sábado, agosto 28, 2010

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Rock dos anos 50 ou uma aula de aeróbica... de classe adiantada...

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DALIDA - CIAO AMORE CIAO
Tinha passado algum tempo sobre a morte do seu amor Luigi Tenco, autor desta canção, que se suicidou por ela não ter sido classificada no Festival de Sanremo de 1967. Dois meses depois, Dalida tentou seguir-lhe a mesma sorte e só por acaso não morreu. Quando, agora, canta esta canção como que grita o seu amor por Luigi... simplesmente comovente!




INFORMAÇÕES ADICIONAIS


À ENTREVISTA SOBRE:

“ANJOS” E “ARCANJOS” (1)



Uma Crença Muito Antiga

- A palavra “angel” vem do grego e significa mensageiro. Em muitas religiões antigas existem estes seres que estabelecem a ligação com um Deus distante dos humanos através de mensagens. Nos livros da Bíblia abundam os anjos. No mundo da Bíblia abundam os reis com as suas cortes cheias de cortesãos e servidores indispensáveis para o governo do rei funcionar.

Nesse mundo, Deus foi concebido pelos humanos como um rei e os anjos como seus cortesãos. Os israelitas foram um povo monoteísta mas viveram sempre rodeados de povos de tradição religiosa politeísta, com crenças que encerram uma forte influência sobre o judaísmo e que se expressam na Bíblia de muitas maneiras.

Os anjos da “corte celestial” do Deus-Rei converteram-se numa espécie de seres semi-divinos aos quais se podia recorrer permanentemente para “se chegar” a um Deus inacessível.

Nas religiões com anjos eles são sempre os intermediários entre deuses e humanos. Entre os persas, um anjo revelou “a verdade” a Zoroastro. Entre os judeus, um anjo deteve Abraão para que entendesse que Deus não queria que ele matasse o próprio filho, Isaac. No cristianismo, o anjo Gabriel anunciou a Maria que teria um filho maravilhoso. No islamismo, esse mesmo anjo Gabriel chama Maomé para lhe ditar o Corão, revelação de Deus.


Anjos: Varões com Asas

Como os israelitas estiveram cativos na Babilónia seiscentos anos antes de Jesus, provavelmente por influência Mesopotâmica começaram a representar os anjos com asas, tal como os babilónicos representavam os seres divinos. Com asas os deuses podiam mover-se com facilidade entre o “céu de cima” onde reina Deus e a terra habitada pelos humanos. Tal como Deus, os anjos são sempre varões: a corte de um Deus masculino formou-se, naturalmente, com servidores masculinos.


Uma Crença Oficial

Esta antiga crença mítica é hoje mantida pela doutrina oficial da igreja católica. O catecismo católico fala sobre os anjos em números que variam entre os 328 e 336, nestes termos:

- “A existência de seres espirituais, não corporais a que a sagrada escritura habitualmente chama anjos é uma verdade de fé. O testemunho das Escrituras é tão claro como a unanimidade da Tradição… Não obstante, sendo criaturas pessoais e imortais, superam em perfeição a todas as criaturas visíveis… Toda a vida de igreja beneficia com a ajuda misteriosa e poderosa dos anjos…”

LUIGI TENCO - CIAO AMORE CIAO
Esta bela canção apresentada por Luigi Tenco ao Festival de Sanremo de 1967 foi a causa do seu trágico fim. De facto, a canção classificou-se em 12º lugar e na repescagem foi preterida pelo juri pela canção, "Rivoluzione". Luigi Tenco, arrasado, fechou-se no seu quarto do Hotel Savoy onde foi encontrado com um buraco de bala na cabeça e uma mensagem escrita que dizia o seguinte:
"Eu amei o público italiano a quem dediquei inutilmente cinco anos da minha vida. Faço isto não por estar cansado de viver (pelo contrário) mas como gesto de protesto contra um público que escolhe para a final "Lo Tu e Le Rose" e uma comissão julgadora que seleciona "La Rivoluzione". Espero que sirva para esclarecer as idéias de alguém. Tchau, Luigi".
Há muito que conhecia e gostava desta nas ignorava o drama em que se tinha constituido... De Canção de Amore passou a Canção da Morte ... do Luigi e da Dalida que um mês depois da morte dele fez uma tentativa séria que por muita sorte não resutou. Finalmente, com barbituricos e wisque conseguiu matar-se na madrugada de 3 de Maio de 1987 com 54 anos.

DONA

FLOR

E SEUS

DOIS

MARIDOS



Episódio Nº 210


Descendo a escada, de braço com o marido, dona Flor lhe diz:

- Todo o mundo lhe gabou, Teodoro. Lhe encheram de elogios. Todos gostaram e disseram que você se saiu muito bem…

Sorriu modesto:

- Bondade dos colegas… Mas talvez tivesse dito alguma coisa útil… E tu, que achaste?

Dona Flor apertou sua grande mão honrada, seu bom marido:

- Uma beleza. Não entendi muito, mas adorei. E fico toda cheia de vento quando te elogiam…

Quase lhe diz: “não te mereço, Teodoro” mas talvez ele com todo o seu grego e o seu latim, não a entendesse.


Se o mundo dos farmacêuticos fora imprevista descoberta, imagine-se o secreto e quase cabalístico universo musical da orquestra de amadores onde penetrou dona Flor pela estreita porta de fagote.

Aqueles graves e respeitáveis senhores, todos eles assentados na vida, com títulos universitários ou com magazines, empresas, escritórios – todos menos Urbano Pobre Homem melodioso violino, simples caixeiro da loja Beirute – constituíam uma espécie de comunidade fechada com características de seita religiosa. “Sublime religião da música, misticismo de sonoridades, com seus deuses, seus templos, seus fiéis e seu profeta, o inspirado compositor e maestro Agenor Gomes”, conforme reportagem de Flávio Costa, jovem jornalista fazendo seu aprendizado gratuitamente nas páginas de “O Lojista Moderno”, do generoso Nacife (nada cobrava ao foca pelos ensinamentos). A reportagem sobre os amadores ocupara toda a última página do Lojista, ao centro um cliché em três colunas da orquestra completa e em trajes de rigor nos jardins do palacete do comendador Adriano Pires, o qual, aliás, logo no dia seguinte ao da saída do periódico recebeu a simpática visita de seu director, que veio lhe falar das dificuldades inúmeras de um jornal sério como o seu. Impossível sobreviver, senão pudesse contar com a compreensão de homens como o titular do Vaticano, coração e carteira sensíveis a esses dramas da imprensa.

