao fundo da sala:

- Acho que vou vomitar.

A professora grita:

- Quem foi?

Suzuki responde:

- George Bush (pai) ao Primeiro-Ministro Tanaka durante um almoço, em Tókio, em 1991.

Um dos alunos grita:

- Chupa-me a gaita!

E a professora muito irritada, grita:

- Já chega! Quem foi agora?

Suzuki, sem hesitações:

- Bill Clinton a Mônica Lewinsky, na Sala Oval da Casa Branca, em Washington - 1997.

E outro aluno levanta-se e grita:

- Suzuki é uma merda!

Suzuki responde:

- Valentino Rossi após o Grande Prémio de Motociclismo no Rio de Janeiro em 2002.

A turma fica histérica, a professora desmaia, abre-se a porta e entra o director, que pergunta:

- Que merda é esta?! Nunca vi uma confusão destas!

Suzuki responde:

- José Sócrates para o Ministro da Administração Interna ao ler o relatório sobre a coordenação do combate aos incêncios florestais.

O director fica irado com a indisciplina da turma e exclama:

- Cambada de mariquinhas filhos de uma vaca, vocês têm que ser homens a sério!

Suzuki responde:

- Jorge Jesus depois do Porto-Benfica.

Medicina Privada



Diz um médico para outro:

- Esse paciente deve ser operado imediatamente!

- Ai sim...? Então o que tem?

- Dinheiro!!! Montes dele!!!

_______



O paciente está deitado na cama, no mesmo quarto estão o seu médico, advogado, esposa e filhos.

Todos eles esperam pelo último suspiro, quando de repente, o paciente senta-se, olha em volta e grita:

- Assassinos, ladrões, traidores, canalhas!!!.

Volta a deitar-se na cama e então o médico, confuso, diz:

Acho que o paciente apresenta melhoras....

- Por que diz isso, doutor? - pergunta a esposa.

- Porque ele reconheceu-nos a todos...


---------------------

O médico para o paciente de um modo muito firme:

- Nos próximos meses, não pode fumar, não pode beber, não pode ter encontros com mulheres, nem comer em restaurantes caros e deve desistir de quaisquer viagens ou férias!...

- Isso até que me recupere, Senhor doutor...?

- Não. Até pagar o que me deve!

VÍDEO

A seguir à vida, a cultura é o bem mais precioso que temos e esse é o prblema com que nos iremos confrontar no futuro e que leva o Coronel kadafi a sorrir de satisfação convencido que a hora chegará para os seus herdeiros... sem arriscar a vida de um único soldado!

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AMÁLIA RODRIGUES - LA TARANTELA
Em napolitano ou em chinês a voz da nossa Amália sobresai e encanta...


Era noite , já estavam deitados, quando...


MULHER: Se eu morresse tu casavas outra vez?
MARIDO: Claro que não!
MULHER: Não?! Não por quê?! Não gostas de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto!
MULHER: Então por que é que não casavas de novo?
MARIDO: Está bem, casava...
MULHER: (com um olhar magoado) Casavas?
MARIDO: Casava. Só porque foi bom contigo...
MULHER: E dormirias com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que tu querias que nós dormíssemos?
MULHER: E substituirias as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO: É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não conduz...
MULHER: !!!! (silêncio)
MARIDO: (em pensamento) Lixei tudo!

MORAL DA HISTÓRIA:


JAMAIS prolongues um assunto com a mulher... especialmente à noite, na cama, quando já estás com sono... abana apenas a cabeça: "A-HAM" ou "HUM-HUM"

DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 291

- Deus me livre e guarde, seu Cardoso…

Ri o mestre sua gargalhada, a rua se povoa de espectros, o chofer tenso ao volante, não lhe agrada conduzir tanto mistério.

- Então as coisas não correm bem no jogo? – perguntou Cardoso, de repente.

- O senhor sabia? Será que ele sabe mesmo tudo?

Mas eis que Cardoso oculta o rosto e se esconde. De quem? Da moça loura e desportiva a caminho da praia? Dela mesmo, meu caro; sabes quem ela é? É Joana d’Arc, e sabes quem é Cardoso e S.ª? Pois não é outro senão o cardeal francês Pierre Couchon, legado do Papa, cuja mão medrosa assinou a sentença de morte da Donzela. Por toda a parte ele a vê, seus olhos inocentes, seu loiro perfil de sacrifício.

- Eu era dúbio, frívolo, imoral, covarde…

No apartamento de Zulmira, Pelancchi espera impaciente o mago do Hindustão, o único capaz de somar as parcelas do impossível.

- Demorou, seu Cardoso…

- Nunca chego nem antes nem depois, sempre na hora exacta.

Saudou Zulmira envolta em gazes esvoaçantes, bem a conhece Cardoso e S.ª de outras épocas, quando à frente das amazonas ela cruzava ela cruzava o vale na montaria árdega, o único seio à mostra, farto. Farto ainda o conserva (ao único e também ao outro, não porém à mostra, uma lástima – pensa mestre Cardoso, quase puro espírito decantado em tantas encarnações, não ainda, porém, tão completamente a ponto de não ser sensível a certas excelências dessa porca vida material onde se cumpre pena.

- Há dois dias lhe procuro…

- De que tem necessidade? De pressa ou de solução?

Os olhos parados, fixos no além, o suor na testa ampla, os fluidos em derredor. Concentração intensa:

- Deu o revertério na roleta, não foi?

Pelancchi volta-se para Zulmira, como a dizer-lhe: “Vês, ele adivinha tudo”.

Mesmo à tenda espiritual onde Cardoso habita com sua pobreza e cinco filhos (jamais cobrou um real para fazer o bem), chegam os rumores da cidade e, naqueles dias, de outros assuntos não se conversou na cidade além dos acontecidos no Palace, no Tabaris, no Abaixadinho, na mesas da roleta e do bacará, de lasquinê. Mistério ou batota, milagre ou trapaça, nunca se tivera notícia de azar tão grande quanto a Pelancchi Moulas. Chegaram tais comentários aos ouvidos do mestre, é verdade. Mas se não os tivesse escutado, isso por acaso o impediria de saber? Quando necessitou Cardoso e S.ª de ouvir para saber?

