sábado, novembro 02, 2013

NAZARÉ

Abra o ecrã e veja, com banda sonora de Carmina Burana, as imagens espectaculares de surfistas sobre as ondas do mar alteroso da Nazaré e também a acção das motas de água no seu apoio. Exemplos de coragem e de elevadíssimo risco.
Na década de sessenta, anos a fio, passei férias na Nazaré em casa alugada aos pescadores e mesmo na praia de banhos, um pouco a sul deste local das ondas gigantes, poucos eram os dias de bandeira verde. A ondulação era seguida e muito traiçoeira sendo, por vezes, mais difícil regressar do mar do que entrar nele... tive essa experiência mas aprendi logo... nunca mais saí para lá da linha de ondulação. E na zona de rebentação era preciso muito cuidado porque as ondas têm tamanhos diferentes e quando regressavam levavam tudo com elas, crianças inclusivé. O meu filho se eu não estivesse com atenção para o sacar a tempo da água... tinha ido. É que o areal afundava repentinamente criando um forte poder sucção.


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Pendurado na árvore.



Se um dia você vir um elefante cor-de-rosa das duas uma: ou você bebeu mesmo muito ou então está a ser vítima de uma enorme brincadeira.... pelo menos do tamanho de um elefante!

Teologia da Libertação - Violência estrutural
“VIOLÊNCIA OU

 NÃO

 VIOLÊNCIA” 



Jesus da Nazaré

 e os  Zelotas





Zelotas - Quantos estão entre "os doze"?


Dadas as suas características, os Zelotas depositaram em Jesus muitas expectativas e o poder de chamamento do Profeta de Nazaré teve que chamar a atenção deles. Jesus, um galileu, tinha que conhecer os Zelotas e concordar com eles em muitas coisas.

Quando Jesus começa o seu movimento proclamando: “O Reino de Deus está próximo” coincidiu com o anúncio da esperança que os Zelotas tinham já espalhado por toda a Galiléia, como bandeira contra os ocupantes romano.


Além disso, o facto do Movimento de Jesus nascer e crescer na Galiléia torna lógico pensar que os Zelotas tivessem participado no seu Movimento. Entre "os doze" Apóstolos, Judas, certamente foi um deles. Simão, um dos doze, é mesmo apelidado de "o Zelota" (Lc 6, 15).


A alcunha que Jesus deu aos irmãos Tiago e João, chamando-lhes os "Boanerges" (filhos do trovão), e o apelido que ele deu a Simão Pedro, chamando-lhe "Barjona”, nome guerreiro, também parece estar associado ao Movimento Zelota.




A "Violência Estrutural" e "Violência Institucional"


Ao falarmos do pecado estrutural - o pecado de viver em sociedades com grandes desigualdades entre os poucos ricos e os muitos pobres, que toleram a injustiça contra a sua vida - a Teologia da Libertação propôs o conceito de" violência estrutural "e de "violência institucionalizada".


Estruturas de violência são as que provocam a fome e o latifúndio, as que atropelam os mais débeis deixando-os indefesos. Essa violência institucionaliza-se, também, através de leis injustas. E assim, pode haver uma ordem jurídica que ameaça violentar os direitos humanos, a "violência institucional"


Ao longo da história da Igreja multiplicaram-se reflexões sobre aquilo que, a partir do século XIII, Tomás de Aquino chamou de "guerra justa", um conceito tão amplo e flexível que tem sido usado para justificar intervenções armadas justas como também muitas atrocidades.

Sessão de Terapia de Grupo

Quatro pacientes estão reunidos.

O terapeuta pede que todos se apresentem, digam qual é sua actividade e que comentem porque a exercem.

O primeiro diz:

- Chamo-me Francisco, sou médico porque me agrada tratar da saúde e cuidar das pessoas.

O segundo apresenta-se:

- Chamo-me Ângelo. Sou arquitecto porque me preocupa a qualidade de vida das pessoas e como vivem.
A terceira diz:

- Chamo-me Maria e sou lésbica. Sou lésbica porque adoro mamas e rabos femininos e fico louca só de pensar em fazer sexo com mulheres.
Faz-se um silêncio.

