sábado, novembro 19, 2011

VÍDEO

Não é estranho que este vídeo pareça ser o eco esclarecedor e actualizado da Entrevista Nº 26 de Jesus dois mil anos mais tarde? Sem dúvida, as coisas continuam como estavam porque há uma facção criminosa que, como então, continua a governar o mundo. Gente que ninguém conhece, que vive escondida dos holofotes públicos e nunca responderá perante a justiça pelas suas decisões criminosas. Felizmente, denunciar essas situações já não conduz à morte pela crucificação... mas a fome e os pobres continuam. Ouvir o que dizem estes senhores é abrir o nosso conhecimento à realidade do mundo em que vivemos. Não deixe de os escutar nem que seja com intervá-los.


O ÁLVARO




Pessoamente, simpatizo com o Ministro da Economia... o Álvaro. Não se confunde com a generalidade dos ministros: políticos, sabidos, com os tiques das escolas partidárias.

Ao contrário, ele transmite uma imagem saudável de pessoa "normal", sincero, optimista, voluntarista, um tanto ingénuo (no bom sentido).

No entanto, há dias, decretou o fim da crise em 2012... parece que queria dizer apenas ... "o princípio do fim da crise".

Eu compreendo que ele pretenda levantar "o moral das tropas" mas, desta maneira, corre o risco de perder a credibilidade e, portanto, a "confiança das tropas" porque elas têem do futuro uma percepção mais realista e correcta do que ele possa pensar.

Quanto ao resto...força Álvaro!

VÍDEO


Velha do catano...



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EIS MODELOS DIFERENTES DE BELEZA QUE A NATUREZA CRIOU


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COM UM ABRAÇO DE PAZ E AMIZADE ESPECIALMENTE DEDICADO AOS AMIGOS DE TEREZA BATISTA COM VOTOS DE FELICIDADE.


TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 261




Ela atravessa o quarto, altiva e flexível, ao meu Deus do céu! Ocupa a mesma cadeira onde estivera o detective. As grandes mãos do aleijado impulsionam as rodas, ele se aproxima.

O que a traz ali? Frequentando o castelo de Taviana, de freguesia escolhida e rica, não virá propor-se para bordel barato às grandes massas da população. Lá, numa só tarde, com um único michê, velhote educado, limpo, generoso, ela ganha mais do que a féria de qualquer das raparigas do alcouce de Vavá em dois dias e duas noites de trabalho, recebendo homens, uns atrás do outro.

Com seu jeito franco e decidido, Tereza entra no assunto:

- O senhor ouviu falar na mudança da zona?

A voz cálida completa a figura de sonho a fugir na luz da madrugada. Os fulgurantes olhos negros na face serena com uma ponta de melancolia, a cabeleira desnastra sobre os ombros, a esbeltez, a cor de cobre, o dengue nas maneiras no entanto sérias, uma aura. Vavá mal entendeu a pergunta, perturbado. Deu-se conta apenas do tratamento cerimonioso; na Bahia ninguém lhe dizia senhor, nem mesmo as pessoas que tinham medo dele, e eram muitas. Como tratá-la? São complicados os ritos de gentileza do povo baiano.

- Me chame Vavá, assim eu posso lhe chamar Tereza, fica melhor. Que foi que me perguntou?

- Com prazer. Perguntei se já ouviu falar na mudança da zona.

- Indagorinha mesmo estava falando disso.

- O pessoal da Barroquinha tem prazo até amanhã para ir para a Ladeira do Bacalhau. Sabe do estado dos casarões da Ladeira?

- Ouvi falar.

- Sabe que o resto também vai mudar? Sabe para onde o Maciel vai?

- Pró Pilar, eu sei. Agora que tanto perguntou, deixe-me que eu lhe pergunte: a que vem tudo isso? A conversa o interessa devido ao assunto e porque a cada palavra a fisionomia de Tereza se ilumina, a moça parece erguer-se no ar, uma labareda. No sonho, assim a vira sobre um rochedo, facho de fogo no negrume.

- O pessoal da Barroquinha não vai se mudar.

- Hem? Não vão se mudar?

A afirmação continha ideia tão nova e revolucionária a ponto de Vavá sair do clima romântico a envolvê-lo desde a aparição de Tereza para fitá-la com olhos interrogativos, ao fundo a desconfiança repontando. Repetiu a pergunta:

- Como não vão se mudar?

- Ficando onde estão, continuando na Barroquinha.

- Quem lhe disse isso? A velha Acácia? Assunta? Mirabel? O que Mirabel diz não se escreve. A velha Acácia não vai obedecer à ordem?

- Isso mesmo. Ninguém vai obedecer à ordem.

- A polícia vai pintar o diabo.

- A gente sabe disso.

- É capaz de botar para fora na pancadaria.

- Nem assim o pessoal se muda. Ninguém vai para as casas do Bacalhau, nem que tenha de ficar na rua.

- Ou na cadeia
.

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ENTREVISTA FICCIONADA

COM JESUS Nº 26 SOBRE O TEMA:

“É O REINO DA TERRA”



RAQUEL – Estamos aqui no Monte das Bem-Aventuranças, nas margens do belo lago da Galileia, a entrevistar Jesus Cristo, que fez neste lugar um dos discursos mais importantes da história da humanidade.

JESUS - Eu não sei se foi assim tão importante, Raquel, porque o que eu disse todos os profetas o tinham dito antes.

RAQUEL - Voltando às suas palavras. Quando o senhor disse "bem-aventurados são os pobres", referia-se a… a…

JESUS - Aos pobres. Não dês mais voltas porque vais ficar cansada como quando remas lago adentro.

RAQUEL - Sim, mas ...

JESUS – É simples, Raquel. Deus irrita-se quando vê como as coisas estão acontecendo neste mundo.

RAQUEL - Pelos muitos pecados da humanidade…

JESUS - O maior de todos os pecados, você sabe qual é? Que o rico Apulon coma duas vezes e Lázaro fique de fora com o prato vazio.

RAQUEL – Recordo uma parábola sua falando sobre isso.

JESUS - Deus está irado por ver tantas injustiças. Crianças sem um pedaço de pão, com fome, meninas sem um trapo para porem em cima do corpo, mortas de frio... Esse é o grande pecado do mundo. Não, Deus não tolera essa situação.

RAQUEL - Para alguns isso soará uma proclamação política…

JESUS – Terá que soar. Porque eu proclamei a chegada à Terra, não ao céu, do Reino de Deus, um reino de justiça, onde a ninguém falte o que aos outros sobra. E declarei que Deus toma partido nessa luta.

