sexta-feira, novembro 19, 2010

RUI VELOSO - PORTO COVO
Aproveito para vos mostrar imagens do local com a canção linda do Rui Veloso


ATENÇÃO
Hoje, apesar das previsões meteriológicas não serem muito famosas, vou de fim de semana a Porto Covo, na costa alentejana, a sul de Sines. Sim, esse Porto Covo celebrizado por Rui Veloso na sua linda canção com o mesmo nome. Passem bem, 2ª Fª cá nos encontraremos para continuarmos a contar aquele terrível imbróglio que a dona Flor está a viver.

LAURA PAUSINI - UGUALE A LEI
Laura Pausini nasceu em Faenza em 1974 e é cantora de música pop/rok italiana tendo obtido projecção mundial quando venceu o Festival de Sanremo em 1993 com a canção "La Solitudine" que ela dedicou ao seu grande amor na época "Marco". Para além de cantar também compôe e faz arranjos para as suas músicas. Começou muito cedo, com 8 anos já cantava com o seu pai, Fabrizi Pausini, nos bares locais. Em 1996 começou a compôr as suas próprias canções para responder às críticas dos italianos e lançou um dos albuns mais vendidos até hoje e que a consagrou, especialmente no Brasil. Em 2007, Laura tornou-se a 1ª mulher a fazer um show no São Siro de Milão para 70.000 pessoas que foi gravado e lançado para 60 países. Algumas das canções desse espetáculo foram das mais tocadas durante semanas na Europa e na América Latina.
Agora, que já ouvimos as três versões do "SHE" nestas três vozes belíssimas, de eleição, únicas, se eu tivesse que escolher optava por Charles Aznavour pela sua interpretação poderosa e intimista.

DONA


FLOR


E SEUS


DOIS


MARIDOS


Episódio Nº 274


O fogo a queimá-la não fora aceso pelas démarches bancárias, por hipoteca, recibos e escritura. A compra da casa ainda mais a prendia ao doutor, sem dúvida, mais forte seu afecto. O que a levava, porém, a exigir prazer e posse extemporâneos, era a fogueira erguida por Vadinho, suas carícias, sua mão de afago, sua boca de beijos, a descaração ao crepúsculo, roxas marcas no pescoço.

Agora, quando o doutor crescia sobre ela, envolto no lençol, ao cerrar os olhos, dona Flor já não enxergava um pássaro gigantesco e, sim, Vadinho finalmente a possui-la, a fazê-la gemer e suspirar. Uma confusa dos diabos.

Guardava-se dona Flor de ponderar sobre mais essa encrenca, já tinha muito com que se consumir. Quanto ao doutor, dispunha-se seriamente a programar um extra para cada quinze dias.

Na noite daquela quarta-feira da briga com Vadinho, dona Flor se sentia perplexa e agitada, bem precisada de acalmar os nervos. Pensava em Vadinho sumido, talvez para sempre. Era a volta à existência calma, o fim dos dias tensos, quando se vira entre dois maridos, ambos com direito ao seu amor e ela sem saber como agir, chegando em certos momentos a misturá-los e a confundi-los, na maior das atrapalhações. Quem sabe, agora, poderia retornar ao tranquilo ramerrão de antes do regresso de Vadinho, quando seu corpo só se despertava às quartas e aos sábados?

Assim, naquela quarta-feira à noite, escondendo sob os lençóis as marcas dos beijos de Vadinho em seu pescoço, e trancando no coração o medo da sua ausência, dona Flor acolheu seu esposo Teodoro, com ele iniciando o discreto e doce ritual. Apenas, porém, o doutor crescera sobre ela, qual confortável guarda-chuva, o riso de Vadinho ressoou aos ouvidos de dona Flor e a fez estremecer.

Primeiro foi a alegria de vê-lo ali, equilibrado nas grades do leito, não tinha partido para sempre como dona Flor temera. Depois a alegria fez-se raiva, ao enxergar seu riso de deboche, aquele falso ar de piedade no rosto de zombaria e pagodeira.

Estava a divertir-se o coisa ruim, suspendendo a ponta do lençol para melhor apreciar e escarnecer. Dona Flor ouvia sua voz dentro do peito, seu riso libertino, de troça e de debique:

- É isso que você chama de vadiação? É esse o doutor Sabetudo, o mestre das putas, o rei da sacanagem? Essa porqueira, meu bem? Nunca vi coisa mais insípida… se eu fosse tu, pedia a ele, em vez disso, um frasco de xarope: cura tosse e é mais gostoso… Porque o que ele está fazendo, meu bem, é a coisa mais triste que eu já vi…

Ela ainda quis dizer “pois mas eu gosto muito” mas não pôde. O doutor chegara ao fim e ela se perdera nos risos de Vadinho, morta de vergonha (e de desejo).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 71 SOBRE O TEMA:

“QUEM FUNDOU A IGREJA (1)


O Reino de Deus, Não uma Igreja.

Jesus não fundou nenhuma igreja, nem sequer utilizou alguma vez a palavra “iglésisa” (do grego “ekklesia” que significa “assembleia”). Não foi sua intenção organizar nenhuma instituição ou igreja. Liderar um Movimento colectivo de homens e mulheres que proclamavam a chegada do reino de Deus: um mundo de relações justas e equitativas, onde os pobres deixassem de ser pobres, um mundo de comunidades que incluíam as mulheres e cuidavam dos enfermos.