Então o quarto diz:

- Sou Manuel Joaquim e até há pouco achava que era pedreiro, mas agoa acabo de descobrir que afinal sou é lésbica...

A PSICÓLOGA 


Um homem entra num restaurante e vê uma mulher muito bonita sozinha numa mesa.


Ele se aproxima e pergunta:


 - Estou vendo você sozinha nessa mesa. Posso sentar-me e fazer-lhe companhia?


Escandalizada a mulher berra:


-Seu mal educado! Transar comigo? Você acha que eu sou o quê?


O restaurante todo ouviu.


O rapaz, não sabendo onde pôr a cara, tenta consertar :


-Eu só queria lhe fazer companhia, mais nada.


-E você insiste!!! Atrevido!!!


O rapaz sai de fininho, e vai sentar-se no outro canto do restaurante, cabisbaixo.


Depois de alguns minutos, a mulher se levanta e vai até a mesa dele e diz baixinho:


-Me desculpe pela forma como eu o tratei... é que sou psicóloga e estou estudando as reacções das pessoas em situações inusitadas...


E o homem berra:


-MIL E QUINHENTOS REAIS? VOCÊ ESTÁ LOUCA? NENHUMA PUTA VALE ISSO!!!


JUBIABÁ

Episódio Nº 153


Seu Juvêncio reclamou de novo. Na terceira vez disse que o sargento não podia continuar dançando. O sargento empurrou seu Juvêncio.

António Balduíno se meteu, apoiando seu Juvêncio, derrubou o sargento que saíu desmoralizado, ameaçando. Depois foi beber uma cerveja com o secretário. Mas não é que o sargento voltou com uma turma de soldados?

E saíu um barulho feio. Foi uma pancadaria medonha. Houve quem se trancasse na latrina e até tiros os soldados dispararam. A festa acabou com cabeças quebradas e gente na cadeia. António Balduíno conseguiu escapar.

Ficou célebre no “Liberdade na Baía” e quando aparecia seu Juvêncio fazia muita festa, mandava descer cerveja. Mas a verdade é que ele preferia as festas do morro do Capa Negro, das ruas de Itapagipe, do Rio vermelho, aos bailes do “Liberdade na Baía”.

No carnaval sim, é que gostava do clube porque saía vestido de índio, com penas vermelhas e verdes, cantando canções de macumba. No carnaval era bom. Mas no São João ele preferia ir para a festa que João Francisco dava na sua casa, no Rio Vermelho, com uma fogueira enorme na porta, um mundo de balões, foguetes, muita cangica e licor de genipapo.

Mas esse ano teria que ir ao “Liberdade na Baía”, pois Rosenda Rosedá fizera um vestido de baile e queria estrear na festa do clube. Era vaidosa aquela mulata! Ele bem preferia ir à festa do João Francisco.

António Balduíno vinha pensando que Rosenda Rosedá estava ficando insuportável. Queria mandar nele. Um dia destes ele dava-lhe um pontapé e a botaria para fora de casa.

A negra vivia querendo coisas, fizera vender o urso para comprar um vestido de baile (podia comprar a prestações a um turco), naquele dia pedira um colar que vira numa casa da rua Chile por doze mil reis.

Ele saíra para comprar mas se encontrara com Vicente e deu dez mil reis para o enterro de Clarimundo, que morreu debaixo de um guindaste no cais do porto.

O sindicato ia fazer o enterro mas estivadores queriam arranjar algum dinheiro para a viúva e andavam fazendo uma colecta. Iam levar uma coroa também.

O pobre morreu debaixo do guindaste, aquela bola de ferro batera na sua cabeça (ele carregava um fardo e não podia olhar para cima), e deixava a mulher com quatro filhos pequenos.

António Balduíno deu os dez mil reis e ficou de falar com Jubiabá para ver se o pai santo conseguia arranjar mais alguma coisa para a mulher.