RAQUEL - O que é exactamente Deus tomar partido?

JESUS - Que Deus coloca-se ao nosso lado, do lado dos pobres. Não te lembras quando os discípulos de João Batista me vieram ver? Eles queriam saber quem eu era, se a minha mensagem era a mensagem de Deus e eu disse-lhes: - Ide contar a João que eu estou anunciando a boa nova aos pobres.

RAQUEL - Bem, agora anuncia-a ao nosso público. O que é essa boa nova?

JESUS - As boas notícias de ontem e de hoje é que Deus quer que os pobres deixem de ser pobres ... Que se libertarão da sua pobreza! Que os esfomeados comerão!

RAQUEL - Alguns dizem que a mensagem é muito materialista…

JESUS - Quando se está com fome nada é mais espiritual do que um pedaço de pão. Quando se está com fome comer, é mastigar Deus em cada grão. Não, não são os pobres que vêm até ao reino dos céus. É o reino dos céus que vem para baixo, onde estão os pobres. A boa notícia de Deus não é uma promessa para o amanhã, é uma bênção para agora. Agora é a hora.

RAQUEL - Tudo o que o senhor diz é muito diferente do que muitos pregam em igrejas .




JESUS – Não sei o que pregam agora, mas me disseram que nas primeiras comunidades viviam com esse espírito. Tudo compartilhado, tudo em comum.

RAQUEL - Por que os primeiros compreenderam e muitos agora não entendem isso?

JESUS - Muitos se escandalizaram com o que eu disse, mudaram as minhas palavras, adoçaram-nas e o pior: esqueceram da segunda parte do discurso que eu fiz aqui neste Monte.

RAQUEL – Mas existe uma segunda parte?

JESUS – Sim, queres ouvi-la?

RACHEL - Claro, senhor Jesus Cristo. Mas depois de um breve intervalo.

Raquel Perez, Emissoras latinas, Monte das Bem-Aventuranças.

sexta-feira, novembro 18, 2011

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Afinal, com as devidas precauções, eles vêem-nos comer à mão como simples cachorrinhos...



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Puro e arrepiante ilusionismo...



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ARACY DE ALMEIDA - CAMISA AMARELA

A canção é da autoria de Ari Barroso e para o ano vai fazer 73 anos. Nós conhecemo-la muito bem como tema musical do grande filme português, Pátio das Cantigas (de 1942) interpretada por Maria da Graça. Lembram-se todos porque o filme já passou na televisão para aí mais de 100 vezes... e eu desejo que continue a passar para a nossa delícia. Aracy de Almeida era uma mulher do mundo, lida e culta, apreciadora de música clássica e interessada por leituras de psicanálise, ligada às artes e aos artistas brasileiros. Os amigos chamavam-lhe a Araca.


Mudança da hora no Porto... .!


Tinha acabado de entrar o "horário de verão".
Na paragem do autocarro, estavam uma velhinha, a sua neta de dezoito anos e dois fulanos a conversar.
Um deles pergunta ao outro:
- João, que horas são?
Responde o outro:
- Três na nova e duas na velha!
E a velha, que não tinha ouvido tudo, dispara:
- E cinco na tua mãe, meu grande filho da puta!

Afinal, gregos e romanos não fazem assim tanta diferença. Comparados com eles devíamos estar no quadro de honra: economia paralela, corrupção e um abuso generalizado dos benefícios sociais:

- Por exemplo, a pensão que Mário Draghi recebe do Estado italiano desde os 59 anos de 14,834 euros por mês é, segundo a lei italiana, acumulável com o salário que recebe como… presidente do BCE;

- A mulher de Umberto Bossi, o líder Liga Norte, ameaça reabrir o Parlamento-Fantasma da Padânia se baixarem as reformas aos seus concidadãos. Ela reformou-se com 39 anos;

- Homens supostamente invisuais são apanhados a conduzir, calcula-se que sejam dois por cada dez;

- Ermana Cossio, de 29 anos, funcionária de uma escola pública, aproveitando-se da generosa legislação sobre reformas no sector público, reformou-se com 29 anos… e com 94% do salário!

(click na imagem: “deuses gregos em piscinas romana” )

Da Revista Visão

"O Brasil está igual a carro velho: para subir não tem força, para descer não tem freio"



(Dilma Roussef ... quando era oposição)

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA





Episódio Nº 260




Dono de negócio tão grande e florescente, Vavá deve manter-se em paz com os tiras. Dalmo Coca voltará amanhã no fim da tarde para acertar detalhes. Talvez já traga a erva.

Dois maços de cigarros americanos estão dando sopa em cima da escrivaninha, o detective os põe no bolso, vai-se embora. Inquieto, Vavá baixa a cabeçorra, sem saber o que fazer.

Ao contrário das mulheres da Barroquinha, lia os editoriais das gazetas, tomara conhecimento da campanha pela mudança da zona, mas não chegara a se assustar: bastava haver falta de assunto e os jornais caíam em cima da localização do meretrício. Na véspera, todavia, soubera ter o delegado marcado prazo de quarenta e oito horas para a evacuação da Barroquinha e se alarmara. Agora, ouvindo o tira, convence-se do pior.

A mudança significa para ele prejuízo sem tamanho. Não só pelo transtorno referente ao bordel, um verdadeiro desastre, mas também porque a renda dos seus imóveis, todos alugados a preços altos aos inquilinos mais sérios do mundo, os cafetões e caftinas, viria abaixo, caindo ao nível dos alugueis de casa de família. Talvez a única saída será guardar a maconha para salvar alguma coisa no meio da bancarrota geral.

Se tudo, porém, não passar de traição, de armadilha da polícia? Botam a maconha em seu quarto e invadem a casa, dão o flagrante, acabam com a vida dele. Em momentos assim, o caminho certo é consultar Exu. Amanhã mandará chamar pai Natividade.

Greta Garbo aparece à porta do aposento:

- Tem uma zinha querendo-lhe falar. Uma tal de Tereza Batista.

21

Bateu os olhos em Tereza, caiu de amores, tombou apaixonado. Paixão repentina, amor à primeira vista? Pode-se dizer que sim: pela primeira vez a contemplava em carne e osso, parada na porta a sorrir com o dente de ouro. Pode-se dizer que não, pois a buscara, perseguira e percebera em sonhos mil, visão celeste. Finalmente chegara, Exu seja louvado.

