sábado, março 05, 2011

CHARLIE CHAPLIN - LUZES DA RIBALTA
Um dos mais completos e extraordinários artistas. Recordá-lo é uma obrigação e um prazer

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOBO TEMA:
“OS JUDEUS MATARAM JESUS?” (11)


O Povo Escolhido



A religião judaica, que tem em Moisés o seu fundador, é baseada na aliança que Deus - seu nome é Javé para hebreus - estabeleceu com o povo de Israel, um grupo escolhido por Deus. Obedecendo à Lei, as pessoas obedeciam aos preceitos da Aliança e, em contrapartida, o Senhor presidia aos seu destinos, à sua história futura.
Assim, o Deus de Israel, tornou-se um dos principais actores na história da humanidade, uma novidade nas religiões do mundo antigo.
Pelatradição da fundação deste povo, os israelitas sentem-se o povo eleito por ninguém menos que o próprio Deus.
Cerca de cinco séculos antes de Jesus nascer em Israel, nasceu a ideia de abrir a religião do Senhor a todo o mundo, universalizá-la. Esta ideia era contrária à tradição que fazia do judeísmo uma religião fechada, exclusiva e que excluía.
No "tempo” de Jesus, esta concepção fechada estava ganhando terreno e impondo-se. Jesus questionou-a. A proposta de Jesus não excluía, pelo contrário, ela incluia.
Após a destruição do Templo e da diáspora judaica, será a concepção fechada que irá moldar o judaísmo à volta da Lei e dos ensinamentos dos rabinos. E assim é, até hoje.

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio Nº 47


Agora projectos e sonhos desfaziam-se nas mãos do capitão por obra e graça de Filipa, mulher tão mais ruim a ponto de vender a sobrinha órfã, a filha da sua irmã, sem ninguém no mundo. Porque Rosalvo não pusera o plano em execução porque ficara à espera que o sangue brotasse em Tereza, tingindo sua pequena rosa de ouro, moça feita e pronta, por que não agira antes, não avançara de vez o tempo de viver e de morrer, que mal ia nisso? Agora quem vai fazê-lo é o capitão, Filipa vendeu a menina, menina, sobrinha e órfã, pecado mortal.

- Quem ia impedir, me diga? – volta-se Justiniano para Rosalvo – Alguém ia se atrever, Rosalvo? Você, por acaso?

A voz de Rosalvo chega do chão, da poeira da terra, das cavernas do medo.:

- Ninguém não senhor. Eu? Deus me livre e guarde.

Filipa, negócio tratado, na crucial do pagamento, faz-se amável, cautelosa mas firme:

- Me diga vosmicê também, seu capitão, onde ia encontrar moça mais dotada sabendo fazer de um tudo dentro e fora de casa, sabendo ler e contar, para vender na feira está sozinha, e bonita igual a ela me diga, onde? Tem alguma na cidade que lhe chegue aos pés? Para encontrar uma que se compare só indo na capital, lá pode ser. E quem vai se regalar? Não é o senhor, capitão?

Lento passar das cédulas, contanto que ele não se arrependa, não volte atrás, mantenha a palavra:

- Eu lhe digo, seu capitão, que já veio uma pessoa aqui, pessoa direita, não qualquer um, propor casamento à Tereza, acredite.

- Casamento? E quem foi, se mal lhe pergunto?

- Seu Joventino, não sei se vosmicê conhece, um moço que tem roça de milho e mandioca distante daqui umas três léguas para o lado do rio. Homem trabalhador.

Rosalvo se lembra: nos dias de feira, aos sábados, Joventino após vender seu carrego de milho, de aipim e inhame, os sacos de farinha, vinha puxar conversa, contar histórias, comentar acontecidos, não saía de junto deles. Filipa se assanhara, imaginando-se objecto de tanta insistência, mas Rosalvo se dera conta das intenções do dito cujo, atrás da menina, isso sim.

A vontade era correr com ele, mas não tinha pretexto para fazê-lo, Joventino, muito discreto, não ia além dos olhares, de uma palavra ou outra, e ao demais convidava Rosalvo para um trago, oferecia cerveja à Filipa, guaraná à Tereza. Filipa rebolava a bunda como nos bons tempos.

Um domingo, Joventino aparecera no sítio, todo engravatado, com aquela conversa de casamento. Foi até engraçado, coisa de rir. Filipa virou fera. Lavara meia hora no quarto, se abonecando, o moço na sala com Rosalvo e a garrafa de cachaça, e quando ela se mostrou, toda arrumada e cheirosa, em vez de apaixonado em visita de namoro, encontrou pretendente à mão da sobrinha. Botou o rapaz para fora, aquilo era coisa que se propusesse? Onde se viu pedir em casamento menina de doze anos? Nem moça é ainda. Absurdo. Tia mais indignada e furiosa.

- Vou esperar e volto – anunciou Joventino indo embora.

sexta-feira, março 04, 2011

VÍDEO

O medo dá asas...


video

ANGELA MARIA - MOÇA BONITA
Esta canção, de Angela Maria, eu a dedico a Tereza Batista Cansada de Guerra. Como diz a letra: ... mas cuidado amigo, ela é bonita ela é mulher...