Anos depois da morte de Jesus, foi Paulo quem transformou o Movimento liderado por Jesus – um Movimento rural e judeu – numa religião urbana com capacidade para converter-se em universal e atrair povos muito distintos do povo de Jesus da Nazaré. Por isso, pode afirmar-se que quem proporcionou a “fundação” da igreja foi Paulo, ao organizar o Movimento de Jesus com características doutrinais e práticas que permitiram atrair os “gentios” que habitavam o vasto império Romano.


Comunidades “Cristãs”, “Igreja Católica”


Nos primeiros tempos, as pequenas comunidades inspiradas no Movimento liderado por Jesus chamavam-se a si mesmas “Os do Caminho”. Só depois, na igreja de Antioquia, hoje Síria, se começaram a chamar “cristãos”. No princípio do Sec. II, também na Antioquia, estabeleceram-se os três graus da hierarquia dentro das comunidades: bispos, presbíteros (sacerdotes) e diáconos.

Quando o cristianismo se converteu em religião oficial do império Romano (Séc. IV) a palavra igreja começou a empregar-se tanto para designar a comunidade dos seguidores de Jesus como os locais onde se reuniam.

É também por este tempo que se oficializa o latim como língua oficial da liturgia, da teologia e das nascentes leis da Igreja. Até então era o grego que predominava nos ritos cristãos, Aida que, as comunidades de Jerusalém e da Galileia falassem em aramaico, a mesma língua que falou Jesus. O predomínio do latim foi uma das três ferramentas que contribuiu para que a igreja de Roma se impusesse às demais igrejas.

A expressão “Igreja Católica” foi empregue pela primeira vez por Ignácio, bispo de Antioquia, no Séc. I, mas não a usou para lhe dar primazia a alguma das igrejas e muito menos à de Roma. Empregou-a dando-lhe um significado “a totalidade da igreja” referindo-se a todas as comunidades que já existiam e à unidade de todas elas.

quinta-feira, novembro 18, 2010

VÍDEO
A história fala por si...



video

VINCENT VAN GOGH

BRIDGES ACROSS THE SEINE AT ASNIERES

RAPIDINHAS



AMIGO :
- A TUA MULHER ENGORDOU ?
- ESTÁ FEIA?
- VELHA ?
- SEM GRAÇA?

Vou dar-te uma pequena ajuda:

- Incentiva-a a andar 5 km de manhã e outros 5 km à tarde.

... Numa semana ela já estará a 70 km de distância
...

ELVIS COSTELLO - SHE
Agora, a versão de Elvis Costello, (1999) cantor, músico e compositor britânico. Possuidor de uma voz única e original, com um alcance musical impressionantemente amplo, teve o seu 1º Album "My Aim Is True" (1977) mas foi em 1979 que teve o auge do seu sucesso comercial com o Album "Armed Forces". O seu sucesso nos EUA foi muito prejudicado quando chamou a Ray Charles "crioulo cego e ignorante". Depois, numa conferência de imprensa, desculpou-se dizendo que estava bêbado e que tinha dito aquilo para provocar Bramlet - o que conseguiu pois ela deu-lhe uma bofetada - Mais tarde recusou um convite para conhecer Ray Charles dizendo o seguinte: "qualquer desculpa depois destes anos seria mais que embaraçosa para todos e tudo o que eu poderia fazer era virar a cara de vergonha e frustação... a culpa é um fogo que arde sem qualquer sinal de limitação"


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 273



Costumava vir fazer macaquices, obrigando dona flor a morder os lábios para não rir quando, metido na camisa de mulheres nuas, saía bailando e se exibindo; ou para não se irritar a vê-lo por detrás da cadeira do doutor a lhe pôr chifres na testa com os dedos, o pervertido!

Chifres inexistentes, pois ela não se dera, guardara incólume o reduto onde a honra verdadeira se contém (o resto era bobagem, como Vadinho lhe dizia e como sabem quantos dessas coisas já trataram).

Esperou até à hora de dormir, ele não veio. Certamente, Vadinho partira ofendido, era orgulhoso e duro, capaz de enfrentar de cabeça erguida a provação mais rude. Quem sabe, partira para sempre. Ai, meu Deus, nem sequer se despedira.


A desaparição de Vadinho ocorrera na quarta-feira pela manhã e dona Flor passou o dis desarvorada, na aflição de não o ver, no receio de tê-lo novamente perdido e no contraditório desejo de que assim fosse, pois, ela o sabia, só essa partida definitiva, para sempre e nunca mais, era capaz de lhe salvar o lar feliz.

Ora, nas noites das quarta-feiras, assim como na dos sábados, como já se disse e repetiu, o metódico doutor honrava a esposa e dela se servia, cumprindo prazeroso suas obrigações matrimoniais, grata tarefa. Com bis aos sábados, (não nos esqueçamos) e com o mesmo ritual de sempre, onde o prazer não excluía o respeito, um prazer envolto em pudicícia, coberto com o recato (e com o lenço).

Após o desacerto da noite do aniversário de casamento, noite do retorno de Vadinho, as relações de cama entre dona Flor e doutor Teodoro reencontraram a sua normalidade, dona Flor dando-se ao esposo com modéstia e com ternura, e dele recebendo total e plena satisfação, aos sábados repetida.

Aliás, dona Flor nunca fora tão viva no prazer com o bravo farmacêutico como ultimamente; em verdade entregava-se agora com mais ternura do que modéstia, o doutor a sentia ansiosa e apaixonada, perdendo por vezes a contenção discreta, pondo-se a gemer e a suspirar, num assanhamento.