Já ouvira falar sobre Tereza Batista. Soube do caso do punhal de Toledo, a fúria do espanhol Rafael Vedra, corneado por Oxossi, a intervenção de Tereza salvando a vida de Maria Petisco e, ao mesmo tempo, permitindo a fuga do ciumento, duas acções meritórias no código da zona.

Transmitiram-lhe também a resposta desaforada cuspida nas ventas de Peixe Cação; de físico disseram-na formosa e atraente, muito abaixo, porém, do merecido. Na emoção do milagre, Vavá chega a esquecer a visita de Dalmo (Coca) Garcia, aborrecimentos e preocupações. Reitera a Mestre Jegue a ordem de trazer pai Natividade no dia seguinte.

Acresce um novo problema aos anteriores: depois do caso de Anunciação do Crato, também sobre amores Exu é consultado. Vavá vive cercado de inveja, cobiça e traição, precisa de ser defendido por todos os lados.

Entre e tome assento.



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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES



À ENTREVISTA Nº 25 SOBRE O TEMA:



“POBRES DE ESPÍRITO” (último)


Um dos Muitos Pobres


Jesus era pobre, tão pobre quanto os seus vizinhos a quem anunciou as Bem-aventuranças. Jesus não era um mestre religioso que "se fez pobre", que se disfarçou de pobre para que estes o compreendessem melhor, como um sinal de condescendência divina para com os miseráveis.


Esta idéia distorce a essência da mensagem cristã, que diz que foi um pobre camponês de Nazaré, que falou de Deus com a voz mais lúcida e clara, que afirma que sem fazer justiça aos pobres não se conhece a Deus e nos ensina que não é "fora da Igreja" ou do "mundo exterior", mas "fora dos pobres" que não há salvação.

quinta-feira, novembro 17, 2011

VÍDEO


Aqui, confesso que também era capaz de dar um salto...

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Trecho da cidade de Lisboa e a "guerra" entre os automóveis e os "amarelos da Carris"


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ARACY DE ALMEIDA - JÁ CANSEI DE PEDIR

Aracy de Almeida (1914/1988) foi uma das mais completas sambistas e uma das mais brilhantes cantoras da MPB. Chamaram-lhe até o "samba em pessoa", nome que foi dado ao seu disco lançado em 1958. Era uma mulher do mundo, lida e culta, apreciadora de música clássica e interessada em leituras de psicanálise e ligada à arte. Voltaremos a ela





Uma mulher acorda durante a noite e constata que o marido não está na cama. Veste o robe e desce para ver onde ele está.
Encontra-o na cozinha, sentado, meditativo, diante de uma taça de café. Parece consternado, olhar fixo na chávena. Tanto mais que o vê a limpar uma lágrima.
'O que é que se passa, querido?'
O marido levanta os olhos e pergunta-lhe solenemente: 'Lembras-te, há 20 anos, quando saímos juntos pela primeira vez? Tu tinhas apenas 16 anos.'
'Sim, lembro-me como se fosse hoje.', responde ela.
O marido faz uma pausa. As palavras custam a sair. 'Lembras-te quando o teu pai nos surpreendeu enquanto fazíamos amor no banco de trás do carro?
'Sim, lembro-me perfeitamente', diz a mulher sentando-se ao seu lado.
O marido continua.'Lembras-te quando ele apontou uma arma à minha cabeça dizendo: ou casas com a minha filha, ou mando-te p'ra cadeia por 20 anos'.
"Lembro, lembro" responde-lhe ela docemente.

Ele limpa mais uma lágrima e diz: '"Hoje sairia em Liberdade!!!

O Monoteísmo (última parte)




Thomas Jefferson, a propósito da Santíssima Trindade, estava certo quando afirmou: «o ridículo é a única arma que pode ser utilizada contra proposições ininteligíveis».

E mais adiante:

«Falar de existências imateriais é o mesmo que falar de nadas. Dizer que a alma humana, os anjos e deus são imateriais é o mesmo que dizer que eles são nadas ou então que não existe deus, nem anjos, nem alma. Não consigo pensar de outra maneira…sem mergulhar no imenso abismo dos sonhos e espectros. Bastam-me, e já me ocupam o suficiente, as coisas que são, para me atormentar ou preocupar com as que podem de facto ser, mas das quais não tenho provas.»

James Madison, 4º Presidente dos EUA, de 1809 a 1817, desabafava com veemência:

«Durante quase 15 séculos, a autoridade oficial do Cristianismo foi posta à prova. Quais foram os resultados? Por toda a parte, e em maior ou menor grau, orgulho e indolência no clero, ignorância e servilismo nos leigos; e nuns e noutros, superstição, preconceito e perseguição.»

Para Benjamin Franklin
«os faróis são mais úteis que as Igrejas».

No trecho de uma carta para Jefferson, John Adams, (1º Vice-Presidente dos E.U.A e o seu 2º Presidente) escreveu:

«Quase estremeço quando penso em aludir ao mais fatal exemplo de causas de padecimento que a história da humanidade preservou – a Cruz. Veja-se as calamidades que essa máquina de padecimento causou».

Histórias



de Hodja


Um homem analfabeto recebe uma carta e pede ao Hodja para lhe ler. Hodja faz o seu melhor para compreender a carta mas não consegue. A carta, provavelmente foi escrita em árabe ou persa. “Eu não consigo lê-la”, confessa. Peça a outra pessoa para a ler”.

O homem fica zangado: - “É suposto o senhor ser um homem culto, um professor. Devia ter vergonha do turbante que usa”.

Hodja tira o seu turbante, coloca-o sobre a cabeça do homem e diz: “Se achas que o turbante sabe tudo, vê lá, vê lá se agora és capaz de ler a carta!”.

TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE

GUERRA

Episódio Nº 259




Dos três sócios da novel empresa destinada a acolher, proteger e alegrar os heróicos defensores da civilização ocidental na rápida escala no porto da Bahia, defendendo-lhes a saúde, aumentando-lhes a potência e possibilitando-lhes o sonho, o detective Coca era de longe o menos analfabeto e o mais tolo.

Sentou-se na cadeira de braços ao lado da escrivaninha e foi contando tudo ao cafetão sem sequer exigir a retirada de Amadeu Mestre Jegue, testemunha do diálogo. Camelos seriam espalhados por toda a extensão da zona a vender aos marinheiros camisas de Vénus e pequenos vidros de um elixir afrodisíaco fabricado por Heron Madruga, um conhecido de Peixe Cação.