- Hoje de manhã, quando conversei comigo mesmo, antes de sair de casa eu me disse: Pelancchi vai mandar-me chamar, está nas trevas precisando um pouco de luz.

- De um pouco? Não, de muita luz… Estão querendo acabar comigo, Cardosinho, me liquidar de uma vez…

sexta-feira, dezembro 10, 2010

VÍDEO

Imagens perfeitas para um mundo imperfeito...

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ENTREVISTAS FICCIONADAS

COM JESUS CRISTO

Nº 74 SOB O TEMA:

“SANTOS MILAGREIROS”


Jesus – De Jerusalém a Cafarnaum, de Cafarnaum a Jerusalém… Não paramos, Raquel… Daqui para ali…

Raquel – Cansa-se muito?

Jesus – Não, pelo contrário… tenho gosto em conhecer.

Raquel – Pois prepare-se para o que vamos conhecer agora. Desculpe-me, fazem-me sinal da cabine… Amigos e amigas de Emissoras Latinas… aqui estamos de regresso a Jerusalém… as ruas do bairro cristão repletas de gente e as igrejas repletas de…

Jesus – De quê, Raquel?

Raquel – Acompanhe-me, Jesus Cristo, entremos nesta igreja… quero que veja algo e me dê a sua opinião…

Jesus – Sim, já me espicaçaste a curiosidade…

Raquel – Entramos?

Guia – Bem-vindos. You speak english, french or deutsch?

Jesus – Como disse?

Raquel – Em espanhol, por favor.

Guia – Não há problema. São turistas?

Raquel – Estamos fazendo uma reportagem para Emissoras Latinas: “Imagens de santos em Terra Santa”.

Guia – Magnífico… Aqui temos muitas e belas. Venham. Comecemos pelos altares menores…

Jesus – Quem é este?

Guia – São Gregório Nacianceno, um santo milagroso.

Raquel – E que espécie de milagres fez?

Guia – Especialmente eficaz para mordeduras de cães, serpentes ou de qualquer outro animal daninho.

Jesus – E essa boneca?

Guia – Boneca?... É a santa Apolónia, padroeira dos dentistas. Alivia as dores de dentes.

Jesus – Ela cura dentes?

Guia – Há que acender-lhe uma velita daquelas, vê?... uma esmola, uma oração e pronto. Venham… Este altar é dedicado a Santa Águeda…

Raquel – E que cura essa santa?

Guia – As mulheres rezam-lhe quando os partos estão difíceis.

Jesus – Pelo que estou vendo, cada santo tem a sua especialidade.

Guia – Assim é senhor. Na sacristia temos outros que não cabem aqui. São Blas, vocacionado para a garganta, Santa Lúcia, para os olhos. Santa Bárbara, para proteger das tempestades. São Pascual Builon, patrono das cozinheiras. São José, patrono da boa morte…

Jesus – Meu pai, José?

Guia – São Judas Tadeu, recomendado para casos impossíveis… E este é Santo António, um dos mais poderosos, encontra qualquer objecto perdido.

Raquel – Também serve para encontrar noivo, não é?

Guia – Sim, mas nesse caso as solteiras põem-nos de cabeça para baixo para que o santo resolva depressa.

Raquel – Certo, é o que diz a minha avó.

Guia – Agora estamos procurando uma imagem de Santo Isidoro de Sevilha, que será o patrono da Internet.

Raquel – A Internet já tem santo?

Guia – Sim, é que Santo Isidoro foi um grande sábio. Sabia de tudo, era uma enciclopédia viva, uma wikipédia. A mesma coisa que a Internet.

Raquel – E os seus milagres poderiam servir de anti-virus celestial.

Guia – Sem dúvida, senhorita.

Jesus – Desculpe a minha ignorância, amigo… Ela, não, mas eu venho de longe…

Guia – Sim, diga…

Jesus – Pode explicar-me como funcionam os pedidos a estes santos?

Guia – O senhor, por exemplo, tem um problema e então pede um milagre ao santo da sua devoção. O santo passa o pedido para a Virgem Maria, medianeira de todas as graças. Maria passa a seu filho, Jesus Cristo, igual ao que fez nas bodas de Cana…

Jesus – As bodas de Canã, me recordo…

Guia – Como diz?

Jesus – Não, nada…

Guia – É como lhe explico, o senhor pede ao santo, o santo pede à virgem, a virgem pede a Jesus e Jesus resolve com Deus Pai.

Jesus – E por que todos esses escalões para chegar a Deus?

Guia – Deus tem demasiado trabalho, estrangeiro, muitas coisas a que atender. Os santos e as santas são secretários, ajudam-no. Satisfeita a sua curiosidade?

Jesus – Bem, não… mas…

Guia – Não querem visitar a sacristia?

Raquel – Não já é suficiente para a nossa reportagem. Aqui tem o seu pagamento.

Guia – Que São Cristóvão os acompanhe!...

Raquel – Vejo-o incomodado, Jesus Cristo.

Jesus – Não viste com se enganam as pessoas necessitadas, as mulheres em apuros, os doentes? Dizem que esta é a casa de Deus e encheram-no de ídolos, converteram-no numa covil de aldrabões, impostores… Saiamos para a rua, vamos.

Raquel – Então, despedimo-nos e regressemos! De Jerusalém para Emissoras Latinas Raquel Perez.

JOHN LENNON - STAND BY ME
Anteontem, 4ª Feira, dia 8, completou-se o 30º Aniversário do assassinato de John Lennon por um desiquilibrado mental que cumpre agora prisão perpétua, que pensou, se é que pensou, que matando-o se tornaria tão célebre quanto ele.
Centenas ou milhares de pessoas juntaram-se no Central Park West, junto à Rua 72 e ao longo de todo o dia, apesar das temperaturas negativas, fizeram ouvir seus êxitos musicais. Foi aí, à volta de um círculo feito em "calçada tipo portuguesa", oferta da cidade de Lisboa, que muitos "hippis" , já grisalhos, fizeram uma roda com flores e velas... "Lennon é uma grande inspiração, um pilar da paz e da tolerância" disse uma das suas fãs.


