segunda-feira, maio 07, 2007

Mais do mesmo....na Madeira


MAIS DO MESMO…NA MADEIRA



Ao fim de quase trinta anos de Poder de Alberto João Jardim tudo quanto acontece na Madeira é o que se espera que aconteça. Tanta previsibilidade quase que dá sono e os madeirenses já teriam morrido de tédio não fosse a alegria esfusiante de Alberto João que alterna com a agressividade contra os políticos e jornalistas do “contenente” tudo para criar a excitação que falta na vida política na Madeira onde Alberto João é o único que se excita.

Quando julgou oportuno desfez o seu governo e retoma-o mais adiante para sentir o prazer de, entretanto, esmagar os seus adversários políticos o que, de resto, também não constitui nenhuma novidade mas sempre oferece oportunidade para se passear entre os seus súbitos levando atrás de si os do costume, com os microfones do costume, as perguntas do costume e, já agora, as respostas do costume.

E tudo continuaria previsível não fosse a marcha inexorável do tempo que trás consigo o envelhecimento dos homens e põe fim às carreiras políticas a menos que alguma cadeira desengonçada se lhe antecipe.

Não fora ele, o tempo, os netos dos madeirenses far-se-iam homens e envelheceriam à sombra protectora de Alberto João na defesa intransigente dos seus “interesses” contra os “fascistas”do “Contnente”.

É que o Poder de Alberto João tem os seus alicerces numa teia de interesses que não se resumem ao núcleo duro dos seus apoiantes antes se estendem a uma grande fatia dos 250.000 habitantes da Ilha em maior ou menor grau ou, simplesmente, por medo do seu futuro sem Jardim.

Mas desengane-se quem pense que foi apenas mais dinheiro aquilo que moveu Alberto João neste seu último acto da peça teatral que tem sido toda a sua governação.

O dinheiro foi o pretexto para reforçar o seu poder de reivindicação de mais Poder para o Governo da sua Madeira sob o nome de mais Autonomia, no limite da Independência que ele proclamaria se fosse mais novo e lhe conviesse.

A corrida de Alberto João está perdida porque é contra o tempo e a idade já pesa e no futuro pessoa alguma irá ter, como ele, condições e qualidades para comandar os destinos dos madeirenses numa qualquer aventura mais arriscada.

Entretanto, inscrito ou não na Ordem dos Engenheiros, José Sócrates está para ficar e com ele irão esfumar-se as ambições do velho Alberto por uma Madeira a viver no limiar da independência dos fascistas do “Contnente” e assim, vamos continuar a ter Mais do Mesmo à espera que a inevitável lei do tempo ponha termo ao reinado do político mais “louco” deste país de “pessoas bem comportadas”.

sexta-feira, maio 04, 2007

O cigarro...aquela saudade...


O CIGARRO…AQUELA SAUDADE…

Vem a propósito, agora que a Assembleia da República prepara legislação para disciplinar os fumadores quanto aos locais em que o podem fazer, recordar os meus primeiros cigarros, surripiados do maço de tabaco do meu pai e fumados às escondidas na casa de banho.

Tinha então os meus 12, 13 anos de idade e estávamos no princípio da década de 50, quando o Aeroporto de Lisboa ficava fora da cidade e as pessoas faziam passeios ao Domingo para verem de perto os aviões que aterravam e descolavam.

Nessa altura, fumar era um acto inofensivo mas reservado a adultos, sinal de status conferido às pessoas de maior idade, já com responsabilidades e por isso proibido aos jovens por questões de educação e respeito para com os mais velhos.

Recordo o meu tio que já casado e com filhos nunca fumou à frente do meu avô e era frequente pedir-se autorização para fumar quando o interlocutor era uma pessoa mais velha e de “respeito”.

Os cigarros acompanharam-me ao longo de quase toda a minha vida, estimularam-me os neurónios quando estudante, apoiaram-me na angústia durante a guerra em África e puseram termo a todas as minhas refeições, inalados voluptuosamente, com o inevitável cafezinho.

Quando se me tornou evidente que o fumo era um atentado à minha saúde e concretamente aos meus brônquios que não paravam de protestar, pensava no prazer do cigarro com o café, após a refeição, e dizia para comigo: “nunca serei capaz de me privar desse prazer” e decidi, então, que esses seriam os únicos cigarros que fumaria, numa espécie de solução de compromisso entre mim e o vício.

E foi assim durante alguns anos até ao dia em que a vida pressionou mais e os cigarros voltaram a instalar-se, sem grande surpresa, de pleno direito, no meu dia a dia.

A conclusão era óbvia: se elegemos um inimigo não podemos negociar com ele e, sendo assim, tinha de partir para a guerra total ou então aceitar a derrota, entregar-me nas suas mãos e acartar com todas as consequências sob a minha inteira responsabilidade.

Matutei durante algum tempo sobre a decisão a tomar e enquanto continuava a fumar olhava para os cigarros que transformava em cinza já não como companheiros dos bons e maus momentos mas como o inimigo que abusivamente, contra a minha vontade, se tinha apoderado de mim.

Decidi, que na salvaguarda da minha saúde tinha de romper totalmente com o tabaco e para isso iria precisar de todas as minhas forças e o sofrimento, fosse ele qual fosse, seria o preço a pagar.

Sobre este aspecto nunca tive quaisquer dúvidas: nem pastilhas, adesivos ou outros aliados de ocasião… seria um combate a dois.

Em Dezembro de 1995, antes de embarcar numa viagem de avião, fumei o meu último cigarro e durante muitos dias e noites cerrei os dentes para conseguir manter a decisão e, pouco a pouco, eles foram sendo cada vez mais aquilo que são hoje: uma saudade.

Há muito tempo que as hostilidades terminaram e agora só há lugar às recordações e a uma maior compreensão para com todos os fumadores, especialmente aqueles que me incomodam com o seu fumo na mesa do café ao lado da minha.

Tempo houve em que eu fazia o mesmo sem me passar pela cabeça que não me assistia o direito para tal e agora os legisladores vão pôr em letra de lei onde se pode fumar tendo em vista os direitos dos não fumadores que eram, anos atrás, completamente desconhecidos.

Pessoalmente, sinto-me feliz por ter ganho, há 12 anos, a guerra contra o cigarro porque não só a minha qualidade de vida melhorou da noite para o dia como também não tenho que mergulhar nos guetos para onde, progressivamente, vão ser empurrados os fumadores por muito que isso doa ao Miguel Sousa Tavares e a outros assumidos adeptos do tabaco.

Recebi os cigarros na minha vida como uma herança da nossa cultura que o meu pai me transmitiu pelo seu exemplo mas tinha atrás dele toda a sociedade que ignorando as terríveis consequências para a saúde era cúmplice silenciosa preocupada apenas com questões menores de “respeito” e “educação” dos jovens para com os adultos o que, no fundo, era uma forma de inocentar o tabaco.

Hoje, os números terríveis das estatísticas sobre os resultados do tabaco na vida dos fumadores e o que eles escondem de sofrimento e morte estão por todo o lado e por isso todos os sinais que os governos possam dar nunca serão demais… da morte, ninguém sabe mas da saúde…que ninguém alegue ignorância e quem estiver esquecido faça uma visita aos hospitais para reavivar a memória.
























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