Balduíno conhecera muito o negro Clarimundo, sempre risonho, sempre cantando, e que casara com uma mulata clara. «Uma tábua» como dizia Joaquim. Um bom companheiro que desapertava um amigo quando estava com dinheiro.

Agora tinha morrido, a mulher ia viver do que os outros dessem. De que valia trabalhar, viver debaixo dos fardos carregando os navios? Depois morria e deixava os filhos sem ter de que viver.


O velho Salustiano pegara e se jogara na água. E foi de tanto pensar nestas coisas que Viriato, o Anão, se matara numa noite de temporal.

sexta-feira, novembro 01, 2013

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O tronco da árvore...


Aurea - Okay Alright

A "nossa alentejana" de gema, agora já artista consagrada, na canção que a lançou.

Esposa Desconfiada


Apesar de viverem na abundância, as coisas não corriam bem entre o marido e sua jovem esposa.Na verdade, ela estava convencida de que ele andava metido com a bonita empregada, Colette.
Então resolveu armar-lhe uma armadilha:

Certo dia, enviou a empregada para casa no fim de semana e não informou o marido.
Nessa noite, quando iam para a cama, o marido contou a velha história:

- "Desculpa-me minha querida ........ o meu estômago" e desapareceu em direcção à casa de banho.
A mulher, de imediato, correu pelo corredor, subiu as escadas, e deitou-se na cama da empregada.
Mal tinha apagado as luzes, veio ele, em silêncio... e não perdendo tempo ou palavras, salta para a cama e faz amor com toda a fogosidade, Quando terminaram, e ainda ofegante, a mulher disse:
- "Não esperavas encontrar-me nesta cama!" e, de súbito, ligou a luz.
- "Não, minha senhora"- diz o jardineiro.

Um fanático zelota
QUEM ERAM OS 

ZELOTAS








A palavra "zelota" vem de "zelo". Os zelotas eram apaixonados na defesa da honra de Deus. Um Deus zeloso, que não tolerava outros deuses - o dinheiro, o imperador romano, as leis injustas – dava-lhes o seu nome: fanáticos zelosos.

Os zelotas actuavam na clandestinidade, alguns como guerrilheiros, especialmente na Galiléia, onde o controle de Israel era mais débil. Tinham um programa de reforma: proclamavam que a propriedade devia ser redistribuída de forma justa. Propunham o fim das dívidas inspirando-se na Lei de Moisés do Ano da Graça. Opunham-se ao pagamento de impostos a Roma. Os camponeses, oprimidos por impostos, simpatizavam com o movimento, escondendo os seus membros e colaborando com eles.

O grupo mais radical dos zelotas foi o dos “sicários” porque usavam sempre punhais de pequeno porte, chamados “sicas”, debaixo do manto e muitas vezes cometiam atentados contra os romanos. Os Zelotas entendiam a sua luta como uma verdadeira “guerra santa” e praticavam o sequestro de pessoas importantes, invadiam as propriedades e as casas de romanos ricos e saqueavam os arsenais romanos. A punição para esses crimes contra o Império Romano foi a morte na cruz.

Os zelotas não eram revolucionários sanguinários, o que hoje chamamos de "terroristas". Também não se podiam identificar como um partido político, como agora entendemos o termo.

 A sua ideologia estava enraizada numa tradição religiosa profunda: os israelitas olhavam para o seu país como uma "terra santa" que não poderia ser oprimida por estrangeiros. Caracterizava-os um nacionalista apaixonado e uma espiritualidade muito profunda com base nas mensagens dos profetas. 
Quanto à sua prática, numa visão de curto prazo, era a libertação imediata de Israel do jugo romano. 

Ideologicamente, o grupo foi, talvez, o que mais claramente representou a ânsia de liberdade que o povo de Israel tinha sentido nos últimos séculos de sua história.

O sofrimento da guerra
De Onde Vem a Guerra?


Sem muita reflexão, acreditamos que as guerras são um comportamento exclusivamente humano, não esquecendo que têm suas raízes no comportamento animal, e nos nossos parentes mais próximos na escala biológica, os primatas.