Alegrava-se o doutor com tais provas de amor e de satisfação. Engrandecia-se o amor de sua esposa com o passar do tempo, e também ele a amava mais, se era possível.

Houve mesmo uma noite de folgança extra, fora do estrito calendário, a noite daquele dia em que se completaram os trâmites no banco de Celestino e no cartório de Marback, para a compra da casa. Esse festejo do acontecimento, o doutor o cumpriu feliz, achando justo romper, por tal motivo, a sistemática ordenação da vida nocturna do casal.

Ele próprio, ao sair naquela tarde do quarto para a sala, o braço na cintura de dona Flor, a cabeça da esposa em seu ombro reclinada, e ao perceber o sorriso malicioso de dona Norma, sentira o apelo do amor disperso no ambiente, vindo de dona Flor e comovendo-o. Ele próprio pensara em celebrar a data considerando que “uma extravagância uma vez na vida outra na morte não chega não chega a ser abuso nem ameaça à saúde física ou moral dos cônjuges (desde que não se converta em hábito, evidentemente)”.

Se a compra da casa influíra sobre dona Flor, levando-a a provocar o esposo e a obter sua aquiescência e colaboração naquele extra ela não se dera conta.

ENTREVISTAS FICCIONADAS
COM JESUS CRISTO Nº 71 SOB O TEMA:
“QUEM FUNDOU A IGREJA?”


Raquel – Continuamos em Banias, que no tempo de Jesus era a Cesarea de Filipo. As insistentes chamadas da nossa alarmada audiência impediram-nos de abandonar o lugar. Senhor Jesus Cristo?

Jesus – Sim, Raquel?

Raquel – Eu já vi que o senhor é uma pessoa simples, que não se dá muita importância… A melhor prova disso é que as Emissoras Latinas conseguiram a exclusividade destas entrevistas sem pagar direitos. No entanto, uma igreja que diz representá-lo, refiro-me especialmente à igreja católica, é grandiosa, faustosa… palácios, terras, meios de comunicação, bancos… um império.

Jesus – Como já te disse, eu não tenho parte nenhuma nisso… eu anunciei o reino de Deus mas o que vi foi uma igreja.

Raquel – E aí vem a minha pergunta. Como pode ter acontecido “isto”? – Como é que de um humilde camponês como o senhor surgiu algo de tão monumental? Talvez a força do Espírito Santo?

Jesus – Por que não perguntas a esse Pepe com quem falaste no outro dia? É homónimo do meu pai e sabia muito destes assuntos…

Raquel – vamos ver, um momento…Pepe Rodriguez?... Sim, das Emissoras Latinas novamente… Temos muitas perguntas intrigantes… Se me permites vou começar hoje com aquelas perguntas clássicas do jornalista.

Pepe – Com certeza, à vontade.

Raquel – Se Jesus Cristo não fundou a igreja, quem a fundou?

Pepe – O imperador Constantino.

Raquel – Quando a fundou?

Pepe – No Séc. IV. No Ano 325.

Raquel – E onde a fundou?

Pepe – Em sua casa, na sua residência de Nicea, a reste de Constantinopla, actual cidade de Iznik, província da Anatólia, nome que se dá à antiga Ásia Menor, hoje Turquia.

Jesus – Deixa-me perguntar agora a mim, Raquel… Diga-me senhor Pepe, como fez esse Constantino para levantar semelhante igreja?

Pepe – Depois da sua morte, senhor Jesus Cristo, nasceram algumas comunidades. Como o senhor havia dito que o mundo iria acabar brevemente, venderam tudo o que tinham, repartiram pelos pobres e ficaram à espera. Compartilhavam tudo, tinham um só coração e uma só alma.

Jesus – Se foi isso que fizeram entenderam bem o reino de Deus.

Pepe – Sim, mas como o senhor se atrasava tanto houve que organizar a vida… é uma história comprida. A comunidade de Jerusalém desapareceu quando Roma queimou o Templo mas, entretanto, o cristianismo ia-se espalhando pelo império Romano, esse império que o senhor conheceu, que perseguiu os cristãos.

Jesus – Como a mim me perseguiu…

Pepe – Até aí, mais ou menos, tudo ia bem.

Jesus – E o que se passou, em que momento se escondeu a luz debaixo do “celemin” (antiga medida agrária, 1/10 da nossa fanga).

Pepe – O império Romano debilitava-se. Quando Constantino tomou conta do poder, ainda ele não era cristão, inventou que havia visto no céu o sinal da cruz e que tinha conquistado o trono graças ao senhor.

Jesus – A mim?

Pepe – Sim, e disse também que queria converter-se ao cristianismo.

Jesus – E converteu-se?

Pepe – Constantino era um camaleão. Deu-se conta que o poder de Roma se desfazia e que necessitava de uma ideologia para o manter e, para isso, servia-lhe perfeitamente a religião cristã que alastrava já por todo o império.

Jesus – E o que fez esse homem, conta-me.

Pepe – Um pacto. Chamou os principais bispos e disse-lhes: Se vocês me obedecerem ninguém vos perseguirá. Declarem que os assassinos de Jesus foram os judeus e não os romanos e eu declararei o cristianismo como religião oficial.

Jesus – Mas como? Se a mim me condenou um romano, Pôncio Pilatos…

Pepe – Engana-se, não foi Pôncio Pilatos. Quem assassinou o senhor foi Constantino.

Jesus – Constantino?