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio Nº 46


Justiniano Duarte da Rosa tirou do bolso o maço de dinheiro, foi contando cédula por cédula, devagar, a contragosto. Não lhe apraz desprender-se do dinheiro, sente uma dor quase física quando não lhe resta outra saída senão pagar, dar ou devolver.

- É só por consideração a vosmicê que, como disse, criou a moleca, deu de comer e educação. Se estou lhe dando esse adjutório, é porque quero. Porque se eu quisesse levar de qualquer jeito, quem ia impedir? Um olhar de desprezo para o lado de Rosalvo, molhava o dedo na língua para melhor separar as cédulas.

Os olhos baços de Rosalvo fixos no chão, sentindo o passar das notas, na raiva, no medo, na impotência. Daquele dinheiro arrancado com tanta habilidade pela coisa ruim, ele não veria nem a cor, a não ser se conseguisse roubá-lo, tarefa arriscada.

Ah! porque esperara tanto se o plano de há muito se completara em sua cabeça, detalhe por detalhe? Simples, fácil e rápido. O mais trabalhoso era cavar o buraco onde enterrar o cadáver, mas Rosalvo contava que, chegada a hora, Tereza o ajudasse.

Quem mais se beneficiaria com a morte de Filipa senão ela. Tereza, livre da tirania doméstica, promovida a mulher de Rosalvo, dona da casa e do roçado, das galinhas e do porco?

Durante meses e meses arquitectara, desenvolvera aquele projecto, vendo a sobrinha crescer, dia a dia se fazendo moça. Percebeu o despontar das sementes dos seios, acompanhou o nascer dos primeiros pelos no ventre dourado.

Quando Filipa dormia a sono bruto de quem dobrou o dia no trabalho, à luz incerta da barra da manhã ele contemplava Tereza no catre de varas, no chão os trapos sujos, largada, quem sabe a sonhar. Estremecia à vista do corpo nu, formas ainda indecisas, mas já vigorosas e belas. Nem precisava tocá-la, nem tocar-se; só de vê-la o prazer subia-lhe pelo peito, penetrava-lhe a carne, inundava-o.

Imagine-se o dia próximo quando ela se fizesse mulher e apta. Nesse dia de festa, Rosalvo iria em busca do necessário no esconderijo da mata e à noite faria o trabalho. Enxada é utensílio de variada serventia, suficiente para acabar com Filipa e para cavar-lhe a sepultura, cova rasa; sem cruz nem aqui jaz, tanto ela não merecera, a desgraçada. Rosalvo roubara a ferramenta na roça de Timóteo há mais de seis meses e a escondera; há mais de seis meses decidira matar Filipa quando Tereza atingisse a puberdade.

Não imaginava sequer pudesse a desaparição de Filipa preocupar vizinhos e conhecidos, conduzir a perguntas e inquéritos. Menos ainda que Tereza protestasse, saísse em defesa da tia, se negasse a ajudá-lo e não o quisesse de homem. Tanta coisa junta não cabia no juízo de Rosalvo, bastara-lhe o roubo da enxada e da corda e a elaboração do plano: liquidar Filipa enquanto a arrenegada dormisse; com ela acordada nem pensar, o morto seria outro. No leito, deitado ao lado da mulher, Rosalvo, via a enxada esmagar-lhe o crânio e a face. Enxergava no negrume da noite o rosto desfigurado, uma posta de sangue: vá arranjar macho no Inferno, puta velha, imundície. Ao ouvir no silêncio do campo o som ronco da enxada partindo ossos e cartilagens, estremecia de prazer. Além desses projectos e dessas visões não se aventurava Rosalvo. Bastavam com sobra para encher-lhe os dias vazios, dar sabor à cachaça, esperança de vida. Vida e morte nasceriam do primeiro sangue vertido por Tereza, vida de Rosalvo, morte de Filipa.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:
"OS JUDEUS MATARAM JESUS?" (10)




Amém: A cumplicidade do Vaticano com Hitler



Há uma ampla evidência de graves erros morais da responsabilidade do Papa Pio XII (1939-1958), antes do Holocausto. De sua cumplicidade com o genocídio, por omissão ou comissão, há amplas provas. Papa João Paulo II, que pediu desculpas por alguns dos erros monstruosos do papado ao longo da história, nunca mencionou este "pecado", um dos mais recentes. E ainda tomou medidas para tornar "santo" Pio XII.
A cumplicidade entre o Papa Pio XII e da burocracia do Vaticano com o nazismo foi lançado massivamente no filme "Amém" (2005), do Director grego Costa Gavras. Os seus dois protagonistas são, um personagem de ficção, um padre jesuíta, e outro alemão, que realmente existiu, Kurt Gerstein e que era membro do Instituto de Higiene das tropas nazis, uma instituição responsável por assassinatos em massa de judeus nos campos de extermínio de Belzec e Treblinka.
Sabendo que o gás Zyklon B, fornecido ao Instituto não era aplicado na desinfecção mas para matar, Gerstein, motivado pela sua sensibilidade cristã, informou as autoridades internacionais e o Vaticano do que estava acontecendo, mas não encontrou eco. Prevaleceram interesses diplomáticos e os cálculos políticos. Em 1945, no final da II Guerra Mundial, escreveu o chamado "Relatório Gerstein", que narra o que aconteceu nos campos de morte e que ele tinha visto com os seus próprios olhos. Suicidou-se após a conclusão.
No livro "A prostituta de Babilônia", o autor colombiano Fernando Vallejo (Editorial Planeta, 2007), aparecem consignadas as hierarquias de outros países europeus e de líderes católicos cúmplices no genocídio dos judeus.

quinta-feira, março 03, 2011

UM INCRÍVEL
EXEMPLO DE VIDA...


