sábado, agosto 27, 2011

Vídeo


Laurris (Larry) V. Griswold (1905 - 1996). Conhecido como "O Louco do Mergulho". Foi um ginasta americano e artista que esteve envolvido no desenvolvimento inicial do trampolim. Griswold, criou um número de acrobacias e palhaçadas actuando profissionalmente durante anos. Fingia de bêbado e desordenado que tentava pular de um trampolim para efectuar um grande mergulho. Um acto hilariante e ao mesmo tempo arrepiante. Aqui, uma das suas apresentações no "Frank Sinatra Show" em Novembro de 1951. É pois um documento histórico já um pouco mal tratado pela idade.


video

Um menino pergunta ao pai:

- Pai, o que é que está entre as pernas da Mãe?

- O paraíso, meu filho, o paraíso ...

O garoto pergunta novamente:

- E o que é que está entre as tuas pernas?

- A chave para o paraíso, meu filho.

- Pai, um conselho... muda a fechadura!


O nosso vizinho tem uma cópia

TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA






Episódio Nº 190


18


Nunca sentiste, Tereza, o golpe do rebenque, a dureza extrema, a inflexibilidade? Não tocaste o outro lado, a lâmina de aço?

Antes desta noite em que velamos o corpo do eminente cidadão Emiliano Guedes em casa própria, não foste, Tereza, penetrada pela morte, nunca antes a tiveste instalada dentro de ti, presença física, real, dilacerante garra de fogo e gelo em teu ventre roto, por acaso não, Tereza?

Sim, aconteceu, mestre João; foi pela mão da morte que ela transpôs as fronteiras da compreensão e da ternura. Não só no calendário da rosa viveu Tereza Batista com o doutor, houve uma ocasião ao menos de tristeza e luto, de funeral, a morte sendo cometida dentro dela, em suas entranhas acontecendo, jornada amarga. Pensara-se morta também mas renascera para o amor no trato do amante; carinho, delicadeza, devotamente, foram milagrosa medicina. Morte e vida, rebenque e rosa.

Da boca leal e grata de Tereza não ouvirás a história, mestre João; nos dedos do morto ela só deposita a rosa, em despedida. Mas, queira ou não, a memória recorda, traz e estende junto ao cadáver do doutor o daquele que não teve velório nem enterro, não chegando a ser, cuja vida se extinguira antes do nascimento, sonho desfeito em sangue, o filho. Agora são dois cadáveres sobre o leito, duas ausências, duas mortes, ambas aconteceram dentro dela. Contando com Tereza, são três os mortos, ela hoje morreu pela segunda vez.

19

Quando as regras faltaram dois meses consecutivos, sendo Tereza de menstruação exacta, vinte e oito dias contados entre os períodos, acontecendo igualmente outros sintomas, ela sentiu o coração parar: estava grávida! A sensação inicial foi de êxtase: ah, não era estéril e ia ter um filho, um filho seu e do doutor, infinita alegria!

Na roça do capitão, dona Brígida não lhe permitia ocupar-se da neta, nem cuidar quanto mais brincar com a criança, vendo em Tereza inimiga a tecer tramas e astúcias para se apossar dos direitos de herança da filha de Dóris, a quem deviam tocar com exclusividade os bens de Justiniano Duarte da Rosa, quando baixasse dos céus o anjo da vingança com a espada de fogo. A convite de Marcos Lemos, certa tarde de Domingo, Tereza saíra da pensão de Gabi, na Cuia Dágua, para vir à matiné do cinema, no centro de Cajazeiras do Norte.

Ao atravessar a praça da Matriz, enxergara dona Brígida com a criança na porta da casa própria, casa comprada pelo doutor Ubaldo, hipotecada, quase perdida, recuperada por fim; avó e neta nos trinques e na satisfação, nem pareciam a velha maluca, de juízo mole, e a andrajosa menina – bem se diz não haver para certos males remédio comparável ao dinheiro. Na roça, dona Brígida proibira Tereza de tocar a criança e na boneca, presente da madrinha, dona Beatriz, mãe de Daniel.

Engraçado: no breve prazo de Dan, ao despertar para o prazer, apaixonada e cega, não pensara em conceber um filho do rapaz e quando o pior aconteceu, somou-se a seu tormento o medo de estar grávida de Dan, um pesadelo. Mas a pancadaria de tão grande lhe antecipara as regras, ao menos isso as surras tiveram serventia. Naquele mundo cruel, beco estreito, sem saída, depois de muito reflectir no assunto, Tereza concluíra pela impossibilidade de ter filhos, julgando-se estéril, incapaz de procriar, atribuindo o facto à maneira violenta como fora deflorada.
(clik na imagem)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS


12ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:

“MARIA VIRGEM?” (3º e último)




A Virgindade de Maria


À medida que os dogmas cristológicos foram endeusando Jesus, a tendência teológica foi para o revestir, desde as suas origens, de circunstâncias maravilhosas e extraordinárias. Inicialmente, a doutrina referia-se apenas à sua concepção virginal no ventre de Maria. Depois, também durante o parto de Maria teria sido preservada a sua virgindade e depois do nascimento de Jesus nunca teria tido novas relações sexuais.

Alguns Padres da Igreja quiseram ir ainda mais longe e propuseram também que Maria tinha sido concebida no ventre virginal de sua mãe. Maria tão pouco teria nascido de relações humanas normais de seus pais, chamados, segundo a tradição, Joaquim e Ana. Outros padres da Igreja queriam ainda mais virgindades e indagaram a possibilidade teológica de nascimentos virgens, na cadeia de quarta geração antes Jesus. Tudo isto para "garantir" a sua divindade, com base na ideia de que o corpo e a sexualidade não são divinos nem sagrados.


Ivone Gebara


Ivone Gebara é uma teóloga brasileira de renome, religiosa e filósofa. Desde os anos 70 surgiu como um intelectual comprometida com os pobres e desde os anos 80 começou um novo caminho quando uma pobre mulher lhe fez ver que ela "falou como um homem". Desde então, é uma voz activa e lúcida feminista da realidade humana e divina das mulheres e denuncia o discurso cristão como "essencialmente antropocêntrico, androcêntrico, (referente a homem) branco e ocidental.” Ela acredita que existe "um mistério maior, quer se chame Deus ou não." E ela pensa que todos as crenças religiosas cristãs devem reflectir dentro de si próprias e reformularem-se para poderem dizer algo aos homens e, especialmente, às mulheres de hoje.