Pepe – Sim, Constantino. Foi esse que o matou.

Jesus – Prossiga, prossiga…

Raquel – Não, não prossegue por que se acabou o cartão de telemóvel. Em breve te chamo novamente, Pepe… Não percam esta história, amigas e amigos das Emissoras Latinas, não percam a sintonia… Raquel Perez, Banias, antiga Cesarea de Filipo.

quarta-feira, novembro 17, 2010

VÍDEO
A primeira reacção é de que se trata de um sketche humorístico... depois percebe-se que não é isso... nada disso...


video

RAPIDINHAS


Um fulano chega a um prostíbulo e pergunta:

- Quanto custa uma menina?

- Depende do tempo.

- Bom..., suponhamos que chove.

CHARLES AZNAVOUR - SHE
É a versão mais conhecida em todo o mundo da canção "Tous Les Visages de L'Amour" lançada em 1974 pelo cantor e compositor francês Charles Aznavour. A versão em inglês, lançada logo após o aparecimento do original francês, foi composta em pareceria com o britânico Herbert Kretgmere e gravado por Aznavour. Sem obter grande receptividade nos EUA e na França, chegou ao 1º lugar das mais ouvidas em Inglaterra, feito inédito para um músico francês.
Em 1999, She, (Ela) foi regravado pelo britânico Elvis Costello alcançando rapidamente sucesso mundial e em San Remo, Laura Pausini, lançou uma nova versão em italiano rebatizada com o nome Uguale A Lei (Igual a Ela). Iremos passar, em dias seguidos, cada uma das três versões desta canção verdadeiramente bela e "poderosa". Talvez possam no fim escolher a versão de que mais gostaram. Eu dar-vos-ei, então, a minha opinião.


DONA FLOR

E SEUS DOIS
MARIDOS



Episódio Nº 272



Hálito de brasas, ardido hálito de pimenta, doçura de brisa, viração do mar, ai Vadinho mentiroso e sem vergonha… Assim ele ia tomando dela, pouco a pouco, restava apenas o último reduto, seu recato derradeiro.

Naquele dia, porém, ela em vão o esperou, ele não veio. Inquieta, dona Flor rolou no leito, debatendo-se em ânsia e dúvida. Teria ido embora, de volta, magoado em seu orgulho, ofendido? Teria ido embora para sempre?

Dona Flor estremeceu a esse pensamento. Como novamente viver sem a sua presença? Sem a sua loucura, sem a sua graça, sem a sua tentação?

Fosse como fosse, porém, devia passar sem ele, se quisesse permanecer honesta, mulher direita. Era a única solução viável, aquele impasse não continha outra porta de saída. Terrível medida, provação sem tamanho, mas que fazer? Impunha-se a drástica ruptura: se Vadinho continuasse ali, não havia força de decência nem decisão de virtude capazes de impedir o irremediável.

Dona Flor não se engana: que eram as conversas senão pretexto para as carícias, para aquela luta tão tremenda e tão deliciosa?

Como resistir à lábia de Vadinho? Não a convencera ele, e dona Flor não se deixava convencer, que, à excepção da posse completa, tudo mais era brincadeira sem maldade, jogos de primos, não implicando em desonra nem mesmo em indecência? Não havendo posse, desonra não havia, mantinham-se intactas sua dignidade e a testa insigne do doutor.

Pela segunda vez Vadinho adormecera seus escrúpulos com a mesma cantiga de ninar, a mesma modinha com que a embalara nos distantes tempos do namoro no Rio Vermelho e na Ladeira do Alvo. Ela fora no acalanto e quando abriu os olhos já ele lhe comera o cabaço e honra de donzela junto ao mar de Itapoã.

Novamente agora Vadinho chegava ao cais de seu porto derradeiro, à fímbria mais recôndita de seu ser. Ao menor descuido de dona Flor, num instante qualquer de incontido anseio, ele lhe comeria não mais o cabaço de donzela mas a honra de um marido e a decência de uma esposa.

De uma esposa modelar, de um marido exemplo dos bons maridos. Quando o pobre menos pensasse, em sua testa floresceriam chifres, e seria a maior das injustiças. As sementes desses injustos cornos já estavam plantadas pelas mãos de Vadinho, por sua boca de beijos, por seu calor de homem a acender em dona Flor gula e pecado.

Sim, só havia uma solução, única e certa: Vadinho retornar para donde viera, só assim estariam garantidas a honestidade da esposa e a testa do droguista. Dona Flor ia romper o coração, ia sofrer demais, mas onde outro caminho, outra porta de saída? Ela lhe explicará gentilmente suas razões. “Perdoa, meu amor, é impossível continuar assim, já não posso mais. Perdoa-me se te chamei, foi tudo culpa minha, adeus, deixa-me em paz…”

Em paz? Ou em desespero? Fosse como fosse, pelo menos honesta, mulher direita, fiel a seu marido.

Vadinho não apareceu. Nem no quarto, na hora do crepúsculo, nem
depois na sala, na hora do jantar
.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

À ENTREVISTA Nº 70 SOB O TEMA:


“SOBRE A PEDRA DE PEDRO?
(5º e último)




Bíblia: Textos Que Há Que Ler No Contexto

Tudo isto e muito mais deve ter-se em conta ao ler a Bíblia. A Bíblia não é um receituário moral nem um livro científico, não nos explica tudo o que devemos saber nem nos ensina como devemos actuar em todas as circunstâncias e situações que a vida nos apresenta.