QUASE AO FINAL DA PRÁTICA DOMINICAL O SACERDOTE PERGUNTOU AOS FIEIS, NA IGREJA:
"QUANTOS DE VOCÊS CONSEGUIRAM PERDOAR AOS SEUS INIMIGOS?"

A MAIORIA LEVANTOU A MÃO.

O SACERDOTE VOLTOU A REPETIR A MESMA PERGUNTA E ENTÃO TODOS LEVANTARAM A MÃO MENOS UMA PEQUENA E FRÁGIL VELHINHA.

- SENHORA MARIA? A SENHORA NÃO ESTÁ DISPOSTA A PERDOAR AOS SEUS INIMIGOS?

"EU NÃO TENHO INIMIGOS!" RESPONDEU ELA, DOCEMENTE.

"SENHORA MARIA, ISSO É MUITO RARO!" DISSE O SACERDOTE, E PERGUNTOU:

- QUANTOS ANOS TEM A SENHORA?

E ELA RESPONDEU:

- NOVENTA E OITO ANOS!

O PÚBLICO PRESENTE NA IGREJA LEVANTOU -SE E APLAUDIU A IDOSA, ENTUSIASTICAMENTE.

- DOCE SENHORA MARIA, CONTE-NOS COMO SE VIVE 98 ANOS E NÃO SE TEM INIMIGOS?

A DOCE E ANGELICAL VELHINHA SE DIRIGE AO ALTAR E DIZ EM TOM SOLENE, OLHANDO PARA O PÚBLICO EMOCIONADO:

- "JÁ MORRERAM TODOS, AQUELES FILHOS DA PUTA!"

A arte de pensar...


Lili Caneças, simplesmente não pensa.
Rute Marques pensa que é Grace Kelly.
Paulo Pires pensa que é o Diogo Infante.
Diogo Infante pensa que é Paulo Pires.
Pedro Abrunhosa pensa que é António Variações.
E António Variações já não pensa mais.

Manuel Luís Goucha pensa que é a Teresa Guilherme.
Teresa Guilherme pensa que é a Manuela Moura Guedes.
Manuela Moura Guedes não pensa, quem pensa é o Moniz.

Luís de Matos pensa que é David Copperfield.
Edite Estrela pensa que é Hillary Clinton.
E Ana Malhoa, simplesmente pensa que pensa

Júlia Pinheiro pensa que é Barbara Walters.
Herman José pensa que tem graça.
João Baião pensa que vai ser mãe.
João Pinto pensa que é intelectual.
Belmiro de Azevedo, com todo o dinheiro que tem,
pode pensar o que quiser.

Ronaldo pensa que é o número 1.
A irmã dele pensa que canta.
O sr. José Sócrates da Silva pensa que é Deus.
E José Mourinho tem a certeza!


O teu chefe pensa que estás a trabalhar.
O meu também...

OBRIGADINHO
PELA VERGONHA

FERREIRA FERNANDES



A todos os bancários com 58 anos que estão há dez anos na reforma. A todos os jornalistas com dentaduras como teclados de piano pagas quase de borla antes que lhes tirassem essa trafulhice. A todos os maus professores que subiram na carreira só porque passaram tantos anos no ensino quanto os passados pelos bons professores. A todos os mestrandos com idade para saber que nunca exercerão o que estudam, mas que vão aproveitando porque entretanto sempre vai pingando a bolsa obtida graças à influência de um familiar. A todos os condutores de Mercedes que o têm porque o seu nível de patamar do emprego diz "direito a carro de classe X", quando a qualidade com que exercem o trabalho seria mais para andar de burro. A todos os autarcas que fizeram obras em casa e não precisaram de pagar por elas. A todos, pobres e ricos, donos de jantes de liga leve e filhos com educação ainda mais leve. A todos os que lá em casa bebem vinho vulgar mas durante a semana, com factura metida na tesouraria da empresa, hesitam entre o Pera Manca e um Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa. A todos os empresários que declaram às Finanças prejuízo e aos amigos declaram que este ano vai ser Maldivas. A todos: obrigado. Ontem, vendo os meus feitores, humildes e com a boina enrodilhada nas mãos, prestando contas à dona alemã da quinta, senti a minha parte da vergonha. Mas a todos, obrigado: graças a vocês sei que há maiores culpados.

ELIS REGINA - ÁGUAS DE MARÇO
No dia em que Tereza está a ser vendida ao Capitão Justiniano Rosa da Silva, as Águas de Março de Elis Regina ajustam-se a esse Brasil profundo que não vem nas rotas turísticas. Pena foi que Elis não tenha tido a força e a coragem que lhe permitisse enveredar, como fez a Tereza de Jorge Amado, pela luta contra as adversidades da vida. Morreu, melhor dizendo, matou-se aos 37 anos.

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA



Episódio Nº 45


Ainda a sorrir vai pela bandeja de flandres. Na passagem à tia segura-a pelo braço, volta-a de costas e de frente, a exibi-la como sem querer.