Assim o afirma a especialista em primatologia, Jane Goodall, no seu livro "Através da Janela” quando descreve a guerra entre populações de chimpanzés aparentados. Os chimpanzés são a espécie com quem partilhamos um ancestral comum há cerca de seis milhões de anos.
O comportamento humano ainda está cheio de inércias e de rastos de comportamentos atávicos dos primatas que nos levam a guerras. Esses comportamentos, que partilhamos com eles são três:

1 - A necessidade de estabelecer e defender territórios e fronteiras que separam os grupos;

2 -  O sentido de propriedade e, finalmente;

3 - O ordenamento do grupo com base em hierarquias rígidas.
Os comportamentos agressivos para defender o território, a propriedade e a liderança hierárquica estão na origem de todas as controvérsias, de todos os conflitos, de toda a guerra humana, já que são os mesmos que também estão na raiz de todas as guerras dos primatas.
Portanto, a partilha dos bens, a eliminação das fronteiras, respeitando e celebrando as diferenças, e a eliminação de hierarquias são estratégias da humanidade. 

JUBIABÁ

Episódio 152


Com a alma leve António Balduíno se retirou e cantou o A B C para Rosenda e Jubiabá que o acharam uma beleza. Jubiabá arranjou com seu Jerónimo do mercado que o A B C saísse na “Biblioteca do Povo” (Colectânea das melhores poesias sertanejas, trovas populares, histórias, modinhas, recitativos, orações, receitas úteis, anedotas etc… ao preço de 200 reis).

Saiu junto com a História do Boi Misterioso e com o Caboclo e o recém-nascido e depressa foi decorado pelos estivadores do cais, pelos mestres de saveiros (que a levaram para os cegos das cidades do recôncavo), pelos malandros da cidade, por todos os negros. Agora António Balduíno só pensava em entrar para o “Jazz dos 7 Canários”.


Era sócio do “Liberdade da Baía” mas não aparecia muito por lá. Tinha sempre festas onde ir e no “Liberdade na Baía” a bebida era paga e bóia não havia. Só mesmo por causa de uma mulata ele se abalava para o clube onde seu Juvêncio, o secretário, um negro gordo que era também mestre-sala, lhe dizia invariavelmente:

 - Até que enfim seu Balduíno, deu essa honra ao clube. Parece que despreza a gente…

Não despreza nada. Mas no “Liberdade” não podia dançar agarrado que era proibido, não podia ficar conversando com a dama no meio da sala, não se admitia gente bêbeda.

Tudo isso desagradava ao negro que não sabia se conter, que apertava as negras na dança, que muitas vezes ficava bêbedo.

Lembra-se bem da primeira vez que fora ao clube. Fazia muito tempo. Mal entrara tivera uma briga com seu Juvêncio. O Jazz estava tocando num entusiasmo delirante. Por sinal que era um dos seus sambas, dos primeiros que vendera ao poeta.

Ele tirou uma mulata para dançar (a Isolina, com quem andava de namoro).

Começaram a dançar pela sala e o negro apertou a mulata. Foi o que bastou para seu Juvêncio se meter:

 - Isso não pode… – seu Juvêncio era um mestre-sala muito rigoroso.

 - O que é que não pode?

 - Isso aqui não é local para molecagem.

 - Quem é que está fazendo molecagem?

- O senhor com esta dama.

Balduíno mandou a mão na cara do secretário. Formou barulho mas Jubiabá se meteu e desapertou. Seu Juvêncio explicou que tinha de manter a moral do clube. Se fosse permitir molecagem ali as famílias não viriam mais e que haviam de dizer os pais das moças donzelas que confiavam no clube?

Não importava que ninguém se gostasse. Isso não. Ele lá tinha nada com a vida dos outros! Mas dentro do clube, não. Ali queria respeito e muito respeito. Ali não era casa de mulher dama. Era uma sociedade recreativa e dançante. Isso sim.