A Bíblia não pode ser uma norma na nossa vida actual, ainda que alguns dos seus livros nos possam servir de inspiração pela sua beleza literária ou pela força ou profundidade das mensagens, arquétipos e mitos que nos apresentem.

A Bíblia é uma colecção de livros de importância muito diferente, dos mais diversos estilos, com uma infinidade de contradições entre eles, escritos em contextos e tempos diferentes e com intenções muito desiguais que chegaram até nós em traduções melhores ou piores.

Para ler a Bíblia adequadamente há que “suspeitar” das interpretações que se fizeram e continuam a fazer nos textos bíblicos e há que nos distanciarmos de muitas dessas interpretações.

Até ao momento em que estes livros chegaram às nossas mãos muita e complexa história aconteceu e há que conhecê-la. Só lendo qualquer texto da Bíblia no seu contexto, essa leitura nos enriquecerá. Se prescindirmos do contexto desses textos, podemos deslizar para ideias demasiado simples, incluindo fanáticas e desumanas em tudo contrárias à mensagem de Jesus.

O Papado, peça central da Igreja católica romana, uma instituição de poder com uma estrutura monárquica, é uma obra humana, consolidada ao longo dos séculos com recurso aos habituais mecanismos de poder: ambição, codícia, violência.

Como imaginar, sequer, que o Papado resulta da vontade de Jesus da Nazaré que sempre pregou o serviço, a equidade, as relações humanas “horizontais” e que enfrentou com paixão todos os abusos do poder, especialmente os cometidos em nome de Deus?

Só por isso, e sem maiores preocupações de interpretação crítica e completa, podemos deduzir que o versículo de Mateus 16,18 referente ao “primado de Pedro” foi um acrescento com claras intenções de confirmar o bispo de Roma que, por uma questão de poder, desejava ser o seu sucessor.

É tão grande o abismo que qualquer pessoa sensata pode observar entre a igreja romana e o movimento de Jesus da Nazaré, e é tão grande o obstáculo que essa igreja representa para uma espiritualidade sã que o teólogo católico Eugen Drewerman afirmou:

- “Da mesma maneira que Jeremias rogava pelo derrube de Jerusalém, devemos nós rogar pelo derrube da instituição eclesiástica a fim de que Deus possa começar a escrever nos corações dos
seres humanos o que, realmente, lhes quis dizer.

terça-feira, novembro 16, 2010

VÍDEO
Mas quem não gosta que lhe cocem as costas?....

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DIÁRIO DE UMA MULHER FIEL NUM CRUZEIRO




Querido Diário... 1º Dia:
- Já estou preparada para fazer este maravilhoso Cruzeiro, presente do meu marido... Vim sozinha e trouxe na mala as minhas melhores roupas! Estou excitada!

Querido Diário... 2º Dia:
- Foi lindo, vi alguns golfinhos e baleias! Que viagem maravilhosa estou a começar a gostar...! Hoje encontrei-me com o Capitão, que por sinal é um belo homem!

Querido diário... 3º Dia:
- Hoje estive na piscina. Fiz também um pouco de jogging e joguei mini-golfe. O Capitão convidou-me para jantar na sua mesa. Foi uma honra e a noite foi maravilhosa. Ele é um homem muito atraente e culto.

Querido diário... 4º Dia:
- Fui ao Casino do navio! Tive muita sorte, pois ganhei €80. O Capitão convidou-me para jantar com ele no seu camarote. A ceia foi luxuosa com caviar e champanhe. Depois de comermos ele perguntou se eu ficaria no seu camarote, mas recusei o convite. Disse-lhe que não queria ser infiel ao meu marido.

Querido diário... 5º Dia:
- Hoje voltei à piscina para me bronzear um pouco. Depois, decidi ir ao Piano Bar e passar ali a tarde. O Capitão viu-me e convidou-me para tomar um aperitivo. Realmente ele é um homem encantador. Perguntou-me de novo se eu queria visitá-lo no seu camarote naquela noite. E eu lhe disse que não, que era casada! Então ele disse que se eu continuasse a responder não, que iria afundar o navio!

Fiquei aterrorizada!

Querido diário... 6º Dia:
- Hoje salvei 1600 pessoas... Três vezes!

VINCENT VAN GOGH


Drying House At Scheveningen

GIGLIOLA CINQUETTI - DIO COME TI AMO

Regressamos novamente com a Gigliola aos anos sessenta, quando os aviões ainda tinham hélices e os aeroportos eram tão calmos que até permitiam esta canção de despedida, terna e amorosa, cantada directamente para o destinatário, deveras comprometido e comovido, no meio dos passageiros. Outros tempos... quando havia espaço para o romantismo e ainda não tinham "descoberto" os vôos low cost e os passageiros transportados como sardinhas em lata... o preço da massificação das viagens de avião.


DONA
FLOR

E SEUS
DOIS
MARIDOS



Episódio Nº 271


Vadinho respondia zombeteiro:

- Teu marido, esse paspalhão, esse bocó… Só tem tamanho… Que é que ele sabe dessas coisas, esse frouxo?

_ Teodoro não é um ignorante como você, não é um capadócio, é um homem de muito saber…

- Muito saber… Pode ser que para fazer um xarope ele seja uma capacidade… Mas para o que é bom, para a vadiação, ele deve ser a maior toupeira deste mundo… Basta olhar para ele é um capão…

Dona flor encarou Vadinho, nunca ele a vira tão indignada:

- Pois fique sabendo que está muito enganado, quem é que pode saber da capacidade dele senão eu? E eu estou mais que satisfeita… Não sei de homem melhor do que ele. Em tudo e nisso também… Você nem chega aos pés dele…

- Puf! – Fez Vadinho, num ruído desrespeitoso e vulgar.