- Que modos são esses, não enxerga a visita? Primeiro peça a bênção ao capitão.

Tereza toma da mão gorda e suarenta, roça os lábios nos dedos pejados de anéis de ouro e brilhante, repara no mais lindo de todos, um de pedra verde:

- A bênção, seu capitão.

- Deus lhe abençoe – A mão toca a cabeça da menina, desce pelo ombro.

Tereza diante de Rosalvo, o joelho no chão:

- A bênção, meu tio.

Um nó de raiva estrangula a garganta de Rosalvo: ah! um sonho acalentado tantos e tantos anos, vendo-a crescer, formar-se dia a dia, adivinhando a beleza rara, reprodução para melhor do que fora a mãe Marieta, um esplendor, e a tia Filipa, nos tempos de moça, um desvario, a ponto de ele, Rosalvo, tirá-la da vida e casar-se com ela. Há quanto tempo vem contendo a pressa, acumulando-se essa ânsia, preparando seus planos?

De repente, lá se ia tudo por água abaixo, na porta o caminhão espera com Terto Cachorro no volante. Desde a primeira visita do capitão, Rosalvo se deu conta. Então, por que diabo não agiu, não adiantou o relógio, a folhinha, o calendário da morte? Porque o tempo ainda não chegou, ela é uma criança impúbere, quem bem sabe é Rosalvo, sou eu quem bem sabe, espio pela madrugada, ainda não é tempo dela conhecer homem, Filipa, e não se vende uma sobrinha, a filha órfã de uma falecida irmã. Todos estes anos tenho esperado na paciência e no desejo, Filipa, e a casa do capitão, tu bem sabe, é um inferno. A filha da tua irmã, Filipa, o que tu vai fazer é um pecado, um pecado mortal, tu não tem medo do castigo de Deus?

- tá ficando uma moça – comenta Justiniano Duarte da Rosa, a língua humedecendo os lábios grossos, um brilho amarelo nos olhos miúdos.

- Já é moça, declara Filipa, assumindo as negociações. Mas é mentira, tu sabe que é mentira, Filipa, puta velha desgraçada, sem coração, ainda não chegou seu tempo de lua, não verteu sangue, é uma criança, tua sobrinha de sangue.

Rosalvo tapa a boca com a mão para não gritar. Ah! se já fosse moça, capaz de aceitar homem, eu a teria tomado por mulher, tenho tudo preparado, só falta cavar a cova para te enterrar, Filipa miserável, peito sem compaixão, mercadejando a sobrinha.

Rosalvo baixa a cabeça, maior que a decepção e a raiva é o medo.

O capitão estira as pernas curtas, esfrega as mãos uma na outra, pergunta:

- Quanto, comadre?

Pelos lados da cozinha, Tereza sumiu. Reaparece no quintal, às voltas com o cachorro, correm os dois, rolam no chão. Ladra o cão, Tereza ri, também ela um animal do campo, sadio e inocente. O capitão Justo toca seu colar de cabaços, os olhos miúdos, quase fechados:

- Diga quanto.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:
“OS JUDEUS MATARAM JESUS?”
(9)


Os Carrascos Voluntários de Hitler


Com Adolf Hitler o anti-semitismo chegou ao seu máximo. No seu livro "Os Carrascos voluntários de Hitler” (Taurus, 1997), Daniel Goldhagen prova que o Holocausto não teria sido possível sem a cooperação voluntária da maioria da população alemã.


Segundo o autor, os preconceitos sobre os judeus e a disseminação do anti-semitismo existente em toda a Europa facilitaram o extermínio.


No seu segundo livro, "A Igreja Católica e o Holocausto, uma Dívida Pendente" (Taurus, 2002), Goldhagen acusa a Igreja Católica de ter difundido durante séculos preconceitos anti-semitas. E estuda em profundidade o papel do Vaticano, o Papa Pio XII e as igrejas da Europa durante a ascensão do nazismo e durante o Holocausto.

quarta-feira, março 02, 2011

VíDEO

Se é para rezar...é para rezar...

video

ELVIS PRESLEY - SUSPICIOUS MIND
Uma canção electrizante num voz mágica...

TEREZA
BATISTA

CANSADA

DE

GUERRA

Episódio Nº 44

Se quiser a menina, o capitão terá de pagar bom preço, não vai ser igual a tantas outras que ele comeu de graça. Quando descobre uma a seu gosto, na idade e na boniteza, começa a frequentar a casa dos pais, aparenta amizade, traz um pacote de pó de café, um quilo de açúcar, uns queimados envoltos em papel azul, açúcar-cande, fala manso, vai cercando a pequena, um bombom, um laço de fita, e sobretudo promessas; farto, generoso em promessas, o capitão Justiniano Duarte da Rosa. No mais, canguinha.

Um dia, sem aviso prévio, embarca a menina no caminhão por bem ou por mal, rindo na cara dos parentes. Quem tem coragem de protestar ou dar queixa? Quem é chefe político no lugar, quem escolhe o delegado? Os praças não são capangas do capitão mantidos pelo Estado? Quanto ao meritíssimo juiz, compra sem pagar no armazém de Justiniano e lhe deve dinheiro. Também, pudera, com a esposa e três filhos estudantes morando todos na capital, e ele ali naquele buraco, sustentando rapariga gastadeira, tudo isso na base de um salário de fome pago aos magistrados, como fazer, respondam se souberem.