António Balduíno achou que ele tinha razão e fizeram as pazes. O negro continuou a dançar e a beber. Acontece que o Gordo veio também e ficaram muito alegres. Mas quase à uma da manhã um sargento do exército começou a dançar muito escandalosamente com uma branca.


Seu Juvêncio reclamou a primeira vez, o sargento nem ligou.

quinta-feira, outubro 31, 2013

Nana Mouskouri na Ópera de Paris -  Canta "VAN PENSIERO"  - "Je Chante Avec Toi Liberté de Giusepe Verdi da ópera NABUCO.

O maior hino musical à liberdade. Inexplicável de tão belo!... 

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AMIGO:



A tua mulher engordou?

- Está feia?

- Velha?

- Sem graça?

Vou dar-te uma pequena ajuda:

- Incentiva-a a andar 5 km de manhã e outros 5 km à tarde.

... Numa semana ela já estará a 70 km de distância...
 

Não paguem o resgate!!!...
Não Paguem

o Resgate!!!...


O executivo saiu do escritório as 18h00 quando viu sua secretária no ponto de ónibus. Estava caindo a maior chuva.

Ele parou e perguntou:

- Você quer uma carona?

- Claro... Respondeu ela, entrando no carro.

Chegando no edifício onde ela morava, ele parou o carro para que ela saísse e ela o convidou para entrar.

- Não quer tomar um cafezinho, um whisky, ou alguma coisa?

- Não, obrigado, tenho que ir para casa...

- Imagine, o Sr. foi tão gentil comigo, suba um pouquinho. Ele subiu, atendendo ao pedido da moça.

Ao chegarem lá, enquanto ele tomava seu drink e ela foi para o quarto enxugar-se e voltou, toda gostosa e perfumada. Deixou antever um belíssimo par de coxas debaixo do baby-doll, escondendo uma escultural bunda, das mais desejadas. A lingerie fio dental que usava, inspirava que a noite poderia ser inimaginável!

Depois de alguns drinks, quem pode aguentar?

Ele caiu literalmente... transou com a secretaria de todas as formas possíveis. Estava bom DEMAIS!

Após intensa actividade sexual, acabaram adormecendo. Por volta das 6h da manhã, ele acordou e olhou no relógio. O maior susto!

Pegou o telefone, discou o número de sua casa e aos berros, disse a quem atendeu:

- NÃO PAGUEM O RESGATE!!!...

JOSÉ VIANA - O CACILHEIRO


A travessia do Tejo é quase tão antiga como o próprio rio. Assim dito parece um exagero mas, de facto, perde-se na memória do tempo a origem do transporte de pessoas e bens por via fluvial entre as margens do Tejo. Os primeiros registos de que há notícia reportam um encontro entre as autoridades de Almada e Lisboa, em 1284, Séc. XIII, para "discussão dos preços da travessia do Tejo a cobrar a homens, bestas e cestos", mas isto é história... Eu próprio, ainda nos anos 40, atravessava o rio no cacilheiro que transportava automóveis, os poucos que haviam nessa época, no Vauxal que o meu pai comprou logo a seguir à guerra, para visitar a minha avó materna que era de Paio Pires, na "outra banda", conhecida no lugar pela T'i Júlia da "Quarela". Estávamos ainda muito longe da Ponte Salazar rebaptizada, mais tarde, para Ponte 25 de Abril. 

José Viana foi um artista completo: cantor, actor, pintor, encenador e músico. Nasceu em Lisboa em 1922 e faleceu em 2003 com 81 anos. Nas andanças da Revista conheceu a artista brasileira Juju Batista, que lhe deu uma filha, a Maria, mas é Dora Leal, com quem também contracena, que se torna sua companheira para o resto da vida e lhe dá mais duas filhas: outra Maria e uma Madalena.

 O fado Zé Cacilheiro, de César de Oliveira, Paulo Fonseca/Carlos Dias, surge em 1966, na revista "Zero, Zero, Zero - Ordem para Matar" e marca em definitivo o estilo próprio do artista.