DONA

FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 290


O Recado de Pelancchi Moulas alcançou o místico Cardoso e S.ª na Igreja do Passo, de visita a seu túmulo como o fazia a cada aniversário de sua morte.

Daquela sua morte, quando se chamara Joaquim Pereira, potentado baiano falecido em seu solar do Corredor da Vitória, nos idos de 1886. Velório de estrondo, enterro com grande acompanhamento de irmãos maçons e de colegas do comércio atacadista, com o Governador da Província e carpideiras, com missa de corpo presente.

Multiplicavam-se os túmulos de Cardoso e S.ª pelo mundo afora. Múmia descoberta na Grande Pirâmide, peça de museu, soterrado nas neves eternas dos Alpes, quando os cruzou na vanguarda dos exército de Aníbal, e nas areias do deserto árabe, Zalomar em seu cavalo zaino. Morreu na França pelo menos duas vezes, outras tantas na Itália, e a Inquisição entre torturas o matou na Espanha, por alquimista e herético; rico e pobre, mendigo e cardeal, vendeu tâmaras no Egipto, na porta do Mercado, nas margens do Nilo, ao tempo de Ramsés II; contemplou as estrelas do hemisfério oriental, hebreu de barbas de algodão, o célebre sábio matemático Allhy Fouché, nascido e morto antes de Cristo.

Na Bahia, além do jazigo perpétuo na igreja negra do Passo, ele repousava também na igreja do Baiacu, na Ilha de Itaparica, onde foi morto na guerra contra os holandeses, aos trinta e três anos de idade, em 1638, quando na pele do belo, forte e libertino servidor do Rei de Portugal, Francisco Nunes Marinho d’Eça, 1º Capitão – Mor da Costa, perito em índias.

Toda essa imensa experiência – e muito mais, pois vários tomos se fariam necessários para contar a multiplicidade de sua vida ou de suas vidas, todas elas plenas de feitos e amores – se acumulava agora no frágil arcabouço de António Melchíades Cardoso e Silva (Cardoso e S.ª para os eleitos), modesto funcionário dos Arquivos Municipais, mestre de ciências ocultas, herdeiro da Chave de Salomão, filósofo universal e hindustânico e capitão do cosmos.

Vamos, seu Cardoso, que o patrão me disse que levasse o senhor de qualquer jeito. O homem está uma pilha… - disse Aurélio, chofer de Pelancchi.

- Vamos eu só estava lhe esperando…

- O senhor sabia que eu vinha?

O sábio riu da pergunta, gargalhada clara e solta, não existia ninguém mais alegre e satisfeito, tão plenamente feliz:

- O que é que eu não sei, Aurélio? Sei do negativo e do adjunto.

Quanto a Aurélio, não pensava discutir nem do negativo nem do adjunto, a simples presença de Cardoso já o punha nervoso. No carro, ao lado do chofer, o capitão do cosmo ia saudando invisíveis.

- Boa-tarde, brigadeiro…

Cadé o brigadeiro? Ali, sentado em frente ao mar, na fresca da tarde. Onde, seu Cardoso? Aurélio não consegue ver nenhum senhor, com farda ou de simples jaquetão. Nem a todos é dado ver, meu caro, só a alguns.

- Meus respeitos, minha senhora, beijo-lhe os pés.

Tampouco a vês? Toda elegante, chapéu de plumas e vestido de cauda, foi a mais bela do seu tempo, noutro tempo. Por ela dois rapazes se mataram na flor da idade. Agora pela orla marítima vão os três de braço-dado em galanteio e riso. Teus olhos estão cegos, míseros olhos de matéria, pois nem a ela enxergas, no esplendor de sua realeza.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

VÍDEO

Impossível... será? Pelo menos parece...

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GEERT CHATRON - ASSOBIANDO CZARDAS MONTI
É holandês, nasceu em 1969, em Sint Odilienberg. Começou a assobiar muito novo tendo ganho por três vezes o Campeonato Internacional de Assobio: 2004, 2005 e 2008. Aqueles agudos afinadíssimos são do outro mundo...

DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS

Episódio Nº 289


Aquela vertigem a dominá-la, dona Flor sem forças para opor-se aos avanços de Vadinho, para defender o limite final de sua honra. Ah!, se ao menos tivesse a quem pedir socorro! Vadinho está cá com pressa, deve voltar ao jogo, veio às carreiras: “Vamos vadiar na cama, meu amor, meu amor”. Ela se põe de pé, nos braços dele, já não resiste, que lhe importa honra e marido? “Onde quiser, meu amor.”

- Posso entrar, minha comadre?

Dionísia de Oxóssi foi cruzando a porta e foi dizendo:

- Que é que tem, minha comadre? Está tão pálida…

Sentando-se de novo, salva por milagre, dona Flor murmura:

- Foi Deus que lhe mandou, comadre Dionísia. Só você pode me ajudar. Sente aqui, junto de mim.

- O que é que vosmicê tem, comadre? Está tremendo toda…

Dona Flor segurou as mãos da iawô de Oxóssi:

- Comadre, preciso de alguém que dê um jeito de me livrar de Vadinho, que mande ele embora e não deixe mais me perturbar pois faz tempo que está me perturbando, e eu já não sou eu, já nem sei o que faço, minha vontade se acabou.

- O finado, meu compadre?

Arranje para ele voltar para seu sossego, porque senão nem sei, comadre, o que irá acontecer… Nem posso lhe contar… Toda a hora ele quer me levar com ele, ainda agora quando você chegou eu estava querendo, e me deu uma leseira, quase que eu vou… Se continuar, acaba me levando…

Dionísia cobriu a boca com a mão para não gritar:

- Ai, comadre, corre pressa, é preciso fazer logo alguma coisa. Vou agora mesmo falar com o pai Didi, por sorte sei onde ele está cobrindo obrigação. Essas coisas de egun não é para qualquer. Só para quem usa o bastão de ojé.

Ai, meu Deus, comadre…

- Didi? - dona Flor de súbito se recorda do negro magro no mercado das flores a lhe dar o mokan para o túmulo de Vadinho. – Vá, comadre, vá depressa, se há alguém capaz de me salvar é ele. Senão, comadre, estou perdida, uma desgraça sem remédio vai acontecer.