“Eu aposto – diz ela - num espírito crítico. A nossa igreja é muitas vezes escrava dos seus dogmas, regras, leis e princípios, e espartilhada mostrando-se incapaz de responder a novas perguntas das pessoas.” Por isso, Ivone participa no nosso programa, respondendo o que ela, juntamente com numerosos exegetas bíblicos e teólogos, conhecem e afirmam sobre o sentido da virgindade de Maria.

sexta-feira, agosto 26, 2011

NELSON NED

E agora que já sabemos alguma coisa do artista e do homem despedimo-nos dele com o seu tema favorito, "Sentimental", e votos para que não se confirmem certas informações. De qualquer maneira o seu legado ninguém nos tira: Os homens e as mulheres vão mas as suas obras ficam para deliciarem as gerações que lhes seguem. Toda a pessoa que sinta vibrar dentro de si uma corda, uma que seja, de romantismo terá que estar grata a Nelson Ned.


O OUVIDO MASCULINO





É verdade que as mulheres falam demais.
Perante tal problema, o Criador tornou o ouvido masculino selectivo e das coisas mais maravilhosas que produziu.

Vejamos o seguinte exemplo:

Quando a mulher diz:

- "Esta casa está numa desordem, Amor! Tu e eu precisamos de limpar isto. As tuas coisas estão espalhadas no chão. Ainda ficas sem roupas para usar se não as lavares agora!"

O homem só ouve:

bla, bla, bla, bla,
Amor
Tu e eu, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla,
no chão
bla, bla, bla, bla, sem roupas bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla,
agora!


Portanto, é errado julgar que o homem não ouve o que a mulher diz.
O que acontece é que o homem só ouve aquilo que é verdadeiramente importante.

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA





Episódio Nº 189



- Era quase verdade.

- Em certas coisas, Tereza, você é igualzinha a ele, olho para você e vejo Emiliano. Na convivência foi ficando parecida: a lealdade, o orgulho, sei lá o quê…

Ficou um instante calado, logo prosseguiu:

- Eu quis vir vê-lo agora, me despedir enquanto ele está em sua companhia, não quero estar presente quando chegar a gente dele. Por sua causa, Tereza, ele veio para Estância, para junto de nós, e nos deu um pouco do seu tempo tão ocupado e nos transmitiu seu amor à vida. Quando ele chegou eu já estava entregue à velhice, à espera da morte, ele me levantou de novo. Quero me despedir dele a seu lado, os outros não conheço e não quero conhecer.

Novamente o silêncio, o morto de olhos abertos. Mestre João continuou:

- Nunca tive irmãos, Tereza, mas Emiliano foi para mim mais do que um irmão. Só não perdi tudo que meu pai deixou porque ele se ocupou dos meus negócios. Mesmo assim nunca abriu a boca para uma confidência. Ainda agora eu estava dizendo a Amarílio: o orgulho e a generosidade, o rebenque, a rosa. Vim para ver Emiliano e para lhe ver, Tereza. Posso lhe ser útil em alguma coisa?

- Muito obrigado seu João. Nunca vou esquecer o senhor e o doutor Amarílio, nesses tempos que vivi aqui tive até amigos, até isso ele me deu.

- Vai permanecer em Estância, Tereza?

- Sem o doutor, seu João? Não poderia.

Sorvem o último gole do café, calados. João Nascimento Filho a pensar no futuro de Tereza, pobre Tereza, dizem ter ela ter amargado um mau pedaço antes de vir com Emiliano, ter levado vida de cão. O médico, aflito, à espera do padre para receber os parentes, a esta hora na estrada em desenfreada corrida para Estância, a filha, o genro, o irmão, a cunhada e os aderentes.

Doutor Amarílio teme o encontro da família com a amásia, problemas delicados, não sabe o médico resolvê-los. Mal conhece alguns dos parentes do doutor Emiliano. Quem os conhece bem é o padre Vinícius, já esteve na usina várias vezes celebrando missa… Cadê o padre, porque tarda tanto?

João Nascimento Filho fita o amigo demoradamente, comovido, sem esconder as lágrimas e o temor da morte:

- Nunca pensei que ele fosse antes de mim, não vai demorar a minha vez… Tereza, minha filha, eu vou embora antes que essa gente chegue. Se um dia precisar de mim…

Abraça Tereza, toca-lhe de leve a testa com os lábios, muito mais velho agora do que ao chegar para ver o amigo morto e dele despedir-se. Até breve, Emiliano. (clik na imagem)

HISTÓRIAS

DE HODJA



Um dia, Hodja, brandindo um pau, persegue a mulher na rua, gritando:

- “Não me agarrem, Deixem-me matá-la!”

As pessoas ouvem os gritos e correm para parar a luta. Os homens levam Hodja para uma casa e as mulheres levam a esposa para outra.

Na casa para onde levaram o Hodja estavam a celebrar um casamento e quando ofereceram a bandeja com o bolo (baklava), Hodja engole logo uma série de pedaços e, em seguida diz:

- “Se tivesse conseguido agarrá-la, eu dava-lhe…” vira-se para a bandeja e come mais pedaços de bolo.

As pessoas no casamento estão espantadas: “Hodja, mas tu nunca fizeste nada de parecido. O que te deu, qual foi o motivo da briga?”

Enquanto come mais pedaços enormes de bolo, Hodja explica:

- “A minha esposa e eu começamos a conversar sobre a razão pela qual não tínhamos sido convidados para este casamento e a nossa conversa ficou cada vez mais azeda o suficiente para desencadear esta luta.”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À 12ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:




“MARIA VIRGEM?” (2)



Homens Excepcionais


Nas religiões antigas com as quais o cristianismo teve de competir nos primeiros séculos, também elas estavam cheias de homens excepcionais, extraordinários, que nasciam igualmente de “virgens”. Era uma forma de mostrar o quão maravilhoso e especial era o destino desses homens e poserosa a sua mensagem.

Attis nasceu da Virgem Nana. Buda, da Virgem Maya. Krishna da Virgem Devaki, Horus da Virgem Isis. Mitra e Zoroastro também nasceram de mães virgens, tal como o deus da cultura mexicana, Huitzilopochtli nasceu de uma virgem.