Por aquela parte do empreendimento não precisava da cooperação de Vavá e, sim, para a outra, muito mais lucrativa: enquanto nas ruas os preservativos seriam mercados publicamente, gente de confiança, do metiê, na descrição dos prostíbulos, fornecia aos intrépidos hóspedes, a preço razoável, cigarros da melhor maconha nacional.

- Quer vender maconha, aqui, em minha casa?

Não só isso, eu chapa. Responsável pela importante quantidade de erva já encomendada, devendo recebê-la no dia seguinte à noitinha, Dalmo busca lugar seguro onde guardá-la até ao momento da venda a retalho. Os navios podem chegar a qualquer dia; quando, exactamente, ninguém sabe, são os tais segredos militares.

Lugar seguro, seguríssimo, os aposentos de Vavá. Não possui ele um cofre instalado na parede? Possui, sim, desde o caso da mulata Anunciação do Crato. Se for pequeno, um baú como aquele do canto serve, é só trancá-lo à chave. Bordel imenso, com tamanho e contínuo movimento de homens e mulheres, depósito ideal. Dali poderão distribuir tranquilamente o produto entre os agentes encarregados das vendas. No meio da azáfama habitual, ninguém reparará no número de maconheiros a entrar e a sair, confundidos com os fregueses apenas interessados em dar uma pitocada, em divertir o passarinho.

- Guardar em minha casa, em meu quarto? – Os olhos de Vavá parecem querer saltar das órbitas – Tá doido! Aqui de maneira nenhuma.

Por sorte, àquela hora os reflexos do detective Garcia ainda respondem à sua vontade, as narinas não palpitam em ânsia incontrolável. Mais tarde teria sido diferente, nem mesmo a presença de Amadeu Mestre Jegue conteria a mão do elegante secreta, acostumado a calar na tapa a boca dos teimosos.

Amadeu Mestre Jegue disputara ao todo trinta lutas, nas categorias amador e profissional, perdendo vinte e seis por pontos, por muitíssimos pontos, ganhando quatro por nocaute, as únicas em que conseguira acertar o adversário no queixo ou na caixa dos peitos. Patada mortal. Sinceramente votado a Vavá, mas revidaria se Dalmo esbofeteasse o patrão na sua vista? Ousaria levantar-se contra o detective? Só Deus sabe.

Dalmo contentou-se com ameaças. Pense duas vezes antes de recusar antes de recusar a homens da delegacia especializada um pequeno favor. Não está a par da ordem de mudança? Desta vez é para valer, decisão do alto, a ser cumprida em poucos dias. Amanhã, transfere-se o mulherio da Barroquinha para a Ladeira do Bacalhau. Em seguida, o Maciel. Os Bordéus aqui localizados irão ocupar os velhos pardieiros do Pilar, apenas dois ou três se encontram em condições. Todo o meretrício vai sumir do centro para instalar-se na Cidade Baixa ao sopé da montanha. Quem estiver nas graças da polícia terá franquias e vantagens, mas ai de quem estiver na lista negra!



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INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 25 SOBRE O TEMA:


“POBRES DE ESPÍRITO” (2)


Deus Toma o Partido dos Pobres


“Felizes dos pobres” é a bem-aventurança que resume todas as outras. Jesus chamou felizes aos pobres porque lhes anunciava que Deus estava do lado deles e que, com essa convicção de que Deus não é neutral perante as suas misérias, se uniriam a outros pobres e deixariam de o ser.

Jesus não chamou "felizes” aos pobres por eles se comportarem bem, sem reclamarem das suas misérias, mas porque eles eram pobres. A boa notícia é que Deus lhes disse que os preferia a eles, não por serem bons, mas por serem pobres e, como Deus é justo, quer a justiça e portanto acabar com os pobres.

NotaUma diferente interpretação das palavras e tudo muda…

quarta-feira, novembro 16, 2011

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Incapaz de deslizar sobre a água, limita-se, meio submerso, a olhar pôr-do-sol-


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Os melhores do ano...


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Uma fotografia com a qualidade do National Geographic.


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HERMINIA SILVA - FADO DA SINA


Da mesma forma que a Amália foi a rainha da canção portuguesa, Herminia foi a grande referência do fado castiço. Fazendo parte de gente profundamente católica, "se Deus quiser...", a letra deste fado traduz uma forma de pensar que apela para a resignação e o conformismo porque o futuro está nas mãos do destino... (e nós ficamos aliviados da tarefa de o construir... ). Herminia era do povo e cantava para o povo o que lhes estava entranhado na alma de uma maneira alegre e íntima que a tornaram tão querida.

O MONOTEÍSMO – (II Parte)

O que impressiona em toda esta mitologia católica, para além de outros aspectos, é a ligeireza inconsequente com que estas pessoas vão congeminando pormenores, tudo fruto da mais descarada invenção.

O Papa João Paulo II criou mais santos do que os seus antecessores todos juntos no decorrer dos últimos séculos, tendo uma afinidade especial com a Virgem Maria.

Os seus devaneios politeístas ficaram perfeitamente vincados quando, em 1981, vítima de uma tentativa de assassínio em Roma, atribuiu à intervenção de Nossa Senhora de Fátima a circunstância de ter sobrevivido: «Uma mão materna guiou a bala».

Não podemos deixar de sentir uma certa curiosidade em saber porque não terá ela guiado a bala de forma a nem sequer o atingir.

Outros poderão pensar que a equipa de cirurgiões que o operou durante seis horas mereceria, pelo menos, uma parte dos louros mas talvez as suas mãos também tenham sido maternalmente guiadas.

O ponto relevante é que não foi só Nossa Senhora que, na opinião do Papa, guiou a bala mas, concretamente, Nossa Senhora de Fátima.

E então Nossa Senhora de Lurdes, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Medjugorge, Nossa Senhora de Akita, Nossa Senhora de Zeitun, Nossa Senhora de Garabandal e a Nossa Senhora de Knock, estariam todas elas, no momento do disparo, indisponíveis com outras incumbências?

E que dizer da Santíssima Trindade, uma espécie de um Deus em três partes, ou três em um.

E reparem no primor do raciocínio teológico com que A Enciclopédia Católica nos esclarece esta questão:

“Na unidade do Divino existem três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sendo todas verdadeiramente distintas umas das outras. Assim sendo, e nas palavras do credo atanasiano: o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, e no entanto, não existem três Deuses, mas sim um Deus.”