- Agorinha mesmo…

Saiu Dionísia protegida por seu colar de Oxóssi, toda pequena no medo dos eguns; forte, porém, no desejo de salvar a vida da comadre: desgraça sem remédio que outra coisa pode ser senão a morte? Depressa. Dionísia, mais depressa, pelos caminhos esconsos e estreitos até às portas do reino de Ifá: em sua encruzilhada encontrarás o babalaô e seus poderes.

- Meu pai – disse a iawô ao lhe beijar a mão – o finado quer levar a minha comadre, salve ela, amarre o egun em sua morte – E lhe contou a história, aquilo da história ela sabia.

Naquela mesma hora, todo molhado, regressava doutor Teodoro. Devido à chuva, não houvera ensaio. Bebeu uma gota de licor, precaução contra a gripe, vestiu o paletó de pijama e tomando o fagote executou para dona Flor músicas escolhidas do seu selecto reportório. Ouvindo-o, foi-se erguendo dona Flor do susto e da tristeza, do nojo de si mesma, mulher casada de virtude frágil. Não tens mais nada a temer, Teodoro, eu te amo e sou tua e somente tua, hoje, neste sábado com direito a bis, e amanhã e para sempre. Nenhum coração deve conter dois amores a um só tempo, mandei arrancar metade de meu ser, e aqui estou, de novo inteira e íntegra, a ouvir tua música ao fagote; aqui estou, Teodoro, tua honrada esposa.

No outro lado da noite da Bahia, um clarão se acendeu e dentro dele o babalaô fez o jogo dos búzios com a prece de Dionísia, filha de Oxóssi. A chuva então se virou em tempestade, o trovão rugiu, as luzes se apagaram, o mar se ergueu em fúria, e os orixás, cavalgando raios e coriscos, um a um foram atendendo ao chamado do Asobá. Todos disseram sim, menos Exu que disse não.



Informação Adicional à Entrevista Nº 73 So o Tema:

“A Infalibilidade do Papa” (3 e último)


As Raízes da Infalibilidade

O Papa Gregório VII, autor do “Dictatus Papae”, ao qual se refere o Investigador que intervém telefonicamente na última Entrevista, governou a igreja entre 1073 e 1085 quando Roma era o poder máximo na Europa.

Nesse documento, “Dictatus Papae”, observa-se pela primeira vez na história da igreja Romana, a proclamação aberta, não só do poder absoluto do Papa, como também da identificação desse Poder com a Verdade. Gregório VII declarou o Papa, Pontífice Único da Igreja e de todos os crentes, clero, bispos, igrejas e concílios, senhor supremo do mundo, a quem os reis deviam subordinar-se por serem “humanos pecadores” e reclamou para a igreja de Roma, que ele dirigia, uma competência ilimitada em legislação, administração e juízo.

Cinco anos depois, o Papa Inocêncio III, um homem do Poder e para o Poder, ratificou essa arrogância ao declarar:

- “Todo o clérigo deve obedecer ao Papa, mesmo que ele mande fazer o mal já que ninguém pode julgar o Papa”.

No entender de alguns analistas da história eclesiástica, o Papa Inocêncio III terá sido o mais criminoso de todos os que chegaram àquele alto cargo pois está ligado à matança dos albigenses, ao início das Cruzadas e da Inquisição.

O poder do Papa não deixou de crescer em arrogância, ambição e centralismo desde os tempos de Gregório VII e Inocêncio III.

Em 1651, Thomas Hobbes, na famosa obra “Leviatan” afirmava:

- “O Papa não é mais que o espectro do desaparecido império Romano, sobre cuja tumba ostenta a sua coroa.”

quarta-feira, dezembro 08, 2010

PENSAMENTO


Amor é como capim... você planta e ele cresce...depois vem uma vaca e acaba com tudo...

Questões eclesiásticas alimentares...




Num banquete estava um padre católico sentado ao lado de um rabi judeu.

O padre, querendo gozar o rabi, enche o prato com pedaços de um suculento leitão e depois oferece ao "colega ".

O rabi recusa, dizendo:

- Muito obrigado, mas...não sabe que a minha religião não permite a carne de porco?

- Liiiiivra!!! Que religião esquisita! Comer leitão é uma delííícia! Comenta o padre com ironia.

À hora da despedida, o rabi chega e diz ao padre:

- As minhas recomendações à sua esposa!

E disse o padre, horrorizado:

- Minha esposa? Não sabe que a minha religião não permite casamento de sacerdotes?

- Liiiiivra! Que religião esquisita! Comer mulher é uma delííícia!....mas se você prefere leitão!...

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É desta massa que eles se fazem...

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Informação Adicional à Entrevista Nº 73

Sob o Tema: “A Infalibilidade do Papa” (2)


De Obra do Diabo a Dogma de Fé

A infalibilidade do Papa foi pregada em meados do Século XIII por um famoso franciscano francês, Pedro Olivi. Quase um século depois, essa ideia foi declarada herética por um Papa, João XXII, que a qualificou como “obra do diabo”. Não obstante, seis séculos depois, outro Papa e alguns bispos converteram-na em nada menos que em dogma de fé.

Assim diz o texto desse dogma:

- “Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos apóstolos, Cristo, que é a Verdade, quis conferir à sua igreja uma participação da sua própria infalibilidade. Através do sentido sobrenatural da fé, o Povo de Deus une-se indefectivelmente debaixo do guia do magistério vivo da Igreja. O ofício pastoral do magistério está dirigido, assim, para velar que o Povo de Deus permaneça na verdade libertadora.

Para cumprir este serviço, Cristo dotou os pastores com o carisma da infalibilidade em matéria de fé e costumes… O Pontífice de Roma, cabeça do Colégio Episcopal, goza desta infalibilidade em virtude do seu ministério quando, como pastor e mestre supremo de todos os fiéis, proclama por um acto definitivo a doutrina em questões de fé e moral. Esta infalibilidade abarca todo o depósito da revelação divina."

