sábado, fevereiro 18, 2012


A EMOÇÃO NOS FAZ HUMANOS


O vídeo é um trecho do filme "O Concerto", baseado na história que se passou na Rússia, em 1980, quando o maestro Andrei Filipov e alguns músicos da Orquestra de Bolshoi foram despedidos por motivos políticos.
O maestro, para sobreviver financeiramente, aceitou o cargo de faxineiro do teatro.
Certo dia ele intercepta um fax do famoso Teatro Chatelet de Paris que convidava a orquestra para tocar, sem saber que a mesma estava, provisóriamente, suspensa. O maestro teve a brilhante idéia de reunir os músicos despedidos e apresentar-se em Paris como se fosse a Orquestra de Bolshoi. Antes da apresentação, um grupo de amigos, sem que o maestro soubesse, substitui seu solista por uma desconhecida violinista que era sua própria filha que, em razão da perseguição que sofreram do regime ditatorial russo, sua esposa e seus amigos entregaram, com apenas seis meses, a uma violoncelista francesa que a levou, para Paris, dentro do estojo do seu violoncelo.
Vejam a cena final desta obra cinematográfica.
A música da cena é "Concerto para Violino" de Tchaikovsky.
...o dia do reencontro...


A EMOÇÃO NOS FAZ HUMANOS.....BOA NOITE ....


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Em frente do Mosteiro dos Jerónimos

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Esperemos que o Sá Pinto, novo treinador do Sporting, não veja isto e se entusiasme...

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AMÁLIA RODRIGUES - BARCO NEGRO

Dela, da grande Amália, da sua voz, tudo já se disse... mas esta composição de David Mourão Ferreira deixa-me "estarrecido"... desculpem o exagero.

Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa na sua "limousine" quando viu dois homens à beira da estrada, a comer erva.

Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:


- Por quê estais a comer erva...?

- Não temos dinheiro para comida.. - disse o pobre homem - . Por isso temos que comer erva.

- Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro.

- Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.

- Que venham também - disse novamente o banqueiro. E, voltando- se para o outro homem, disse-lhe:

- Você também pode vir.

O homem, com uma voz muito sumida disse:

- Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!

- Pois que venham também - respondeu o banqueiro.

E entraram todos no enorme e luxuoso carro.

Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:

- O senhor é muito bom... Obrigado por nos levar a todos!

O banqueiro respondeu:

- Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Ireis ficar encantados com a minha casa... A erva está com mais de 20 cm de altura!

"Quando achares que um banqueiro (ou banco) está a ajudar-te, não te iludas, pensa um pouco antes de aceitares qualquer acordo..."

GABRIELA

CRAVO
E
CANELA





Episódio Nº 26



- Política de lugarejo. Com tiroteios e banda de música – sorriu Emílio entre irónico e condescendente.

- Para que correr perigo quando não é necessário? – perguntou a mãe escondendo o temor.

- Para não ser apenas o irmão dos meus irmãos. Para ser alguém.

Revirara o Rio de Janeiro. Andara nos Ministérios, tratava os ministros por tu, ia entrando gabinete adentro, quantas vezes não encontrara cada um deles em sua casa, sentado na mesa presidida pela mãe, ou na casa de Lourival, em São Paulo, sorrindo para Madaleine? Quando o Ministro de Educação, seu rival na disputa das graças de uma holandesa, anos antes lhe dissera já ter respondido ao Governador da Baía afirmando só poder equiparar equiparar o colégio de Enoch no começo do ano, Mundinho rira:

- Filho meu, tu deves muito a Ilhéus. Não tivesse eu emigrado para lá e jamais terias dormido com Berta, a holandesinha viciosa. Quero a equiparação para já. Ao Governador podes exibir a lei. A mim não. Para mim o ilegal, o difícil, o impossível…

No Ministério da Viação e Obras Públicas reclamara o engenheiro. O Ministro contara-lhe toda a história da barra de Ilhéus, das docas da Baía, os interesses de gente ligada ao genro do Governador. Aquilo era impossível, justo, sem dúvida, mas impossível, meu caro, completamente impossível: o Governador iria rugir de raiva.

- Foi ele quem te nomeou?

- Não, é claro.

- Pode te derrubar?

- Creio que não…

- E então?

- Não compreendes?

- Não. O governador é um velho, o genro um ladrão, não valem nada. Fim de governo, fim de um clã. Vais ficar contra mim, contra a região mais próspera e poderosa do Estado? Burrice. O futuro sou eu, o Governador é o passado. Além de que, se venho a ti, é por amizade. Posso ir mais alto, bem sabes. Se falar com Lourival e Emílio, tu receberás ordens do Presidente da República para mandares o engenheiro. Não é verdade?

Gozava aquela chantagem com o nome dos irmãos, aos quais, por nenhum preço, pediria fosse o que fosse.

Comeu com o Ministro à noite, havia música e mulheres, champanhe e flores. No mês seguinte o engenheiro estaria em Ilhéus.

Três semanas andara pelo Rio, voltara à vida de antes: às festas, às farras, às moças de alta sociedade, às artistas de teatro musicado. Admirava-se de como tudo aquilo que fora a sua vida durante anos e anos, agora tão pouco o seduzia, logo o cansava. Em verdade sentia falta de Ilhéus, do seu escritório movimentado, das intrigas, dos disse-que-disse, de certas figuras locais.

Nunca pensara poder adaptar-se tanto, tanto prender-se. A mãe apresentava-lhe moças ricas, de famílias importantes, buscava-lhe noiva que o arrancasse de Ilhéus. Lourival queria levá-lo a São Paulo, Mundinho ainda era sócio das fazendas de café, devia visitá-las. Não foi; apenas cicatrizava a ferida no seu peito, apenas desaparecera a imagem de Madaleine dos seus sonhos, não iria revê-la, sofrer seus olhos de perseguição.

Paixão monstruosa, jamais confessada, mas sentia por ele e por ela, sempre a um passo de se atirarem um sobre o outro. A Ilhéus devia a cura, para Ilhéus vivia agora.