Mas, como se isto não fosse suficientemente “claro” a mesma Enciclopédia cita ainda São Gregório, O Traumaturgo, teólogo do século III:

“Nada existe, portanto, na Trindade que seja criado, nada que seja sujeito a outrem; nem existe nada que tenha sido acrescentado como se não tivesse existido anteriormente, mas antes tivesse sido introduzido mais tarde; por isso, o Pai nunca foi sem o Filho, nem o Filho sem o Espírito Santo; e esta mesma Santíssima Trindade é imutável e para sempre inalterável."

Não sabemos que milagres valeram a São Gregório o cognome mas, entre eles, não estava com certeza, a pura lucidez.

As palavras de São Gregório carregam aquele travo caracteristicamente obscurantista da teologia.



(continua)

NATAL 2011


Este Natal estamos de Tanga (ou este Natal é uma Tanga)

É oficial, este ano não há presépio:

A vaca está louca e não se segura nas patas;

Os Reis Magos não podem vir porque os camelos estão no governo;

A Nossa Senhora e o São José foram meter os papéis para o rendimento mínimo;

A ASAE fechou o estábulo por falta de condições e,

O Tribunal de Menores ordenou a entrega do Menino ao pai biológico...

... Sobrou o burro que passou a dormir ao relento.



TEREZA
BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA



Episódio Nº 258




Fartos de saber da existência das pequenas, os celerados puseram banca de indignados pais de família diante da turma da justiça. Ao demais, conforme Vavá tirou a limpo, a Delegacia fora informada previamente da diligência programada pelo magistrado.

Não azeitava as mãos dos secretas a dois por três? Que custava um aviso? Vavá, dê sumiço nas menores que vem aí cara dura. Uma dificuldade para reabrir o bordel. Não mantivesse relações com influentes personagens do Fórum (alguns deles doidos por garotinhas verdes), não fosse Exu todo poderoso, teria acabado sem o negócio e batido com os costados na cadeia, com processo e pena a cumprir.

De outra feita, a pretexto de denúncia falsa, inventada pela própria polícia, drogas estariam sendo vendidas no prostíbulo, rebentaram-lhe a casa toda, fecharam o estabelecimento por mais de uma semana, deram-lhe voz de prisão e o mantiveram detido um dia e uma noite, longe dos seus cómodos. Sair daquela armadilha custara-lhe as economias de cinco anos, guardadas tostão a tostão para compra à vista de um prédio fronteiro, objecto de inventário litigioso.

No entanto, Exu lhe havia prevenido com tempo e insistência contra o tal Altamirando, tira e drogado, hoje felizmente sob sete palmos de terra, com Tiriri não se brinca.

Maldade da polícia, traição de mulheres. Vavá não se apaixona facilmente, mas, quando acontece é de sopetão e ele perde a cabeça, vira criança. Primeiro namora, meloso romance, depois instala a escolhida no quarto, no primeiro andar, retirando-a do trabalho, enchendo-a de presentes e regalias.

Quantas o haviam roubado? Quase todas, corja ruim quengas sem coração. Dormiam com ele já na intenção de afanar o máximo.

Por uma quase se desgraça: Anunciação do Crato, bronzeada, enxuta de carnes, altaneira, riso na boca, ao gosto de Vavá.

Parecendo a bondade em pessoa, um dia, estando ele na cama incapaz de se levantar sem ajuda, anunciara-lhe o embarque de volta ao sertão naquela mesma manhã, daí a pouco, o tempo apenas de recolher o dinheiro guardado na escrivaninha, a féria inteira do dia anterior. Rio-lhe na cara, debochada: de nada adiantaria ele gritar naquela hora matinal quando o bordel dormia, inclusive Mestre Jegue. Do leito, Vavá a viu fuçando na escrivaninha.

Onde encontrou forças e maneira de deslizar cama abaixo e arrastar-se no chão? Como lhe foi possível alcança-la segurá-la no tornozelo com a garra terrível?

Quando Mestre Jegue acudiu, ele a tinha derrubado e apertava-lhe o pescoço. Por milagre não a matou. Quem lhe deu forças?

Ora que pergunta? Não está Exu assentado no peji ante o prato e o copo?

- Quero-lhe falar em particular – Declarou Dalmo Garcia.

Para tomar-lhe dinheiro, pensa Vavá. O detective não consta da sua agência de pagamentos, pois actua no sector de drogas e de drogados Vavá quer distância. Viciado no pó, tratam-no por Dalmo Coca; tudo quanto se passa na zona chega aos ouvidos de Vavá.


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INFORMAÇÕES ADICIONAIS




À ENTREVISTA Nº 25 SOBRE O TEMA :


“POBRES DE ESPÍRITO” (1)

As Bem-aventuranças não são nem lista de preceitos morais nem lista de consolos para o futuro.



O Monte das Bem-aventuranças é uma colina a alguns quilómetros de Cafarnaum. No topo há uma igreja octogonal, em memória das oito bem-aventuranças enumeradas no Evangelho de Mateus, pegando numa das mensagens mais populares e famosas de Jesus de Nazaré, uma das que melhor condensa a essência de sua teologia.

Por vezes, se interpretam as "bem-aventuranças", como uma lista de regras de conduta: "deve-se" ser pobre… "deve-se" ser misericordioso… Esta interpretação moralizante falseia o conteúdo desta "boa nova" que visa os pobres, os perdedores, os sem poder.

As bem-aventuranças não são normas morais e muito menos formas de consolo para aqueles homens e mulheres que estão fazendo o mal neste mundo para dizer-lhes que, por sua vez, em troca do bem que fizerem serão recompensados no “além”.

terça-feira, novembro 15, 2011

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Como é que meteram lá o automóvel que está a espreitar por entre portas?...


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VÍDEO


Uma barrigada de riso...

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AUREA- OKAY ALRIGHT

A nossa alentejana, perdão, a nossa cantora "soul". Tal como o ouro, tinha que aparecer no alentejo e logo carregado de quilates...




O Monoteísmo 1ª - Parte


Um deus tirano, feroz e ciumento de quaisquer outros deuses, impôs-se a um povo que há 3.500 anos vivia no deserto e iniciou o Monoteísmo.

Esse deus chamava-se Jeová e o povo era o Judeu.

Gore Vidal, romancista e ensaísta norte-americano que viveu muitos anos em Itália, com vários livros traduzidos em português, escreveu a propósito do Monoteísmo:

«O grande mal indizível no centro da nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze conhecido como Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas – O Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.


Trata-se de religiões de um deus do céu. São literalmente patriarcais – Deus é o Pai Todo-Poderoso – daí o desprezo pelas mulheres desde há 2.000 anos nos países atormentados por esse deus do céu e pelos seus representantes masculinos na terra.»