Exibia o pasquim com a reportagem (“garoto inteligente o redactor, um talento, mas um menino desses, comendador, nos dias de hoje, cobra uma fortuna por mês), o milionário desamarrava a bolsa, enternecido ao ver-se junto ao violoncelo, em meio aos seus irmãos de seita. Seita com suas obrigações, seus hábitos, um estrito ritual e uma alegria semanal de pássaros: o ensaio nas tardes de sábados.

Chegada dos alguidares, do gral, dos piluladores, dos tamises, dos potes de louça com óxidos e venenos, com mercúrio e iodo, seguia dona Flor por entre trinados, pizicatos, pavanas e gavotas, dolos e suavíssimos, na esteira do violoncelo e do oboé, dos violinos e do clarinete, da flauta e do trompete, da bateria e do fagote do marido, obedecendo ao piano condutor do maestro Agenor Gomes, simpatia de pessoa. Vinha de dona Sebastiana, de dona Paula, de dona Rita, da voraz Neusoca devoradora de caixeiros, para o convívio ainda mais elegante de damas da nata, as esposas daqueles lordes. Deles costumava dizer o banqueiro Celestino, quando obrigado a ouvi-los num concerto (ah!, a vida de um banqueiro… Há quem a suponha um fruir de delícias, sem imaginar as cacetações, as maçadas…):

- Cada desafinação de um maníaco desses vale milhões…


sexta-feira, agosto 27, 2010

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É inadmissível que estas coisas continem a acontecer por força de tradições obsoletas, estúpidas e desumanas...

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DALIDA - LES GITANS

Nasceu em 1933. Era egípcia de origem italiana mas naturalizou-se e fez a carreira em França. Vendeu 120 milhões de discos e recebeu 55 de Ouro e um de Diamante tendo cantado em 10 idiomas. O sucesso que teve como artista faltou-lhe na vida pessoal. Não teve filhos e os homens com quem viveu tiveram todos um desfecho trágico. O seu 1º marido suicidou-se depois do divórcio e os outros dois, Luigi Tenco e Richard Chanfray também deram cabo da própria vida, Luigi com tiro, após ter sido desclassificado do Festival de San Remo quando defendia a canção, "Ciao Amore Ciao". Ela fez uma 1ª tentativa em 1967 mas em Maio de 1987 suicidou-se também aos 54 anos. Nesta canção, os seus traços fisionómicos fazem-me lembrar a "nossa" Amália. A voz é outra história... sem chauvinismos, a voz de Amália era única.


ENTREVISTAS FICCIONADAS
COM JESUS CRISTO


Entrevista Nº 57




TEMA – ANJOS E ARCANJOS

Raquel – Emissoras Latinas com seus microfones na Nazaré cobrindo a 2ª vinda de Jesus à terra que nos acaba de dar uma entrevista sobre o “mundo do além”, sobre o “céu”… mas um céu com anjos ou sem anjos? Aclaremos esse ponto.

Jesus – Raquel, quando estivemos em Belém expliquei-te que os anjos não existem, são uma poesia, outros nomes de Deus.

Raquel – Mas as pessoas insistem: como é que não existem se a Bíblia fala deles. Estão na 1ª página com uma espada de fogo a defender as portas do paraíso até às últimas páginas tocando as trombetas do apocalipse.

Jesus – Claro, porque a Bíblia está cheia de mensagens e o meu povo imaginou mensageiros para levar essas mensagens, os anjos. Olha, os meus conterrâneos tinham um grande respeito por Deus, até exagerado, de tal forma que nem pronunciavam o seu nome e lavavam as mãos antes de escrevê-lo e para não nomearem Deus usavam nomes de anjos.

Raquel – Mas, existem ou não? Em pequenina disseram-me que eu tinha um anjo da guarda sempre junto de mim…

Jesus – E de que te guardava esse anjo?

Raquel – Dos acidentes, dos perigos. Uma vez salvou-me de morrer atropelada por um autocarro.

Jesus – E então, o que se passou com as outras crianças que morreram em acidentes? Será que os seus anjos estavam a dormir e não as protegeram?

Raquel – Temos uma chamada em linha… alô, sim?... Uma ouvinte quer participar, diz que é uma angeóloga.

Jesus – Uma quê?

Raquel – Angeóloga, especialista em anjos.

Angeóloga – Quero expressar o meu mais enérgico protesto em nome dos anjos Miguel, Rafael, Gabriel e Uriet e ainda de nove coros de serafins e querubins que os acompanham. Eles não podem falar por rádio e como são seres de luz, transparentes, esse impostor que se apresenta como Jesus Cristo não pode vê-los e nega a sua existência. Vade retro!

Jesus – Que disse ela no fim?

Raquel – Creio que o insultou… temos outra chamada, como vê Jesus Cristo, os anjos estão na moda… alô?

Serafim – Fala Serafim, de Caracas. Serafim Del Monte e ainda que me tenham posto nome de anjo, não acredito neles. Relativamente aos nomes que essa senhora que se diz angeóloga mencionou, eu dir-lhe-ei o seguinte: Miguel quer dizer “Quem como Deus”; Rafael, “Deus são”; Gabriel, “Força divina”… o sufixo “el” no fim de cada nome não é mais do que uma forma de referirem Deus. É exactamente o que disse Jesus Cristo, os anjos são nomes diferentes de Deus, espécie de alcunhas, sobrenomes de Deus… poesia!