Prova de Acesso à Universidade:


Interpretar o seguinte poema de Camões:


Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer


Uma aluna deu a sua interpretação:

Ah Camões, se vivesses hoje em dia,
tomarias uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Comprarias um computador,
consultarias a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!



Teve nota máxima. Foi a primeira vez, depois de mais de 500 anos, que alguém entendeu qual era o verdadeiro problema de Camões...

JUBIABÁ

Episódio Nº 152


Não havia dinheiro que fizesse o Jazz ir tocar em outras festas nos dias em que o criouléu dava baile. Ali eles dançavam, vestiam uma roupa qualquer, estavam entre amigos e havia discursos. O “Liberdade na Baía” andava no auge e tinha tradições a zelar. Preparava-se o baile de São João.

Toda a vez que António Balduíno via o “Jazz dos 7 Canários” pensava em ser maestro de uma banda de música ou de um Jazz.

De uma banda de música seria melhor porque os seus componentes vão fardados e o maestro vai na frente, de costas, com uma batuta na mão.

António Balduíno amava as cores vistosas, as fardas rutilantes dos maestros das bandas de música. Os homens do Jazz vestiam uma roupa qualquer ou envergavam (nas festas ricas) smokings que não tentavam o negro.

Assim mesmo, na falta da banda de música ele se contentaria em ser o chefe do Jazz, aquele que canta e sapateia.

Há muito tempo que ele não fazia um samba. Também, nas plantações de fumo, ele não tinha tempo para nada. Porém, agora, mal voltara para a Baía, fizera dois sambas que até na rádio tinham sido cantados e, mais do que isso, fizera o a B C de Zumbi dos Palmares, onde cantava a vida que imaginava para o seu herói.

Pelo seu A B C nascera na África, brigara com leões, matara tigres, e, um dia, enganado pelos brancos, entrou num navio que o trouxe escravo para as plantações de fumo.

Mas ele não gostava de apanhar, fugiu, lutou junto com outros negros, matou muitos soldados e para não se deixar prender se jogou de uma montanha abaixo:

«África onde eu vi a luz
Eu me alembro de ti
Vivia solto, caçando
Comendo fruta e cuscus.

………………………….
………………………….
………………………….

Palmares onde eu briguei
Lutei conta a escravidão
Mil polícias aqui veio
E nenhuma não voltou.

…………………………
…………………………
…………………………

Zumbi dos Palmares então
Do morro abaixo se jogou
Dizendo: meu povo, adeus, vou morrer
Porque escravo eu não sou.

O Gordo decorara logo o A B C e o recitava nas festas acompanhando ao violão.

António Balduíno procurou aquele poeta que lhe comprava os sambas para ver se ele queria ficar com o ABC. Mas o poeta só quis os dois sambas, disse que o A B C não valia nada, que os versos estavam quebrados e outras coisas que Balduíno não entendia.


O negro se zangou porque achava o A B C muito bonito e, depois de ter recebido trinta mil réis pelos dois sambas, disse um bocado de desaforos ao poeta que não reagiu.

quarta-feira, outubro 30, 2013

PLANETA HUMANO

Depois da nossa avó "Lara" ter saído de África com o seu pequeno grupo, há cerca de 100.000 anos, espalhá-mo-nos pelo planeta, adaptá-mo-nos para sobreviver e demos lugar à biodiversidade que significa a riqueza da nossa espécie pela sua tremenda capacidade de forjar soluções para as dificuldades que os vários ambientes, com todos os seus condicionalismos, nos colocaram. Essa é a grande beleza da humanidade para a qual a BBC chama a atenção: vários povos, várias culturas e línguas, diferentes respostas, uma só espécie. Respeitemos as diferenças, que cada povo tenha orgulho naquilo que é, contra a massificação que empobrece.

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Uma referência elogiosa aos médicos das plásticas....


ANNE MURRAY - YOU NEEDED ME

É uma canção linda, repousante, muito bem cantada por Anne Murray, nascida em 1945, cantora de música country canadense. Iniciou a sua carreira em 1968 e até hoje mantém-se no mundo da música.

                            

O PURGATÓRIO

-  E a mentalidade teológica...