A mais velha das três religiões abraâmicas, e nítido antepassado das outras duas, é o Judaísmo: originariamente era o culto tribal de um único Deus ferozmente antipático, doentiamente obcecado por restrições sexuais, pelo cheiro de carne queimada, pela sua própria superioridade em relação aos deuses rivais e pela exclusividade da tribo do deserto que elegeu como sua.

Durante a ocupação romana da Palestina, o Cristianismo foi fundado por Paulo de Tarso enquanto facção do Judaísmo menos implacavelmente monoteísta e também menos fechada que, levantando os olhos do meio dos Judeus os erguia para o resto do mundo.

Vários séculos mais tarde, Maomé e os seus seguidores regressaram ao monoteísmo intransigente da versão originária judaica, embora sem a sua vertente exclusivista.

Fundaram assim o Islamismo com base num novo livro sagrado, o Corão ou Quran ao qual acrescentaram uma poderosa ideologia de conquista militar para a propagação da fé.

Também o Cristianismo se propagou por meio da espada, brandida primeiro pelas mãos dos romanos – depois do Imperador Constantino o ter promovido de culto excêntrico a religião oficial – e posteriormente pelos cruzados e mais tarde os conquistadores espanhóis e outros invasores e colonos europeus com o respectivo acompanhamento missionário.

Não é clara a razão pela qual o Monoteísmo deve ser visto como um progresso óbvio relativamente ao Politeísmo no sentido do seu aperfeiçoamento.

Ibn Warraq, ateu muçulmano, autor de “Why I am Not a Muslim” e “The Origin of the Koran” conjecturava com certa graça que o Monoteísmo está, por sua vez, condenado a subtrair mais um deus e a tornar-se ateísmo.

Especialmente no ramo católico romano do Cristianismo o namoro com o politeísmo é evidente.

À Santíssima Trindade junta-se Maria, «Rainha dos Céus» deusa em tudo menos no nome e seguramente logo atrás de Deus enquanto destinatária de orações.

A seguir vem um autêntico exército de santos cujo poder intercessor os torna, senão semideuses, pelo menos dignos de serem abordados dentro da área da especialização de cada um.

O Fórum da Comunidade Católica oferece solicitamente uma lista de 5.120 santos mais as respectivas áreas de competência, que incluem dores de barriga, vítimas de maus tratos, anorexia, traficantes de armas, ferreiros, ossos partidos, técnicos de bombas e desarranjos intestinais, etc, etc.

Todos estes santos, por sua vez, estão distribuídos por nove ordens: Serafins; Querubins; Tronos; Dominações; Virtudes; Potestades; Principados; Anjos (o mais conhecido dos quais é o nosso “anjo da guarda”) e, finalmente, os Arcanjos que são os comandantes de todos os outros.
(continua)

Pós-Morte...





Quando o marido finalmente morreu, a esposa colocou no jornal o anúncio da morte, acrescentando que ele havia morrido de gonorréia.

Logo que o jornal foi distribuído, um amigo da família telefonou e protestou veementemente:
- Você sabe muito bem que ele morreu de diarréia, e não de gonorréia!

A viúva respondeu:
- Eu cuidei dele noite e dia, portanto é lógico que eu sei que ele morreu de diarréia, mas eu achei que seria melhor que se lembrassem dele como um grande amante, ao invés do grande merda que ele sempre foi.

ENTREVISTA FICCIONADA


COM JESUS Nº 25 SOBRE O TEMA:


“POBRES DE ESPÍRITO”





RAQUEL - A nossa unidade móvel encontra-se hoje no Monte das Bem-aventuranças, a poucos quilómetros de Cafarnaum. E connosco, Jesus Cristo, que nos dá uma nova entrevista. Como se sente o senhor aqui, onde fez um de seus discursos mais memoráveis?

JESUS - Muito emocionado, na verdade.

RAQUEL - Segundo os investigadores, nesta montanha, o senhor falou sobre a lei e os profetas, para nos colocar nas mãos da Providência, da eficácia da oração, a regra de ouro ...

JESUS - Não sei se falei de tantas coisas ... Mas lembro-me de ter dito a mensagem mais importante do Reino de Deus.

RAQUEL – Referir-se-á, sem dúvida, às bem-aventuranças, porque esta montanha, chama-se, precisamente, o Monte das Bem-aventuranças.

JESUS - Tinha chovido muito na noite anterior, eu me lembro… caiu granizo. Os agricultores perderam a safra, perderam tudo. Os proprietários não quiseram abrir os seus celeiros, os usurários, afiavam as suas garras.

RAQUEL - E nessa situação difícil, o senhor se reuniu com as pessoas e falou com elas.

JESUS - Sim, havia muita gente, as pessoas estavam desesperadas, crianças sem comida, viúvas pedindo esmolas…

RAQUEL - E foi então quando o senhor lhes prometeu o reino dos céus.

JESUS – Como que o reino dos céus?

RAQUEL - Quero dizer, o senhor lhes disse que após este vale de lágrimas entrariam para o reino dos céus, não foi assim?

JESUS - Não, eu não disse isso.

RAQUEL – O senhor disse: Bem-aventurados os pobres de espírito porque…

JESUS - Não, não, não. Eu disse aos pobres. Os pobres, pobres.

RAQUEL - Mas… num dos evangelhos, eu acho que no de Mateus, o senhor está referindo-se aos pobres em espírito…

JESUS - Bem, eu passei uma “mala” demasiado pesada ao meu amigo Mateus. Ele teve boa intenção mas interpretou errado.

RAQUEL - O senhor não se estava referindo a pessoas que têm um coração humilde?

JESUS – Eu estava me referindo aos pobres, aos famintos, aos que choram por causa do frio. Aos sem-teto, sem terra, sem trabalho. Aqueles que não tinham um pão para a boca.

RACHEL - "Tinham?... O senhor também se incluía entre os pobres?

JESUS - Sim, eu era um de muitos. Eu também tive fome. Então me disseram,"médico, cura-te a ti mesmo." Porque eu era um pobre diabo sem um tostão no saco… e falava da libertação dos pobres!

RAQUEL – A libertação no reino dos céus e na vida após a morte.

JESUS - Não, Raquel. A libertação na terra, aqui e agora.

RAQUEL - Pode explicar melhor?

JESUS - Eu falo no Reino de Deus e por aquilo que vejo, alguns compreendem o reino dos céus.

RAQUEL - E qual é a diferença? Eu não a entendo.