Certa vez houve uma queixa, apresentado por pai de moçoila de busto empinado, ela de nome Diva, ele Venceslau: Justiniano parara o caminhão na porta daquela gente, fizera um aceno à menina e, sem sequer palavra de explicação, consigo a levara.

Venceslau foi ao juiz e ao delegado, falando em fazer e acontecer, em aleijar e matar. O juiz prometeu averiguar, averiguou não ser verdade nem o rapto nem o desfloramento, ante o que o delegado tendo prometido acção rápida, prontamente agiu: meteu o queixoso na cadeia para não perturbar o sossego público com calúnias contra honrados cidadãos e, para lhe cortar o gosto pelos ameaços e impor respeito, mandou lhe aplicassem exemplar surra de facão. Em troca, ao sair do xadrez no dia seguinte, o pai aflito encontrou na porta, a esperá-lo, a filha Diva, devolvida um tanto amassada, pelo capitão: era furada e de há muito, a cachorra.

Filipa não pretende fazer escândalo, dar queixa, não é maluca para opor-se a Justiniano Duarte da Rosa. Ao demais sabe que mais dia, menos dia Tereza arriba com alguém, se antes não se perder nos matos, se não aparecer em casa de buxo cheio. Comida e emprenhada por um moleque qualquer, senão pelo próprio Rosalvo, certamente por Rosalvo, corno velho sem vergonha. De graça.

Filipa deseja apenas negociar, obter algum lucro, mesmo pequeno, Tereza é o único capital que lhe resta. Se pudesse esperar uns anos mais, com certeza faria melhor negócio, pois a menina desabrocha com força e as mulheres da família eram todas bonitas demais, disputadas, fatais. Mesmo Filipa, hoje um caco, ainda conserva um vislumbre de galhardia, uma lembrança no meneio das ancas, no fulgor dos olhos. Ah! se pudesse esperar, mas o capitão se atravessou no caminho. Filipa nada pode fazer.


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A voz de Filipa rompe o silêncio de intenções e cálculos:

- Tereza! - chama, - vem cá, diabo.

A menina engole o pedaço de goiaba, despenca da árvore, correndo invade a casa, o suor brilha no rosto de cobre, a alegria nos olhos e nos lábios:

- Chamou, tia?

- Sirva o café.

(clique 2 x na fotografia)

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:

“OS JUDEUS MATARAM JESUS?” (8)




O Adolf Hitler "cristão"




Adolf Hitler é o mais emblemático anti-semita da história. Era cristão e difundiu uma ideia que aparece nos escritores do primeiro século: Jesus seria o filho de um soldado das legiões romanas, em missão militar na Palestina. De acordo com Hitler, Jesus não era judeu, já que esse soldado era ariano, a "raça pura".

Valendo-se das sementes do anti-semitismo semeadas pelo cristianismo durante séculos, Hitler decidiu eliminar a raça judia na Europa.

A horrenda lógica desse crime abominável é reflectida no filme arrepiante de Frank Pierson "Conspiracy" (2001), que reproduz as discussões que tiveram lugar no castelo de Wannsee, nos arredores de Berlim, em janeiro de 1942, entre os mais altos Provedores de Justiça do regime nazi para organizar a "Solução Final": o extermínio em massa de judeus em toda a Europa em câmaras de gás.

Muito antes de assumir o controle total do poder na Alemanha e invadir a Europa, Hitler já tinha em mente essa " solução". Num discurso em Munique, em 12 de Abril de 1922 as suas palavras são as seguintes:
- “Com um ilimitado amor, como cristão e homem, eu li uma passagem que nos diz como o Senhor se ergueu no seu poder e usou o chicote para expulsar do Templo essa raça de víboras e serpentes.

Quão magnífica foi a sua luta para libertar o mundo do veneno judeu. Hoje, após dois mil anos, com profunda emoção, reconheço mais profundamente que nunca que foi por isso que Ele derramou seu sangue na cruz.
Como cristão, eu tenho a obrigação de deixar que ele me engane, mas tenho o dever de ser um lutador pela verdade e justiça. E como homem, eu tenho a obrigação de evitar que a sociedade humana não sofra o mesmo colapso catastrófico sofrido pela civilização do mundo antigo há dois mil anos atrás, uma civilização que foi levada à ruína por esse mesmo povo judeu.”

terça-feira, março 01, 2011

LYNN ANDERSON - ROSE GARDEN
As canções, às vezes, são assim: "colam-se" aos lugares onde as ouvimos pela primeira vez. Rodésia do Sul, hoje Zimbabuwe, 1973, Salisbury, hoje denominada Harare, um espaço comercial e aí ouvímos, pela 1ª vez e com muito agrado, Lynn Anderson a cantar Rose Garden.
um ,

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episódio Nº 43

Os olhos do capitão acompanham a menina na escalada, de galho em galho. Os movimentos largos levantam o saiote, mostram a calçola suja de barro. Apertam-se ainda mais os olhos pequeninos de Justiniano Duarte da Silva – para ver melhor e imaginar. Também os olhos de Rosalvo, baços e cansados, olhos de cachaça em geral postos no chão, se animam à visão de Tereza, movem-se, sobem pelas pernas e ancas.