(Cick na imagem de uma Ilhéus tranquila, segura, próspera e pacata em plena costa do cacau. A história de Ilhéus começa quando o Brasil era colónia portuguesa. Foi uma das 15 Capitanias Hereditárias e o primeiro donatário foi Jorge Figueiredo Corrêa que não aceitou por não querer deixar o cargo que tinha em Portugal. No seu lugar, enviou o genro, o galego Francisco Romero)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 38 SOBRE O TEMA:

“CASTIDADE” (9 e últ.)


Será que Jesus casou ou não?

Alguns interpretam a frase de Jesus sobre os eunucos como dando conta da sua situação pessoal. E interpretam mais: não se teria casado, não porque tivesse medo das mulheres, fosse homossexual ou tivesse sido castrado, mas porque o Reino de Deus lho exigia, porque serviria melhor se fosse casto e solteiro.

Eu realmente não sei se Jesus foi casado ou não, viúvo, nem quantas vezes se apaixonou. Não sabemos se teve filhos. É difícil imaginá-lo solteiro porque, de acordo com a cultura de Israel um homem ou uma mulher sós, sem descendência, seriam pessoas estranhas.

Dificilmente, Jesus teria tido a autoridade e o atractivo que teve sendo alguém com um comportamento raro e estranho. Mas nós não sabemos e nunca se saberá. O que sabemos é que nada muda na sua mensagem qualquer que tenha sido a sua situação.

Para aqueles que escreveram os evangelhos, o "status" de Jesus pareceu um detalhe sem importância relativamente à importância de sua mensagem, por isso, nos seus relatos, nada revelaram.

Nota - Na qualidade de não crente mas de um profundo e sincero admirador da figura histórica de Jesus da Nazaré, parece-me óbvio que, quando séculos mais tarde, após a sua morte e na sequência do trabalho iniciado pelo apóstolo Paulo, se pretendeu transformar a sua mensagem e o seu movimento numa religião universal, o que foi possível com a dita “conversão” do Imperador Constantino, todo o seu “legado” que foi apenas oral e contado de boca em boca pelos conterrâneos que o seguiram, foi colocado, de acordo com uma estratégia muito inteligente, ao serviço desse objectivo.

A estratégia foi a da montagem de um aparelho de poder, manipulador das consciências dos crentes e recorrendo, por vezes, à violência mais brutal, tal como iremos percebendo melhor ao longo destas “Entrevistas” e respectivos Comentários da responsabilidade de especialistas nestes temas.

É certo, que em vida, Jesus se enganou na sua arrojada promessa da vinda à terra do reino de Deus mas, hoje em dia, os políticos enganam-se em coisas muito mais comezinhas.

Foi coerente até ao fim, lutou pela palavra e o exemplo contra os poderosos do seu tempo que o mesmo é dizer pela justiça e afirmou a dignidade da pessoa humana não discriminando ninguém.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

DISPENSAMOS OS LOUVORES AO EXÉRCITO RUSSO... OU A QUALQUER OUTRO. FICAM OS APLAUSOS PELA QUALIDADE DO CORO E DAS VOZES.



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Atracadas no lodo.


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Nunca mais ninguém fará isto... de certeza.


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BEAUTIFUL SUNDAY - DANIEL BOONE (1972)


Como poderia esquecê-la se ela era cantada por todo o lado quando, nesse Ano de 1972, rumei para Moçambique, cidade da Beira, até Setembro de 1975? Três anos que terminaram em adrenalina pura depois de ter assistido ao nascimento de um país impreparado que de seguida mergulharia numa guerra civil. Mas alguém está preparado para nascer? E não é a vida, em si mesma, uma luta, uma guerra? Aqui fica mais uma linda canção que me trás à memória, outras "vidas"... outros tempos... outras histórias.


O Orgasmo Feminino


O orgasmo feminino é uma coisa da qual as mulheres percebem muito pouco, e os homens ainda menos. Pelo facto de ser uma reacção endócrina, que se dá sem expelir nada, não se apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu, ou de que foi simulado. Diante deste mistério, investigações continuam, pesquisas são feitas, centenas de livros são escritos, tudo para tentar esclarecer este assunto.
A acompanhar este tema, deu no outro dia uma entrevista na TV com uma conhecida sexóloga, que apresentou uma pesquisa feita nos Estados Unidos na qual se mediu a descarga eléctrica emitida pela periquita no instante do orgasmo.Os resultados mostram que, na hora H, a pardaleca dispara uma carga de 250.000 micro volts. Ou seja, 5 passarinhas juntas, ligadas em série na hora do ‘ai meu Deus’, são suficientes para acender uma lâmpada. E uma dúzia é capaz de provocar a ignição no motor de um Carocha com a bateria em baixo. Já há até mulheres a treinar para carregar a bateria do telemóvel: dizem que é só ter o orgasmo e, tchan…carregar.
Portanto, é preciso ter muito cuidado porque aquilo, afinal, não é uma rata: é uma torradeira eléctrica!!! E se der curto-circuito na hora de ‘virar os olhos’ além de cego, fica-se com a doença de Parkinson e com a salsicha assada. Preservativo agora é pouco: tem de se mandar encamisar na Michelin. E, no momento da descarga, é recomendado usar sapatos de borracha, não os descalçar e não pisar o chão molhado. É também aconselhável que, antes de se começar a molhar o biscoito, se pergunte à parceira se ela é de 110 ou de 220 volts, não se vá esturricar a alheira…

GABRIELA

CRAVO

E

CANELA


Episódio Nº 25

Emílio sorrira, chupando o charuto:

- E está ganhando dinheiro – Não devíamos – falava agora para Mundinho – ter permitido que partisses. Mas quem podia adivinhar que o nosso jovem galã tinha jeito para negócios? Aqui nunca revelaste gosto senão para a esbórnia. E, quando te foste, levando teu dinheiro, que podíamos imaginar senão mais uma loucura maior que as outras? Era esperar a tua volta para encaminhar-te na vida.

A mãe concluíra quase irritada:

- Ele não é mais um menino. – Irritada com quem?

Com Emílio por dizer tais coisas, ou com Mundinho que já não vinha solicitar-lhe mais dinheiro após esbanjar a mesada gorda?