Virgindade na Bíblia


Para a cultura hebraica, a fertilidade era um valor precioso e virgindade - que supunha esterilidade era uma calamidade - (Eclesiástico 42,10). Por isso, para além da tradução intencional da palavra hebraica "almah" por "virgem", em vez de "jovem", o significado da profecia de Isaías (7,14) e relato de Lucas (1,26 - 38) há que entendê-lo numa concepção espiritual-literária-simbólica e não no plano material-ginecológico, pressupondo que a virgindade é um estado mais elevado, mais perfeito e sagrado.

quinta-feira, agosto 25, 2011

O PAÍS DOS RATOS

Esta história foi inicialmente contada por Clarence Gillis (político social-democrata canadiano 1895/1960) e mais tarde popularizada num discurso por Tommy Douglas, outro político canadiano. A fábula expressa a visão de que o sistema político canadiano estava viciado pois oferecia aos eleitores um falso dilema: a escolha de dois partidos dos quais nenhum representava os interesses do povo. Nesta história, os ratos (povo canadiano) votavam nos Gatos Negros (Partido Progressista Conservador) e como a vida ficava difícil votavam a seguir nos Gatos Brancos (Partido Liberal) e assim alternavam entre os dois partidos até que um dos ratos teve a idéia de que eles, ratos, deviam formar o seu próprio governo... ( a ascensão de Lula ao poder assemelha-se à concretização da idéia do rato que o levou à prisão). Cada um pode adaptar esta história aos "gatos brancos e pretos" e aos "ratos" que quiser mas o mais importante são as medias que uns e outros tomam quando no poder... servindo ou não os interesses do povo.


TEREZA



BATISTA



CANSADA



DE



GUERRA


Episódio Nº 188


- Bia se agarrou ao telefone até conseguir Aracaju, foi de grande ajuda. Quando descobrimos onde a família estava chegou a dar um viva.

A princípio não se escutava nada por causa da música do baile, a sorte é que o telefone do Iate fica no bar e Cristóvão estava lá bebendo uísque.

Quando dei a notícia, acho que perdeu a voz porque largou o fone e me deixou gritando até que veio um outro cara e foi chamar o genro. Ele disse que iam sair para aqui imediatamente…

Com o médico chega João Nascimento Filho, triste, comovido, amedrontado:

- Ai Tereza que desgraça! Emiliano era mais moço do que eu, três anos mais moço, ainda não completara os sessenta e cinco. Nunca pensei que se fosse antes de mim. Tão forte, não me lembro de tê-lo visto queixar-se de doença.

Tereza os deixa no quarto, sai para providenciar café. Hierática, lacrimosa, Nina parece inconsolável sobrinha ou prima, enlutada parenta. Lula dorme sentado junto à mesa da copa, a cabeça sobre os braços. Tereza vai ela própria passar o café.

Na cama de lençóis limpos, vestido como se devesse presidir reunião dos directores do Banco Interestadual da Bahia e Sergipe, jaz doutor Emiliano Guedes, os olhos claros bem abertos, ainda curioso acerca da vida e das pessoas, querendo tudo ver e acompanhar no começo do longo velório de seu corpo, em casa de amásia onde morrera estrebuchando em gozo. João Nascimento Filho, as pálpebras molhadas, volta-se para o médico:

- Nem parece morto, meu pobre Emiliano. De olhos abertos para melhor comandar a todos nós, como sempre comandou desde a Faculdade. A rosa na mão, só falta o rebenque. Duro e generoso, o melhor amigo, o pior inimigo, Emiliano Guedes, o senhor das Cajazeiras…

- Os desgostos o mataram… – O médico repete o diagnóstico – nunca se abriu comigo, mas as notícias circulam, fica-se sabendo mesmo sem perguntar. Tão seu amigo, nunca lhe disse nada, João? Nem anteontem? Sobre o filho, sobre o genro?

Emiliano não era homem de andar contando a vida nem mesmo aos amigos mais íntimos. Nuca ouvi da sua boca senão elogios à família, todos bons, todos perfeitos, a família imperial. Era orgulhoso demais para contar a alguém, fosse a quem fosse, qualquer coisa desabonadora de sua gente. Sei que tinha um fraco pela filha; quando ela era mocinha, toda a vez que ele aparecia por aqui falava sobre ela o tempo todo, a beleza, a inteligência, a contar gracinhas. Depois que ela se casou, não falou mais…

- Falar do quê? Falar dos chifres que ela põe ao marido?

Aparecida saiu ao pai, tem o sangue quente é sensual, fogosa, dizem que está devastando os lares de Aracajú. Ela por um lado, o marido pelo outro, que ele não faz por menos, cada um levando a vida como quer…

- São os tempos modernos e os casamentos amalucados… – conclui João Nascimento Filho: - Pobre Emiliano, doido pela família, pelos filhos, pelos irmãos, pelos sobrinhos, ajudando até o último parente. Aí está, parece vivo, só lhe falta o rebenque na mão…

Tereza de volta, a bandeja com as xícaras de café:

- O rebenque, e por quê, seu João?

- Porque Emiliano usava ao mesmo tempo a rosa e o rebenque, rebenque de prata.

- Não comigo, seu João, não aqui.

HISTÓRIAS



DE HODJA




Perguntaram um dia a Hodja:

- “Num cortejo fúnebre, deve-se andar à frente do caixão, atrás, à esquerda ou à direita?”

Responde o Hodja:

- “Podes ir em qualquer lado desde que não estejas lá dentro…”

INFORMAÇÕES ADICIONAIS



À 12ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:


“MARIA VIRGEM?”



A Virgindade: símbolo antigo e lunar

A virgindade é um símbolo ancestral que a humanidade começou a associar à deusa lua. A deusa-mãe virgem, tal como a Lua, nasce de si mesma sem necessidade de qualquer participação fora dela. É a vida e gere de si mesma e por si só, a própria vida. É luz que gere luz. Esta deusa virgem lunar é virgem porque leva dentro de si mesma a capacidade de fertilizar-se, de criar.


Este "ser virgem" não tem nada a ver com a "pureza" sexual, como a cultura cristã tem propagado ao longo dos séculos, valendo-se de dogmas, ritos e tradições.