Da beira do fogo, Filipa atenta aos olhares de justiniano Duarte da Rosa e aos do marido: se demorar por pouco que seja, Rosalvo passa ela nos peitos.

As intenções do marido em relação à sobrinha, Filipa as percebera à muito. Razão a mais, poderosa, a favor das evidentes pretensões do capitão. Três visitas em duas semanas, muita conversa fiada, desperdício de tempo. Quando finalmente se decidirá a botar as cartas na mesa e a falar de negócios? Na opinião de Filipa, é hora de terminar com tantos preliminares, o capitão já exibiu riqueza, poder, capangas, já demonstrou desejo e poderio, por que não fala de uma vez?

Ou pensa que vai levar o bom bocado de graça? Se assim imagina, então não conhece Filipa. O capitão justo pode ser proprietário de terras, de roças plantadas e de cabeças de gado, do maior armazém da cidade, chefe de jagunços, mandante de mortes, violento e perverso, mas nem por isso é dono ou parente de Tereza, não foi ele que a alimentou e vestiu durante quatro anos e meio. Se a quiser, terá de pagar.

Não foi ele nem foi Rosalvo, pai da cachaça e da preguiça, a indolência em pessoa, resto de homem, um peso nas costas de Filipa. Se tivesse dependido dele, não teriam acolhido a desgraçada, órfã de pai e mãe. Agora, no entanto, lambe os beiços quando ela passa e acompanha guloso a formação do corpo, o despontar dos seios, as primeiras curvas das ancas; com a mesma gula acompanha a engorda do porco nos chiqueiros dos fundos. Pinóia de homem, não presta para nada, só sabe comer e dormir.

Quem sustenta a casa, compra a farinha, o feijão, o jabá, os trapos de vestir e até a cachaça de Rosalvo, é ela, Filipa, com o trabalho dos seus braços, plantando, criando, vendendo aos sábados na feira. Não que Tereza houvesse dado tamanha despesa, até ajudava nos afazeres da casa e do roçado. Mas o quanto custou, muito ou pouco, a comida, a roupa, o beabá, as contas, os cadernos para a escola, quem lhe deu tudo isso foi tia Filipa, irmã de sua mãe Marieta, morta junto com o marido no desastre da marinete, vai para cinco anos. Agora, quando surgem os pretendentes, é justo seja ela, Filipa, a cobrar e a receber.

Talvez um pouco verde, nem de vez ainda, se amadurecesse mais uns dois anos, estaria no ponto. Assim tão menina, não há como negar, é malvadeza entregá-la ao capitão, mas louca seria Filipa se resolvesse esperar ou se opor.

Esperar para vê-la na cama com Rosalvo ou nos matos com um moleque qualquer? Se opor para Justiniano levá-la à força, na violência e de graça? Afinal, Tereza, em breves dias completará treze anos. Pouco mais tinha Filipa quando Porciano lhe fez a festa e na mesma semana caíram-lhe em cima os quatro irmãos dele e o pai e, como se não bastasse, lambuzou-a o avô, o velho Etelvino, já com cheiro de defunto. Nem por isso morrera ou ficara aleijada. Não lhe faltou sequer casamento, com bênção de padre. Também vocação de corno igual à de Rosalvo não se conhecia na redondeza. Tão chifrudo quanto cachaceiro.

Precisa saber conduzir as conversações para obter o máximo, anda bem necessitada de um dinheirinho extra. Para ir ao dentista, para se arrumar um pouco, comprar uns panos, um par de sapatos. Com o passar do tempo está ficando um estrepe, os homens na feira já não rondam em
torno dela, quando param e olham é para medir o tempo de Tereza.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTREVISTA Nº 83 SOB O TEMA:
"OS JUDEUS MATARAM CRISTO? (7)




Os "judeus pérfidos"


É longa a história do anti-semitismo na Igreja Católica. Em 1555, Paulo IV, promulgou a sua Bula "Cum nimis absurdum", que afirma que os judeus que, por sua própria culpa foram condenados por Deus à escravidão eterna... se atrevam, não só a viver entre nós, mas nas proximidades das igrejas e sem nada na sua roupa para os distinguir...
Vendo neste comportamento uma "insolência", o Papa ordenou uma série de regras contra os judeus: confinando-os a guetos, forçados a vender as suas propriedade para os cristãos a preços irrisórios, proibindo-lhes quase todos as actividades e profissões, começando pela medicina, brincar, comer e conversar com os cristãos e forçá-los a usar distintivos em suas roupas.

Durante séculos, antes e depois desta Bula, e Bula após Bula, a igreja católica instalou na consciência colectiva dos cristãos, a discriminação, rejeição e ódio aos judeus.

Até 1962, na liturgia católica da Sexta-Feira rezava-se "para os judeus pérfidos", oração que só foi suprimida pelo Papa João XXIII. Em 1965, uma das frases-chave do Concílio Vaticano II “Nostra Aetate” teve grande dificuldade em avançar por causa do secular anti-semitismo eclesiástico.
Esse documento afirma, por fim, que o que aconteceu na paixão de Cristo não pode ser assacado a todos os judeus que viveram nesses tempos nem a todos os que vivem hoje.