Raquel – Obrigado Serafim Del Monte… Então, Jesus Cristo, o senhor não viu nenhum anjo nem no deserto quando jejuava ou no monte das oliveiras quando rezava?

Jesus – Não, nunca vi nenhum. No deserto, os anjos que me apareceram foram uns condutores de camelos que me guiaram e deram água e no monte das oliveiras, naquela noite, ninguém veio em minha ajuda.

Raquel – Então, se de verdade, os anjos não existem, por que tanta gente acredita neles?

Jesus – Porque pensam que Deus está “lá em cima” e pomos os anjos no meio, entre nós e esse “céu” onde vive um Deus distante. Quando nos dermos conta de que Deus está connosco e que a sua mensagem está perto de nós já não necessitaremos de mensageiros.

Raquel – Esclarecido o tema dos anjos, ouvintes das Emissoras Latinas? Ou, todavia, ainda subsistem algumas plumas, quero dizer, dúvidas?

Repórter Raquel Perez
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DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 209



Vendo-o tão solene e grave, ao doutor, com o seu grego e o seu latim, o dedo em riste, os colegas a escutá-lo com atenção e deferência, dona Flor dá-se conta da importância do esposo. Não é um qualquer, bem o diz dona Rozilda, os vizinhos têm razão. Deve orgulhar-se dele, agradecer à Divina Providência, que lhe enviara tão bom marido, dádiva do céu. Chegara ao demais na hora certa, quando já não suportava seu estado de viúva, na eminência de dar corda e ânimo a qualquer atrevido, de abrir as portas de sua casa e as coxas ao primeiro vagabundo pálido e súplice, como o Príncipe Eduardo das Viúvas. Valha-nos Deus, do que escapara!

Se o farmacêutico não houvesse surgido no balcão da Drogaria Científica no dia do trote dos calouros, ela, dona Flor, em vez de estar ali, cercada de consideração, naquela sala onde ilustres doutores discutiam eruditos temas, rolaria provavelmente de mão em mão nos castelos, em deboche e depravação, perdidas sua honra, suas amigas, suas alunas, terminando quem sabe onde…

Estremece no horror daquele pensamento. Suas palmas ao fim do discurso do doutor Teodoro contêm não só o entusiasmo mas a gratidão. Ele a salvou e é um homem de respeito. Deve orgulhar-se do marido.

Da mesa directiva para onde volta, doutor Teodoro busca com os olhos a esposa e recebe o estímulo de um sorriso, prémio maior para seu esforço e brilho. A discussão continua: ocupa a tribuna o doutor Nobre, cabeça de muito tutano sem dúvida, mas voz ciciada e neutra, em tom menor, irresistível convite ao sono.

Dona Flor quer reagir mas suas pálpebras pesam cada vez mais. Sua última esperança é o doutor Diniz, tribuno famoso desde os tempos de estudante, professor notável, autor de Galénica Digitalis – “communia stabilisata”, tratado definitivo. Mas nem ele nem os demais a sucederem-se no debate conseguiram evitar os cochilos de dona Flor. E não só de dona Flor, dona Sebastiana dorme a sono solto: seu busto imponente sobe e desce e o ar escapa da sua boca num assobio. Dona Rita tem os olhos apertados, de quando em quando tira uma pestana, acorda em susto. Dona Paula resiste certo tempo, depois se entrega, a cabeça no ombro do marido. Só dona Neusa com suas fundas olheiras, está fresca e repousada, só ela não sente o mormaço, nem a monotonia das fórmulas e dos conceitos, como se toda aquela ciência lhe fosse familiar. Seus olhos acompanham os vaivéns do rapazola empregado da Sociedade a encher de água um copo colocado na tribuna para os oradores. Já lhe escolheu apelido: 914, injecção de muita fama, tiro e queda contra a sífilis.

Dona Flor cabeceia, montou-lhe o sono no cangote. Muito ao longe pareceu-lhe ouvir a voz do marido. Um esforço a trás à tona, doutor Teodoro discursa pela segunda vez. Não entendo nada disso, meu querido, fórmulas de química e botânica, espessos argumentos. Perdoa-me senão consigo resistir ao sono, sou uma vulgar dona de casa, uma burra, por demais ignorante, não sou feita para essas culminâncias.

Acordam-na os aplausos, bate palmas, sorri para o marido, envia-lhe um beijo com a ponta dos dedos.

A sessão pouco mais durou e as mulheres, libertas, reuniram-se em sorridente grupo para as despedidas.

O doutor Teodoro esteve magnífico… - comentou dona Sebastiana (como o sabe se dormira o tempo todo?).

- Doutor Emílio, que portento! – dona Paula repete frases ouvidas em
reuniões anteriores –
Doutor Teodoro um sabichão.

quinta-feira, agosto 26, 2010

VÍDEO

Filmado em Lisboa...

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INFORMAÇÕES ADICIONAIS

AO TEMA DA ENTREVISTA
:

“ASCENÇÂO” e “ASSUNÇÃO” (3)


"Ascensão": Uma Metáfora

A Ascensão de Jesus, ao contrário da Assunção de sua mãe Maria, não é um dogma de fé. Como aparece nos relatos de dos evangelhos, Mateus, Marcos e Lucas, a doutrina oficial considera essa “subida” como um facto “histórico”, mais um dos dados que compõem a “biografia” de Jesus. Mas este episódio é uma metáfora: quando dias depois de morrer Jesus “subiu aos céus”. O número 40 é um número simbólico ao longo de toda a Bíblia. Neste caso, significa que foi um período completo e irrepetível para aqueles que integraram o Movimento de Jesus e acreditaram na sua mensagem e se convenceram definitivamente que Jesus continuava com eles e que estava nas mãos de Deus e não dos injustos: “Havia ganho a partida”.

O Céu Será Uma Festa

O “céu” é o que vemos “acima”, o manto azul que cobre a terra, onde correm as nuvens e brilha o sol, a lua e as estrelas.