LOUIS ARMSTRONG - AS TIME GOES (Do Filme "Casablanca" de 1942)
Esta canção tem atrás de si um filme, Casablanca, Óscar do Melhor Filme, Melhor Director e Melhor Roteiro e, atrás do filme, está uma história representada por actores de "outros tempos" com a beleza incomparável de uma Ingrid Bergman e o estilo inconfundível de Humphrey Bogard:
- Em plena II Guerra Mundial enquanto cidades são invadidas pelos exércitos alemães, duas pessoas conseguem viver um romance intenso e inesquecível em Paris. Ilsa (Ingrid) apaixona-se por Rick (H. Bogard) mas, em vez de fugir com ele de Paris, manda-lhe um bilhete de despedida na estação do comboio e ele parte sem saber o que terá acontecido. Anos mais tarde, já em Casablanca, na Marrocos francesa, ela aparece com o marido, o heroi Victor Laszlo justamente no Rick's Bar, do qual o personagem de Bogard é o dono. Eles estão à procura de um meio para fugirem para a América. O sofrimento de Rick ao vê-la é inevitável e ela fica novamente dividida entre seus dois amores. O final é realmente surpreendente mas este famoso filme continua a ganhar fãs em todas as gerações... romance, intriga, humor, suspense e esta linda canção na voz mais singular de todas, de Louis Armstrong.

DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 288



Assim fora da primeira vez, não abrira mão de nada, nada lhe acontecera – para dona Flor as sobras do tempo do deboche.

“Me espere, vou ali já volto”, nunca mais voltava. Belzebu de trampas e de lábia.

Marilda, aos pés de dona Flor, ajoelhada:

- Florzinha, me diga o que é que eu vou fazer? O canto é a minha vida, mas minha mãe diz que minha vida é o casamento, é ter um lar, marido e filhos, que o resto é capricho de menina. Tu, que me diz?

Que pode dona Flor dizer? “Vai-te embora maldito, deixa-me honrada e feliz com meu esposo bom” ou bem “toma meus braços, penetra minha última fortaleza, teu beijo vale o preço de qualquer felicidade” que lhe dizer? Por que cada criatura se divide em duas, por que é necessário sempre se dilacerar entre dois amores, por que o coração tem de uma só vez dois sentimentos controversos e opostos?

- Tens que decidir entre uma coisa e outra: carreira ou casamento.

- E por que tenho de decidir, por que não posso me casar e continuar cantando, se gosto dele e gosto de cantar? Por que tenho de optar se gosto das duas coisas? Por que, me diga.

Por que, dona Flor? Pela janela aberta, chega a voz do namorado em busca de Marilda, e a moça suspende o rosto, mostra a formosura de medalha, parte correndo. Dona Flor a acompanha com o olhar. Vadinho é o vento que espalha sua cabeleira e lhe rodeia as pernas.

- Vadinho! Com Marilda, não. Não admito!

Rindo, ele se acocora aos pés de dona Flor, onde Marilda estava, e lhe abraça as pernas, deita cabeça em seu joelho.

- Me deixa em paz… - diz dona Flor, a voz de queixa.

- Por que você é assim comigo, meu bem? Sempre zangada?

O cínico ainda pergunta por que, como senão lhe houvesse dito: “eu venho já, sem falta me espere”. Noites de insónia, dias de amargura, aflita espera.

A única notícia do coisa-à-toa dona Flor a teve escrita a beliscões ma bunda de Zulmira. Sim, senhor, e ainda pergunta.

- Mas, se tu disse que não mais me queria ver, que eu me fosse embora, não foi mesmo? Então eu fui me divertir um pouco com Pelancchi, é um pagode, só falto morrer de tanto rir…

- Com Pelancchi ou com a secretária dele?

- Tá com ciúme, minha negra? Eu bem que pensei: sumo por uns dias e ela vai ficar pedindo a Deus que eu volte, ela está doidinha pra me dar, não aguenta mais…

- Quem te disse? Pois é mentira. Sou mulher honrada, tira a mão daí.

Mão e lábio lhe queimaram a pele, lábio sobre a sua boca, mão no escondido do seu ventre, em último reduto. Cresce na chuva a moleza do corpo, rompem-se as derradeiras resistências. Ao mesmo tempo em que se diz honrada e irredutível, ela lhe entrega a boca sem sequer lhe cobrar a ausência e os suspiros de Zulmira.

terça-feira, dezembro 07, 2010

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Comboio atravessando um mercado em Bangkok... fantásticos estes asiáticos!


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Sessão de Terapia de Grupo


Quatro pacientes estão reunidos.

O terapeuta pede que todos se apresentem, digam qual é sua actividade e que comentem porque a exercem.

O primeiro diz:

- Chamo-me Francisco, sou médico porque me agrada tratar da saúde e cuidar das pessoas.

O segundo apresenta-se:

- Chamo-me Ângelo. Sou arquitecto porque me preocupa a qualidade de vida das pessoas e como vivem.

A terceira diz:

- Chamo-me Maria e sou lésbica. Sou lésbica porque adoro mamas e rabos femininos e fico louca só de pensar em fazer sexo com mulheres.

Faz-se um silêncio.

Então o quarto diz:

- Sou Manuel Joaquim e até há pouco achava que era pedreiro, mas agoa acabo de descobrir que afinal sou é lésbica...

INFORMAÇÃO ADICIONAL
SOBRE A ENTREVISTA Nº 73 SOB O TEMA:

“A INFABILIDADE DO PAPA” (1)


Contra Todos Os Avanços Modernos


Nos finais do século XIX, chegou-se ao ponto culminante do processo de encobrimento do Papa de Roma com a proclamação do dogma da “infalibilidade”. Nessa época, o Papado havia perdido os chamados Estados Pontifícios formados por um aglomerado de territórios, basicamente no centro da península Itálica, que se mantiveram como um Estado independente entre os anos 756 e 1870, sob a directa autoridade civil dos Papas, cuja capital era Roma.

Por isso, para recuperar prestígio e poder, o Papa Pio IX (1846-1878) convocou em 1870 o Concílio Vaticano I.

Já em 1864, Pio IX, havia proclamado o “Syllabus” que condenava praticamente todos os avanços científicos, filosóficos e teológicos com os quais o pensamento moderno se separava da visão medieval do mundo, defendido ferozmente pelos Papas de Roma durante séculos.