A Invenção do Purgatório A palavra “purgatório” significa lugar de limpeza e foi proclamado no Concílio de Lyon:

“Aqueles que morrem na caridade de Deus com verdadeiro arrependimento dos seus pecados, antes de cumprirem os frutos da penitência, são purificados depois da morte com penas purgatórias”.

Esta doutrina do “purgatório” revela bem como funciona a mente teológica. O “purgatório” era uma espécie de ilha de Nova York para os milhares e milhares de emigrantes que afluíam aos EUA, no século XIX e meados do XX, mas de natureza divina.


 Uma ante-câmara para aquelas almas cujos pecados não são suficientemente maus para merecerem logo o inferno precisando ainda de uma reciclagem, uma purificação, antes de poderem entrar na zona livre de pecados que é o céu.


A Venda das Indulgências – Se há alguma instituição à qual se pode atribuir, com propriedade, a expressão de “dinheiro mal ganho” foi a Igreja católica com o dinheiro das indulgências. Elas terão mesmo constituído um dos maiores contos-do-vigário de toda a história que deixará a roer de inveja os trapaceiros da Iurd.

Em 1903 o Papa Pio X, ainda tinha uma tabela para calcular o número de dias de remissão do purgatório que cada membro da hierarquia tinha competência para conceder: 200 dias para os Cardeais; 100 dias para os arcebispos e 50 dias para os Bispos.

Mas as indulgências também podiam ser pagas com orações rezadas por outras pessoas, após a morte, em intenção ao defunto. Claro que essas orações eram pagas em dinheiro e quem fosse muito rico podia garantir o futuro da sua alma por todo o sempre.

A Luta com Lutero Em 1517, o frade dominicano alemão, Johann Tetzel , percorre a Alemanha a promover a venda das indulgências que eram documentos selados pelo Papa para, com esse dinheiro financiar a construção da Basílica de são Pedro, à data, um templo como muitos outros.

Quando Tetzel chegou a Wittenberg, cidade de Lutero, este cravou na porta da Igreja um documento com 95 razões a provar a falsidade da doutrina do purgatório e, naturalmente, recusando o poder das indulgências. A partir desse momento de justa revolta estava iniciada na Alemanha a Reforma Protestante.

Uma dessas 95 razões dizia o seguinte:

- “Por que é que o Papa, cuja fortuna é superior a qualquer outra das maiores fortunas, não constrói uma Basílica de São Pedro com o seu próprio dinheiro em vez de o fazer com o dinheiro dos próprios crentes?”

O Papa emitiu uma bula condenando Lutero por “cometer erros heréticos, escandalosos e ofensivos aos ouvidos piedosos…” e que aquilo “era obra de um bêbado alemão que quando estivesse sóbrio mudaria de opinião”.

Lutero queimou em Wittenberg a bula Papal e, de seguida, o Papa excomungou-o.


As Provas da Existência do Purgatório – O que verdadeiramente fascina na doutrina do purgatório são as “provas” com que os teólogos as fundamentam: provas tão espectacularmente débeis que tornam ainda mais cómico o arrojo ligeiro com que são afirmadas.

Na Enciclopédia Católica, a entrada referente ao purgatório tem uma secção chamada “provas”. A evidência principal para a existência do purgatório é a seguinte: - Se os mortos fossem directamente para o céu ou para o inferno com base nos pecados que cometeram na Terra, não fazia sentido rezar por eles… por que rezar pelos mortos senão houver uma crença no poder da oração para proporcionar refrigério àqueles que estavam excluídos dos olhos de Deus… e nós rezamos pelos mortos, não é? Portanto o purgatório deve existir, caso contrário as nossas orações não fariam sentido”.

Isto é um bom exemplo daquilo que, na mente dos teólogos, passa por ser um raciocínio lógico.