Uma maioria de tradições religiosas situou Deus no “céu”, nesse “acima”, externo, distante e superior. Jesus, não. Jesus falava de Deus “dentro” de cada pessoa e falava também de um Deus presente nas relações humanas, justas, solidárias e piedosas.

Jesus falou muitas vezes do cumprimento pleno do reino de Deus mas nunca lhe chamou céu. Em muitas passagens dos evangelhos aparece a expressão “reino dos céus” que não é de Jesus porque ele sempre falou e pregou “Reino de Deus”.

Nunca Jesus se referiu tampouco a um final desvinculado da história. Utilizou várias imagens para falar do futuro, do “mundo novo”; os seres humanos verão a Deus com seus olhos, repartirão a herança, ouvirão risos de festa, a família de Deus sentir-se-á à mesa de um banquete, partirá e repartirá o pão da vida… e tudo mudará: os últimos serão os primeiros, os pobres deixarão de o ser, os esfomeados serão saciados, e os que choram rirão.

O mais original da mensagem de Jesus e do seu Movimento é conceber que tudo isto começa já na terra, no mundo das relações humanas, vivendo em comunidade e solidariamente, compartilhando, cuidando da vida, curando os que estão enfermos ou estão tristes… Tudo isto se inicia aqui como ponto de partida do que será a plenitude. A imagem do banquete de festa com a casa cheia a transbordar foi central na linguagem usada por Jesus para falar sobre o futuro.
(Mateus 22,1-
14).

ELTON JOHN - NIKITA (legendado)
Um grande sucesso de um dos mais inspirados músicos britânicos


DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 208


Relatório extenso, com ampla análise do debate, encontra-se na Revista Brasileira de Farmácia, de Paulo, financiada pelos grandes laboratórios, não escondia a revista a sua posição a favor dos produtos manufacturados. Não deixou, no entanto, de conceder justo relevo às brilhantes intervenções do doutor Madureira, intransigente e douto adversário, a quem rendemos nossas homenagens. Intransigente e douto – quem o diz, com toda a sua autoridade, é a Revista Brasileira de Farmácia, não somos nós, incondicionais do doutor.

Muito esforço fez dona Flor para acompanhar e entender o impetuoso debate: manda a verdade que se diga não lhe ter sido isso possível. Por amor ao esposo e por amor-próprio gostaria de manter a atenção presa aos oradores, mas, desconhecendo teses e fórmulas, soando-lhe rebarbativas aquelas palavras e frases em línguas mortas, não conseguiu concentrar-se nos discursos.

Seu pensamento perdeu-se vagabundo em matérias menos filosóficas, indo dos problemas da escola, com os disse-que-disse de Maria Antónia tão divertidos (chegou a sorrir em meio aos fortes argumentos do doutor Sinval Costa Lima, o da jurubeba), à preocupação com Marilda, cada vez mais obstinada e impaciente em sua decisão de exibir-se aos microfones, exemplo – segundo doutor Teodoro – da péssima influência das actrizes de cinema sobre a juventude. Tornara-se respondona e desobediente, estabelecera relações com um sujeito do meio radiofónico, Oswaldinho Mendonça, e o dito que lhe acenava com programas e cachés. Dona Maria de Carmo, por sua vez, mantinha um controle total sobre os menores passos e gestos da estudante, pondo-a de castigo, proibindo-a de sair de casa.

Quando dona Flor se deu conta, quem estava ao microfone não era Marilda e, sim, doutor Teodoro. Tentou seguir-lhe a dialética, apreendendo-lhe os argumentos com que ele confundia os adversários. O rosto grave, a face circunspecta, os gestos polidos mesmo quando fogosos, era a imagem do homem digno, do íntegro cidadão a cumprir o seu dever – no momento seu dever de farmacêutico, honrando seu diploma de doutor (mesmo contra os seus interesses de comerciante).

Sempre a cumprir o seu dever, sempre íntegro cidadão. Na véspera, à noite, com a mesma competência e sisudez, cumprira seu dever de marido ante a esposa, na cama.

Por estar nervosa, de sensibilidade à flor da pele (Marilda aparecera numa crise de lágrimas e soluços a falar em suicídio: “ou cantar na rádio ou morrer”, eis sua fanática plataforma); significara discretamente ao marido, em dengues e negaças, sua vontade do bis, naquela noite facultativa, pois era quarta-feira.

Sentira a breve vacilação do doutor, mas como já rompera a timidez e a pudicícia, demonstrando seu anseio nele persistiu. Sem mais hesitar, o doutor atendeu-lhe o desejo e pela segunda vez cumpriu gostosamente seu dever.

Compreende agora dona Flor, na sala de debates, a causa da indecisão do esposo: desejava evitar a fadiga, querendo manter corpo e cérebro em repouso para a noite seguinte, na Sociedade. Entre seus vários deveres dividia ele tempo e esforço.

O bis da véspera não o cansara, no entanto, pois firme na tribuna permanecia em latinório
(ou seria francês aquela língua?): fórmulas soando ao ouvido como versos bárbaros.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Mãe Coragem


Certo dia, uma senhora com o seu bebé de dois ou três meses esperava atendimento no Ministério Público, buscando auxílio para que o pai fosse compelido a pagar a pensão de alimentos. Via-se que era extremamente pobre, jovem, mas com a tez já devorada pelas rugas do sofrimento e, ao que me pareceu, de inanição.

O recém-nascido entrou em pranto estridente, denunciando agonia por fome de leite.

A mãe, ignorando que existia leite em pó ou outro sucedâneo, desesperava, pois os seus seios mirravam da seiva da vida.

Sendo já choro lancinante, a Drª Leonor Esteves, ouvindo do seu gabinete, acercou-se daquela mãe, e como estava em período de aleitação do seu primogénito logo pegou no bebé, à vista de toda a gente que entretanto se juntara, e deu o seu peito, saciando aquele infeliz imberbe.