Mundinho deixava-os falar, gozava aquele diálogo. Quando eles não tiveram mais o que dizer, então anunciou:

- Penso meter-me na política, fazer eleger-me qualquer coisa. Deputado, talvez… Pouco a pouco estou a tornar-me um homem importante da terra. Que pensas, Emílio, de me veres subindo à tribuna para responder a um desses teus discursos de adulação ao Governo? Quero vir pela oposição…

Na grande sala austera da residência familiar, os móveis solenes, a mãe a dominá-los como uma rainha, os olhos altivos, a cabeleira branca, estavam os três irmãos a conversar.

Lourival, cujas roupas vinham de Londres, jamais aceitaria deputação ou senatoria. Mesmo um Ministério recusara quando convidado. Governador de São Paulo, quem sabe?, aceitaria se fosse escolhido por todas as forças políticas.

Emílio era deputado federal, eleito e reeleito sem o menor esforço. Muito mais idosos os dois que Mundinho, espantavam-se agora de vê-lo homem, gerindo seus negócios, exportando cacau, obtendo lucros invejáveis, falando daquela terra bárbara onde fora se meter, ninguém jamais pôde saber por que motivo, anunciando-se deputado em breve.

- Podemos te ajudar – disse paternalmente Lourival.

- Faremos botar teu nome na chapa do Governo, entre os primeiros. Eleição garantida – completou Emílio.

- Não vim aqui para pedir, vim aqui para contar.

- Orgulhoso, o rapazinho… - murmurou Lourival desdenhoso.

- Sozinho, não te elegerás – previu Emílio.

- Sozinho vou me eleger. E no terço da oposição. Governo, só quero ser lá mesmo em Ilhéus. Governo que vou tomar, não vim aqui para solicitá-lo a vocês, muito obrigado.

A mãe alteou a voz.

- Podes fazer o que quiseres, ninguém te impede. Mas porque te levantas contra teus irmãos? Porque se separas de nós? Eles só querem ajudar, são teus irmãos.

- Não sou mais menino, a senhora mesmo disse.

Depois contou de Ilhéus, das lutas passadas, do banditismo, das terras conquistadas a bala, do progresso actual, dos problemas.

- Quero que me respeitem, que me mandem falar em seu nome, na Câmara. Que me adiantaria se vocês me metessem numa chapa? Para representar a firma, basta Emílio. Sou um homem de Ilhéus.
(click na imagem do Aeroporto de Ilhéus, Jorgr Amado, cujo busto, logo à entrada, foi inaugurado em 13 de Agosto de 2010 em comemoração do aniversário do escritor que completaria 98 anos a 10 de Agosto.)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

À ENTREVISTA Nº 38 SOBRE O TEMA:

“A CASTIDADE” (8)


Eunucos


Só no Evangelho de Mateus (19:10-12) aparece uma reflexão de Jesus sobre os "eunucos" (homens impotentes, homens sem mulheres, homens sem filhos, homens inférteis).

Jesus, "classifica" os eunucos em três tipos: - Aqueles que nasceram assim - homens impotentes e homossexuais - os que foram feitos assim – rapazes e homens castrados que serviam nas cortes reais como porteiros, cantores, artistas - e aqueles que assim quiseram ser "para o reino de Deus" .

Em Israel, a lei religiosa proibia a esterilização de homens e animais. O homem castrado não podia entrar no Templo ou na sinagoga e a carne de animais castrados não podia ser oferecido em sacrifício. Sem dúvida, os castrados eram uma realidade conhecida, e abundavam nas cortes dos reis de Israel, por influência dos costumes de outros países vizinhos ou porque foram trazidos para o país como escravos.

Neste contexto, a história dos Actos dos Apóstolos (8,26 a 40), é significativa: um eunuco etíope foi um dos primeiros seguidores de Jesus. Esta é uma história que quebra a exclusão do estrangeiro e do marginalizado por causa da sua castração física.

Como a Igreja Católica não permitia que as mulheres cantassem nas igrejas, às crianças que tinham melhor voz cortavam-lhe os órgãos genitais antes de chegarem à puberdade e eles mudarem de voz. Esta prática é conhecida como "sopranización" ou castração musical. Com estes "castrati" forneceram-se por muitos anos os coros de igreja. O último "sopranizado" foi Alessandro Moreschi, um cantor do Vaticano, que morreu em 1922.

De que falava Jesus quando se referiu à terceira categoria, "eunucos para o Reino de Deus"? Mais do que um "caminho da perfeição", ele queria dizer uma paixão que absorve toda a vida e energia, uma tarefa a que o próprio se impôe de forma prioritária e apaixonada. Jesus referia-se apenas a "eunucos" machos.

O conhecimento e valorização da sexualidade feminina, suas características e peculiaridades, é uma conquista muito recente da ciência e da psicologia. Além disso, uma vez que na cultura de seu tempo não era a mulher que decidia se casava ou não – quem o decidia era o seu pai - Jesus não poderia imaginar o caso de mulheres "eunucas".

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

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Castelo de São Jorge, em Lisboa, com o casario a seus pés...


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Sem comentários...

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The Mamas & The Papas - Monday Monday

Anos Sessenta

É incrível como estas músicas ficaram nos ouvidos (e nos corações) das pessoas da minha geração.




O dono de um circo colocou um anúncio procurando um domador de leão.
Apareceram 2 pessoas: um senhor de boa aparência, aposentado, beirando 70 anos, e uma loura espetacular de 25 anos.
O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz:
- Eu vou directo ao assunto. O meu leão é extremamente feroz e matou os meus dois últimos domadores. Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto! Aqui está o equipamento - banquinho, chicote e pistola. Quem quer entrar primeiro?
Diz a loura:
- Vou eu!
Ela ignora o banquinho, o chicote e a pistola e entra rapidamente na jaula. O leão ruge e começa a correr na direcção da loura. Quando falta um metro para ser alcançada, a loura abre o vestido e fica toda nua, mostrando todo o esplendor do seu corpo. O leão pára como se tivesse sido fulminado por um raio! Deita-se na frente da loura e começa a lamber-lhe os pés! Pouco a pouco, vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante longos minutos!
O dono do circo, com o queixo caído até ao chão diz:
- Eu nunca vi nada assim na minha vida!
Vira-se para o velhinho e pergunta:
- Você consegue fazer a mesma coisa?
E o velhinho responde:
- Claro! É só tirar de lá o leão...