A imagem ancestral da virgindade simbólica sobrevive em antigas tradições de todos os povos e, por ser património da espiritualidade humana, está presente também nos textos da Bíblia.

quarta-feira, agosto 24, 2011

NELSON NED - DOMINGO À TARDE

A melhor voz romântica do Brasil, o único cantor da América Latina que esgotou por 4 vezes o Carnegie Hall em Nova York, acaba por se refugiar nas drogas e na religião de certo por dificuldades de convivência com o seu corpo e a sua doença. Em Outubro de 2009 aparecem comunicados da sua morte mas ninguém assume e a imprensa nada diz. Em comentários, diz-se que ele está vivo e precisa da ajuda das pessoas comprando a sua música.

CAMIONISTAS




Este grupo de profissionais que ao volante dos seus camiões, estrada afora, tal como o sangue através das veias do nosso corpo, transportam pelas estradas do Brasil, de África, Europa, de toda a parte do mundo, os produtos sem os quais a nossa vida em sociedade seria impossível. O meu sentimento de admiração para com eles… e, enquanto guiam, agarrados ao volante, vão “filosofando” sarcásticamente sobre a sociedade e esses pensamentos eles os expôem, muitas vezes, nas traseiras das camiões, à consideração dos outros viajantes.




Frases de Camionista:

- Mamãe precisa de uma nora. (com as frases que seguem não vai ser fácil…)

- O amor eterno chega a durar seis meses.

- Marido de mulher feia acorda sempre assustado.



- Marido de mulher feia tem raiva de feriado.



- Motorista é igual a bezerro: só dorme apertado.



- Mulher bonita e dinheiro só vejo na mão dos outros.



- Mulher de beira de estrada é como circo: só tem armação.



- Mulher deixa o rico sem dinheiro e o pobre sem vergonha.



- Mulher desquitada e cana de engenho só deixam bagaço.



- Mulher e árvore só dão galho.



- Mulher é como abelha: ou dá mel ou ferroada.



- Mulher é como índio: pinta-se quando quer briga.



- Mulher é como lona de freio: só é boa encostada.



- Mulher é como música: só faz sucesso quando é nova.



- Mulher é como pizza: só é boa fora de casa!

- Mulher é como toalha; quanto mais enxuta, melhor.

- Mulher e fotografia só se revelam no escuro.

- Mulher é igual alça de caixão: quando um larga vem outro e põe a mão.

- Mulher é igual a pipoca, quando dá uns pulinhos cai logo na boca do povo.

- Se a montanha vem até ti, foge: é um desmoronamento!

- Aquele que luta contra a corrente pode morrer electrocutado!

- Não tomes a vida muito a sério…não sairás dela vivo!

- Príncipe encantado só há um e já está na cama com a Cinderela!

- O último a rir não percebeu a anedota!

TEREZA


BATISTA


CANSADA


DE


GUERRA



Episódio Nº 187



No trivial e em pratos requintados, de Sergipe, da Bahia, na moqueca de sururu das Alagoas, emérita doceira. Com ela Tereza aprendeu a medir o sal e a misturar temperos, a perceber o tempo exacto do cozimento, as regras do açúcar e do azeite, o valor do coco, da pimenta, do gengibre.

Quando a velha Eulina, sentindo a cabeça por demais pesada, o peito opresso – porcaria de vida! – largava tudo e ia embora sem dar satisfações, Tereza assumia o posto vago diante do grande fogão de lenha – quem gosta de comer do bom e do melhor sabe que não existe comida igual à feita em fogão de lenha.

- Essa velha Eulina cada vez cozinha melhor… - disse o doutor repetindo o escaldado de galinha: - galinha de parida, por ser um prato simples, é dos mais difíceis… De que ri Tereza? Me conte, vamos.

No preparo da galinha e no escaldado, a velha nem tocara, sumida num calundu sem tamanho. Os doces, sim, de caju, de jaca, de araça, eram de Eulina, gostosuras.

Ai, Tereza, como te fizeste cozinheira, quando e porquê? Aqui em vossa casa, meu senhor, e para melhor vos comprazer. Tereza na cozinha, na cama e no estudo.

O regresso de Alfredão à usina como que marcara o fim de uma época na vida de Tereza com Emiliano, a mais difícil de transpor. Silencioso e calmo, misto de jardineiro e jagunço, de vigia e de fiel amigo, no seu trato frutificaram e floresceram pomar e jardim, à sua sombra medraram a confiança, a ternura, o carinho dos dois amantes. Tereza se habituara ao silêncio de Alfredão, à cara feia, à lealdade.

A preguiçosa criada dos primeiros dias fora sucedida por Alzira, gentil e rumorosa, levada por pretendente antigo, emigrado para Ilhéus em busca de trabalho, de volta para casar-se. Tuca, gorducha e comilona, ocupou o posto vago. Misael substituíra Alfredão no pomar e no jardim, a fazer compras, a vigiar a casa, não porém a vigiar Tereza – não sendo mais preciso, pois já sabia o doutor a que se ater.

Assim decorreram os dias, as semanas e os meses e Tereza foi varrendo da memória a lembrança do passado.

Com o doutor presente o tempo não chegava para tanta coisa: aperitivos, almoços e jantares, os amigos, os livros, os passeios, os banhos de rio, a mesa, a cama – a cama, a esteira estendida no jardim, o sofá da sala onde ele examina documentos e redige ordens, a marquesa no quarto onde ela costura e estuda, a banheira onde tomam banho juntos, invenção mais doida do doutor. Aqui e ali e sempre bom.

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Por volta das duas da manhã, retorna doutor Amarílio, trazendo o atestado de óbito e notícias dos parentes do doutor. Para localizá-los no baile de gala do Iate Club, acordara meio Aracaju numa série de telefonemas até conseguir falar com o mais moço dos irmãos, Cristóvão, a voz pastosa de bêbado: fora uma luta de mais de duas horas. Felizmente, desta vez, Bia Turca, a telefonista, não fizera alarde do adiantado da hora, curiosa de saber as novidades, os detalhes da morte do ricaço.

A verdade é que o médico para ganhar-lhe as boas graças, lhe dera a entender ter o doutor desencarnado (Bia Turca praticava o espiritismo) em circunstâncias muito especiais. Não precisou de fornecer detalhes, Bia Turca, talvez devido à profissão ou aos fluidos, tinha antenas poderosas. (clik na imagem e aumente)

12ª ENTREVISTA FICCIONADA


COM JESUS SOBRE O TEMA:


“MARIA VIRGEM?”



RAQUEL – Estivemos sem sinal tinha por alguns minutos mas estamos de volta à nossa audiência totalmente desconcertada e Jesus Cristo, nossa entrevistado especial.