Embora a Igreja seja o novo povo de Deus, os judeus não devem ser apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus, como se isso ressaltasse das Sagradas Escrituras...
Consciente do património histórico que partilha com os judeus, por razões políticas e também pelo amor espiritual ao Evangelho, a Igreja Católica lamenta os ódios, perseguições e manifestações de anti-semitismo dirigidos contra os judeus em qualquer momento e por qualquer pessoa. Muitos bispos lutaram encarniçadamente contra este documento e rejeitaram estas alegações.

Altos e baixos e vais-vens depois do Concílio Vaticano II caracterizaram as relações entre Roma e o povo judeu. O pontificado de João Paulo II esteve repleto de ambiguidades. Elas são relatadas com a aguda visão crítica do pesquisador britânico David Yallop no seu livro "O Poder e a Glória" (Editorial Planeta, 2007).

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O Sardinho...



Diz a professora para os alunos:


- Amanhã, tragam todos um animal de estimação.

No outro dia, diz a professora para a menina Raquel:

- Então menina Raquel, diga-me lá o que é que trouxe...

- Eu trouxe uma cadelinha, senhora professora.

- E como é que sabe que é uma cadelinha e não um cãozinho?

- Porque é uma menina tal como eu.

- E o Pedrinho o que trouxe?

- Eu trouxe uma pombinha, senhora professora.

- E como é que sabe que é uma pombinha e não um pombo?

- Porque ela põe ovos.

- Muito bem! E o menino Joãozinho, vá, diga-me lá o que é que trouxe?

- Eu trouxe um sardinho, senhora professora.

- E como é que sabe que é um sardinho e não uma sardinha?

- Porque na lata dizia "sardinha com tomates"!!!

VÍDEO

A diferença entre mulheres e homens...

video

NOTHING'S GONNA CHANGE MY LOVE FOR YOU

TEREZA

BATISTA
CANSADA
DE
GUERRA


Episodio Nº 42


Coisa de ver e não esquecer, camarada. Eu, Maximiano Silva, proclamado Maxi, Rei das Negras, vigia do Posto de Saúde de Buquim, sobrevivente e testemunha, ainda hoje fecho os olhos e enxergo Tereza, aquela formosura toda, levantando o saco do chão a gemer e a rezar, uma ferida só, o moço Zacarias. Fecho os olhos e vejo: lá vai ela equilibrando o peso no ombro, curvada, no rumo do lazareto. Tereza Medo Acabou, outro nome seu, talvez o primeiro que lhe deram, faz tempo, sabe o distinto como e porquê?


2


Tereza Batista não completara ainda treze anos quando sua tia Filipa a vendeu, por um conto e quinhentos, uma carga de mantimentos e um anel de pedra falsa, porém vistosa, a Justiniano Duarte da Rosa, capitão Justo, cuja fama de rico, valente e atrabiliário corria por todo o sertão e mais além. Onde arribasse o capitão com os seus galos de briga, a tropa de burros, os cavalos de sela, o caminhão e a peixeira, o maço de dinheiro e os capangas, sua fama chegara primeiro, na frente do cavalo baio, adiante do caminhão, abrindo campo aos bons negócios.

O capitão não era de muito discutir e amava constatar o respeito que sua presença impunha. “Estão se borrando de medo”, sussurrava satisfeito a Terto Cachorro, chofer e pistoleiro, foragido da justiça de Pernambuco. Terto puxava da faca, do rolo de fumo, o medo crescia em redor.

“Não paga a pena discutir com o capitão, quem mais discute mais perde, para ele a vida de um homem não vale dez-réis de mel coado.”

Contavam de mortes e tocaias, de trapaças nas brigas de galo, de falsificações nas contas do armazém, cobradas no sopapo por Chico Meia Sola, de terras adquiridas a preço de banana, sob ameaça de clavinote e punhal, de meninas estupradas no verdor dos cabaços, meninas eram o fraco de Justiniano Duarte da Rosa. Quantas já deflorara, menores de quinze anos? Um colar de argolas de ouro, sob a camisa do capitão, por entre a gordura dos peitos, vai tilintando nas estradas que nem chocalho de cascavel: cada argola uma menina – sem falar nas demais de quinze anos, essas não contam.


3


Justiniano Duarte da Rosa, na estica, terno branco, botas de couro, chapéu panamá, saltou da boleia de caminhão, estendeu por muito favor dois dedos a Rosalvo, a mão inteira a Filipa, com ela amável, um sorriso na cara redonda:

- Como vai, comadre? Posso merecer um copo de água?

- Tome assento, capitão, vou passar um cafezinho.

Pela janela da saleta pobre, o capitão brechava o olho cúpido na menina solta no capinzal, montada nas goiabeiras, em saltos e correrias, às voltas com o vira-lata. No alto da árvore mordia uma goiaba. Parecia um moleque, o corpo esguio, os peitos apenas despontando na chita da blusa, o saiote no meio das coxas longas. Magra e comprida, ainda tão sem jeito de mulher, a ponto dos garotos das vizinhanças, uns atrevidos de sabedoria acesa, na permanente caça às meninotas para os inícios do desejo na revelação dos primeiros toques, beijos e achegos, nem ligarem para Tereza – corriam com ela nos jogos de cangaço e de guerra e até a aceitavam de comandante, ágil e ousada por demais. Ganhava a todos na corrida, ligeira como ninguém, subia aos galhos mais altos. Nela tampouco despertara a malícia, nem sequer a curiosidade de ir com a aça
Jacira e a gorda Ceição espiar o banho dos rapazes, no rio.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
À ENTRVISTA Nº83 SOB O TÍTULO:
“OS JUDEUS MATARAM CRISTO?” (6)