O dramaturgo Bertolt Brecht autor de uma peça denominada “Mãe Coragem e os Seus Filhos” conta a história de uma vendedora ambulante, mãe de três filhos, que segue um exército em guerra para com ele fazer lucro. Ao longo desse percurso obstinado de 12 anos, ela acaba por ver morrer todos os seus filhos.

O episódio em que intervém a Drª Leonor Esteves aconteceu em Lamego, num Tribunal daquela Comarca, há cerca de duas décadas e é-nos contado no Boletim da Ordem dos Advogados.

Dele, retiramos dois exemplos de “mãe coragem” qualquer deles comprovativo do que as mulheres, na relação da maternidade, sem vacilar, fazem pelos filhos:

- De um lado, a juíza, que sem pruridos ou preconceitos despiu a toga para de imediato, sem hesitações e em público, amamentar um bebé que não era o dela, no superior papel de mulher e mãe;

- Do outro, uma jovem mãe, pobre e frágil que arrosta com os corredores dos Tribunais para pedir ajuda ao Ministério Público no cumprimento da lei naquilo que respeita às mais legítimas, mínimas e elementares obrigações paternais: colaborar na criação do seu filho com o pagamento da pensão de alimentos.

Sem dúvida, ambas “Mãe Coragem”.


Informações Adicionais
ao Tema da Entrevista
sobre:


“Ascensão” e
“Assunção” (2)



Se Não Houvesse Morte…

No seu livro as “Intermitências da Morte” o Prémio Nobel José Saramago cria uma trama surpreendente. Num país qualquer ocorre algo de insólito: a morte decide suspender o seu trabalho e toda a gente deixa de morrer.

Inicialmente, isto causa euforia mas depressa sobrevém o caos e o desespero. Se não há morte, não há tempo e então haverá para todos uma velhice eterna que depressa se torna insuportável. No desespero de uma situação que não conseguem administrar nem assimilar, todos procuram formas, correctas e dúbias, compassivas e “mafiosas” para conseguir que a morte regresse. Até que um dia a morte decide reaparecer… A reflexão que resulta deste ousado argumento pode ajudar-nos a entender o sentido da morte na nossa limitada vida.

Ascensão e Assunção “aos céus”

Quando o cristianismo tradicional afirma que, ao morre, o corpo destrói-se e a alma imortal entra na vida eterna, está a estabelecer uma hierarquia em que o corpo aparece inferior, de menor valor. Esta ideia de superioridade do espírito sobre o corpo que atravessa toda a tradição cristã, teve consequências negativas de todo o tipo, mas não provém de Jesus para quem o corpo é o Templo de Deus e o divino não está acima nem fora do humano.

Os dogmas católicos da Ascensão de Jesus aos céus e a Assunção de Maria, sua mãe, a esses mesmos céus, tentam equilibrar a arreigada ideia católica do desprezo pelo corpo, estabelecendo um privilégio especialíssimo para, pelo menos, dois corpos humanos.

Assunção: Um Dogma de Fé

A tradição de um Deus “acima”, habitando no céu longínquo, é central na doutrina oficial católica. Em Novembro de 1950, Pio XII, falando “ex-cátedra”, na sequência da doutrina papal do século anterior, que era falar infalivelmente – proclamou o dogma da Assunção de Maria “ao céu” com estas categóricas palavras:

- “Declaramos, promulgamos, e definimos que é um dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus, Maria Sempre Virgem, ao terminar a sua vida terrena foi levada à glória celestial em corpo e alma. Portanto, se algum se atreve (Deus não permite) a negar voluntariamente ou a duvidar do que foi definido por nós, será definitivamente afastado
da fé divina católica”.

MIRIAM MAKEBA - PATA PATA (1967)
Nasceu em 1932 e faleceu em 2008 e para além de uma cantora Sul-Aficana foi uma grande activista pelos Direitos Humanos contra o apartheid na sua terra natal. A sua acção política de denúncia das condições de vida no seu país foi de tal maneira contundente e teve como testemunha veemente contra o apartheid nas Nações Unidas que as suas canções foram banidas na África do Sul e a nacionalidade retirada tornando-se apátrida. Esta canção, Pata-Pata tornou-se sucesso mundial ganhando o Prémio Grammy na categoria Folk

DONA

FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


EPISÒDIO Nº 207



No campo oposto, defendendo a industrialização dos remédios (e até sua nacionalização), de acordo com os tempos modernos e a técnica avançada, dona Flor teria ocasião de ouvir o doutor Sinval Costa Lima, cujas descobertas relativas às faculdades medicinais da jurubeba lhe haviam dado amplo renome, e a palavra fluente e arrebatada do célebre Emílio Diniz. Nem por seu adversário naquele debate, negava o íntegro doutor Teodoro o talento fulgurante do professor Diniz:

- É um Demóstenes! Um Prado Valadares!

Igualmente forte de intelectos o partido em cujas combativas fileiras científicas se alinhara o nosso caro Madureira, bastando citar o nome do doutor Antiógenes Dias, ex-director da faculdade, autor de livros, velhinho de oitenta e oito anos, mas ainda com forças para afirmar:

- Remédio feito por máquina não entra em minha farmácia…

Não se metia com sua farmácia há mais de vinte anos e os filhos não só compravam e vendiam remédios manufacturados como eram representantes na Bahia de poderosos laboratórios de São Paulo. “O velho está caduco”, explicavam.

Tinham talvez razão os ingratos, andava o velho de miolo mole, rindo á toa.

Mas, lúcidos e competentes eram os doutores Arlindo Pessoa e Melo Nobre – duas cabeças de primeiríssima – e o próprio doutor Teodoro, cujo nome não deve ser objecto de injusto esquecimento pelo simples facto de o termos como preclaro herói desta despretensiosa crónica de costumes. Sobretudo quando ele próprio confessou à esposa possuir completo domínio da matéria em debate, ressalvando mais uma vez a importância da Assembleia: devia dona Flor considerar-se uma felizarda por ter ocasião de presenciar o histórico debate.