GABRIELA

CRAVO
E
CANELA




Episódio Nº 24



A bala, por engano, isto é, por engano na perna, pois destinava-se ela ao peito de Segismundo. Desde então ficou ele menos escrupuloso e mais barateiro, mais grapiúna ainda, graças a Deus. Por isso, quando morreu octogenário, seu enterro transformou-se em verdadeira manifestação de homenagem a quem fora, naquelas paragens, exemplo de civismo, e devoção à justiça.

Por essa mão veneranda, fizera-se Nacib brasileiro nato, em certa tarde distante de sua primeira infância, vestido com verde bombacho de veludo francês.


Onde Aparece Mundinho Falcão, Sujeito Importante, Olhando Ilhéus Por Um Binóculo.


Da ponte de comando do navio à espera de prático, um homem ainda jovem, bem vestido e bem barbeado, olhava a cidade com um ar levemente sonhador. Qualquer coisa, talvez os cabelos negros, talvez os olhos rasgados davam-lhe um toque romântico, fazia com que as mulheres logo o notassem. Mas a boca dura e o queixo forte eram de homem decidido, prático, sabendo querer e fazer.

O comandante, rosto curtido pelo vento, mordendo um cachimbo, estendeu-lhe o binóculo. Mundinho Falcão disse ao recebê-lo:

- Nem preciso… Conheço casa por casa, homem por homem. Como se tivesse nascido ali, na praia – apontava com o dedo – aquela casa – a da esquerda, ao lado do sobrado – é a minha casa. Posso dizer que essa avenida eu a construí…

- Terra de dinheiro, de futuro – falou como conhecedor, o comandante. – Só que a barra é uma desgraça…

- Isso também vamos resolver – anunciou Mundinho.

- E muito em breve…

- Deus lhe ouça. Toda a vez que entro aqui tremo pelo meu navio. Não há barra pior em todo o Norte.

Mundinho levantou o binóculo, aplicou-o aos olhos. Viu sua casa moderna, trouxera um arquitecto do Rio para construi-la. Os sobrados da Avenida, os jardins do palacete do coronel Misael, as torres da Matriz, o Grupo Escolar. O dentista Osmundo, envolto num roupão, saía de casa para o banho do mar tomado bem de manhãzinha para não escandalizar a população. Na Praça São Sebastião, nem uma só pessoa.

O bar Vesúvio com suas portas fechadas. O vento da noite derrubara uma tabuleta de anúncio na frente do cinema. Mundinho examinava cada detalhe atentamente, quase com emoção. A verdade é que gostava cada vez mais daquela terra, não lamentava o aloucado arroubo a trazê-lo um dia, há poucos anos, para ali, como um náufrago à deriva, servindo-lhe qualquer terra onde salvar-se.

Mas essa não era uma terra qualquer. Ali crescia o cacau. Onde melhor aplicar o seu dinheiro, para multiplicá-lo? Bastava ter disposição para o trabalho, cabeça para os negócios, tino e audácia. Tudo isso ele possuía e algo mais: mulher a esquecer, paixão impossível a arrancar do peito e do pensamento.

Dessa vez, no Rio, a mãe e os irmãos foram unânimes em achá-lo mudado, diferente.

Lourival, o irmão mais velho, não pôde deixar de reconhecer, com sua voz de desdém, de homem sempre enfastiado.

- Não há dúvida, o rapazinho amadureceu.


(click na imagem de Mundinho Falcão, "sujeito importante, um homem ainda jovem, bem vestido e bem barbeado... os cabelos negros, talvez olhos rasgados, dava-lhe um toque romântico, fazia com que as mulheres logo o notassem.)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

À ENTREVISTA Nª 38 SOBRE O TEMA:

“A CASTIDADE” (7)


Como os Fotões

Na vida religiosa e na vida clerical como um "caminho da perfeição" ou "estado superior" nenhuma análise é mais devastadora do que a oferecido pelo teólogo alemão Eugen Drewermann no seu controverso e fundamental livro "Clero. Psychogram de um ideal. " (Editorial Trotta. Madrid, 1995).

Com uma ironia lúcida e a experiência de uma vida de psicanálise, e depois de analisar o trio essencial de negações (desejo sexual, bens pessoais e liberdade pessoal), de que sofre o "clero" (incluindo homens e mulheres religiosos) com os seus três votos por "Deus", Drewermann usou uma metáfora da física quântica:

“Se são fieis ao ideal de sua profissão, vivem quase como fótons, esses elementos infinitamente pequenos e elètricamente neutros, cuja tarefa é iluminar o mundo, mas, se chegam a parar dissolvem-se em nada, porque em estado de repouso a sua massa é nula… Ao estarem totalmente identificados com a sua profissão, têm um medo inato de que sem uma vida de actividade e esforço vão converter-se em nada… Eles estão convencidos de que sua missão é iluminar o mundo e não deixam de pensar que este projecto resulta melhor evitando ter de reagir à menor centelha de humanidade, “a matéria".

E há que repeti-lo uma e outra vez, até à saciedade: No nosso mundo de hoje, ao fim de cem anos após a descoberta da psicanálise, não há santidade credível se não for plenamente humana. No entanto, e de facto, na vida de tantas religiosas - e de tantos sacerdotes - pode ser verificado com sobressalto como a sua "alegria em Cristo" frequentemente sofre de uma total falta de liberdade e se mostra crispada, porque, na prática , é nada mais do que uma atitude imposta, concebida, inclusive contra os próprios sentimentos.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

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O nosso país é lindo...


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O Rossio à noite... e há uns bons anos atrás.


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Atenção... este truque só resulta com uma BMW...

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LENITA GENTIL - ELES FORAM TÃO LONGE

A música e a letra são do nosso querido e saudoso Carlos Paião, o vozeirão é da Lenita Gentil ... a cantar os feitos heróicos do nosso povo.


No dia do casamento de cada uma das suas três filhas, a mãe pediu que mandassem uma carta a contar como era a sua vida sexual.