JESUS - Parece-me que queres continuar a perguntar-me sobre a minha mãe…

RAQUEL – Sim, e vai desculpar-me mas eu estou muito bem documentada para esta entrevista e na Bíblia, encontrei provas de que Maria foi a mãe, não deixando de ser virgem.

JESUS Ah, sim…? E onde encontraste essas provas?

RAQUEL - No Livro do profeta Isaías. Escute: - "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e porá por nome de Manuel." Isaías 7, 14.

JESUS – Mas o meu nome não é Manuel. Meu nome é Jesus.

RAQUEL - O problema não é o nome da criança, mas a virgem que a deu à luz…

JESUS – Pois, eu não sei, mas… parece-me que nesse alforge carregas moeda falsa…

RAQUEL – Como moeda falsa?

JESUS - Porque não pedes ao teu amigo que você ligou outro dia?

RAQUEL – Não, a esse não, vou ligar a uma amiga... Aqui está o número do telefone… Vamos ver… está a chamar por Ivone Gebara, uma teóloga brasileira muito séria… ...

RAQUEL - Olá? Ivone? Sim? Fala Raquel Pérez das Emissoras Latinas. Estou a incomodar-te para uma consulta teológica. O profeta Isaías falou de uma virgem dar à luz. Verdadeiro ou falso?

IVONE - Bem, na verdade, o profeta não escreveu "virgem", mas sim "jovem". No entanto, alguns tradutores mudaram "jovem" para "virgem".

RAQUEL - Tradutores da Bíblia mudaram a palavra?

IVONE - Sim, com traduções acontece muitas vezes.

RAQUEL - Mas Mateus no seu Evangelho retoma essa profecia…

IVONE – E Marcos que é mais velho do que Mateus, não o menciona… e Paulo, em todas as suas cartas, nunca fala das virgens dando à luz e eu acredito que um milagre semelhante não poderia ser esquecido, certo?

RAQUEL - Então eu não entendo…

IVONE - É fácil de entender. Nos tempos antigos, muitos homens famosos, para torná-los ainda mais famosos, fizeram-nos nascer de mulheres fecundadas por deuses. Foi assim com Buda, Confúcio, Zoroastro, fundadores das outras religiões. Os seus seguidores disseram que eles nasceram de virgens. Assim, os divinizavam.

RAQUEL - E assim fizeram com Jesus Cristo?
IVONE - Isso mesmo.

RAQUEL - Bem ... muito obrigado por essa informação, Ivone Gebara.

JESUS - Vês o que eu te dizia, Raquel?... A moeda era falsa.

RAQUEL - Mas então… o anjo que anunciou a Maria ...também é uma lenda?... Então o senhor, nasceu como…

JESUS - Como tu nasceste, como nascemos todos, de um homem e uma mulher. O que há de errado com isso?

RAQUEL - Nada de errado. Mas…

JESUS - Eu vou-te contar uma coisa que me aconteceu uma vez em Cafarnaum. Eu estava falando, proclamando o reino de Deus e uma mulher na multidão levantou a voz e disse: "Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram".

RAQUEL - Elogio bonito para sua mãe.

JESUS - Pois eu encontrei um melhor e lhe disse: “Não abençoes o ventre nem os peitos. Abençoa o espírito desta mulher que ouviu a palavra de Deus e manteve-o no seu coração.

RAQUEL – Então…?

JESUS - A Palavra de Deus é a semente que fertiliza o espírito, não carne. A palavra de Deus fecundou o espírito de minha mãe Maria e daqueles que lutam por justiça. Queres um milagre maior do que esse?

RAQUEL - O que eu quero são as opiniões da nossa audiência. Se Maria não era virgem… onde está a nossa fé na Virgem Maria?

De Nazaré, Emissoras Latinas, Raquel Perez.

terça-feira, agosto 23, 2011

NELSON NED - HAPPY BIRTHDAY TO YOU MY DARLING

Esta a canção que vendeu um milhão de cópias no E.U.,em 1974 e Nelson Ned foi o primeiro cantor da América Latina então a consegui-lo. Para além dos problemas de nascença a sua vida pessoal não correu bem, mau grado todo o sucesso que alcançou como artista. Toda a sua fortuna foi desbaratada com drogas e na década de 90 tornou-se cantor evangélico e gravou música Gospel mas a doença impedia-o de permanecer nos palcos. Com o seu metro e doze de altura e 92 de peso lutou para emagrecer e combater os diabetes e o colestrol mas o que agravou a sua doença foi a obesidade e o inchaço.


TEREZA

BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA






Episódio Nº 186




Fazendo esforço para conservar-se calma, Tereza quis tomar o meio da rua. O rapaz estendeu a mão para segurá-la, mas não chegou a lhe tocar o braço. Surgindo não se sabe de onde, Alfredão deu um tal trompaço no intrometido a ponto de não se fazer necessário o segundo: o galanteador estendeu-se de cara no chão e lá se levantou correndo direito ao hotel, onde se escondeu até à hora de tomar a marineti para Aracaju.

Faltava a Avio Auler imprescindível experiência na conquista de amásias. Quem quiser se meter com mulher amigada deve antes conhecer-lhe a natureza e os pontos de vista do protector da moça.

Se a maioria das mancebas é dada aos prazeres e riscos do corneamento e muitos senhores amásios são mansos, complacentes, existe pequena minoria de raparigas sérias, fiéis aos compromissos assumidos, e alguns amancebados são de testa sensível, alérgicos aos chifres. No caso, amásia e amásio faziam parte da agressiva minoria, urucubaca de Avio Auler, caixeiro-viajante ao serviço da fábrica Stela, de sapatos.

Através de Alfredão, o doutor soube das tardes de Tereza em cima dos livros de leitura, dos cadernos de caligrafia. Frequentara escola antes de ser vendida ao capitão, durante dois anos e meio a professora Mercedes Lima lhe transmitira quanto sabia, não era muito. Tereza queria ler os livros espalhados pela casa, pôs-se a estudar.

Para Emiliano Guedes foi tarefa apaixonante seguir e orientar os passos da menina, ajudando-a a dominar regras e análises.