Histórico e académico pois como o próprio doutor Teodoro dissera a dona Flor, nem ele nem os mais ardentes defensores do receituário manipulado deixavam de adquirir para suas farmácias os produtos dos laboratórios. Como fazer frente à concorrência, se desprovessem seus estabelecimentos dessas malditas drogas tão em moda? Sua posição no debate era assim puramente de princípios, gratuita, teórica, nada tendo a ver com as exigências práticas do comércio, pois nem sempre, minha querida Flor, é possível conciliar teoria e prática, a vida tem sórdidas implicâncias.

Não quis dona Flor aprofundar essa contradição entre teoria e prática, aceitando a assertiva do doutor: “exactamente por isso é ainda mais louvável a posição dos que defendem o receituário tradicional”. Quanto a ela, era de pouco remédio e muita saúde, não se lembrando de quando estivera doente (a não ser a insónia de viúva).

Foi realmente noite memorável, como anunciara doutor Teodoro e deram conta as gazetas. Breve, reduzida conta – ao ver suas decisivas alocuções e todas as demais espremidas numa frase incolor com nomes incompletos: “intervieram na discussão, entre outros, os doutores Carvalho Costa Lima, E. Diniz, Madureira, Pessoa, Nobre, Trigueiros. Só o discurso do doutor Frederico Becker merecera algum destaque, louvores “à sua clareza de exposição, seus valiosos conhecimentos, a lógica do seu raciocínio.” Por que tanto desprezo da imprensa pela cultura, por que tamanha economia de espaço – reagia doutor Teodoro – quando sobravam páginas para os crimes mais hediondos e para os escândalos nudísticos das estrelas de cinema, seus divórcios
absurdos,
péssimo exemplo para as nossas mocinhas.

terça-feira, agosto 24, 2010


INFORMAÇÕES ADICIONAIS
AO TEMA DA ENTREVISTA
COM JESUS SOBRE:

“ASCENSÃO” e “ASSUNÇÃO” (1)


“Mais Além…”

Todas as religiões dão resposta à questão do sentido da vida e da história e oferecem – e esse é o seu principal atractivo – a certeza de uma realidade “mais além” da vida que conhecemos, de uma vida que transcende a morte. No Judaísmo clássico essa realidade chama-se “ressurreição”, enquanto que no Cristianismo fala-se de “vida eterna” e no Islamismo “paraíso”.


A Última Fronteira

Na cultura de muitos povos não cristãos a morte é recebida com uma naturalidade que o Cristianismo esqueceu. Os egípcios tinham uma visão formosa da morte: morrer era chegar à outra margem. Nessa viagem o “pássaro alma” elevava-se na direcção do sol perpetuando a sua existência na imagem do deus Osíris.

Em alguns povos índios norte-americanos, não só se aguardava serenamente a morte como também se saía ao seu encontro. Quando as pessoas sentiam no seu corpo que a morte estava a chegar, despediam-se dos familiares e amigos, afastavam-se do acampamento e sentavam-se sós à espera da morte, invocando-a e assim, antes que a morte física chegasse, já eles tinham disposto o seu espírito, dizendo adeus, morrendo para tudo o que era a sua vida.

Na cultura cristã, tão influenciada pela filosofia ocidental, centrada no
“eu” o medo da morte é lógico, porque na morte o nosso “eu” se dissolverá e nós não conseguimos imaginar uma continuidade da nossa vida sem uma continuidade do nosso “eu”.

O atractivo das religiões está precisamente no facto de elas prometerem a solução no futuro e essa solução no futuro inclui a permanência do “eu”. Por outro lado, ao ter-se separado da Natureza o ser humano, ao fazer-se uma dicotomia tão profunda entre o corpo e o espírito, a cultura cristã rodeou a morte de negatividade e até de terror.

Uma perspectiva alternativa, verdadeiramente cristã, deveria fazer-nos ver a morte como uma fase indispensável, natural, do processo da vida, uma meta presente em todos os processos vitais.

A morte é um sinal de que a Natureza domina a vida individual e quando o ser humano não se sente ligado à mãe Natureza ou sente-se superior a ela, com direito de domínio, receberá a morte como um destino imposto de fora, como algo triste, mais que triste, tétrico.

PALOMA SAN BASÌLIO - CONCERTO ARANJUZ
Nasceu em Madrid a 22/11/50, vive a infância em Sevilha, a adolescência em Lugo e estuda Filosofia, Letras e Psicologia antes de iniciar a sua carreira artística em 1975, graças à eleição para apresentadora de um programa de TV.



DONA
FLOR
E SEUS
DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 206



Teve o Regulador Gesteira, o Sabão Caboclo – um negrinho azul, ai minha Nossa Senhora!, o Tiro Seguro, o Maravilha Curativa. Este último representou uma traição de dona Neusa à activa classe dos caixeiros de farmácia, da qual fora até então exclusiva: galante seminarista em férias nas vizinhanças, possuía para a ávida Neusoca duplo sabor de pecado conta a lei dos homens e contra a lei de Deus.

Dona Paula, esposa do doutor Ângelo Costa, da farmácia Góias, veio estudar culinária na Sabor e Arte, revelando bastante vocação. Foi ela a única aluna provinda das hostes da farmácia. Outra, dona Berenice, iniciou o curso mas logo desistiu, incapaz de distinguir entre file e chã-de-dentro.

Com dona Gertrudes Becker, esposa do doutor Frederico Becker, proprietário da rede de Drogarias Hamburgo – quatro na Cidade Alta, uma na Cidade Baixa, outra em Itapagipe – representante de grandes laboratórios estrangeiros e presidente mais ou menos perpétuo da Sociedade, rei da magnésia e da urotropina, dona Flor não trocou visitas. Só descia dona Gertrudes do seu trono uma vez por ano quando no baile de Dezembro concedia tocar com a ponta dos dedos as mãos daquela pequena burguesia aflita e sôfrega com a qual seu marido tinha identidade de negócios.