A primeira noiva enviou a carta dois dias após o casamento, na qual havia apenas uma palavra: "NESCAFÉ".

A princípio, a mãe ficou confusa, mas finalmente reparou num anúncio do Nescafé num jornal que dizia: "SATISFAÇÃO ATÉ A ÚLTIMA GOTA".

A mãe ficou radiante. Sua filha está feliz.

A segunda filha casou e uma semana depois enviou uma carta que dizia: "MARLBORO".


A mãe aflita procurou um anúncio dos cigarros e suspirou de alívio quando leu: "EXTRA LONG, KING SIZE".

Quando a terceira filha casou, a carta demorou 4 semanas e nela a mãe leu: "BRITISH AIRWAYS".


Procurou o anúncio da companhia aérea e quase desmaiou .....o anúncio dizia o seguinte:

"TRES VÊZES POR DIA, SETE DIAS POR SEMANA, NAS DUAS VIAS!!!


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O GIGANTE


Aqui vai um pequeno grande vídeo, bem interessante! A gravação do filme, que durou 6 dias, teve a participação de 420 profissionais de 11 nacionalidades, 2 toneladas de equipamentos e 216 figurantes. A pós-produção levou mais de 12 mil horas de trabalho.(...) e o no final, o que vemos aqui são apenas meia dúzia de segundos, mas são espetaculares... Criada pela Agência NEOGAMA/BBH, Brasil, com a criatividade de Alexandre Gama, a campanha foi produzida pela Zohar International, a Gorgeous e a TheMill, empresa responsável pelos efeitos especiais do filme O Gladiador,Oscar de Melhor Filme em 2000. Merece ser visto mais uma vez.


GABRIELA

CRAVO
E
CANELA





Episódio Nº 23


Cerca de trinta anos se haviam passado sobre tais factos. O velho Segismundo morrera rodeado da estima geral e ainda hoje seu enterro é recordado. Toda a população comparecera, de há muito ele não tinha inimigos, nem mesmo os que lhe haviam incendiado o cartório.

No seu túmulo falaram oradores, celebraram suas virtudes. Fora – afirmaram – um servidor admirável da justiça, exemplo para as gerações futuras.

Registava ele facilmente como nascidos no município de Ilhéus, Estado da Baía, Brasil, a quanta criança lhe chegasse, sem maiores investigações mesmo quando parecia evidente ter-se dado o nascimento bem depois do incêndio.

Não era céptico nem formalista, nem o poderia ser no Ilhéus dos começos do cacau. Campeava o caxixe, a falsificação de escrituras e medições de terras, as hipotecas inventadas, os cartórios e tabeliães eram peças importantes da luta pelo desbravamento e plantio das matas, como distinguir um documento falso de um verdadeiro?

Como pensar em míseros detalhes legais, como o lugar e a data exacta do nascimento de uma criança, quando se vivia perigosamente em meio dos tiroteios, dos bandos de jagunços armados, às tocaias mortais? A vida era bela e variada, como iria o velho Segismundo esmiuçar sobre nomes de localidades?

Que importava, na realidade, onde nascera o brasileiro a registar, aldeia Síria ou Ferradas, Sul de Itália ou Pirangi, Trás-os-Montes ou Rio do Braço?

O velho Segismundo já tinha demasiadas complicações com os documentos da posse da terra, por que havia de dificultar a vida de honrados cidadãos que desejavam apenas cumprir a lei, registando os filhos?

Acreditava simplesmente na palavra daqueles simpáticos imigrantes, aceitava-lhes os presentes modestos, vinham acompanhados de testemunhas idóneas, pessoas respeitáveis, homens cuja palavra, por vezes, valia mais do que qualquer documento legal.

E, se alguma dúvida perdurava-lhe no espírito, por acaso, não era o pagamento mais elevado do registo e da certidão, o corte de fazenda para sua esposa, a galinha ou o peru para o quintal, que o punham em paz com sua consciência. Era que ele, como a maioria da população, não media pelo nascimento o verdadeiro grapiúna e, sim, pelo seu trabalho em benefício da terra, pela sua coragem de entrar na selva e afrontar a morte, pelos pés de cacau plantados ou pelo número de portas das lojas e armazéns, pela sua contribuição ao desenvolvimento da zona.

Essa era a mentalidade de Ilhéus, era também a do velho Segismundo, homem de larga experiência da vida, de ampla compreensão humana e de poucos escrúpulos. Experiência e compreensão colocadas ao serviço da região cacaueira. Quanto aos escrúpulos, não fora com ele que progrediram as cidades do Sul da Baía, que se rasgaram as estradas, plantaram-se as fazendas, criou-se o comércio, construiu-se o porto, elevaram-se edifícios, fundaram-se jornais, exportou-se cacau para o mundo inteiro.

Foi com tiros e tocaias, com falsas escrituras e medições inventadas, com mortes e crimes, com jagunços e aventureiros, com prostitutas e jogadores, com sangue e coragem.

Uma vez Segismundo lembrara-se de seus escrúpulos. Tratava-se da medição da mata de Sequeiro Grande e lhe ofereciam pouco para o vulto do caxixe: cresceram-lhe subitamente os escrúpulos. Em vista disso queimaram-lhe o cartório e meteram-lhe uma bala na perna.


(click na imagem de Gabriela - Sónia Braga - numa pose de ingénua sensualidade. Parece que mais niguém poderia ter "vestido" tão bem a pele daquela cabocla)

INFORMAÇÔES COMPLEMENTARES


À ENTREVISTA Nº 38 SOBRE O TEMA:


“A CASTIDADE” (6)




O Corpo é Sagrado

O ascetismo ou a punição do corpo como a penitência-flagelação, cilícios (cinto ou cordão de crina que se trazia sobre a pele para mortificação), jejum, privação de prazer na comida, abstinência sexual, são práticas anti-cristãs. Uma das expressões mais importantes da mensagem e da acção de Jesus foi cuidar dos doentes, a cura do corpo. A saúde física é uma prioridade para Jesus. Portanto, é perfeitamente contraditório que a negação do corpo e infligir dor, transmitida durante séculos, e até hoje, nas igrejas cristãs, seja um acto agradável a Deus.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

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Rossio, no centro de Lisboa


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ROGER WHITTAKER


De certo, o melhor virtuoso do assobio do mundo. Vale a pena ouvi-lo.