- Me deixe em paz, não preciso de si para nada… E não me toque nunca mais…

Estava decidida, não lhe permitiria mais intimidades, nem abraços, nem os tais beijos inocentes, nem que junto a ela se estirasse para “conversar melhor”. Era uma mulher honesta, uma esposa séria.

Se você estava tão satisfeita por que me chamou?

- Já te disse que não foi para isso… E já me arrependi de ter chamado…

Depois, sozinha, perguntou-se senão fora por demais grosseira e violenta.

Vadinho ficara escabriado, ofendido, de cabeça baixa. Saíra por aí fora e durante todo o resto do dia ela não o viu. Quando ele viesse na hora do crepúsculo, ela lhe explicaria as suas razões por boas palavras. Cínico e insolente, Vadinho tinha por vezes, no entanto, reacções inesperadas, era capaz de compreender os escrúpulos de dona Flor e de reduzir suas relações aos limites impostos pelo decoro e pela honra.

Todas as tardes, dona Flor, terminadas as tarefas quotidianas e após o banho, envolta em perfumes e talco, deitava-se no leito para uns minutos de repouso. Então, invariavelmente, Vadinho junto a ela se estendia e sobre as mais diversas coisas conversavam (e enquanto conversavam lá ia ele derrubando bastiões, tomando-a contra o seu peito, dobrando-lhe a vontade).

Quando se dispunha a reclamar, ele a distraía falando dos lugares de onde viera, e dona Flor toda curiosa, cheia de perguntas, não tinha forças para proibições:

- E a terra vista de lá, como é, Vadinho?

- É toda azul, meu bem.

Descia-lhe o tentador a mão pela anca ou a levava ao seio, dona Flor querendo saber:

- E Deus, como é?

- Deus é gordo.

- Tira a mão daí, tu está é me embromando…

Vadinho ria, a mão a conter o seio túrgido, o lábio a buscar a boca de dona Flor, como saber se era verdade ou bem mentira
?


INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTRVISTA Nº 70 SOB O TEMA:

“SOBRE A PEDRA DE PEDRO? (4)




Ler a Bíblia Com Distância e Com Suspeita


No seu Programa, o jornalista e investigador espanhol Pepe Rodriguez, esclarece que a frase: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mateus 16, 18), uma das mais repetidas e pregadas pela hierarquia da Igreja de Roma para se apresentar como “sucessora de Pedro” foi acrescentada em versões posteriores aos primeiros relatos evangélicos. De resto, nos quatro Evangelhos, há muitos destes “acrescentos”.

A miúdo, ouvimos crentes cristãos, católicos e evangélicos defender posições muito firmes apoiando-se no que disse “no que disse a palavra de Deus na Bíblia”. Mas, como foi posta por escrito essa tradição oral, como foi traduzida e divulgada essa palavra?

Primeiro, há que ter em conta que todos os livros da Bíblia foram escritos, copiados, lidos, estudados, discutidos, decididos, traduzidos, publicados, classificados, pregados, difundidos e explicados por homens, por varões.

Este é o primeiro enviezamento determinante para interpretar os “acrescentos” e os “suprimidos”. Para além disso, nenhum desses livros foi escrito no momento em que ocorreram os factos narrados.

Depois de muitos anos de tradição oral, por vezes séculos, pôs-se por escrito o que “ocorreu” ou melhor o que se recorda que tenha ocorrido, juntando, trocando, suprimindo, modificando.

Há também que ter em conta que durante séculos todos os livros da Bíblia, na sua versão em grego e latim – as únicas línguas aceites oficialmente – foram interpretados e controlados exclusivamente pela hierarquia eclesiástica que excomungava quem traduzisse a Bíblia para línguas faladas por pessoas que não conheciam o grego ou o latim.

No seu protesto contra as práticas do papa de Roma, Martinho Lutero, causou uma verdadeira revolução quando traduziu para o alemão os livros do Novo Testamento, em 1552 e os do antigo Testamento em 1534.

Desde então, os protestantes começaram a familiarizar-se, pouco a pouco, com a leitura directa da Bíblia, necessariamente aprendendo a ler e a desenvolver uma mentalidade crítica que se traduziu numa vantagem sobre os católicos no que respeita ao alfabetismo, com todas as consequências que isso teve e continua a ter na história de uns e de outros, protestantes e católicos. (Na Alemanha de hoje, 33% são luteranos, 32% católicos e 25% Não religiosos/ateus. Em Portugal 85% católicos e 6% Não crentes. A Alemanha "dá cartas" na Europa, Portugal prepara-se para pedir ajuda ao FMI.)
Em Espanha, por exemplo, Frei Luís de Leon foi condenado pela Inquisição a quatro anos de cárcere, no último terço do Séc. XVI, por ter o “bárbaro costume” de traduzir a Bíblia para o espanhol.

No campo católico, onde a “autoridade divina” vinha do Papa e não das escrituras… estas não eram lidas. De resto, as leituras eram suspeitas… ter uma Bíblia também. O latim era língua “sagrada”, as outras eram profanas. E o sagrado “não se entendia”, nem deveria entender-se… assim era mais misterioso.