"Os judeus": Um Equívoco


Segundo a Associação Amizade Judaico-Cristã Europeia, criado após a Segunda Guerra Mundial e dos horrores do Holocausto, o uso generalizado do termo "judeus", 71 vezes no Evangelho de João, muito mais do que nos outros três evangelhos, tem contribuído para o anti-semitismo cristão. O Evangelho de João foi escrito quando a tensão entre as comunidades cristãs e as comunidades judaicas estavam prestes a causar uma ruptura definitiva.
Uma comissão de teólogos judeus, católicos e protestantes avaliaram esta opinião, afirmando que o uso do termo "judeus" leva, no mínimo, causar confusão, porque às vezes é usado para se referir às autoridades religiosas de Israel, outras vezes povo inteiro e outras ainda os habitantes da Judeia, por contraposição aos da Galileia do Norte.


A comissão propôs que, pelo menos nos textos litúrgicos da Semana Santa cristã, sejam utilizados outros termos. Por exemplo, em vez de: “Há muito tempo que os judeus queriam apedrejar (João 11,8)”… dizer: “recentemente as pessoas da Judeia queriam apedrejar.”


Os fundadores desta associação comprometeram -se a evitar o uso da palavra “judeu” no sentido exclusivo de "inimigos de Jesus” ou para designar todo o povo judeu.

domingo, fevereiro 27, 2011

HOJE É DOMINGO


Meus amigos, a vida são rotinas e esta repetição monocórdica dos Domingos em cada sete dias da semana é a chave para que assim seja. Quando se é mais novo, normalmente, detesta -se a rotina, desejam-se “coisas novas”, aventuras, sensações e experiências nunca vividas… é compreensível, então, a força da vida explode dentro de nós.

Mas esta rotina é um engano em que gostamos de nos envolver. Procuramos fazer as mesmas coisas, às mesmas horas e nos mesmos dias como se assim fosse possível iludir o tempo mas no fundo, lá bem no fundo, sabemos que a pessoa que no domingo passado se sentou neste mesmo Café a ler o jornal do costume já não é bem a mesma pessoa…

Parece que estamos montados numa roda e não paramos de andar à volta, à volta… pura ilusão: há um caminho rectilíneo que não tem regresso, não se repete, nem se sabe para onde vai.

Se a minha cidade de Santarém pudesse descrever esse caminho, contaria a história de um príncipe, de seu nome Abidis, fruto de uma relação do Rei Ulisses de Ítaca com a Rainha Calipso, que foi abandonado pelo avô, Rei dos Conetas, que o lançou às aguas do Tejo dentro de uma cesta que, por milagre, aportou na praia de Santarém onde uma serva o criou. Tempos depois, Abidis foi reconhecido por sua mãe, Calipso, o que lhe permitiu apresentar-se como o legítimo herdeiro ao trono.

Desta história restou para a cidade aquela que foi a sua Pastelaria de melhor qualidade e à qual os munícipes insistem em chamar “a” Abidis, trocando-lhe o sexo.

Enfim, histórias são histórias, verdadeiras ou falsas pouco importa.

Por exemplo, a realidade conta-nos agora uma história que há um mês atrás não passaria disso mesmo… uma história:

- Kadhafi, na Líbia, diz que está disposto a morrer como um mártir na sua terra… e enquanto não morre já não se conhece o número de mártires que fez. Sou eu ou os talibãs… afirma com a convicção dos chantagistas.

- Os tunisinos querem o repatriamento do seu ex-presidente Bem Ali da Arábia Saudita, onde refugiou, para o julgarem… (dizem que está em coma num hospital… se assim for bem se pode dizer que a morte tudo resolve.)

- As autoridades do Egipto pediram o congelamento das contas bancárias de Mubarak…

- Os jovens em Marrocos gritam slogans de que “o rei é para reinar, não é para governar”…

- A cidade de Argel estava sob controle de um forte dispositivo policial e militar instalado no centro da cidade deste sábado… 19/2/2011.

Anos e anos de uma paz montada sobre a tirania de regimes e a corrupção dos seus líderes que se apossaram das riquezas dos países em seu favor e das respectivas famílias e correligionários, deixando para os súbitos as migalhas dessas fortunas.

Como se vê agora, estes circunstancialismos estavam a ser levados em conta por quem tinha como missão escrever a “história” dos países do Norte de África. A europa e o mundo é que andavam distraídos…ou talvez não, apenas lhes conviesse.

Por cá, continuamos no braço de ferro com Srª Merkel e entretanto vamo-nos afundando numa dívida (7,7% de juros nos empréstimos a 10 anos) que eu tenho dúvidas que os nossos netos a consigam pagar… até quando?

Entretanto, aumentamos as receitas fiscais relativamente a Janeiro do ano passado em 15%, o que é bom, mas melhor seria se as despesas do Estado tivessem ido pelo mesmo caminho... mas não foram. Fala-se que aumentaram até 0,9%, mesmo com o corte dos salários dos funcionários públicos o que, a ser assim, chega a ser dramático...

Bom Domingo para todos.

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