JESUS – É que os céus estão muito em cima e distantes. O Reino dos Céus é uma promessa para muito tarde, um consolo após a morte.

RAQUEL – E não foi isso que o senhor tanto pregou?

JESUS – Pelo contrário, Raquel. O Reino de Deus é para agora. Para hoje. Não para a vida após a morte, mas sim para esta vida.

RAQUEL - O que mais Jesus nos disse nesta montanha? O que significa o Reino de Deus?

Do Monte das Bem-aventuranças, Raquel Perez.

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE



GUERRA


Episódio Nº 257


Qual o seu nome completo e verdadeiro. Talvez ninguém o saiba em toda a zona, e no entanto, Vavá reina há cerca de trinta anos. Um repórter com veleidades literárias e conotações sociológicas, autor de uma série sobre prostituição, o designara Imperador do Mangue, mas não lhe descobrira família e procedência.

Fosse um profissional dos antigos, menos cheio de si, teria ido aos arquivos da delegacia especializada folhear o livro das ocorrências, podendo encontrar igualmente no cartório de imóveis a assinatura de Walter Amazonas de Jesus. Nome honrado e sonoro, mas com Vavá lhe basta para ser ouvido e respeitado em toda a extensão da zona e mesmo além.

Mais difícil ainda adivinhar-lhe a idade. Parece ter existido sempre, plantado ali, no Maciel, naquele sobradão, de início inquilino, posteriormente proprietário exclusivo, assim com de outros das vizinhanças; considera os imóveis excelente aplicação de capital, sobretudo se localizados na área do meretrício.

O repórter referia-se a “ruas de casas” adquiridas por Vavá. Força de expressão, sem dúvida. Se bem só o próprio cafetão conheça o número exacto, não devem passar de quatro ou cinco entre casas e sobrados. De qualquer maneira, apreciável mensal.

Sobradão de três andares, o térreo arrendado a um armazém de secos e molhados, nos de cima o imenso prostíbulo, cada quarto subdivido em dois ou mais. Poderoso e temido, Vavá administra seus bens e dirige o bordel da cadeira de rodas que ele mesmo manobra e movimenta através da sala, corredores e quartos.

Aleijado das duas pernas, atrofiado pela paralisia infantil, corcunda, a cabeça desmedida, ser informe, a vida concentrada nos olhos desconfiados e espertos e nas grandes mãos fortíssimas: quebra entre as juntas dos dedos avelãs e nozes.

Quase sempre próximo ao patrão, Amadeu Mestre Jegue, ex-jogador de boxe, mantém a ordem no estabelecimento e transporta Vavá ao último andar, na obrigatória inspecção diária.

Do meio-dia às quatro da manhã, o movimento é intenso, constante. Mulherio numeroso, freguesia ainda mais numerosa, sempre cheia a sala de espera, onde o delicado Greta Garbo serve bebidas.

Quando não se encontra na sala, atento ao movimento, Vavá permanece em amplo e confortável aposento do primeiro andar, ao mesmo tempo escritório e quarto de dormir: a cama de casal, o lavatório, a escrivaninha, o rádio, a vitrola, os discos, o peji do santo onde está sentado Exu Tiriri.

Cuida do encantado com o maior desvelo, de grande valia ele lhe tem sido. Sem a protecção de Exu, há muito Vavá tinha entrado pelo cano, cercado como vive, de inveja, cobiça e traição. Muita gente de olho em seu dinheiro.

Gente inclusive da polícia. Apesar dos pagamentos efectuados religiosamente todos os meses ao comissário Labão e a um regimento de tiras, inventam misérias para explorá-lo. Polícia não tem palavra nem compostura.

Uma vez, invadiram-lhe o sobrado em companhia de prepostos da vara de menores, exibindo ordem do juiz. Levaram-lhe nada menos que sete raparigas entre os catorze e os dezassete anos.


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segunda-feira, novembro 14, 2011

IMAGEM

Beco do Quebra-Costas na Freguesia da Sé na cidade de Lisboa.


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VÍDEO


O Buraco Errado. Esta canção representou Israel num concurso de canções da Eurovisão



video

HISTÓRIAS DE HODJA



Um dos vizinhos de Hodja morreu e quando o caixão está a sair de casa a viúva não parava de chorar e gritar:

- “Oh, eu fiquei sozinha, para onde foste tu, esposo? Para onde vais não há luz ou água, não há fogo ou lareira…”

Quando Hodja ouve estes gritos, diz à esposa:

- “Corre e fecha a porta. Eles vão trazer o caixão para a nossa casa.”


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IMAGEM


Tudo muito certo como casa de inverno... barquinho ao fundo da escadas, boas vistas para o Polo, mas... e o aquecimento Global?


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As Torradas ...



Um homem e a sua mulher reparam que o órgão reprodutor do seu filho é muito pequeno e levam-no ao médico.
O médico examina o rapaz e recomenda que lhe dêem muitas torradas.
No dia seguinte, a mulher levanta-se de manhã e faz montes de torradas.
Quando o rapaz vai tomar o pequeno-almoço, a mãe grita-lhe:
- Tira só duas! .... O resto é para o teu pai.

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA



Episódio Nº 256


18

No reino do bacharel Hélio Cotias, delegado de Jogos e Costumes, o movimento é normal. No labirinto das ruas mal iluminadas as mulheres buscam fregueses, oferecem-se, chamam, convidam, palavras indicando especialidades, um ciclo, um rogo.

Nas portas e janelas expõem a mercadoria à venda, seios e coxas, nádegas e vulvas, produtos baratos. Algumas arrumadas, o rosto pintado, a clássica bolsa, dirigem-se à Rua Chile, em cujos hotéis se hospedam habitualmente fazendeiros e comerciantes vindos do interior.

Nos botequins, os fregueses de todos os dias e os eventuais, a cerveja, o conhaque, a batida, a cachaça. Cafetões, gigolôs, alguns artistas, os últimos poetas de musa romântica.

No Flor de São Miguel, alto, loiro, de cavanhaque, o alemão Hansen desenha cenas, figuras, ambientes, enquanto palestra com as marafonas, todas suas amigas, conhece a vida de cada uma.

Nos cabarés, os conjuntos, os jazes, os pianistas, atacam as músicas de dança, os pares ocupam as pistas no fox, na rumba, no samba, na marcha. Vez por outra um tango argentino.

Entre as onze e a meia-noite exibem-se cantoras, bailarinas, contorcionistas, todas de última classe. Aplaudidas aguardam convites para o fim da noite, cobram um pouco mais caro, questão de status.