Entre os “horrores” condenados estavam, entre outros, o panteísmo (crença que identifica o Universo com Deus), o racionalismo, o laicismo, o democratismo e o liberalismo.

O documento mais polémico que se proclamou no Concílio Vaticano I foi a Constituição Dogmática “Pastor Aeternus”, aprovada a 18 de Julho de 1871, que definiu a infalibilidade pontifícia.

Neste Concílio, dos 1050 Bispos com direito a participar estiveram presentes 774. Entre muitos destes, especialmente franceses e alemães, houve resistências à proclamação do dogma da infalibilidade. Está hoje demonstrado que os Bispos não puderam debater.
Proibiram-nos, sob pena de pecado mortal, de dizerem publicamente o que se passava na sala das sessões, manipularam-se as eleições e os que estavam em desacordo com o dogma da infalibilidade foram ameaçados.

Relata-se, por exemplo, que 55 Bispos abandonaram Roma em sinal de protesto antes da votação e que o bispo francês, Lecourtier, sentiu-se tão deprimido com tudo aquilo que havia presenciado que agarrou nos seus documentos conciliares atirou-os ao rio Tibre e abandonou
Roma sendo, por isso, despojado do seu bispado.

FUTUROLOGIA



O difícil, aliciante e irresistível exercício da futurologia constitui uma actividade mental perigosa porque as nossas previsões podem traduzir, mesmo inconscientemente, os nossos desejos, corresponder aos nossos interesses materiais ou ideológicos, condicionando e enviesando o comportamento dos outros na tentativa de “driblar” o futuro.

Jesus Cristo, por exemplo, confundiu os seus desejos com a realidade futura e enganou-se. Acreditou no fim do mundo e na vinda do Reino de Deus… por isso, ou por um simples desejo de justiça igualitária, alguns dos seus seguidores, os ricos, venderam tudo o que tinham, distribuíram pelos que nada tinham e ficaram em paz a aguardar o fim do mundo prometido pelo mestre.

Mesmo enganando-se nas previsões de fim do mundo, que não na sua mensagem de justiça e de amor, Jesus Cristo, terá sido o homem, por isso mesmo, que mais influenciou os destinos de toda a humanidade. Falhou como futurologista, acertou em cheio no impacto da sua mensagem.

Depois de Jesus Cristo, muitos outros têm previsto o fim do mundo (a mais apocalíptica das previsões) e, se continuarmos nesta senda corremos o risco de, com previsão ou sem ela, ele acabar mesmo, pelo menos tal como o conhecemos hoje.

Na realidade, todos os dias ele acaba: para os que morrem, para as espécies que desaparecem, para as paisagens que se alteram, mas isso já não é futurologia…

Menos perigoso, quase ingénuo ou inofensivo, é um outro exercício de futurologia que consiste em fazer previsões sobre aquilo que teria sido o futuro, que entretanto já aconteceu e por isso conhecemos se, à partida, a realidade tivesse sido outra.

Como teria sido a vida dos portugueses se dois dos políticos mais influentes após a revolução dos Cravos, em 1974, Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, não tivessem morrido num acidente de avioneta na noite de 4 de Dezembro de 1980?

Como teria sido a minha própria vida se tivesse conhecido trinta anos mais cedo a mulher que só agora se cruzou comigo?
Perguntas boas porque não correm o risco de alguma vez serem respondidas...

Para além do prazer ou desprazer de estar vivo, esta especulação sobre a nossa vida, pode constituir um ponto de interesse da própria vida: exercita a imaginação, vai ao encontro dos nossos desejos, mexe com os nossos instintos.

Há sempre razão, mesmo quando já não há razão nenhuma, para estarmos vivos: o de nos
metermos” com a nossa própria vida.

KATIE MELUA - BLOWING IN THE WIND
Esta jovem nascida na Georgia foi com 8 anos para a Irlanda do Norte e desde os 14 vive em Inglaterra. Em Novembro de 2003 com 19 anos , gravou o seu 1º Albun "Call Off The Search" que em 5 semanas vendeu 1 milhão de cópias. A sua beleza pura, a sua juventude, a sua voz límpida dão sentido e emprestam verdade a esta grande balada de Bob Dylan:
Soprando No Vento
... "Quantas estradas precisará um homem andar, antes que possam chamá-lo de um homem?
...Sim, e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar antes que ela possa dormir na praia?
.... Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar até serem para sempre abandonadas?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento ... A resposta está soprando no vento.

DONA
FLOR
E SEUS
DOIS

MARIDOS

Episódio Nº 287



Tarde de sábado, de melancolia e chuva. Tão difícil ficar sozinha, com sua tristeza. Nem isso conseguia dona Flor. De guarda-chuva e capa de borracha, lá se fora doutor Teodoro com o fagote para o ensaio em casa do doutor Venceslau. Dona Flor se desculpara: com enxaqueca e sem graça para conversar sobre figurinos e recepções, sobre a vida alheia. Tão pouco se dispunha à monotonia do ensaio. Isso não lhe disse, é claro; ao contrário, lastimou não ouvir, mais uma vez, a composição do maestro Agenor Gomes, tão de seu agrado, lânguida valsa em homenagem a dona Gisa, de quem o músico se fizera amigo: “Suspiros ao luar do Mississipi.

Dona Gisa, aliás, há pouco viera convidar dona Flor para uma demonstração de capoeira, nuns terrenos baldios para as bandas de Amaralina: gringa sapeca, sempre com novidades. Como ir, se nem ao ensaio fora, o corpo mole, o ânimo desfeito? O mesmo respondera ao doutor Ives e a dona Êmina, fiéis da matiné aos sábados e quase sempre no mesmo cinema. Também dona Norma a quisera levar:

- Venha peruar a bisca, o jogo não impede que se converse.

- Obrigada, Norminha. Se eu estivesse com disposição, teria acompanhado Teodoro. Deixei ele ir sozinho…

Dona Norma concordava:

- Vi quando ele passou para o bonde. Ia desolado, com uma cara de enterro. Esse teu marido te adora, Flor.