Muitas e diferentes coisas o doutor ensinou à jovem protegida, no jardim, no pomar, em casa e na rua, na mesa, na cama, no correr dos dias, nenhuma tão útil à Tereza na época quanto aquele curso de lições marcadas. Antes de partir o doutor lhe deixava deveres a cumprir, matérias a estudar, exercícios a fazer. Livros e cadernos encheram o tempo ocioso de Tereza, impedindo o enfado e a insegurança.

Naquela ocasião, o doutor habituou-se a ler para ela ouvir, começando pelas histórias para crianças: Tereza viajou com Guliver, comoveu-se com o soldadinho de chumbo, riu de se acabar com Pedro Malazarte. Também o doutor riu o largo riso alegre; amava rir. Não amava comover-se, mas se comoveu com ela, rompendo a imposta e dura contenção.

Tempo ocioso de Tereza, nem tanto assim. Apesar do doutor não a querer ao serviço doméstico, nem por isso deixou de participar da limpeza, da arrumação, do enfeite da casa – Emiliano adorava flores e cada manhã Tereza colhia cravos e rosas, dálias e crisântemos, mantendo os vasos cheios, o doutor não tinha dia nem hora certa de chegada.

Ocupou-se sobretudo da cozinha, pois, sendo o doutor tão amigo de comer e tão exigente na qualidade da comida, quis Tereza fazer-se competente na matéria.

O homem civilizado precisa de cama e mesa de primeira, dizia o doutor, e Tereza, na cama aquela maravilha, queimou os dedos no fogão mas aprendeu a cozinhar.

João Nascimento Filho arranjara para eles afamada cozinheira, a velha Eulina, resmungona a se queixar da vida, de fácil calundu, mas que artista!

- Uma artista, Emiliano, é o que a velha é. Um ensopado de cabrito feito por ela é de se comer durante uma semana… – Afirmava mestre Nascimento: - No trivial não tem quem com ela se compare. Mão divina. (clik na imagem)

HISTÓRIAS



DE HODJA



Hodja está a procurar algo na dispensa quando a peneira lhe cai em cima da cabeça. Depois de cair no chão salta para cima e acerta-lhe na cabeça. Furioso, Hodja, dá um pontapé na peneira que salta contra a parede e regressa acertando-lhe no ombro. Hodja chuta-a ainda com mais força contra o teto e ela ressalta batendo-lhe no joelho.

Percebendo que não consegue vencer a luta, pára de lutar com a peneira, pega na faca e grita:

- “Se és assim tão corajosa, bate-me lá agora!”

Nenhum deus é falso

Os acontecimentos ocorridos na capital de Espanha a propósito da visita do Papa Bento XVI, com manifestações contra e a favor da realização de um encontro mundial de jovens católicos, recordam-me os fantasmas das velhas lutas entre a Espanha clerical e a anticlerical.


No actual contexto político e económico, recordam-me também (não sei porquê) a divisão entre a Europa da Reforma e a da Contra Reforma; entre a Europa da crise que (só) atinge os países católicos (Irlanda, Portugal, Grécia, Espanha e Itália) e a Europa protestante, endinheirada e do panmercantilismo.


Recordam-me, por fim (ainda sem saber bem porquê), as divisões dentro da própria Igreja Católica, entre uma igreja de proibições, fechada nos seus dogmas milenares e aqueloutra de libertação e aberta ao Homem, à sociedade e à modernidade. Entre a Igreja vaticanista, do poder, da ostentação e da soberba e uma outra de amor ao próximo, voltada para os problemas do ser humano, para as suas angústias e necessidades concretas e solidária com as lutas pela dignidade humana. Recordam-me a igreja herdeira da Inquisição, de perseguidores, dos Bórgias e de patriarcas que degrada a mulher na sua condição humana e a igreja dos perseguidos que desperta e fecunda algumas das aspirações mais elevadas do ser humano, herdeira de António Vieira e Bartolomeu de Las Casas. Há, de facto, uma igreja que degrada e outra que dignifica a pessoa humana; há, em suma, uma igreja que escraviza e outra que liberta.


A Igreja Católica tem, como qualquer confissão religiosa, direito às suas realizações, sejam actos de culto, sejam apenas manifestações que mostrem o seu poder de mobilização social. Todo o crente tem, obviamente, direito de dar testemunho da sua fé, de exprimir livremente aquilo em que acredita, mas, em público, deve fazê-lo com moderação e respeito pelas convicções de outros crentes ou de não crentes.


A Igreja ocupa como nenhuma outra instituição o espaço do debate público com as suas realizações, as suas propostas, os seus dogmas e as suas verdades. E quem ocupa o espaço do debate público tem de aceitar as críticas que essa exposição suscita. Quem se manifesta em público tem de aceitar contramanifestações desde que umas e outras sejam pacíficas.

A hierarquia da Igreja Católica assume posturas rigidamente vinculantes sobre questões controversas da actualidade que dizem respeito a toda a sociedade e não apenas aos católicos. Ela discrimina as mulheres, condena o uso do preservativo, proíbe o aborto, combate a investigação genética, opõe-se ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, tal como outrora fora contra o uso da pílula e até contra a vacinação.

Por outro lado, a aproximação demasiada entre a Igreja e o Estado gera anticlericalismo na sociedade o qual radicaliza o clericalismo. O passado demonstra que ambos se alimentam um do outro numa espiral irracional de fanatismo.


Por mim, há muito que aprendi as virtudes da tolerância e do respeito pelos crentes de todas as religiões. Tenho por um católico o mesmo respeito que por qualquer outro cristão, seja ele qual for, que é, aliás, o mesmo que nutro por um judeu ou por um muçulmano. E o respeito que tenho pelos fiéis de uma religião monoteísta ou revelada é igual ao que sinto por qualquer outro crente de outra qualquer religião desde as mais primitivas às mais sofisticadas da actualidade.


A História demonstra-nos que o homem é capaz dos piores crimes e dos mais elevados actos de generosidade e de solidariedade; e mostra-nos também que, muitas vezes, os melhores homens são capazes das piores atrocidades desde que tenham uma boa causa para isso. E não há melhor causa do que a glorificação de um Deus verdadeiro ou a exaltação de um ideal de libertação. Só as grandes causas podem fanatizar o ser humano. Alguns dos crimes mais hediondos da história da humanidade foram praticados em nome de religiões de amor ao próximo e algumas das piores formas de servidão foram justificadas por ideologias de libertação.

Na humildade do meu ateísmo descobri, há muito, que todos os deuses são verdadeiros.