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NELSON NED - DOMINGO À TARDE

Um clássico das canções populares brasileiras dos Anos Sessenta.


Governo prepara encurtamento da Páscoa:


- Jesus Cristo morre crucificado e ressuscita no mesmo dia.



Depois de ter acabado com os feriados do Corpo de Deus, 15 de Agosto, 5 de Outubro, 1 de Dezembro e de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, Passos Coelho prepara uma pequena alteração ao ano litúrgico, nomeadamente a Semana Santa, de forma a obter uma versão da Páscoa mais adaptada a um país que quer ser mais competitivo.

“A Última Ceia a uma quinta-feira é coisa de garoto mimado e irresponsável que chula os pais e o Estado. Acabou-se a Sexta-Feira Santa e a Última Ceia passa a lanche ajantarado no sábado até às 23 horas, no máximo. Domingo de Páscoa passa a ser o dia do julgamento, paixão, crucificação, morte, sepultura e ressurreição. Também Jesus Cristo tem de deixar de ser piegas!”, revelou Passos Coelho.

GABRIELA
CRAVO
E

CANELA
Episódio Nº 22




Ora, Nacib, não se zangue. Não foi para lhe ofender. É que essas coisas das estranjas prá gente é tudo igual…

Talvez assim o chamassem menos por sua ascendência levantina do que pelos bigodões negros de sultão destronado, a descer-lhe pelos lábios, cujas pontas ele cofiava a conversar. Frondosos bigodes plantados num rosto gordo e bonacheirão, de olhos desmesurados, fazendo-se cúpidos à passagem de mulheres. Boca gulosa, grande e de riso fácil.

Um enorme brasileiro, alto e gordo, cabeça chata e farta cabeleira, ventre demasiadamente crescido, “barriga de nove meses”, como pilheriava o Capitão ao perder uma partida no tabuleiro das damas.

- Na terra de meu pai… - assim começavam as suas histórias nas noites de conversas longas, quando nas mesas do bar ficavam apenas uns poucos amigos.

Porque sua terra era Ilhéus, a cidade alegre ante o mar, as roças de cacau, aquela zona ubérrima onde se fizera homem. Seu pai e seus tios, seguindo o exemplo dos Aschar, vieram primeiro, deixando as famílias. Ele embarcava depois com a mãe e a irmã mais velha, de seis anos.

Nacib não completara os quatro. Lembrava-se vagamente da viagem em 3ª classe, o desembarque na Baía, onde o pai fora esperá-los. Depois a chegada a Ilhéus, a vinda para terra numa canoa, pois naquele tempo nem ponte de desembarque existia. Do que não se recordava mesmo era da Síria, não lhe ficara lembrança da terra natal, tanto se misturara ele à nova pátria e tanto se fizera brasileiro e Ilheense.

Para Nacib era como se houvesse nascido no momento mesmo da chegada do navio à Baía, ao receber o beijo do pai em lágrimas. Aliás, a primeira providência do Mascate Aziz, após chegar a Ilhéus, foi conduzir os filhos a Itabuna, então Tabocas, ao cartório do velho Segismundo para registá-los brasileiros.

Processo rápido de naturalização, que o respeitável tabelião praticava com a perfeita consciência do dever cumprido por uns quantos mil-réis. Não tendo alma de explorador, cobrava barato colocando a operação legal ao alcance de todos, fazendo desses filhos de imigrantes, quando não dos próprios imigrantes vindos trabalhar em nossa terra, autênticos cidadãos brasileiros, vendendo-lhes boas e válidas certidões de nascimento.

Acontece ter sido o antigo cartório incendiado numa daquelas lutas pela conquista da terra para que o fogo devorasse indiscretas medições e escrituras da mata de Sequeiro Grande – isso está contado num livro. Não era culpa de ninguém, portanto, muito menos do velho Segismundo, se os livros de registo e óbitos, todos eles, tinham sido consumidos num incêndio, obrigando a novo registo centenas de Ilheenses (naquele tempo Itabuna ainda era distrito do município de Ilhéus).

Livros de Registo não existiam, mas existiam idóneas testemunhas a afirmar que o pequeno Nacib e a tímida Salma, filhos de Aziz e de Zoraia, haviam nascido no arraial de ferradas e tinham sido anteriormente registados no cartório, antes do incêndio.

Como poderia Segismundo, sem cometer grave descortesia, duvidar da palavra do coronel José Antunes, rico fazendeiro, ou do comerciante Fadel, estabelecido com loja de fazendas, gozando de crédito na praça?

Ou mesmo da palavra mais modesta do sacristão Bonifácio, sempre pronto a aumentar seu parco salário servindo em casos assim como fidedigna testemunha? Ou do perneta Fabiano, corrido de Sequeiro de Espinho e que outro meio de vida não possuía alem de testemunhar?


(Nacib e padre Basílio, pai de 5 fihos da sua governanta, mas que a todos deu o seu nome, e dono de roça de cacau)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

À ENTREVISTA Nº 38 SOBRE O TEMA:

“A CASTIDADE” (5)


O Nu Corporal


O corpo nu é o símbolo mais expressivo da sexualidade mas, sendo a sexualidade um tabu na cultura cristã, a nudez tem sido associada ao pecado, a primeira consequência desse vergonhoso pecado "original" de desobediência e que, posteriormente, teria sujado e manchado a sexualidade humana pecaminosa.

Daí o valor da provocação e da falência do tabu da fotografia de Spencer Tunick, um artista americano, nascido em 1967, que depois de visitar os Estados Unidos e fotografar grupos nus no meio das paisagens urbanas, viaja para cidades ao redor do mundo fotografando artísticamente massas de homens e mulheres nus. Em Glasgow, Roma, Montreal, Sydney, Barcelona, São Paulo, Santiago de Chile, Caracas, México, Tunick reuniu centenas ou mesmo milhares de pessoas (20 mil no México em 2007) que se ofereceram para servir como modelos em composições gráficas sugestivos.