Uma injustiça não tê-lo acompanhado ao ensaio: o marido lhe pedia tão pouco em troca de tanto amor e devoção. Enquanto o outro… Nem queria pensar no coisa-ruim, no maligno. Por que o coração da gente é assim, contraditório? Por que ela deseja, afinal, permanecer sozinha? A maior alegria do doutor Teodoro era tocar seu fagote nos ensaios, com dona Flor presente, a ouvi-lo e a animá-lo. E ela se deixara ficar, para que, senão na esperança do outro vir, mesmo de fugida, de sua eterna noite de jogo?

Talvez, sim, mas para lhe dizer toda a verdade, para mandá-lo embora, para romper toda e qualquer relação. Seria mesmo assim? Para lhe dizer esta verdade, ou a outra: “Toma de mim, Vadinho, toma-me toda, já não posso esperar”. Qual das duas verdades lhe diria? Ai, nessa batalha do espírito com a matéria, ela é apenas um pobre ser em desespero.

Da casa ao lado chega a voz de Marilda, num canto de amor. Quase noiva e estudante de pedagogia, a jovem estrela da radiodifusão, não tendo sido feito ainda o pedido oficial porque o pretendente, rico de cacau e de preconceitos, exige que ela abandone o rádio. Cantar, só para ele e para mais ninguém. Muito custara a Marilda ver-se ante os microfones, cobrindo a cidade com sua pequena voz melodiosa. Porque pagar tão alto preço ao noivo? Confiante, vinha pedir conselho a dona Flor. Mas dona Flor já não sabia aconselhar ninguém, nem a si própria, perdida em confusão. Não era mais uma pessoa só e igual, inteira e íntegra: estava dividida em duas, a honesta e a salafrária, seu recto espírito, do outro a matéria em ânsia. Um desacordo.

Doutor Teodósio partira sob a chuva, o fagote defendido pela capa, para ele só existem duas coisas sagradas nesse mundo: dona Flor e a música. Pela esposa e pelo canto do fagote, se preciso fosse, sacrificaria farmácia e benefícios, teses de ciência e seu conceito na sociedade. Homem direito, exemplo dos maridos.

O outro era um capadócio, um vagabundo, não passava disso. Disposto a desonrá-la pela segunda vez, no entanto não sacrifica nada para obtê-la, sequer um minuto de seu tempo estroina.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Planos para o futuro...



Uma galinha põe um ovo de meio quilo. Jornais, televisão, repórteres... todos atrás da galinha.

- Como conseguiu esta façanha, Srª Galinha?


- Segredo de família...


- E os planos para o futuro?


- Pôr um ovo de um quilo!


Então as atenções voltam-se para o galo...

- Como conseguiram tal façanha, Sr. Galo?


- Segredo de família...


- E os planos para o futuro?


- Partir os cornos ao Peru!!!

VÍDEO
A última palavra em tecnologia de TV
3D...


video

PERCY SLEGE - WHEN A MEN LOVES A WOMAN

Lançado em 1966, o single rapidamente alcançou o 1º lugar nos hits dos E.U. e Canadá e o 4º no Reino Unido. Mas tarde, o sucesso consolidou-se porque serviu a um anúncio dos jeans Levi's. A inspiração para esta canção veio de uma zanga de namorados (há males que vêm por bem!). É que a rapariga do Percy deixou-o porque quis enverdar pela carreira de modelo e vai daí ele fez esta portentosa música interpretada com a intensidade de um amor ferido e de um coração a sangrar....


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS
Ep. 287

Evitando fazer barulho, vestiu-se rápido. Ainda bem que a esposa não acordara, não tendo ele tempo para explicações, com tamanha pressa de sair a ponto de esquecer chaves, documentos, carteira com dinheiro. Na esquina ia passando um táxi, ele o tomou e só quando foi pagar a corrida, na porta do Palace, deu-se conta da falta da carteira.

Esqueci a carteira…

- Não tem nada, seu doutor… Depois vou cobrar no jornal… - Giovanni reconheceu o chofer, Cigano, sempre a postos pela madrugada.

Reconheceu o chofer mas não a si próprio, Giovanni Guimarães. Que diabo estava fazendo ali, em frente à porta do Palace, à uma hora da manhã? Um telefonema o acordara, era Vadinho a lhe recomendar o dezassete. Ora, Vadinho morrera há uns quantos anos, antes dele, Giovanni, se casar. Um sonho, com certeza, uma espécie de alucinação.

Mas, sonho ou pesadelo, como já viera até ali e o mal já estava feito – sira de casa à noite e às escondidas: ai, impossível evitar as consequências – só restava-lhe aproveitar-se do palpite. O ar da noite e da liberdade o envolvia e Giovanni quase se sentiu um herói ao subir as escadas para o jogo.

Apesar da hora tardia, era grande o movimento no salão, sobretudo junto à mesa da roleta. Giovanni foi saudado com real entusiasmo:

- Bons olhos o vejam…

- Que milagre foi esse?

Aproximando-se de Pelancchi, o jornalista consultou:

- Posso fazer um vale? Saí tão apressado que esqueci a carteira e o talão de cheques…

- Quanto quiser… A caixa é sua…

- Apenas o necessário para testar um palpite… Sonhei com o 17…

- O 17?

No rosto de Máximo Sales alargou-se um sorriso, mas Pelancchi sentiu um baque, um pressentimento. Giovanni preencheu o vale e, tomando das fichas, pôs duas sobre o 17.

- Hoje não deu uma só vez - comentou alguém.

- Jogo feito… - a voz de Lourenço Mão-de-Vaca.

A bolinha rolou na bacia empenada da roleta, impossível dar o 17. A face de Máximo Sales bem aventurada como a de um santo, tensa a de Pelancchi Moulas.

- Preto. Dezassete – anunciou Lourenço Mão-de-Vaca.

ENTREVISTAS FICTÍCIAS

COM JESUS CRISTO Nº 73 SOB O TEMA:

“A INFALIBILIDADE DO PAPA”

Raquel – E. Latinas regressa a Cafarnaum. Sobre os alicerces da que foi a casa de Simão Pedro, o pescador, edificou-se hoje uma igreja monumental em forma de barca. No seu interior ainda se distingue o antigo dintel por onde o senhor, Jesus Cristo, teve que passar muitas vezes.