Tiveram que passar quatro séculos para que o Vaticano recomendasse aos católicos que lessem a Bíblia.

O Concílio de Valência (1229), o Concílio de Trento (1545) e o Papa Clemente XI (1713) condenaram a leitura da Bíblia pelo povo nas suas línguas.

O Papa Leão XIII (1893) desejou que o povo lesse a Bíblia, mas a Bíblia a que ele se referia era a Vulgata Latina que, na realidade, excepto os sacerdotes, mais ninguém podia entender.

Somente no Séc. XX a “igreja imutável” permitiu aos leigos ter a Bíblia nas suas próprias línguas mas… elas tinham que ser aprovadas pela Igreja e deviam conter explicações, por um teólogo autorizado, dos textos “difíceis” no fim de cada página.

Assim, durante mil anos, do primitivo Séc. VI ao XVI, enquanto a Igreja Romana segurou a balança, a Bíblia permaneceu um livro fechado. A Igreja de Roma em vez de um império de luz, tornou-se num império de trevas, promovendo a ignorância, a superstição e mantendo o povo em escravidão
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segunda-feira, novembro 15, 2010

RAPIDINHA


Uma mulher, toda boazona, vai ao médico:

- Sr.Doutor : queria que fizesse algo pelo meu marido... Algo que o fizesse ficar como um touro!

- Muito bem, senhora, Dispa-se, que vamos começar pelos cornos!

VICENT VAN GOGH



A Senhora Segatori Sentada no Café de Tamborin

VÍDEO

O poder da publicidade...

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GIGLIOLA CINQUETTI - NON L'ETÀ (PER AMARTI)

Gigliola nasceu em 1947 e é cantora, actriz, jornalista e apresentadora italiana. Nasceu de uma família abastada de Verona e começou a cantar muito cedo. Em 1964 venceu o Festival de Sanremo com esta canção e pouco tempo depois o da Eurovisão, em Copenhague, com a mesma canção que se revelou um enorme êxito musical. A mim, reconduz-me a esse ano quando, frente à televisão,mesmo a preto e branco, sem cenários, luzes laser ou psicadélicas, coros e dançarinos, tudo quanto hoje transformou aquele concurso num espetáculo grandioso de luz, som e côr, era, mesmo assim, um programa imperdível para os portuguses interessados em acompanhar o seu representante. Então, os cantores, muito bem vestidinhos, perfilavam-se perante o microfone e apenas com o discreto apoio da orquestra cantavam, que era para isso que lá estavam e não para daren espectáculo. Nunca esquecerei a figura gentil e amorosa da jovem Gigliola cuja interpretação não me deixou qualquer dúvida sobre quem ganharia o Festival naquele ano.


DONA FLOR

E SEUS DOIS

MARIDOS

Episódio Nº 270


Que mal há nisso, meu bem? Que é que tem? Deixa minha mão ficar aí, não estou te tirando pedaço, nem te alisando, estou com a mão parada, o que é que tem? – mantinha a mão discreta sobre as alturas dos quadris redondos, mas apenas obtida a muda aquiescência, a mão não se continha, indo e vindo das ancas para as coxas – vasto território pouco a pouco conquistado.

Assim, com as mãos, o hálito, os lábios, as palavras macias, com o olhar, o riso, a invenção, a graça, com o queixume, a briga, o dengue, Vadinho cercava a fortaleza, dita irredutível por dona Flor, pondo abaixo muralhas de dignidade e pudicícia. Num avanço constante e firme, em obstinado assédio, reduzira hora a hora o campo de batalha.

A cada encontro ocupava nova posição, caíam bastiões, rendidos pela força ou pela astúcia: a mão sabida ou bem o lábio de promessas mil, todas elas vãs – “só um beijo, meu bem, só um”… Lá se foram os seios, as coxas, o colo, as ancas, a bunda de cetim. Agora tudo isso era dele, terreno livre de censuras para a mão, para o lábio, para a carícia de Vadinho. Quando dona Flor se deu conta, sua honestidade e a honra do doutor viam-se encurraladas em derradeiro reduto, quanto lhe restava ainda incólume. O mais, esse chão ardente de batalha, ele o tomara sem ela quase o perceber.

Dona Flor vinha disposta a reclamar as manchas roxas do pescoço, sinais devassos, estarrecedores, vinha disposta a proibir quaisquer intimidades, mas ele a envolvia num abraço, sussurrando explicações ou fazendo burla de seu pudor e de sua seriedade, e dentro em pouco lhe mordiscava a orelha, num afago de arrepios.

Fazia-se urgente e imprescindível pôr cobro, de uma vez para sempre, àquelas relações equívocas já tão distantes da terna estima, da inocente amizade amorosa, do platónico sentimento que dona Flor imaginara possível quando do regresso de Vadinho. Ao medir a extensão do perigo, a esposa virtuosa encheu-se de medo e brio, dispondo-se a pôr um paradeiro naquela situação absurda. Onde já se viu mulher com dois maridos?

Sentada no sofá, reflectia dona Flor sobre a delicadeza do assunto – devia conduzir a discussão com muita habilidade para não magoar Vadinho, para não o ofender; afinal ele viera em atenção ao seu chamado – quando o tinhoso surgiu e a tomou nos braços. Enquanto dona Flor buscava maneira de iniciar a conversa, Vadinho enfiou-lhe a mão por debaixo dos vestidos, tentando atingir exactamente aquele último reduto ainda incólume, cofre-forte a conter sua dignidade de mulher e a honra do doutor.