António Marinho Pinto - Bastonário da Ordem dos Advogados

INFORMAÇÔES ADICIONAIS



À ENTREVISTA Nº 11 SOBRE O TEMA:



“A ANUNCIAÇÂO DE MARIA” (2º e último)



A Explicação "científica" do Dogma

Com as novas descobertas científicas, alguns teólogos dogmáticos procuram poder explicar um dia o "mistério" da concepção de Jesus com argumentos como este:

- “Como Jesus era um homem e, portanto, tinha cromossomas XY, para que a Virgem Maria concebesse, o milagre devia ser que ela formou, a partir de um óvulo com a sua própria mensagem genética XX, um zigoto diplóide com 46 cromossomas, um dos quais sofreu uma mutação milagrosa passando de X a Y, e assim Jesus foi formado, um XY masculino. Seja qual for o prodígio, esses "teólogos" argumentam que o dogma é um convite a acreditar que todo o material genético de Jesus veio exclusivamente "da Santíssima Virgem".

Por constrangimento e pudor não revelaremos o nome do autor desta insensatez.

A Perversidade deste Dogma

O dogma da virgindade de Maria, quer justificado pela teologia "científica" ou mesmo metaforicamente, expressa desprezo pelo corpo da mulher, pela relação sexual e, muito especialmente, pela sexualidade feminina.

Santo Agostinho, um dos teólogos da antiguidade mais importantes, já no Século IV tinha firmemente entrelaçadas estas três ideias:

- A pecaminosidade do sexo;

- O nascimento virginal de Jesus;

- E a superioridade da virgindade sobre a vida sexual.

Em seu livro, "Tu Só Entre as Mulheres. O mito e o culto da Virgem Maria” (Editorial Alfaguara, 1991), a historiadora britânica Marina Warner analisa profundamente a perversidade dos argumentos teológicos que se resumem em : "a mulher é o útero e o útero é o mal. "

segunda-feira, agosto 22, 2011

TUDO PASSARÁ - NELSON NED

Venha o primeiro, contemporâneo desta canção, lá pelos anos sessenta, e diga que não se enterneceu ao ouvi-la. Um clássico das canções românticas, Nelson Ned, nos seus shows atraía multidões. Foi o 1º artista da América Latina a vender um milhão de discos nos E.U.A. com o seu "Happy Birthday My Darling" em 1974.


Salazar...



(NOS TEMPOS EM QUE SE ENSINAVA A POUPAR...)



“Senhor Presidente, hoje não apanhei o eléctrico; vim a correr atrás dele e poupei oito tostões" – disse o funcionário público, um contínuo, a querer agradar a Oliveira Salazar.

Respondeu Salazar de imediato:


- "Fez bem, mas se viesse atrás de um táxi teria feito melhor, porque poupava vinte escudos e chegava mais cedo".

TEREZA

BATISTA


CANSADA


DE



GUERRA



Episódio Nº 185




Completamente céptica a respeito de devotamento e afeição, Nina não acredita no amor de Tereza pelo doutor, não passando a fidelidade, o desvelo, o carinho, de hipocrisia e representação com o objectivo de meter a mão na herança. Agora, rica e independente, fará a sabidória o melhor que lhe der na telha. Quem sabe, pode até manter o interesse demonstrado pelos dois meninos, sobrando algo para eles da maquia surripiada aos Guedes, tudo é possível.

Por via de dúvidas, Nina enche a voz de simpatia e lástima:

- Coitada de siá Tereza, gostava tanto dele…

- Nina, por favor me deixe só.

Estão vendo? Já começa a pinóia a mostrar as unhas, a arreganhar os dentes.

16

Um dia Alfredão veio despedir-se:

- Vou embora siá Tereza, Misael vai ficar em meu lugar, é bom rapaz.

Tereza soubera pelo doutor do pedido de Alfredão: trazido por um mês, numa emergência, estava há seis longe da família e da usina, onde sempre vivera sem serviço definido, à disposição de Emiliano, pau para toda a obra, bom no gatilho. Se não fosse pelos netos, ficaria em Estância, gostara daquela terra de gente boa, mais ainda de Tereza:

- Moça direita, seu doutor, não existe outra. Sendo tão moderna tem juízo de pessoa de maior, só sai de casa por necessidade e na rua não dá trela a ninguém. Vive de olho na porta, na agonia do senhor chegar, toda a hora me pergunta: será que ele chega hoje, Alfredão? Por essa eu afianço, é merecedora da protecção de seu doutor. Fora do senhor, só pensa em se instruir.

Fundamental para o definitivo julgamento de Tereza, Alfredão fornecera ao doutor dados, pesos e medidas, factos sucedidos nas contínuas ausências: desde as propostas da professora de corte e costura às tentativas de intriga da comadre Calu, passando pela corrida ainda hoje comentada do caixeiro viajante Avio Auler, espécie de Dan do Sindicato dos Comerciantes, sedutor de segunda ordem, catita na brilhantina e na loção barata.

Transferido do Sul da Bahia para Sergipe e Alagoas, deslumbrou-se com a fartura de moças bonitas de Estância, todas donzelas, infelizmente. Andava à cata de prato mais completo e suculento, mulher boa de cama, sem perigo de noivado e matrimónio, com o tempo livre e o peito em ânsia, inactiva amásia de um ricaço, enfim. Soube de Tereza e a enxergou saindo de uma loja, aquela formosura.

Pôs-se atrás dela a lhe dizer graçolas, possuía inesgotável sortimento de galanteios, cada qual mais supimpa. Tereza apressou o passo e o galante fez o mesmo e, tomando-lhe a frente, postou-se diante da moça a lhe impedir caminho.

Sabendo como seria desagradável para o doutor qualquer escândalo a chamar a atenção sobre ela, Tereza tentou desviar-se, mas o cometa abrindo os braços não lhe deixou passagem:

-Não passa se não me disser seu nome e quando podemos conversar…



(clik na imagem)

HISTÓRIAS



DE HODJA




Um dia, Hodja levou o seu filho a andar de burro e ele acompanhava-os andando ao lado.

Passam por pessoas no caminho que começam a criticá-los:

- “O pobre velho a caminhar, andando sobre a gravilha e o menino em cima do burro. Parece que o mundo está virado de pernas para o ar.”