Jesus – Sim, aqui reuníamo-nos com Pedro e a sua família… Pedro foi um dos meus melhores amigos. Teimoso, fanfarrão como ninguém, mas um grande homem.

Raquel – E, sobretudo infalível.

Jesus – Infa quê?

Raquel – Infalível. Que não se equivoca.

Jesus – Como não se equivoca?

Raquel – Bem, Pedro, como primeiro Papa da Igreja, não se equivocaria nunca, porque dizem que os Papas são infalíveis.

Jesus – Mas que dizes, Raquel? Todos os que nascemos nos equivocamos.

Raquel – Eu corrijo. A infalibilidade funciona apenas quando os Papas falam “ex-cátedra”, da sua cadeira, sentados no seu trono, e em assuntos da fé e da moral. O senhor não sabia isso?

Jesus – Não. Não sei do que me estás a falar.

Raquel – Tenho comigo os dados. Escuta. Pio IX. Pio IX, outra vez. Concílio Vaticano I. Os Papas de Roma, como sucessores de Pedro e representantes de Jesus Cristo na terra, não podem equivocar-se.

Jesus – Mas se eu mesmo me equivoquei muitas vezes! Pensei que o mundo se acabaria já, pensei que não iria morrer sem ver chegar o Reino de Deus… e Pedro, nem se diga, esse vivia equivocado.

Raquel – Mas a infalibilidade é um dogma revelado, ou não?

Jesus – Revelado por quem?

Raquel – Isso não sei dizer-lhe.

Jesus – E esse mesmo Papa não se equivocou quando disse que não se equivocava?

Raquel – Não, porque é infalível quando diz que é infalível.

Jesus – Essa piada ainda não a havia escutado…

Raquel – Está-se rindo do dogma…

Jesus – Estou-me rindo de canas agitadas pelo vento que julgam ser cedros do Líbano. Como é que um ser humano que é pó e em pó se há-de tornar, pode dizer que é infalível, que não se equivoca?

Raquel – Pois assim o disseram os bispos, os cardeais exactamente a 18 de Julho de 1870.

Jesus – E o que se passa com aqueles que pensam que se equivocaram os que disseram que não se equivocam?

Raquel – Ficam fora da igreja e, segundo a igreja, fora dela não há salvação.

Jesus – Assim estão as coisas?

Raquel – Temos uma chamada… está lá?

Investigador – Emissoras Latinas?... Estou ouvido o vosso programa com muito interesse e alegra-me saber que Jesus Cristo pensa como eu e se ri dessas coisas. Querem saber de onde nasceram esses delírios de grandeza?

Raquel – Com certeza, toda a informação complementar é bem vinda.

Investigador – Vejam o que vos parece este documento que vos vou ler na íntegra. Escutem bem:

-“Ninguém na terra pode julgar o Papa. A igreja Romana não se equivoca e jamais se equivocará até ao final dos séculos. Somente o Papa tem autoridade para destituir bispos, reis e imperadores. Todos os príncipes devem beijar-lhe os pés. Um Papa é santo pelos méritos de Pedro.”

Jesus – Essa piada está todavia melhor… Pergunta-lhe de que boca saiu essa loucura…

Raquel – Jesus Cristo queria saber quem disse aquilo que o senhor acabou de ler.

Investigador – É o famoso “Dictactus Papae”, do Sec. XI, para que Jesus Cristo veja que muito antes dos dogmas dos Papas já se acreditavam infalíveis. Essa loucura, como diz muito bem Jesus Cristo, foi escrita pelo Papa Gregório VII.

Jesus – Meu amigo Pedro era fanfarrão mas esse Gregório ultrapassa todos.

Raquel – Se o interpreto bem, Jesus Cristo, o senhor não acredita na infalibilidade do Papa.

Jesus – Nem do Papa nem de ninguém. Apenas Deus é verdadeiro.

Raquel – Sendo assim, o único infalível que me resta é o relógio. É hora de me despedir.

Raquel Perez, de Cafarnaum.

domingo, dezembro 05, 2010

AS VELHINHAS




Três irmãs, de 90, 88 e 86 anos de idade viviam na mesma casa.

Uma noite, a de 90 começa a encher a banheira para tomar banho; põe um pé dentro da banheira, faz uma pausa e grita:


- Alguém sabe se eu estava entrando ou saindo da banheira?

A irmã de 88 responde:


- Não sei, já subo aí para ver!

Começa a subir as escadas, faz uma pausa, e grita:


- Eu estava subindo as escadas, ou descendo?

A irmã caçula, de 86, estava na cozinha tomando chá e escutando suas irmãs, balança a cabeça e pensa:

-"Que coisa mais triste! Espero nunca ficar assim tão esquecida".

Prevenida, bate três vezes na madeira da mesa, e logo responde:

- Já vou ajudá-las, antes vou ver quem está batendo na porta.

Agora fiquei com medo!

Eu estou enviando este e-mail ou recebendo?

TRRIIIMM.... TRRIIIMM...
TRRIIIMM...



Responde o atendedor de chamadas:

- Obrigado por ter ligado para o Júlio de Matos, a companhia mais adequada aos seus momentos de maior loucura.

- Se é obsessivo-compulsivo, marque repetidamente o 1;

- Se é co-dependente, peça a alguém que marque o 2 por si;

- Se tem múltipla personalidade, marque o 3, 4, 5 e 6;

- Se é paranóico, nós sabemos quem é você, o que você faz e o que quer.
Aguarde em linha enquanto localizamos a sua chamada;


- Se sofre de alucinações, marque o 7 nesse telefone colorido gigante que você, e só você, vê à sua direita;

- Se é esquizofrénico, oiça com atenção, e uma voz interior indicará o número a marcar;

- Se é depressivo, não interessa que número marque. Nada o vai tirar dessa sua lamentável situação.

Bom Dia
Hoje é Domingo e o tempo está esquisito. De repente, aqui no meu Ribatejo, o ar quente substituiu o frio e na rua está mais quente que em casa... coisa estanha em Dezembro,
caprichos atmosféricos...

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