Quanto ao doutor Frederico, senão aos almoços com gasosa e vinho do Rio Grande, não faltava às reuniões da Sociedade, presidindo-as, dando a última palavra sobre qualquer assunto.

Era um alemão baixote, de olhos azuis e doces e áspero acento. Corriam lendas a respeito da sua fortuna e também de seu título de farmacêutico, fornecido por distante escola alemã quando ele já era dono de três farmácias.

Adorava crianças, parando na rua para lhes dar bombons dos quais trazia sempre bolsos cheios.

Mal completara dona Flor dois meses de casada quando subiu pela primeira vez as escadarias a conduzir às salas da Sociedade Bahiana de Farmácia, no segundo andar de um prédio colonial no Terreiro de Jesus. No andar de baixo funcionava o Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade numa feroz concorrência aos farmacêuticos, pois médiuns e irmãos do astral obtinham curas radicais de todas às enfermidades à base de receitas metafísicas, prescindindo de mezinhas, drogas e injecções.

Ia dona Flor ter a oportunidade única de testemunhar o sensacional debate a ser travado naquela noite na reunião da Sociedade Bahiana de Farmácia, em torno do trabalho do doutor Djalma Noronha, tesoureiro do grémio: “Da crescente aplicação pela classe dos médicos de produtos manufacturados, com o consequente declínio do receituário manipulado, e das imprevisíveis consequências resultantes”.

Encontrava-se a classe dos boticários dividida entre aquela tendência da maioria da classe dos médicos, sendo uns entusiastas dos remédios fabricados e embalados nos laboratórios do Sul, partidários outros das mezinhas tradicionais pacientemente medidas nos fundos das farmácias, as fórmulas escritas e coladas aos vidros e caixas, garantindo o produto pelo farmacêutico com o aval da sua assinatura.

Durante a semana não tivera doutor Teodoro outro assunto, sendo ele próprio um dos campeões da escola tradicional. “De que valerá o farmacêutico quando só existirem produtos manufacturados? Não passará de mais um balconista, um mero caixeiro em sua farmácia”, iria declarar patético na reunião.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Homem de Cor



Após ser chamado “homem de cor”, o Crioulo vira-se para o homem branco e diz:

-- Meu caro irmão branco, quando eu nasci, eu era negro, depois eu cresci, e continuei negro; quando eu pego sol, eu sou negro, quando sinto frio, eu permaneço negro, quando eu tenho medo, eu sou negro, quando adoeço, continuo negro, e o dia em que eu morrer, ainda serei negro.

Enquanto que você, homem branco, quando você nasce, você é rosa; quando você cresce, você fica branco; quando você pega um Sol, você fica vermelho; quando sente frio, fica azul; quando sente medo, fica verde; quando adoece, fica amarelo e quando você morrer, vai ficar cinza.

Então, meu amigo, como é que você ainda tem a cara de pau de me chamar de Homem de Cor?!


ENTREVISTAS


FICCIONADAS


COM JESUS CRISTO



Entrevista Nº 56



TEMA – ASCENSÃO E ASSUNÇÃO



Raquel – Emissoras Latinas continua na Nazaré. Na cave da igreja da Sagrada Família um cemitério dos tempos de Jesus. Até aqui chegámos na companhia do mesmo senhor Jesus Cristo.
Estarão aqui os restos dos seus familiares?

Jesus – Quando o meu pai morreu enterrámo-lo onde se sepultavam todos os nazarenos. Mas isto mudou tanto…

Raquel – Foi duro para o senhor?

Jesus – Sim, minha mãe ficava viúva com vários filhos… tudo mudou na família quando faltou o meu pai.

Raquel – E como morreu ele?

Jesus - Não de enfermidade nem de velhice… os homens adiantaram-lhe a sua hora. Eram tempos difíceis na Galileia. Os soldados romanos cometiam muitos atropelos e o meu pai era um homem justo. Por esconder una rapazes que fugiam de uma matança os soldados deram-lhe uma tareia que o deixaram muito ferido e ele não mais se levantou.

Raquel – Sinto ter-lhe recordado essa dor… e sua mãe?... Onde morreu ela?

Jesus – Creio que em Jerusalém. Mas ouvi dizer que não, que foi em Éfaso, essa cidade tão distante para onde João a levou… como eu lhe tinha pedido que cuidasse dela… Mas diz-me, por que queres que eu fale disto, Raquel?

Raquel – Por que os nossos ouvintes querem saber se é verdade o que dizem sobre o final da vida de sua mãe.

Jesus – E o que se diz, Raquel?

Raquel – Que ela não morreu, porque… porque não podia morrer…

Jesus – Não pode ser… todos morremos. Vimos do pó e ao pó regressaremos.

Raquel – Dizem também que o corpo de sua mãe era tão imaculado que a terra não o podia tragar.

Jesus – Quando o grão de trigo cai na terra, apodrece mas não morre. Segue vivendo numa nova espiga.

Raquel – Bem, dizem que ela não morreu mas que adormeceu. Isso do sono será verdade ou lenda?

Jesus – É uma bonita parábola. Porque ao morrer despertamos em Deus. Fecha-se uma porta, outra se abre…

Raquel – Mas não falam de uma porta e sim de uma escada… Afirmam que Maria subiu ao céu. É um caso distinto do seu. Porque do senhor sabemos que se elevou por si só e a ela a carregaram os anjos.

Jesus – É isso que dizem?

Raquel Sim, e ainda hoje.

Jesus – Creio que começaram a inventar.

Raquel – Não, é um dogma da fé: a palavra oficial que usam no seu caso é a “ascensão”. No dela é a “assunção”. Em linguagem actual diríamos que o senhor se “propulsou” até às alturas enquanto que a sua mãe foi “sugada”.

Jesus – Que disparate, Raquel!... Ninguém tem que subir a parte nenhuma porque Deus não está acima. Está aqui, dentro de mim, dentro de ti. Deus é o coração de todas as criaturas.

Raquel – E o céu, então? Em programas anteriores o senhor nos disse que não há inferno… tão pouco há céu? Que se passa depois da morte?