O resultado são imagens com impacto estético e emocionalmente poderosas que não têm nenhuma intenção pornográfica nem erótica, mas apenas a de contrastar a vulnerabilidade dos nus dos corpos humanos com o anonimato do espaço público e para reflectir sobre as tensões entre o público e o privado, o tolerado e o proibido, o individual e o colectivo.
Ambientalistas apoiam esta iniciativa de nudistas e participam como modelos voluntários para expressarem o sentimento de liberdade que experimentam ao posar para Tunick.

Como sinal de vulnerabilidade que se sente à exploração ou abuso de poder, eles também começam a proliferar as manifestações de protesto em que os camponeses e activistas de movimentos sociais lutam por seus direitos totalmente nus.

São manifestações causam muito impacto, especialmente quando esses corpos expostos estão desgastados pelo trabalho e pela idade. Seja qual for a manifestação de reivindicação, estamos perante um profundo poder simbólico do corpo nu quando expressa muitas outras realidades humanas e não aquela que a tradição cristã, há séculos, lhe tem atribuído: o pecado.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

NAVEGAR de Fernando Pessoa

IMAGEM

Continua na Europa o frio de rachar...


(click na imagem)

VÍDEO


Um espectáculo de sons e de imitações numa demonstração excepcional de recursos vocais e tudo... por amor!

video

Sexo na Velhice

Joãozinho, muito curioso, pergunta ao avô:


- Avô, você ainda faz sexo com a avó?
- Sim, mas apenas oral.

E pergunta o Joãozinho:


- O que é sexo oral?
E responde o avô:

- Eu digo "Foda-se" e ela responde : "Vai-te foder também."

GABRIELA

CRAVO

CANELA



Episódio Nº 21


Do elogio à lei e à justiça, ou sobre nascimento e nacionalidade.

Era comum tratarem-no de árabe, e mesmo de turco, fazendo-se assim necessário de logo deixar completamente livre de qualquer dúvida a condição de brasileiro, nato e não naturalizado, de Nacib. Nascera na Síria, desembarcara em Ilhéus com quatro anos, vindo num navio francês até à Baía.

Naquele tempo, no rasto do cacau dando dinheiro, chegavam à cidade de alastrada fama, diariamente, pelos caminhos do mar, do rio e da terra, nos navios, barcaças e lanchas, nas canoas, nos lombos dos burros, a pé, abrindo picadas, centenas e centenas de nacionais e estrangeiros oriundos de toda a parte: de Sergipe e do Ceará e da Itália, do Líbano e de Portugal, de Espanha e de ghettos variados.

Trabalhadores, comerciantes, jovens em busca de situação, bandidos e aventureiros, um mulherio colorido, e até um casal de gregos surgidos só Deus sabe como. E todos eles, mesmo os loiros alemães da recém-fundada fábrica de chocolate em pó e os altaneiros ingleses da Estrada de Ferro, não eram senão homens da zona do cacau, adaptados aos costumes da região ainda semibárbara com suas lutas sangrentas, tocaias e mortes.

Chegavam e em pouco eram ilheenses, dos melhores, verdadeiros grapiúnas plantando roças, instalando lojas e armazéns, rasgando estradas, matando gente, jogando nos cabarés, bebendo nos bares, construindo povoados de rápido crescimento, rompendo a selva ameaçadora, ganhando e perdendo dinheiro, sentindo-se tão dali como os mais antigos ilheenses, os filhos das famílias de antes do aparecimento do cacau.

Graças a essa gente diversa, Ilhéus começara a perder o ar de acampamento de jagunços, a ser uma cidade. Eram todos, mesmo o último dos vagabundos chegado para explorar os coronéis enriquecidos, factores do assombroso progresso da zona.

Já ilheenses por fora e por dentro, além de brasileiros naturalizados, eram os parentes de Nacib, uns Aschcar envolvidos na luta pela conquista da terra, onde seus feitos foram dos mais heróicos e comentados. Só encontraram eles comparação com os dos Badarós, de Brás Damásio, do célebre negro José Nique, do coronel Amâncio Leal.

Um deles, de nome Abdulá, o terceiro em idade, morreu nos fundos de um cabaré em Pirangi, após abater três dos cinco jagunços mandados contra ele, quando disputava pacífica partida de poker. Os irmãos vingaram sua morte de forma inesquecível. Para saber desses parentes ricos de Nacib, basta compulsar os anais do júri, ler os discursos dos promotores e advogados.

De árabe e turco muitos o tratavam, é bem verdade. Mas o faziam exactamente os seus melhores amigos e faziam numa expressão de carinho, de intimidade. De turco, ele não gostava que o chamassem, repelia irritado o apodo, por vezes chegava a se aborrecer:

- Turco é a mãe!

- Mas, Nacib…

- Tudo que quiser, menos turco. Brasileiro – batia com a mão enorme no peito cabeludo – filho de sírios, graças a Deus.

- Árabe, turco, sírio – é tudo a mesma coisa.

- A mesma coisa, um corno! Isso é ignorância sua. É não conhecer a história e a geografia. Os turcos são uns bandidos, a raça mais desgraçada que existe. Não pode haver insulto pior para um sírio que ser chamado de turco.

(click na imagem da canoa, mais um meio de transporte dos homens do cacau)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES


À ENTREVISTA Nº 38 SOBRE O TEMA:


“A CASTIDADE” (4)

Desentendidos com a Sexualidade

Todas as culturas têm tido, de uma forma ou de outra, o controle sobre a sexualidade, vista com admiração, como um mistério, mas também vista com medo, como uma actividade humana cheia de contradições.

O desentendimento e a inimizade cristã para com a sexualidade baseia-se em várias crenças. Uma delas, é que o espírito e a matéria são inimigos um do outro e que Deus é o espírito. Com base nessa crença, ensinou-se que o caminho espiritual é negar o corpo e o prazer sexual porque todo o prazer corporal é negativo ou, pelo menos, suspeito. Estas ideias levaram à lei do celibato, o voto de castidade e da ideia de que a sexualidade e reprodução devem sempre andar juntas.