Ouvindo estas palavras, Hodja desce o filho e monta-se ele no burro. Ao longo do caminho ouvem outras pessoas dizerem entre elas:

- “Olhem aquele homem! Ele no burro e o pobre menino caminhando ao seu lado. A humanidade já não tem pena de nada!”

Desta vez, ele pega no filho, monta com ele no burro e seguem caminho montados os dois.

Outros mercadores que se cruzam com eles logo começam a dizer:

- “Olhem para eles, tanto peso em cima do pobre animal. Vão matar o pobrezinho.”

Então os dois saem de cima do burro e prosseguem viagem atrás do animal. Aqueles que os vêm riem-se e dizem:

- “Que tolos. Os dois a andar e o animal sem qualquer carga.”

Hodja diz ao filho:

- “Ouviste, não ouviste meu filho? Cada um deve fazer aquilo que achar mais correcto. Ninguém gostará daquilo que fizeres. Nunca conseguirás fechar a boca de alguém como se fosse um saco.”

INFORMAÇÔES ADICIONAIS



À 11ª ENTREVISTA SOBRE O TEMA:


“A ANUNCIAÇÃO DE MARIA” (1)







A Saga Maravilhosa de Nascimentos

O texto da Anunciação do Evangelho de Lucas - que interpretado como um relato histórico fundamenta o dogma da virgindade de Maria - está inspirado literalmente em várias profecias : Sofonias (3,14-18), Isaías (7.14 e 9, 5).

Todo o Antigo Testamento está cheio de crianças nascidas por um "milagre" maravilhoso, como um dom de Deus para suas mães, que eram inférteis ou velhas, já sem esperanças de engravidar: Isaque (Gênesis 18:9-14) Sansão (Jueces 13,1-7), Samuel (1 Samuel 1:1-18).

No Novo Testamento, João Batista (Lucas 1,5-25). Desde que são relatadas as vidas de grandes homens a partir do seu nascimento, os autores desses relatos sempre quiseram destacar que, para além do ato pelo qual seus pais os geraram, também foram um presente especial de Deus para o povo.

O Dogma da Virgindade

No ano 649, no Concílio de Latrão, foi proclamado que Jesus foi concebido "absque Spiritu Sancto ex Semine" (sem sêmen, pelo Espírito Santo). Séculos mais tarde, em 7 de Agosto de 1555, a Constituição Apostólica declarou assim o dogma da virgindade de Maria:

- “Em Deus, Pai, Filho Espírito Santo, com a autoridade apostólica, corrigimos todos aqueles que afirmam que Jesus Cristo não foi concebido por obra do Espírito Santo, mas apenas como os outros homens… ou que a mesma beatíssima Virgem Maria não seja Mãe de Deus permanecendo sempre perfeita ou na integridade virginal… antes do nascimento, durante o parto e perpetuamente depois do parto.”

domingo, agosto 21, 2011

HOJE É DOMINGO
(Da minha cidade de Santarém)





Ninguém consegue parar o tempo… Eu sei que dizer isto é um dislate, uma redundância, um desconchavo, uma tolice ou simplesmente apenas uma forma de dizer… um desabafo inútil como todos os desabafos, frutos da impotência, neste caso da minha incapacidade de impedir que mais este Domingo, sentado à mesa do meu Café, não seja menos um Domingo no desfiar de Domingos da minha vida.

Os meus amigos sabem que a inexorável passagem do tempo torna inevitável que aquilo que se adiciona se subtraia em simultâneo na nossa vida, (escandalosamente finita…) e essa é uma boa razão para se viver o melhor possível cada momento que passa, caso contrário será um desperdício.

Tenho à minha frente a notícia do jornal que refere a reunião de jovens católicos, oriundos um pouco de todo o lado, para um encontro em Madrid com o Papa. Vimo-los na televisão, exultantes, transbordantes de felicidade, vivendo momentos que irão ficar gravados nas suas memórias. A satisfação de estarem em grupo, de poderem conviver intensamente fá-los sentir de uma forma poderosa o fenómeno radiante da vida.

E o que é que a fé religiosa tem a ver com essa alegria se nós também a podemos testemunhar entre os jovens numa simples viagem de férias de fim de curso?

- Há no nosso cérebro um espaço de fé, como haverá do amor, do ciúme… não esqueçamos que todos nós somos herdeiros dos nossos antepassados que acreditaram nos avisos e recomendações dos seus progenitores para poderem sobreviver ao ponto de que, acreditar, tornou-se uma necessidade. Obedecer instintivamente era ainda a melhor maneira de assegurar a sobrevivência a tantos perigos que os rodeavam.

Acreditar…acreditar…acreditar… é a palavra de ordem do Papa… e o homem primitivo que existe em todos nós agradece, é uma salvaguarda, uma garantia de sobrevivência.

Pensar pela nossa cabeça sempre constituiu um risco, seguir as massas obedientemente, instintivamente, é um mecanismo de defesa. Por isso, acreditar acima de tudo, hoje como ontem, reconforta, confere o bem-estar de quem faz uma espécie de seguro de vida e por isso se sente feliz, descansado.

O Papa sabe isto tudo… a sua palavra pretende ser protectora, ele era já, antes de o ser, o guardião responsável pelo cumprimento da doutrina tradicional da igreja de Roma, testada ao longo de séculos de poder.

Por isso, é inflexível, não contem com ele para qualquer espécie de reforma: qualquer alteração, por pequena que seja, e o “edifício” vem a baixo.

Com ele a juventude está “defendida”: o sacerdócio continuará reservado aos homens, o casamento está fora de questão, qualquer tipo de aborto será condenado até aos quintos do inferno e os homossexuais, no fundo, não passarão de “maricas” enquanto certos avanços científicos são “perigosos”.

As Associações de Ateus, aqueles que deixaram de sentir a necessidade de acreditar e tomaram consciência dos perigos da fé religiosa, que no caso espanhol serviu para encobrir os crimes e as perseguições da ditadura de Franco, isto sem querer recuar muito no passado, vieram censurar os dinheiros públicos gastos pelo governo espanhol com mais esta visita do Papa, milhões, ao que se diz.

Hoje, Domingo, almoça com os cardeais e bispos, centenas ou milhares deles, mas a polémica dos milhões dispendida está lançada e não só pelos activistas laicos, também pelos católicos com confrontos na Portas Del Sol.

Enfim… mais uma notícia do jornal deste nosso mundo sempre em ebulição.

Um Bom Domingo para todos.

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