Não vendam essa vaca
Não Vendam Essa Vaca

A Madre Superiora de uma congregação irlandesa, com seus 98 anos, estava em seu leito de morte.
As monginhas a rodeavam, tentando tornar cómoda sua última viagem.
Deram-lhe leite quentinho, bebeu um gole e não quis mais.
Uma monginha levou à cozinha o copo de leite. Nesse momento recordou que havia na despensa uma garrafa de whisky
irlandês que lhes haviam dado para o Natal, e pôs uma boa dose no leite.
Voltou ao leito da superiora e    aproximou o copo da boca.
A superiora bebeu um golinho, depois outro e antes de que se dessem conta, tomou até a última gota.
As monginhas lhe disseram: "Madre, dê-nos uma última palavra de sabedoria antes de morrer"
Com um último esforço, levantou-se um pouco e lhes disse:

 - "Não vendam essa vaca".

A CULPA

A culpa é do pólen dos pinheiros
Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das 'strippers' que nunca se põem nuas
Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos, do João e da Catarina
A culpa é dos frangos que têm HN1
E dos pobres que já não têm nenhum
A culpa é das prostitutas que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados,
A culpa é dos que têm uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã.
A culpa é do Eusébio, que já não joga a bola,
E daqueles que não batem bem da tola.
A culpa é dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia.
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas que ficam e mendigam.
A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata.
A culpa é do BE, do CDS, do PS e do PCP
E dos que não querem o TGV
A culpa até pode ser do urso que hiberna
Mas não será nunca de quem governa.

JUBIABÁ

Episódio Nº 150


Os negros esqueceram tudo, as raízes de inhame, os montes de tangerina, os abacaxis e os beijus. Querem agora é brigar, que brigar é bom como cantar, como ouvir uma história, como mentir, como contemplar o mar na noite de cais.

O Gordo furta uma garrafa de cerveja para o urso. Alguém grita:

 - Lá vem a cavalaria.

Rápido como começou o barulho acaba. Os homens voltam às suas barracas, aos seus montes de frutas e beijus. A cavalaria não encontra mais nada, apenas um pouco de sangue no local.

Um homem tapa o talho que tem no rosto com o lenço. As navalhas desapareceram. E os negros riem satisfeitos porque nesta noite já se divertiram.

O homem do charuto diz a António Balduíno:

- Foi uma turumbamba dos diabos.

Oferece cerveja, alisa a cabeça do urso. A chuva cai molhando os negros.


                                       CRIOULÉU


O “Liberdade na Baía” ficava na rua do Cabeça, num segundo andar servido por uma escada estreita. É uma sala ampla, cadeiras em redor das paredes para as damas, um estrado onde ficava o jazz.

Há ainda um pátio de cimento com meses, onde é servida a bebida, pois é rigorosamente proibido beber na sala de baile. Ao lado a latrina.

O quartinho onde as damas arranjam o cabelo é bem pequeno, mas tem um espelho grande e um banquinho para elas se sentarem. Tem também um pente e uma lata de brilhantina.

Nos dias dos grandes bailes – quando o carnaval se aproxima ou se aproximam as festas do Bonfim – a sala fica engalanada com flores e com fitas de papel de todas as cores.

Mas agora o que está próximo é o São João e do teto pendem balões inúmeros e inúmeras bolas cheias de vento. Vai ser uma festa de arrocho a de São João.

“O Liberdade na Baía” tem tradições a zelar e o seu baile de Junho reunirá, sem dúvida, toda a criadagem das casas mais ricas, todas as mulatas que vendem doces na rua, os soldados do 19, os negros que estão espalhados na cidade.

É o criouléu mais célebre da cidade. Na Baía não são muitos os criouléus. Os negros preferem ir dançar nas macumbas a dança religiosa dos santos e só vêm aos criouléus nos dias de grande baile.

Mas “O Liberdade na Baía” conseguiu o apoio de Jubiabá que ficou sendo presidente honorário e assim prosperou.

Demais tinha um jazz de barulho, que formara ali, mas que andava ganhando dinheiro nas festas da cidade. Festa de gente rica sem o «jazz dos 7 Canários” não prestava. E os negros até já vestiam smoking.


Porém eles davam tudo na festa do “Liberdade na Baía”. 

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