A vida fermenta no passar das horas, a freguesia cresce entre as nove e as onze, quando volta a diminuir. Velhos e moços, homens maduros, pobres e remediados, um ou outro rico vicioso (os ricos regra geral, utilizam os castelos confortáveis e discretos, quase sempre na viração da tarde), operários, soldados, balconistas, estudantes, gente de toda as profissões e os profissionais da boémia envelhecendo nas mesas dos botequins baratos, dos melancólicos cabarés, no xodó das raparigas. Noite ruidosa, trepidante, cansativa, por vezes marcada de ânsia e de paixão.

Na hora de maior animação, algumas granfinas curiosas, em companhia dos maridos e amantes, cruzam as ruas da zona excitando-se com o movimentado espectáculo da prostituição, as mulheres semi-nuas, os homens penetrando nos bordéis, os palavrões insultuosos. Ah! Que delícia seria fazer amor, em cama de puta. Um frio na espinha.

Na altura da passagem do automóvel do doutor delegado, nos desvãos desse vasto reino, movem-se algumas figuras apressadas de homens e mulheres. Tereza Batista e o detective Dalmo Garcia, vindos de pontos diversos atingem ao mesmo tempo a porta do imenso castelo de Vavá.

Ao transpor o batente em direcção à escada, o policial se detém a olhar a mulher: é a sambista do Flor de Lótus, um pedaço de morena. Passou a fazer vida por conta de Vavá?

Reservadíssima, metida a besta, segundo o colega Peixe Cação, está agora dando sopa no maior bordel da Bahia? Que sucedera? Um desses dias, com calma, o detective Dalmo Coca tirará a limpo as afirmações de Cação Papa-Filha, hoje não dispõe de tempo. Assunto importante o traz à presença de Vavá. Avança para a escada, Tereza espera na rua alguns minutos.


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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 24 SOBRE O TEMA

“DISCÍPULA AMADA” (5ª e última)



Uma Hipótese Valiosa




Todas as hipóteses literárias e teológicas ("A Última Tentação", do grego Nikos Kazantzakis, "O Código Da Vinci" de Dan Brown, o mais conhecido), que tanto destacam o papel de Maria Madalena na vida de Jesus, são de grande valor.


Embora nunca possamos provar se Maria Madalena era a esposa de Jesus, muito menos se dessa união houve filhos ou filhas, assumimos essa hipótese e a consideramos, porque nos coloca uma grande pista para desafiar e rejeitar a misoginia das igrejas cristãs tradicionais, especialmente a Igreja Católica. Também nos leva a uma reflexão fundamental:


- O que mudaria na mensagem de Jesus, o que se alteraria na idéia revolucionária que Jesus proclamou, se ele tivesse sido parceiro sexual de Maria de Madalena? Mudaria alguma coisa?

domingo, novembro 13, 2011

HOJE É


DOMINGO






E porque hoje é Domingo nada melhor que oferecer-vos um texto do grande escritor António Lobo Antunes (com supressões) sobre a Velhice.

Entre nós separa-nos a genialidade da sua escrita e liga-nos a idade, as raízes da nossa cultura, a experiência da guerra em Angola e especialmente os hábitos da nossa infância: o espelho redondo que tinha numa das faces a fotografia da Yvonne de Carlo em fato de banho, o canivete, que no meu caso era uma pequena navalha igual à que era usada pelos homens da aldeia dos meus avós, na Beira-Baixa, onde passava todas as minhas férias. Não era, como ele, do Benfica, mas sabia igualmente de cor os nomes dos seus jogadores ... Ah, e também usava uma fisga como objecto pessoal. Tenho ainda presente, como se fosse ontem, o único passarinho que matei com ela… espalmei-lhe a cabeça. Como me senti orgulhoso com o troféu e a minha pontaria, um Robin Hood! Todos os restantes passarinhos a que apontei conseguiram fugir incólumes. Finalmente, e tal como ele, também me continuo a sentir um menino cujo envelope se gastou…


A VELHICE
(Por António Lobo Antunes)

"Devo estar a ficar velho: as Paulas Cristinas têm mais de 20 anos, os Brunos Miguéis já vão nos 15, as Kátias e as Sónias deram lugar a Martas, Catarinas, Marianas. A maior parte dos polícias são mais velhos do que eu. Comecei a gostar de sopa de Nabiças. A apetecer-me voltar mais cedo para casa. A observar, no espelho matinal, desabamentos, rugas imprevistas, a boca entre parêntesis cada vez mais fundos. A ver os meus retratos de criança como se fosse um estranho. A deixar de me preocupar com o futebol, eu que sabia de cor os nomes de todos os jogadores do Benfica (…). A desinteressar-me dos gelados do Santini que o Dinis Machado, de cigarrilha nas gengivas achava peitorais.

Se calhar, daqui a pouco, uso um sapato num pé e uma pantufa de xadrez no outro e vou, de bengala, contar os pombos do Príncipe Real que circulam, de mãos atrás das costas como os chefes de repartição, em torno do cedro. Ou jogar sueca, com colegas de boina, na Alameda Afonso Henriques de manilha suspensa no ar, numa atitude de Estátua de Liberdade. (…). Quando der por mim, encontro o meu sorriso na mesinha de cabeceira, a troçar-me, num copo de água, com 32 dentes de plástico. Reconhecerei o meu lugar à mesa pelos frasquinhos dos medicamentos sobre a toalha, que me farão lembrar as bandeiras que os exploradores antigos, vestidos de urso como os automobilistas dos tempos heróicos, cravavam nos gelos polares. (…)

Devo estar a ficar velho. E no entanto, sem que me dê conta, ainda me acontece apalpar a algibeira à procura da fisga. Ainda gostava de ter um canivete de madrepérola com sete lâminas, saca-rolhas, tesoura, abre-latas e chave de parafusos. Ainda queria que o meu pai me comprasse na feira de Nelas, um espelhinho com a fotografia da Yvonne de Carlo, em fato de banho, do outro lado. Ainda tenho vontade de escrever o meu nome depois de embaciar o vidro com o hálito. (…).

Pensando bem (e digo isto ao espelho), não sou um senhor de idade que conservou o coração de menino. Sou um menino cujo envelope se gastou."


Obrigado por este texto, António Lobo Antunes.


(click na imagem do antigo quartel dos Bombeiros no centro da cidade de Santarém, hoje emparedado. Acredito que já não fosse funcional, o espaço interior seria apertado mas este painél de azulejos identificativo conferia-lhe toda a dignidade...)

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