Jesus – O céu é obra das suas mãos. Vivemos nas mãos de Deus e ao morrer seguiremos nas suas mãos.

Raquel – Mas, se não é pedir demais, como o senhor vem do “além” poderia adiantar-nos algo?

Jesus – Se uma criança, antes de nascer, lhe contassem o que vai ver fora do ventre da sua mãe, não acreditaria, não entenderia tão pouco.

Raquel – Mas uma pista, um avanço, sequer?

Jesus – Asseguro-te que nem eu o vi, nem o escutei, nem a minha mente pode imaginar o que Deus tem preparado para aqueles que amam a verdade.

Raquel – Então, ficaremos entre o céu e a terra. Nem “ascensões”nem “assunções” mas sim uma grande esperança.

De Nazaré, Raquel Perez, Emissoras Latinas

VÍDEO

Parece que Deus não aprecia tanto exibicionismo...

video

GLÓRIA GAYNOR - I WILL SURVIVE
O maior êxito de Glória Gaynor, em 1979. A música fala de uma mulher recém abandonada pelo seu companheiro dizendo-lhe que não precisa dele e que é capaz de se virar sózinha. Em 1980 ganhou com esta canção o Grammy da Melhor Gravação que viria depois a ser regravada por diversas vezes e por diversos artistas.

DONA FLOR E

SEUS DOIS
MARIDOS


Episódio Nº 205


Descobriu dona Flor desconhecidos e insuspeitados mundos, pelo braço do seu marido neles penetrou, vindo a ser figura de realce, “gracioso ornamento”, como sobre ela escreveu, justo e gentil, dando conta da festa dos Taveiras Pires, o nosso exigente Silvinho, de indispensável citação.

Nunca lhe ocorrera existir um universo só de farmacêuticos, hermético e fascinante: com seus assuntos privativos, sua visão peculiar da vida, sua linguagem própria, sua atmosfera de nitratos e calomelanos. Universo cuja capital e cúpula era a Sociedade Bahiana de Farmácia, com sede própria, um andar inteiro, limitando com outros mundos, mais ou menos importantes como o dos médicos, casta suficiente e poderosa, beneficiária do trabalho dos demais.

Sim, de que valeriam os médicos – perguntavam os líderes da farmacologia – se não existissem os farmacêuticos? Por que então essa pose, essa arrogância?

Igualmente presunçosos, os representantes dos laboratórios; corteses e até humildes na hora de vender; desatentos com os pequenos, por vezes rudes na hora de cobrar uma promissória em atraso. Mais agradáveis com os caixeiros-viajantes, com as malas de remédios e as últimas anedotas. Toda essa gente, da universidade e do comércio, com seus títulos, seu dinheiro, sua pose, erguia-se sobre um vasto chão de oficiais e balconistas de farmácia, de míseros ordenados.

Ao passar em frente à Drogaria Científica, ao cruzar seu passeio, ao adquirir um tubo de pasta dentífrica ou um sabonete, jamais percebera antes dona Flor o forte hálito daquele mundo das drogas, sua respiração.

Mundo onde mourejava seu marido, apoiado no canudo de doutor (e mais ainda nos conhecimentos resultantes da longa prática nos laboratórios e balcões), em sua capacidade de trabalho e em sua honradez buscando assegurar-se uma situação financeira e certo renome científico. Situação modesta, modesto renome, suficientes no entanto para abrir a dona Flor as portas daquele mundo de iodos e sulfatos; para fazê-la beneficiária dos programas culturais e recreativos da Sociedade Bahiana de Farmácia: as assembleias na sede própria, com leitura e debate de teses e trabalhos sobre temas científicos ou profissionais; os almoços, em datas festivas – posse da nova directoria, o Dia do Farmacêutico – rega-bofes onde se reuniam directores e associados (com suas famílias) em ruidosa confraternização de classe como repetia infalível doutor Ferreira, em seu infalível discurso. Sem esquecer o baile do fim do ano, em Dezembro, antes do Natal.

Frequentou dona Flor, com certa assiduidade sem exagero, as teses e os repastos. Estabeleceu relações com esposas de colegas do marido, e algumas visitou e por elas foi visitada, rendendo-lhe essa troca amabilidades três ou quatro amigas e uma só aluna.

Dona Sebastiana, esposa e braço forte do doutor Sílvio Ferreira, secretário-geral da Sociedade e seu principal animador, mulherona alegre, tinha uma voz de trovoada e um riso contagiante. Dona Rita, senhora do doutor Tancredo Vinhas, da Farmácia Santa Rita, constituía com o marido um casal magro e agradável, ele a fumar cigarro sobre cigarro, ela com uma pequena tosse de tísica encruada. Dona Neusa, a loira Neusoca dos olhos gaios, era mulher de R. Macedo & Cia. A companhia formavam-na os caixeiros, sendo dona Neusa atirada a um caixeirinho novo. Deles fazia colecção e os rebatizava com nomes dos remédios mais em moda. Houve Elixir de Inhame, mulato grosso, Bromil parecia um menino de tão jovem e frágil, ainda imberbe e inocente, jóia preciosa da rara colecção. Lindo era Emulsão de Scott, labrego recém-chegado das terras da Galícia, com faces de maçã. Saúde da Mulher foi o pequeno Freasa, que fez companhia quando ela convalescera
de hepatite.

domingo, agosto 22, 2010

O BÊBADO E A DAMA DE PRETO...


Começou a música e um bêbado levantou-se cambaleando e dirigiu-se a uma senhora de preto e pediu:

- Hic... Madame, me dá o prazer dessa dança?

E ouviu a seguinte resposta:

- Não, por quatro motivos:

Primeiro, o senhor está bêbado!

Segundo, isto é um velório!

Terceiro, não se dança o Pai Nosso!

E quarto porque 'Madame' é a puta que o pariu! Eu sou o padre!

UM PASSODOBLE COM DESEJOS DE UM BOM DOMINGO

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