Outra crença que alimenta a inimizade para com a sexualidade é que o corpo é temporário, um envelope, que se vai perder quando as pessoas morrem, só se mantendo imortal a alma. Nesta base, foi-nos ensinado que sacrificar o corpo, fazendo-o sofrer, era caminhar para a perfeição espiritual.

Outra ideia perniciosa é que Deus se fez carne em Jesus para sofrer no seu corpo e com esse sofrimento nos salvar. Assim, fomos ensinados e ainda o somos a imitar Jesus sofrendo e oferecendo-lhe o nosso sofrimento.

domingo, fevereiro 12, 2012

WHITNEY HOUSTON - I WILL ALWAYS LOVE YOU

A sua voz foi declarada incorrectamente tesouro nacional dos E.U.A. a menos que consideremos o mundo uma nação. Viveu mal a sua vida, ela própria o reconheceu mas o seu legado é enorme e esse não morre!


PARA ELA UMA ROSA

HOJE É DOMINGO
(Da minha cidade de Santarém)




A vida dos povos é como a água dos rios: tanto uma como outra fluem… A água dos rios ao sabor da marcha dos terrenos e a vida ao sabor dos “tempos” e “tempos” é tudo o que determina, influencia e explica as nossas existências num emaranhado de razões a que se convencionou chamar os “tempos”.

E, “tempos” houve, em que alguém, vivendo entre os povos do norte de África e percebendo que os porcos que de porcos só têm o nome e, pelo contrário, adoram chafurdar no meio das poças de água, decidiu que eles não eram bem-vindos àquelas paragens face à escassez do precioso líquido.

A proibição assumiu mesmo uma tal importância que foi o próprio profeta Maomé que a impôs a todos os seguidores da sua religião, na linha do que já acontecia com os judeus e, desta forma, se viu o porco livre daquele destino cruel que é o de nascer e ser criado para acabar com uma faca espetada no coração exactamente por aqueles que dele cuidaram com todo o desvelo desde tenra idade.

Mas, como neste extremo da Europa a água era coisa que não faltava, deixou de haver argumento que privasse os povos que aqui habitavam de aproveitar para a sua alimentação a carne mais saborosa de quantas a natureza criou, excepção feita aos javalis, que são primos e faziam as delícias do nosso amigo Obelix …

O porco é um dos primeiros animais domésticos e entre nós adquiriu uma importância que ultrapassou em muito a do seu valor alimentar para se constituir num factor de natureza sociológica e cultural.

No norte do país dizia-se que um indivíduo era tão pobre que nem tinha um porco para matar e por alguma razão os mealheiros antigos, de barro, tinham a configuração de um porco já que ele assegurava, ao longo de um ano, preservado em sal, na sua própria gordura ou fumado, as deliciosas proteínas constituindo aquilo que na aldeia dos meus avós, na Beira Baixa, chamavam: “o governo da casa”.

Mas antigamente as pessoas eram muito pobres e poucas eram aquelas que conseguiam criar e matar um porco. Eram os ricos que distribuíam por eles alguma carne para lhes adocicar um pouco a boca.

Até à década de sessenta, a matança tradicional era uma simples festa familiar ou uma refeição de trabalho festiva em que se comiam as partes mais perecíveis do animal, que não eram salgadas nem fumadas, como o sangue, o fígado e pulmão para além da carne velha do porco do ano anterior que ainda sobrava na salgadeira.

Esta situação traduzia a escassez que então se vivia e daí o ditado: “ossos de suão, barba untada, barriga em vão”.

Só a partir daquela década, com algum desafogo proveniente da emigração, é que as Festas da Matança do Porco adquiriram uma dimensão que variava em função das posses de cada um podendo agrupar, as mais pequenas, entre 10 a 12 pessoas das quais faziam parte os familiares e vizinhos e as maiores, ao nível do Concelho, de 40 a 100 convivas.

As pequenas e médias Matanças tinham como função contribuir para o estreitamento do pequeno núcleo produtivo no seio da sua esfera habitual de entreajuda, enquanto que as grandes tinham a ver com questões de prestígio e de ostentação de riqueza das “antigas casas grandes”.

As tradicionais Matanças estão a desaparecer e são muito poucos aqueles que levam à risca os rituais desta prática comunitária em que participavam amigos e familiares e que tantas saudades me deixou quando, em rapazinho, participava nelas em casa dos meus avós.

Mais uma vez, são os “tempos” que levam coisas e trazem coisas a tal ponto que os regulamentos da Comunidade Europeia proibiram que as tradicionais Matanças do Porco, mesmo as de âmbito familiar, pudessem acontecer sem a presença de um veterinário para atestar o estado de saúde do animal e as condições sanitárias (?!?...?!?).

Que exagero, que falta de ligação à realidade…então, não são os próprios donos do animal que o alimentam e acompanham diariamente que logo chamam o veterinário se ele deixa de comer ou apresenta alguma anomalia no seu comportamento?

E quanto às condições sanitárias, alguém espera encontrar na casa de uma aldeia um mini matadouro para além de um armazém varrido e lavado mais a banca de matar o porco e as facas próprias para cada desempenho devidamente afiadas?

Mas, desta vez, os nossos representantes em Bruxelas, bateram-se galhardamente na defesa das nossas tradições que estavam condicionadas desde 2003 e a título excepcional correu até um Edital pelas Juntas de Freguesia a autorizar o abate caseiro do porco sem interferência da autoridade veterinária.

Uf… que alívio, já posso novamente pensar em deliciar-me com o “arroz do osso do peito” e a “semineta da matança”, pratos tradicionais daquela região, ainda do Ribatejo, no limite com a Beira-Baixa, confeccionados pela mão experiente e conhecedora da Sra. Maria, daquele porco que foi morto pela facada certeira do T’i Margalho, sem corrermos o risco de irmos todos presos.

Mas isto sou eu a pensar…porque já não há pocilga, não há porco e a Sra. Maria e o T’i Margalho há muitos anos que morreram… da mesma maneira que comigo irão morrer as saudades das pessoas e dos sabores, em suma, a saudade daqueles “tempos”…




(click na imagem da cidade de Santarém que, como se percebe é de outros "tempos"... )

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