- Vadinho!

- Deixa eu ver a peladinha, meu bem… Estou morto de saudades da bichinha… E ela de mim…

Levantou-se dona Flor numa explosão de cólera, em violência e fúria. Também Vadinho se aborreceu e foi áspero e desagradável o bate-boca. Talvez Vadinho não mais esperasse tão brusca reacção de dona Flor, pensando-a já de todo conquistada.

- Tira a mão de cima de mim, não me toque mais… Se ainda quiser me ver e conversar comigo, tem que ser de longe, como conhecidos e nada mais… já te avisei que sou mulher honesta e que estou muito feliz com o meu marido…


INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 70 SOB O TEMA:
“SOBRE A PEDRA DE PEDRO?”(3)


Romanização: As Cinco Grandes Directrizes

Segundo o teólogo e historiador da igreja Hans Kung, é durante o Papado de Inocêncio III que a romanização alcança o seu ponto culminante e se consolidam as cinco directrizes sobrepostas características do sistema romano e que perduram na igreja católica até hoje. Estas cinco directrizes são as seguintes: Centralização; Legalização; Politização; Militarização e Clericalização.

- Centralização: A igreja Papal absolutista declara-se a si mesma mãe enquanto que a igreja primitiva e a bizantina conceberam-se como irmandade, desprovidas de uma autoridade centralista sobre todas as igrejas;

- Legalização: A Igreja católica do ocidente desenvolveu uma lei própria, centrada totalmente no Papa, pontífice absoluto, legislador e juiz do Cristianismo, a que todos, incluindo o imperador, ficavam subordinados;

- Politização: A igreja romana reclamava o domínio do mundo. Através do Papado, a igreja do Ocidente apresentava-se como um corpo legislativo completamente independente que conseguia também, por vezes, um poder quase total, superior ao poder secular;

- Militarização: A igreja romana Ocidental era militante e chamava a “guerra santa”. A teoria agostiniana do uso legítimo da violência como método de expansão do cristianismo.

- Clericalização: A igreja cristã do Ocidente foi de homens celibatários. O clero celibatário ficou completamente separado do povo cristão, sobretudo pela sua situação não matrimonial. Os clérigos desfrutavam de uma posição social proeminente e distinta que, devido à sua “perfeição” e moral mais elevada, era em princípio, superior ao estado laico e ficava única e totalmente subordinada ao Papa de Roma.

domingo, novembro 14, 2010

A CONJUNTURA
E A ESTRUTURA


Quanto mais a crise se acentua mais ouvimos falar aos analistas e comentadores em Estrutura e Conjuntura subentenda-se, esta, internacional.

Em termos de conclusão de conversa, diz-se que é estrutural ou conjuntural no sentido de que uma coisa ou outra se nos escapa, não está ao nosso alcance, restando-nos a resignação tão querida dos devotos católicos.

A conjuntura (internacional) não tem a ver connosco: se o petróleo sobe nos mercados e o preço da gasolina aumenta; se Srª Merkel “diz umas coisas” que fazem subir a taxa de juro da nossa dívida soberana… que podemos nós fazer?

Mas, por outro lado, como é possível acabar com os Governadores Civis e respectivos “estafes” transferindo as suas funções, as que forem de manter, para as Câmaras Municipais, se isso é estrutural?

Como é possível deixar de gastar milhões em pareceres técnicos e jurídicos que os vários Ministérios encomendam a empresas mesmo tendo ao seu serviço, como funcionários públicos, técnicos e juristas que tiraram os mesmos cursos e frequentaram os mesmos bancos da escola do que os outros, os da privada se tal procedimento também já faz parte da estrutura?

Por que temos Ministérios que se alinham quando, bem aproveitadinho, um só poderia desempenhar as funções de dois ou três?

Poderíamos continuar a fazer perguntas deste tipo que a resposta continuava a ser a mesma: é da Estrutura.

Portanto, o que fica fora da Conjuntura e da Estrutura é realmente muito pouco, insuficiente para que se possa fazer alguma coisa com resultados palpáveis para a vida da generalidade dos cidadãos portugueses.

Pois… mas o PIB no último Trimestre aumentou e o valor das exportações também num sinal de evidente vitalidade porque não deve ser fácil, com estas Estruturas e Conjunturas, aumentar a produção da riqueza nacional e, mais difícil ainda, vendê-la no estrangeiro, e isto significa que muitos portugueses conseguem ultrapassar a Estrutura e a Conjuntura, trabalham, e são bem sucedidos.

Em conclusão, o problema está no Estado, nos decisores políticos que conhecem a Estrutura e a Conjuntura tão bem ou melhor que nós mas não têm coragem, vontade, capacidade para afrontar interesses de pessoas e de grupos de pessoas, (chamem-se eles corporações ou elites) que lhes servem de sustentáculo no poder.

Pobre democracia… na 1ª República não nos entendíamos e passávamos os dias à bofetada uns aos outros a ponto da imprensa espanhola noticiar: “Hoje, por ser Domingo, não houve revolução em Portugal…”.

Reconquistada a liberdade com o 25 de Abril e novamente em democracia parece que nos entendemos agora “demasiado bem…” e os resultados estão à vista.

HOJE É DOMINGO
Bom dia. E por que não regressarmos aos nossos tempos de meninice nesta manhã de domingo de um Novembro conturbado... (ai, as taxas de juros da dívida soberana!) pela voz de Sergio Endrigo.

CI VUOLE UN FIORE

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